terça-feira, 6 de outubro de 2026

Tereza Cruvinel: Lula busca a receita para “ganhar de virada”

Não se tente tapar o sol com a peneira. Não foi exatamente uma catástrofe, porque a reversão é possível, mas o presidente Lula, o PT e seus aliados sofreram uma derrota notável no primeiro turno eleitoral. A maioria do eleitorado externou sua preferência, por incompreensível que ela nos pareça, pela direita e pela extrema direita, dando maioria de votos a Flavio Bolsonaro para presidente e  elegendo a maioria dos 27 dos governadores e dos 54 senadores que conquistaram o mandato. O desafio de Lula agora é descobrir como “ganhar de virada”, algo que ainda não vimos acontecer desde que o sistema de dois turnos foi adotado, mas já aconteceu em eleições para governador.

Lula já mostrou que tem apetite e disposição para uma briga de segundo turno, embora a situação fosse um pouco diferente. Em 2006, disputando a reeleição, ele esperava derrotar o adversário tucano Geraldo Alckmin, como previam as pesquisas, mas acabou atropelado pelo inesperado (o chamado escândalo dos aloprados) e por um erro de cálculo, ao decidir com poucas horas de antecedência não ir ao debate da TV Globo. Se agora ele acertou não indo, errou daquela vez porque grande parte dos eleitores queria ouvir dele uma explicação para o dinheiro apreendido com os petistas que planejavam comprar um dossiê contra os tucanos, supostos armadores da arapuca.

Lula havia obtido 48,6% dos votos e Alckmin 41,6%. No segundo turno ele partiu para cima do adversário e de seu programa liberal de governo, atacando duramente seus planos privatizantes e o risco de desmontagem das políticas sociais que havia implantado. No segundo turno Lula cresceu para 60,8% e Alckmin encolheu para 39,17%, perdendo mais de 2,5 milhões de votos.

Obviamente a situação de agora é diferente. Flávio Bolsonaro obteve 47,04% dos votos e Lula 45,15%. A diferença de 1,89 pontos percentuais corresponde a pouco mais de dois milhões de votos, e superá-la não é coisa que aterrorize Lula. Aliás, nenhuma pesquisa previu esta diferença. A Quaest, na reta final, apontou uma vantagem numérica de dois pontos para Flávio, mas numa simulação de segundo turno, não como resultado do primeiro. 

Para “ganhar de virada”, Lula terá que fazer ajustes na estratégia e no discurso de campanha, partindo para um ataque mais impiedoso ao adversário, explorando não seus pecados morais, como as orgias sexuais, a rachadinha ou a tomada de dinheiro de Vorcaro para financiar o tal filme sobre o pai.

Tal como em 2006, Lula deve explorar agora o receio de mudança, a insegurança do eleitor com a entrega do governo do país a um candidato inexperiente e trêfego, que só chegou ao resultado de ontem graças ao sobrenome que carrega. Quem fez isso contra Lula, e com sucesso, foi FHC, em 1998, apontando a eventual eleição do petista como um perigo para o Plano Real, pelo qual a população ainda estava apaixonada, desde que se livrara da hiperinflação em 1994. A atriz Regina Duarte fez um monólogo no programa eleitoral tucano falando dos temores que Lula lhe inspirava e até hoje é lembrada por isso.

Imagino que ele deva também incluir em sua narrativa de campanha a recordação de todos os males impostos ao país pelo governo do Bolsonaro pai: da mortandade  desnecessária na pandemia à fila do osso, do desmatamento desenfreado à inundação de armas de fogo, da perseguição a jornalistas (principalmente mulheres) à negação do racismo, da entrega do orçamento ao Congresso à política externa vira-lata…

Dificilmente Lula conquistará os que votaram em Renan Santos, Caiado e Cury, que tendem a apoiar Flávio ou a liberar seus eleitores. Do Nordeste ele não pode esperar mais votos, pois lá já bateu no teto, recebendo mais de 60% dos votos em quase todos os estados da região.

Será preciso conquistar eleitores do Sul e do Sudeste, bolsões da direita e da extrema direita. Terá que seduzir os mais de dois milhões (1,84%) que votaram em branco. Só com eles já tiraria a diferença. Lula terá também que apelar para os 3,6 milhões que anularam o voto, convencendo-os de que a política vale a pena, e para os 33,4 milhões (21,08%) que não votaram neste domingo, convencendo-os de que a abstinência não compensa, de que precisam fazer valer o que pensam.  Nestas três categorias temos, reunidos, cerca de 39 milhões de votos disponíveis para a nova pescaria. Sobram votos. Lula precisa é da receita para conquistá-los.

O presidente terá também de falar mais diretamente aos segmentos de centro e aos atores econômicos do chamado mercado, acenando com a adoção das medidas fiscais por eles desejadas, mas sem ter que escrever, como em 2002, uma nova Carta ao Povo Brasileiro. Terá que encontrar também um modo de falar aos evangélicos e aos jovens.

Será preciso ampliar a coligação, para além dos partidos que hoje a compõem, começando pelos partidos do Centrão, ainda que as alianças sejam informais. Eles preferem assim, para terem a porta aberta se o vencedor for o outro.

<><> Governabilidade será ainda mais difícil

Veremos, na curta campanha de segundo turno, Lula explorando toda a sua experiência política e sua famosa intuição. Se ele ganhar, terá que enfrentar outro desafio, o da governabilidade, mas isso é assunto para depois.

Das 54 cadeiras que estavam em disputa, 43 ficaram com candidatos classificados como de direita ou extrema-direita, enquanto 11 foram para nomes da esquerda ou centro-esquerda aliados de Lula. Os 43 agora eleitos já representam a maioria absoluta (41 votos), quórum importante para muitas deliberações. Os 43, somados aos remanescentes que ainda têm quatro anos de mandato, a direita alcança os 2/3 (54 votos) necessários para a aprovação de emendas constitucionais.

Lula, se eleito, vai penar com um Senado destes. Mais ameaçado, entretanto, estará o STF. Pedidos de impeachment de ministros e emendas reduzindo os poderes da corte já existem de sobra na Casa. Faltavam os votos, que agora a direita terá.

•        Lula terá que reduzir abstenção e conquistar os eleitores que votaram em Flávio, mas preferem Alckmin. Por Leonardo Attuch

O resultado do primeiro turno deixa uma mensagem bastante clara para o presidente Lula: para vencer em 25 de outubro, não bastará reconstruir a frente ampla de 2022. Será necessário ampliá-la.

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 56,1 milhões de votos, ou 47,03% dos válidos, contra 53,9 milhões, ou 45,16%, de Lula. A diferença, de pouco mais de 2,2 milhões de votos, é significativa, mas está longe de ser intransponível.

Existe, no entanto, um número talvez ainda mais importante para compreender a próxima etapa da eleição: a abstenção. Dos 158,7 milhões de eleitores, 33,4 milhões deixaram de votar, numa abstenção de 21,08%. É nesse universo, somado aos eleitores das candidaturas eliminadas e aos votos que podem mudar de lado, que estará boa parte da disputa das próximas três semanas.

Lula terá três tarefas fundamentais.

<><> Lula terá que vir mais ao centro

A primeira é compreender o recado das urnas. O Brasil de 2026 não é exatamente o Brasil de 2022, muito menos o de 2002. O eleitorado mudou, suas prioridades mudaram e a coalizão capaz de formar uma maioria nacional também precisa mudar.

Isso significa que Lula terá que caminhar mais claramente em direção ao centro político e econômico.

Nesse movimento, Geraldo Alckmin pode desempenhar um papel muito mais relevante do que teve no primeiro turno. O vice-presidente não deve ser apenas uma figura institucional da chapa. Pode tornar-se um dos principais personagens da campanha.

Há certamente brasileiros que votaram em Flávio Bolsonaro, mas que têm identificação política, econômica ou cultural maior com Alckmin do que com o bolsonarismo. São eleitores conservadores ou moderados em determinados temas, defensores da responsabilidade fiscal, da iniciativa privada, do empreendedorismo e de uma economia aberta ao investimento, mas que não necessariamente desejam uma radicalização política.

É justamente com esse Brasil que Alckmin pode dialogar.

Dar maior protagonismo ao vice-presidente significaria também sinalizar que um quarto mandato de Lula seria um governo ainda mais amplo. Isso poderia envolver a incorporação mais explícita de pautas econômicas liberais, combinadas com a preservação das políticas sociais que constituem uma das marcas históricas do lulismo.

Não se trata de abandonar a esquerda. Trata-se de construir uma maioria.

<><> É preciso falar com quem perdeu a esperança

A segunda batalha está fora do universo dos votos válidos do primeiro turno.

A elevada abstenção revela milhões de brasileiros que, pelas mais diferentes razões, não compareceram às urnas. Naturalmente, nem todo abstencionista deixou de votar por desencanto político. Há dificuldades de deslocamento, problemas pessoais e inúmeros outros fatores.

Mas uma eleição presidencial com 33,4 milhões de ausentes também coloca diante das campanhas uma pergunta incontornável: quantas dessas pessoas simplesmente não encontraram motivação suficiente para votar?

Lula precisa falar diretamente com esse eleitor.

Não apenas com quem já está convencido. Não apenas com a militância. Não apenas com quem acompanha política todos os dias.

Será necessário chegar ao brasileiro que trabalha muito, ganha pouco, enfrenta dificuldades para pagar aluguel, supermercado, transporte e serviços e que, mesmo diante de indicadores econômicos positivos, talvez ainda não tenha percebido uma transformação concreta em sua vida.

A campanha terá que reconstruir esperança.

Para isso, o discurso precisará ser menos retrospectivo e mais voltado ao futuro. Não basta enumerar realizações. Lula terá que explicar o que pretende fazer nos próximos quatro anos e por que esse eleitor terá razões concretas para acreditar que sua vida poderá melhorar.

<><> O confronto político será inevitável

A terceira tarefa será estabelecer com clareza as diferenças entre os dois projetos que chegaram ao segundo turno.

Uma campanha presidencial não é apenas uma apresentação de propostas. É também uma comparação entre alternativas.

Lula terá que confrontar politicamente Flávio Bolsonaro e apresentar ao eleitor os riscos que sua campanha identifica numa eventual volta da extrema-direita ao Palácio do Planalto.

Esse debate deverá ser feito com fatos, memória e propostas.

A campanha de Lula poderá recordar os conflitos institucionais ocorridos durante o governo de Jair Bolsonaro, discutir as posições defendidas por Flávio ao longo de sua trajetória e questionar quais seriam as consequências concretas de seu programa para a democracia, a economia, as políticas sociais, o meio ambiente e a inserção internacional do Brasil.

Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro certamente procurará transformar a eleição num plebiscito sobre o atual governo. Lula terá, portanto, que evitar uma campanha exclusivamente defensiva e conseguir deslocar o debate também para aquilo que cada candidatura representa para os próximos quatro anos.

<><> Uma frente ampla ainda mais ampla

Em 2022, Lula venceu porque compreendeu que a coalizão necessária para derrotar Jair Bolsonaro teria que ser muito maior do que o campo tradicional da esquerda.

A escolha de Geraldo Alckmin para a vice-presidência simbolizou esse movimento.

Em 2026, a mesma lógica terá que ser levada ainda mais longe.

Lula precisará reunir trabalhadores e empresários, esquerda e centro, progressistas e liberais democráticos, movimentos sociais e setores produtivos. Precisará conversar com quem votou em outros candidatos, com quem não votou e até mesmo com uma parcela dos brasileiros que votaram em Flávio Bolsonaro no primeiro turno.

A matemática explica por quê.

A diferença entre os dois candidatos é de pouco mais de 2,2 milhões de votos, enquanto 33,4 milhões de brasileiros não compareceram às urnas e milhões escolheram outras candidaturas. O universo disponível para a disputa é, portanto, muito maior do que a distância que separou os dois primeiros colocados.

Mas a política explica ainda mais.

Para vencer, Lula terá que demonstrar que seu projeto não pertence apenas a um partido ou a um campo ideológico. Terá que convencer uma maioria de que pode novamente liderar uma coalizão nacional suficientemente diversa para representar o Brasil real de 2026.

A frente ampla que o elegeu em 2022 terá que ser ainda mais ampla em 2026.

•        Quando a máquina não basta: a derrota estratégica de Lula no primeiro turno. Por Wilton Gomes

A história militar está repleta de exércitos maiores derrotados por exércitos menores. Raramente perderam por falta de homens ou de recursos; perderam por erro de desenho, por escolherem mal o terreno, por posicionarem mal os aliados, por concentrarem forças onde elas não eram necessárias e deixarem desguarnecidas as frentes decisivas.

Na política eleitoral, a lógica é a mesma. A máquina pública oferece visibilidade, agenda, capacidade de entrega e uma rede de alianças regionais, mas não substitui a estratégia. Ministérios, programas e emendas só se convertem em voto quando existe um plano que diga onde disputar cada eleitor, com quem e em qual palanque. O primeiro turno sugere que esse plano falhou justamente nas frentes que mais importavam.

São Paulo é o exemplo mais eloquente. No maior colégio eleitoral do país, com mais de 34 milhões de eleitores, a disputa pelo Governo resumiu-se, na prática, a dois nomes: o governador Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad. Os demais candidatos, todos de pequenas legendas de esquerda, não chegaram a 1% dos votos cada um. O desfecho foi a reeleição de Tarcísio já no primeiro turno, com quase 63% dos votos válidos.

É inevitável perguntar como um partido que controla a máquina federal não foi capaz de colocar outros atores competitivos na disputa. Em eleições de dois turnos, candidaturas aliadas de centro ou de centro-direita cumprem uma função bem conhecida: fragmentam o voto do favorito, alcançam eleitores que jamais votariam no PT e empurram a decisão para uma segunda rodada. Um segundo turno em São Paulo manteria Tarcísio ocupado com sua própria eleição, longe do palanque nacional de Flávio; daria a Lula mais três semanas de presença e de estrutura no estado; e abriria espaço para novas alianças com os candidatos eliminados. A polarização pura entre Tarcísio e Haddad entregou ao adversário exatamente o cenário que lhe convinha: uma eleição estadual resolvida cedo e um governador livre para trabalhar pela chapa presidencial.

O mesmo raciocínio se aplica à disputa pelo Senado paulista. Estavam em jogo duas vagas, e o campo governista apostou em duas ex-ministras, Simone Tebet e Marina Silva. Ambas foram derrotadas por Guilherme Derrite e André do Prado, que ficaram com cerca de 30% dos votos válidos cada. É verdade que, votando cada eleitor em dois nomes, lançar duas candidaturas não seria, por si só, um erro. O equívoco esteve na combinação.

Tebet e Marina falam essencialmente ao mesmo público, o eleitor urbano, moderado, de centro-esquerda, de modo que uma pouco acrescentava à outra: a chapa somou sobreposição, e não ampliação. Ambas, além disso, construíram suas trajetórias longe de São Paulo, uma em Mato Grosso do Sul, a outra no Acre, enquanto os adversários eram figuras enraizadas na política estadual, um ex-secretário de Segurança Pública e o presidente da Assembleia Legislativa. A direita, por sua vez, fez o movimento inverso: com a desistência de Ricardo Salles na semana anterior à eleição, após acordo com o governador, concentrou seus votos em dois nomes. Teria sido mais racional combinar uma candidatura do campo progressista com outra de perfil distinto, capaz de disputar o interior e o eleitor conservador moderado, ou negociar com o centro uma candidatura única e competitiva em troca de apoio em outra frente.

Fora de São Paulo, o problema se repetiu sob outra forma. No Sul e no Centro-Oeste, o mapa era conhecido muito antes da eleição. As pesquisas indicavam Flávio à frente em Santa Catarina, no Paraná, em Mato Grosso, em Mato Grosso do Sul, em Goiás e em boa parte do Norte, e as urnas estaduais confirmaram a força do campo conservador, com governadores eleitos no primeiro turno por margens expressivas, como Jorginho Mello em Santa Catarina e Eduardo Riedel em Mato Grosso do Sul, ambos acima de 67%. Nesses estados, o objetivo racional nunca foi vencer, mas perder por menos.

Numa eleição nacional decidida por poucos pontos, cada ponto de margem reduzido em Santa Catarina ou no Paraná vale tanto quanto um ponto conquistado no Nordeste. Isso exigia uma estratégia própria: apoiar candidatos de centro com chances reais, em vez de candidaturas de baixo teto; falar de agronegócio, logística e crédito rural com interlocutores do próprio setor; e confiar a porta-vozes locais, aceitos pelo eleitor conservador moderado, a tarefa que figuras identificadas com o PT nacional não conseguiriam cumprir. O governo dispunha de instrumentos para isso, como ministérios, bancos públicos, obras e uma ampla base parlamentar. O resultado sugere que esses instrumentos não foram organizados para a tarefa de conter a vantagem de Flávio onde ela era maior.

Mesmo onde Lula foi bem, a estratégia deixou votos sobre a mesa. Pernambuco é o caso mais ilustrativo. O Presidente venceu com folga no Estado, como era de se esperar em seu berço político, mas a escolha do palanque estadual pode ter limitado o teto de sua votação. Ao se alinhar ao aliado clássico, João Campos, do PSB, o campo lulista transformou a disputa pelo governo em um confronto direto com a governadora Raquel Lyra, do PSD, cuja gestão vinha se aproximando da base do governo federal. O resultado foi a reeleição de Raquel já no primeiro turno, com cerca de 53% dos votos válidos, contra aproximadamente 45% de Campos. Mais do que a derrota do aliado, importa o que ela revela: uma parcela expressiva do eleitorado pernambucano, inclusive eleitores simpáticos a Lula, preferiu a governadora, e a polarização local pode ter afastado do presidente justamente o eleitor moderado do interior que Raquel representa. Uma postura de palanque duplo, ou ao menos de neutralidade cuidadosa, permitiria a Lula somar os dois eleitorados em vez de dividi-los. Num estado em que cada ponto a mais compensa margens perdidas no Sul, a fidelidade às alianças tradicionais custou caro.

Seria injusto ignorar os limites dessa leitura. A vantagem de Tarcísio era tão ampla que dificilmente outras candidaturas lhe tirariam os mais de doze pontos necessários para forçar o segundo turno. Partidos de centro têm vontade própria e, em muitos estados, preferiram a companhia de governadores fortes à de um governo federal desgastado. E há quem sustente, com bons argumentos, que eleições nacionais se decidem mais pela economia, pela avaliação do governo e pela polarização do que por escolhas de coligação. Nenhuma dessas objeções, porém, elimina o argumento central: numa disputa decidida por quatro pontos, erros de desenho nas principais frentes podem ser a diferença entre liderar e correr atrás.

O primeiro turno de 2026 deixa, assim, uma lição que vai além deste pleito: a máquina pública é um recurso, não uma estratégia. Como na guerra, as grandes batalhas não se perdem apenas no dia do confronto; perdem-se antes, na escolha do terreno e dos aliados. O segundo turno dirá se a lição foi aprendida a tempo.

 

Fonte: Brasil 247

 

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