Franklin
Frederick: "Europa - do mito da desnazificação à Russofobia suicida"
ou "O Triunfo da Caquistocracia"
A
classe dominante européia se encontra em estado terminal. Elizabeth
Kübler-Ross, a psiquiatra de origem suíça que se dedicou ao tratamento de
pacientes terminais, identificou cinco estágios de luto pelos quais passamos ao
perder alguém. O primeiro estágio do luto descrito por Kübler-Ross é o da
negação. Face à perda de seu prestígio, influência e poder econômico e diante
sobretudo da ascenção da China e dos demais países do BRICS , a classe
dominante européia reage exatamente como previsto neste primeiro estágio do
luto, pela negação.
Com
muita raiva, confusa e atônita diante das profundas transformações do mundo, a
classe dominante européia nega veementemente o seu próprio e inevitável
declínio, sua crescente impotência e o definitivo fim do período colonial, seu
glorioso passado.
Esta
classe que ainda em 2022 reagia eufórica à operação militar especial da Rússia
na Ucrânia, certa de uma rápida vitória em que as sanções econômicas combinadas
com o poderio militar da OTAN levaria à derrota da Rússia e à queda de Vladimir
Putin , abrindo as portas para a exploração dos recursos naturais da Rússia e
de sua colonização pelo ocidente, nega agora desesperadamente que a Ucrânia e
todo o arsenal da OTAN já tenham sido derrotados, punindo violentamente as
vozes que, na Europa, ousam afirmar o óbvio, que esta guerra já está perdida. A
grande imprensa européia, porta-voz desta classe moribunda, sem se dar conta de
seu próprio ridiculo, persiste em divulgar as mentiras mais absurdas sobre a
“ameaça” russa, sobre o “ iminente colapso” da economia russa e de sua
inevitável futura, sempre futura, derrota na Ucrânia. Negar com tanta ênfase a
realidade não altera a realidade, apenas torna ainda mais patético o enorme e
lamentável esforço da negação. Em seu estado terminal a classe dominante
européia já perdeu toda a vergonha e toda a credibilidade mas ainda é capaz de
causar muito mal. Para melhor combatê-la, então, é importante lembrar um pouco
de sua história e denunciar as suas mais perigosas mentiras.
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A classe dominante européia e o mito da desnazificação
O mito
da desnazificação ao fim da Segunda Guerra Mundial é um pilar fundamental da
construção de uma pretensa “superioridade moral” da classe dominante européia,
tão importante para legitimar seu controle. Esta classe se apresenta como
orgulhosa defensora da democracia e dos direitos humanos, como inimiga
histórica do nazismo e de todos os movimentos fascistas.
A
verdade que esta classe procura tenazmente ocultar é que a reconstrução do
capitalismo europeu que permitiu a sua própria ascendência foi realizada com o
apoio e a participação de nazistas e coloboradores do nazismo, sobretudo na
Alemanha.
No fim
da Segunda Guerra a Alemanha foi dividida em distintas zonas de ocupação pelos
exércitos aliados – EUA, Reino Unido, França e URSS. Porém, como escreveu a
historiadora Mary Fulbrook em seu livro A History of Germany 1918 – 2014, houve
uma enorme diferença no tratamento dos nazistas e de seus colaboradores entre a
zona de ocupação soviética e as demais zonas:
“Na
zona soviética, dada à interpretação principalmente estrutural e socioeconômica
do nazismo que prevalecia, foram dedicados grandes esforços à reforma agrária
que serviu para abolir a classe Junker ( eram chamados Junker os nobres grandes
proprietários de terras da Prússia e da Alemanha do leste ), os recursos de
certos industriais nazis foram expropriados e houve reformas na indústria e nas
finanças que não tinham como objetivo apenas as reparações. Os soviéticos
também estavam preocupados em destituir nazis individuais de cargos
importantes. Eles realizaram expurgos não somente nas esferas política e
administrativa, mas também no corpo docente e no judiciário.”
“Para
além das tentativas de obter algum tipo de compensação pelas enormes perdas
materiais e humanas impostas pela agressão alemã, os soviéticos implementaram
certas políticas econômicas destinadas a transformar a estrutura socioeconômica
da sua zona, de modo que, na visão soviética, ela nunca mais pudesse ser a base
material para um militarismo capitalista nazista. Eles procuraram erradicar a
classe dos Junkers e os grandes capitalistas de uma só vez.”
Sobre o
lado da ocupação pelas potências ocidentais, Mary Fulbrook afirma:
“É
notável que, em contraste com a zona soviética, não houve transformações
radicais na estrutura econômica nas zonas ocidentais de ocupação.”
“A
desnazificação avançou de forma curiosa nas zonas ocidentais. Não estava muito
claro se o objetivo era punir ou reabilitar os ex-nazistas; e se a intenção era
limpar as esferas política, administrativa e econômica da presença deles, ou
limpar os ex-nazistas da mancha do nazismo, a fim de reintegrá-los nas suas
antigas áreas de especialização. Em contraste com a zona soviética, que efetuou
uma grande reestruturação da sociedade, juntamente com a substituição das
antigas elites por novos quadros, além de permitir a reabilitação individual,
as zonas ocidentais tenderam mais para a reabilitação do que para a
transformação.”
Ainda
segundo Mary Fulbrook:
“No
entanto, pode-se argumentar que, de maneiras mais sutis e menos óbvias, houve
de fato uma grande reorientação socioeconômica nas zonas ocidentais da
Alemanha. No período imediatamente após a guerra, muitas pessoas acreditavam
que o caminho estava aberto para uma transformação socialista da Alemanha. A
decisão dos Aliados de suprimir os grupos antifascistas locais e apoiar
partidos políticos moderados e conservadores teve um paralelo na esfera da
política econômica.A demanda local, por exemplo, pela socialização das minas
foi peremptoriamente negada pelos americanos. As medidas de socialização
propostas pelos governos estaduais de Hesse e Renânia do Norte-Vestfália foram
suprimidas pelos americanos e — sob pressão americana — pelos britânicos,
respectivamente. Os americanos exerceram pressões sutis para dividir os
sindicatos comunistas e socialistas, a fim de isolar os primeiros e moderar os
segundos.”
Por
fim:
“Os
ex-nazistas, tanto os comprometidos quanto os conformistas, conseguiram se
integrar facilmente na Alemanha de Adenauer ( Konrad Adenauer foi o primeiro
chanceler da Alemanha Ocidental, de 1949 a 1963). Embora no período
imediatamente após a guerra cerca de 53.000 funcionários públicos tenham sido
demitidos por pertencerem ao NSDAP ( o partido nazista) , apenas 1.000 foram
excluídos permanentemente de qualquer emprego futuro. De acordo com a Lei de
Reintegração de 1951, muitos foram recontratados no serviço público e obtiveram
créditos de pensão integral pelos seus serviços no Terceiro Reich. No início da
década de 1950, entre 40% e 80% dos funcionários eram ex-membros do NSDAP. Da
mesma forma, apenas muito poucos membros do poder judiciário foram permanentemente
desqualificados. Os ex-nazistas conseguiram até mesmo obter posições de
destaque na vida pública. Adenauer estava preparado para incluir ex-nazistas em
seu gabinete, como o ex-membro da SS Oberlaender como Ministro para Refugiados.
Talvez a mais controversa das nomeações de Adenauer tenha sido a de Hans
Globke, autor do comentário oficial das Leis Raciais de Nuremberg de 1935, como
assessor-chefe de sua Chancelaria.”
Sobre
os tribunais responsáveis pelos processos contra os nazistas, Mary Fulbrook
comenta:
“Os
tribunais logo passaram a ser comparados a lavanderias. Entrava-se vestindo uma
camisa marrom e saía-se com uma camisa branca limpa e engomada. A
desnazificação acabou por se tornar, não a purificação da economia, da
administração e da sociedade alemãs dos nazis, mas sim a purificação e a
reabilitação dos indivíduos nazistas.”
David
de Jong, um jornalista holandês que investigou alguns casos particulares de
industriais e banqueiros nazistas e apoiadores do nazismo na Alemanha, publicou
em 2022 o livro Bilionários Nazistas - A tenebrosa história das dinastias mais
ricas da Alemanha, onde informa:“Em 1970, Friedrich Flick, August von Finck,
Herbert Quandt e Rudolf-August Oetker constituíam os quatro empresários mais
ricos da Alemanha Ocidental, por ordem decrescente de fortuna. Todos os quatro
eram ex-membros do Partido Nazista; um deles tinha sido oficial voluntário da
Waffen-SS; todos tinham se tornado bilionários.”
Em seu
livro David de Jong dedica especial atenção ao uso de trabalho forçado de
prisioneiros de guerra em fábricas da Alemanha e dos países ocupados.
Mencionando Friedrich Flick, por exemplo, o autor escreve:
“Em
1943, aqueles que realizavam trabalhos forçados nas minas de carvão de Flick
eram mulheres e crianças consideradas aptas para trabalhar nas minas a céu
aberto. Muitos eram adolescentes russos com idades entre treze e quinze anos.
Quando Flick completou sessenta e um anos, o seu conglomerado tinha entre
120.000 e 140.000 trabalhadores. Cerca de metade deles eram trabalhadores
forçados ou escravizados.”
E
ainda:
“IG
Farben, Siemens, Daimler-Benz, BMW, Krupp e várias empresas controladas por
Günther Quandt e Friedrich Flick foram alguns dos maiores utilizadores privados
de trabalho forçado e escravo.”
“As
colaborações de trabalho escravo entre campos de concentração administrados
pela SS e empresas alemãs incluíram Auschwitz com a IG Farben, Dachau com a
BMW, Sachsenhausen com a Daimler-Benz, Ravensbrück com a Siemens e Neungamme
com a AFA de Günther, a Volkswagen de Porsche e a Dr. Oetker.”
Ferdinand
Porsche, o famoso designer e proprietario da fábrica de automóveis que leva o
seu nome e também da Volkswagen, foi um dedicado colaborador do regime nazista
e produtor de armamentos para o exército alemão. Porsche utilizou trabalhadores
escravos não somente na Alemanha, mas também na fábrica da Volkswagen na França
ocupada. Segundo de Jong, Porsche foi inocentado por um tribunal em Dijon, na
França, em 1948. E, ainda segundo de Jong, “nem sequer mencionado no
julgamento” foi a uilização de “milhares de civis e soldados franceses como
trabalhadores forçados e escravos no complexo da Volkswagen”.
Em
plena era Adenauer, em 1951, foi fundada na Alemanha a Associação Stille Hilfe
– Ajuda Silenciosa. A organização alemã Zukunft brauch Erinnerung – O Futuro
precisa de Memória – informa em seu
website que a Stille Hilfe é “uma organização que se dedicava principalmente a
apoiar assassinos nazistas, mas que, infelizmente, só muito tarde se tornou
conhecida do público e de forma rudimentar. O que era assustador nessa
organização de ajuda, além de suas intenções incompreensíveis, era o fato de
quais pessoas estavam envolvidas nela ou a apoiavam. Pelo menos até 2011, a
organização ainda era muito ativa.”
Sua
fundadora, a Princesa Helene Elisabeth von Isenburg, se dedicou principalmente
a prestar assistência jurídica a criminosos de guerra nazistas condenados à
morte que estavam presos na prisão de Landsberg, sob controle dos aliados.
Ficou conhecida como “Mãe dos Landsberger”. Esta associação também prestava
ajuda financeira aos criminosos nazistas e aos seus familiares.
É
importante também mencionar a Divisão Azul, um grupo formado por voluntários
franquistas espanhóis que se juntaram ao exército nazista na luta contra a
União Soviética. Em 2015 vários parlamentares do partido Die Linke na Alemanha
fizeram uma interpelação ao Governo Alemão
sobre o pagamento de cerca de de 100.000 euros anuais em pensões que
ainda eram feitos a estes ex-combatentes nazistas e às suas famílias pelo
Governo da Alemanha, o que o partido Die Linke considerou um escândalo.
Que uma
associação com os objetivos da Stille Hilfe pudesse ter sido criada na Alemanha
em 1953 e que pensões a ex-combatentes nazistas de um país estrangeiro ainda
fossem pagas em 2015 pelo Governo na Alemanha são mais duas contundentes
evidências contra o mito da desnazificação. Fatos semelhantes ocorreram por
toda a Europa ocidental onde nazistas e seus colaboradores tiveram um papel
importante não somente na reconstrução do capitalismo europeu mas também na
repressão aos movimentos populares que exigiam mudanças revolucionárias na
organização social, como a socialização de minas mencionado pela historiadora
Mary Fulbrook. Foi essa pressão popular que levou à criação do estado de bem
estar social – o welfare state – em países como a própria Alemanha, a França e
a Inglaterra. É importante lembrar que o capitalismo como sistema econômico
saiu completamente desacreditado da guerra e foi necessária sua reimposição em
toda a Europa pelos Estados Unidos com a colaboração das antigas elites
européias que apoiaram o fascismo na Itália e o nazismo na Alemanha. Com o fim
da Segunda Guerra, os fascistas, os nazistas e seus colaboradores tinham
ademais uma outra função da maior importância: a luta contra a URSS.
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As muitas faces da Russofobia
A
Russofobia tanto na Europa quanto nos EUA tem uma longa história, que remonta à
Revolução Russa de 1917. O período da Guerra Fria acentuou a Russofobia que se
estabeleceu firmemente até mesmo na cultura popular onde os soviéticos eram
apresentados sempre como vilões caricatos nos mais variados filmes e livros.
Paradoxalmente, foi a partir da dissolução da URSS em 1991 que a Russofobia
ganhou novas dimensões. Os anos da presidência de Boris Yeltsin na Rússia de
1991 a 1999 foi o período de maior euforia do Ocidente em relação ao seu antigo
adversário. A URSS havia sido derrotada, os imensos recursos naturais da Rússia
estavam agora disponíveis para privatizações. Segundo estimativas do FMI, a
fuga de capitais da Rússia nos anos 90 foi de cerca de 150 bilhões de dólares.
O país mergulhava no caos e na depressão econômica e aos olhos do Ocidente a
Rússia estava muito perto de se tornar uma nova colonia ocidental. Ao suceder
Yeltsin em 1999, Vladimir Putin conseguiu reverter este processo de decadência
política e econômica, impedindo a neocolonização da Rússia, o que o Ocidente
nunca perdoou. Esta é a origem da demonização de Vladimir Putin, um ingrediente
importante alimentando a Russofobia atual. Com a missão militar especial na
Ucrânia, Putin mais uma vez frustrou os interesses do Ocidente. Através de uma
guerra por procuração na Ucrânia, as potências ocidentais, com seus bloqueios
econômicos e o poderia militar da OTAN, esperavam destruir a economia russa,
derrubar o governo de Putin e colocar alguém como Yeltsin no poder na Rússia.
O
Ocidente sonhava votar à grande festa russa dos anos 90. Mais uma vez Putin
estragou a festa e o que aconteceu foi o contrário: foram as economias das
potências ocidentais européias mais engajadas na guerra – Reino Unido, França e
Alemanha – as mais afetadas.
Segundo
as estimativas do Banco Mundial, em 2024, dois anos depois do início da
operação militar especial na Ucrânia e sofrendo com as amplas sanções
econômicas impostas pelo Ocidente, a Federação Russa teve um taxa de
crescimento de 4.3. As taxas de crescimento da França, Reino Unido e Alemanha
neste mesmo ano, ainda segundo o Banco Mundial, foram de 1.2 , 1.1 e -0.5
respectivamente.
Já a
porcentagem da dívida pública em relação ao PIB na Federação Russa em 2025,
segundo o FMI, era de 24.8. No mesmo ano a da França era de 119.6, a do Reino
Unido 104.8 e a da Alemanha 66.
Estes
dados mostram que objetivamente a economia da Rússia está bem melhor do que a
economia das potências européias ocidentais. Diante desses números pode-se
compreender a frustação e o desespero da classe dominante européia que ainda
sonha em se apossar dos recursos naturais da Ucrânia e da própria Rússia para
solucionar sua crise. O suprimento de energia barata proveniente da Rússia,
fundamental para o desenvolvimento da indústria alemã e de outros países
europeus, foi irresponsavelmente suprimido pela russofobia histérica, um
verdadeiro suicído econômico. Impotentes para reverter o declínio econômico
causado pelas suas próprias ações, resta à classe dominante européia
intensificar a Russofobia, demonizar Putin e culpar a Federação Russa pelos
seus próprios fracassos.
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Russofobia e autoritarismo
Na
Europa a Russofobia tem sobretudo a função de justificar o crescente
autoritarismo dos governos europeus e da União Européia, numa tentativa
desesperada de manter no poder uma classe política que não consegue mais se
sustentar por consenso. Cada vez mais a União Européia intensifica seus ataques
à democracia e às vozes críticas de sua políticas, como denunciou o jornalista
norte-americano de origem Palestina, Ali Abunimah neste texto:
“Em
maio do ano passado, a União Europeia adotou seu 17º pacote de sanções
supostamente direcionadas à Rússia. Mas essas sanções e outras que se seguiram
não visavam apenas entidades e indivíduos russos. Bruxelas também começou a
visar – aparentemente pela primeira vez – cidadãos da UE e outros cidadãos
europeus. O que é particularmente chocante é que esses indivíduos foram
sancionados simplesmente por suas opiniões – jornalismo ou pontos de vista que
discordavam das políticas externas de seus governos, da OTAN e da União
Europeia.
Entre
eles estão Xavier Moreau – um ex-oficial militar francês e fundador da
Stratpol, um site crítico da OTAN e do governo francês, com sede em Moscou – e
os cidadãos alemães Alina Lipp e Thomas Röper, sancionados por suas reportagens
na Rússia.
Em
dezembro, a UE também sancionou Jacques Baud, um ex-coronel do exército suíço e
analista de inteligência, conhecido na mídia independente por suas análises
sobre a OTAN e a estratégia ocidental no contexto da guerra na Ucrânia.
Baud
mora em Bruxelas, mas, devido às sanções, não pode viajar de volta para seu
país a Suíça, que não é membro da UE. De acordo com o jornalista Patrick Baab,
que o visitou recentemente na capital belga, Baud sobrevive com as poucas
centenas de dólares que lhe é permitido levantar da sua conta bancária ao
abrigo das sanções, e ‘os vizinhos cozinham para ele’.
A UE
também sancionou Nathalie Yamb, uma estudiosa anticolonial suíço-camerunense.
Ela descreveu o impacto devastador das sanções, apesar de não viver nem viajar
para a Europa. Yamb afirma que não consegue pagar o aluguel nem os remédios e
não pode voltar para a Suíça porque as sanções proíbem sobrevoar o território
da UE.
Yamb
considera as sanções uma “sentença de morte socioeconômica” e também está
lutando na Justiça.”
O
pretexto da “ameaça russa” é fundamental para a manutenção da hierarquia de
poder na Europa. A “ameaça russa” justifica os imensos gastos militares e os
consequentes cortes nos programas sociais, o que sempre foi o objetivo da
classe dominante européia. Por outro lado, a “ameaça russa” justifica também a
crescente vigilância sobre a sociedade e a repressão das vozes dissonantes.
Sem a
“ameaça russa”, o capitalismo neoliberal não tem como sobreviver na Europa.
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O Triunfo da Caquistocracia
(
Caquistocracia : sistema de governo exercido pelos cidadãos menos qualificados,
inescrupulosos ou incompetentes. Do grego kakistos – o pior – e kratos, poder.
Descreve uma gestão pública baseada na inaptidão, na incompetência e na má
administração. )
A
caquistocracia é o estágio final do capitalismo neoliberal. A caquistocracia é
mimada, arrogante, irresponsável e violenta. Na sua fase terminal o capitalismo
neoliberal procura impor caquistocracias por todo o mundo. No Brasil
conseguiram impor, por algum tempo, a caquistocracia com o Bolsonaro. Com
Javier Millei a caquistocracia está no poder na Argentina e já triunfou também
no Chile e no Equador. Na Palestina a caquistocracia comete genocídio.
A
Russofobia foi um instrumento fundamental para o triunfo da caquistocracia na
Europa, com Emmanuel Macron, Keir Starmer e Friedrich Merz . A Europa precisa
urgentemente adaptar sua infraestrutura à realidade da mudança climática. Estes
“responsáveis” líderes europeus, no entanto, só conseguem se unir em torno do
apoio à continuação da guerra na Ucrânia. Uma política comum européia,
responsável, engajada para reduzir os impactos do aquecimento global não é
possível. O dinheiro disponível para Vladimir Zelensky e seu governo corrupto
na Ucrânia simplesmente não está disponível para o meio-ambiente. A
caquistocracia tem uma profunda indiferença pela natureza, a ela só interessam
os recursos naturais. A caquistocracia é a maior ameaça à sobrevivência do planeta
Terra.
A
caquistocracia mundial se organiza em torno da supremacia branca e do projeto
neocolonial, como publicamente exposto pelo discurso de Marco Rúbio na recente
Conferência de Segurança de Munique, onde este representante da caquistocracia
no poder nos EUA foi aplaudido de pé pelos representantes da caquistocracia
européia presentes no evento. Como o fascismo na Itália e o nazismo na
Alemanha, a caquistocracia, para se manter e propagar, também mobiliza sempre
os piores elementos da sociedade.
A luta
contra a caquistocracia é a grande tarefa dos povos do mundo no século XXI.
Fonte:
Brasil 247

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