quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Racha no PL: bolsonaristas reclamam que Valdemar está ‘isolando’ Bolsonaro

Aliados de Jair Bolsonaro (PL) têm apontado uma tentativa do presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, de isolar o ex-presidente, preso em Brasília. A crise foi escancarada após a troca de farpas públicas entre Valdemar e o ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente.

Carlos afirmou nas redes sociais que Bolsonaro prepara uma lista de apoios para o Senado, governos estaduais e outros cargos politicamente relevantes nas eleições de 2026. Logo após a fala, Valdemar rebateu, em entrevista ao Poder360, dizendo que o ex-presidente tem liberdade sobre indicações ao Senado, mas que as articulações estaduais ficariam a cargo da legenda.

Internamente, bolsonaristas avaliam a medida como uma forma de isolar Jair Bolsonaro das decisões eleitorais. Pessoas próximas do ex-chefe do Palácio do Planalto afirmam que Valdemar não precisaria ter rebatido a fala do “02” publicamente e que a declaração foi vista como uma “guerra declarada” entre o bolsonarismo e a direção nacional do partido.

Bolsonaro está preso no Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, desde janeiro. Antes, o ex-presidente estava detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Ele foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por participação na trama golpista.

Aliados de Bolsonaro relataram à IstoÉ que Valdemar não delimitou limites à atuação política do ex-presidente. Eles lembram que o PL foi alavancado nas últimas eleições por conta da liderança de Bolsonaro. Há quem reforce que o próprio presidente da legenda teria dado carta-branca ao ex-chefe do Palácio do Planalto.

Apesar das críticas de alguns bolsonaristas mais próximos, outros negam qualquer desentendimento. Dois aliados apontaram à reportagem que já há um entendimento entre Bolsonaro e Valdemar sobre a divisão das indicações e a disposição dos cargos para as eleições de 2026.

<><> Ideal seria direita se unir por Flávio Bolsonaro no 1º turno, diz Valdemar

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que não vê possibilidade de um segundo turno da eleição presidencial de 2026 sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nesse sentido, Valdemar defendeu que o ideal seria a direita se unir já no primeiro turno, a fim de “matar o assunto”.

Em jantar com empresários na cidade de São Paulo, organizado pelo grupo Esfera Brasil, Valdemar salientou que há condições de vitória ainda na primeira etapa da eleição por Flávio, caso haja convergência entre os partidos do campo conservador.

O dirigente citou uma pesquisa recente do Instituto Paraná Pesquisas – que, segundo afirmou, não teria registro e não poderia ser divulgada – na qual Flávio Bolsonaro apareceria quatro pontos porcentuais à frente de Lula. Ele atribuiu o resultado a um possível “efeito Carnaval”, em referência ao desfile em homenagem ao atual presidente, ponderando que o cenário anterior não indicava essa vantagem.

“Acho que vão ter muita dificuldade de lançar candidato pelo PSD”, disse Valdemar. “Não acho que isso seja difícil (ter união no primeiro turno). Vamos ver o comportamento deles”, concluiu.

Sobre possíveis candidaturas alternativas na direita, Valdemar avaliou que o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), não deve disputar a Presidência. Na sua opinião, o paranaense tende a permanecer focado na sucessão estadual, diante do desempenho de Sergio Moro (União Brasil), que, segundo ele, teria cerca de 40% das intenções de voto no Estado.

Já em relação ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), Valdemar reconheceu que se trata de um “forte candidato”, mas afirmou que sua base eleitoral estaria concentrada em Goiás, sem alcance nacional suficiente para sustentar uma candidatura competitiva à Presidência.

•        Esposa de Eduardo amplia racha no bolsonarismo ao defender marido de fala de Nikolas

A esposa do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Heloísa Bolsonaro, publicou na segunda-feira, 23, um texto em seu perfil no Instagram em defesa do parlamentar, após o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmar que ele “não está bem” em meio ao embate público entre aliados da direita.

Heloísa reafirmou que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não está bem, mas justifica que o deputado enfrenta um período difícil desde que decidiu se afastar do País para “continuar lutando por aquilo em que acredita”.

“Há um ano ele foi obrigado a tomar uma das decisões mais difíceis da sua vida: se afastar do seu país para continuar lutando por aquilo em que acredita. Decisões difíceis têm peso“, escreveu.

Ela afirma que o distanciamento incluiu a interrupção de contatos diretos com o pai. “Ficar longe da sua terra, da sua história e, principalmente, do seu pai – seu maior ídolo e exemplo — não foi escolha simples. No início ainda conseguiam se falar por telefone. Depois, nem isso. E hoje, somente por cartas.”

A publicação relata ainda um diálogo atribuído a pai e filho, no qual Eduardo teria alertado que suas ações poderiam “acelerar” uma eventual prisão do ex-presidente. Segundo o texto, Jair teria respondido: “Se não for para todos, não será para mim também. Continue!”.

Sem citar diretamente Nikolas, a postagem é uma resposta à declaração do deputado mineiro, que, no último sábado, 21, afirmou que Eduardo não estava bem e que não perderia tempo com divergências internas.

Eduardo criticou Michelle e Nikolas

O comentário de Nikolas ocorreu após críticas de Eduardo à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e ao próprio parlamentar, em meio a discussões sobre apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto indicado por Bolsonaro.

No texto, a esposa de Eduardo sustenta que o deputado segue firme, mesmo ciente dos riscos de confrontar o Supremo Tribunal Federal. “Eduardo sabia dos riscos. Sabia que quanto mais pressionasse o Supremo Tribunal Federal, mais sua própria família poderia sofrer. Mesmo assim, ele seguiu e segue firme.”

A publicação convoca mobilização em torno da eventual candidatura de Flávio. “Fazer circular o nome de Flávio, eu, você, todos nós. Vamos usar nosso alcance para torná-lo mais conhecido”, escreveu.

<><> Racha no bolsonarismo

A manifestação ocorre em meio a um racha público no campo bolsonarista, marcado por trocas de críticas nas redes sociais e disputas sobre a estratégia eleitoral para 2026.

Eduardo afirmou que Michelle e Nikolas estariam “jogando o mesmo jogo” e sofrendo de “amnésia”. Em resposta, Nikolas Ferreira disse que Eduardo “não está bem” e negou qualquer “amnésia” por parte dele ou de Michelle, mas reafirmou apoio a Flávio.

Michelle não respondeu diretamente às declarações de Eduardo. No entanto, uma publicação direcionada a Bolsonaro feita por ela nas redes sociais foi interpretada como indireta. “Ele ama banana frita”, escreveu.

Eduardo, apelidado pejorativamente de “bananinha” por críticos, pareceu interpretar a postagem como provocação. Ele republicou o tuíte de um seguidor que dizia: “Continuem fritando banana enquanto o Flávio e o Eduardo estão trabalhando duro para resgatar o país”.

•        Flávio Bolsonaro usa linguagem neutra e diz contar com ‘todes’ para ganhar eleição

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) utilizou linguagem neutra para chamar apoio a sua candidatura à Presidência da República nesta segunda-feira, 23. Em publicação feita no X, antigo Twitter, o filho de Jair Bolsonaro (PL) veiculou uma foto ao lado do pai com a legenda: “Tá todo mundo querendo vencer a discussão. Mas o que precisamos é ganhar a eleição! Gostaria de contar com todas, todos, todes, todys e todXs!”.

A declaração ocorre poucos dias após o Supremo Tribunal Federal (STF) voltar a analisar leis que questionam o uso de linguagem neutra em escolas. O tema é sensível e frequentemente defendido pela ala progressista, que sustenta a necessidade de adaptar o idioma para incluir pessoas que não se identificam com gêneros binários. No final de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou uma medida que proibia o uso de pronomes neutros por governos brasileiros, o que gerou controvérsias dentro do próprio campo aliado.

Flávio Bolsonaro é pré-candidato à presidência por escolha do próprio pai e tenta se colocar como nome capaz de unir centro e direita em 2026. Nos últimos meses, o senador tem se aproximado de pautas consideras avessas à tradição bolsonarista – antirracismo, comunidade LGBTQIAP+, Carnaval, entre outras. Especialistas analisam o movimento como uma estratégia para angariar votos de eleitorados aquém da bolha de extrema-direita.

<><> Flávio diz que seu plano econômico é retomar gestão Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) revelou que, caso venha a disputar a Presidência da República em 2026, seu plano para a economia brasileira será retomar as políticas implementadas durante o governo de Jair Bolsonaro. A declaração foi feita após o senador ter seu nome indicado como possível candidato presidencial, caso seu pai não recupere a elegibilidade. A apuração é de Débora Bergamasco no CNN 360º.

Em conversas recentes, Flávio afirmou estar montando uma equipe com pessoas que trabalharam no governo anterior, incluindo ex-ministros e ex-secretários, começando pela área econômica. "Minhas conversas têm sido com pessoas que iniciaram o caminho do Brasil para a prosperidade, que será retomado a partir de 2027", declarou o senador.

Embora não tenha revelado nomes específicos, a apuração de Bergamasco indica que Paulo Guedes, que comandou o Ministério da Economia entre 2019 e 2022, estaria entre os consultados por Flávio Bolsonaro. Quando questionado diretamente sobre essa possibilidade, o senador evitou confirmar ou negar.

A âncora da CNN lista que, durante o mandato de 2019 a 2022, foram implementadas medidas econômicas como a criação de um superministério da Economia, a aprovação da reforma da Previdência e foi aprovada autonomia ao Banco Central. No período da pandemia de Covid-19, o governo de Jair Bolsonaro também lançou o auxílio emergencial, que chegou ao pagamento de R$ 600 para a população mais vulnerável.

O anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro causou forte impacto no mercado financeiro na última sexta-feira (5), provocando a maior queda na Bolsa brasileira desde 2021. Analistas atribuem a reação negativa à percepção de que o senador seria menos competitivo eleitoralmente que outros nomes da direita, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Nos últimos dias, o senador tem ampliado seu discurso para além da segurança pública, tema que vinha explorando ao longo do mês de novembro, e agora começa a apresentar propostas para a economia. A estratégia visa aumentar sua visibilidade e demonstrar capacidade de articulação política com outras forças, buscando superar a desconfiança sobre sua habilidade de unir diferentes setores.

•        Ministro critica plano de Flávio de reformular o SUS

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, criticou a intenção do pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, defender um “Plano Real da Saúde” em seu plano de governo.

O petista defendeu que não se pode mais ter “negacionismo” e “irresponsabilidade” na gestão do setor no país. E que a sociedade não que “voltar para trás”.

“Negacionismo e irresponsabilidade na saúde nunca mais. Temos muitos desafios e muito trabalho para avançarmos na saúde. O nosso povo merece. Mas voltar para trás? Sai para lá. Não venha querer colocar mão no SUS do povo brasileiro”, afirmou.

O senador tem contado com a ajuda do cardiologista Marcelo Queiroga, ex-ministro de Jair Bolsonaro, na formulação de propostas.

A ideia dele é reformular e atualizar o Sistema Único de Saúde (SUS), alterar o financiamento para o atendimento da população e valorizar categorias profissionais.

Queiroga, que pretende ser candidato ao Senado Federal pela Paraíba, tem conversado com sindicatos e associações na discussão de propostas para o plano de governo do primogênito de Jair Bolsonaro.

O cardiologista salientou que a ideia é promover uma gestão equilibrada e previsível, sem rupturas bruscas com o sistema atual. E que valorize os profissionais de saúde que atuam no atendimento da população.

 

Fonte: IstoÉ

 

Nenhum comentário: