quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Ataques iranianos deixam bases dos EUA vulneráveis na região

Os danos sofridos pelas bases militares norte-americanas no Oriente Médio são tão graves que Washington pode nunca mais recuperar o nível de presença que tinha na região, é o que afirma reportagem do Intercept, divulgada nesta terça-feira (06/10)

Segundo a publicação, as tropas norte-americanas estão enfrentando sérias dificuldades para defender suas instalações no exterior, à medida que o conflito com o Irã sai do controle para o Secretário de Defesa Pete Hegseth.

A reportagem relata que, após uma série de ataques devastadores em toda a região, bombardeiros estratégicos posicionados no Reino Unido evacuaram para território norte-americano no último domingo (04/10) em resposta a uma série de “ameaças”.

<><> O que aconteceu em Fairford?

Na semana passada, cinco homens foram presos sob suspeita de crimes relacionados a explosivos e terrorismo perto da Base Aérea de Fairford, em Gloucestershire. Todos foram posteriormente libertados sob fiança.

As autoridades britânicas sugeriram um suposto envolvimento iraniano no incidente, uma insinuação que foi “categoricamente” rejeitada pelo Ministro das Relações Exteriores de Teerã, Abbas Araghchi , e pela Embaixada do Irã em Londres.

Um oficial citado pelo The Intercept descreveu a ameaça como um “plano sofisticado” envolvendo “múltiplos drones” contra a Base Aérea de Fairford, que teria desencadeado “um pesadelo militar e de relações públicas”. O alarme foi tão grande que o Pentágono convocou urgentemente 12 bombardeiros estratégicos B-1.

Segundo o meio de comunicação, a incapacidade de proteger aeronaves a noroeste de Londres ocorre em meio a uma onda de ataques contra instalações americanas em escala global.

<><> Ataques iranianos contra os EUA no Oriente Médio

Nesse contexto, as ofensivas iranianas com drones e mísseis balísticos causaram baixas entre as tropas, colocaram muitas outras em perigo e destruíram ou danificaram inúmeras posições no Oriente Médio.

Além disso, bases importantes sofreram tamanha devastação que as operações foram radicalmente alteradas. “A situação das bases na região pode nunca se recuperar”, alertou um oficial citado pelo The Intercept.

O relatório detalha como os ataques iranianos causaram danos tão severos às bases norte-americanas que Washington pode nunca mais recuperar seu nível anterior de presença militar na região.

Segundo o relatório, os EUA e seus aliados utilizaram mais de 11.000 projéteis apenas nos primeiros 16 dias da guerra , enquanto 65% dos mísseis interceptores Patriot foram destruídos entre fevereiro e julho.

<><> Irã reafirma apoio à resistência palestina no marco de três anos da guerra

O Irã reafirmou seu apoio à resistência palestina nesta quarta-feira (07/10), quando se completam três anos do início da guerra de Israel contra Gaza, após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023.

Em comunicado, o major-general Ali Abdollahi, comandante do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, comentou diretamente o ataque do Hamas naquele dia, afirmando que “a operação ‘Dilúvio de Al-Aqsa’ foi além da imaginação do regime sionista” e “acelerou o declínio” de Israel.

“O dia 7 de outubro transformou a estratégia defensiva da Frente de Resistência em uma estratégia ofensiva para a legítima defesa do povo palestino e de sua terra, e acelerou o declínio do regime sionista usurpador, assassino de crianças e opressor”, disse o general, em comunicado.

Abdollahi citou nominalmente os comandantes mortos nos últimos anos, entre eles o general iraniano Qassem Soleimani, o ex-secretário-geral do Hezbollah Hassan Nasrallah e os dirigentes do Hamas Ismail Haniyeh e Yahya Sinwar.

“Os inimigos da Ummah Islâmica, especialmente os sionistas criminosos e apátridas, devem saber que as ações épicas dos mártires da Frente de Resistência (…) continuarão e marcarão o fim do regime de ocupação em Jerusalém”, afirmou.

Ele também afirmou que a política iraniana de apoio à Palestina e à Frente de Resistência continuará sob o atual líder supremo do país, aiatolá Mojtaba Khamenei, “até a libertação de Al-Quds” (nome árabe de Jerusalém).

<><> Frente de Resistência

A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) também marcou a data, em declaração separada, observando que a ofensiva de 2023 alterou de forma permanente o equilíbrio estratégico na região.

Segundo as forças iranianas, após a ofensiva, os movimentos da Frente de Resistência, em Gaza, Líbano, Iêmen, Iraque, Síria e o Irã, ampliaram sua coordenação no enfrentamento a Israel e aos Estados Unidos.

A IRGC reiterou que continuará respondendo militarmente aos ataques e advertiu que uma nova ofensiva dos Estados Unidos ou de Israel receberá uma resposta “dolorosa e devastadora”.

¨      Ataques israelenses continuam três anos após 7/10, e Gaza enfrenta fome e colapso humanitário

Três anos após o início da guerra de Israel em Gaza, em 7 de outubro de 2023, pelo menos 74.243 palestinos foram mortos no enclave. Do lado israelense, os ataques liderados pelo Hamas naquele dia deixaram pelo menos 1.139 mortos.

Mesmo após a entrada em vigor do cessar-fogo, em 7 de outubro de 2025, outros 1.460 palestinos foram mortos em Gaza. Desde o anúncio do cessar-fogo, em outubro de 2025, 1.431 palestinos foram mortos e 5.026 ficaram feridos, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza compilados pela ONU.

Mais de 8 mil palestinos permanecem desaparecidos sob os escombros em Gaza, segundo estimativa da Defesa Civil Palestina citada em setembro pelo Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos. Desde novembro de 2025, mais de 630 corpos e restos mortais foram recuperados de edifícios destruídos. A ONU alerta que, no ritmo atual e diante da falta de equipamentos pesados, a localização e recuperação dos desaparecidos poderá levar pelo menos dez anos.

O relatório mais recente do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), publicado em 2 de outubro, aponta quase um ano após o cessar-fogo, cerca de 1,9 milhão de pessoas continuam deslocadas em Gaza, muitas delas depois de terem sido obrigadas a deixar suas casas repetidas vezes.

Mais de 350 mil unidades habitacionais foram destruídas ou danificadas e mais de 60% da população perdeu a casa. Além disso, com a aproximação do inverno, 279 mil pessoas vivem em locais de deslocamento sujeitos a inundações ou em edifícios considerados inseguros.

A ONU alerta que os estoques de materiais para abrigos estão praticamente esgotados, enquanto persistem restrições à entrada de itens essenciais. A entidade estima que a Faixa de Gaza sofreu um retrocesso de 77 anos em seu desenvolvimento humano em decorrência de dois anos de ofensiva militar diária de Israel sobre o território palestino.

<><> Acesso à água continua precário

O acesso à água também permanece precário. Atualmente, 74% da população depende de água potável transportada por caminhões. As duas usinas de dessalinização do sul de Gaza reduziram a produção ao menor nível por falta de equipamentos e peças, colocando em risco o abastecimento de cerca de 500 mil pessoas em Deir al-Balah e Khan Yunis. Todas as seis estações de tratamento de águas residuais estão fora de operação e cerca de 70% das estações de bombeamento de esgoto não funcionam.

A fome continua sendo uma das principais ameaças. O Programa Mundial de Alimentos (WFP) estima que 1,4 milhão de palestinos, cerca de dois terços da população de Gaza, enfrentam níveis elevados de insegurança alimentar aguda. A agência alerta que, caso o atual volume de assistência humanitária não seja mantido, até 90% da população poderá enfrentar níveis elevados de insegurança alimentar até o final deste ano.

O sistema de saúde também permanece sob enorme pressão. Apenas 19 dos 36 hospitais de Gaza funcionam parcialmente e nenhum opera plenamente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

<><> ‘Viver é um grande risco’

O medo continua presente na rotina dos palestinos. “Não podemos dizer que estamos 100% seguros. Temos medo até de sair de casa e do barulho dos drones sobre nós. Até nossas próprias casas são inseguras”, relata Layla, nome fictício de uma trabalhadora humanitária que vive em Gaza, em depoimento publicado nesta terça-feira (06/10) pela Islamic Relief.

Segundo ela, ataques continuam atingindo áreas densamente povoadas e locais onde vivem famílias deslocadas. “Os assassinatos não param e não conseguimos viver nossas vidas normalmente.” Layla diz ainda temer perder familiares, colegas ou a própria vida e chama atenção: “talvez, depois de três anos, Gaza esteja sendo esquecida.”

Para a palestina, apesar do desejo da população de reconstruir a vida, a insegurança permanece: “em Gaza, simplesmente viver é um grande risco.”

Já Umm Mohammad, mãe de cinco filhos e deslocada da Cidade de Gaza, contou à Reuters, que a guerra dispersou sua família. “Éramos uma família feliz”, afirmou. Hoje, ela com o marido e parte da família em um acampamento improvisado em Deir al-Balah. Neste 7 de outubro, três anos após o início da guerra, ela recordou a vida que tinham antes: “lembramos o quanto éramos felizes, apesar de todos os problemas, antes de a guerra começar e destruir tudo o que amávamos.”

<><> ‘Tolerância desapareceu do mapa’

A veículo argentino Página 12 também traz o relato de um dos sobreviventes do ataque do Hamas em 7 de outubro. O argentino Pedro Goldfarb, morador do kibutz Nir Itzchak, vive próximo às cidades palestinas de Khan Yunis e Rafah. Na manhã do ataque, Goldfarb permaneceu com a mulher cerca de 11 horas trancados no abrigo de segurança da casa. Dois grupos chegaram a entrar na residência. O primeiro estava armado, disparou contra a casa, destruiu objetos e tentou entrar no cômodo onde o casal estava escondido. Os dois permaneceram no abrigo até a chegada de soldados israelenses.

Três anos depois, Goldfarb afirma que a experiência não o levou para a direita, mas reforçou ainda mais suas posições progressistas. “Agora sou mais de esquerda do que antes”, disse ao jornal argentino. Goldfarb fez duras críticas às mudanças na sociedade israelense desde os ataques. Segundo ele, “a tolerância desapareceu do mapa”.

O argentino relata ameaças contra israelenses que defendem a paz ou responsabilizam o governo de Benjamin Netanyahu pelo 7 de outubro. “Israel, para melhorar algo, para poder superar tudo isso, primeiro precisa abandonar o sionismo”, afirma. “Ser sionista e ser progressista é uma contradição.”

<><> Bilhões de dólares em armas para Israel

Três anos após o início da guerra, Washington mantém praticamente inalterado o fluxo de recursos e armamentos para Israel, destaca reportagem da Al Jazeera. Desde 7 de outubro de 2023, os Estados Unidos destinaram pelo menos US$ 25,5 bilhões em recursos militares a Israel. Além disso, Washington aprovou pelo menos US$ 33,16 bilhões em transferências de armas ao país no mesmo período.

Atualmente, o núcleo da ajuda está em um acordo de dez anos assinado em 2016, durante o governo Barack Obama, que prevê US$ 3,8 bilhões anuais em financiamento militar. Em abril de 2024, o Congresso aprovou um pacote suplementar de segurança de US$ 14,1 bilhões.

Entre os armamentos aprovados desde outubro de 2023 estão milhares de munições de 120 milímetros para tanques, caças F-15 e peças avaliadas em US$ 18,82 bilhões, além de um pacote de US$ 7,4 bilhões em bombas, kits de guiamento, fusíveis e mísseis Hellfire, autorizado depois da posse de Trump em 2025.

Além disso, destaca a reportagem, antes do cessar-fogo de outubro de 2025, os Estados Unidos vetaram seis resoluções relacionadas a Gaza no Conselho de Segurança das Nações Unidas, incluindo iniciativas que pediam o fim da guerra. Washington ampliou ainda a pressão contra o Tribunal Penal Internacional (TPI), que expediu mandados de prisão contra Netanyahu e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant.

¨      Irã critica AIEA por declarações 'infundadas' e alerta para consequências de nova guerra

O chefe do Estado-Maior do Irã, Ali Abdollahi, criticou duramente na segunda-feira (05/10) a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) por suas declarações “infundadas” sobre o programa nuclear do país persa, informou a agência iraniana Tasnim.

Abdollahi classificou como “delirante” a alegação de Israel de que o programa nuclear iraniano entrou em uma fase militar e pediu às organizações internacionais, em particular à AIEA, que “parem de se fazer de lobos em pele de cordeiro” e “se abstenham de fazer comentários infundados sobre as instalações nucleares do Irã”.

Nesse contexto, ele alertou que, se “uma nova guerra eclodir contra o Irã, as consequências afetarão a todos” afirmou Abdollahi, citado pela IRNA. Ele disse que, se houver um novo ataque dos Estados Unidos ou de Israel, as forças iranianas darão “uma resposta severa” e atacarão os interesses norte-americanos “sem quaisquer limitações”.

A AIEA exige que o Irã retome as inspeções de suas instalações nucleares, suspensas após os ataques de Israel e dos EUA em junho de 2025. Teerã, por sua vez, criticou a agência por seus relatórios negativos e chegou a cogitar a possibilidade de se retirar do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP).

Teerã enfrenta uma guerra desde 28 de fevereiro, quando Washington e Tel Aviv atacaram o país. A ONU afirmou que o secretário-geral António Guterres está viajando para Islamabad, onde deverá discutir os “esforços diplomáticos e de mediação” do Paquistão entre Irã e os EUA.

O líder das Nações Unidas tem chegada prevista à capital na terça-feira (06/10) para se reunir com altos funcionários do governo, incluindo o primeiro-ministro Muhammad Shehbaz Sharif e o vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores, Mohammad Ishaq Dar, disse seu porta-voz em um comunicado.

¨      Presidente do Irã diz a Putin que cessar-fogo com EUA 'não está fora de alcance'

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse ao seu homólogo da Rússia, Vladimir Putin, que um acordo de paz com os Estados Unidos “não está fora de alcance”. A declaração ocorreu durante uma conversa telefônica entre os líderes, nesta quarta-feira (07/10), informa a agência Fars.

Segundo Pezeshkian, “o Irã está totalmente preparado para alcançar um acordo equilibrado e justo que garanta paz e segurança duradouras na região”. “Nossa linha vermelha são os interesses nacionais e os direitos do povo iraniano. Se os Estados Unidos aderirem aos marcos legais internacionais, chegar a um acordo não está fora de alcance”, acrescentou.

Ele também defendeu que o Irã está “pronto para cooperar e colaborar com seus vizinhos para alcançar a paz e a segurança da região, sem a presença ou interferência de países extrarregionais”.

Nesta quarta-feira (07/10), o presidente iraniano anunciou a redução do consumo de eletricidade no país, visando o redirecionamento dos recursos energéticos para a produção industrial em meio a possibilidade de novos confrontos.

“Não devemos permitir que o ciclo de produção seja prejudicado. Vamos reduzir o consumo de eletricidade, gás, gasolina, água e outros setores de energia”, declarou. “A condição para a resistência e para enfrentar o Ocidente é que todos suportem as dificuldades”, acrescentou.

<><> Putin defende reparações

Segundo o governo iraniano, Putin afirmou ao presidente do Irã que os Estados Unidos e Israel devem pagar reparações pelos danos provocados durante a guerra. Ele também defendeu que Teerã receba garantias de segurança de longo prazo de que não haverá uma nova ofensiva contra o país.

O líder russo elogiou a “coragem” manifestada pelo Irã diante dos ataques e reafirmou a disposição de contribuir para iniciativas diplomáticas destinadas ao cessar-fogo. Putin mencionou as iniciativas dos mediadores do conflito, reiterando que os iranianos “podem ter certeza” de que Moscou está pronto para ajudar.

Ele também observou que a cooperação entre Rússia e Irã continua avançando no âmbito do Tratado de Parceria Estratégica Abrangente, apesar da guerra e das mudanças provocadas pelo conflito no Oriente Médio.

<><> Bloqueio de rotas ‘ilegais’ no Estreito de Ormuz

Teerã também anunciou nesta quarta-feira (07/10) que pretende bloquear em breve todas as rotas de navegação que considera “ilegais” no Estreito de Ormuz.

“Em breve, as poucas rotas que infratores criaram por meio da explosão e destruição de algumas passagens rochosas existentes no Estreito de Ormuz serão bloqueadas”, declarou o general de brigada Mohammad Reza Naqdi, assessor sênior do comandante-chefe da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC).

“O Estreito de Ormuz está fechado e as Forças Armadas da República Islâmica do Irã têm controle total sobre ele. Essa situação continuará até que as demandas legítimas do Irã sejam atendidas”, afirmou Naqdi.

Segundo ele, existem atualmente algumas rotas utilizadas por pequenas embarcações para transportar petróleo e transferi-lo posteriormente para navios-tanque. Teerã classifica as operações como contrabando e afirma que essas passagens foram abertas por meio de explosões nos trechos rochosos do estreito.

 

Fonte: The Intercept/Opera Mundi

 

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