Por
que moda de tomar sachês de cafeína para malhar preocupa especialistas
Um
número crescente de estudantes nos Estados Unidos está usando sachês de cafeína
para obter uma dose extra de energia — uma moda que tem preocupado
especialistas.
Os
pequenos sachês, colocados entre os lábios e a gengiva, liberam uma rápida dose
de cafeína diretamente na corrente sanguínea.
Alguns
influenciadores digitais têm promovido os produtos nas redes sociais,
recomendando o uso para aqueles que querem melhorar o desempenho na hora de
malhar ou para estudantes que querem ficar alertas para provas.
O
TikTok Shop vende várias marcas e sabores, que podem ser um atrativo para
jovens, segundo Rob van Dam, professor da Universidade George Washington nos
EUA.
Mas,
como um único sachê pode conter tanta cafeína quanto duas xícaras de café, fica
fácil exagerar e sofrer efeitos colaterais indesejados.
Além
disso, os sachês de cafeína são discretos — muitas vezes você não consegue
perceber que alguém está com um na boca — o que facilita escondê-los de pais e
professores.
Na
internet, alguns fãs do produto se gabam de estarem "animados" após
usar dois sachês de uma vez para obter uma dose grande de cafeína. Como a
substância é absorvida rapidamente, os efeitos podem começar minutos depois da
ingestão e durar por várias horas.
Os
níveis podem sair de controle, alerta van Dam.
"Pessoas
jovens podem ser menos tolerante à cafeína e há chances disso terminar em um
pronto-socorro caso eles tomem em excesso."
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Por que a cafeína e o que acontece se você consumi-la em excesso?
A
cafeína é um estimulante que pode fazer você se sentir mais alerta e menos
sonolento devido ao efeito que ela exerce sob o cérebro e o sistema nervoso.
Lewis
James, professor da Escola de Esporte, Exercícios e Ciências da Saúde na
Universidade de Loughborough, no Reino Unido, afirma que há evidências de que a
cafeína pode ajudar a tornar a prática de exercícios mais fácil.
Por
isso, ela se tornou um dos suplementos mais usados regularmente entre os
atletas.
À
medida que você se exercita, seu corpo produz uma substância química chamada
adenosina, que faz você se sentir cansado. A cafeína bloqueia os receptores de
adenosina nos nervos, e o cérebro percebe menos dor e fadiga.
Mas ela
também atua em outras partes do corpo, incluindo no sistema cardiovascular, o
que pode ser um risco.
Níveis
elevados de cafeína podem causar batimentos cardíacos acelerados, arritmias e
convulsões. Embora raros, há registros de mortes causadas por excesso de
cafeína.
Algumas
pessoas, contudo, são mais sensíveis à cafeína do que outras e podem sentir
náuseas, ansiedade, irritabilidade e ter dores de cabeça mesmo com doses mais
baixas.
Geralmente,
o consumo recomendado para a maioria dos adultos saudáveis é de até 400 mg de
cafeína por dia, o que equivale a cerca de quatro xícaras de café instantâneo.
Como o
chá contém um pouco menos, cinco xícaras por dia geralmente são aceitáveis.
No caso
de mulheres grávidas, aconselha-se a reduzir a ingestão diária para 200 g ou
menos. Crianças e adolescentes também são mais suscetíveis aos riscos e ao
potencial de overdose.
É por
isso que bebidas energéticas contendo mais de 150 mg de cafeína, por exemplo,
são obrigadas por lei na União Europeia a trazerem rótulos com a advertência:
"Alto teor de cafeína. Não recomendado para crianças, mulheres grávidas ou
que estejam amamentando".
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Outras bebidas e alimentos que contêm cafeína
Segundo
o professor van Dam, pode ser fácil exagerar na dose. A cafeína está presente
em muitas bebidas e em alguns alimentos, por isso é importante verificar a
quantidade que você está consumindo.
"Embora
seja mais difícil ter uma overdose com café, com esses produtos isso é mais
fácil, principalmente se os jovens também estiverem consumindo bebidas
energéticas."
Ele
afirma que alguns produtos, quando analisados em laboratório, contêm mais
cafeína do que informado no rótulo.
• Café: uma caneca contém cerca de
100-140mg de cafeína;
• Chá: uma caneca contém cerca de 75 mg;
• Bebidas energéticas: geralmente uma lata
de 250 ml contém 80 mg de cafeína;
• Refrigerantes: geralmente uma lata
contém cerca de 40 mg;
• Chocolate: cerca de 25 mg de cafeína em
uma barra de 50g de chocolate amargo e cerca de 10 mg em uma barra de 50 g de
chocolate ao leite.
Dentistas
alertam que o consumo prolongado da cafeína pode irritar a gengiva — assim como
o uso de sachês de nicotina, que tem gerado preocupação no Reino Unido.
Alguns
especialistas temem que os sachês de cafeína possam ser uma porta de entrada
para o uso dessas substâncias.
Segundo
Bini Suresh, que atua na Cleveland Clinic, em Londres, e é porta-voz da
Associação Dietética Britânica (BDA, na sigla em inglês), as cápsulas de
cafeína podem parecer uma "modinha" ou algo inofensivo, mas existe um
risco real de normalizar o uso de estimulantes em adolescentes e jovens,
potencialmente criando padrões de dependência.
"Embora
a cafeína possa dar uma dose de energia temporária, ela pode atrapalhar o sono
e piorar a fadiga ao longo do tempo, principalmente em crianças e adolescentes,
que são mais sensíveis aos seus efeitos."
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Doses recomendadas
Se os
jovens forem consumir cafeína, a BDA e o NHS (sistema de saúde britânico)
recomendam cautela.
A
Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar sugere 3 mg por quilo de peso
corporal como limite máximo para crianças e adolescentes, o que significa que
uma criança com 30 kg não deve consumir mais de 90 mg por dia.
Em vez
de recorrer à cafeína, Suresh diz que é bem melhor focar em refeições
regulares, hidratação e alimentos ricos em nutrientes que mantenham níveis de
energia estáveis ao longo do dia.
Uma
dieta saudável com ferro, proteína e carboidratos de liberação lenta deve ser
suficiente, afirma.
Fonte:
BBC News

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