Neurologistas
comprovam: após os 70, meia hora de tricô por dia protege a memória melhor do
que as palavras cruzadas
Quem
olha para uma peça de tricô pronta pode não perceber quantas tarefas acontecem
ao mesmo tempo durante sua produção. Cada ponto depende de movimentos
coordenados, atenção à sequência e percepção do que está sendo formado. A
atividade envolve coordenação motora fina, planejamento, atenção e percepção
visual, mantendo o cérebro envolvido com a execução e o acompanhamento de cada
etapa.
Essa
combinação de estímulos pode ser interessante para o envelhecimento cerebral,
especialmente a partir dos 70 anos. A prática também pode ajudar a reduzir o
estresse, fator que interfere na memória e no sono, embora as informações
disponíveis não permitam afirmar que meia hora diária de tricô seja
comprovadamente superior às palavras cruzadas.
<><>
Cada ponto exige que o cérebro coordene movimento, atenção e memória
Tricotar
parece uma tarefa simples quando o padrão já é conhecido, mas cada sequência de
pontos exige que diferentes habilidades trabalhem ao mesmo tempo. As duas mãos
precisam se movimentar de forma coordenada, os olhos acompanham o trabalho e a
pessoa precisa lembrar a ordem dos pontos enquanto confere se o resultado está
correto. Essa combinação envolve áreas relacionadas ao movimento, como o
cerebelo, além de regiões do lobo frontal associadas à atenção e à memória de
trabalho. As habilidades visoespaciais também entram em cena, já que é
necessário observar a distância entre os pontos e perceber se o desenho mantém
a simetria esperada.
Existe
ainda outro componente: a repetição. Ao repetir determinados movimentos, o
cérebro desenvolve um tipo de aprendizado chamado memória procedural,
relacionado à capacidade de realizar ações aprendidas sem precisar pensar
conscientemente em cada etapa. É diferente do que acontece em uma atividade
predominantemente verbal. As palavras cruzadas, por exemplo, trabalham
principalmente vocabulário, memória semântica e redes relacionadas à linguagem.
Já o tricô acrescenta uma camada motora e visual ao exercício.
Isso
não significa que uma atividade é melhor do que a outra. A ideia é que quanto
mais variados forem os estímulos, mais diferentes redes cerebrais podem ser
envolvidas. Alternar atividades que exigem linguagem, movimento, planejamento e
percepção pode ser uma maneira mais eficaz de manter sempre o cérebro ativo. O
tricô também tem um componente que não depende diretamente dos pontos: o ritmo.
A repetição dos movimentos pode ajudar a desacelerar e diminuir a sensação de
estresse e ansiedade, funcionando para algumas pessoas de maneira como se fosse
uma meditação ativa. Essa parte importa porque o estresse também está
relacionado à memória. Níveis elevados de estresse podem prejudicar a
consolidação das informações e afetar o sono, outro elemento importante para o
funcionamento da memória.
<><>
Meia hora de tricô pode ser um hábito, mas o cérebro também gosta de variedade
Tricotar
exige atenção aos detalhes, coordenação entre as mãos e acompanhamento contínuo
da sequência de pontos, além de poder favorecer o relaxamento.
Se a
ideia é transformar o tricô em uma atividade regular, 30 minutos por dia
aparecem como um período de prática que pode ser facilmente incorporado no dia
a dia. O mais importante é criar uma rotina consistente, com padrões que sejam
desafiadores sem se tornarem frustrantes. Também é possível aumentar
gradualmente a dificuldade. Começar com pontos simples e depois experimentar
novos padrões obriga o cérebro a aprender sequências diferentes, identificar
erros e planejar os movimentos seguintes.
A
atividade pode ser adaptada para quem tem limitações nas mãos ou dificuldades
de visão. Fios mais grossos, pontos maiores, agulhas leves, boa iluminação e
pausas tornam o exercício mais confortável, especialmente para pessoas com
artrite ou outras dificuldades nas articulações. Para quem não gosta de
tricotar, o princípio pode ser aplicado a outras atividades manuais. Crochê,
tecelagem, modelagem, marcenaria simples e instrumentos musicais que exigem
movimentos coordenados dos dedos também combinam aprendizado, coordenação e
atenção.
O ponto
central, portanto, não está necessariamente no tricô em si, mas em manter o
cérebro diante de uma tarefa que exija movimento, concentração, repetição e
aprendizado, de preferência de uma maneira prazerosa o suficiente para fazer
parte da rotina.
• Cientistas acompanham idosos por 7 anos
e descobrem que dieta rica em ultraprocessados aceleram o declínio em pessoas
com gene do Alzheimer
Uma
alimentação com maior presença de carnes vermelhas e processadas, salgadinhos,
pizza, doces, grãos refinados e cerveja foi associada a um declínio mais rápido
da atenção em idosos que carregam uma variante genética relacionada ao
Alzheimer.
A
associação foi identificada por pesquisadores da Universidade Murdoch e da
Alzheimer's Research Australia, em um estudo publicado na revista Nutrients. A
pesquisa acompanhou 185 idosos de Perth, na Austrália, por mais de sete anos.
<><>
Dieta ocidental foi ligada a perda mais rápida de atenção
Nenhum
dos participantes tinha diagnóstico de demência no início do estudo. Durante o
acompanhamento, eles passaram por avaliações de atenção, memória, linguagem,
função executiva e capacidade cognitiva geral.
Os
pesquisadores também analisaram os hábitos alimentares e identificaram dois
padrões principais. A chamada dieta ocidental tinha maior presença de carnes
vermelhas e processadas, salgadinhos, pizza, doces, grãos refinados e cerveja.
Já a
dieta considerada prudente incluía frutas, legumes, verduras, alho e grãos
integrais.
Entre
os participantes que carregavam o alelo APOE ε4, maior adesão à dieta ocidental
foi associada a um declínio mais rápido da atenção ao longo dos anos.
A mesma
relação não foi encontrada de forma significativa entre os participantes que
não tinham essa variante genética.
<><>
APOE ε4 aumenta o risco, mas não determina a doença
O APOE
ε4 (apolipoproteína) é considerado o principal fator genético comum de risco
para o Alzheimer. No entanto, carregar essa variante não significa que a pessoa
necessariamente desenvolverá a doença.
No
estudo, os pesquisadores utilizaram a informação genética para investigar se a
alimentação poderia estar relacionada às mudanças cognitivas de maneira
diferente dependendo da suscetibilidade individual.
<><>
Alimentação e genética podem atuar juntas
Para
Carolina Blagojevic Castro, principal autora do estudo, os resultados mostram
que as pessoas podem não responder da mesma maneira aos diferentes padrões
alimentares.
“A
alimentação é um aspecto particularmente interessante porque é algo que muitas
vezes pode ser facilmente modificado; no entanto, as pessoas podem não reagir
da mesma maneira aos diferentes padrões alimentares”, afirma a pesquisadora.
Os
autores destacam que ainda são necessárias novas pesquisas antes que os
resultados possam ser transformados em recomendações alimentares específicas
para pessoas com APOE ε4.
O
estudo, portanto, não estabelece uma dieta capaz de prevenir o Alzheimer, mas
acrescenta evidências de que a relação entre alimentação, genética e
envelhecimento cerebral pode ser mais complexa do que analisar os efeitos de
alimentos isolados.
Fonte:
Xataka Brasil

Nenhum comentário:
Postar um comentário