O
silêncio da Sífilis: o perigo oculto de uma infecção em alta
A sífilis é uma infecção
sexualmente transmissível provocada pela bactéria Treponema pallidum. A
transmissão ocorre, principalmente, pelo contato direto com lesões infectadas
durante relações sexuais. Segundo o infectologista Fernando Chagas, o contato
entre os tecidos facilita a entrada da bactéria no organismo e dá início à
primeira fase da doença.
A
chamada sífilis primária costuma se manifestar no local de entrada da bactéria,
com uma pequena ferida que, apesar de poder chamar atenção, geralmente não
provoca dor. Essa característica faz com que a infecção passe despercebida em
muitos casos. "É aquela feridinha ali da entrada que, inclusive, é
indolor", explica o especialista.
O
diagnóstico pode ser realizado por diferentes métodos, sendo o teste rápido e o
exame de sangue VDRL dois dos principais recursos utilizados. Um grande desafio
está nos casos em que a doença permanece sem manifestações aparentes. Na
chamada fase latente, a pessoa pode passar meses ou até anos sem saber que está
infectada.
A
ausência de sintomas, no entanto, não elimina a importância do acompanhamento.
Para o infectologista, pessoas sexualmente ativas devem manter a testagem
periódica, especialmente aquelas que possuem maior exposição. A recomendação,
segundo Fernando, é realizar os exames a cada seis meses ou, para pessoas com
menor exposição, pelo menos uma vez ao ano.
Além de
afetar a própria saúde, a infecção não diagnosticada pode contribuir para a
transmissão de outras infecções sexualmente transmissíveis. "Além de poder
comprometer alguns órgãos, a sífilis acaba servindo de ponte de transmissão,
facilitando a transmissão de outras doenças, como, por exemplo, o HIV",
alerta.
Para
Fernando, a falta de informação ainda representa um dos principais obstáculos
para o controle da doença. Apesar de ser uma infecção conhecida há séculos,
possuir diagnóstico acessível e ter tratamento, a sífilis continua
apresentando números expressivos no país. "A população sabe pouco sobre a doença
ou muitas pessoas não sabem nem o que é sífilis. E isso me assusta",
afirma.
O
especialista defende que o tema seja discutido de maneira mais ampla,
especialmente no ambiente escolar, como parte das ações de educação em saúde.
Para ele, informações sobre sífilis, gonorreia, HIV e outras ISTs precisam
chegar à população antes que o diagnóstico aconteça. Para Fernando, ampliar o
acesso à informação é uma das formas de estimular a população a procurar os
serviços de saúde.
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Fases da doença
Sífilis
primária:
a infecção pode começar com uma pequena ferida ou úlcera no local de entrada da
bactéria. A lesão costuma ter fundo limpo e não provocar dor, o que pode fazer
com que seja confundida com um machucado.
Sífilis
secundária:
em uma fase posterior, podem surgir lesões na pele, inclusive nas palmas das
mãos e nas plantas dos pés. Outros sinais podem aparecer nessa etapa, indicando
a progressão da infecção.
Fase
latente:
após essas manifestações, a doença pode entrar em um período sem sinais
visíveis e permanecer assim por semanas, meses ou até anos. Mesmo nesse
estágio, a infecção exige acompanhamento e tratamento.
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Como a sífilis é transmitida?
Contato
sexual:
a principal forma de transmissão ocorre pelo contato direto com lesões
infectadas durante relações sexuais, mesmo quando a pessoa não sabe que está
infectada.
Da
gestante para o bebê:
a bactéria também pode ser transmitida durante
a gestação,
podendo causar a chamada sífilis congênita. Por isso, o acompanhamento
pré-natal e a testagem são fundamentais.
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Prevenção
O uso
de preservativos reduz o risco de transmissão, mas não elimina completamente a
possibilidade de infecção, já que a bactéria pode estar presente em regiões que
não são cobertas pelo preservativo.
Atenção: Ter um único
parceiro ou não apresentar sintomas não significa que a pessoa esteja protegida
contra a sífilis. A testagem continua sendo uma importante ferramenta de
prevenção.
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Diagnóstico
Teste
rápido:
disponível nas unidades básicas de saúde, o teste rápido identifica anticorpos
contra a bactéria. Por isso, pessoas que já tiveram sífilis podem continuar
apresentando resultado positivo, mesmo após o tratamento.
VDRL: o exame de sangue
VDRL apresenta o resultado em títulos, ou seja, em números que ajudam o
profissional de saúde a interpretar a situação do paciente. Para chegar ao
diagnóstico, o resultado do exame é analisado junto ao histórico de exposição e
à presença ou não de sinais e sintomas. Dessa forma, a avaliação médica é
importante para diferenciar uma infecção atual de um contato anterior com a
bactéria.
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Quando fazer o teste
Pessoas
sexualmente ativas devem manter a testagem periódica. Para quem possui maior
exposição sexual, o especialista recomenda exames a cada seis meses; para quem
possui menor exposição, uma vez ao ano pode ser suficiente.
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Tratamento
A
sífilis pode ser tratada com penicilina benzatina, conhecida popularmente como
Benzetacil. A quantidade de doses depende do estágio da infecção e do tempo
provável em que a pessoa está infectada. Se seguido o tratamento, pode ter cura
definitiva.
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Por que agir rápido?
O
diagnóstico permite iniciar o tratamento e evitar que a infecção continue sendo
transmitida. A identificação também é importante porque, sem tratamento, a
sífilis pode evoluir e comprometer diferentes órgãos.
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Palavra do especialista - Tiago Souza é epidemiologista
·
Quais grupos da população apresentam maior número de
casos e por quais razões?
Por ser
considerada uma IST, eu sinto que a faixa etária de
jovens e jovens adultos podem se enquadrar numa das parcelas mais vulneráveis, seja por estar
vivenciando as mudanças corporais na puberdade, seja pela necessidade pessoal
da vida adulta. Como uma IST, a prática sexual desprevenida tem intensificado o
número de casos, e algumas das razões do aumento de casos podem estar relacionadas
à falta de conhecimento e à romantização do ato sexual sem preservativo.
·
Qual é a importância da testagem mesmo quando a pessoa
não apresenta sintomas?
Na
condição assintomática, o paciente não apresenta sinais ou sintomas típicos da
doença, embora não queira dizer que esteja livre da infecção bacteriana. Por
isso, os diferentes tipos de testes são imprescindíveis para detectar a
presença do patógeno no sangue e administrar o tratamento o mais rápido
possível, evitando seu agravamento.
·
Como funciona o acompanhamento dos parceiros de uma
pessoa diagnosticada?
Por ser
uma IST, os parceiros das pessoas diagnosticadas também precisam ser mantidos
sob observação e acompanhamento, visto que pode ser considerado alguém
predisposto, já que mantém contato próximo com o paciente.
Fonte:
Correio Braziliense

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