quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Gordura para quem tem diabetes: qual tipo ajuda a controlar a glicose?

A escolha da gordura para quem tem diabetes pode interferir na resposta glicêmica após as refeições. Embora o foco tradicional recaia sobre os carboidratos, especialistas apontam que a combinação entre nutrientes altera o comportamento da glicose no sangue.

Segundo a nutricionista especialista em diabetes Tarcila de Campos, a inclusão de gorduras de origem vegetal, em quantidade adequada, pode contribuir para maior estabilidade glicêmica. A estratégia envolve associar carboidratos a fontes de gordura consideradas de melhor perfil metabólico.

<><> Como a gordura influencia a resposta glicêmica no diabetes

A resposta glicêmica depende da velocidade com que o carboidrato é digerido e absorvido. No entanto, esse processo não ocorre de forma isolada. Quando há associação com fibras, proteínas e gorduras, o esvaziamento gástrico tende a ocorrer de forma mais lenta.

Nesse contexto, a gordura para quem tem diabetes pode atuar como moduladora da absorção do carboidrato. Isso não significa eliminar frutas ou outros alimentos com carboidrato, mas sim pensar na composição da refeição.

“Muitas pessoas relatam que a glicose sobe rapidamente ao consumir uma fruta isoladamente. Porém, quando essa fruta é combinada com duas ou três castanhas, observamos um comportamento mais estável da glicose”, afirma Tarcila de Campos.

Portanto, a estratégia não é apenas reduzir carboidrato, mas reorganizar a forma como ele é consumido.

<><> Gorduras vegetais e controle glicêmico

Entre os tipos de gordura para quem tem diabetes, as de origem vegetal são as mais citadas em diretrizes nutricionais. Elas incluem alimentos ricos em ácidos graxos mono e poli-insaturados, como ômega 3, ômega 6 e ômega 9.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, padrões alimentares que priorizam azeite de oliva, nozes, sementes e peixes estão associados a melhor perfil metabólico e menor risco cardiovascular. Além disso, estudos indicam que dietas com maior proporção de gorduras insaturadas podem melhorar marcadores glicêmicos.

Tarcila destaca que alimentos como nozes, castanhas, abacate, azeite de oliva e sementes de linhaça podem ser inseridos nas refeições para modular a resposta glicêmica. “Se eu escolho uma gordura de boa qualidade e combino com carboidrato de boa qualidade, consigo glicemias mais estáveis”, explica.

No entanto, a quantidade continua sendo fator determinante. Ainda assim, o excesso calórico pode impactar o peso corporal, o que interfere na sensibilidade à insulina.

<><> Fruta sozinha ou fruta com gordura: o que muda?

A diferença entre consumir uma fruta isolada ou combinada com gordura está na velocidade de absorção da glicose. Enquanto a fruta sozinha pode gerar pico glicêmico em algumas pessoas, a associação com castanhas ou sementes pode reduzir essa variação.

Nesse contexto, a gordura para quem tem diabetes não atua como bloqueadora do açúcar, mas como elemento que altera a dinâmica da digestão. Além disso, o efeito pode variar conforme o tipo de diabetes, uso de insulina, nível de atividade física e composição corporal.

Por outro lado, especialistas alertam que a estratégia não substitui monitorização. Pessoas que utilizam sensor contínuo de glicose podem observar diferenças individuais nas curvas glicêmicas.

<><> Impactos práticos na rotina de quem vive com diabetes

Na prática, pensar na gordura para quem tem diabetes significa planejar melhor as refeições. Por exemplo, adicionar sementes à salada, incluir azeite no preparo ou consumir frutas com castanhas são estratégias possíveis.

Além disso, a orientação profissional é recomendada para ajuste individualizado. Cada pessoa apresenta resposta glicêmica própria, influenciada por fatores hormonais, medicamentos e rotina alimentar.

Enquanto isso, a monitorização frequente permite avaliar como o organismo reage às combinações alimentares. Nesse sentido, a educação em diabetes continua sendo ferramenta central para autonomia no tratamento.

•        Fibras na alimentação: quanto consumir por dia e como organizar o prato de quem tem diabetes

A alimentação no diabetes costuma gerar dúvidas práticas no dia a dia. Entre elas, uma pergunta recorrente aparece no consultório: quantas fibras consumir por dia para ajudar no controle glicêmico? Especialistas explicam que a resposta envolve meta quantitativa, organização do prato e ajuste de medicação.

Em conversa com o Portal Um Diabético, a nutricionista Tarcila Campos, a endocrinologista Denise Franco e o nutrólogo Newton Lopes detalharam como as fibras atuam no organismo de quem convive com diabetes tipo 1 e tipo 2.

<><> Quantidade de fibras no diabetes: meta diária baseada em evidência

Segundo Newton Lopes, a recomendação mais aceita é de cerca de 14 gramas de fibra para cada mil calorias ingeridas ao dia. “Na prática, isso costuma representar entre 25 e 38 gramas de fibra por dia, dependendo do sexo e da necessidade energética”, explica.

No entanto, dados observacionais mostram que boa parte da população brasileira não atinge nem metade dessa meta. Nesse contexto, o déficit de fibras pode impactar controle glicêmico, peso corporal e perfil lipídico.

A recomendação é respaldada por diretrizes da American Diabetes Association (ADA) e da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), que orientam padrão alimentar rico em vegetais, frutas, grãos integrais e leguminosas.

<><> Como a fibra interfere na glicemia após a refeição

De acordo com Tarcila Campos, a fibra solúvel retarda o esvaziamento gástrico e diminui a velocidade de absorção da glicose. “Isso significa que o pico glicêmico tende a ser mais gradual”, afirma.

Além disso, a maior presença de fibras aumenta a saciedade. Portanto, há impacto indireto na quantidade total ingerida ao longo do dia.

Denise Franco explica que, no diabetes tipo 2, esse efeito é ainda mais relevante. “Como o paciente ainda produz insulina, mas pode ter resistência à ação dela, a absorção mais lenta da glicose facilita a resposta do organismo”, diz.

Enquanto isso, no diabetes tipo 1, o benefício aparece na previsibilidade do pico glicêmico. Ainda assim, a endocrinologista ressalta que a contagem de carboidratos continua necessária.

<><> Arroz integral resolve o problema?

A substituição do arroz branco pelo integral é comum após o diagnóstico. No entanto, segundo Tarcila Campos, essa troca isolada não resolve o controle glicêmico. “A porção continua sendo determinante. Comer o dobro da quantidade porque é integral não compensa”, afirma.

Nesse contexto, a orientação prática é compor o prato com metade de verduras e legumes, um quarto de fonte de proteína e um quarto de carboidrato. Essa divisão favorece equilíbrio glicêmico.

Além disso, incluir feijão, lentilha e grão-de-bico aumenta o teor de fibras sem necessidade de alimentos industrializados enriquecidos.

<><> Fibras e prevenção do diabetes tipo 2

Estudos prospectivos indicam que maior consumo de fibras está associado a menor risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2. Pesquisa publicada no The Lancet apontou redução significativa de risco em indivíduos com maior ingestão de fibras totais.

Denise Franco destaca que questionários de risco aplicados em atenção primária incluem perguntas sobre frequência de consumo de frutas e verduras. “Baixa ingestão é um marcador de risco metabólico”, afirma.

No entanto, os especialistas alertam que fibras isoladas em suplementos não substituem padrão alimentar equilibrado. A evidência é mais consistente quando a fibra vem de alimentos in natura.

<><> Restrição excessiva pode gerar efeito contrário

Newton Lopes chama atenção para outro ponto: reduzir drasticamente carboidratos pode levar a episódios de compulsão alimentar. “Quando há restrição prolongada, o organismo tende a buscar energia de forma compensatória”, explica.

Portanto, a alimentação no diabetes deve ser estruturada com regularidade e orientação profissional. Além disso, ajuste de medicação precisa acompanhar mudanças alimentares.

Tarcila Campos reforça que o objetivo não é retirar alimentos da vida social. “A estratégia precisa ser sustentável”, afirma.

<><> O que ainda precisa ser estudado

Pesquisas recentes investigam a relação entre fibras, microbiota intestinal e sensibilidade à insulina. Embora os resultados sejam promissores, ainda há necessidade de estudos de longo prazo em diferentes populações.

Nesse cenário, a recomendação atual permanece baseada em evidência consolidada: aumentar o consumo de alimentos ricos em fibras como parte do plano alimentar global.

 

Fonte: Um Diabético

 

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