Valéria
Guerra Reiter: O entorno do G20 e a rota da pobreza
A
sociedade civil tem um marco regulatório.
O
destino de poucos é resolver o destino de muitos. Estamos na Semana da
Consciência Negra.
E a
consciência de uma sociedade democrática ainda está engatinhando, o povo vive à
la bangu. Em cada esquina não há uma livraria
O
sonho de consumo da maioria dos invisíveis explorados, ainda é futebol,
churrasco e novela, e isso na melhor das hipóteses. Tais atividades nunca
foram facultadas, sempre foram induzidas.
No
dia da libertação dos escravos, a maioria saiu descalça comemorando a “alforria
definitiva”.O trabalhismo ainda chegaria excluindo e incluindo os mais aptos ao
novo modelo de escravidão.
A
História é conduzida pelas rédeas do “Lucro”, e o fato “Abolição da
Escravatura” não fugiu à está regra. Quando algum popular fura bloqueios e
revoluciona o status quo, por idealismo, surge a exceção histórica.
O
evento do G20 ocorreu nos dias 18 e 19 de novembro do corrente ano de 2024, na
“cidade maravilhosa” do RJ.
Sua
importância é visceral para os mandatários mundiais: O grupo conta com a
participação de Chefes de Estado, Ministros de Finanças e Presidentes de Bancos
Centrais de 19 países: África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina,
Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia,
Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia e Turquia. As notícias do
entorno do grande evento não poderiam ser diferentes; em se tratando de Rio de
Janeiro: “Duas integrantes da comitiva do Timor Leste do G20 Social relataram
que foram furtadas no último domingo (17). A Operação Segurança Presente
confirmou que foi chamada para prestar atendimento para as duas mulheres.
O
roubo de um cordão de ouro de uma das integrantes foi relatado em postagem nas
redes sociais da ativista Licypriya Kangujam. Ela afirmou que dois garotos
levaram o cordão de sua mãe e fugiram em uma bicicleta. Ela também reclamou que
ficou muito desapontada com a "experiência horrível" e afirmou que
ninguém fez nada no momento do furto.
A
informação sobre o furto foi noticiada inicialmente em reportagem do jornal O
Globo. Segundo o Segurança Presente, as duas foram atendidas por uma equipe
bilíngue de agentes. Após ouvirem o relato das vítimas, as policiais as levaram
para percorrer algumas ruas do bairro, em uma viatura da Operação Segurança
Presente, na tentativa de localizar os autores do furto”.
O
fragmento destaca a insegurança, a pobreza e a falta de conhecimento de
um povo que continua suas atividades cotidianas, sem se importar com o Entorno
do G20, e suas decisões políticas bem intencionadas no campo das igualdades.
Uma
bela foto ao final do Evento Internacional não conseguiu esconder o quanto o
termo “ficar bem na foto” pode camuflar incipiências, a nota publicada no
DIÁRIO DA CAUSA OPERÁRIA revela que ainda existe jornalismo de vanguarda no
Brasil : “A 19ª Cúpula do G20, realizada no Rio de Janeiro entre os dias 18 e
19 de novembro, trouxe líderes das maiores economias do mundo para discutir
temas globais como segurança alimentar, mudanças climáticas e conflitos
internacionais. Sob a presidência do Brasil, a cúpula foi marcada por omissões
estratégicas como a ausência de uma posição firme sobre o genocídio palestino.
A declaração final do encontro reafirmou pontos genéricos, como o compromisso
com a paz e o desenvolvimento sustentável, sem abordar diretamente as causas
das crises que assolam o mundo. Em relação à Ucrânia, os países-membros
evitaram atribuir responsabilidade à Rússia” Voltando a existência de um marco
regulatório, vejamos: “O movimento inicial da criação da agenda do MROSC se deu
em 2010, com a articulação da “Plataforma por um Novo Marco Regulatório para as
Organizações da Sociedade Civil”, cujos membros representam diversas
organizações, coletivos redes e movimentos sociais.
São
Entidades representativas das mais variadas frentes e segmentos que reúnem
organizações que atuam, por exemplo, na economia solidária.
Você
que vem realizando uma refeição diária; ou nenhuma... tem conhecimento deste
marco? Ele vem te auxiliando em sua pobreza crônica?
¨
Domínio ocidental
sobre o mundo inteiro fracassou, a era da Eurásia está chegando, diz Orbán
A
era de 500 anos de domínio da civilização ocidental chegou ao fim, a estratégia
de ocidentalização do mundo inteiro fracassou, o centro da economia mundial se
deslocou para o Leste e o próximo século será o século da Eurásia, disse o
primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán.
Há
séculos que o Ocidente se tem acostumado a crer que é "o mais bonito, o
mais inteligente, o mais desenvolvido e o mais rico", mas não é fácil
reconhecer que isso já não é verdade, segundo Orbán.
"Os
500 anos de domínio da civilização ocidental chegaram ao fim. [...] O domínio
progressista liberal do mundo ocidental acabou. A ideia de que o mundo inteiro
deveria ser organizado de acordo com o modelo ocidental e que as nações
selecionadas para isso estariam dispostas a fazê-lo em troca de benefícios
econômicos e financeiros fracassou", disse Orbán no Fórum Eurásia em
Budapeste.
A
nova realidade, segundo ele, é que os Estados asiáticos se tornaram mais fortes
e provaram que podem crescer, existir e persistir como centros independentes de
poder econômico e político.
Como
resultado, "o centro da economia mundial se deslocou para o Leste, e as
economias orientais estão crescendo quatro vezes mais rápido do que as
economias ocidentais".
O
primeiro-ministro húngaro acredita que o próximo século será o século da
Eurásia, pois é o maior continente, abrigando 70% da população mundial e com
mais de 70% da economia global.
"A
Europa é a perdedora das mudanças atuais no mundo. [...] A julgar pela paridade
do poder de compra, se a União Europeia fosse parte dos EUA, seria o terceiro
estado mais pobre. Isso mostra que a Europa é uma perdedora constante e é a
principal perdedora nos processos atuais. Os países europeus não estão mais
entre os cinco principais países da economia mundial", relatou ele.
A
Europa, disse ele, não pode se colocar em um contexto eurasiático.
Atualmente,
entre os líderes europeus "não se vê poder intelectual suficiente"
para "sair da bolha" e abandonar a ideia de divisão em blocos.
Anteriormente,
Orbán disse que a economia mundial, como resultado das políticas suicidas do
Ocidente, que incluem sanções, corre o risco de se dividir em blocos ocidental
e oriental, e a Hungria não quer pertencer a nenhum deles, embora mantenha
laços econômicos estreitos com ambos.
De
acordo com ele, a Hungria quer encontrar seu próprio modelo econômico no
contexto do declínio da competitividade do Ocidente, composto pelos modelos
mais aceitáveis do mundo, sem tomar emprestados diretamente os métodos
orientais, mas também sem se prender aos blocos.
<><> Rússia começa a usar ativos congelados de
estrangeiros no país em resposta à UE e EUA, diz ministro
A
Rússia começou a usar ativos estrangeiros congelados no país como resposta a
ações similares de países da União Europeia (UE) e Estados Estados, declarou o
ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, nesta quarta-feira (20).
"Fazemos
exatamente a mesma coisa. Se os países ocidentais decidiram usar nossos ativos
e os rendimentos desses ativos, o lado russo está implementando as mesmas
ações", disse Siluanov ao canal Rossiya 1.
O
ministro destacou que Moscou utilizará os ativos congelados de investidores
ocidentais, participantes do mercado financeiro e empresas, como uma resposta
proporcional às ações hostis de outros países.
Após
o início da operação militar russa na Ucrânia, a UE e países do G7 congelaram
quase metade das reservas de câmbio estrangeiro da Rússia, totalizando
aproximadamente 300 bilhões de euros (R$ 1,8 trilhões). Desse total, mais de
200 bilhões de euros (R$ 1,2 trilhões) estão retidos na UE, principalmente em
contas da Euroclear, um dos maiores sistemas de compensação e liquidação do
mundo.
Na
última cúpula, o G7 concordou em fornecer à Ucrânia um empréstimo de US$ 50
bilhões (R$ 288 bilhões), que será reembolsado com os juros provenientes dos
ativos russos congelados no Ocidente.
Já
o Ministério das Relações Exteriores da Rússia descreveu o congelamento de
ativos russos na Europa como um ato de roubo, destacando que a UE não mira
apenas fundos privados, mas também recursos estatais russos.
<><> Rússia é principal fornecedor de gás à UE em
setembro pela primeira vez desde maio de 2022
Em
setembro, a Rússia tornou-se, pela primeira vez, desde a primavera de 2022, o
principal fornecedor de gás à União Europeia (UE), ao atingir 23,7% das
importações europeias, segundo cálculos da Sputnik, com dados do serviço de
estatísticas da UE, Eurostat.
O
salto nas exportações permitiu à Rússia tornar-se o principal fornecedor de
"combustível azul" à UE, quando as empresas europeias compraram € 1,4
bilhão (cerca R$ 8,5 bilhões) em gás à Rússia, o que representa um terço mais
do que no mês e no ano anterior. Aproximadamente 40% dos fornecimentos provêm
de gás natural liquefeito e 60% de gás gasoduto.
Em
agosto, a Rússia exportou 16,54%. Em maio de 2022, o gás russo representou
22,9% das importações, tornando o país o principal exportador de gás do bloco.
Segundo
principal provedor de gás para a UE, a Argélia perdeu a liderança, com
diminuição das vendas de 15% face ao mês anterior – para € 1,1 bilhão (R$ 6,7
bilhões).
Em
setembro, os EUA aumentaram as vendas em 21%, para € 990,2 milhões (R$ cerca de
6 bilhões), subindo do quinto para o terceiro lugar.
A
Noruega permanece em quarto lugar, com volumes expedidos aumentando 7% (para
975 milhões de euros).
O
Reino Unido, que era um dos três principais vendedores de gás na UE em agosto,
reduziu os fornecimentos em 2,4 vezes, ficando em quinto lugar, com vendas de
cerca de € 429,2 milhões (R$ 2,6 bilhões).
Os
países da UE, no plano REPowerEU lançado na primavera de 2022, estabeleceram a
meta de eliminar gradualmente o gás gasoduto russo em 2027–2028.
No
entanto, desde então, a estrutura das importações de gás russo sofreu ligeiras
alterações: a percentagem de GNL aumentou de cerca de um terço para 40%, e o
gás de gasoduto diminuiu de cerca de 70% para 60%.
¨
Endividada até o
pescoço: qual é o tamanho da dívida pública da Ucrânia e a quem ela deve?
Tendo
já fornecido bilhões de dólares em suprimentos financeiros e militares a Kiev
após a escalada do conflito, o governo Biden aparentemente pretende levar essa
generosidade a outro nível, anulando praticamente metade da dívida da Ucrânia.
O
valor total da dívida estatal e garantida pelo Estado da Ucrânia em 30 de
setembro era de US$ 155,69 bilhões (cerca de R$ 906,1 bilhões), incluindo US$
112,06 bilhões (aproximadamente R$ 652,1 bilhões) de dívida externa, de acordo
com dados divulgados pelo Ministério das Finanças da Ucrânia. Aqui estão
estatísticas oficiais mais detalhadas.
<><>
Dívida com os EUA
Curiosamente,
a dívida da Ucrânia em empréstimos das autoridades governamentais dos Estados
Unidos era exatamente zero, de acordo com o ministério ucraniano.
Enquanto
isso, nos EUA foi aprovado em abril um pacote de ajuda à Ucrânia no valor de
US$ 60 bilhões (cerca de R$ 349,1 bilhões) que incluía um empréstimo de US$ 9
bilhões (mais de R$ 52,3 bilhões), dos quais, US$ 4,65 bilhões (quase R$ 27,06
bilhões) Biden pretende anular.
<><>
Dívida com a UE
A
dívida estatal da Ucrânia inclui US$ 44,17 bilhões (cerca de R$ 257,1 bilhões)
devidos à União Europeia (UE), US$ 14,65 bilhões (aproximadamente R$ 85,2
bilhões) devidos ao Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento
(BIRD) e US$ 12,08 bilhões (mais de R$ 70,3 bilhões) devidos ao Fundo Monetário
Internacional (FMI).
<><>
Dívida bilateral
As
dívidas sobre empréstimos recebidos por Kiev de autoridades governamentais de
países estrangeiros, incluindo França, Alemanha, Itália, Japão, Países Baixos,
Polônia e Reino Unido, atingiram US$ 7,74 bilhões (aproximadamente R$ 45,01
bilhões), com o maior credor sendo o Canadá, com expressivos US$ 5,11 bilhões
(cerca de R$ 29,7 bilhões).
<><>
Passivos do setor privado
O
Banco Nacional da Ucrânia (NBU) identificou Chipre como "o principal país
credor", que possuía 48,4% do "valor total dos passivos",
enquanto o Reino Unido, os Países Baixos e a Alemanha possuíam 10,5%, 7,9% e
3%, respectivamente.
Dívida
com outros bancos internacionais
A
Ucrânia também devia US$ 1,61 bilhão (cerca de R$ 9,3 bilhões) graças a
empréstimos de bancos comerciais estrangeiros e organizações como Cargill com
US$ 730 milhões (mais de R$ 4,2 bilhões) e Deutsche Bank com US$ 490 milhões
(aproximadamente R$ 2,8 bilhões).
<><>
Dívida em títulos emitidos
A
dívida da Ucrânia em Eurobonds 2024 totalizou US$ 15,22 bilhões (cerca de R$
88,5 bilhões).
Notavelmente,
Kiev aprovou uma lei permitindo que a Ucrânia suspendesse os pagamentos da
dívida externa no início deste ano.
<><> Biden planeja perdoar US$ 4,65 bilhões da
dívida da Ucrânia antes de Trump tomar posse, diz mídia
A
administração cessante de Joe Biden notificou o Congresso dos Estados Unidos da
sua intenção de perdoar US$ 4,65 bilhões (R$ 27 bilhões) da dívida da Ucrânia,
informou a agência Bloomberg, citando um documento.
"A
administração Biden disse ao Congresso que planeja cancelar US$ 4,65 bilhões
[R$ 27 bilhões] da dívida da Ucrânia, de acordo com uma carta obtida pela
Bloomberg, a mais recente de uma série de medidas destinadas a reforçar o apoio
a Kiev antes que o presidente eleito, Donald Trump, tome posse", observou
o artigo.
Isto
faz parte da dívida total da Ucrânia de US$ 9 bilhões (aproximadamente R$ 52,04
bilhões), que Kiev adquiriu ao abrigo de um pacote suplementar de financiamento
de segurança nacional de US$ 60 bilhões (cerca de R$ 346,9 bilhões) aprovado
pelo Congresso em abril.
O
documento observava que o cancelamento parcial da dívida "ajudando assim a
Ucrânia a vencer é do interesse nacional dos Estados Unidos e dos seus
parceiros da União Europeia [UE], do G7+ e da Organização do Tratado do
Atlântico Norte [OTAN]", afirmou o Departamento de Estado em uma carta ao
Congresso datada de 18 de novembro, informou a mídia.
Pelo
segundo ano consecutivo, a Ucrânia apresenta um orçamento com um déficit
recorde, que pretende cobrir na maior parte com a ajuda dos seus parceiros
ocidentais. Estima-se que em 2024 o déficit atinja US$ 43,9 bilhões (mais de R$
253,7 bilhões).
Entretanto,
nos países ocidentais, a aprovação de novos pacotes de ajuda só ocorre após
longos debates. O chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) na
Ucrânia, Gavin Gray, observou que o apoio a Kiev deve diminuir ao longo do
tempo, tornando necessário que as autoridades ucranianas desenvolvam recursos
internos para se financiarem.
Por
sua vez, Vladimir Zelensky expressou a sua frustração com a falta de
financiamento da Ucrânia para a produção interna de armas e com a lentidão da
ajuda ocidental.
¨
Genocídio em Gaza
expõe barbárie do lobby sionista e da indústria bélica mundial, dizem analistas
A
força do lobby israelense e da indústria bélica no planeta explica a letargia
obscena da comunidade internacional para frear o avanço do número de mortos,
feridos e deslocados na Faixa de Gaza ao longo de pouco mais de um ano, de
acordo com pesquisadores ouvidos pelo Mundioka desta quinta-feira (21).
Nesta
edição do podcast internacional da Sputnik Brasil, foi ressaltado que a
discrepância entre os fatos e a narrativa do Ocidente evidencia o aumento do
comprometimento e da cumplicidade das grandes potências com o genocídio em
curso perpetrado por Israel contra o povo palestino.
Doutor
em história social pela Universidade de São Paulo (USP), mestre em estudos
árabes e professor da Habib University, no Paquistão, Gabriel Mathias Soares
pontuou que o aumento sem precedentes de ajuda norte-americana ao governo do
premiê Benjamin Netanyahu, que já atinge quase US$ 20 bilhões (cerca de R$ 100
bilhões) em menos de um ano, mais de meio milhão de toneladas de munições e
armamentos, e o envio de sistemas de defesa dos mais avançados provam que os
EUA e Israel nunca estiveram tão próximos.
"[…]
Nunca há qualquer condenação expressa de ações que resultaram comprovadamente
na morte de dezenas, centenas de civis, mesmo agora no Líbano. Inclusive no
Líbano há uma questão que é, dentro destas várias contradições que podem
existir, os Estados Unidos serem um dos financiadores e apoiadores [dos
libaneses], treinando também o Exército libanês — porque existe um Exército
libanês, apesar das milícias, como o Hezbollah e algumas que hoje em dia são
muito pequenas, como as Forças Libanesas, que é um grupo mais cristão de
extrema-direita."
O
analista comentou que as perdas com a guerra são menores que os ganhos para o
governo de Israel, que tem lucrado em setores estratégicos, como o militar, com
venda de tecnologias testadas nos ataques.
Inclusive,
salientou ele, alianças e cumplicidades de países da região devem-se, em grande
parte, às transações comerciais envolvendo tecnologia israelense.
"Embora
não exista uma inimizade oficial, existe uma relação tensa entre o Azerbaijão e
o Irã, e a maior parte do equipamento militar que o Azerbaijão tem, inclusive
que foi usado na limpeza étnica contra a população ameríndia de
Nagorno-Karabakh ou Artsakh, como eles chamam, foi importada de Israel",
disse ele, ao destacar que o Azerbaijão é o principal fornecedor de combustível
de Israel.
Esse
lobby também permite certa "normalização" das relações com os
vizinhos Bahrein e Emirados Árabes Unidos, acrescentou o especialista em
estudos árabes:
"Torna
a relação com a região muito mais amigável, e com apoio inclusive direto ou
indireto, até mesmo em ações militares, como na defesa contra foguetes e
mísseis que estão sendo disparados de outros territórios. A confluência de
interesses estratégicos amplos entre Israel e países aliados é muito mais forte
do que as divergências expressas."
Como
a continuidade da guerra é de interesse de Netanyahu, que enfrentava oposição
desde o ano passado, sem a interferência externa das grandes potências, o fim
do conflito é incerto, ponderou.
Shajar
Goldwaser, pesquisador em relações internacionais do Grupo de Estudos sobre
Conflitos Internacionais, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
(PUC-SP), e do coletivo Vozes Judaicas por Libertação, elencou interesses
materiais que tornam discursos inflamados e indignados de entidades
internacionais e países contra os ataques pura retórica.
"Ou
seja, cada bomba que Israel lança em cima de palestinos ou libaneses, nada é de
graça. Essa bomba foi fabricada por uma empresa, essa empresa vendeu essa bomba
a Israel ou aos Estados Unidos, porque os Estados Unidos estão transferindo
armas e dinheiro para Israel para compra de equipamentos ou para o uso desse
equipamento", disse ele.
O
pesquisador citou também os setores imobiliário e de infraestrutura, com
projetos de reconstrução de Gaza a partir de novos hotéis e condomínios
privados nos territórios destruídos.
Paralelamente
aos interesses materiais, existe ainda o soft power meticulosamente orquestrado
pelo Estado sionista desde sua criação, segundo Goldwaser.
"Israel
é um caso bem-sucedido de lobby, ou seja, o movimento sionista, na sua origem,
conseguiu de fato convencer as nações imperialistas a cederem, a contribuírem
com a construção do Estado de Israel, tanto que os aliados de Israel sempre
foram potências estrangeiras — Estados Unidos e, principalmente na origem,
Inglaterra e França", lembrou ele.
O
internacionalista frisou que o soft power israelense age primordialmente com a
comunidade judaica do mundo, cuja maioria torna-se propagadora da narrativa
sionista.
"O
soft power israelense foi construído pelos judeus que vivem dentro de Israel.
Os judeus que vivem fora de Israel são os primeiros convencidos. A grande
maioria esmagadora dos judeus ou, principalmente, das instituições judaicas
estão alinhadas à política e à narrativa israelenses, sendo as primeiras
impactadas pelo soft power", afirmou.
Outro
ponto fundamental do soft power israelense, elencou Goldwaser, é a ideia de que
qualquer crítica a Israel é antissemita.
"Isso
é uma das bases das políticas. Existe em Israel, dentro do Ministério das
Relações Exteriores, uma secretaria específica que é chamada de Hasbará.
Hasbará, em hebraico, significa explicação. E é basicamente uma agência de
políticas públicas […] que tem como objetivos divulgar a narrativa israelense e
defender, digamos assim, a imagem de Israel. E um dos principais pilares da
Hasbará, dessa defesa de Israel a qualquer custo, é a ideia de que qualquer
crítica a Israel é antissemita", explicou.
Logo,
argumentou ele, crimes que Israel está cometendo seriam uma ação contra o
antissemitismo, com o argumento de que a integridade física das comunidades
judaicas está em risco.
Com
essa narrativa influente e sustentada pelos parceiros ocidentais, Israel tem
"chutado o direito internacional" impunemente, criticou:
"Se
você pegar as ações do Estado do Israel — não estou falando do último ano,
estou falando desde a sua criação —, Israel violou sistematicamente diversas
convenções de direito internacional, direitos humanos; todas as convenções
sobre crime de apartheid; as convenções sobre guerra, sobre direito de
refugiados… Enfim, diversos crimes."
Segundo
ele, Israel vende ao mundo a ideia de que o conflito atual que está travando é
uma guerra entre a civilização e a barbárie, ao mesmo tempo que impõe regime de
apartheid à população palestina.
"E,
de fato, as vidas israelenses importam muito mais para o Ocidente do que as
vidas palestinas. Os próprios direitos, a própria ideia de que os israelenses
teriam direito ao Estado, direito ao território, direito à soberania, ela não
se aplica aos palestinos, que não têm esses direitos."
Fonte:
Brasil 247/Sputnik Brasil
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