quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Lula reafirma necessidade do fim da escala 6x1: "é hora de pensar no bem-estar das pessoas"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta segunda-feira (23) o fim da chamada escala de trabalho 6x1 no Brasil e afirmou que o país precisa priorizar a qualidade de vida da população diante das transformações no mundo do trabalho. A declaração foi feita em Seul, durante o encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul, que reuniu autoridades e representantes do setor produtivo dos dois países.

Em seu discurso, Lula sustentou que o debate sobre a jornada de trabalho está alinhado às mudanças tecnológicas e aos impactos da pressão por desempenho na sociedade contemporânea. “Estamos discutindo, no Brasil, o fim da chamada jornada seis por um, para assegurar que o trabalhador tenha dois dias de descanso semanal. A tecnologia nos permitiu atingir níveis inimagináveis de produtividade. É hora de pensar no bem-estar das pessoas”, afirmou.

Ao contextualizar o cenário atual, o presidente citou o filósofo sul-coreano Byung Chul Han, ao mencionar a ideia de uma “sociedade do cansaço”, na qual as exigências profissionais afetam o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. Para Lula, o diálogo constante entre governos, trabalhadores e empregadores é fundamental para construir uma economia forte e inclusiva.

<><> Desenvolvimento e papel do Estado

O presidente também destacou que o Brasil pode extrair lições da trajetória econômica da República da Coreia. Ele lembrou que, nos anos 1960, o PIB per capita sul-coreano correspondia a menos da metade do brasileiro e que, atualmente, é três vezes superior. Ressaltou ainda que, enquanto o Brasil adotou políticas de orientação neoliberal nos anos 1990, a Coreia manteve investimentos estratégicos com forte participação estatal.

“Nenhum país que chegou atrasado à corrida industrial conseguiu subir a escada do desenvolvimento sem políticas públicas robustas”, declarou. Segundo ele, a experiência coreana demonstra a importância de elevar o nível educacional da população e de consolidar uma economia diversificada e tecnologicamente sofisticada.

<><> Potência agrícola e busca por diversificação

Lula ressaltou que o Brasil registrou, em 2025, a maior safra de grãos de sua história, com 350 milhões de toneladas, consolidando-se como um dos principais fornecedores globais de alimentos. Apesar disso, defendeu a ampliação da base econômica nacional como estratégia para enfrentar instabilidades internacionais e o avanço do protecionismo.

O presidente classificou a Coreia do Sul como parceira estratégica nesse processo. Atualmente, o Brasil é o principal destino de investimentos sul-coreanos na América Latina. Empresas como Samsung, Hyundai e LG mantêm forte presença no mercado brasileiro. O estoque de investimentos coreanos no país soma cerca de US$ 9 bilhões, tornando a Coreia o quarto maior investidor asiático no Brasil.

<><> Investimentos e cooperação tecnológica

Nos últimos três anos, o governo brasileiro lançou programas como o PAC, a Nova Indústria Brasil (NIB), o Mobilidade Verde e Inovação (MOVER) e o Plano de Transformação Ecológica, apresentados por Lula como iniciativas que oferecem condições atrativas a investidores estrangeiros.

O presidente destacou indicadores positivos da economia brasileira, como a menor taxa de desemprego da história, além da matriz energética com forte participação de fontes renováveis e da redução de 50% no desmatamento da Amazônia em 2025 na comparação com 2022.

Ele também apontou oportunidades de cooperação em setores de alta tecnologia. A Coreia é o segundo maior produtor mundial de semicondutores e tem posição relevante no mercado de baterias, enquanto o Brasil dispõe de minerais críticos essenciais para a indústria de eletrônicos e veículos elétricos. “O papel de meros exportadores de matérias-primas não condiz com nosso potencial. Buscamos parcerias que nos permitam agregar valor e produzir tecnologia de ponta em solo brasileiro”, afirmou.

No setor aeroespacial, Lula citou a atuação da start-up coreana Innospace no Centro de Lançamento de Alcântara e mencionou a possibilidade de ver um foguete sul-coreano operando a partir do Brasil. Ele também defendeu maior integração entre as agências espaciais dos dois países, incluindo o compartilhamento de dados de satélites e projetos de exploração lunar.

<><> Saúde, cosméticos e economia criativa

Na área de saúde, o presidente mencionou o avanço na construção do laboratório de biossegurança Órion, conectado a um acelerador de partículas, e destacou a cooperação entre instituições como a Fiocruz e entidades coreanas. Segundo ele, a expectativa é ampliar a produção conjunta de vacinas, medicamentos e insumos médicos.

Lula também abordou o setor de cosméticos, informando que, em 2025, as exportações brasileiras de produtos de beleza superaram US$ 1 bilhão pela primeira vez. A indústria sul-coreana, por sua vez, já disputa espaço com a França no mercado global. O presidente avaliou que a combinação entre biodiversidade brasileira e tecnologia coreana pode ampliar a presença internacional dos dois países.

Na economia criativa, ele citou o alcance global do funk brasileiro, do K-pop, do cinema e das produções audiovisuais, ressaltando que o setor representa mais de 3% do PIB brasileiro, superando a indústria automobilística em participação.

<><> Comércio bilateral e novos acordos

A corrente de comércio entre Brasil e Coreia do Sul gira em torno de US$ 11 bilhões, abaixo do recorde de quase US$ 15 bilhões registrado em 2011. Lula avaliou que o volume atual não corresponde ao porte das duas economias e celebrou a assinatura de um acordo de cooperação comercial e integração produtiva, com foco em áreas como indústria, tecnologia, agricultura, minerais estratégicos e audiovisual.

A Apex identificou 280 oportunidades para produtos brasileiros no mercado sul-coreano, que vão de alimentos e bebidas a produtos químicos. O presidente mencionou ainda o interesse brasileiro em obter acesso ao mercado de carne bovina da Coreia. “Estamos prontos para avançar nos procedimentos sanitários necessários para que o Brasil esteja no prato do cidadão coreano”, disse.

Por fim, Lula defendeu a retomada das negociações de um acordo entre o MERCOSUL e a República da Coreia, após a assinatura do tratado com a União Europeia. Segundo ele, o diálogo e a cooperação são a melhor resposta a tentativas de transformar o comércio internacional em instrumento de pressão.

•        Contra o trabalhador, PL e União Brasil articulam para travar votação do fim da escala 6x1

Os presidentes do PL, Valdemar da Costa Neto, e do União Brasil, Antônio Rueda, afirmaram que vão atuar para impedir que a proposta de emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6x1 seja levada ao Plenário da Câmara antes das eleições. Ambos reconheceram que, se a matéria avançar para votação aberta, a tendência é de aprovação ampla.

As declarações, segundo o jornal O Globo, foram dadas na noite desta segunda-feira (23), em São Paulo, durante jantar promovido pelo grupo Esfera Brasil. O evento reuniu empresários e representantes de empresas como Google, iFood e JHSF, além de integrantes do setor varejista e de outros segmentos da economia, que reagiram com aplausos às manifestações contrárias à proposta.

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<><> Estratégia para barrar a votação

Antônio Rueda declarou ter uma “posição pessoal” contrária ao projeto por entender que ele “vai onerar o setor produtivo e gerar inflação”. Ao mesmo tempo, admitiu a dificuldade de parlamentares que disputam reeleição se posicionarem contra a proposta.

“É uma posição muito cruel para quem está disputando uma reeleição ou um outro mandato. A gente tem que ter inteligência e segurar que essa votação vá para o Plenário, porque se ela for a Plenário, vai ser avassaladora (a aprovação). É um assunto muito penoso para o setor produtivo, eu tenho uma posição pessoal que eu vou defender junto à minha bancada. Isso vai ser um desatino, quem vai pagar essa conta são os consumidores. Eu defendo que a gente possa construir uma ‘barrigada’ (protelada) na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados). Eu defendo aqui uma posição, junto com o Valdemar em que a gente possa construir uma unidade dentro das comissões, principalmente na CCJ, para a gente poder ir ‘barrigando’ isso”, afirmou.

<><> Pressão do setor empresarial

Valdemar da Costa Neto também ressaltou o impacto político da votação para deputados e senadores. “Se o camarada votar contra é muito difícil para ele”, disse. O dirigente defendeu mobilização do empresariado junto aos parlamentares para evitar que a matéria avance ao Plenário.

“Nós temos que trabalhar para não deixar votar de jeito nenhum, pedir a pressão dos empresários em cima de seus deputados, para a gente segurar isso para não votarmos. Se puser isso em pauta, é muito difícil não passar, eu tenho que ser honesto com vocês”, declarou. Em seguida, acrescentou: “O que nós pretendemos fazer? Trabalhar com o presidente da Câmara e segurar isso aí na CCJ, é onde será a guerra.”

•        Governo Lula e Motta iniciam ofensiva pelo fim da escala 6x1

O governo federal e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), articulam uma ofensiva para acelerar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 — modelo em que o empregado trabalha seis dias consecutivos e folga apenas um. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aliados veem na proposta uma bandeira capaz de mobilizar eleitores nas eleições de outubro.

A intenção do Planalto e da cúpula da Câmara é concluir etapas importantes da tramitação ainda no primeiro semestre. Segundo o presidente da Casa, o relator da matéria será indicado no início desta semana. Caberá a ele apresentar o parecer que dará início à análise do texto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

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A expectativa é que a admissibilidade da proposta seja votada na CCJ até o fim de março. Superada essa fase, a PEC deverá ser encaminhada a uma comissão especial, com participação de parlamentares de diferentes correntes políticas. O objetivo declarado por Motta é levar o texto ao plenário para votação em maio.

A atuação do presidente da Câmara tem sido considerada intensa. Após receber críticas pela baixa produtividade da Casa no ano anterior, Motta realizou, inclusive em um domingo, uma reunião de trabalho com o presidente da CCJ, deputado Leur Lomanto Jr (União-BA), para discutir o andamento da proposta.

<><> Concessões e negociações

Para ampliar as chances de aprovação, o governo admite flexibilizações no texto original. O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), afirmou ao UOL que o partido aceita substituir a escala 6x1 por um modelo 5x2, mantendo os salários e estabelecendo limite de 40 horas semanais. A versão inicial previa carga máxima de 36 horas.

O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), autor de uma das propostas que deram origem ao debate — unificada posteriormente com o projeto apresentado por Erika Hilton (PSOL-SP) — também defende a fixação da jornada em 40 horas semanais. Para ele, essa alternativa facilita a construção de maioria no plenário.

Lopes avalia que a principal resistência está concentrada no setor de serviços, enquanto a indústria já opera com carga horária próxima das 40 horas semanais. O parlamentar tem mantido reuniões com representantes empresariais para discutir o tema. Ele possui histórico de interlocução com o setor produtivo, tendo coordenado o Grupo de Trabalho da Reforma Tributária, cuja regulamentação foi aprovada em julho de 2024.

<><> Reação empresarial

Entidades empresariais, por sua vez, intensificam a articulação contrária à proposta. Desde o início da atual legislatura, quando o tema começou a ganhar espaço, a estratégia era evitar que o debate avançasse. Com o apoio explícito do presidente da Câmara, o setor prepara uma ofensiva, incluindo a divulgação de estudos nas próximas semanas. Frentes parlamentares ligadas à indústria, ao comércio e aos serviços foram mobilizadas para atuar contra a PEC.

O deputado Luiz Gastão (PSD-CE), ligado a associações comerciais e de serviços, tem sido uma das vozes mais críticas. Relator do tema na Subcomissão de Trabalho da Câmara no ano passado, ele se posicionou contra a mudança. Ao UOL, afirmou que o fim da escala 6x1 “vai desestruturar o setor produtivo”. Segundo o parlamentar, o modelo atual permite escalas de revezamento que seriam inviabilizadas com a alteração. Ele também apontou que a flexibilidade das jornadas seria reduzida e citou casos de trabalhadores que cumprem seis horas diárias ao longo de seis dias na semana.

Gastão defende que eventual redução da jornada para 40 horas semanais só poderia ocorrer com medidas compensatórias. Entre elas, propõe a diminuição da contribuição patronal de 20% para 10%. Na avaliação do deputado, a medida evitaria aumento de custos para as empresas, que passariam a pagar o mesmo salário por menos horas trabalhadas, prevenindo repasses aos preços e possíveis impactos inflacionários.

•        Alckmin rebate presidente da Fiesp e diz que fim da escala 6x1 é "tendência mundial"

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, assinou na noite desta segunda-feira (23) um acordo de cooperação com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para promover e fortalecer as ações de combate a práticas desleais e ilegais no comércio exterior brasileiro. No evento, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, aproveitou a cerimônia de assinatura dos protocolos de intenções para pedir ao presidente em exercício que a discussão sobre o fim da escala 6x1 seja adiada para o próximo ano, principalmente por este ser um ano de eleições.

“A gente precisa que essa discussão vá para 2027. Nós estamos abertos sempre a debater tudo. Só que em ano eleitoral as emoções, os sentimentos, as motivações, muitas vezes se conflituam com os interesses do país”, disse Skaf.

Em resposta, Alckmin defendeu a necessidade de mudanças na jornada de trabalho e destacou que isso vem acontecendo em todo o mundo.

“Há uma tendência mundial de você ter uma redução. Aliás, isso já vem acontecendo. Então, esse é um debate que não deve fazer corridas e deve ser aprofundado, já que você tem situações muito distintas dentro do próprio setor produtivo. Mas isso é uma tendência”, declarou o presidente em exercício.

<><> Defesa comercial

Ao lado do presidente da Fiesp, Alckmin assinou dois documentos: um protocolo de intenções sobre defesa comercial e outro sobre ambiente regulatório e que pretende combater a burocratização e promover a competitividade.

“A cooperação com o setor produtivo na defesa comercial vai contribuir para fortalecer o comércio justo e promover um ambiente concorrencial mais equilibrado”, defendeu Alckmin.

Segundo a Fiesp, o protocolo sobre defesa comercial tem por objeto estabelecer bases para a cooperação institucional entre o ministério e a Fiesp, com vistas à promoção do comércio justo e ao adequado uso pelo Brasil dos instrumentos de defesa comercial e de combate a práticas desleais e ilegais de comércio previstos na legislação nacional e internacional. Uma das ações previstas é a criação de uma calculadora de margem de dumping, além do compartilhamento de experiências e ferramentas técnicas.

O segundo protocolo trata mais especificamente sobre ambiente regulatório e tem por objetivo estabelecer bases para a cooperação institucional entre o ministério e a Fiesp, buscando promover a desburocratização, fortalecer e promover a competitividade e a qualidade regulatória no país, reduzir custos regulatórios e administrativos para empresas e sociedade e desenvolver ações para que reduzam barreiras e custos sistêmicos para empreender e investir no Brasil. Nessa proposta está prevista, por exemplo, a ampliação da digitalização dos serviços públicos e integração dos sistemas.

“Nós vamos tomar uma medida hoje formal, objetivando avançarmos e termos no Brasil, realmente, uma defesa comercial eficiente, para que a gente não possa permitir que os nossos setores e os nossos empregos sejam atacados de uma forma injusta”, disse Skaf na cerimônia de assinatura, que ocorreu durante a reunião da diretoria da Fiesp.

<><> Selic

Em fala à diretoria da entidade, Alckmin disse ainda estar confiante que o Comitê de Política Monetária (Copom) comece, já em sua próxima reunião agendada para março, a reduzir a taxa básica de juros (Selic), atualmente estabelecida em 15% ao ano. “Estamos confiantes de que na próxima reunião do Copom comece a redução da taxa de juros”, disse ele.

Segundo o presidente em exercício, isso deve ocorrer por causa da apreciação do real e da desinflação dos alimentos. “Nós devemos ter aí uma melhora”, acrescentou Alckmin, sobre sua expectativa de melhora na economia com a tendência de redução da taxa de juros.

<><> Taxação

Aos empresários e industriais presentes à reunião da Fiesp, Alckmin voltou a falar hoje que considera positiva para o Brasil a nova tarifa global de 15% que foi estabelecida nesta semana pelo governo dos Estados Unidos.

A medida, que foi anunciada por Trump como uma resposta à decisão da Suprema Corte de derrubar as tarifas sobre produtos importados que haviam sido impostas globalmente por ele no ano passado, foi aplicada a todos os países e representa uma mudança em relação às tarifas anteriores, que variavam por nação.

“O país mais beneficiado no mundo [com essa decisão] foi o Brasil”, disse Alckmin, reforçando que o problema maior era quando os Estados Unidos haviam taxado apenas o Brasil.

“O problema dos 10% + 40% [de taxas] era um problemão [para o Brasil]. Mas essa decisão de 15% não tem problema porque são 15% para nós e para o mundo inteiro. Agora, o país mais beneficiado no mundo foi o Brasil. Abre aí uma avenida em termos de voltar a ter um comércio exterior importante com os Estados Unidos”, afirmou.

 

Fonte: Brasil 247

 

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