Longevidade
e prevenção de doenças: a tecnologia revoluciona a área médica
A
tecnologia está ampliando a capacidade da medicina de identificar riscos de
doenças crônicas e hereditárias pelo mundo. Aqui no Brasil, esse é um cenário
que busca ser difundido cada vez mais e é defendido tanto por médicos e
cientistas, quanto por empresários do setor. Nesta segunda-feira (6), o assunto
foi analisado na Casa Lide, em São Paulo, em um seminário criado para discutir
sobre o impacto da inteligência artificial e da robótica na área da saúde.
Em
entrevista à CNN Brasil, o professor e médico Carlos Carvalho, diretor de Saúde
Digital na FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), explicou
que o país precisa se aprofundar ainda mais no uso das ferramentas,
principalmente nas IAs preventivas - aquelas que integram sistemas de saúde com
informações sobre pacientes desde a infância até a fase adulta.
A
expectativa é que a tecnologia seja utilizada para ampliar o acompanhamento dos
pacientes e permitir intervenções mais rápidas.
Você
usa uma base de dados da sua região, do seu estado e do seu país, com
informações da saúde. Nela, eu sei o que aconteceu com aquele indivíduo. Eu
posso analisar esses dados e extrair medidas de predição, e esse vai ser o
futuro. Eu posso prever o que poderia acontecer com esse indivíduo e intervir
antes que esse desfecho inadequado aconteçaCarlos Carvalho, diretor de Saúde
Digital do HCFMUSP
Outra
medida seria o uso da tecnologia na genética que, segundo ele, pode auxiliar os
médicos a acessar informações sobre os genes - unidades fundamentais da
hereditariedade - dos pacientes. Com isso, seria possível ter acesso a
informações desde a infância, como, por exemplo, se a pessoa teve bronquiolite,
se nasceu prematura, se viveu em um local mais poluído e como esses fatores
podem impactar sua vida no futuro.
“Pelo
menos, o indivíduo vai ter o livre-arbítrio de saber: ‘Eu vou ter um risco para
tal coisa’”, explica.
A
telemedicina também está entre as medidas comentadas pelos médicos. Em 2020,
durante a pandeia, Carvalho liderou um projeto de Tele-UTI obstétrica
conectada, que integrou equipamentos médicos em tempo real durante a pandemia.
A medida acompanhou, 24 horas por dia, gestantes em estado grave e auxiliou nas
medidas de prevenção.
Segundo
o médico, uma em cada duas pacientes foi salva pelo projeto. A ideia é
implementar o projeto no SUS. A iniciativa foi aprovada em 2024 e aguarda verba
do Ministério da Saúde para 2026.
“Essas tecnologias estão
sendo testadas
atualmente. Estão todas em teste. Esses algoritmos, para serem gerados,
precisam de mais dados, e esses dados estão sendo gerados. Fora do Brasil, em
países menores, onde suas tecnologias estão todas conectadas e sua saúde está
toda conectada, isso já está acontecendo em uma velocidade maior”, explicou.
De
acordo com Carvalho, esse universo ainda poderá ser expandido para pacientes
com diabetes ou doenças crônicas, por exemplo. Se o investimento acontecer, a
previsão é que os primeiros testes aconteçam em um futuro próximo, até 2030.
“Os
pacientes não vão precisar sair de casa para medir a pressão arterial ou
mensurar a taxa de oxigenação. Vai dar para fazer tudo isso em casa, com
equipamentos vestíveis, por exemplo, colares, anéis, relógios ou até uma
tatuagem que vai extrair todas essas informações”, disse.
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Longevidade também foi discutida pelos especialistas
Uma das
frentes de pesquisa citada no evento é desenvolvida pelo Instituto de
Biociências da Universidade de São Paulo (USP), que investiga os fatores
relacionados à longevidade familiar. O estudo analisou 230 centenários, sendo
171 mulheres e 59 homens, para entender quais características biológicas podem
ajudar algumas pessoas a chegar a idades avançadas mantendo a saúde e a
capacidade cognitiva.
Segundo
Mayana Zatz, bióloga molecular da USP, a pesquisa ainda está em desenvolvimento
e pesquisadores buscam identificar quais linhagens celulares e tipos
específicos de neurônios estão relacionados à preservação da capacidade
cognitiva mesmo na idade mais avançada.
"Nós
estamos fazendo um estudo muito dimensional desses idosos e gerando também
linhagens celulares e musculares. A gente espera que a gente vá responder
muitas perguntas a partir daí."
Outro
destaque foi a pesquisa nacional pioneira que utiliza o vírus da Zica para
destruir tumores celebrais. Para o estudo, foram analisados camundongos que
continham tumores e após a injeção do vírus os tumores desapareceram.
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Medicina pode prever riscos antes dos sintomas
O
desenvolvimento de ferramentas capazes de analisar grandes volumes de dados
indicam que a prevenção poderá ser cada vez mais personalizada no futuro.
Uma das
possibilidades é utilizar sistemas capazes de cruzar informações de saúde para
identificar riscos de doenças com anos de antecedência.
Um
exemplo é o sistema Delphi, que consegue estimar o risco de mais de mil
condições de saúde com até 20 anos de antecedência. A proposta é utilizar dados
do paciente para identificar padrões que possam indicar uma maior probabilidade
de desenvolvimento de determinadas doenças.
Outro
exemplo estudado pela especialista é o uso de scanners domésticos capazes de
analisar a expressão dos genes e detectar possíveis alterações inadequadas.
"Nós
temos que usar a inteligência artificial ao nosso favor", complementou
Zaztz.
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"Não há futuro na saúde sem pesquisa", aponta pesquisadora
Para a
médica e pesquisadora da Fiocruz, Margareth Dalcolmo, com o avanço da IA, é
necessário que os especialistas tenham acesso ao conhecimento especializado
desde a universidade. A medida não fará a inteligência artificial substituir os
médicos, mas contribuirá para devolver a eles o tempo necessário para o
acolhimento, além de auxiliar em medidas de prevenção dos pacientes.
Ser
disruptivo não é exatamente criar algo novo, revolucionário, é fazer algo que
tenha uma destinação. A medicina do futuro será aquela em que nós,
pesquisadores e médicos, vamos nos valer das tecnologias para dedicar mais
tempo àquilo que nenhuma tecnologia conseguirá nunca substituir: compreender a
pessoa que estamos cuidando, interpretar o contexto e tomar decisões mais
humanas, mais sensíveis e mais inteligentes.Margareth Dalcolmo, pneumologista e
pesquisadora da Fiocruz
Segundo
ela, será necessário destinar recursos para o desenvolvimento científico e para
a capacitação de novos talentos: "Não há futuro na saúde sem
pesquisa", apontou.
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Como isso pode ser complementado no Brasil?
A
consultora de tecnologia e ex-presidente da Microsoft no Brasil, Tânia
Cosentino, defende o uso da IA como uma política de Estado que precisa ser
incorporada e olhada com cuidado.
Eu
vejo a inteligência artificial como um grande motor para trazer produtividade e
desenvolvimento em todas as indústrias e setores do Brasil. Quando a gente olha
para a saúde, tem um mundo de oportunidades para a gente explorar.Tânia Cosentino,
consultora de tecnologia e ex-presidente da Microsoft no Brasil
Cosentino
diz que é necessária a construção de data
centers,
a formação de talentos e o desenvolvimento de equipamentos de saúde, como os de
eletromagnetismo e ressonância.
“A IA,
como a gente conhece hoje, é algo muito novo. O Brasil também está tentando
descobrir quais caminhos tomar. [...] [Com a IA] Eu posso atrair empresas para
produzir equipamentos especializados, mas, para isso, eu preciso fornecer
cadeias de fornecimento. Até minerais críticos são importantes, como
radiofármacos.”
Para
ela, a inteligência artificial, quando direcionada da forma correta, pode
trazer benefícios para o país.
“O
Brasil tem vários projetos, mas são pilotos de IA. Só que a gente tem muito
mais para fazer. A gente tem que usar a IA para ganhar produtividade. A gente
pode eliminar desperdícios, melhorar a gestão, diminuir fraudes, atuar na
descoberta de novas enzimas e tratamentos. Aí, a pesquisa científica entra,
porque você acelera a descoberta de um novo medicamento ou material. Então, a
oportunidade é incrível, mas, para isso, a gente precisa ter um plano diretor.
Você importa o modelo, mas o resto pode ser feito no Brasil”, complementa.
Fonte:
CNN Brasil

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