sexta-feira, 24 de julho de 2026

Redes sociais ampliam desgaste de Flávio Bolsonaro e fortalecem narrativa pró-Lula

 As redes sociais consolidaram uma dinâmica desfavorável ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ampliaram o espaço de mensagens favoráveis ao presidente Lula (PT) entre 14 e 20 de julho. Segundo o Instituto Democracia em Xeque, a política nacional concentrou 42% das 16.983 publicações monitoradas e 50% das interações, equivalentes a cerca de 59 milhões. A prisão de Jair Bolsonaro (PL) mobilizou 19% dos posts e 24,5 milhões de interações. A política externa também respondeu por 19% das mensagens, enquanto gestão e entregas do governo alcançaram 13%, com a esquerda responsável por 60% desse eixo. As pesquisas eleitorais reuniram 7% do conteúdo analisado. Os dados foram publicados nesta quarta-feira (22) na coluna de Míriam Leitão, no jornal O Globo.

O relatório semanal do Instituto Democracia em Xeque aponta que Flávio Bolsonaro manteve alcance e presença expressiva no debate digital, mas enfrentou uma sequência de pautas defensivas. Lula e seus apoiadores, em contraste, concentraram a comunicação em obras, ações na saúde e levantamentos eleitorais favoráveis ao presidente.

A disputa política em torno da pré-candidatura do senador dominou as conversas. O caso Banco Master voltou ao centro do debate, ao lado das críticas da oposição ao Supremo Tribunal Federal (STF). Perfis de direita apresentaram decisões judiciais como sinais de perseguição e tentaram consolidar a narrativa de um suposto cerco político, judicial e financeiro.

A prisão de Jair Bolsonaro ocupou a segunda posição entre os assuntos mais discutidos. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, endureceu as restrições contra o ex-presidente após a divulgação da chamada Carta aos Brasileiros, episódio que impulsionou novas reações de aliados e adversários nas plataformas digitais.

<><> Pautas defensivas

O diretor-executivo do Instituto Democracia em Xeque, Fabiano Garrido, afirma que a tendência negativa para Flávio Bolsonaro predomina desde o episódio conhecido como Dark Horse. Segundo ele, momentos pontuais de recuperação não alteraram a configuração geral do debate.

Embora a militância bolsonarista mantenha competitividade em volume de publicações e capacidade de mobilização, Garrido avalia que a natureza das mensagens expõe uma dificuldade maior. A campanha do senador precisou responder a controvérsias, decisões judiciais, críticas sobre o tarifaço e questionamentos relacionados a pesquisas eleitorais.

Ao analisar a diferença entre as estratégias, Garrido relacionou o apelido usado contra o senador à proximidade política com o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Na última semana, enquanto a campanha e a militância digital de Flávio Bolsonaro se viram envolvidas em agendas defensivas, como a foto com o sicário, a proibição de visita ao pai por descumprimento de ordem judicial, a responsabilização pelo tarifaço e o questionamento de instituto de pesquisa, Lula e seus apoiadores concentraram esforços na divulgação das entregas do governo, na celebração dos resultados da Quaest e na ironização do senador, por meio da alcunha ‘Tariflávio’, em referência à sua relação com Donald Trump e com o novo tarifaço”, observou.

O levantamento identificou uma estratégia mais propositiva entre os perfis ligados ao governo. Esses grupos divulgaram resultados administrativos, investimentos públicos e dados de pesquisas que mostraram Lula em posição eleitoral favorável.

<><> Tarifaço e Oriente Médio

A política externa ganhou espaço na semana anterior à entrada em vigor da tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. O novo imposto comercial imposto pelo governo Trump alimentou críticas a Flávio Bolsonaro e reforçou a associação do senador com Donald Trump.

As tensões no Oriente Médio e os ataques na região também impulsionaram o debate, com destaque para os riscos à navegação e ao comércio no Estreito de Ormuz. Esses acontecimentos ajudaram a elevar a política externa ao mesmo patamar da discussão sobre a prisão de Jair Bolsonaro em número de publicações.

A agenda de gestão pública alcançou participação menor, mas apresentou uma diferença relevante na distribuição ideológica. A esquerda liderou esse eixo com 60% das mensagens e priorizou ações nas áreas de infraestrutura e saúde.

A extrema direita manteve maior presença nos debates institucionais e na disputa política. O relatório registrou novamente a fragmentação interna desse campo, dinâmica que já havia aparecido nos monitoramentos das semanas anteriores.

<><> Ataques às urnas

As declarações de Flávio Bolsonaro contra as urnas eletrônicas também contribuíram para ampliar o cenário negativo identificado pelo instituto. O senador levantou suspeitas sobre o sistema de votação durante um evento com diplomatas, em um momento decisivo para sua articulação presidencial.

“As declarações do senador colocando sob suspeita as urnas eletrônicas diante de uma plateia formada por dezenas de embaixadores apenas aprofundam esse cenário negativo para ele”, afirmou Garrido.

“A quatro dias da convenção que deve oficializá-lo como candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro já enfrentava dificuldades para atrair outros partidos e definir um vice para compor sua chapa. Agora, esse quadro pode se complicar ainda mais”.

A desconfiança lançada sobre o sistema eleitoral mobilizou apoiadores do bolsonarismo, mas também reforçou críticas de adversários que associam o discurso às contestações promovidas por Jair Bolsonaro antes e depois da eleição presidencial de 2022.

<><> Caso Vorcaro concentra militância digital

O principal eixo político da semana reuniu as repercussões do caso do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, as disputas relacionadas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e as críticas da oposição ao STF. A direita tratou esses episódios como parte de uma ofensiva contra o campo bolsonarista. O tema liderou o número de publicações, mas recebeu a menor participação relativa da imprensa entre os assuntos avaliados.

Em junho, Michelle disse ter sido humilhada pelo senador da extrema direita. Em outra escândalo, Flávio Bolsonaro negociou com Vorcaro um financiamento de R$ 134 milhões para o filme Dark Horse, retrato biográfico de Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar atualmente após ser condenado pelo STF a 27 anos de cadeia no inquérito da trama golpista.

•        Flávio Bolsonaro se arrasta até a Convenção do PL como um farrapo humano, diz Marco Damiani

Quando um candidato a presidente ouve do chefe do seu próprio partido que não está preparado para ser candidato, o que ele deve sentir? No caso de Flávio Bolsonaro, a sensação natural que seria sentir-se desprezado e abandonado já está assimilada. Ele vê seu isolamento político galopar e chegará à Convenção Nacional do PL, marcada para a sexta-feira, 25, como um farrapo humano, político e eleitoral.

“Flávio não estava preparado para ser candidato”, declarou o cacique da legenda, Valdemar da Costa Neto, na reta final da preparação do encontro partidário. Mais desestímulo que isso, impossível. No momento em que deveria estar cercado de aduladores, o esvaziamento representado em uma lista de ausências de peso à festa da legenda demonstra o quanto ele está sozinho. A planejada comemoração vai virar um velório disfarçado.

Flávio está sem um nome para apresentar como vice; sem o apoio do centrão; sem palanques estaduais representativos de sua candidatura de extrema-direita (ufa!); sem Michelle Bolsonaro para puxar o eleitorado feminino; sem o governador Tarcísio de Freitas para ser seu principal apoiador; sem o entusiasmo do presidente da sua legenda; sem meios de buscar consolo no colo de seu pai, Jair Bolsonaro, agora incomunicável em sua prisão domiciliar, por determinação do ministro Alexandre de Moraes.

Igualmente, Flávio está sem credibilidade, sem confiança, sem empolgação, sem segurança, sem brilho e sem moral.

A desmoralização advém, na campanha, das vezes em que ele já se viu flagrado na mentira. Foi desmentido quando negou ter mantido intimidade com Daniel Vorcaro, desmascarado ao chamar de falsa a foto verdadeira com o capanga Sicário e, diante dos embaixadores estrangeiros, desmentido pela mídia ao levar a eles notícias falsas sobre as urnas eletrônicas.

Flávio Bolsonaro tornou-se, portanto, um rematado sem-sem.

Como cantou o craque Luiz Melodia na música ‘Farrapo Humano’, o postulante de extrema-direita que quer concorrer pelo PL está “muito acabado, tão abatido”.

•        “Colocações graves e absurdas”, diz Gilmar Mendes sobre ataque de Flávio Bolsonaro às urnas

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) reagiram duramente e classificaram como “graves” e “absurdas” as recentes declarações do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), sobre a segurança das urnas eletrônicas brasileiras. O parlamentar levantou suspeitas de que os equipamentos utilizados no Brasil teriam a mesma origem daqueles empregados na Venezuela e mencionados em um relatório da CIA referente a supostos esquemas de fraude, relata Valdo Cruz, no G1.

Em declaração direta sobre o episódio, o ministro Gilmar Mendes rechaçou as insinuações do senador e defendeu a auditabilidade do processo de votação no país. “Essas colocações do senador Flávio Bolsonaro são graves e absurdas. Nosso sistema eleitoral é totalmente confiável”, afirmou Gilmar Mendes. Para o decano do STF, o uso de relatórios ou episódios de outros países com o objetivo de colocar sob suspeição as urnas eletrônicas nacionais representa uma interferência indevida no debate público.

Outros integrantes do Supremo ouvidos reservadamente destacaram que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já havia desmentido formalmente, em ocasiões anteriores, os boatos que vinculam o sistema brasileiro à empresa venezuelana Smartmatic. As informações falsas já haviam circulado em redes sociais de apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) para dar sustentação à narrativa de vulnerabilidade das urnas. Na avaliação dos magistrados, não é cabível que o parlamentar volte a levantar dúvidas sobre um tema cujo conteúdo já foi comprovadamente refutado pelas autoridades eleitorais.

Integrantes da Corte avaliaram ainda que a conduta de Flávio Bolsonaro segue um “roteiro semelhante” ao utilizado por seu pai, que adotava linha de ataque parecida ao questionar a integridade do processo eleitoral — como na reunião realizada com embaixadores no Palácio da Alvorada.

Diante da forte repercussão negativa no meio jurídico e político, o comando da campanha de Flávio Bolsonaro divulgou uma nota oficial na tentativa de conter os danos. No comunicado, a equipe do pré-candidato alega que o senador “não colocou em dúvida o sistema brasileiro de votação” e sustentou que ele se limitou a citar o relatório atribuído à agência de inteligência norte-americana sobre as eleições venezuelanas. No entanto, a nota da campanha omitiu qualquer explicação sobre a declaração específica do senador de que as urnas brasileiras teriam a mesma origem dos sistemas citados no documento.

Diante do recrudescimento da polêmica, o TSE voltou a refutar publicamente as alegações na noite de terça-feira (21). A nova investida de Flávio Bolsonaro contra as urnas ocorre em um momento delicado para sua pré-candidatura, no qual o grupo político enfrenta turbulências internas, divergências com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e dificuldades para definir um nome para compor a vaga de vice em sua chapa.

•        Ministros do STF veem estratégia de Flávio Bolsonaro para desgastar urnas com apoio de “setor radical” dos EUA

Uma ala do Supremo Tribunal Federal (STF) avalia que as recentes declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL) contra as urnas eletrônicas fazem parte de uma estratégia política voltada a enfraquecer a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro durante a campanha presidencial de 2026.

Segundo a coluna da jornalista Letícia Casado, do UOL, ministros da Corte entendem que o posicionamento do parlamentar está alinhado ao setor mais radical do governo dos Estados Unidos, liderado pelo secretário de Estado, Marco Rubio. Aliado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), Rubio tem feito críticas públicas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defende a eleição de Flávio Bolsonaro.

<><> Corte vê preparação para questionamentos ao resultado eleitoral

De acordo com a reportagem, os ministros avaliam que as manifestações do senador não podem ser interpretadas como episódios isolados. Na visão desse grupo de ministros, Flávio pretende transformar os ataques às urnas eletrônicas em uma das principais bandeiras de sua campanha presidencial.

A Leitura no Supremo é que essa estratégia poderia ser utilizada para questionar um eventual resultado desfavorável nas eleições, contando com respaldo político de aliados estadunidenses.

A expectativa entre ministros é de que tanto o STF quanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permaneçam sob forte pressão nos próximos meses, sobretudo em razão da disputa de narrativas nas redes sociais durante o processo eleitoral.

<><> PL admite tensão com o STF, mas minimiza impacto

A reportagem também informa que integrantes do Partido Liberal reconhecem que as declarações de Flávio Bolsonaro ampliam o desgaste entre a legenda e o Supremo.

Apesar disso, dirigentes da sigla avaliam que o eleitorado mais identificado com o bolsonarismo concorda com os questionamentos ao sistema eleitoral. Internamente, o entendimento é que parte dos eleitores indecisos e do empresariado enxerga Flávio Bolsonaro como uma alternativa de perfil mais moderado em relação a Jair Bolsonaro (PL).

 

Fonte: Brasil 247

 

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