segunda-feira, 27 de julho de 2026

Convenção de Flávio Bolsonaro teve bandeira dos EUA e tótens de Michelle

O Partido Liberal (PL) oficializou neste sábado (25), a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República durante convenção nacional realizada no Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu, em São Paulo. O evento é marcado pela utilização de símbolos ligados aos Estados Unidos, pela presença de lideranças políticas nacionais e internacionais e por uma estratégia para manter a imagem da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em evidência, apesar de sua ausência.

Embora não tenha participado presencialmente, Michelle Bolsonaro está representada por totens em tamanho real espalhados pelo local. Os painéis permitiram que apoiadores registrassem fotografias ao lado da ex-primeira-dama e foram instalados poucos dias após ela e Flávio anunciarem publicamente uma trégua nas redes sociais. A iniciativa é uma tentativa insólita do partido de reforçar a presença de Michelle na campanha e ampliar o diálogo com o eleitorado feminino e evangélico.

<><> Bandeiras dos EUA

Outro aspecto que chamou atenção foi a presença de referências aos Estados Unidos durante a convenção. Além das tradicionais bandeiras do Brasil, apoiadores exibiam bandeiras norte-americanas e um participante circulou pelo evento caracterizado como uma versão brasileira do personagem “Tio Sam”. A ambientação refletiu a aproximação política recente de Flávio Bolsonaro com o governo do presidente norte-americano Donald Trump.

A convenção também reuniu aliados políticos. Entre os convidados está prevista a presenã do presidente da Argentina, Javier Milei, que viajou a São Paulo para declarar apoio ao senador. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também participa do ato.

<><> Isolamento

O lançamento ocorre em meio a um cenário de profundo isolamento político, marcado pelo racha com o Centrão, pela ausência de um candidato a vice-presidente e pelo avanço de frentes de investigação da Polícia Federal (PF) autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

<><> O desembarque do Centrão e as falhas de articulação

A solidão do PL nas urnas reflete o desembarque em massa de antigos aliados. Siglas de peso do Centrão que sustentaram a base bolsonarista em 2022 decidiram adotar a neutralidade formal no primeiro turno. É o caso da federação formada por Progressistas (PP) — liderado por Ciro Nogueira — e União Brasil. Outras legendas importantes, como o Republicanos e o Podemos, seguem a mesma diretriz de distanciamento.

Nos bastidores, parlamentares e caciques políticos rotulam a condução da pré-campanha liderada por Flávio Bolsonaro e pelo senador Rogério Marinho como uma “tragédia política”. Integrantes do Centrão apontam que Flávio falhou em demonstrar solidariedade pública quando líderes dessas legendas foram alvo de operações policiais recentes. A insistência do clã em centralizar o poder e os recursos do fundo eleitoral minou a construção de pontes em palanques estaduais estratégicos, privando o candidato de valiosos minutos de propaganda em rádio e TV.

<><<> Cerco judicial

A largada da candidatura ocorre sob a sombra de investigações criminais. A Polícia Federal apura o vazamento de mensagens eletrônicas que indicam que Flávio Bolsonaro teria solicitado um repasse financeiro de aproximadamente R$ 134 milhões (cerca de US$ 24 milhões) ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os recursos teriam como destino o financiamento do documentário Dark Horse, focado na trajetória de Jair Bolsonaro. O senador rechaça as suspeitas, alegando que se tratou de uma busca regular por patrocínio lícito.

Em outra frente, investigadores mapeiam pagamentos de até R$ 500 mil efetuados à banca de advocacia do senador por empresas suspeitas de emitir notas fiscais falsas.

<><> Urnas eletrônicas novamente

A crise jurídica ganhou novos contornos após o próprio candidato reeditar a estratégia que levou à inelegibilidade de seu pai. Em um encontro recente com diplomatas estrangeiros, Flávio atacou o sistema eleitoral brasileiro sem apresentar provas, associando as urnas eletrônicas à empresa venezuelana Smartmatic. O episódio gerou duras reações de ministros do STF e de opositores, que enxergaram no ato uma afronta direta às instituições e um complicador jurídico precoce para a sua campanha.

•        Flávio Bolsonaro recebe apoio do genocida Netanyahu

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teve sua candidatura à Presidência da República oficializada pelo PL neste sábado (25), em evento realizado em São Paulo, recebendo o apoio explícito do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, denunciado internacionalmente e classificado como genocida pelo massacre e pela morte de dezenas de milhares de palestinos na Faixa de Gaza.

Em um vídeo exibido durante o encontro da legenda, o líder israelense — cuja conduta militar em Gaza tem sido alvo de condenação global e investigações por crimes de guerra devido ao extermínio sistemático da população civil palestina — rasgou elogios ao parlamentar brasileiro. “Flávio, meu amigo, quero te parabenizar pelo lançamento oficial da sua campanha. Você é um grande campeão do Brasil. Você é um grande campeão da amizade entre nossos povos. E eu sei que você vai levar o Brasil a voos cada vez mais altos. Parabéns”, declarou Netanyahu na gravação enviada ao ato político.

O apoio do premiê genocida integrou a programação da convenção do PL voltada a projetar alianças internacionais e reforçar o alinhamento da extrema direita brasileira com figuras da direita radical global. Em seu primeiro discurso como candidato oficial ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro buscou dar tom bélico à sua postulação.

Durante a fala, o senador desferiu ataques diretos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Mantendo a retórica agressiva característica do grupo político, Flávio afirmou que o Brasil teria sido “sequestrado” e prometeu aos apoiadores “libertar o país desse cativeiro”.

A convenção em São Paulo reuniu familiares, aliados políticos e proeminentes lideranças da extrema direita. Para compensar a ausência física de Jair Bolsonaro, a organização do evento recorreu ao uso de inteligência artificial para simular um pronunciamento do ex-presidente . O ato contou ainda com uma manifestação de apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e com um discurso do presidente da Argentina, Javier Milei, consolidando a plataforma bolsonarista para o pleito presidencial.

•        Em vídeo na convenção do PL, Michelle exalta apoio feminino e faz menção única a Flávio

Em vídeo exibido durante a convenção nacional realizada pelo PL para oficializar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro exaltou o papel do eleitorado feminino na disputa eleitoral, fez uma única menção direta ao enteado e justificou sua ausência presencial no evento para prestar assistência a Jair Bolsonaro (PL).

No registro audiovisual transmitido ao público presente no ato político promovido na manhã deste sábado, a ex-presidente do PL Mulher direcionou sua fala central à mobilização das militantes e filiadas da agremiação, destacando o peso das eleitoras no resultado final do pleito. “Essas eleições serão decididas por vocês [mulheres]”, declarou a ex-primeira-dama. “São vocês que podem conquistar cada voto”, acrescentou, aproveitando o espaço para registrar agradecimentos às integrantes da legenda e ao presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto.

A menção ao postulante do PL ao Palácio do Planalto ocorreu de forma pontual no decorrer da gravação. “Flávio, que Deus abençoe e proteja a sua candidatura, que ele te dê sabedoria, coragem e força a você e a sua família para cumprir essa missão com a lealdade que o nosso povo merece”, disse Michelle ao abençoar a empreitada eleitoral do senador.

Ao longo da mensagem, Michelle também relembrou a convenção de 2022, ocasião em que foi oficializada a candidatura de Jair Bolsonaro à reeleição, para traçar um comparativo com a conjuntura atual. Ao abordar a não participação presencial de ambos no evento deste ano, ressaltou que o ex-presidente não pôde estar presente e que ela permaneceu em Brasília para acompanhá-lo. “Já vencemos algumas batalhas e também enfrentamos derrotas, mas não recuaremos porque Deus está conosco”, afirmou.

•        Flávio deve ter concluído: uma inimiga, melhor ter por perto…e a força de Michelle no tabuleiro da extrema-direita. Por Denise Assis

Tudo milimetricamente calculado. Nenhum minuto a mais que parecesse ressentimento incubado. Nenhum dar de ombros a menos que se assemelhasse à capitulação.

Michelle Bolsonaro aprendeu nas adversidades do amadurecimento numa família disfuncional a calcular, a dar o pulo na hora em que precisava se desviar de um novo golpe. E não necessariamente para o bem. Basta olhar as suas atitudes para entender que se trata de alguém disposta a tudo para não perder o espaço conquistado.

E tanto é assim que jogou até o último minuto com os nervos de Flávio Bolsonaro, o “escolhido”, o candidato da ultradireita. Ele, de olho no abismo que se abria aos seus pés – o de chegar à convenção para referendar o seu nome sem o respaldo da madrasta, muito pelo contrário, contando com o seu “largar de mão” –, deve ter lutado internamente entre o machismo de ter que pedir desculpas e o perigo de vê-la por aí, com a língua solta, a contar em capítulos as suas tramoias. (Sim, porque ela é, como se costumava dizer antigamente, “testemunha de vista” de tudo quanto se passou naquela família. Da conspiração do golpe aos descaminhos dos dinheiros).

Até aqui, parecia mesmo que a caprichosa Michelle se divertia vendo o suor frio brotar da testa do enteado, com uma investigação nos calcanhares, aberta por um aliado de peso – o ministro André Mendonça, por quem ela chegou a dar pulinhos. Mendonça quer saber que rumo seguiu o dinheiro de “Dark Horse”. Ela certamente conhece o tamanho do butim e se foi ou não dividido de forma “justa”.

O marido, aquele que continua atendendo telefonemas e dando as coordenadas para o reduto, deve ter-lhe chamado à razão. “Se ganharmos, ganhamos todos. E se perdermos, você também estará lascada”, imagina-se ter dito Jair, ao pé do seu ouvido ornado com brinquinho mimoso.

Antes, cheia de si, confiante no espaço que mordiscou enquanto governo e Centrão tentavam sanar a guerra do orçamento, entre Dino e deputados, a sanha dos juros altos e o pavimentar de uma campanha que promete panos para a manga, batia no chão o scarpin se recusando ao diálogo, confiando que Flávio sucumbiria antes de chegar à convenção, onde ela surgiria, quem sabe, como o nome da hora. Ao ver, porém, que nem a torcida e a implicância de Merval Pereira conseguiram esse feito, ajeitou-se e cedeu. Tacitamente, é bom que se diga. Até a próxima rusga, dirão os mais argutos.

Michelle vestiu azul, encarou um novo vídeo e espera a sorte mudar. Ou vira vice, ou traz o candidato pelo cabresto, controlando o seu PL Mulher, que acabou de reassumir, com a certeza de que as mulheres são 53% da população. Tal como He-Man, ela tem a força.

“A princesa tem votos”, sentenciou o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, para ninguém menos que a primeira-dama do PL, a Dona Dana. Restou a ela engolir em seco e assentir. Como se comportou bem e apenas resfolegou com o marido, mereceu um cumprimento público da czarina Michelle.

De volta à cena, triunfante, ela agora fará a correligionária. Verifiquem às suas costas se Michelle tem os dedinhos cruzados, torcendo para a próxima derrapada. Aposto que sim.

•        Flávio Bolsonaro poderia ser trocado por qualquer outro, esclarece Datafolha. Por Moisés Mendes

Uma pergunta que poderia ser feita ao estagiário do Datafolha metido a intérprete de pesquisas: por que Caiado aparece razoavelmente bem em simulações de segundo turno, se não para de bater nos filhos de Bolsonaro?

Caiado critica Flávio e Eduardo por terem fomentado as tarifas de Trump contra o Brasil. Disse que Flávio deveria ter chamado os embaixadores para promover o país, e não para atacar as urnas. E definiu Eduardo como o Pateta da família.

Como, apesar dos ataques que poderiam deixá-lo mal com o bolsonarismo, Caiado aparece com 40% de intenções de voto num segundo turno contra Lula? Se colocassem Zema no lugar de Flávio, o mineiro distraído teria os mesmos 40%.

O estagiário pediria que prestassem atenção a detalhes aparentemente subalternos da pesquisa. Caiado, que ataca os Bolsonaros, e Zema, que parece ainda meio perdido sobre o papel a cumprir, teriam só três pontos abaixo da pontuação de Flávio.

É um cenário que já aparecia antes e se reafirmou na pesquisa Quaest de 16 de julho. Flávio já não consegue se diferenciar muito dos outros dois, quando eles são os que enfrentam Lula. Há ainda um detalhe que só parece mais enganar do que esclarecer sobre o primeiro turno.

No primeiro turno, Lula tem 40%, Flávio tem 32%, Caiado vem com 4%, Zema com 3% e Renan Santos (Missão) com os mesmos 3%. Perguntariam ao estagiário: como Caiado e Zema têm índices tão baixos no primeiro turno e conseguem boas performances no segundo?

Porque, diria o amigo do estagiário que estava ao lado só ouvindo, o voto anti-Lula se concentra em Flávio, mesmo que já sem a mesma força da arrancada da pré-campanha. O voto para derrotar Lula não se dispersa no primeiro turno, porque ele, Flávio, tem prioridade na luta da direita.

Os outros são os outros. Mas num segundo turno sem Flávio o esforço para derrotar Lula seria dirigido quase na totalidade a Caiado ou Zema. E também seria absorvido em boa parte por Renan Santos, se ele aparecesse na pesquisa do Datafolha.

Santos já apareceu em levantamentos de outros institutos com pontuação de 33% a 35%. Na Quaest de junho, o candidato do MBL tem 33%, e Lula aparece com os mesmos 45% do Datafolha. Se colocarem Damares Alves ou Zé Trovão, é possível que as diferenças não sejam tão grandes.

O estagiário poderá oferecer várias explicações, com a arrogância do aprendiz esperto, mas esta aqui seria a principal: com o rebaixamento da sua candidatura, pela sequência de crises, Flávio não tem a hegemonia eleitoral absoluta e intransferível do antilulismo.

Caiado pode bater em Lula. Zema pode ser algo gasoso solto no ar e Renan Santos é um desconhecido para a grande maioria. Mas nada disso importa. O antilulismo releva tudo – inclusive ignorâncias sobre o que os candidatos de fato são e propõem fazer – para juntar forças contra Lula.

São forças fragilizadas pelos episódios que enfraqueceram lideranças da direita, e não só do bolsonarismo, mas que continuam dispostas a manter a base criada em torno de Bolsonaro em 2018. O resto ainda está disperso entre o que chamam de eleitor independente ou de centro.

O estagiário destacaria outro dado. A rejeição à candidatura de Flávio chega a 48%. Lula é rejeitado por 46%. Mas Zema tem rejeição de apenas 13%, e Caiado e Santos, de 12%. Significa, na avaliação isolada, a combinação clássica de desconhecimento e indiferença, porque no meio dos cachorros grandes eles seriam quase nada. Mas é com eles que a direita pode ir à luta sem Flávio.

O resumo do resumo é este: o cerne da direita, que ainda se mantém em torno de Flávio, pode ser preservado em torno de Caiado ou de Zema num segundo turno, considerando sempre que é a partir daí que o resto se agrega, como se deu em 2018 e quase se repetiu em 2022.

O estagiário diria: Flávio, Caiado, Zema, Santos ou Michelle podem fazer o que Flávio vem fazendo. Quer dizer que podem vencer Lula? Não. Significa que, pela configuração do antilulismo no momento, todos podem perder como se fossem quase iguais e tivessem as mesmas forças.

 

Fonte: Brasil 247

 

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