Redes
sociais ampliam desgaste de Flávio Bolsonaro e fortalecem narrativa pró-Lula
As redes sociais consolidaram uma dinâmica
desfavorável ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ampliaram o espaço de
mensagens favoráveis ao presidente Lula (PT) entre 14 e 20 de julho. Segundo o
Instituto Democracia em Xeque, a política nacional concentrou 42% das 16.983
publicações monitoradas e 50% das interações, equivalentes a cerca de 59
milhões. A prisão de Jair Bolsonaro (PL) mobilizou 19% dos posts e 24,5 milhões
de interações. A política externa também respondeu por 19% das mensagens,
enquanto gestão e entregas do governo alcançaram 13%, com a esquerda
responsável por 60% desse eixo. As pesquisas eleitorais reuniram 7% do conteúdo
analisado. Os dados foram publicados nesta quarta-feira (22) na coluna de
Míriam Leitão, no jornal O Globo.
O
relatório semanal do Instituto Democracia em Xeque aponta que Flávio Bolsonaro
manteve alcance e presença expressiva no debate digital, mas enfrentou uma
sequência de pautas defensivas. Lula e seus apoiadores, em contraste,
concentraram a comunicação em obras, ações na saúde e levantamentos eleitorais
favoráveis ao presidente.
A
disputa política em torno da pré-candidatura do senador dominou as conversas. O
caso Banco Master voltou ao centro do debate, ao lado das críticas da oposição
ao Supremo Tribunal Federal (STF). Perfis de direita apresentaram decisões
judiciais como sinais de perseguição e tentaram consolidar a narrativa de um
suposto cerco político, judicial e financeiro.
A
prisão de Jair Bolsonaro ocupou a segunda posição entre os assuntos mais
discutidos. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, endureceu as restrições
contra o ex-presidente após a divulgação da chamada Carta aos Brasileiros,
episódio que impulsionou novas reações de aliados e adversários nas plataformas
digitais.
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Pautas defensivas
O
diretor-executivo do Instituto Democracia em Xeque, Fabiano Garrido, afirma que
a tendência negativa para Flávio Bolsonaro predomina desde o episódio conhecido
como Dark Horse. Segundo ele, momentos pontuais de recuperação não alteraram a
configuração geral do debate.
Embora
a militância bolsonarista mantenha competitividade em volume de publicações e
capacidade de mobilização, Garrido avalia que a natureza das mensagens expõe
uma dificuldade maior. A campanha do senador precisou responder a
controvérsias, decisões judiciais, críticas sobre o tarifaço e questionamentos
relacionados a pesquisas eleitorais.
Ao
analisar a diferença entre as estratégias, Garrido relacionou o apelido usado
contra o senador à proximidade política com o atual presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump.
“Na
última semana, enquanto a campanha e a militância digital de Flávio Bolsonaro
se viram envolvidas em agendas defensivas, como a foto com o sicário, a
proibição de visita ao pai por descumprimento de ordem judicial, a
responsabilização pelo tarifaço e o questionamento de instituto de pesquisa,
Lula e seus apoiadores concentraram esforços na divulgação das entregas do
governo, na celebração dos resultados da Quaest e na ironização do senador, por
meio da alcunha ‘Tariflávio’, em referência à sua relação com Donald Trump e
com o novo tarifaço”, observou.
O
levantamento identificou uma estratégia mais propositiva entre os perfis
ligados ao governo. Esses grupos divulgaram resultados administrativos,
investimentos públicos e dados de pesquisas que mostraram Lula em posição
eleitoral favorável.
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Tarifaço e Oriente Médio
A
política externa ganhou espaço na semana anterior à entrada em vigor da tarifa
de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. O novo imposto comercial imposto
pelo governo Trump alimentou críticas a Flávio Bolsonaro e reforçou a
associação do senador com Donald Trump.
As
tensões no Oriente Médio e os ataques na região também impulsionaram o debate,
com destaque para os riscos à navegação e ao comércio no Estreito de Ormuz.
Esses acontecimentos ajudaram a elevar a política externa ao mesmo patamar da
discussão sobre a prisão de Jair Bolsonaro em número de publicações.
A
agenda de gestão pública alcançou participação menor, mas apresentou uma
diferença relevante na distribuição ideológica. A esquerda liderou esse eixo
com 60% das mensagens e priorizou ações nas áreas de infraestrutura e saúde.
A
extrema direita manteve maior presença nos debates institucionais e na disputa
política. O relatório registrou novamente a fragmentação interna desse campo,
dinâmica que já havia aparecido nos monitoramentos das semanas anteriores.
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Ataques às urnas
As
declarações de Flávio Bolsonaro contra as urnas eletrônicas também contribuíram
para ampliar o cenário negativo identificado pelo instituto. O senador levantou
suspeitas sobre o sistema de votação durante um evento com diplomatas, em um
momento decisivo para sua articulação presidencial.
“As
declarações do senador colocando sob suspeita as urnas eletrônicas diante de
uma plateia formada por dezenas de embaixadores apenas aprofundam esse cenário
negativo para ele”, afirmou Garrido.
“A
quatro dias da convenção que deve oficializá-lo como candidato à Presidência,
Flávio Bolsonaro já enfrentava dificuldades para atrair outros partidos e
definir um vice para compor sua chapa. Agora, esse quadro pode se complicar
ainda mais”.
A
desconfiança lançada sobre o sistema eleitoral mobilizou apoiadores do
bolsonarismo, mas também reforçou críticas de adversários que associam o
discurso às contestações promovidas por Jair Bolsonaro antes e depois da
eleição presidencial de 2022.
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Caso Vorcaro concentra militância digital
O
principal eixo político da semana reuniu as repercussões do caso do dono do
Banco Master, Daniel Vorcaro, as disputas relacionadas à ex-primeira-dama
Michelle Bolsonaro e as críticas da oposição ao STF. A direita tratou esses
episódios como parte de uma ofensiva contra o campo bolsonarista. O tema
liderou o número de publicações, mas recebeu a menor participação relativa da
imprensa entre os assuntos avaliados.
Em
junho, Michelle disse ter sido humilhada pelo senador da extrema direita. Em
outra escândalo, Flávio Bolsonaro negociou com Vorcaro um financiamento de R$
134 milhões para o filme Dark Horse, retrato biográfico de Jair Bolsonaro, em
prisão domiciliar atualmente após ser condenado pelo STF a 27 anos de cadeia no
inquérito da trama golpista.
• Flávio Bolsonaro se arrasta até a
Convenção do PL como um farrapo humano, diz Marco Damiani
Quando
um candidato a presidente ouve do chefe do seu próprio partido que não está
preparado para ser candidato, o que ele deve sentir? No caso de Flávio
Bolsonaro, a sensação natural que seria sentir-se desprezado e abandonado já
está assimilada. Ele vê seu isolamento político galopar e chegará à Convenção
Nacional do PL, marcada para a sexta-feira, 25, como um farrapo humano,
político e eleitoral.
“Flávio
não estava preparado para ser candidato”, declarou o cacique da legenda,
Valdemar da Costa Neto, na reta final da preparação do encontro partidário.
Mais desestímulo que isso, impossível. No momento em que deveria estar cercado
de aduladores, o esvaziamento representado em uma lista de ausências de peso à
festa da legenda demonstra o quanto ele está sozinho. A planejada comemoração
vai virar um velório disfarçado.
Flávio
está sem um nome para apresentar como vice; sem o apoio do centrão; sem
palanques estaduais representativos de sua candidatura de extrema-direita
(ufa!); sem Michelle Bolsonaro para puxar o eleitorado feminino; sem o
governador Tarcísio de Freitas para ser seu principal apoiador; sem o
entusiasmo do presidente da sua legenda; sem meios de buscar consolo no colo de
seu pai, Jair Bolsonaro, agora incomunicável em sua prisão domiciliar, por
determinação do ministro Alexandre de Moraes.
Igualmente,
Flávio está sem credibilidade, sem confiança, sem empolgação, sem segurança,
sem brilho e sem moral.
A
desmoralização advém, na campanha, das vezes em que ele já se viu flagrado na
mentira. Foi desmentido quando negou ter mantido intimidade com Daniel Vorcaro,
desmascarado ao chamar de falsa a foto verdadeira com o capanga Sicário e,
diante dos embaixadores estrangeiros, desmentido pela mídia ao levar a eles
notícias falsas sobre as urnas eletrônicas.
Flávio
Bolsonaro tornou-se, portanto, um rematado sem-sem.
Como
cantou o craque Luiz Melodia na música ‘Farrapo Humano’, o postulante de
extrema-direita que quer concorrer pelo PL está “muito acabado, tão abatido”.
• “Colocações graves e absurdas”, diz
Gilmar Mendes sobre ataque de Flávio Bolsonaro às urnas
Ministros
do Supremo Tribunal Federal (STF) reagiram duramente e classificaram como
“graves” e “absurdas” as recentes declarações do senador e pré-candidato à
Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), sobre a segurança das urnas eletrônicas
brasileiras. O parlamentar levantou suspeitas de que os equipamentos utilizados
no Brasil teriam a mesma origem daqueles empregados na Venezuela e mencionados
em um relatório da CIA referente a supostos esquemas de fraude, relata Valdo
Cruz, no G1.
Em
declaração direta sobre o episódio, o ministro Gilmar Mendes rechaçou as
insinuações do senador e defendeu a auditabilidade do processo de votação no
país. “Essas colocações do senador Flávio Bolsonaro são graves e absurdas.
Nosso sistema eleitoral é totalmente confiável”, afirmou Gilmar Mendes. Para o
decano do STF, o uso de relatórios ou episódios de outros países com o objetivo
de colocar sob suspeição as urnas eletrônicas nacionais representa uma
interferência indevida no debate público.
Outros
integrantes do Supremo ouvidos reservadamente destacaram que o Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) já havia desmentido formalmente, em ocasiões
anteriores, os boatos que vinculam o sistema brasileiro à empresa venezuelana
Smartmatic. As informações falsas já haviam circulado em redes sociais de
apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) para dar sustentação à narrativa de
vulnerabilidade das urnas. Na avaliação dos magistrados, não é cabível que o
parlamentar volte a levantar dúvidas sobre um tema cujo conteúdo já foi
comprovadamente refutado pelas autoridades eleitorais.
Integrantes
da Corte avaliaram ainda que a conduta de Flávio Bolsonaro segue um “roteiro
semelhante” ao utilizado por seu pai, que adotava linha de ataque parecida ao
questionar a integridade do processo eleitoral — como na reunião realizada com
embaixadores no Palácio da Alvorada.
Diante
da forte repercussão negativa no meio jurídico e político, o comando da
campanha de Flávio Bolsonaro divulgou uma nota oficial na tentativa de conter
os danos. No comunicado, a equipe do pré-candidato alega que o senador “não
colocou em dúvida o sistema brasileiro de votação” e sustentou que ele se
limitou a citar o relatório atribuído à agência de inteligência norte-americana
sobre as eleições venezuelanas. No entanto, a nota da campanha omitiu qualquer
explicação sobre a declaração específica do senador de que as urnas brasileiras
teriam a mesma origem dos sistemas citados no documento.
Diante
do recrudescimento da polêmica, o TSE voltou a refutar publicamente as
alegações na noite de terça-feira (21). A nova investida de Flávio Bolsonaro
contra as urnas ocorre em um momento delicado para sua pré-candidatura, no qual
o grupo político enfrenta turbulências internas, divergências com a
ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e dificuldades para definir um nome para
compor a vaga de vice em sua chapa.
• Ministros do STF veem estratégia de
Flávio Bolsonaro para desgastar urnas com apoio de “setor radical” dos EUA
Uma ala
do Supremo Tribunal Federal (STF) avalia que as recentes declarações do senador
Flávio Bolsonaro (PL) contra as urnas eletrônicas fazem parte de uma estratégia
política voltada a enfraquecer a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro
durante a campanha presidencial de 2026.
Segundo
a coluna da jornalista Letícia Casado, do UOL, ministros da Corte entendem que
o posicionamento do parlamentar está alinhado ao setor mais radical do governo
dos Estados Unidos, liderado pelo secretário de Estado, Marco Rubio. Aliado do
ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), Rubio tem feito críticas públicas ao
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defende a eleição de Flávio
Bolsonaro.
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Corte vê preparação para questionamentos ao resultado eleitoral
De
acordo com a reportagem, os ministros avaliam que as manifestações do senador
não podem ser interpretadas como episódios isolados. Na visão desse grupo de
ministros, Flávio pretende transformar os ataques às urnas eletrônicas em uma
das principais bandeiras de sua campanha presidencial.
A
Leitura no Supremo é que essa estratégia poderia ser utilizada para questionar
um eventual resultado desfavorável nas eleições, contando com respaldo político
de aliados estadunidenses.
A
expectativa entre ministros é de que tanto o STF quanto o Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) permaneçam sob forte pressão nos próximos meses, sobretudo em
razão da disputa de narrativas nas redes sociais durante o processo eleitoral.
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PL admite tensão com o STF, mas minimiza impacto
A
reportagem também informa que integrantes do Partido Liberal reconhecem que as
declarações de Flávio Bolsonaro ampliam o desgaste entre a legenda e o Supremo.
Apesar
disso, dirigentes da sigla avaliam que o eleitorado mais identificado com o
bolsonarismo concorda com os questionamentos ao sistema eleitoral.
Internamente, o entendimento é que parte dos eleitores indecisos e do
empresariado enxerga Flávio Bolsonaro como uma alternativa de perfil mais
moderado em relação a Jair Bolsonaro (PL).
Fonte:
Brasil 247

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