Diabetes
cresce 134,5% no Brasil em menos de 20 anos. Entenda por quê
O
número de brasileiros diagnosticados com diabetes mais do que dobrou em menos
de duas décadas. Dados da edição mais recente do Vigitel, um sistema do
Ministério da Saúde, indicam que 12,9% da população adulta convivia com a
doença em 2024, o equivalente a cerca de 20 milhões de pessoas.
Em
2006, quando o levantamento começou a ser feito, a prevalência era de 5,5%, o
que representa que houve um aumento de 134,5% no período. Além disso,
estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) também apontam que 14% da
população adulta no mundo vive com a diabetes.
Atrelado
à isso, um estudo apoiado pela OMS e publicado na revista científica The Lancet
mostra que o número de adultos com diabetes quadruplicou globalmente entre 1990
e 2022. O avanço é atribuído, principalmente, ao crescimento do diabetes tipo
2, que é associado aos hábitos de vida.
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Diabetes tipo 2 lidera os diagnósticos
No
Brasil, cerca de 90% dos casos são de diabetes tipo 2, a forma da doença que é
relacionada ao excesso de peso, má alimentação e sedentarismo. A diabetes surge
quando o corpo produz menos insulina ou não consegue usá-la de forma eficiente,
fazendo com que a glicose no sangue fique elevada.
Já o
diabetes tipo 1, que é menos comum, tem origem autoimune e precisa do uso
contínuo da insulina. O crescimento dos diagnósticos foi maior entre os homens
(143,5%) do que entre as mulheres (127%) ao longo dos últimos 18 anos.
O
avanço também chama atenção entre os mais jovens, porque a maior alta foi
registrada na faixa de 25 a 34 anos, com aumento de 236,4%. Em seguida,
aparecem os grupos de 35 a 44 anos e de 45 a 54 anos.
Os
especialistas apontam que a antecipação do diagnóstico para faixas etárias mais
jovens está relacionado à piora do padrão alimentar, à redução da atividade
física no dia a dia e ao aumento da obesidade.
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Obesidade e diabetes no Brasil
Os
dados do Vigitel também apontam um crescimento significativo dos principais
fatores de risco para a diabetes no Brasil. O excesso de peso já atinge 62,6%
da população adulta, alta de 46,9% em relação a 2006.
Já a
obesidade, por sua vez, avançou 117,8% e hoje afeta 25,7% dos brasileiros, o
que representa uma em cada quatro pessoas.
Para a
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), o excesso de peso
é um dos principais causadores dessa explosão dos casos de diabetes e de outras
doenças crônicas no Brasil.
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Hábitos de vida explicam o cenário dos diagnósticos
Apesar
de mais pessoas relatarem a prática de exercícios no tempo livre, a atividade
física no deslocamento, como caminhar ou pedalar para ir ao trabalho ou à
escola, caiu durante os últimos anos. Além disso, o consumo regular de frutas e
hortaliças continua baixo e estável, em torno de 31% da população.
Outros
indicadores também preocupam, já que a ingestão de álcool aumentou 30% desde
2006, e o tabagismo, que estava em queda, voltou a crescer depois de 2019.
Pela
primeira vez, o Vigitel também trouxe dados sobre sono: 20,2% dos adultos
dormem menos de seis horas por noite, e quase um terço apresenta sintomas de
insônia, fatores que são associados ao aumento do risco metabólico.
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Crescimento da doença acelerou nos últimos cinco anos
Entre
2006 e 2024, o avanço médio dos casos de diabetes no Brasil foi de 0,35% ao
ano. Nos últimos cinco anos, porém, o ritmo de crescimento quase triplicou e
chegou a 0,90% ao ano, o que mostra uma aceleração recente da doença no país.
Com
esse cenário, o Ministério da Saúde lançou a estratégia Viva Mais Brasil,
voltada à promoção da saúde e à prevenção de doenças crônicas. A pasta anunciou
um investimento de R$340 milhões em ações para estimular a prática de atividade
física e melhorar a qualidade de vida da população.
Entre
as medidas previstas está a retomada do programa Academia da Saúde, com novos
repasses programados a partir de 2026. Além disso, especialistas avaliam que,
sem políticas públicas mais efetivas para ampliar o acesso à alimentação
saudável, a atividade física e ao fortalecimento da atenção básica, a tendência
é que os casos de diabetes continuem aumentando nos próximos anos.
• Remédio para diabetes é relacionado à
longevidade feminina, diz estudo
Um
medicamento usado há décadas no tratamento da diabetes tipo 2 pode estar ligado
a uma vida mais longa. É o que sugere um estudo publicado em maio de 2025 na
revista científica The Journals of Gerontology.
A
pesquisa americana analisou se a metformina, remédio amplamente prescrito para
controlar a glicose no sangue, estaria associada à chamada “longevidade
excepcional” — definida como viver até os 90 anos ou mais.
Os
dados foram coletados da Women’s Health Initiative (WHI), um estudo de saúde
dos Estados Unidos que acompanha mulheres há décadas.
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Como o teste foi feito?
Foram
avaliadas 438 mulheres com diabetes tipo 2, com 60 anos ou mais, que nunca
tinham usado remédios para a doença antes. Elas foram divididas em dois grupos:
um começou tratamento apenas com metformina e o outro iniciou com um
medicamento da classe das sulfonilureas.
Os
pesquisadores ajustaram fatores como idade, peso, histórico de doenças e estilo
de vida para que a comparação fosse mais justa.
O
principal resultado foi que mulheres as que iniciaram tratamento com metformina
tiveram 30% menos risco de morrer antes dos 90 anos em comparação com aquelas
que começaram com sulfonilureia.
O
estudo mostra uma associação, mas não prova causa e efeito. Não foi um ensaio
clínico randomizado, ou seja, não dá para afirmar que a metformina, sozinha, é
responsável pela maior longevidade. Outros fatores podem ter influenciado o
resultado.
Mesmo
assim, a pesquisa reforça uma hipótese já estudada por cientistas da área do
envelhecimento. Além de controlar o açúcar no sangue, a metformina pode atuar
em mecanismos ligados ao envelhecimento, como inflamação e metabolismo celular.
Os
próprios autores afirmam que são necessários ensaios clínicos mais rigorosos
para confirmar se o medicamento realmente influencia a longevidade. Hoje, a
metformina continua indicada para o tratamento da diabetes tipo 2. Não há
recomendação formal para seu uso com o objetivo de aumentar a expectativa de
vida em pessoas sem a doença.
• Estudo descobre novo mecanismo do corpo
que ajuda a combater diabetes
Pesquisadores
da Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos,
descobriram um novo mecanismo que o corpo usa para tentar se proteger contra a
resistência à insulina e a diabetes tipo 2, mesmo com o acúmulo de gordura
visceral — aquela que fica ao redor dos órgãos do abdômen.
O
estudo, publicado nesta quinta (12/2) na revista Nature Communications, mostra
que o tecido adiposo abriga células de defesa chamadas de macrófagos, capazes
de diminuir inflamações e ajudar o organismo a responder melhor à insulina —
hormônio responsável por controlar o açúcar no sangue.
Os
macrófagos são células protetoras que atuam mantendo o tecido adiposo saudável
e evitando que a inflamação causada pelo excesso de gordura visceral se torne
crônica. Segundo os pesquisadores, quando esse mecanismo de proteção funciona,
o organismo lida melhor com o excesso de gordura.
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O que os cientistas analisaram
Para
entender a relação entre gordura visceral, inflamação e a diabetes, os
pesquisadores analisaram o tecido adiposo de camundongos e amostras humanas. Em
condições normais, a gordura abriga macrófagos com função protetora, que ajudam
a manter o metabolismo em equilíbrio.
Porém,
quando há acúmulo de gordura abdominal, a inflamação aumenta e os macrófagos
protetores morrem. Com menos células de defesa atuando no local, o organismo
responde pior à insulina, criando um cenário favorável ao desenvolvimento da
diabetes tipo 2.
O
estudo identificou que a morte dos macrófagos está ligada à redução de uma
proteína chamada SerpinB2, essencial para a sobrevivência dessas células no
tecido adiposo. Com a queda da proteína, a inflamação se intensifica e o
controle da glicose no sangue se torna mais difícil.
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Caminho para novos medicamentos
Nos
testes com camundongos com sobrepeso e resistência à insulina, a administração
de antioxidantes ajudou a preservar os macrófagos no tecido adiposo e melhorou
a sensibilidade à insulina.
Agora,
o trabalho da equipe é identificar uma molécula que seja capaz de aumentar os
níveis de SerpinB2 em humanos. A proposta é desenvolver um medicamento que
fortaleça esse mecanismo natural de defesa do organismo, freando a inflamação
que é associada à gordura visceral.
Os
pesquisadores avaliam que a nova estratégia pode funcionar, inclusive, como um
complemento aos medicamentos à base de GLP-1, usados para perda de peso e
controle do diabetes.
A
expectativa é que, preservando o sistema de defesa do próprio organismo contra
a inflamação da gordura visceral, seja possível não só prevenir a diabetes tipo
2, mas também melhorar o controle da doença em pessoas que já convivem com esse
diagnóstico.
Fonte:
Metrópoles

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