'Seguiremos
destruindo a ideia de um Estado palestino': as medidas de Israel vistas como
anexação de fato da Cisjordânia
Palestinos, países árabes,
grupos israelenses contrários à ocupação e o Reino Unido condenaram as novas
medidas aprovadas pelo gabinete de segurança de Israel para a Cisjordânia ocupada,
afirmando que elas equivalem a uma anexação de fato.
O
ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, integrante da ala
de direita radical do governo, anunciou as iniciativas, que facilitariam a
apropriação de terras palestinas por colonos judeus. "Continuaremos a
matar a ideia de um Estado palestino", disse Smotrich.
Todos
os assentamentos são considerados ilegais pelo direito internacional.
As
medidas — que devem ser ratificadas pelo principal comandante militar de Israel
para a Cisjordânia — visam ampliar o controle israelense sobre o território em
áreas como direito de propriedade, planejamento urbano, concessão de licenças e
fiscalização.
O
anúncio ocorreu em 8 de fevereiro, três dias antes da reunião entre o
primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, realizada em Washington.
No ano
passado, os assentamentos na Cisjordânia cresceram no ritmo mais acelerado
desde o início do monitoramento, informou a Organização das Nações Unidas
(ONU).
As
novas medidas israelenses incluem o fim de uma proibição em vigor há décadas
que impedia a venda direta de terras da Cisjordânia a judeus e a abertura de
registros locais de propriedade antes mantidos sob sigilo. Até agora, colonos
só podiam comprar imóveis de empresas registradas em terras sob controle do
governo de Israel.
Ministros
israelenses apresentaram a mudança como "um passo que aumentará a
transparência e facilitará a redenção de terras". Posteriormente, o
Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou ter corrigido uma
"distorção racista" que "discriminava judeus, americanos,
europeus e qualquer pessoa que não seja árabe na compra de imóveis na Judeia e
Samaria".
O
gabinete também revogou a exigência legal de autorização prévia para concluir
qualquer transação imobiliária, reduzindo assim a supervisão destinada a
prevenir fraudes.
Palestinos
afirmaram temer que as mudanças levem a maior pressão sobre indivíduos para
vender suas propriedades, além de atos de falsificação e fraude.
O
presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, que governa partes da
Cisjordânia ocupada, classificou as medidas como "perigosas" e como
"uma tentativa aberta de Israel de legalizar a expansão de assentamentos,
o confisco de terras e a demolição de propriedades palestinas, inclusive em
áreas de soberania palestina".
Ele
pediu que os EUA e o Conselho de Segurança da ONU intervenham imediatamente.
A ONG
israelense Peace Now afirmou que a decisão do gabinete pode levar ao colapso da
AP e envolve o cancelamento de acordos e a imposição de uma anexação de fato. A
organização acusou o governo israelense de "romper todas as barreiras
possíveis no caminho para um roubo maciço de terras na Cisjordânia".
O Reino
Unido declarou que "condena veementemente" a medida e cobrou Israel a
rever a decisão, afirmando que "qualquer tentativa unilateral de alterar a
configuração geográfica ou demográfica da Palestina é totalmente inaceitável e
inconsistente com o direito internacional".
Os
ministros das Relações Exteriores de Egito, Jordânia, Emirados Árabes Unidos,
Indonésia, Paquistão, Turquia, Arábia Saudita e Catar descreveram o anúncio
como uma ação que "acelera tentativas de anexação ilegal e o deslocamento
do povo palestino".
Em
nota, eles "alertaram para a continuidade das políticas expansionistas
israelenses e das medidas ilegais adotadas pelo governo israelense na
Cisjordânia ocupada, que alimentam a violência e o conflito na região".
Com os
direitos sobre a terra no centro do conflito entre israelenses e palestinos, a
venda de terrenos a colonos é um negócio obscuro, que frequentemente envolve
intermediários. A Autoridade Palestina considera essas transações traição,
crime que, em tese, pode ser punido com pena de morte, embora os condenados
geralmente recebam penas de prisão.
Outras
medidas controversas anunciadas por Smotrich, responsável pela política de
assentamentos, e pelo ministro da Defesa israelense, Israel Katz, incluem a
transferência da concessão de licenças de construção em um importante local
religioso e em áreas sensíveis próximas, na cidade de Hebron, considerada
volátil, exclusivamente para autoridades israelenses.
O
Túmulo dos Patriarcas — também conhecido como Mesquita Ibrahimi — é
reverenciado por judeus, muçulmanos e cristãos como o local de sepultamento de
Abraão, Isaac e Jacó. É o segundo local mais sagrado do judaísmo e o quarto do
islamismo.
Órgãos
israelenses também passariam a exercer poderes de supervisão e fiscalização em
questões ambientais e arqueológicas em áreas administradas pela AP.
Além
disso, seria reativado um comitê para permitir que o Estado de Israel realize
compras "proativas" de terras na Cisjordânia, descritas como
"uma medida destinada a assegurar reservas de terras para assentamentos
pelas próximas gerações".
Após os
Acordos de Oslo, firmados em 1993 como um avanço no processo de paz, a
recém-criada Autoridade Palestina recebeu controle total sobre áreas urbanas
palestinas — cerca de 20% do território — conhecidas como Área A.
Na Área
B, proporção semelhante à da Área A, a Autoridade Palestina manteve apenas
controle administrativo, enquanto Israel conservou o controle da segurança.
Israel
reteve controle administrativo e de segurança plenos sobre 60% da Cisjordânia,
onde se concentram os assentamentos, na chamada Área C.
Mais de
700 mil colonos israelenses vivem na Cisjordânia ocupada e na Jerusalém
Oriental anexada por Israel, territórios capturados da Jordânia na Guerra do
Oriente Médio de 1967. Essas terras são reivindicadas pelos palestinos para a
criação de um Estado independente, juntamente com a Faixa de Gaza.
O
governo Trump descartou a anexação israelense da Cisjordânia, mas não buscou
conter a aceleração da construção de assentamentos.
Em
resposta às medidas mais recentes, um funcionário da Casa Branca reiterou a
oposição dos EUA à anexação, afirmando: "Uma Cisjordânia estável mantém
Israel seguro e está alinhada ao objetivo deste governo de alcançar a paz na
região".
Smotrich,
ele próprio colono e líder de um partido favorável aos assentamentos, prometeu
dobrar a população de colonos na Cisjordânia.
Em
dezembro, o gabinete israelense aprovou uma proposta para a criação de 19 novos
assentamentos. Israel também se prepara para iniciar a construção de um projeto
controverso de assentamento perto de Jerusalém, conhecido como E1, que, na
prática, dividiria a Cisjordânia entre norte e sul.
Segundo
a ONU, um número recorde de mais de 37 mil palestinos foi deslocado apenas em
2025; ano que, de acordo com a organização, também registrou níveis recordes de
violência por parte de colonos israelenses.
A
coalizão governista de Benjamin Netanyahu inclui diversos integrantes
favoráveis aos assentamentos que defendem a anexação da Cisjordânia, à qual
atribuem vínculos religiosos e históricos.
O
primeiro-ministro israelense, que enfrenta eleições no fim deste ano, declarou
que jamais admitiria a criação de um Estado palestino, o que, segundo ele,
representaria uma ameaça à segurança de seu país.
Em
2024, a Corte Internacional de Justiça, principal tribunal da ONU, publicou um
parecer consultivo sem caráter vinculante afirmando que a ocupação de
territórios palestinos por Israel é ilegal e precisa chegar ao fim.
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Israel sob crítica por plano de expansão sobre a
Cisjordânia
O
governo de Israel te sido
criticado pelos seus planos de reforçar o controle sobre a Cisjordânia. A União Europeia
(UE), o Reino Unido, o Brasil e países árabes condenaram uma série de decisões
de Tel Aviv que, anunciadas na véspera, abrem caminho para mais assentamentos
israelenses no território palestino.
A
principal diplomata da UE, Kaja Kallas, descreveu as medidas como "mais um
passo na direção errada", por meio de um porta-voz. Já o governo britânico
pediu a sua reversão imediata, afirmando que qualquer tentativa unilateral de
alterar a demografia palestina é "inaceitável".
Por sua
vez, o chefe da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres,
disse estar "profundamente preocupado". Ele classificou as ações de
Israel como "desestabilizadoras", apontando que a Corte Internacional
de Justiça já concluiu que é ilegal a ocupação israelense do
território palestino.
Arábia
Saudita, Turquia e outros países de maioria muçulmana também criticaram as
decisões em uma declaração conjunta, alertando que elas impediriam uma solução de dois Estados para o conflito israelo-palestino. Israel rejeita a
criação de um Estado palestino, afirmando que isso ameaçaria a sua existência.
A
declaração conjunta ainda acusou Israel de "impor uma nova realidade jurídica e
administrativa na Cisjordânia ocupada, acelerando tentativas de
anexação ilegal e o deslocamento do povo palestino".
Já na
terça-feira, o Itamaraty disse "deplorar" as medidas aprovadas por
Israel. "O Brasil insta Israel a abster-se de adotar ações unilaterais
equivalentes à anexação do território palestino ocupado e que ameacem a
viabilidade da implementação da solução de dois Estados e a possibilidade de
paz justa e sustentável no Oriente Médio," afirmou o governo em
comunicado.
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Palestinos temem anexação
Israel amplia os assentamentos na Cisjordânia
e em Jerusalém Oriental, territórios que
capturou em 1967 e que os palestinos reivindicam para um Estado próprio. Mais
de 700 mil colonos israelenses vivem atualmente nos assentamentos, em meio a 3
milhões de palestinos.
Outros
200 mil israelenses vivem em Jerusalém Oriental, anexada por Israel, que a ONU
considera parte dos territórios palestinos.
A
Autoridade Palestina (AP), que exerce controle limitado sobre algumas áreas da
Cisjordânia, afirmou que as novas medidas visam "aprofundar tentativas de
anexação".
Para
para o cientista político palestino Ali Jarbawi, o objetivo é "empurrar os
palestinos para pequenos pedaços de terra — basicamente, suas principais
cidades, enclaves —, e o restante desaparece". Outros observadores afirmam
ainda que Israel busca enfraquecer a AP, criada como governo provisório
pelos Acordos de Oslo nos anos 1990.
O
anúncio israelense veio dias antes da visita do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu aos Estados
Unidos. Lá, ele deverá se encontrar com o presidente Donald Trump, que manteve
a oposição dos EUA à anexação israelense da Cisjordânia. A Casa Branca, aliada
do governo israelense, não comentou formalmente as novas medidas.
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Ataques de colonos esvaziam aldeias da Cisjordânia
Para
Jamila Rashid, Ras Ein el-Auja, uma aldeia palestino-beduína no sul do Vale do
Jordão, foi o lar da sua família por décadas. Mas no início de
janeiro ela se viu forçada a tomar a decisão de partir, na esteira do
aumento da violência por parte dos
colonos israelenses contra palestinos e seus bens na Cisjordânia.
"A
perseguição se tornou insuportável", disse Rashid, uma jovem mãe.
"Não há mais segurança. Sofremos há três anos, mas agora as provocações
aumentaram."
Segundo
as Forças de Defesa de Israel (FDI) e o Shin Bet, a agência de segurança
interna israelense, os ataques por colonos extremistas contra palestinos e
forças israelenses aumentaram 27% em 2025 em comparação com o ano anterior. A
violência cresce desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023.
Desde
janeiro daquele ano, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de
Assuntos Humanitários (OCHA) documentou mais de 700 famílias palestinas cujo
deslocamento esteve ligado à violência de colonos na Cisjordânia.
As mais
afetadas são as comunidades beduínas e pastoris na Área C, que representa 60%
da Cisjordânia e está sob
total controle administrativo e de segurança de Israel. Segundo o grupo
israelense de direitos humanos B'Tselem, ao menos 44 comunidades
foram completamente expulsas desde o início da guerra em Gaza.
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Rotina de violência
A
situação em Ras Ein el-Auja começou a se deteriorar no fim de dezembro de 2025,
quando colonos israelenses estabeleceram um posto avançado ilegal dentro da
aldeia. Eles araram a terra com tratores e bloquearam uma estrada que levava a
um dos lados da comunidade.
O
morador local Salameh Qa'abna havia testemunhado vários ataques e tentativas de
se aproximar da comunidade nos últimos anos. Mas, quando os colonos montaram o
pequeno posto avançado a apenas algumas dezenas de metros de sua casa e
família, qualquer sensação remanescente de segurança desapareceu rapidamente.
"Eles
nos impediram de usar a estrada e bloquearam os tanques de água", disse
Qa'abna, olhando para o posto avançado próximo, onde havia dois colonos.
"À noite, vários deles se aproximaram das nossas áreas de moradia. As
crianças ficaram apavoradas."
Cerca
de 130 pessoas foram forçadas a desmontar suas casas e deixar a aldeia no
início deste mês devido aos ataques contínuos dos colonos à comunidade.
Rashid
e sua jovem família agora se juntarão a elas. "Isso é humilhante, é
doloroso", disse ela. "Existe algo mais difícil do que demolir sua
própria casa com as próprias mãos? E nem sabemos para onde iremos."
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Padrão na Cisjordânia
Muitos
outros também estavam empacotando seus pertences naquele dia frio, ensolarado,
de inverno no Vale do Jordão, em meio aos balidos de cabras, ovelhas e
burros.
Os
animais são a principal fonte de subsistência da aldeia, mas a maioria deles
havia sido confinada aos currais ao longo de semanas, porque se tornara
perigoso demais deixá-los pastar.
Agora,
alguns estavam sendo carregados em pequenas caminhonetes e levados embora,
enquanto jovens de Ramallah ajudavam os moradores a desmontar os currais e as
casas.
Outro
morador, Mohammed Abu Fadi, observava tudo com descrença, ainda incerto se
partiria ou ficaria. "Todos os dias e noites, eles vêm com cavalos e nos
assediam. Tudo isso afeta as crianças, os animais e até os pássaros",
disse.
O
padrão se repetiu em várias outras comunidades palestinas, como nas vizinhas
Muarrajat e Mughayyir al-Deir. Ali também, colonos instalaram postos avançados
no centro das aldeias, intensificaram seus ataques e expulsaram as pessoas em
pouco tempo.
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Assentamentos em expansão
De
acordo com o grupo de vigilância antiassentamentos Peace Now (Paz Agora, em
tradução livre), há 149 assentamentos espalhados pela Cisjordânia, além de 224
pequenos postos avançados e fazendas não autorizados.
Os
assentamentos são ilegais segundo o direito internacional, o que Israel
contesta. A expansão dos assentamentos tem sido promovida por governos
israelenses sucessivos desde a guerra de 1967.
Sob o
atual governo, colonos foram nomeados para cargos importantes. Recentemente,
foi anunciado o estabelecimento ou a legalização de 19 novos assentamentos, bem
como a implementação de um plano considerado controverso, conhecido como E1,
para dividir a Cisjordânia em duas.
A maior
parte da comunidade internacional, incluindo a Alemanha, vê o crescente número
de assentamentos como obstáculo para a eventual criação de um Estado
palestino.
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"Presença protetora"
Em Ras
Ein el-Auja, um jovem colono israelense guiava seu rebanho de ovelhas pela
aldeia, seguido de perto por ativistas internacionais e israelenses dos
chamados "grupos de presença protetora".
Essas
são pessoas que permanecem na aldeia 24 horas por dia, todos os dias, para
proteger a comunidade de ataques. Mas, da sua base em uma pequena colina, há
pouco que pudessem fazer.
"No
momento, só podemos protegê-los enquanto estão empacotando e ajudá-los a deixar
este lugar com segurança", disse Neta Ben Porat, ativista da ONG
antiassentamentos Looking the Occupation in the Eye (Olhando a ocupação nos
olhos, em tradução livre).
Nos
últimos dias, disse ela, colonos israelenses levaram vários rebanhos de ovelhas
e cabras para a aldeia. "Os moradores não conseguem dormir, não conseguem
descansar, precisam estar alertas o tempo todo. Muitos decidiram que não podiam
viver assim e resolveram partir."
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FDI dizem que aumentaram a segurança
Parte
dos palestinos e dos ativistas antiassentamentos argumentam que o governo
israelense deixa esses ataques sem controle e que há pouca responsabilização
para os perpetradores.
Em
março de 2025, colonos israelenses roubaram rebanhos de ovelhas e cabras
durante a noite de vários agricultores da aldeia, ferindo e matando
violentamente alguns dos animais antes de levá-los para um posto avançado
agrícola ilegal.
Apesar
de fornecer provas do paradeiro dos animais, pedidos feitos à polícia e ao
exército não foram atendidos nem resultaram na devolução dos animais.
Quando
questionadas pela DW sobre o que estavam fazendo para proteger os
moradores, as FDI disseram em comunicado que haviam aumentado recentemente
a presença de soldados e que estavam cientes dos incidentes.
"Soldados
das FDI entram na área de acordo com chamadas e necessidades operacionais,
visando prevenir atritos entre populações e manter a ordem e a segurança na
área", disseram as FDI, acrescentando que "soldados que se deparam
com incidentes de violação da lei por cidadãos israelenses, ou atos dirigidos
contra palestinos ou seus bens, são obrigados a intervir e, se necessário,
deter ou prender os suspeitos até que a polícia chegue ao local."
Em Ras
Ein el-Auja, Rashid, Qa'abna e outros parentes levariam suas famílias para um
lugar seguro. Da noite para o dia, tanto os habitantes quanto seus animais
desapareceram de um dos lados da aldeia. Apenas as estruturas esqueléticas das
cabanas permaneceram como testemunho das pessoas que haviam vivido ali.
Fonte:
BBC News Brasil/DW Brasil

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