terça-feira, 6 de outubro de 2026

MST avança na política e elege oito candidaturas nas eleições

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) elegeu oito representantes para o Legislativo nas eleições de 2026. A bancada é composta por quatro deputados federais e quatro estaduais, todos filiados ao PT.

Desde 2022, a organização definiu como estratégia ocupar cargos institucionais para avançar em políticas de Reforma Agrária e agricultura familiar. Os compromissos de campanha das candidaturas eleitas incluem a democratização do acesso à terra, o incentivo à produção de alimentos saudáveis, o combate à fome e a defesa do meio ambiente, educação e saúde.

Para a Câmara dos Deputados, foram reeleitos Valmir Assunção (BA), Marcon (RS) e João Daniel (SE). Rosa Amorim (PE), que era deputada estadual, se tornou a primeira mulher Sem Terra a chegar à Câmara em Brasília. Ela foi a candidata a deputada federal mais votada do PT em Pernambuco.

Nas assembleias legislativas, Adão Pretto Filho (RS), Marina do MST (RJ) e Missias (CE) garantiram a reeleição. Camilo Daniel (SE), ex-vereador em Aracaju, ocupará pela primeira vez uma cadeira no legislativo sergipano. Adão Pretto foi o segundo candidato mais votado do PT no Rio Grande do Sul.

Deputados federais eleitos

Valmir Assunção (PT-BA):

- Agricultor e líder do MST, foi reeleito. Ex-secretário estadual, teve papel na criação do Estatuto da Igualdade Racial na Bahia. Seu mandato inclui projetos para a agricultura familiar, como o da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO).

Rosa Amorim (PT-PE):

-Primeira mulher Sem Terra a ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Mulher negra, lésbica e artista, vem da primeira geração de assentados da Reforma Agrária no Assentamento Normandia, em Caruaru. Sua atuação é voltada às lutas antirracista e feminista.

Marcon (PT-RS):

- Reeleito, é assentado da Reforma Agrária em Nova Santa Rita e integra a COOPAN, uma das maiores produtoras de arroz orgânico da América Latina. Antes de chegar a Brasília em 2010, cumpriu três mandatos como deputado estadual.

João Daniel (PT-SE):

- Eleito pela quarta vez, o agricultor ajudou a fundar o MST em Sergipe. No Congresso, defende a agricultura familiar e os direitos dos trabalhadores. Foi eleito o melhor deputado federal de Sergipe no Prêmio Congresso em Foco em 2025 e 2026.

>>>> Deputados estaduais eleitos

Adão Pretto Filho (PT-RS):

- Reelegeu-se com a segunda maior votação do PT no estado. Formado em Gestão Pública, preside a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos e coordena a Frente Parlamentar de Homens pelo Fim da Violência Contra a Mulher.

Marina do MST (PT-RJ):

- Reeleita, foi a primeira mulher Sem Terra a ocupar uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde preside a Comissão de Segurança Alimentar. É autora de leis que instituem o Dia da Mulher Camponesa e valorizam a mulher no campo.

Camilo Daniel (PT-SE):

- Eleito deputado estadual, foi vereador de Aracaju. Sociólogo e filho de assentados, cresceu em um assentamento do MST. Sua atuação política defende a democratização do acesso à terra, a moradia popular e pautas ambientais.

Missias (PT-CE):

- Reelegeu-se com foco na Reforma Agrária e na produção de alimentos sem agrotóxicos. Defende o cooperativismo e a mecanização da agricultura familiar, além da regularização fundiária no campo e nas cidades.

<> Três ex-ministras de Lula se elegem deputadas federais

Três ex-ministras do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) garantiram, neste domingo (4/10), uma cadeira na Câmara dos Deputados, a partir de 2027. Anielle Franco (PT-RJ), Nísia Trindade (PT-RJ) e Sônia Guajajara (PSol-SP), que comandaram, respectivamente, os ministérios da Igualdade Racial, da Saúde e dos Povos Indígenas, foram eleitas para a próxima legislatura.

As três fazem parte do grupo de antigos integrantes do primeiro escalão do governo que deixaram os cargos para entrar na disputa eleitoral. Pela legislação, ocupantes de funções públicas que pretendem concorrer precisam se afastar dentro do prazo de desincompatibilização previsto para o ano da eleição: seis meses antes do primeiro turno.

Anielle e Nísia se elegeram pelo Rio de Janeiro, enquanto Sônia por São Paulo. Elas estão entre os seis ex-ministros do governo Lula que conquistaram mandato de deputado federal nas urnas.

A eleição também marca a continuidade das três na vida pública por outra frente. Anielle esteve à frente da Igualdade Racial, Nísia comandou a Saúde e Sônia ocupou o Ministério dos Povos Indígenas antes de deixarem a Esplanada para disputar o pleito de 2026.

<><> Ex-ministras que ficaram de fora

Outras mulheres que integraram o governo Lula não conseguiram se eleger neste domingo. Gleisi Hoffmann (PT-PR), Marina Silva (Rede-SP) e Simone Tebet (PSB-SP) disputaram vagas no Senado, mas terminaram fora das duas posições que garantiam mandato.

Gleisi ficou em quarto lugar no Paraná. Em São Paulo, Simone encerrou a disputa na terceira colocação, enquanto Marina terminou em quarto.

<><> Estadual

Macaé Evaristo (PT), ex-ministra dos Direitos Humanos, foi a única entre os integrantes do grupo a disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa. Ela conquistou mandato de deputada estadual em Minas Gerais.

 

Fonte: Correio Braziliense

 

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