sexta-feira, 24 de julho de 2026

Direitos Humanos: Em Gaza… A morte já não é apenas uma coisa só

Diz-se que, na guerra, a morte é um destino que nenhum ser humano pode evitar. Contudo, em Gaza, a morte deixou de ser apenas um destino; tornou-se um sistema completo — um sistema de muitas faces, todas disputando vidas humanas.

Aqueles que não são mortos por um míssil podem sucumbir à fome; os que sobrevivem à fome podem ser vencidos pela sede. Os que escapam do fogo podem acabar soterrados sob os escombros, atingidos por uma bala ou encontrar o fim enquanto buscam um pedaço de pão ou um gole de água.

Em Gaza, as pessoas não morrem apenas uma vez; morrem todos os dias, de inúmeras maneiras.

Essa é a face mais cruel da guerra: quando a morte se torna uma realidade cotidiana e a pergunta diária já não é “Será que viveremos?”, mas sim “Como morreremos?”.

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Há meses, a máquina de guerra israelense continua ceifando vidas de civis em um ritmo implacável. Crianças, mulheres e idosos não são meras estatísticas nos noticiários; são as verdadeiras faces desta tragédia.

Famílias inteiras são apagadas dos registros civis, bairros são reduzidos a escombros e tendas de deslocados tornam-se armadilhas mortais — tudo isso enquanto o mundo testemunha um dos desastres humanitários mais angustiantes dos tempos modernos.

No entanto, a tragédia em Gaza transcendeu os limites dos bombardeios e da destruição. A fome tornou-se uma arma, a sede, um instrumento de desgaste, e o colapso do sistema de saúde, uma sentença de morte para feridos e doentes.

A própria vida tornou-se uma batalha que o povo palestino trava todas as manhãs, sem saber se viverá para ver o anoitecer.

É verdadeiramente espantoso — e talvez vergonhoso — que um ser humano, no século XXI, morra de fome ou de sede em um mundo que possui alimentos, medicamentos e tecnologia suficientes para salvar milhões de vidas. Mais amargo ainda é o fato de isso ocorrer diante dos olhos da comunidade internacional; a justiça vacila, e a tragédia é reduzida a declarações de condenação que não se traduzem em ações capazes de deter a perda de vidas.

Em Gaza, a morte já não é um evento passageiro; tornou-se parte integrante do cotidiano. Ela está presente nas casas, nas ruas, nos hospitais, nas tendas de deslocados e nos portões dos centros de distribuição de ajuda. As pessoas já não têm sequer o direito de escolher a maneira como deixam esta vida.

Talvez a verdade mais dura seja esta: os palestinos em Gaza já não temam a morte em si tanto quanto temem a forma como ela chegará. Alguns morrem queimados vivos; outros, de fome ou de sede; alguns perecem sob os escombros, enquanto outros morrem à espera de medicamentos que nunca chegam ou de um pedaço de pão que já não existe.

A história registra não apenas o número de vítimas, mas também o silêncio de um mundo que tinha o poder de salvá-las. Uma pergunta assombrará por muito tempo a consciência humana: como o mundo chegou ao ponto em que um ser humano em Gaza é privado até mesmo dos direitos mais básicos — o direito à vida e o direito de morrer com dignidade?

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Em Gaza, não se escolhe como morrer. E isso, por si só, é a forma mais cruel de tragédia.

¨      Segurança cultural: a primeira linha de defesa da identidade e da narrativa nacional

Em um mundo que testemunha transformações rápidas e uma revolução digital sem precedentes, as batalhas travadas pelas nações não se limitam mais às fronteiras e à geografia; elas se estendem aos domínios da consciência, da identidade e da cultura palestina.

A guerra moderna tem como alvo tanto as mentes quanto o território, buscando remodelar a memória coletiva, distorcer fatos e corroer o sentimento de pertencimento nacional.

Assim, o conceito de segurança cultural surge como um pilar fundamental da segurança nacional: protege o sistema de valores, a língua, o patrimônio e a memória coletiva, ao mesmo tempo que salvaguarda a identidade nacional contra tentativas de apagamento, falsificação e infiltração.

A segurança cultural não implica isolacionismo nem a rejeição da abertura a outras culturas. Pelo contrário, baseia-se no fortalecimento da confiança na identidade nacional e na capacidade de interagir com diferentes culturas em pé de igualdade e com consciência, distinguindo, ao mesmo tempo, entre elementos que enriquecem a cultura nacional e aqueles que visam desmantelá-la ou enfraquecê-la.

Culturas vibrantes são aquelas que evoluem e se renovam sem perder suas raízes nem abandonar seus princípios fundamentais.

Hoje, as nações enfrentam desafios culturais crescentes, que vão desde a disseminação da desinformação e do discurso de ódio até tentativas de falsificar a história e apagar a identidade nacional.

Para o povo palestino, a segurança cultural reveste-se de importância excepcional, uma vez que o conflito não se resume à disputa por terras, mas se estende à narrativa nacional, à memória coletiva e aos direitos históricos.

Portanto, preservar o patrimônio, a língua, a literatura, as artes e o folclore palestinos — juntamente com o registro de crimes e violações — constitui uma forma autêntica de resistência cultural. Essa resistência salvaguarda a identidade nacional e enfrenta tentativas de falsificação, roubo e apropriação.

A construção de um sistema eficaz de segurança cultural exige uma parceria genuína entre famílias, escolas, universidades, o Sindicato dos Jornalistas, os veículos de comunicação, as instituições culturais e as organizações da sociedade civil.

Essas entidades são chamadas a incutir valores de pertencimento nacional, fomentar o pensamento crítico, incentivar a leitura e a criatividade e capacitar os jovens a interagir de forma consciente e responsável com o ambiente digital, aumentando, assim, sua capacidade de combater campanhas de desinformação e a guerra psicológica.

A mídia nacional desempenha um papel fundamental na salvaguarda da segurança cultural. Isso vai além da simples divulgação de notícias; envolve a produção de conteúdo profissional que reforce a identidade nacional, sustente a narrativa palestina, exponha campanhas de desinformação e divulgue a história, a cultura e o patrimônio palestinos tanto para as novas gerações quanto para o mundo em geral.

Além disso, o Sindicato dos Jornalistas Palestinos tem a importante responsabilidade de proteger os jornalistas, elevar os padrões profissionais e defender a liberdade de imprensa, fortalecendo, assim, a capacidade da mídia nacional de cumprir sua missão de preservar a identidade cultural.

Investir em cultura não é um luxo intelectual; é, na verdade, um investimento em segurança, estabilidade e desenvolvimento. Sociedades que possuem uma identidade cultural profundamente enraizada são mais resilientes diante de crises e mais coesas ao enfrentar tentativas de fragmentação, exclusão e hegemonia cultural.

Em meio à guerra que o povo palestino enfrenta — uma guerra que atinge suas vidas, suas terras e sua narrativa —, a segurança cultural surge como a primeira linha de defesa da identidade nacional, da memória coletiva e do direito do povo palestino de contar sua história, preservar seu patrimônio e transmiti-lo às gerações futuras. Proteger a cultura não é apenas defender o passado; é salvaguardar o presente, investir no futuro e garantir a continuidade da identidade nacional, independentemente da gravidade dos desafios.

¨      EUA aumentam sua presença militar no Oriente Médio implantando tropas adicionais, alerta jornal

Os Estados Unidos transferem tropas adicionais para a região do Oriente Médio, oferecendo a Donald Trump a oportunidade de expandir a guerra contra o Irã, afirmou um jornal norte-americano.

Conforme o The Wall Street Journal, o influxo de tropas, médicos e armas ocorreu após a morte de três soldados norte-americanos em um ataque iraniano a uma base na Jordânia.

"Os Estados Unidos estão enviando forças adicionais, pessoal médico e armas para o Oriente Médio para fornecer ao presidente Trump maiores oportunidades de uma resposta contundente, considerando a expansão do conflito com o Irã", diz o artigo.

A publicação afirma que, na semana passada, Washington enviou forças de operações especiais para a região e implantou esquadrões de caças em bases militares estadunidenses em todo o Oriente Médio.

Citando um oficial não identificado, o jornal acrescentou que os bombardeiros B-1 deslocados nas bases aéreas estadunidenses e britânicas estão em alerta para serem preparados para operações de combate em larga escala.

De acordo com uma fonte não mencionada, mais de 150 trabalhadores médicos chegaram ao principal hospital na Alemanha, onde os militares norte-americanos feridos no Oriente Médio estão sendo tratados.

Essas medidas de preparações militares indicam que Washington está considerando uma escalada do conflito após um drone iraniano ter atingido uma instalação militar estadunidense na Jordânia.

Anteriormente, uma mídia de grande circulação informou que os mediadores apresentaram a Washington uma proposta de cessar-fogo de dez dias. Fontes dizem que a Casa Branca já está estudando a proposta e pediu a Israel que evite medidas que levem à escalada.

No entanto, ao mesmo tempo, os Estados Unidos se preparam para um possível fracasso das negociações e aumentam sua presença militar na região.

¨      Retomada do conflito no Iêmen expande a guerra do Irã e pode 'agravar crise mundial', diz analista

O movimento Ansar Allah, do Iêmen, também conhecido como houthis, e a Arábia Saudita voltaram a trocar golpes após quatro anos de trégua. Tudo foi retomado quando uma delegação iemenita partiu para o funeral do supremo líder iraniano Ali Khamenei, furando um bloqueio total imposto por Riad contra o país.

No retorno da delegação, a oposição iemenita, baseada na Arábia Saudita, bombardeou o aeroporto de Sanaa impedindo o pouso do avião, que desviou para Hodeidah. Em resposta, o Ansar Allah atacou o aeroporto de Abha, no sul do país. Segundo as autoridades sauditas, os mísseis e drones foram interceptados pela defesa aérea.

A retomada das hostilidades amplia o risco de uma escalada do conflito no Oriente Médio, que já envolve Estados Unidos e Irã. Inclusive, o episódio ocorre em um momento de maior sensibilidade regional: no início do ano, a Arábia Saudita firmou um acordo de defesa mútua com o Paquistão, outra importante potência militar da região, o que pode ampliar as implicações estratégicas de uma eventual escalada.

<><> Jogo de alianças no Oriente Médio

Ouvida pelo Mundioka, podcast da Sputnik Brasil, Beatriz Gomes, professora de geopolítica e comentarista da TVT, avalia que a trégua — feita após 11 anos de conflito — já estava bem abalada por conta do genocídio em Gaza e, mais recentemente, o conflito entre Estados Unidos e Irã.

Nos últimos anos, o Ansar Allah passou a atuar de forma mais incisiva como parte do chamado Eixo da Resistência, uma coalizão de movimentos, partidos e governos alinhados a Teerã, e impôs restrições à navegação para navios com destino e origem israelense no mar Vermelho, em resposta ao genocídio na Faixa de Gaza.

Desde 2014, o Ansar Allah controla a capital, Sanaa, e exerce o governo de fato do país, com a oposição ainda reconhecida internacionalmente, atuando no exílio na Arábia Saudita.

Para a especialista, o conflito entre Riad e os houthis deve ser compreendido como uma guerra por procuração, na qual interesses geopolíticos das potências regionais e globais se sobrepõem às disputas internas do Iêmen.

"A Arábia Saudita atua como uma extensão da influência dos Estados Unidos na região, enquanto os houthis integram o Eixo da Resistência liderado pelo Irã."

<><> Poder sobre o comércio internacional

Na segunda-feira, o Iêmen anunciou um bloqueio do estreito de Bab el-Mandeb contra Riad, impedindo o tráfego marítimo da monarquia árabe na região.

Desde que foi anunciado, petroleiros sauditas destinados aos mercados asiáticos já tiveram que dar meia-volta e seguir em direção ao canal de Suez, obrigando as embarcações a contornarem o Cabo da Boa Esperança — localizado na África do Sul —, tendo que percorrer todo o Mediterrâneo e navegar pela costa oeste africana.

Aliado ao bloqueio total do estreito de Ormuz, tamanho desvio eleva custos logísticos, aumenta o tempo de transporte e pressiona as cadeias globais de abastecimento. Esse poder, avalia Gomes, fez com que os houthis deixassem de ser apenas um ator local e passassem a desempenhar um papel central no equilíbrio de poder do Oriente Médio.

"Eles acabam sendo responsáveis por controlar uma região de suma importância para o mundo, que é o mar Vermelho. […] É um grupo que tem poder sobre o preço do petróleo e sobre produtos do comércio internacional."

Após o anúncio, o Ministério das Relações Exteriores saudita afirmou que o reino tomará "todas as medidas necessárias" para proteger suas embarcações, em conformidade com o direito internacional e a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982.

Já o presidente norte-americano, Donald Trump, disse que lidará com a situação e lembrou os quase dois meses de conflitos entre os EUA e o Ansar Allah em 2025, quando a Casa Branca tentou retomar a liberdade de navegação pelo estreito.

Gomes explica que os houthis "são bem equipados e têm muito apoio populacional" desde que passaram a integrar o Eixo da Resistência, tornando-se um dos principais instrumentos da disputa regional entre Teerã, Riad e Washington.

No entanto, apesar do bloqueio iemenita, Gomes não acredita que a Arábia Saudita buscará um confronto direto com o Irã, uma vez que sua maior preocupação é que a "desorganização da região impeça seus ganhos econômicos".

"Eles sabe que, se abrirem uma frente contra o Irã, essa guerra vai se transformar em uma coisa muito maior."

Para a especialista, se ocorrer de fato, o impacto da retomada dos confrontos vai extrapolar o Oriente Médio. "Agrava uma crise econômica mundial. A gente vai ter problemas de crises econômicas, crise de combustível e crise de fertilizantes."

"O que inicialmente parecia uma disputa entre Estados Unidos e Irã acaba se transformando em uma grande guerra regional, com vários focos de enfrentamento."

 

Fonte: Diálogos do Sul Global/Sputnik Brasil

 

 

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