Gordura
para quem tem diabetes: qual tipo ajuda a controlar a glicose?
A
escolha da gordura para quem tem diabetes pode interferir na resposta glicêmica
após as refeições. Embora o foco tradicional recaia sobre os carboidratos,
especialistas apontam que a combinação entre nutrientes altera o comportamento
da glicose no sangue.
Segundo
a nutricionista especialista em diabetes Tarcila de Campos, a inclusão de
gorduras de origem vegetal, em quantidade adequada, pode contribuir para maior
estabilidade glicêmica. A estratégia envolve associar carboidratos a fontes de
gordura consideradas de melhor perfil metabólico.
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Como a gordura influencia a resposta glicêmica no diabetes
A
resposta glicêmica depende da velocidade com que o carboidrato é digerido e
absorvido. No entanto, esse processo não ocorre de forma isolada. Quando há
associação com fibras, proteínas e gorduras, o esvaziamento gástrico tende a
ocorrer de forma mais lenta.
Nesse
contexto, a gordura para quem tem diabetes pode atuar como moduladora da
absorção do carboidrato. Isso não significa eliminar frutas ou outros alimentos
com carboidrato, mas sim pensar na composição da refeição.
“Muitas
pessoas relatam que a glicose sobe rapidamente ao consumir uma fruta
isoladamente. Porém, quando essa fruta é combinada com duas ou três castanhas,
observamos um comportamento mais estável da glicose”, afirma Tarcila de Campos.
Portanto,
a estratégia não é apenas reduzir carboidrato, mas reorganizar a forma como ele
é consumido.
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Gorduras vegetais e controle glicêmico
Entre
os tipos de gordura para quem tem diabetes, as de origem vegetal são as mais
citadas em diretrizes nutricionais. Elas incluem alimentos ricos em ácidos
graxos mono e poli-insaturados, como ômega 3, ômega 6 e ômega 9.
De
acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, padrões alimentares que
priorizam azeite de oliva, nozes, sementes e peixes estão associados a melhor
perfil metabólico e menor risco cardiovascular. Além disso, estudos indicam que
dietas com maior proporção de gorduras insaturadas podem melhorar marcadores
glicêmicos.
Tarcila
destaca que alimentos como nozes, castanhas, abacate, azeite de oliva e
sementes de linhaça podem ser inseridos nas refeições para modular a resposta
glicêmica. “Se eu escolho uma gordura de boa qualidade e combino com
carboidrato de boa qualidade, consigo glicemias mais estáveis”, explica.
No
entanto, a quantidade continua sendo fator determinante. Ainda assim, o excesso
calórico pode impactar o peso corporal, o que interfere na sensibilidade à
insulina.
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Fruta sozinha ou fruta com gordura: o que muda?
A
diferença entre consumir uma fruta isolada ou combinada com gordura está na
velocidade de absorção da glicose. Enquanto a fruta sozinha pode gerar pico
glicêmico em algumas pessoas, a associação com castanhas ou sementes pode
reduzir essa variação.
Nesse
contexto, a gordura para quem tem diabetes não atua como bloqueadora do açúcar,
mas como elemento que altera a dinâmica da digestão. Além disso, o efeito pode
variar conforme o tipo de diabetes, uso de insulina, nível de atividade física
e composição corporal.
Por
outro lado, especialistas alertam que a estratégia não substitui monitorização.
Pessoas que utilizam sensor contínuo de glicose podem observar diferenças
individuais nas curvas glicêmicas.
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Impactos práticos na rotina de quem vive com diabetes
Na
prática, pensar na gordura para quem tem diabetes significa planejar melhor as
refeições. Por exemplo, adicionar sementes à salada, incluir azeite no preparo
ou consumir frutas com castanhas são estratégias possíveis.
Além
disso, a orientação profissional é recomendada para ajuste individualizado.
Cada pessoa apresenta resposta glicêmica própria, influenciada por fatores
hormonais, medicamentos e rotina alimentar.
Enquanto
isso, a monitorização frequente permite avaliar como o organismo reage às
combinações alimentares. Nesse sentido, a educação em diabetes continua sendo
ferramenta central para autonomia no tratamento.
• Fibras na alimentação: quanto consumir
por dia e como organizar o prato de quem tem diabetes
A
alimentação no diabetes costuma gerar dúvidas práticas no dia a dia. Entre
elas, uma pergunta recorrente aparece no consultório: quantas fibras consumir
por dia para ajudar no controle glicêmico? Especialistas explicam que a
resposta envolve meta quantitativa, organização do prato e ajuste de medicação.
Em
conversa com o Portal Um Diabético, a nutricionista Tarcila Campos, a
endocrinologista Denise Franco e o nutrólogo Newton Lopes detalharam como as
fibras atuam no organismo de quem convive com diabetes tipo 1 e tipo 2.
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Quantidade de fibras no diabetes: meta diária baseada em evidência
Segundo
Newton Lopes, a recomendação mais aceita é de cerca de 14 gramas de fibra para
cada mil calorias ingeridas ao dia. “Na prática, isso costuma representar entre
25 e 38 gramas de fibra por dia, dependendo do sexo e da necessidade
energética”, explica.
No
entanto, dados observacionais mostram que boa parte da população brasileira não
atinge nem metade dessa meta. Nesse contexto, o déficit de fibras pode impactar
controle glicêmico, peso corporal e perfil lipídico.
A
recomendação é respaldada por diretrizes da American Diabetes Association (ADA)
e da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), que orientam padrão alimentar rico
em vegetais, frutas, grãos integrais e leguminosas.
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Como a fibra interfere na glicemia após a refeição
De
acordo com Tarcila Campos, a fibra solúvel retarda o esvaziamento gástrico e
diminui a velocidade de absorção da glicose. “Isso significa que o pico
glicêmico tende a ser mais gradual”, afirma.
Além
disso, a maior presença de fibras aumenta a saciedade. Portanto, há impacto
indireto na quantidade total ingerida ao longo do dia.
Denise
Franco explica que, no diabetes tipo 2, esse efeito é ainda mais relevante.
“Como o paciente ainda produz insulina, mas pode ter resistência à ação dela, a
absorção mais lenta da glicose facilita a resposta do organismo”, diz.
Enquanto
isso, no diabetes tipo 1, o benefício aparece na previsibilidade do pico
glicêmico. Ainda assim, a endocrinologista ressalta que a contagem de
carboidratos continua necessária.
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Arroz integral resolve o problema?
A
substituição do arroz branco pelo integral é comum após o diagnóstico. No
entanto, segundo Tarcila Campos, essa troca isolada não resolve o controle
glicêmico. “A porção continua sendo determinante. Comer o dobro da quantidade
porque é integral não compensa”, afirma.
Nesse
contexto, a orientação prática é compor o prato com metade de verduras e
legumes, um quarto de fonte de proteína e um quarto de carboidrato. Essa
divisão favorece equilíbrio glicêmico.
Além
disso, incluir feijão, lentilha e grão-de-bico aumenta o teor de fibras sem
necessidade de alimentos industrializados enriquecidos.
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Fibras e prevenção do diabetes tipo 2
Estudos
prospectivos indicam que maior consumo de fibras está associado a menor risco
de desenvolvimento de diabetes tipo 2. Pesquisa publicada no The Lancet apontou
redução significativa de risco em indivíduos com maior ingestão de fibras
totais.
Denise
Franco destaca que questionários de risco aplicados em atenção primária incluem
perguntas sobre frequência de consumo de frutas e verduras. “Baixa ingestão é
um marcador de risco metabólico”, afirma.
No
entanto, os especialistas alertam que fibras isoladas em suplementos não
substituem padrão alimentar equilibrado. A evidência é mais consistente quando
a fibra vem de alimentos in natura.
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Restrição excessiva pode gerar efeito contrário
Newton
Lopes chama atenção para outro ponto: reduzir drasticamente carboidratos pode
levar a episódios de compulsão alimentar. “Quando há restrição prolongada, o
organismo tende a buscar energia de forma compensatória”, explica.
Portanto,
a alimentação no diabetes deve ser estruturada com regularidade e orientação
profissional. Além disso, ajuste de medicação precisa acompanhar mudanças
alimentares.
Tarcila
Campos reforça que o objetivo não é retirar alimentos da vida social. “A
estratégia precisa ser sustentável”, afirma.
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O que ainda precisa ser estudado
Pesquisas
recentes investigam a relação entre fibras, microbiota intestinal e
sensibilidade à insulina. Embora os resultados sejam promissores, ainda há
necessidade de estudos de longo prazo em diferentes populações.
Nesse
cenário, a recomendação atual permanece baseada em evidência consolidada:
aumentar o consumo de alimentos ricos em fibras como parte do plano alimentar
global.
Fonte:
Um Diabético

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