Bolsonaro
em prisão domiciliar: como a imprensa internacional repercutiu decisão de
Moraes
A
decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF),
de conceder nova prisão domiciliar a
Jair Bolsonaro após
o ex-presidente passar por mais uma internação hospitalar foi destaque em
veículos internacionais.
O
jornal espanhol El País disse que a pressão para que Moraes permitisse Bolsonaro a voltar para
casa neste
momento "tem aumentado desde a última internação" do ex-presidente.
"Ao
receber alta do hospital, o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, condenado
por um golpe de Estado, retornará para casa para se recuperar com sua família
enquanto cumpre sua pena", escreve o jornal espanhol. "A campanha
lançada por sua família e aliados políticos ganhou o apoio de colunistas dos
principais jornais."
"O
juiz estava relutante em adotar a medida devido ao histórico do prisioneiro,
que, quando em prisão domiciliar como detento preventivo, violou as medidas
cautelares diversas vezes e chegou a tentar remover à força a tornozeleira
eletrônica que monitorava seus movimentos."
O El
País destacou que a decisão de flexibilizar o regime prisional "era
esperada, pois sua internação em terapia intensiva levantou preocupações sobre
sua saúde e intensificou os pedidos por essa mudança".
O
benefício a Bolsonaro terá duração temporária de 90 dias, a contar do dia em
que receber alta do hospital, para recuperação integral de uma broncopneumonia.
Passado
esse período, Moraes determinou que seja realizada nova avaliação da saúde de
Bolsonaro para decidir se ele pode retornar ao 19º Batalhão da Polícia Militar
do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, onde estava detido desde
janeiro.
O
jornal espanhol afirma que os médicos não anteciparam nenhuma data para a alta
de Bolsonaro e destacou que Bolsonaro está proibido de usar redes sociais e
telefones celulares ou gravar vídeos ou áudios.
O El
País afirma que a "fragilidade" de Bolsonaro "parece ter se
intensificado desde que ele foi condenado em setembro passado".
"Bolsonaro
manteve considerável influência política desde que perdeu a eleição, tanto
antes quanto depois de seu julgamento e condenação. A decisão mais
significativa que tomou foi a escolha de seu filho mais velho, Flávio, como
candidato à presidência para desafiar Lula, contrariando a vontade de Wall
Street, que apoiava o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas",
escreve o jornal espanhol.
"Sete
meses antes da eleição, o filho de Bolsonaro está empatado nas pesquisas com o
líder de esquerda brasileiro.
O
jornal britânico The Guardian também noticiou a decisão de Moraes sobre o
ex-presidente brasileiro.
"Os
advogados do líder de direita, que governou de 2019 a 2022, buscavam há tempos
a permissão de Moraes para que ele cumprisse sua pena em 'prisão domiciliar
humanitária', mas o juiz havia negado todos os pedidos anteriormente",
escreve o Guardian.
"Historicamente,
o Supremo Tribunal Federal do Brasil só revoga a prisão domiciliar se a saúde
do detento melhorar drasticamente ou se houver violação das normas
estabelecidas, como não fazer declarações públicas, postar em redes sociais ou
conceder entrevistas à imprensa."
O
jornal argentino Clarín noticiou que, segundo a equipe médica, a infecção que
levou Bolsonaro ao hospital foi causada por uma pneumonia por aspiração,
"relacionada às sequelas de uma facada no abdômen que ele sofreu durante
um evento de campanha em 2018".
"Desde
então, Bolsonaro passou por diversas cirurgias e sofre com crises de soluços,
às vezes acompanhadas de vômitos", diz o jornal argentino.
¨
Bolsonaristas celebram prisão domiciliar, mas reforçam
discurso por anistia do ex-presidente
A
decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que concedeu prisão domiciliar para
Jair Bolsonaro (PL) nesta terça-feira (24/3), foi recebida com alívio por aliados
e familiares do ex-presidente.
Em
manifestações nas redes sociais, eles comemoraram a
medida, mas afirmaram que a mobilização pela liberdade e anistia de Bolsonaro vai continuar.
Moraes determinou que a
prisão domiciliar tenha duração temporária de 90 dias, a contar da alta
hospitalar.
Após
esse período, a condição de saúde de Bolsonaro será reavaliada para decidir se
ele poderá retornar ao 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal,
conhecido como Papudinha, onde cumpria pena por golpe de
Estado e outros quatro crimes.
O
ex-presidente está internado no hospital DF Star, em Brasília,
desde o dia 13 de março para tratar um quadro de broncopneumonia.
Em
vídeo publicado nas redes sociais, o ex-vereador do Rio de Janeiro e
pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL), disse estar
"extremamente aliviado" com a decisão que beneficiou seu pai.
Apesar
disso, afirmou que a medida "não pode ser tratada como justiça".
"Para
que exista justiça de verdade, nenhuma condenação dentro desse atropelador
cenário pode ser normalizada. Qualquer pessoa minimamente decente sabe
disso."
"Deus,
Pátria, Família e Liberdade, para nós e para o presidente Bolsonaro",
acrescentou.
Vereador
de Balneário Camboriú, Jair Renan Bolsonaro também destacou o alívio que sentiu
com a volta do pai para a casa.
"Foi
uma agonia sem fim ver ele passando por tudo isso, longe de mim e com a saúde
debilitada, mas agora o sentimento é de um alívio gigante", escreveu em
uma publicação no X.
Jair
Renan ainda elogiou a atuação do irmão, Flávio Bolsonaro (PL), afirmando que
sua mediação foi "fundamental" para que o pedido fosse aceito.
"São
90 dias iniciais pra ele tratar essa broncopneumonia, mas vamos trabalhar firme
pra que essa permanência em casa seja definitiva. A luta continua!",
acrescentou.
Já a
ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, que se reuniu na última
segunda-feira (23/3) com o ministro Alexandre de Moraes para falar
sobre o estado de saúde do marido, agradeceu a Deus após saber da decisão.
Em uma
publicação no Instagram, Michelle compartilhou uma série de fotos de Bolsonaro
durante o período em que ficou internado no hospital no ano passado.
"Sim,
eu CELEBRO as pequenas vitórias. Não me detenho nos detalhes do processo. Sou
esposa e mãe, e clamei muito a Deus para que nos ajudasse, para que ele pudesse
ir para casa e receber o cuidado necessário. O amanhã pertence a Deus. A
justiça e o juízo estão nas mãos Dele", afirmou.
"Seguirei
cuidando do meu marido, como sempre fiz, com amor, resiliência, dedicação e fé.
Antes de qualquer reação, lembremos: quem está longe de casa, longe da filha
menor de idade e distante do próprio lar é ele", concluiu.
Entre
aliados políticos, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou a
decisão como "um respiro para a liberdade" de Bolsonaro, enquanto o
governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que estava
feliz em saber que o ex-presidente "poderia continuar os cuidados ao lado
da família".
"Nada
é mais justo do que garantir que ele tenha assegurado o direito a um tratamento
humano em um ambiente adequado à sua recuperação. Seguimos em oração pela sua
saúde e confiantes de que dias melhores virão", declarou Tarcísio no X.
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Pressão por anistia
Apesar
do tom de celebração, aliados do ex-presidente reforçaram que consideram a
decisão apenas um passo inicial e que vão em busca de anistia.
A
senadora Damares Alves (PL-DF) disse que a possibilidade de Bolsonaro ir para
casa "é animadora", mas que ele "sequer deveria estar
preso".
"Esse
é só o primeiro passo. Queremos anistia ampla, geral e irrestrita",
escreveu em uma publicação no Instagram.
Na
mesma linha, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, criticou a decisão e
disse que a medida não representa liberdade.
"Prisão
domiciliar não é liberdade. Libertem Bolsonaro", afirmou.
Mais
cedo, o deputado havia publicado um vídeo nas redes sociais cobrando que o
ministro Alexandre de Moraes acatasse o parecer da PGR e condesse prisão
domiciliar a Bolsonaro, devido ao seu estado de saúde.
No
vídeo, Sóstenes Cavalcante também afirmava que Bolsonaro não deveria ter sido
condenado, "porque não cometeu crime".
"Mas
esse é um trabalho da anistia que ainda vamos fazer, e provar para o Brasil e
para o mundo que o presidente Bolsonaro e nem ninguém nunca tentou nenhum golpe
no Brasil", afirmou.
Outros
parlamentares também questionaram a prisão.
O
deputado Mario Frias (PL-RJ) afirmou que "isso sequer deveria estar
acontecendo" e que Bolsonaro é inocente.
Já a
deputada Bia Kicis (PL-DF) disse que, apesar de considerar a decisão uma
vitória, a mobilização continuará.
"Temos
que celebrar porque o risco era muito alto de ele voltar para a Papudinha. Mas
não vai parar por aí. Nós queremos que ele seja libertado. Queremos justiça
para Bolsonaro e para todos os presos de 8 de janeiro", afirmou em um
vídeo publicado nas redes sociais.
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O que diz a decisão de Moraes
Na
decisão, o ministro Alexandre de Moraes afirma que Bolsonaro vem recebendo
atendimento médico adequado na Papudinha, destacando a celeridade com que o
ex-presidente foi levado ao hospital DF Star no dia 13 de março.
Por
isso, na visão dele, a prisão domiciliar não significaria um atendimento
melhor.
"A
intercorrência médica ("pneumonia bacteriana secundária a episódio de
broncoaspiração pulmonar") ocorreria independentemente do local de
custódia (estabelecimento penitenciário/residência) e, dificilmente, o
atendimento e remoção do custodiado seria mais célere e eficiente se estivesse
em prisão domiciliar", escreveu, em outro trecho.
Apesar
disso, ao conceder a prisão domiciliar temporária, o ministro ponderou que a
literatura médica prevê um prazo de 45 a 90 dias para integral recuperação da
doença.
"A
atual situação clínica do custodiado Jair Messias Bolsonaro, 71 (setenta e um)
anos de idade, acrescida de seu histórico médico e a presença de comorbidades,
igualmente constatadas no relatório médico juntado aos autos, indica que, no
presente momento e durante o prazo necessário para sua integral recuperação da
broncopneumonia, o ambiente domiciliar é o mais indicado para preservação de
sua saúde", diz a decisão.
Além de
determinar que seja realizada nova avaliação da saúde de Bolsonaro após o
período de 90 dias, para decidir se ele pode retornar ao presídio, Moraes
estabeleceu ainda uma série de regras e restrições para a prisão domiciliar.
Entre
elas, proibiu "quaisquer acampamentos, manifestações ou aglomerações de
indivíduos em um raio de um quilometro" do endereço residencial de
Bolsonaro.
Em
novembro, a realização de uma vígilia convocada pelo senador Flávio Bolsonaro
(PL-Republicanos) em apoio ao pai foi um dos motivos para a revogação da prisão
domiciliar, após avaliação de que esse ato facilitaria uma eventual tentativa
de fuga.
Além
disso, Bolsonaro tentou, naquela ocasião, retirar sua tornozeleira eletrônica
com uma solda, o que também motivou sua transferência para a prisão.
Moraes
determinou agora que o ex-presidente volte a usar a tornozeleira eletrônica,
enquanto estiver preso em casa.
Ele
também proibiu o "uso de celular, telefone ou qualquer outro meio de
comunicação externa, diretamente ou por intermédio de terceiros".
"Nas
hipóteses autorizadas de visitas, deverá ser realizada vistoria prévia, sendo
que celulares ou quaisquer outros aparelhos eletrônicos deverão ficar em
depósito com os agentes policiais que estiverem realizando a segurança",
decidiu também.
Enquanto
estiver em casa, Bolsonaro poderá receber visitas dos filhos e de advogados,
por períodos limitados, nos mesmos horários que estava autorizado na Papudinha.
Também
poderá receber visitas médicas e de outros profissionais de saúde, mantendo as
sessões de fisioterapia.
Moraes
determinou, porém, que todos os veículos sejam vistoriados ao deixarem a
residência.
O
ministro também suspendeu todas as visitas que estavam autorizadas antes da
internação, já que Bolsonaro estará em casa em recuperação.
A
decisão ainda vai ser submetida à Primeira Turma do STF, formado também pelos
ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. Caberá a eles decidir se
a prisão domiciliar será mantida ou revogada.
Fonte:
BBC News Brasil

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