Onda
de direita varre Congresso e estados
O
primeiro turno das eleições deste domingo (4/10) para os governos estaduais
consolidou uma onda de partidos de direita que agora vão chefiar as máquinas
estaduais.
A
disputa já foi decidida em 20 unidades da federação, sendo cinco delas com
vitória de candidatos do PL, partido do presidenciável Flávio Bolsonaro.
Anteriormente,
no histórico da sigla, apenas Cláudio Castro havia sido eleito na primeira
rodada, no pleito de 2022.
Neste
ano foram confirmadas as vitórias de Luciano Zucco (PL), no Rio Grande do Sul;
Marcos Rogério (PL), em Rondônia; e Arthur Henrique (PL), em Roraima. Além do
ex-juiz Sergio Moro (PL), que desbancou o candidato do governador Ratinho
Júnior no Paraná; e Jorginho Mello (PL), reeleito com folga em Santa Catarina.
Outros
aliados do grupo político de Flávio Bolsonaro e do ex-presidente Jair Bolsonaro
também garantiram um mandato já no primeiro turno deste ano.
Em São
Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) voltará a governar o maior colégio
eleitoral do país, vencendo o candidato petista e ex-ministro da Economia
Fernando Haddad. Em Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), que
declarou apoio ao senador, vai comandar o estado.
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Avanço em governos estaduais
O PL de
Flávio Bolsonaro conseguiu conquistar cinco governo estaduais ainda neste
domingo – Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rondônia e Roraima – e
ainda tem chance de garantir um sexto, o Rio de Janeiro, a depender de como a
Justiça Eleitoral vai lidar com os votos de uma candidatura impugnada que ficou
em terceiro lugar.
Já
candidatos do partido Republicanos, alinhados com o bolsonarismo, conquistaram
os governos de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso. Em 2022, o PL e o
Republicanos só haviam elegido um governador cada já na primeira rodada.
Em São
Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que mantém relações
estreitas com a família Bolsonaro, obteve 62,85% dos votos válidos, contra
36,22% do desafiante petista Fernando Haddad. Tarcísio obteve 14,5 milhões dos
votos totais, maior marca já recebida por um candidato ao governo do estado.
No
Paraná, Sérgio Moro (PL), ex-juiz da Lava Jato, foi eleito governador com 50,1%
dos votos válidos. Já o percentual da vitória governador de Santa Catarina,
Jorginho Mello, também do PL, foi de 68,98%.
O
Republicanos ainda vai participar de duas disputas de segundo turno, no Acre e
no Espírito Santos. No Rio de Janeiro, se não houver reviravolta, o PL também
vai estar na segunda rodada.
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PSD conquista 4 estados
O PSD
aparece na sequência, com quatro governos, dois a mais que em 2022: Amapá,
Maranhão, Pernambuco e Sergipe. O Republicanos conquistou estados-chave, como
São Paulo e Minas Gerais, além do Mato Grosso.
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PT mantém três estados
O PT
conseguiu manter seus três governos: Bahia, com a reeleição de Jerônimo
Rodrigues (PT); Piauí, que será novamente governado por Rafael Fonteles (PT); e
Ceará, com a nova vitória de Elmano de Freitas (PT).
Outros
reeleitos foram Eduardo Riedel (PP), em Mato Grosso do Sul; Raquel Lyra (PSD),
em Pernambuco; Fábio Mitidieri (PSD), em Sergipe; e Lucas Ribeiro (PP), que
havia assumido o governo paraibano em abril e agora conquistou nas urnas um
mandato próprio.
Também
foi confirmada a vitória de Dr. Furlan (PSD), no Amapá, desbancando o único
candidato à reeleição que saiu derrotado já no primeiro turno, o governador
Clécio Luís (União Brasil).
Em
Goiás, Daniel Vilela (MDB) saiu vitorioso, assim como Eduardo Braide (PSD), no
Maranhão. No Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos) derrotou o candidato
bolsonarista Wellington Fagundes.
Também
inauguram um novo mandato Daniel Santos (Podemos), que assume o governo do
Pará, e JHC (PSDB), em Alagoas, que desbancou a candidatura de Renan Filho
(MDB).
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UNIÃO BRASIL maior perdedor
Em oito
unidades da federação, a eleição representou uma mudança no partido governista,
com ampla vantagem para as siglas à direita. Até o momento, o União Brasil foi
o que mais perdeu cargos. Em 2022, tinha quatro governos e agora só segue com
chance de manter um, no Tocantins. O PSB perdeu em definitivo os três estados
que governava.
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Segundo turno em aberto
A
corrida para o cargo de governador continua aberta em sete unidades da
federação, incluindo o Distrito Federal. Os eleitores voltarão às urnas em 25
de outubro para escolher os governadores que não alcançaram mais de 50% dos
votos válidos no primeiro turno.
Um dos
cenários mais acirrados está no Rio de Janeiro, onde Douglas Ruas (PL) saiu na
frente no embate contra Eduardo Paes (PSD). Contudo, o candidato Anthony
Garotinho (Republicanos) está com a candidatura sob júdice e, se os votos que
recebeu forem anulados pela Justiça, a vitória de Ruas poderá ser confirmada
posteriormente.
No
Acre, o confronto será entre Mailza Assis (PP) e Alan Rick (Republicanos),
enquanto no Amazonas, a eleição segue em aberto entre PSD, com Omar Aziz, e PL,
representado pela Professora Maria do Carmo.
No
Distrito Federal, Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT) disputarão o segundo
turno. No Espírito Santo, os dois candidatos são Lorenzo Pazolini
(Republicanos) e Ricardo Ferraço (MDB).
No Rio
Grande do Norte, o segundo turno será entre Allyson Bezerra (União Brasil) e
Cadu Xavier (PT). Por fim, Professora Dorinha (União Brasil) enfrentará
Vicentinho Júnior (PSDB) pelo governo do Tocantins.
O mapa
político definitivo dos governos estaduais dependerá, portanto, dos resultados
da segunda rodada, que ainda pode alterar a distribuição de poder entre os
principais partidos do país.
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Crescimento robusto no Senado
A nova
onda bolsonarista também se refletiu com força no Senado, com o PL elegendo 19
senadores neste domingo. Com os nomes que já ocupam vagas desde 2022, o partido
vai somar 28 senadores.
A marca
de 19 senadores eleitos num pleito por um mesmo partido é um recorde para
história do Senado desde a instituição da Constituição de 1988. O recorde
anterior era de 14, atingido pelo PMDB em 1994 e em 2010 e pelo extinto PFL em
2002.
Em
cinco estados (Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e
Santa Catarina), o partido de Flávio Bolsonaro fez "dobradinhas" ao
conseguir levar as duas vagas que estavam em disputa.
O
partido está agora bem à frente do PT, que terá a segunda maior bancada, com
nove membros, após eleger seis senadores neste domingo, que se juntarão a
outros três que já ocupavam cadeiras.
Além
dos eleitos pelo PL, candidatos alinhados ao bolsonarismo também foram eleitos
neste domingo por outras legendas, como o Novo, PP e o Republicanos. É o caso
de Deltan Dallagnol, no Paraná; Marcel van Hattem, no Rio Grande do Sul; e
Guilherme Derrite, em São Paulo.
A
eleição do Senado era vista como especialmente crucial pelos bolsonaristas,
dado o papel do Senado na aprovação de novos ministros do Supremo Tribunal
Federal (STF) e – especialmente – na potencial remoção de membros da corte. Com
a bancada mais numerosa, Flávio Bolsonaro e seus aliados devem tentar eleger um
membro do PL como próximo presidente do Senado, algo que pode ter impacto na
avaliação de pedidos de impeachment contra membros do STF e na tramitação de
indicações presidenciais para o tribunal.
Já o
PT, com os seis senadores eleitos neste domingo e mais três que já estão no
Senado, vai manter a mesma bancada de nove parlamentares. Ainda assim, o
resultado carrega impacto negativo. Apesar de eleger dois nomes na Bahia, o
partido e seus aliados saíram sem senadores em estados como São Paulo e Rio de
Janeiro, além de perderem uma vaga que ocupam no Rio Grande do Sul. Até o líder
do PT no Senado, Randolfe Rodrigues, perdeu a disputa pela reeleição no Amapá.
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Recordes na Câmara Federal e Assembleias
Além de
avançar no Senado, o PL de Flávio também elegeu o deputado federal mais votado
em 11 estados: Amazonas, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais,
Pará, Paraíba, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina e São Paulo. Em
comparação, o PT só teve dois, no Rio Grande do Norte e em Mato Grosso do Sul.
Em
vários estados, o PL ainda conseguiu ser o partido que vai mandar mais
representantes para a Câmara Federal. São 19 eleitos por São Paulo, contra 17
em 2022. Em Santa Catarina, o PL garantiu 7 das 16 cadeiras do Estado da
Câmara, elegendo, entre outros, Julia Zanatta e Jair Renan Bolsonaro, um dos
filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O PL
ainda colecionou vários recordes individuais. O deputado mineiro Nikolas
Ferreira (PL-MG), superou a marca de 3,1 milhões de votos e se tornou o
deputado mais votado da história da Câmara. No total, ele recebeu quase seis
vezes mais que a segunda colocada em Minas Gerais, Ana Elisa, do PT.
Nikolas
já havia sido o deputado mais votado do país na eleição de 2022, com 1,47
milhão de votos. Desta vez, ele superou os recordes anteriores: de Eduardo
Bolsonaro (PL-SP), que conquistou 1,84 milhão de votos em 2018; e Enéas
Carneiro, que obteve 1,57 milhão de votos em 2002.
Já o
youtuber e vereador de São Paulo Lucas Pavanato (PL), de 28 anos, ficou em
segundo lugar entre os mais votados para a Câmara em todo o país, ao obter
cerca de 3 milhões de votos – quase o dobro da segunda colocada no estado, a
atual deputada Erika Hilton (Psol).
O
avanço do PL também foi sentido em legislativos estaduais pelo país. Com 21
deputados estaduais eleitos, o PL quase dobrou sua bancada atual na Assembleia
Legislativa de Minas Gerais. Já em São Paulo, depois de eleger 19 deputados
estaduais em 2022, o PL conquistou 27 cadeiras nesta eleição. O PL também
elegeu as maiores bancadas estaduais no Paraná, Rio Grande do Sul, Santa
Catarina, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Rondônia Rio de Janeiro.
Em
Santa Catarina, a deputada estadual Ana Campagnolo, bateu pela segunda vez
seguida o recorde de maior votação já obtida por um parlamentar estadual,
conseguindo mais de 387 mil votos.
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Membros do clã Bolsonaro vencem nas urnas
Além de
ser marcado por uma onda de direita e ppela liderança de Flávio no primeiro
turno da disputa presidencial, o domingo também foi frutífero para outros
membros da família Bolsonaro que se apresentaram nas eleições.
Mulher
de Jair Bolsonaro, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) venceu com
facilidade a eleição ao Senado pelo Distrito Federal, terminando em primeiro
com 29,05%. Carlos Bolsonaro (PL), filho "02" de Jair que atuou no
passado como vereador pelo Rio de Janeiro, também conquistou uma vaga no
Senado, mas por Santa Catarina, estado para o qual se transferiu há menos de um
ano, terminando em segundo lugar na disputa, com 25,36%.
Meio-irmão
de Carlos, Jair Renan Bolsonaro, foi um dos cinco candidatos a deputado federal
mais votados de Santa Catarina. Irmão de Jair, Renato Bolsonaro (PL-SP) foi o
sexto mais votado na disputa por uma vaga na Câmara Federal por São Paulo.
Menos
sorte teve uma ex-esposa de Jair, Rogéria Bolsonaro (PL-RJ), que também é mãe
de Flávio. Candidata a uma vaga à Câmara Federal pelo Rio de Janeiro, ela ficou
na 46ª colocação por uma vaga e não foi eleita.
Fonte:
DW Brasil

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