TJ-BA
lidera no Nordeste pagamentos de auxílio-alimentação nos últimos anos
Os
benefícios salariais com auxílio-alimentação do Tribunal de Justiça da Bahia
(TJ-BA) ultrapassam a casa dos R$ 36 milhões pagos de 2023 até os dias atuais.
Segundo análise da reportagem do BNews, baseada em levantamento do DadosJus.Br,
produzido pela Transparência Brasil em parceria com o Instituto República.org,
esse valor registrou um aumento de mais de R$ 2 milhões em apenas um ano.
O
levantamento feito pela Transparência Brasil analisou dados de todos os
tribunais de justiça do país. Em 2023, o Judiciário baiano gastou quase R$ 14
milhões (R$ 13,7 milhões) apenas com auxílio-alimentação. No ano seguinte, o
valor subiu cerca de R$ 2 milhões, chegando a quase R$ 16 milhões (R$ 15,7
milhões) em 2024. Em 2025, a cifra já ultrapassa os R$ 7 milhões (R$ 7,2
milhões) e deve aumentar ao longo dos demais meses do ano.
Apesar
dos altos valores registrados nos anos analisados, em fevereiro deste ano o
TJ-BA decidiu aumentar o auxílio-alimentação de juízes e servidores para R$
2.200 — valor superior a um salário mínimo. Antes, o benefício era de R$ 1.900.
O reajuste, de 13,6%, foi quase o dobro do aumento aplicado ao salário mínimo
nacional, que subiu 7,5%, passando de R$ 1.412 para R$ 1.518. À época, o
aumento foi justificado pelo “estilo de vida” dos servidores e respaldado por
normas internas.
Em
comparação, um trabalhador contratado pelo regime da CLT recebe, em média, R$
497 por mês de auxílio-alimentação, o equivalente à cerca de R$ 22,58 por dia.
Pela legislação, o desconto desse benefício no salário não pode ultrapassar 20%
do valor concedido. Com o novo valor estabelecido para o Judiciário, os
funcionários que recebem R$ 2.200 por mês terão um valor aproximado de R$ 100
por dia.
Ao
ampliar a análise, a reportagem do BNews constatou, com base nos dados do
DadosJus.Br, que o TJ-BA foi o que mais gastou com auxílio-alimentação entre os
tribunais da região Nordeste. Logo atrás aparece o Tribunal de Justiça de
Pernambuco (TJ-PE), que também destinou cifras milionárias a esse benefício (R$
33,5 milhões), seguido pelo Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), com
despesas que somaram R$ 27,4 milhões.
Na
outra ponta, entre os tribunais que menos desembolsaram com
auxílio-alimentação, estão o Tribunal de Justiça da Paraíba (TJ-PB), com R$
12,2 milhões nos últimos três anos, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do
Norte (TJ-RN), com R$ 12,8 milhões, e, por fim, o Tribunal de Justiça de
Sergipe (TJ-SE), que registrou o menor gasto da região, acumulando R$ 6,4
milhões.
A
análise também identificou a ausência dos dados do Tribunal de Justiça do Piauí
(TJ-PI) referentes às contas de 2023, o que impede a comparação completa entre
todos os estados nordestinos.
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Injustiça Social
Diante
dos elevados gastos com auxílio-alimentação no Tribunal de Justiça da Bahia, o
professor e advogado especialista em Direito Administrativo e Constitucional,
Jamil Santana, explicou em entrevista ao BNews os fatores que ajudam a
compreender esse aumento. Segundo ele, o benefício tem caráter indenizatório e
abrange tanto magistrados quanto servidores. Além disso, destacou que a
ampliação do quadro de funcionários do tribunal também contribuiu para o
crescimento das despesas.
“Outro
ponto é a ampliação do quadro funcional. Só para você ter uma ideia, entre 2024
e os primeiros meses de 2025 foram nomeados cerca de 774 novos servidores.
Naturalmente, isso aumentou o número de pessoas que têm direito ao auxílio e,
portanto, elevou os gastos. Temos os reajustes periódicos. Eles servem
justamente para recompor as perdas inflacionárias e acompanhar o custo de vida,
o que pesa bastante em centros urbanos como Salvador”, disse o especialista em
Direito Administrativo.
O
professor também ressaltou que o reajuste realizado em fevereiro deste ano, que
elevou o auxílio-alimentação para R$ 2.200, visa recompor perdas inflacionárias
e adequar o benefício ao custo de vida dos profissionais. Na avaliação dele,
essa medida “faz sentido em cidades grandes como Salvador, onde o preço da
alimentação costuma ser bastante elevado”.
O
problema é que o valor acabou ultrapassando o próprio salário mínimo nacional
e, isoladamente, supera a remuneração líquida de várias categorias
profissionais essenciais, como professores da educação básica e profissionais
da saúde. Isso cria uma sensação clara de injustiça social e reforça a
percepção de desigualdade na forma como os recursos públicos são distribuídos,
especialmente em um país que já convive com fortes disparidades salariais”,
aponta o especialista ao BNews.
“Ou
seja, embora o reajuste seja legalmente amparado, ele é politicamente sensível
e exige do Tribunal não apenas transparência, mas também uma reflexão mais
ampla sobre a equidade e a legitimidade do gasto perante a sociedade”, explica
o Jamil Santana.
Por
fim, o especialista aponta que a forma de equilibrar o crescimento dos gastos
passa, primeiro, por avaliar os reajustes com base em índices inflacionários
objetivos, e não apenas em decisões administrativas internas.
Segundo
ele, o Tribunal poderia adotar políticas de eficiência administrativa,
reduzindo despesas em outras áreas para compensar o aumento do auxílio. Outro
aspecto fundamental, destacado, é a transparência.
Tornar
os relatórios de gastos mais claros contribui para que a sociedade compreenda
melhor como esses recursos estão sendo aplicados”, recomenda Jamil.
“É
possível, sim, preservar o direito dos servidores, mas isso precisa acontecer
dentro de parâmetros responsáveis, com regras bem definidas, para que o auxílio
não se transforme em uma distorção nos gastos públicos”, encerra o professor.
• Ex-prefeito baiano é condenado por
improbidade administrativa e terá que devolver R$ 2,8 milhões
A
Justiça condenou o ex-prefeito de Poções, Otto Wagner de Magalhães (PCdoB), por
improbidade administrativa. A decisão ocorre após pedido do Ministério Público
da Bahia (MP-BA). O município está localizado no sudoeste baiano.
A
sentença impôs ao ex-gestor o ressarcimento integral de R$ 2.886.565,00 aos
cofres municipais; o pagamento de multa civil no mesmo valor; a perda de
eventual função pública após o trânsito em julgado; além da suspensão dos
direitos políticos e da proibição de contratar com o Poder Público ou receber
benefícios fiscais e creditícios pelo prazo de oito anos.
De
acordo com a ação civil pública ajuizada pelo MP-BA, durante o mandato, entre
2013 e 2016, o ex-gestor autorizou de forma reiterada o pagamento de despesas
sem respaldo legal, causando prejuízo milionário ao município.
Foram
identificados ao menos 196 repasses irregulares, sob a rubrica de “adicional
informado”, a servidores municipais, sem qualquer autorização da Câmara de
Vereadores e em desacordo com a legislação.
Fonte:
Correio

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