PL
rejeita acordo com STF e prepara ofensiva para derrubar Moraes, Dino e reverter
prisão de Bolsonaro
O PL
rejeitou a possibilidade de um entendimento político com ministros do Supremo
Tribunal Federal (STF) e pretende manter a ofensiva contra Alexandre de Moraes
no Senado a partir de 2027. A legenda também considera incluir Flávio Dino
entre os alvos de pedidos de impeachment, dependendo da atuação do ministro
após a eleição presidencial.
A
informação foi publicada pela CNN Brasil nesta terça-feira (6). Segundo a
apuração do jornalista Caio Junqueira, integrantes do entorno de Flávio
Bolsonaro interpretaram movimentos recentes de uma ala do Supremo como sinais
de abertura para uma negociação capaz de reduzir a tensão entre o tribunal e o
bolsonarismo.
Entre
as possibilidades identificadas pelo grupo estaria um entendimento que
envolvesse a situação judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro e a anistia aos
condenados pelos atos de 8 de janeiro, em troca de uma redução das ofensivas
políticas contra integrantes da Corte. Não há, porém, indicação de que uma
negociação nesses termos tenha sido formalmente apresentada.
A
defesa de Jair Bolsonaro protocolou um novo pedido de revisão criminal. O
relator do processo, ministro Kassio Nunes Marques, sinalizou a intenção de
levar o caso a julgamento depois do segundo turno da eleição presidencial.
Nos
bastidores, outro movimento interpretado como tentativa de construção de pontes
foi o apoio declarado pelo ex-presidente Michel Temer a Flávio Bolsonaro. Temer
indicou Moraes para o STF em 2017 e mantém interlocução política com o ministro
e com integrantes da família Bolsonaro, segundo a apuração da CNN.
O PL,
no entanto, não pretende aderir a uma negociação direta com Moraes. Dentro da
legenda, há preferência para que eventuais questionamentos envolvendo o
ministro sejam tratados inicialmente pelo próprio Supremo.
Nesse
cenário, integrantes do partido defendem a abertura de investigação sobre a
relação de Moraes com o empresário Daniel Vorcaro e avaliam que o ministro
deveria ser afastado durante uma eventual apuração. Trata-se de uma posição
política atribuída ao PL pela reportagem, e não de uma conclusão judicial sobre
a existência de irregularidades.
Caso
esse caminho não avance, dirigentes da legenda projetam levar um pedido de
impeachment ao Senado em 2027. Pelos cálculos internos do PL, 49 senadores já
seriam favoráveis ao afastamento de Moraes. Como a aprovação exige 54 votos —
dois terços dos 81 integrantes da Casa —, faltariam cinco apoios para alcançar
o número necessário.
A nova
composição do Senado ampliou a presença de parlamentares identificados com a
direita e aumentou a preocupação dentro do Supremo com a possibilidade de
processos contra ministros. Outra apuração da CNN apontou que integrantes da
Corte estimam em cerca de 50 o número de senadores declaradamente favoráveis ao
impeachment de membros do tribunal.
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Flávio Dino também entra no radar do PL
A
ofensiva planejada pelo partido não se limita a Alexandre de Moraes. Flávio
Dino também passou a ser citado por integrantes do PL como possível alvo de um
processo de impeachment na próxima legislatura.
De
acordo com a CNN, a decisão dependerá principalmente de como Dino atuará diante
de investigações consideradas sensíveis pelo partido, especialmente após o
desfecho da eleição presidencial.
Um dos
pontos mencionados pela legenda são investigações sobre eventual interferência
estrangeira no processo eleitoral. Integrantes do PL avaliam que Dino entraria
no foco do partido caso essas apurações fossem utilizadas, na interpretação da
legenda, para questionar o resultado das urnas.
Outro
tema envolve as investigações relacionadas ao uso de emendas parlamentares. O
partido também acompanha decisões de Dino sobre procedimentos mantidos sob
sigilo e admite reagir politicamente caso entenda que sua atuação extrapola os
limites considerados aceitáveis pela legenda.
As
hipóteses sobre a atuação futura de Dino representam avaliações internas do PL
e dependem de acontecimentos que ainda não ocorreram. Até o momento, não há
processo de impeachment aberto contra o ministro com base nesses cenários.
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Supremo acompanha nova configuração do Senado
A
mudança na correlação de forças do Senado colocou a relação entre o STF e o
Congresso entre os principais temas políticos do período posterior ao primeiro
turno.
Segundo
outra reportagem da CNN, uma ala do Supremo considera necessário abrir canais
de diálogo com setores do bolsonarismo diante do crescimento de parlamentares
favoráveis a processos contra integrantes da Corte. A avaliação é de que a nova
composição do Senado torna politicamente mais difícil bloquear antecipadamente
a tramitação de pedidos de impeachment.
A
abertura efetiva de um processo, entretanto, depende de uma sequência
institucional que começa no Senado. Eventual afastamento definitivo de um
ministro do STF exige o apoio de dois terços dos senadores, equivalente a 54
votos.
Nesse
ambiente, o PL pretende transformar a nova composição da Casa em instrumento de
pressão sobre o Supremo a partir de 2027, enquanto integrantes da Corte
aguardam o resultado do segundo turno presidencial antes de definir como
conduzir a interlocução política com o novo Congresso.
• Nunes Marques avalia julgar soltura de
Bolsonaro após o segundo turno
O
ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode ter o pedido de soltura e de revisão de
sua condenação analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após o segundo
turno das eleições.
O
ministro Nunes Marques sinalizou a interlocutores que considera levar o
processo ao plenário nesse período, com a possibilidade de conceder antes uma
liminar de liberdade. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo.
Segundo
a CNN, o ministro, que também preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE),
evitou decidir sobre o caso durante a disputa eleitoral para impedir que sua
atuação fosse interpretada como interferência no resultado. Nas conversas
relatadas pela reportagem, ele indicou que pretende submeter a ação aos demais
integrantes do Supremo depois da conclusão da eleição, independentemente de
quem vencer.
A
sinalização ainda não representa uma decisão sobre a liberdade do ex-presidente
nem estabelece uma data para o julgamento. Embora Nunes Marques possa liberar o
processo para análise, a inclusão na pauta do plenário depende do presidente do
STF, ministro Edson Fachin.
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Liminar pode anteceder julgamento no plenário
A
defesa de Bolsonaro apresentou um novo pedido de liminar para que o
ex-presidente seja solto, além de requerer a revisão criminal da condenação por
tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes. Uma solicitação
semelhante, protocolada em maio, também aguarda decisão no gabinete de Nunes
Marques.
De
acordo com a reportagem, o ministro não descartou atender ao pedido de
liberdade antes de levar a revisão criminal ao plenário. Nesse caso, a decisão
provisória seria encaminhada posteriormente aos demais ministros, que
examinariam se ela deve ser mantida.
São,
portanto, duas possibilidades em análise: uma decisão individual sobre a
soltura, sujeita ao referendo do colegiado, e o julgamento da revisão criminal
pelo conjunto dos integrantes da Corte. Nenhuma delas foi anunciada como medida
já definida.
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Revisão levaria condenação a todos os ministros
A
revisão criminal apresentada pelos advogados tem previsão regimental de
julgamento no plenário do STF. Isso levaria a discussão sobre a condenação a um
colegiado mais amplo do que aquele responsável pela decisão original.
Bolsonaro
foi condenado pela Primeira Turma, com votos dos ministros Alexandre de Moraes,
Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino. O ministro Luiz Fux divergiu dos
colegas e votou pela absolvição do ex-presidente.
André
Mendonça, Nunes Marques, Gilmar Mendes, Edson Fachin e Dias Toffoli não
participaram daquele julgamento. Se a revisão for submetida ao plenário, esses
ministros também deverão se posicionar sobre o caso.
A
intenção atribuída a Nunes Marques é aguardar o encerramento da disputa
eleitoral para evitar a exploração política de uma eventual decisão. A
definição do calendário de julgamento, depois da liberação do processo pelo
relator, ficará a cargo de Fachin.
• Passivo hermenêutico de Kássio Nunes
sugere que ele pode soltar Bolsonaro. Por Paulo Henrique Arantes
Os dois
pedidos de revisão criminal espetados pela defesa de Jair Bolsonaro no Supremo
Tribunal Federal – um, de maio; outro, de agora -, ambos nas mãos do ministro
Kássio Nunes Marques, não prosperarão se o magistrado der uma passada de olhos
na lei e a cumprir. Uma liminar de soltura do nefasto golpista, até que o
plenário da corte analise as demandas, constituiria uma antecipação do que
poderá vir a ser o Judiciário sob um hipotético governo de Flávio Bolsonaro:
nada mais que uma extensão do Executivo para medidas “fora das quatro linhas da
Constituição”.
No
primeiro pedido, os advogados do condenado pedem sua absolvição, a anulação da
delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid e o envio do processo ao plenário
do Supremo. Argumentam, os defensores, que o julgamento conteve falhas graves.
Num
exercício um tanto diversionista, os defensores do golpista alegam que ele não
foi julgado por todos os ministros do STF. Também dizem que a colaboração
premiada do maçaneta Cid não foi voluntária e que não tiveram acesso às provas
amealhadas no inquérito. É esperneio sem lastro factual, como já escrevemos
neste espaço.
O
segundo pedido difere do primeiro por usar a lógica do caso Master para apontar
supostas violações regimentais, falhas na perícia digital de celulares e
irregularidades no inquérito das fake news, que teriam afetado Jair Bolsonaro.
Essa nova peça foca mais agressivamente na tese de que o surgimento de novas
dinâmicas institucionais dentro da própria corte justificaria revisar a
legalidade de toda a investigação originária.
Não
muda nada.
Conforme
o Artigo 621 do Código Penal, a revisão criminal só é aceita quando a sentença
condenatória é contrária ao texto expresso da lei penal ou à evidência dos
autos, o que não acontece no caso da condenação do capitão golpista. A revisão
seria pertinente, também, se a sentença condenatória se baseasse em
depoimentos, exames ou documentos comprovadamente falsos, o que, sabe-se, não
aconteceu.
A
condenação de Jair ainda poderia ser revista se fossem descobertas provas de
sua inocência ou de circunstâncias que determinassem ou autorizassem diminuição
especial da pena. Fora disso, é factoide.
A
questão não guarda dúvidas jurídicas pertinentes, portanto. Porém, o ministro
Kássio não é exatamente um primor de saber jurídico, como demonstram muitas de
suas decisões. Muito antes de serem conhecidas suas ligações festivas com
Daniel Vorcaro – vexatórias, mas menos graves do que as relações contratuais de
seu filho com o banqueiro mafioso -, o ministro já acumulava passivos
hermenêuticos.
Alcunhado
“ministro do Centrão”, Kássio Nunes Marques coleciona posturas, digamos,
polêmicas. Uma simples pesquisa na internet é suficiente para traçar um retrato
dele. Confira alguns exemplos, reprisando o que já publicamos neste espaço:
• Liberação de cultos e missas presenciais
durante a pandemia: em abril de 2021, Kássio autorizou a realização de
atividades religiosas presenciais, contrariando decretos estaduais que visavam
conter a disseminação da Covid-19;
• Flexibilização da Lei da Ficha Limpa: em
dezembro de 2020, o ministro suspendeu trecho da Lei da Ficha Limpa, reduzindo
o período de inelegibilidade de políticos condenados criminalmente. Essa medida
beneficiou candidatos que concorreram nas eleições municipais daquele ano, mas
tiveram o registro barrado pela Justiça Eleitoral devido à legislação;
• Posição sobre a vacinação obrigatória
contra a Covid-19: durante julgamento no STF, Kássio defendeu que a vacinação
obrigatória deveria ser a “última medida de combate” contra a disseminação do
coronavírus, após o esgotamento de todas as formas menos gravosas de
intervenção sanitária. Esse posicionamento o isolou dos demais ministros;
• Autorização da pesca de arrasto no
litoral gaúcho: em decisão monocrática, Kássio liberou a prática da pesca de
arrasto no litoral do Rio Grande do Sul, revertendo uma decisão anterior que a
proibia por considerá-la prejudicial ao meio ambiente;
• Retirada de tornozeleira eletrônica de
bicheiro: em abril de 2024, o ministro determinou a retirada da tornozeleira
eletrônica de Rogério Andrade, investigado pela Operação Calígula. A decisão,
tomada em despacho sigiloso, surpreendeu e gerou questionamentos dentro da
corte e entre órgãos de investigação.
• STF tem 2 votos contra recurso que tenta
libertar Jair Bolsonaro
A
Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) tem dois votos favoráveis ao
arquivamento de um habeas corpus apresentado para tentar libertar Jair
Bolsonaro (PL), que cumpre em regime domiciliar a pena de 27 anos e três meses
de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado.
A
relatora do processo, ministra Cármen Lúcia, negou o pedido inicial pela
primeira vez em 24 de agosto. O autor da ação recorreu por meio de um agravo
regimental, recurso que acabou rejeitado de forma unânime pela turma por três
votos a zero. Atualmente, o colegiado avalia os chamados embargos de
declaração, tipo de recurso voltado em tese para esclarecer supostas
contradições ou omissões no acórdão.
A
votação, realizada no plenário virtual do STF, tem término previsto para a
próxima sexta-feira (9). Até a manhã desta segunda-feira (5), haviam votado a
relatora Cármen Lúcia e o ministro Cristiano Zanin. Restam ainda as
manifestações e os votos dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino.
O autor
do pedido não integra a equipe de defesa de Bolsonaro, mas busca libertá-lo sob
o argumento de que houve constrangimento ilegal na ação penal. Ao reavaliar o
caso, Cármen Lúcia destacou que Bolsonaro tem advogados regularmente
constituídos nos autos e não autorizou a apresentação do habeas corpus.
“A
generosidade processual adotada em habeas corpus tem o objetivo de proteger o
paciente, não de substituir sua vontade pelo voluntarismo de quem resolve agir,
mesmo sem autorização ou até mesmo contra a autorização do interessado”, anotou
a ministra na decisão original.
Cármen
Lúcia ressaltou também ser juridicamente incabível a impetração de habeas
corpus contra ato de um ministro da própria Corte — no caso, Alexandre de
Moraes — ou contra decisões tomadas por um órgão colegiado do STF. Ao votar por
negar os embargos de declaração, a ministra afirmou que o responsável pelo
recurso não pretende elucidar ponto obscuro, omisso ou contraditório, “mas
modificar o conteúdo do julgado, para fazer prevalecer a tese apresentada”.
Fonte:
Brasil 247

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