segunda-feira, 27 de julho de 2026

O que faz diferença no jantar de quem tem diabetes? Nutricionista explica

Depois de um dia de trabalho, muitas pessoas recorrem a uma sopa, um prato de macarrão ou um lanche rápido para o jantar. Para quem convive com diabetes, essa escolha pode influenciar o controle da glicemia, mas não apenas pelo alimento servido.

Segundo a nutricionista e educadora em diabetes Tarcila Campos, membro do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o erro mais comum está na composição da refeição e na quantidade de carboidratos consumidos de uma só vez.

A especialista explica que não existe um alimento proibido para o jantar. O que faz diferença é como os alimentos são combinados e se a refeição atende às necessidades de cada pessoa.

<><> O problema nem sempre está no alimento

De acordo com Tarcila, muitas pessoas recebem o diagnóstico de diabetes tipo 2 acreditando que precisarão abandonar alimentos que fazem parte da rotina. No entanto, ela afirma que essa não costuma ser a melhor estratégia.

Segundo a nutricionista, retirar completamente arroz, macarrão, batata ou pão não resolve o problema se a alimentação continuar desorganizada. O foco deve ser o equilíbrio entre carboidratos, proteínas e vegetais, além do controle das porções.

Ela explica que o diabetes tipo 2 está relacionado à resistência à insulina. Por isso, consumir grandes quantidades de carboidratos em uma única refeição pode dificultar ainda mais o controle da glicose.

<><> Sopas podem aumentar a glicemia em algumas pessoas

Entre os alimentos mais consumidos à noite, a sopa costuma ser vista como uma opção leve. No entanto, Tarcila alerta que algumas preparações podem provocar um aumento mais rápido da glicose no jantar.

Segundo ela, refeições líquidas tendem a ser absorvidas mais rapidamente pelo organismo do que refeições sólidas, mesmo quando possuem ingredientes semelhantes.

Uma sopa preparada apenas com mandioquinha, por exemplo, concentra carboidratos e pode elevar a glicemia com mais facilidade. Além disso, muitas pessoas acabam repetindo o prato, aumentando ainda mais a quantidade consumida.

A nutricionista orienta que a sopa contenha todos os grupos alimentares, incluindo legumes, uma fonte de proteína, como carne desfiada ou ovos, e uma porção adequada de carboidratos. Outra estratégia é consumir uma salada antes da sopa para aumentar a ingestão de fibras.

<><> Quantidade faz diferença no diabetes tipo 2

Segundo Tarcila, no diabetes tipo 2, a quantidade no jantar costuma ser um fator mais importante do que muitas pessoas imaginam.

Ela explica que a resistência à insulina reduz a capacidade do organismo de utilizar grandes quantidades de carboidratos ao mesmo tempo. Por isso, distribuir melhor esse nutriente ao longo do dia pode facilitar o controle da glicemia.

A especialista compara esse processo a uma porta parcialmente fechada. Se muitas pessoas tentam passar ao mesmo tempo, parte delas fica do lado de fora. Da mesma forma, quando há excesso de carboidrato em uma refeição, o organismo pode ter mais dificuldade para utilizá-lo.

Nesse contexto, reduzir as porções não significa eliminar alimentos tradicionais da alimentação brasileira. Arroz, batata, mandioca, macarrão e cuscuz podem fazer parte do jantar quando aparecem em quantidades adequadas e acompanhados de proteínas e vegetais.

<><> Como montar um jantar para quem tem diabetes

Segundo a nutricionista, uma estratégia simples é dividir o prato em três partes.

Metade deve ser composta por verduras e legumes. Um quarto pode conter uma fonte de carboidrato, como arroz, batata, mandioca ou macarrão. O outro quarto deve incluir uma proteína, como frango, carne, peixe ou ovos.

Ela destaca que essa organização também pode ser aplicada em outras refeições do dia e ajuda a reduzir a velocidade de absorção dos carboidratos.

<><> Monitorar a glicose ajuda a entender a resposta do organismo

Tarcila afirma que cada organismo responde de forma diferente aos alimentos. Enquanto uma refeição pode funcionar bem para uma pessoa, outra pode apresentar aumento maior da glicemia.

Por esse motivo, ela considera que a monitorização da glicose pode contribuir para personalizar a alimentação. Quem utiliza glicosímetro ou sensor consegue observar como determinadas refeições influenciam os níveis de glicose e, junto com a equipe de saúde, fazer ajustes quando necessário.

Segundo a nutricionista, esse acompanhamento permite adaptar o planejamento alimentar sem excluir alimentos que fazem parte da rotina da pessoa.

•        O horário para comer pizza pode fazer diferença na glicose

Sexta ou sábado à noite, a pizza costuma ser presença certa na mesa de muita gente. Para quem convive com diabetes, essa escolha costuma vir acompanhada de dúvida. Afinal, dá para comer pizza sem descontrolar a glicose? Sim, mas com alguns cuidados. Nesse contexto, o Portal Um Diabético ouviu a nutricionista Carol Netto para entender como aproveitar o prato com mais segurança.

<><> O que influencia a glicose depois da pizza

A pizza reúne carboidratos refinados, gordura e sódio em uma mesma refeição. Essa combinação pode atrasar o esvaziamento gástrico e provocar elevações tardias da glicose, especialmente entre três e seis horas após o consumo.

Além disso, refeições noturnas tendem a gerar maior impacto glicêmico, já que a sensibilidade à insulina costuma ser menor à noite, segundo a American Diabetes Association (ADA). Uma fatia média de pizza de muçarela tem, em média, 28 g de carboidratos e 13 g de gordura, o que reforça a importância da porção.

<><> Por que comer mais cedo faz diferença

Segundo Carol Netto, “o ideal é comer mais cedo, porque assim dá para monitorar a glicemia nas horas seguintes e fazer correções, se precisar”. Como a pizza costuma elevar a glicose de duas a quatro horas depois, comer à noite dificulta esse acompanhamento. A orientação também é comer pizzas sem borda recheada, já que elas têm menos carboidrato e ajudam a segurar a subida da glicose.

<><> Sabores com menor impacto glicêmico

Nem todo sabor de pizza tem o mesmo efeito na glicemia. A pizza de vegetais costuma ser a mais segura, já que ingredientes como abobrinha, berinjela, tomate e cogumelos aumentam o teor de fibras e ajudam a desacelerar a absorção do carboidrato da massa. A pizza de frango com legumes também é uma boa pedida, principalmente sem molhos cremosos. A proteína contribui para maior saciedade e menor elevação rápida da glicose.

A pizza de atum ou sardinha traz gorduras insaturadas, que favorecem o controle glicêmico e cardiovascular, segundo a International Diabetes Federation (IDF), embora exijam atenção ao sódio. Já a margherita simples, com molho de tomate, muçarela e manjericão, tende a ter menos ingredientes ultraprocessados, desde que a quantidade de queijo não seja exagerada.

<><>Quantidade, horário e tratamento importam junto com o sabor

Independentemente do sabor, a quantidade consumida é decisiva. Comer pizza em excesso costuma gerar hiperglicemia tardia, mesmo quando a glicose inicial parece controlada. Por isso, uma ou duas fatias tendem a ser um limite mais seguro para a maioria das pessoas com diabetes.

O tratamento também entra na conta. Pessoas com diabetes tipo 1 podem precisar dividir a dose de insulina rápida, enquanto quem tem diabetes tipo 2 deve observar o efeito combinado da pizza com os medicamentos. Uma caminhada leve depois da refeição pode ajudar a reduzir picos glicêmicos. Segundo a Diabetes UK, refeições ocasionais podem fazer parte da alimentação de quem tem diabetes, desde que inseridas em um contexto equilibrado.

<><> 5 dicas para comer pizza com mais segurança quando se tem diabetes

Para quem deseja aproveitar uma pizza sem abrir mão do controle da glicose, alguns cuidados podem fazer diferença. A nutricionista Carol Netto reforça que não existe um alimento proibido, mas sim escolhas mais conscientes dentro de um plano alimentar individualizado. Veja cinco orientações que podem ajudar:

1.       Prefira comer mais cedo, para que seja possível acompanhar a glicemia nas horas seguintes e corrigir alterações, se necessário.

2.       Controle a quantidade, dando preferência a uma ou duas fatias, conforme a orientação do profissional que acompanha o seu tratamento.

3.       Escolha sabores com vegetais ou proteínas magras, como frango com legumes, atum ou margherita, e evite bordas recheadas e excesso de queijos e molhos cremosos.

4.       Monitore a glicemia após a refeição, já que a pizza pode provocar aumento tardio da glicose, principalmente entre duas e seis horas depois de ser consumida.

5.       Se não houver contraindicação médica, faça uma caminhada leve após comer, pois a atividade física pode contribuir para reduzir os picos glicêmicos e melhorar o aproveitamento da glicose pelo organismo.

 

Fonte: Um Diabético

 

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