sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Quem são os 19% de brasileiros que apoiam o tarifaço de Trump, segundo a Quaest

Pesquisa recente da Quaest mostra que 72% dos brasileiros são contra o tarifaço anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, ao Brasil. Mas 19% disseram apoiar a medida, prevista para entrar em vigor em 6 de agosto.

Nesta quarta-feira (30), os EUA reduziram o alcance da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros com uma lista de exceções com quase 700 itens que não serão taxados. Mas as exportações de café e carne continuam ameaçadas.

Embora o apoio ao tarifaço seja minoritário em todos os grupos sociais analisados pela Quaest, há categorias que se destacam entre os favoráveis, de acordo com a análise dos números, por ser maior do que a das outras categorias, mesmo considerando a margem de erro.

Homens, eleitores de Jair Bolsonaro (PL) e que se identificam como politicamente à direita são os que mais apoiam as taxas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Brasil, segundo a Quaest. 

<><> Gênero

De acordo com o levantamento, divulgado em 16 de julho, 25% dos homens acham que Trump está certo ao impor o tarifaço ao Brasil por acreditar que há uma perseguição política a Bolsonaro. Entre as mulheres, 14% defendem a medida do presidente dos EUA. A margem de erro é de 3 pontos para mais ou menos em ambos os gêneros.

<><> Renda familiar

Segundo a Quaest, 25% dos entrevistados que ganham mais de 5 salários mínimos são a favor da decisão de Trump. O apoio é maior do que os que ganham até 2 salários (15%), mas empata com os que ganham entre 2 e 5 salários mínimos (20%).

A margem de erro nesse perfil é de 4 pontos percentuais para mais ou para menos entre os que ganham até 2 salários mínimos, 3, entre os que ganham de 2 a 5 salários e de 4 entre os que ganham mais de 5 salários mínimos.

<><> Voto no 2º turno de 2022

O apoio também é observado entre aqueles que disseram ter votado em Jair Bolsonaro no 2º turno da eleição presidencial de 2022: 41% desses eleitores consideram Trump certo em taxar o Brasil.

Entre quem votou em Lula, 6% dão a mesma resposta. Outros 15% dos que votaram em branco, nulo ou que não votaram são favoráveis ao tarifaço.

A margem de erro é de 3 pontos percentuais para quem votou em Lula, 4 pontos entre quem votou em Bolsonaro e de 5 pontos para os que votaram branco, nulo ou não votaram.

<><> Posicionamento político

De acordo com a Quaest, os bolsonaristas são os mais favoráveis às tarifas, com 42% de respostas em defesa de Trump. Na sequência aparecem entrevistados que se consideram de direita, mas não são bolsonaristas, com 40%.

Pessoas que responderam não ter posicionamento político deram 10% de respostas favoráveis a Trump, contra 9% de quem se identificou como lulista ou petista. Entrevistados que se dizem de esquerda, mas não são lulistas ou petistas, deram 2% das respostas considerando correta a atitude.

A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

¨      Datafolha: 89% dizem que o tarifaço de Trump trará prejuízos à economia brasileira

A pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (31) mostrou que 89% dos entrevistados afirmaram acreditar em prejuízos à economia brasileira por conta do tarifaço de 50% anunciado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, nesta quarta (30).

De acordo com os números, 66% dos 89% avaliam que a medida vai prejudicar muito e 23% desses quase 90% disseram que o Brasil terá um pouco de prejuízo. As estatísticas apontaram que, para 7% de todos os participantes da pesquisa, o tarifaço não resultará em consequências negativas para a economia brasileira.

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Para 77% dos brasileiros, as tarifas dos EUA terão impacto negativo na situação econômica pessoal. Desses mais de 70%, pelo menos 43% avaliam que a medida vai prejudicar muito; 34%, um pouco, e 19% acreditam que não haverá prejuízo.

Entre eleitores de Jair Bolsonaro (PL) na última disputa presidencial, 92% relataram que o tarifaço será ruim para o Brasil. Dos que votaram no atual presidente Lula (PT), 87% acham o mesmo.

A pesquisa foi realizada nos dias 29 e 30 de julho, antes da publicação do decreto que oficializou a sobretaxa de 50% e detalhou a lista de quase 700 produtos isentos. Foram entrevistadas 2.004 pessoas com mais de 16 anos em 130 cidades brasileiras. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

¨      Medidas de Trump contra Brasil são 'grande vitória' para Bolsonaro, diz New York Times

O jornal americano The New York Times disse que os Estados Unidos cumpriram suas ameaças de aplicar tarifas de 50% a todos os produtos que vêm do Brasil e de sancionar o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes agravando "drasticamente" a crise entre os dois países, em reportagem publicada na quarta-feira (30/7).

O presidente americano, Donald Trump, assinou na quarta o decreto que formaliza tarifas de 50% para produtos brasileiros, com uma série de exceções às taxações.

Segundo a Casa Branca, as medidas foram tomadas considerando que "a perseguição, intimidação, assédio, censura e processo politicamente motivados pelo governo brasileiro contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e milhares de seus apoiadores constituem graves violações dos direitos humanos que minaram o Estado de Direito no Brasil".

New York Times destacou que "as duas medidas demonstraram que, enquanto as autoridades brasileiras buscavam o diálogo, a Casa Branca agravou drasticamente a crescente crise diplomática entre os dois países mais populosos do Hemisfério Ocidental".

"As tarifas contra o Brasil são as mais altas já impostas pelo presidente Trump neste ano, embora excluam muitas das principais exportações brasileiras para os EUA, como aeronaves comerciais, produtos energéticos e suco de laranja."

O New York Times destacou a disposição de Trump de confrontar o Brasil.

"Dadas as amplas isenções tarifárias, as ações de quarta-feira podem acabar sendo menos paralisantes do que parecem — mas são um sinal claro do governo Trump de que está preparado para uma briga com o Brasil."

A publicação ainda destacou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é um dos principais vencedores após o anúncio de Trump de quarta-feira.

"As medidas dos EUA representam uma grande vitória para Bolsonaro, que pode enfrentar décadas de prisão se for considerado culpado [em julgamento por suposta tentativa de golpe de Estado]", diz o jornal.

"Durante meses, Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, vem pressionando a Casa Branca para aplicar sanções contra o ministro Moraes e outros juízes, argumentando que o Supremo Tribunal Federal está visando injustamente seu pai e outras vozes de direita."

O New York Times afirma que "Bolsonaro sugeriu que uma imunidade para ele e seus aliados seria o caminho para uma trégua econômica com os EUA".

"Parlamentares alinhados a Bolsonaro pressionam por um projeto de lei de anistia, embora Lula provavelmente vetaria isso", diz o artigo.

O jornal também destacou a gravidade das sanções contra Moraes — que foi enquadrado na Lei Global Magnitsky — uma das mais severas disponíveis para Washington punir estrangeiros que considera autores de violações de direitos humanos e práticas de corrupção.

"As ações contra Alexandre de Moraes, um juiz da Suprema Corte brasileira, são um uso altamente incomum de algumas das mais graves sanções de direitos humanos que o governo dos EUA tem à disposição", escreveu o New York Times.

O New York Times disse que Moraes se "tornou talvez a figura mais polêmica do Brasil" — relembrando episódios em que o juiz agiu contra seguidores do ex-presidente Jair Bolsonaro que atacaram instituições brasileiras e acusaram fraude nas eleições de 2022.

"Mas, em sua luta para proteger a democracia, ele também foi visto, por vezes, como alguém que tomou medidas autoritárias", escreveu o jornal, citando ordens para empresas de tecnologia removerem contas de redes sociais, prisão de pessoas por ameaças na internet e sua ação como "juiz e promotor" em alguns casos.

"No entanto, muitas de suas decisões também foram apoiadas pela maioria dos juízes do Supremo Tribunal Federal, que disseram que seus poderes extraordinários são necessários para combater uma ameaça extraordinária à democracia brasileira", disse o jornal.

 

Fonte: g1/Brasil de Fato/BBC News Brasil

 

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