terça-feira, 6 de outubro de 2026

3 em cada 10 brasileiras não sabem como se prevenir contra o câncer de mama

Cerca de 29% das brasileiras desconhecem as formas de prevenção ao câncer de mama, o que representa cerca de 3 em cada 10 mulheres. O índice registrado em 2026 representa um aumento de 4% comparado a 2024, quando a taxa era de 25%.

O dado foi obtido na pesquisa “A saúde do brasileiro, hábitos de vida e uso de tecnologia em diagnósticos médicos”, realizada pelo AC.Camargo Cancer Center e a Nexus. Os resultados foram divulgados neste mês de Outubro, voltado à prevenção da doença. Ao todo, foram ouvidas 1.038 mulheres em todo o país.

Apesar de 29% desconhecerem, 68% das entrevistadas afirmam conhecer as formas de prevenção da doença. Já as que dizem conhecer "mais ou menos" são 11%.

Em "mais ou menos" ou "conhecem" houve uma queda nas respostas em comparação aos dois anos anteriores. Para os pesquisadores, isso significa que parte das mulheres que tinham dúvidas passou a declarar que de fato não conhecem as formas de prevenção.

<><> Realização de exames é maior entre as que conhecem

Entre as entrevistadas, 62% já fizeram o autoexame, 54% já fizeram mamografia e 27% nunca fizeram nenhum dos dois. Em 2024, os números eram 59%, 53% e 28%, respectivamente.

Por outro lado, há também a análise por grupos. Entre as mulheres que afirmam conhecer os métodos de prevenção, 80% já fizeram o autoexame das mamas e 65% já realizaram mamografia. Outras 12% nunca fizeram autoexame ou mamografia.

Entre as que dizem não conhecer as formas de prevenção, os índices caem de 30% para 35%. O percentual sobe para 55% quando questionadas sobre mamografia.

Para a Dra. Fabiana Makdissi, líder do Centro de Referência em Tumores da Mama do A.C.Camargo Cancer Center, isso mostra uma relação entre o conhecimento e realização dos exames: "O cuidado com a mama se apoia em duas necessidades que caminham juntas", afirma.

<><> Mulheres com rendas maiores são as que mais tem acesso as práticas

A diferença também aparece no bolso. O autoexame já foi feito por 51% das mulheres que ganham até um salário mínimo, enquanto o índice chega a 88% entre aquelas com renda acima de cinco salários.

Entre as que conhecem as formas de prevenção. O número chega em 79% entre o grupo com renda mais alta, enquanto o grupo que recebe menos chega em 49% do analisado.

Para a médica, o número mostra a desigualdade no acesso à informação e necessidade de espalhar conhecimento para as mulheres.

Informação é o que separa a mulher que se cuida da que não se cuida. Entre as que dizem conhecer as formas de prevenção, 80% já fizeram o autoexame. Entre as que não conhecem, 30%. E essa diferença não está distribuída por igual, ela é maior onde a renda é menor e onde o acesso à rede de diagnóstico é mais difícil. - Dra. Fabiana Makdissi, líder do Centro de Referência em Tumores da Mama do A.C.Camargo Cancer Center

•        Importância da prevenção

O diagnóstico precoce pode garantir em até 90% a chance de cura e o risco do óbito. O SUS (Sistema Único de Saúde) oferece gratuitamente a mamografia, principal exame para detectar o câncer de mama.

O Ministério da Saúde não restringe o acesso das mulheres a realização do teste, mas recomenda o rastreamento mamográfico bienal para as pacientes na faixa etária entre 50 e 74 anos.

São considerados sinais e sintomas suspeitos de câncer de mama e de referência urgente para a confirmação diagnóstica:

•        Nódulo mamário de consistência endurecida e fixo, em mulheres

adultas de qualquer idade; ou

•        Nódulo mamário que vem aumentando de tamanho, em mulheres

adultas de qualquer idade; ou

•        Descarga papilar sanguinolenta unilateral; ou

•        Lesão eczematosa da pele que não responde a tratamentos tópicos ou

pele em casca de laranja ou retração na pele da mama; ou

•        Presença de linfadenopatia axilar normalmente endurecida, podendo

ser fixa ou móvel. Outras cadeias de linfonodos supra ou infra-clavicular também podem estar acometidas em doenças avançadas; ou

•        Aumento progressivo do tamanho da mama com a presença de sinais

de edema, como pele com aspecto de casca de laranja ou vermelhidão; ou

•        Mudança no formato do mamilo (ex.: retração unilateral);ou

•        Homens com tumoração palpável unilateral; ou

•        Mastite ou inflamação que não melhora depois de um curso adequado de antibiótico.

<><> Estudo: 6 em cada 10 mulheres não realizam exames ginecológicos preventivos

No universo feminino, ainda existe uma barreira relacionada à prevenção de doenças ginecológicas. Uma pesquisa nacional revelou que, em média, 64% das brasileiras não realizaram exames ginecológicos preventivos no último ano. Este número representa um total de 6 a cada 10 mulheres.

O dado mais expressivo é sobre o Papanicolau, um dos principais exames ginecológicos, essencial para a detecção de alterações uterinas e prevenção do câncer de colo do útero. Apenas 39% realizaram esse exame em 2025, outras 61% não realizaram, embora 74% delas saibam para que ele serve.

Outro teste analisado foi o de ultrassonografia/ transvaginal, apenas 43% realizaram no último ano, outras 57% não fizeram.

Em relação ao exame clínico ou autoexame das mamas, as taxas seguem o mesmo padrão. Ao todo, 59% das mulheres não realizaram e apenas 41% realizaram.

Entre os exames analisados, o DNA-HPV — teste laboratorial para identificar os tipos específicos de vírus — permanece como o menos acessado. Cerca de 78% das mulheres não o realizaram no último ano, contra 22% que realizaram.

A pesquisa "Percepção das Brasileiras sobre Tumores Ginecológicos e Práticas de Prevenção" foi realizada pelo Instituto Locomotiva, em conjunto com o Grupo EVA (Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos), e entrevistou 800 mulheres de 18 a 25 anos.

"A pesquisa mostrou que o acesso à informação melhorou, mas ainda há uma distância entre reconhecer a importância da prevenção e a realização efetiva da prevenção por meio da vacinação contra o HPV e da realização dos exames. Precisamos que as mulheres entendam a importância dessa relação  com exames que são mecanismos fundamentais na proteção contra o câncer de colo do útero", - Dra. Andréa Gadelha, presidente do Grupo EVA.

<><> Atendimento médico, por vezes, não é acolhedor ou esclarecedor

O estudo também revelou que ao menos 3 em cada 10 mulheres sentem que o último atendimento ginecológico foi totalmente esclarecedor.

Entre este número, 47% deixaram de voltar a uma consulta com ginecologista por ter recebido um atendimento ruim.

<><> A importância dos exames preventivos

De acordo com a pesquisa, cerca de 20 mulheres morrem todos os dias no Brasil em decorrência do câncer do colo do útero. A doença está entre as principais causas de morte por câncer entre mulheres de até 35 anos.

O HPV está relacionado a cerca de 99% dos casos de câncer do colo do útero. A doença, assim como outros diagnósticos pode ser prevenida por meio da vacinação e do acompanhamento médico com exames de rotina. A vacinação contra o HPV é indicada para mulheres e homens de 9 a 45 anos.

<><> Sus oferece diversos tratamentos ginecológicos

O exame Papanicolau é gratuito e oferecido no SUS (Sistema Único de Saúde). No entanto, ele é recomendado para mulheres a partir dos 25 anos.

O exame de Mamografia também é oferecido sem custo no atendimento público para mulheres a partir de 40 anos. Ele deve se realizado a cada dois anos.

Mulheres também podem solicitar consultas ginecológicas nas UBS (Unidades Básicas de Saúde). Além disso, o SUS oferece distribuição gratuita de anticoncepcionais e outros métodos contraceptivos para evitar doenças sexualmente transmissíveis.

 

Fonte: CNN Brasil

 

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