Câncer
de mama: primeiro sintoma é o aparecimento de um nódulo fixo
O
Outubro Rosa, campanha dedicada à conscientização sobre o câncer de mama,
reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acesso ao
tratamento. A doença é o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres e seu
desenvolvimento está relacionado a uma combinação de fatores hormonais,
reprodutivos, genéticos, ambientais e de estilo de vida.
O INCA
(Instituto Nacional do Câncer) estima 78.610 novos casos de câncer de mama por
ano entre 2026 e 2028. Entre as mulheres, a doença representa 30% dos novos
casos de câncer, excluindo pele não melanoma.
Segundo
a mastologista do IFF/Fiocruz, Viviane Esteves, entre os fatores que podem
aumentar o risco estão o envelhecimento, o sedentarismo, o excesso de peso,
especialmente após a menopausa, o consumo de álcool e algumas características
da história reprodutiva.
“Entre
os fatores estão idade, predisposição genética, histórico familiar, mamas
densas, algumas lesões mamárias de alto risco, radiação no tórax, consumo de
álcool, excesso de peso após a menopausa e determinados tratamentos hormonais.
Aspectos da história reprodutiva também influenciam o risco”, explica.
Apesar
de alguns fatores não poderem ser modificados, a adoção de hábitos saudáveis
pode contribuir para reduzir as chances de desenvolvimento da doença.
“No dia
a dia, vale manter uma rotina de atividade física, cuidar do peso, evitar
bebidas alcoólicas e adotar uma alimentação saudável. A amamentação, quando
possível e desejada, também tem efeito protetor. É importante ressaltar que a
adoção de hábitos de vida saudáveis pode reduzir o risco de desenvolver câncer
de mama em até 30%, embora não elimine completamente a possibilidade de
ocorrência da doença”, afirma.
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Quais são os sinais de alerta?
O
principal sinal do câncer de mama é o aparecimento de um nódulo fixo e
geralmente indolor. De acordo com a especialista, ele está presente em cerca de
90% dos casos em que a doença é percebida pela própria mulher.
Outras
alterações também devem ser investigadas, como vermelhidão ou retração da pele
da mama, aspecto de “casca de laranja”, inversão do mamilo, pequenos nódulos
nas axilas ou no pescoço e saída espontânea de secreção anormal pelo mamilo.
A
especialista ressalta, no entanto, que uma mulher pode ter câncer de mama mesmo
sem apresentar sintomas.
“A
mamografia de rastreamento tem justamente o objetivo de identificar o câncer de
mama precocemente, antes que surjam sinais ou sintomas perceptíveis. Nessa fase
são encontrados os tumores mais iniciais com maior chance de cura”, explica.
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Mulheres jovens também podem desenvolver câncer de mama
Embora
o risco aumente com a idade, mulheres mais jovens também podem desenvolver a
doença. Segundo Viviane, no Brasil, aproximadamente um terço das mulheres com
câncer de mama tem menos de 50 anos. Entre 5% e 17% dos casos, dependendo do
levantamento considerado, ocorrem em mulheres com menos de 40 anos.
“Nas
jovens, mamas mais densas podem dificultar a avaliação pela mamografia, assim
uma alteração suspeita deve ser investigada em qualquer idade. Em mulheres
jovens além da possibilidade de predisposição hereditária deve-se levar em
consideração a preservação da fertilidade”, afirma.
A
história de câncer na família também merece atenção, mas não significa
necessariamente que a mulher tenha um risco elevado.
“O grau
de parentesco, o número de familiares afetados, a idade ao diagnóstico e os
tipos de câncer fazem diferença. Uma mãe ou irmã com a doença aumenta o risco,
mas isso não significa automaticamente uma síndrome hereditária. Vários casos
em uma mesma linhagem familiar, especialmente em pessoas jovens, merecem maior
atenção. Tanto a família materna quanto a paterna deve ser considerada”,
explica.
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Quando investigar alterações genéticas?
Em
alguns casos, a avaliação genética pode ser indicada. Entre os critérios estão
o diagnóstico de câncer de mama antes dos 40 anos, múltiplos casos de câncer de
mama ou ovário na família, câncer de mama em homem na família, tumor de mama
bilateral ou a ocorrência de câncer de mama e ovário na mesma pessoa.
“A
idade de início e a frequência dos exames dependem do fator de risco
identificado. A ultrassonografia é um exame complementar em algumas situações,
mas não substitui os outros exames”, afirma a especialista.
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Mitos ainda cercam a doença
Durante
o Outubro Rosa, informações sobre prevenção e diagnóstico também ajudam a
combater mitos relacionados ao câncer de mama. Segundo a mastologista do
IFF/Fiocruz, em relação aos anticoncepcionais hormonais, os estudos apontam uma
pequena elevação do risco durante o uso atual ou recente.
“Isso
não significa que quem usa anticoncepcional desenvolverá a doença. Estima-se
cerca de um caso adicional a cada 7.600 a 8.000 mulheres usuárias ao longo de
anos de acompanhamento. Não se recomendam a suspensão generalizada dos
anticoncepcionais com base apenas nesse risco leve, a escolha do método deve
ser individualizada, considerando a idade, o histórico de saúde, os fatores de
risco e os benefícios da contracepção”, explica.
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Quais os primeiros passos após o diagnóstico?
Após a
confirmação do câncer de mama, a paciente deve ser acompanhada por uma equipe
especializada. É necessário avaliar a biópsia, identificar as características
do tumor, incluindo os receptores hormonais e HER2, e verificar a extensão da
doença com os exames indicados.
A
partir dessas informações, a equipe define o tratamento, que pode envolver
cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou outras medicações.
Para
pacientes atendidas pelo SUS, o primeiro passo é procurar uma Unidade Básica de
Saúde (UBS). Com a confirmação do câncer de mama, o médico da unidade solicita
o encaminhamento especializado para oncologia ou mastologia, e o sistema de
regulação direciona a paciente para um hospital especializado habilitado.
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A história de Renata
A
importância de um acompanhamento de prevenção pode ser reforçada pela história
de Renata Fernandes, advogada especialista em Direito da Saúde, que teve câncer
de mama precoce, aos 29 anos.
Segundo
o relato dela, há 15 anos, durante um exame ginecológico de rotina, uma
ultrassonografia identificou um nódulo inicialmente considerado um possível
nódulo de gordura. Mesmo após ouvir que era jovem e não tinha fatores de risco,
Renata insistiu em uma investigação mais aprofundada. O exame revelou que o
nódulo era, na realidade, um carcinoma infiltrante em estágio inicial.
Renata
passou pelo tratamento e teve como uma das principais preocupações a
possibilidade de não conseguir realizar o sonho de ser mãe. Ela foi alertada
sobre o risco de infertilidade decorrente do tratamento, mas posteriormente foi
liberada pelos médicos e engravidou na primeira tentativa nas duas vezes. Hoje,
é mãe de dois filhos.
Ela
conta a história para reforçar a importância de que mulheres jovens também
estejam atentas aos sinais e investiguem alterações suspeitas no corpo. Para
Renata, o diagnóstico de câncer não significa o fim dos sonhos e é possível
reconstruir a vida após a doença.
A
experiência também mudou sua trajetória profissional. Atualmente, Renata atua
exclusivamente na área do direito da saúde, inclusive na defesa de pacientes
que precisam garantir tratamentos, cirurgias e medicamentos. Durante o próprio
tratamento, ela precisou recorrer à Justiça para garantir o atendimento pelo
plano de saúde.
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Quais são os direitos quando há o diagnóstico?
A
advogada trabalhista Rogeana França, especialista sobre os direitos das
mulheres diagnosticadas com câncer de mama no ambiente de trabalho, que se a
incapacidade for considerada total e permanente e não houver possibilidade de
reabilitação profissional, poderá haver concessão de aposentadoria por
incapacidade permanente.
Além
disso, existem direitos trabalhistas e previdenciários voltados às mulheres que
enfrentam o câncer de mama.
"No
campo previdenciário, além do direito a afastamento por auxílio por
incapacidade temporária em caso de necessidade de afastamento por mais de 15
dias devido cirurgia ou tratamento, quando há comprovação da incapacidade,
facilita a obtenção de direitos previdenciários, decorrente da lei
8.213/91(...) Já na esfera trabalhista, a empregada também possui proteção
contra dispensa discriminatória, pela Lei 9.029/95", explica a
advogada.
Rogeana
ainda indica que quanto ao FGTS, a trabalhadora com câncer pode sacar o saldo
de suas contas do FGTS, respeitando a lei 8.036/90.
O
diagnóstico de câncer não dá uma isenção geral de impostos. "A principal
proteção tributária federal é a isenção do Imposto de Renda sobre proventos de
aposentadoria, reforma e, nas hipóteses legais, pensão, para pessoas com
neoplasia maligna, conforme art. 6º, XIV e XXI, da Lei nº 7.713/88",
disse.
O
Sistema Único de Saúde (SUS) ainda deve oferecer para a paciente com
diagnóstico confirmado de neoplasia maligna, tem prioridade em seu primeiro
tratamento que deve começar em até 60 dias do diagnóstico em laudo patológico,
ou em prazo menor quando houver indicação médica
"Mulheres
submetidas à mastectomia por câncer têm direito à reconstrução mamária pelo
SUS, preferencialmente no mesmo procedimento ou assim que houver condições
clínicas", ainda ressalta a especialista.
Fonte:
CNN Brasil

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