Direitos
Humanos: Em Gaza… A morte já não é apenas uma coisa só
Diz-se
que, na guerra, a morte é um destino que nenhum ser humano pode evitar.
Contudo, em Gaza, a morte deixou de
ser apenas um destino; tornou-se um sistema completo — um sistema de muitas
faces, todas disputando vidas humanas.
Aqueles
que não são mortos por um míssil podem sucumbir à fome; os que sobrevivem à
fome podem ser vencidos pela sede. Os que escapam do fogo podem acabar
soterrados sob os escombros, atingidos por uma bala ou encontrar o fim enquanto
buscam um pedaço de pão ou um gole de água.
Em
Gaza, as pessoas não morrem apenas uma vez; morrem todos os dias, de inúmeras
maneiras.
Essa é
a face mais cruel da guerra: quando a morte se torna uma realidade cotidiana e
a pergunta diária já não é “Será que viveremos?”, mas sim “Como morreremos?”.
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Há
meses, a máquina de guerra israelense continua
ceifando vidas de civis em um ritmo implacável. Crianças, mulheres e idosos não
são meras estatísticas nos noticiários; são as verdadeiras faces desta
tragédia.
Famílias
inteiras são apagadas dos registros civis, bairros são reduzidos a escombros e
tendas de deslocados tornam-se armadilhas mortais — tudo isso enquanto o mundo
testemunha um dos desastres humanitários mais angustiantes dos tempos modernos.
No
entanto, a tragédia em Gaza transcendeu os limites dos bombardeios e da
destruição. A fome tornou-se uma arma, a sede, um instrumento de desgaste, e o
colapso do sistema de saúde, uma sentença de morte para feridos e doentes.
A
própria vida tornou-se uma batalha que o povo palestino trava todas as manhãs,
sem saber se viverá para ver o anoitecer.
É
verdadeiramente espantoso — e talvez vergonhoso — que um ser humano, no século
XXI, morra de fome ou de sede em um mundo que possui alimentos, medicamentos e
tecnologia suficientes para salvar milhões de vidas. Mais amargo ainda é o fato
de isso ocorrer diante dos olhos da comunidade internacional; a justiça
vacila, e a tragédia é reduzida a declarações de condenação que não se traduzem
em ações capazes de deter a perda de vidas.
Em
Gaza, a morte já não é um evento passageiro; tornou-se parte integrante do
cotidiano. Ela está presente nas casas, nas ruas, nos hospitais, nas tendas de
deslocados e nos portões dos centros de distribuição de ajuda. As pessoas já
não têm sequer o direito de escolher a maneira como deixam esta vida.
Talvez
a verdade mais dura seja esta: os palestinos em Gaza já não temam a morte em si
tanto quanto temem a forma como ela chegará. Alguns morrem queimados vivos;
outros, de fome ou de sede; alguns perecem sob os escombros, enquanto outros
morrem à espera de medicamentos que nunca chegam ou de um pedaço de pão que já
não existe.
A
história registra não apenas o número de vítimas, mas também o silêncio de um
mundo que tinha o poder de salvá-las. Uma pergunta assombrará por muito tempo a
consciência humana: como o mundo chegou ao ponto em que um ser humano em Gaza é
privado até mesmo dos direitos mais básicos — o direito à vida e o direito de
morrer com dignidade?
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Em
Gaza, não se escolhe como morrer. E isso, por si só, é a forma mais cruel de
tragédia.
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Segurança cultural: a primeira linha de defesa da
identidade e da narrativa nacional
Em um
mundo que testemunha transformações rápidas e uma revolução digital sem
precedentes, as batalhas travadas pelas nações não se limitam mais às
fronteiras e à geografia; elas se estendem aos domínios da consciência, da
identidade e da cultura palestina.
A
guerra moderna tem como alvo tanto as mentes quanto o território, buscando
remodelar a memória coletiva, distorcer fatos e corroer o sentimento de
pertencimento nacional.
Assim,
o conceito de segurança cultural surge como um pilar fundamental da segurança
nacional: protege o sistema de valores, a língua, o patrimônio e a memória
coletiva, ao mesmo tempo que salvaguarda a identidade nacional contra
tentativas de apagamento, falsificação e infiltração.
A
segurança cultural não implica isolacionismo nem a rejeição da abertura a
outras culturas. Pelo contrário, baseia-se no fortalecimento da confiança na
identidade nacional e na capacidade de interagir com diferentes culturas em pé
de igualdade e com consciência, distinguindo, ao mesmo tempo, entre elementos
que enriquecem a cultura nacional e aqueles que visam desmantelá-la ou
enfraquecê-la.
Culturas
vibrantes são aquelas que evoluem e se renovam sem perder suas raízes nem
abandonar seus princípios fundamentais.
Hoje,
as nações enfrentam desafios culturais crescentes, que vão desde a disseminação
da desinformação e do discurso de ódio até tentativas de falsificar a história
e apagar a identidade nacional.
Para o
povo palestino, a segurança cultural reveste-se de importância excepcional, uma
vez que o conflito não se resume à disputa por terras, mas se estende à
narrativa nacional, à memória coletiva e aos direitos históricos.
Portanto,
preservar o patrimônio, a língua, a literatura, as artes e o folclore
palestinos — juntamente com o registro de crimes e violações — constitui uma
forma autêntica de resistência cultural. Essa resistência salvaguarda a
identidade nacional e enfrenta tentativas de falsificação, roubo e apropriação.
A
construção de um sistema eficaz de segurança cultural exige uma parceria
genuína entre famílias, escolas, universidades, o Sindicato dos Jornalistas, os
veículos de comunicação, as instituições culturais e as organizações da
sociedade civil.
Essas
entidades são chamadas a incutir valores de pertencimento nacional, fomentar o
pensamento crítico, incentivar a leitura e a criatividade e capacitar os jovens
a interagir de forma consciente e responsável com o ambiente digital,
aumentando, assim, sua capacidade de combater campanhas de desinformação e a
guerra psicológica.
A mídia
nacional desempenha um papel fundamental na salvaguarda da segurança cultural.
Isso vai além da simples divulgação de notícias; envolve a produção de conteúdo
profissional que reforce a identidade nacional, sustente a narrativa palestina,
exponha campanhas de desinformação e divulgue a história, a cultura e o
patrimônio palestinos tanto para as novas gerações quanto para o mundo em
geral.
Além
disso, o Sindicato dos Jornalistas Palestinos tem a importante responsabilidade
de proteger os jornalistas, elevar os padrões profissionais e defender a
liberdade de imprensa, fortalecendo, assim, a capacidade da mídia nacional de
cumprir sua missão de preservar a identidade cultural.
Investir
em cultura não é um luxo intelectual; é, na verdade, um investimento em
segurança, estabilidade e desenvolvimento. Sociedades que possuem uma
identidade cultural profundamente enraizada são mais resilientes diante de
crises e mais coesas ao enfrentar tentativas de fragmentação, exclusão e
hegemonia cultural.
Em meio
à guerra que o povo palestino enfrenta — uma guerra que atinge suas vidas, suas
terras e sua narrativa —, a segurança cultural surge como a primeira linha de
defesa da identidade nacional, da memória coletiva e do direito do povo
palestino de contar sua história, preservar seu patrimônio e transmiti-lo às
gerações futuras. Proteger a cultura não é apenas defender o passado; é
salvaguardar o presente, investir no futuro e garantir a continuidade da
identidade nacional, independentemente da gravidade dos desafios.
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EUA aumentam sua presença militar no Oriente Médio
implantando tropas adicionais, alerta jornal
Os
Estados Unidos transferem tropas adicionais para a região do Oriente Médio,
oferecendo a Donald Trump a oportunidade de expandir a guerra contra o Irã,
afirmou um jornal norte-americano.
Conforme
o The Wall Street Journal, o influxo de tropas, médicos e
armas ocorreu após a morte de três soldados norte-americanos em um ataque
iraniano a uma base na Jordânia.
"Os
Estados Unidos estão enviando forças adicionais, pessoal médico e
armas para o Oriente Médio para fornecer
ao presidente Trump maiores oportunidades de uma resposta contundente,
considerando a expansão do conflito com o Irã", diz o artigo.
A
publicação afirma que, na semana passada, Washington enviou forças de
operações especiais para a região e implantou esquadrões de caças em bases
militares estadunidenses em todo o Oriente Médio.
Citando
um oficial não identificado, o jornal acrescentou que os bombardeiros B-1 deslocados nas
bases aéreas estadunidenses e britânicas estão em alerta para serem
preparados para operações de combate em larga escala.
De
acordo com uma fonte não mencionada, mais de 150 trabalhadores médicos
chegaram ao principal hospital na Alemanha, onde os militares
norte-americanos feridos no Oriente Médio estão sendo tratados.
Essas
medidas de preparações militares indicam que Washington está considerando
uma escalada do conflito após um drone iraniano ter atingido uma
instalação militar estadunidense na Jordânia.
Anteriormente,
uma mídia de grande circulação informou que os mediadores apresentaram a Washington uma proposta de
cessar-fogo de dez dias. Fontes dizem que a Casa Branca já está estudando
a proposta e pediu a Israel que evite
medidas que levem à escalada.
No
entanto, ao mesmo tempo, os Estados Unidos se preparam
para um possível fracasso das negociações e aumentam sua presença
militar na região.
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Retomada do conflito no Iêmen expande a guerra do Irã e
pode 'agravar crise mundial', diz analista
O
movimento Ansar Allah, do Iêmen, também conhecido como houthis, e a Arábia
Saudita voltaram a trocar golpes após quatro anos de trégua. Tudo foi retomado
quando uma delegação iemenita partiu para o funeral do supremo líder iraniano
Ali Khamenei, furando um bloqueio total imposto por Riad contra o país.
No
retorno da delegação, a oposição iemenita, baseada na Arábia
Saudita, bombardeou o aeroporto de Sanaa impedindo o pouso do avião,
que desviou para Hodeidah. Em resposta, o Ansar Allah atacou o aeroporto de Abha, no sul do país.
Segundo as autoridades sauditas, os mísseis e drones foram interceptados pela
defesa aérea.
A
retomada das hostilidades amplia o risco de uma escalada do conflito no
Oriente Médio, que já envolve Estados Unidos e Irã. Inclusive, o
episódio ocorre em um momento de maior sensibilidade regional: no início do
ano, a Arábia Saudita firmou um acordo de defesa mútua com o Paquistão, outra
importante potência militar da região, o que pode ampliar as implicações
estratégicas de uma eventual escalada.
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Jogo de alianças no Oriente Médio
Ouvida
pelo Mundioka, podcast da Sputnik Brasil, Beatriz Gomes,
professora de geopolítica e comentarista da TVT, avalia que a trégua — feita
após 11 anos de conflito — já estava bem abalada por conta do genocídio em Gaza
e, mais recentemente, o conflito entre Estados Unidos e Irã.
Nos
últimos anos, o Ansar Allah passou a atuar de forma mais incisiva como parte do
chamado Eixo da Resistência, uma coalizão de movimentos, partidos e governos
alinhados a Teerã, e impôs restrições à navegação para navios com destino e
origem israelense no mar Vermelho, em resposta ao genocídio na Faixa de Gaza.
Desde
2014, o Ansar Allah controla a capital, Sanaa, e exerce o governo de fato
do país, com a oposição ainda reconhecida internacionalmente, atuando no exílio
na Arábia Saudita.
Para a
especialista, o conflito entre Riad e os houthis deve ser compreendido como uma
guerra por procuração, na qual interesses geopolíticos das potências regionais
e globais se sobrepõem às disputas internas do Iêmen.
"A
Arábia Saudita atua como uma extensão da influência dos Estados Unidos na
região, enquanto os houthis integram o Eixo da Resistência liderado pelo
Irã."
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Poder sobre o comércio internacional
Na
segunda-feira, o Iêmen anunciou um bloqueio do estreito de
Bab el-Mandeb contra Riad, impedindo o tráfego marítimo da monarquia árabe na
região.
Desde
que foi anunciado, petroleiros sauditas destinados aos mercados asiáticos já
tiveram que dar meia-volta e seguir em direção ao canal de Suez, obrigando
as embarcações a contornarem o Cabo da Boa Esperança — localizado na
África do Sul —, tendo que percorrer todo o Mediterrâneo e navegar pela costa
oeste africana.
Aliado
ao bloqueio total do estreito de Ormuz, tamanho desvio eleva custos
logísticos, aumenta o tempo de transporte e pressiona as cadeias globais de
abastecimento. Esse poder, avalia Gomes, fez com que os houthis deixassem de
ser apenas um ator local e passassem a desempenhar um papel central no
equilíbrio de poder do Oriente Médio.
"Eles
acabam sendo responsáveis por controlar uma região de suma importância para o
mundo, que é o mar Vermelho. […] É um grupo que tem poder sobre o preço do
petróleo e sobre produtos do comércio internacional."
Após o
anúncio, o Ministério das Relações Exteriores saudita afirmou que o reino
tomará "todas as medidas necessárias" para proteger suas embarcações,
em conformidade com o direito internacional e a Convenção das Nações Unidas
sobre o Direito do Mar de 1982.
Já o
presidente norte-americano, Donald Trump, disse que lidará com a situação e
lembrou os quase dois meses de conflitos entre os EUA e o Ansar Allah em 2025,
quando a Casa Branca tentou retomar a liberdade de navegação pelo estreito.
Gomes
explica que os houthis "são bem equipados e têm muito apoio
populacional" desde que passaram a integrar o Eixo da Resistência,
tornando-se um dos principais instrumentos da disputa regional entre Teerã,
Riad e Washington.
No
entanto, apesar do bloqueio iemenita, Gomes não acredita que a Arábia Saudita
buscará um confronto direto com o Irã, uma vez que sua maior preocupação é que
a "desorganização da região impeça seus ganhos econômicos".
"Eles
sabe que, se abrirem uma frente contra o Irã, essa guerra vai se transformar em
uma coisa muito maior."
Para a
especialista, se ocorrer de fato, o impacto da retomada dos confrontos vai
extrapolar o Oriente Médio. "Agrava uma crise econômica mundial. A
gente vai ter problemas de crises econômicas, crise de combustível e crise de
fertilizantes."
"O
que inicialmente parecia uma disputa entre Estados Unidos e Irã acaba se
transformando em uma grande guerra regional, com vários focos de
enfrentamento."
Fonte:
Diálogos do Sul Global/Sputnik Brasil

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