Convenção
de Flávio Bolsonaro teve bandeira dos EUA e tótens de Michelle
O
Partido Liberal (PL) oficializou neste sábado (25), a candidatura do senador
Flávio Bolsonaro à Presidência da República durante convenção nacional
realizada no Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu, em São Paulo. O evento é
marcado pela utilização de símbolos ligados aos Estados Unidos, pela presença
de lideranças políticas nacionais e internacionais e por uma estratégia para
manter a imagem da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em evidência, apesar de
sua ausência.
Embora
não tenha participado presencialmente, Michelle Bolsonaro está representada por
totens em tamanho real espalhados pelo local. Os painéis permitiram que
apoiadores registrassem fotografias ao lado da ex-primeira-dama e foram
instalados poucos dias após ela e Flávio anunciarem publicamente uma trégua nas
redes sociais. A iniciativa é uma tentativa insólita do partido de reforçar a
presença de Michelle na campanha e ampliar o diálogo com o eleitorado feminino
e evangélico.
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Bandeiras dos EUA
Outro
aspecto que chamou atenção foi a presença de referências aos Estados Unidos
durante a convenção. Além das tradicionais bandeiras do Brasil, apoiadores
exibiam bandeiras norte-americanas e um participante circulou pelo evento
caracterizado como uma versão brasileira do personagem “Tio Sam”. A ambientação
refletiu a aproximação política recente de Flávio Bolsonaro com o governo do
presidente norte-americano Donald Trump.
A
convenção também reuniu aliados políticos. Entre os convidados está prevista a
presenã do presidente da Argentina, Javier Milei, que viajou a São Paulo para
declarar apoio ao senador. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas
(Republicanos), também participa do ato.
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Isolamento
O
lançamento ocorre em meio a um cenário de profundo isolamento político, marcado
pelo racha com o Centrão, pela ausência de um candidato a vice-presidente e
pelo avanço de frentes de investigação da Polícia Federal (PF) autorizadas pelo
Supremo Tribunal Federal (STF).
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O desembarque do Centrão e as falhas de articulação
A
solidão do PL nas urnas reflete o desembarque em massa de antigos aliados.
Siglas de peso do Centrão que sustentaram a base bolsonarista em 2022 decidiram
adotar a neutralidade formal no primeiro turno. É o caso da federação formada
por Progressistas (PP) — liderado por Ciro Nogueira — e União Brasil. Outras
legendas importantes, como o Republicanos e o Podemos, seguem a mesma diretriz
de distanciamento.
Nos
bastidores, parlamentares e caciques políticos rotulam a condução da
pré-campanha liderada por Flávio Bolsonaro e pelo senador Rogério Marinho como
uma “tragédia política”. Integrantes do Centrão apontam que Flávio falhou em
demonstrar solidariedade pública quando líderes dessas legendas foram alvo de
operações policiais recentes. A insistência do clã em centralizar o poder e os
recursos do fundo eleitoral minou a construção de pontes em palanques estaduais
estratégicos, privando o candidato de valiosos minutos de propaganda em rádio e
TV.
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Cerco judicial
A
largada da candidatura ocorre sob a sombra de investigações criminais. A
Polícia Federal apura o vazamento de mensagens eletrônicas que indicam que
Flávio Bolsonaro teria solicitado um repasse financeiro de aproximadamente R$
134 milhões (cerca de US$ 24 milhões) ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os
recursos teriam como destino o financiamento do documentário Dark Horse, focado
na trajetória de Jair Bolsonaro. O senador rechaça as suspeitas, alegando que
se tratou de uma busca regular por patrocínio lícito.
Em
outra frente, investigadores mapeiam pagamentos de até R$ 500 mil efetuados à
banca de advocacia do senador por empresas suspeitas de emitir notas fiscais
falsas.
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Urnas eletrônicas novamente
A crise
jurídica ganhou novos contornos após o próprio candidato reeditar a estratégia
que levou à inelegibilidade de seu pai. Em um encontro recente com diplomatas
estrangeiros, Flávio atacou o sistema eleitoral brasileiro sem apresentar
provas, associando as urnas eletrônicas à empresa venezuelana Smartmatic. O
episódio gerou duras reações de ministros do STF e de opositores, que
enxergaram no ato uma afronta direta às instituições e um complicador jurídico
precoce para a sua campanha.
• Flávio Bolsonaro recebe apoio do
genocida Netanyahu
O
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teve sua candidatura à Presidência da
República oficializada pelo PL neste sábado (25), em evento realizado em São
Paulo, recebendo o apoio explícito do primeiro-ministro de Israel, Benjamin
Netanyahu, denunciado internacionalmente e classificado como genocida pelo
massacre e pela morte de dezenas de milhares de palestinos na Faixa de Gaza.
Em um
vídeo exibido durante o encontro da legenda, o líder israelense — cuja conduta
militar em Gaza tem sido alvo de condenação global e investigações por crimes
de guerra devido ao extermínio sistemático da população civil palestina —
rasgou elogios ao parlamentar brasileiro. “Flávio, meu amigo, quero te
parabenizar pelo lançamento oficial da sua campanha. Você é um grande campeão
do Brasil. Você é um grande campeão da amizade entre nossos povos. E eu sei que
você vai levar o Brasil a voos cada vez mais altos. Parabéns”, declarou
Netanyahu na gravação enviada ao ato político.
O apoio
do premiê genocida integrou a programação da convenção do PL voltada a projetar
alianças internacionais e reforçar o alinhamento da extrema direita brasileira
com figuras da direita radical global. Em seu primeiro discurso como candidato
oficial ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro buscou dar tom bélico à sua
postulação.
Durante
a fala, o senador desferiu ataques diretos ao presidente Luiz Inácio Lula da
Silva (PT) e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Mantendo a retórica agressiva
característica do grupo político, Flávio afirmou que o Brasil teria sido
“sequestrado” e prometeu aos apoiadores “libertar o país desse cativeiro”.
A
convenção em São Paulo reuniu familiares, aliados políticos e proeminentes
lideranças da extrema direita. Para compensar a ausência física de Jair
Bolsonaro, a organização do evento recorreu ao uso de inteligência artificial
para simular um pronunciamento do ex-presidente . O ato contou ainda com uma
manifestação de apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e com um discurso
do presidente da Argentina, Javier Milei, consolidando a plataforma
bolsonarista para o pleito presidencial.
• Em vídeo na convenção do PL, Michelle
exalta apoio feminino e faz menção única a Flávio
Em
vídeo exibido durante a convenção nacional realizada pelo PL para oficializar a
candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, a
ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro exaltou o papel do eleitorado feminino na
disputa eleitoral, fez uma única menção direta ao enteado e justificou sua
ausência presencial no evento para prestar assistência a Jair Bolsonaro (PL).
No
registro audiovisual transmitido ao público presente no ato político promovido
na manhã deste sábado, a ex-presidente do PL Mulher direcionou sua fala central
à mobilização das militantes e filiadas da agremiação, destacando o peso das
eleitoras no resultado final do pleito. “Essas eleições serão decididas por
vocês [mulheres]”, declarou a ex-primeira-dama. “São vocês que podem conquistar
cada voto”, acrescentou, aproveitando o espaço para registrar agradecimentos às
integrantes da legenda e ao presidente nacional do partido, Valdemar Costa
Neto.
A
menção ao postulante do PL ao Palácio do Planalto ocorreu de forma pontual no
decorrer da gravação. “Flávio, que Deus abençoe e proteja a sua candidatura,
que ele te dê sabedoria, coragem e força a você e a sua família para cumprir
essa missão com a lealdade que o nosso povo merece”, disse Michelle ao abençoar
a empreitada eleitoral do senador.
Ao
longo da mensagem, Michelle também relembrou a convenção de 2022, ocasião em
que foi oficializada a candidatura de Jair Bolsonaro à reeleição, para traçar
um comparativo com a conjuntura atual. Ao abordar a não participação presencial
de ambos no evento deste ano, ressaltou que o ex-presidente não pôde estar
presente e que ela permaneceu em Brasília para acompanhá-lo. “Já vencemos
algumas batalhas e também enfrentamos derrotas, mas não recuaremos porque Deus
está conosco”, afirmou.
• Flávio deve ter concluído: uma inimiga,
melhor ter por perto…e a força de Michelle no tabuleiro da extrema-direita. Por
Denise Assis
Tudo
milimetricamente calculado. Nenhum minuto a mais que parecesse ressentimento
incubado. Nenhum dar de ombros a menos que se assemelhasse à capitulação.
Michelle
Bolsonaro aprendeu nas adversidades do amadurecimento numa família disfuncional
a calcular, a dar o pulo na hora em que precisava se desviar de um novo golpe.
E não necessariamente para o bem. Basta olhar as suas atitudes para entender
que se trata de alguém disposta a tudo para não perder o espaço conquistado.
E tanto
é assim que jogou até o último minuto com os nervos de Flávio Bolsonaro, o
“escolhido”, o candidato da ultradireita. Ele, de olho no abismo que se abria
aos seus pés – o de chegar à convenção para referendar o seu nome sem o
respaldo da madrasta, muito pelo contrário, contando com o seu “largar de mão”
–, deve ter lutado internamente entre o machismo de ter que pedir desculpas e o
perigo de vê-la por aí, com a língua solta, a contar em capítulos as suas
tramoias. (Sim, porque ela é, como se costumava dizer antigamente, “testemunha
de vista” de tudo quanto se passou naquela família. Da conspiração do golpe aos
descaminhos dos dinheiros).
Até
aqui, parecia mesmo que a caprichosa Michelle se divertia vendo o suor frio
brotar da testa do enteado, com uma investigação nos calcanhares, aberta por um
aliado de peso – o ministro André Mendonça, por quem ela chegou a dar pulinhos.
Mendonça quer saber que rumo seguiu o dinheiro de “Dark Horse”. Ela certamente
conhece o tamanho do butim e se foi ou não dividido de forma “justa”.
O
marido, aquele que continua atendendo telefonemas e dando as coordenadas para o
reduto, deve ter-lhe chamado à razão. “Se ganharmos, ganhamos todos. E se
perdermos, você também estará lascada”, imagina-se ter dito Jair, ao pé do seu
ouvido ornado com brinquinho mimoso.
Antes,
cheia de si, confiante no espaço que mordiscou enquanto governo e Centrão
tentavam sanar a guerra do orçamento, entre Dino e deputados, a sanha dos juros
altos e o pavimentar de uma campanha que promete panos para a manga, batia no
chão o scarpin se recusando ao diálogo, confiando que Flávio sucumbiria antes
de chegar à convenção, onde ela surgiria, quem sabe, como o nome da hora. Ao
ver, porém, que nem a torcida e a implicância de Merval Pereira conseguiram
esse feito, ajeitou-se e cedeu. Tacitamente, é bom que se diga. Até a próxima
rusga, dirão os mais argutos.
Michelle
vestiu azul, encarou um novo vídeo e espera a sorte mudar. Ou vira vice, ou
traz o candidato pelo cabresto, controlando o seu PL Mulher, que acabou de
reassumir, com a certeza de que as mulheres são 53% da população. Tal como
He-Man, ela tem a força.
“A
princesa tem votos”, sentenciou o presidente do partido, Valdemar Costa Neto,
para ninguém menos que a primeira-dama do PL, a Dona Dana. Restou a ela engolir
em seco e assentir. Como se comportou bem e apenas resfolegou com o marido,
mereceu um cumprimento público da czarina Michelle.
De
volta à cena, triunfante, ela agora fará a correligionária. Verifiquem às suas
costas se Michelle tem os dedinhos cruzados, torcendo para a próxima derrapada.
Aposto que sim.
• Flávio Bolsonaro poderia ser trocado por
qualquer outro, esclarece Datafolha. Por Moisés Mendes
Uma
pergunta que poderia ser feita ao estagiário do Datafolha metido a intérprete
de pesquisas: por que Caiado aparece razoavelmente bem em simulações de segundo
turno, se não para de bater nos filhos de Bolsonaro?
Caiado
critica Flávio e Eduardo por terem fomentado as tarifas de Trump contra o
Brasil. Disse que Flávio deveria ter chamado os embaixadores para promover o
país, e não para atacar as urnas. E definiu Eduardo como o Pateta da família.
Como,
apesar dos ataques que poderiam deixá-lo mal com o bolsonarismo, Caiado aparece
com 40% de intenções de voto num segundo turno contra Lula? Se colocassem Zema
no lugar de Flávio, o mineiro distraído teria os mesmos 40%.
O
estagiário pediria que prestassem atenção a detalhes aparentemente subalternos
da pesquisa. Caiado, que ataca os Bolsonaros, e Zema, que parece ainda meio
perdido sobre o papel a cumprir, teriam só três pontos abaixo da pontuação de
Flávio.
É um
cenário que já aparecia antes e se reafirmou na pesquisa Quaest de 16 de julho.
Flávio já não consegue se diferenciar muito dos outros dois, quando eles são os
que enfrentam Lula. Há ainda um detalhe que só parece mais enganar do que
esclarecer sobre o primeiro turno.
No
primeiro turno, Lula tem 40%, Flávio tem 32%, Caiado vem com 4%, Zema com 3% e
Renan Santos (Missão) com os mesmos 3%. Perguntariam ao estagiário: como Caiado
e Zema têm índices tão baixos no primeiro turno e conseguem boas performances
no segundo?
Porque,
diria o amigo do estagiário que estava ao lado só ouvindo, o voto anti-Lula se
concentra em Flávio, mesmo que já sem a mesma força da arrancada da
pré-campanha. O voto para derrotar Lula não se dispersa no primeiro turno,
porque ele, Flávio, tem prioridade na luta da direita.
Os
outros são os outros. Mas num segundo turno sem Flávio o esforço para derrotar
Lula seria dirigido quase na totalidade a Caiado ou Zema. E também seria
absorvido em boa parte por Renan Santos, se ele aparecesse na pesquisa do
Datafolha.
Santos
já apareceu em levantamentos de outros institutos com pontuação de 33% a 35%.
Na Quaest de junho, o candidato do MBL tem 33%, e Lula aparece com os mesmos
45% do Datafolha. Se colocarem Damares Alves ou Zé Trovão, é possível que as
diferenças não sejam tão grandes.
O
estagiário poderá oferecer várias explicações, com a arrogância do aprendiz
esperto, mas esta aqui seria a principal: com o rebaixamento da sua
candidatura, pela sequência de crises, Flávio não tem a hegemonia eleitoral
absoluta e intransferível do antilulismo.
Caiado
pode bater em Lula. Zema pode ser algo gasoso solto no ar e Renan Santos é um
desconhecido para a grande maioria. Mas nada disso importa. O antilulismo
releva tudo – inclusive ignorâncias sobre o que os candidatos de fato são e
propõem fazer – para juntar forças contra Lula.
São
forças fragilizadas pelos episódios que enfraqueceram lideranças da direita, e
não só do bolsonarismo, mas que continuam dispostas a manter a base criada em
torno de Bolsonaro em 2018. O resto ainda está disperso entre o que chamam de
eleitor independente ou de centro.
O
estagiário destacaria outro dado. A rejeição à candidatura de Flávio chega a
48%. Lula é rejeitado por 46%. Mas Zema tem rejeição de apenas 13%, e Caiado e
Santos, de 12%. Significa, na avaliação isolada, a combinação clássica de
desconhecimento e indiferença, porque no meio dos cachorros grandes eles seriam
quase nada. Mas é com eles que a direita pode ir à luta sem Flávio.
O
resumo do resumo é este: o cerne da direita, que ainda se mantém em torno de
Flávio, pode ser preservado em torno de Caiado ou de Zema num segundo turno,
considerando sempre que é a partir daí que o resto se agrega, como se deu em
2018 e quase se repetiu em 2022.
O
estagiário diria: Flávio, Caiado, Zema, Santos ou Michelle podem fazer o que
Flávio vem fazendo. Quer dizer que podem vencer Lula? Não. Significa que, pela
configuração do antilulismo no momento, todos podem perder como se fossem quase
iguais e tivessem as mesmas forças.
Fonte:
Brasil 247

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