Por
que o colapso político na França é um sintoma da crise da Europa? Analista
explica
As
greves e protestos que tomaram a França ocorrem no momento em que o país
enfrenta uma dívida pública de 119% do PIB e severa instabilidade política, ao
mesmo tempo em que mantém seu apoio militar à Ucrânia. Além disso, outros
países europeus também passam por crises e defendem posições divergentes na
política regional.
A
complexa situação da França também se traduz como um reflexo da crise no
próprio bloco europeu, conforme explica Pedro Martins, doutorando em Relações
Internacionais pela UERJ. Nesse cenário, o presidente Emmanuel Macron tenta
exercer um papel de liderança entre os países da zona do euro, mas não obtém
sucesso, além de também haver uma falta de coesão
política
na União Europeia (UE).
"Quando
a [Angela] Merkel sai, a UE não consegue colocar um líder à altura para
conseguir fazer esse tipo de coordenação política. A crise econômica também
acaba dificultando. E o Macron tenta assumir essa coisa de liderança europeia e
não consegue porque a Europa está dividida, internamente a Europa, e não está
conseguindo mais se entender e nem mais coordenar posições", disse.
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Sputnik / Sputnik Brasil / Rennan Rebello
O
pesquisador também ressalta que a política externa funciona como um mecanismo
crucial para Macron, que tenta utilizar eventuais vitórias internacionais para
projetar força junto ao público interno e contornar os impasses domésticos.
"A
negociação, a política, deixa de ser qual é o projeto melhor para a França e
passa a ser: manter a estabilidade de um determinado regime político na França.
Então, ele [Macron] tenta usar o sucesso exterior para criar uma imagem de
força internamente, só que ele está em um contexto regional muito complicado e
tenta jogar em dois cenários ao mesmo tempo, só que cada um dos cenários vai se
enfraquecendo", comenta.
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Crise social e econômica europeia passa pela energia
Um dos
principais catalisadores dos impactos na Europa, inclusive nas maiores
economias da região, como França e Alemanha, é o encarecimento da energia
decorrente das sanções aplicadas contra a Rússia. Conforme elucida Pedro
Martins, a situação expõe a vulnerabilidade do continente, que continua
dependente dos recursos energéticos
russos.
"Durante
muito tempo, a UE viveu um equilíbrio entre dois polos. Havia o compromisso de
segurança com os EUA e uma interdependência econômica muito grande com a
Rússia, que permitia que esses países conseguissem manter os Estados de
bem-estar social porque se tinha acesso à energia barata, como petróleo e gás.
Com isso, se conseguia controlar a inflação, baratear e exportar seus produtos,
inclusive para a Rússia, de novo, a interdependência econômica", destaca.
O
analista também explica que, embora a energia nuclear seja a base da matriz
elétrica francesa, o país ainda carece de alternativas sólidas para substituir
os combustíveis fósseis, que são necessários no cotidiano do cidadão comum.
"A
energia elétrica da França é nuclear, mas o combustível, que é usado no frete,
no transporte marítimo, nos caminhões, enfim, no dia a dia dos franceses, é o
petróleo, e se o seu preço sobe, o preço do combustível sobe muito. E isso gera
um efeito inflacionário na cadeia. Enquanto a situação do preço do petróleo
internacional continuar muito alta, vai haver esse tipo de problema",
observa.
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G7 libera reservas de petróleo e liga o sinal de alerta
Outro
ponto levantado por Pedro Martins é a recente liberação de reservas
estratégicas de petróleo pelo G7, grupo composto por Alemanha, Canadá, Estados
Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. Para o especialista, a medida não
apenas expõe a gravidade da crise energética em curso, mas também está longe de
representar uma solução definitiva a longo prazo.
"Quando
o G7 solta o petróleo, está tentando forçar uma queda no preço do petróleo para
manter a inflação sob controle. Então, isso é uma forma de tentar manter a
estabilidade econômica. O problema é que a reserva um dia acaba. Eles não podem
ficar liberando reserva porque uma hora isso vai acabar. Isso é um problema
econômico, ecológico e político e pode se transformar num problema político
social", conclui.
Em um
mundo cada vez mais globalizado e de economias interdependentes, é inevitável
que a turbulência de um país contamine outras nações, sobretudo as geograficamente mais
próximas.
Nesse cenário de interconexão, a política regional acaba sendo a primeira
afetada, um reflexo nítido do que se observa hoje na França dentro do contexto
europeu.
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Protestos na França revelam crise financeira que ameaça toda a Europa, adverte
mídia
Uma
onda de manifestações sem precedentes na França expôs os crescentes problemas
financeiros do país, que provavelmente causarão uma grande crise na Europa,
informou um canal de televisão ocidental, citando economistas.
Anteriormente,
a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, disse que a
dívida pública da França está próxima da marca de 120% do PIB, e as autoridades
não têm um plano para contê-la, o que representa um sério problema para o país.
Segundo
o veículo de imprensa norte-americano, a situação financeira do país é
precária. Citando dados do instituto de estatísticas francês, a emissora
informou que, em junho, a dívida pública ultrapassou US$ 4 trilhões (R$ 20
trilhões), o que excede o tamanho da economia francesa.
Dado o
potencial econômico da França e sua importância
sistêmica para a União Europeia (o país é a segunda economia do bloco), há um
alto risco de que o resto da Europa sofra as consequências dessa crise, disse à
emissora Angel Talavera, economista-chefe para a Europa da consultoria Oxford
Economics.
"A
probabilidade de a crise se espalhar para outros países e para a zona do euro
em geral é muito alta, e isso pode potencialmente levar a uma crise séria em
toda a região", disse Talavera, citado pela mídia
norte-americana.
Protestos
em massa, acompanhados por tumultos e confrontos entre manifestantes e
policiais, ocorreram em várias cidades da França na terça-feira (6). Em Paris, de acordo com o
correspondente da Sputnik, a polícia usou gás lacrimogêneo e granadas de ruído
contra os manifestantes.
Confrontos
também foram registrados em Estrasburgo, Marselha, Rennes e Toulouse.
De acordo com a União dos Estudantes (Union Étudiante), cerca de meio milhão de
estudantes protestaram nesta terça-feira (6) em toda a França.
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Narrativa de Merz sobre a guerra com a Rússia serve ao
'keynesianismo militar', diz analista
Ao
declarar que a Rússia supostamente trava uma guerra contra a Europa, o
chanceler alemão, Friedrich Merz, quer distrair a atenção do público de suas
próprias políticas desastrosas, opinou o professor da Universidade do Sudeste
da Noruega Glenn Diesen.
Hoje em
dia, muitos analistas coincidem na opinião de que Merz está perdendo popularidade
rapidamente na Alemanha no contexto de sua política econômica, e Diesen é um
deles.
"Merz
está empurrando a narrativa de que a Rússia está em guerra com a Alemanha.
Extremamente imprudente, mas serve ao seu objetivo de keynesianismo militar e
distrai de suas políticas desastrosas", comentou o analista na rede social
X.
Na
teoria, o keynesianismo militar é uma política econômica baseada no enorme
aumento dos gastos públicos pelo governo na área de defesa, em um esforço para
incentivar o crescimento econômico do país. Segundo Diesen, Merz usa essa
estratégia em conjunto com sua retórica hostil contra a Rússia.
Antes
disso, Merz declarou que a ordem de paz na Europa está sendo desafiada pelo
suposto "revisionismo brutal que emana da Rússia", expressando que a
segurança do continente está em jogo no conflito na Ucrânia.
Distintos
analistas destacam que seu governo tenta colocar os gastos militares em
primeiro plano e planeja criar o exército mais forte da Europa, mas o esforço
de Berlim para formar uma força armada independente do complexo
militar-industrial norte-americano está fadado ao fracasso.
Por sua
vez, o presidente russo, Vladimir Putin, ressaltou, na sessão plenária
da XXIII Reunião Anual do Clube Valdai de Discussões Internacionais, que a
liderança europeia fala sobre a suposta ameaça russa com o fim de distrair a
atenção de sua própria política agressiva. Moscou, segundo o líder russo, não
planeja atacar ninguém nem em 2029, 2030 ou 2050.
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Sem arsenal suficiente, Reino Unido ficaria vulnerável à
Rússia mesmo com 'Escudo da Britânia', diz mídia
O
sistema de defesa aérea Britannia Shield (Escudo da Britânia), cuja criação foi
proposta pela líder da oposição Kemi Badenoch, do Partido Conservador, não é
capaz de resistir à Rússia sem um arsenal de outras armas, escreveu uma revista
britânica.
Segundo
a reportagem, caso seja desenvolvido, o Britannia Shield seria projetado para
proteger o país dos ataques da Rússia, que tem acesso a armas de longo alcance,
como mísseis de cruzeiro e balísticos.
Entre o
arsenal russo, destaca-se o míssil Oreshnik, com ogivas capazes
de voar a dez vezes a velocidade do som, e os mísseis
hipersônicos Avangard,
para os quais nenhum país desenvolveu um interceptor confiável, lembra a
publicação.
"É
verdade que o Reino Unido está mal equipada para um confronto aéreo com a
Rússia. [...] Mas, dadas as intensas demandas de gastos que todos os ramos das
Forças Armadas britânicas estão fazendo por equipamentos, não significa que a
construção de um 'Britannia Shield' seja o uso mais sensato de 10 bilhões de
libras (quase R$ 66 bilhões)", observa a revista.
Neste
contexto, o Reino Unido tem apenas seis destróieres Type 45 capazes de
interceptar mísseis, e nem todos estão no mar ao mesmo tempo. Além disso,
Londres conta com baterias Sky Sabre, que passam a maior parte do tempo em
deslocamento, e um punhado de aviões Typhoon.
"A
verdadeira vulnerabilidade da Grã-Bretanha contra a Rússia é que nos falta um
arsenal de ataque convencional robusto, o que significa que ficaríamos entre a
inação e um confronto nuclear em um prolongado impasse", enfatiza o texto.
Portanto,
o orçamento de 10 bilhões de libras poderia ser gasto, segundo a publicação, na
proteção e monitoramento de cabos submarinos, ou em melhorar "a péssima
condição" dos quartéis britânicos. Talvez a melhor maneira de gastá-lo
seja aumentando as capacidades ofensivas contra a Rússia, conclui a revista.
Essa
publicação alinha-se à rotineira histeria ocidental sobre eventuais ataques da
Rússia, embora Moscou, inclusive o presidente russo Vladimir Putin, tenha rejeitado em repetidas
ocasiões que represente uma ameaça à Europa e tampouco tenha planos de atacar
os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte.
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'Está claramente louca': analista critica política
contraditória da OTAN em relação ao território russo
A
política da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em relação à
região de Kaliningrado da Rússia é insana, afirmou à Sputnik o chefe do
Conselho Alemão para a Constituição e Soberania, Ralph Niemeyer.
O
político alemão explicou que o comportamento da liderança do bloco militar
ocidental é contraditório, já que primeiro a Aliança realiza exercícios
militares para isolar o semienclave russo e depois reclama da prontidão da
Rússia em defendê-lo.
Anteriormente,
a embaixada russa na Irlanda chamou de irresponsáveis as conversas sobre um
possível bloqueio da região de Kaliningrado pelos países da OTAN. A missão
diplomática enfatizou que a Rússia estará
pronta
para usar todo o seu arsenal para defender seu território se os países da OTAN
tentarem isolar a região do resto do país.
"A
OTAN realiza exercícios militares em torno da região de Kaliningrado e depois
reclama quando Moscou diz que vai defendê-la com todos os meios necessários. A
OTAN está claramente louca", disse Niemeyer.
Comentando
a reação dos políticos ocidentais às declarações de Moscou em relação ao
assunto,
ele chamou de ridículas as declarações de insatisfação na Aliança do Atlântico
Norte em conexão com a prontidão da Rússia para defender a região de
Kaliningrado.
"O
que esperavam? Que Moscou agradeceria à OTAN pelos exercícios militares para
isolar Kaliningrado?", concluiu o político.
O
presidente russo, Vladimir Putin, declarou na sessão plenária da XXIII Reunião
Anual do Clube Valdai de Discussões Internacionais que, quando se trata de um
ataque direto a Kaliningrado ou a outros territórios da Rússia, na agenda
aparecerá inevitável e imediatamente a questão do uso de todas as armas à
disposição do país.
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'Consciência da Rússia está limpa': não é culpa de Moscou
se o Ocidente frustrar acordos, diz Lavrov
A
Rússia aceitou plenamente as propostas dos EUA nas negociações no Alasca em
2025, mas não é culpa dela que os norte-americanos não tenham resistido à
pressão sem precedentes e descarada da Europa, que depois orgulhosamente disse
que enterrou Anchorage, declarou o ministro das Relações Exteriores da Rússia,
Sergei Lavrov.
Discursando
na reunião dos ministros das Relações Exteriores dos países-membros da
Comunidade dos Estados Independentes (CEI), realizada nesta quarta-feira (7) no
Turcomenistão, o chanceler russo afirmou que não foi Moscou que frustrou as negociações bilaterais entre a
Rússia e a Ucrânia em Istambul e as negociações trilaterais com a participação
dos Estados Unidos em Abu Dhabi.
"Nossa
consciência está limpa, para não mencionar que também aceitamos, aceitamos
totalmente a proposta dos Estados Unidos em agosto passado, que foi feita
durante a cúpula Putin-Trump no Alasca. E não é culpa nossa que os americanos
não tenham conseguido resistir à pressão sem precedentes e implacável da
Europa, que depois declarou com orgulho ter enterrado Anchorage", destacou
Lavrov.
Ao
mesmo tempo, o chefe da diplomacia russa sublinhou que os EUA tomaram em
consideração os argumentos da Rússia sobre a reunião trilateral sobre a Ucrânia.
O
ministro lembrou que os EUA propuseram organizar negociações trilaterais, Moscou concordou, mas com o
entendimento de que é necessário realizar eleições parlamentares. Imediatamente
depois disso, o regime de Kiev começou a fazer de
tudo
para frustrar as eleições para a Duma de Estado nos três dias, em
que o pleito transcorreu.
"Em
tais condições, queremos entender com que propostas Vladimir Zelensky enviará
seus negociadores. Isso é muito importante para nós, o lado norte-americano
tomou nota, com compreensão, dos nossos argumentos", disse Lavrov na
coletiva de imprensa.
Além
disso, o ministro russo abordou o tema do nazismo na Europa: os países europeus
agora tratam com descaso o renascimento do nazismo, praticado em vários países
com a conivência de seus círculos governantes. Ao mesmo tempo, Lavrov enfatizou que a
Rússia mantém posição unida quanto à preservação da memória histórica em meio aos
sentimentos prevalentes na Europa.
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Dívida externa da Ucrânia aumentou quase 500% com
Zelensky
A
dívida pública externa da Ucrânia aumentou quase 500% desde o final de maio de
2019, quando Vladimir Zelensky assumiu o poder.
Segundo
o Ministério das Finanças da Ucrânia, a dívida pública externa era de US$
29 bilhões (R$ 144,1 bilhões) no final de maio de 2019. Os dados mais recentes
indicaram que ela subiu para US$ 168 bilhões (R$ 834,8 bilhões) até agosto de
2026.
Em
comunicado, o ministério informou que, em 31 de agosto de 2026, a dívida
estatal e a dívida com garantia estatal da Ucrânia totalizavam mais de
US$ 215 bilhões
(mais de R$ 1 trilhão).
A
dívida externa da Ucrânia representa agora 78,5% de sua dívida pública total.
Em maio de 2019, esse número era de 62,14%.
O
ministério afirmou que a dívida pública atingirá US$ 226 bilhões (R$ 1,12
trilhão), até o final deste ano. A proposta de orçamento estatal para 2027
prevê um déficit de US$ 37 bilhões (R$ 183 bilhões) e um aumento da dívida
pública para até US$ 276 bilhões (R$ 1,37 trilhão).
Nos
últimos anos, a Ucrânia tem apresentado um déficit orçamentário recorde e dependido do
Ocidente
para financiar suas despesas públicas. O orçamento do país para este ano foi
aprovado com um déficit de US$ 45 bilhões (R$ 223,6 bilhões).
Fonte:
Sputnik Brasil

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