Estranho
patriota: Flávio aposta em inglês e estética americana em vídeo de campanha
Na nova
peça de pré-campanha, publicada nas redes sociais, o presidenciável Flávio
Bolsonaro (PL) aparece em um vídeo produzido integralmente com inteligência
artificial. A narrativa de um minuto e 47 segundos é toda falada em inglês. Não
há uma única frase em português, apesar de a família Bolsonaro se autointitular
patriota.
A
estética remete a trailers de Hollywood e a narrativa faz uma releitura de um
dos memes mais conhecidos da internet: o vídeo do “Neymar jovem, adulto e
velho”. Na versão estrelada pelo senador, um personagem adulto encontra sua
versão mais jovem em uma suposta viagem no tempo. O diálogo tenta combinar
emoção com mensagem política.
“Are
you a time traveler?” (“Você é um viajante do tempo?”), pergunta a versão mais
jovem.
“For
today, you can call it that” (“Por hoje, pode me chamar assim”), responde o
personagem mais velho.
Em
seguida, o roteiro abandona a referência ao meme para inserir uma mensagem de
campanha. O jovem pergunta se, no futuro, as crianças poderão brincar nas ruas
sem medo. A resposta é construída para transmitir esperança: “No final, todas
as famílias ficarão bem”, afirma o personagem antes de perguntar se deve
continuar tentando.
Em um
take rápido, aparece a mão de Flávio segurando a faixa presidencial.
Nos
segundos finais, um terceiro personagem questiona a dancinha que o protagonista
faz em sua pré-campanha e recebe como resposta: “Don’t complain. You invented
it” (“Não reclame. Você inventou isso”), numa referência direta à coreografia
que tornou o meme original famoso.
A
escolha estética reforça uma tendência já observada em outras peças da
pré-campanha: o uso de referências estrangeiras e linguagem internacionalizada
para tentar ampliar o alcance nas redes. No vídeo inspirado em Top Gun, Flávio
já havia adotado uma estética cinematográfica típica de produções americanas,
com trilha sonora épica e narrativa heroica, buscando se aproximar da imagem de
Tom Cruise.
Neste
último vídeo, a imagem de Flávio em IA também tem traços do ator
norte-americano.
O
contraste com o discurso político do bolsonarismo parece evidente. Ao longo dos
últimos anos, lideranças do grupo defenderam o patriotismo como marca central,
criticaram o que chamam de influência cultural estrangeira e transformaram
símbolos nacionais em elementos recorrentes de campanha.
Mesmo
assim, as peças mais recentes apostam justamente no oposto: inglês como idioma
principal, referências à cultura pop global e uma estética inspirada na
indústria audiovisual dos Estados Unidos.
Ao
transformar memes e referências hollywoodianas em propaganda eleitoral, a
campanha tenta aproximar Flávio Bolsonaro da linguagem digital contemporânea. O
resultado, porém, reforça um contraste difícil de ignorar: o patriotismo
exibido pode ser mais retórico do que prático.
• Flávio Bolsonaro emitiu R$ 1,5 mi em
notas para empresas ligadas ao Master, diz site
O
escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), emitiu notas
fiscais no valor de R$ 1,5 milhão para empresas apontadas como integrantes da
estrutura empresarial ligada ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do
Banco Master. A informação foi revelada pelo colunista Tácio Lorran, do
Metrópoles, nesta quarta-feira (22). Das três notas emitidas, duas foram
canceladas. Segundo a reportagem, uma das empresas teria sido usada para
movimentar R$ 58 milhões do Banco Master.
De
acordo com os documentos obtidos pelo Metrópoles, duas notas fiscais de R$ 500
mil cada foram emitidas em 7 de abril de 2025 em favor da Copenhagen
Consultoria e Assessoria S.A., mas acabaram canceladas no mesmo dia. Dois dias
depois, o escritório de Flávio emitiu uma terceira nota, também de R$ 500 mil,
desta vez para a Contábil Correa. Nesse caso, não há registro de cancelamento.
As duas
empresas têm em comum o contador Rogério Lourenço Novo. Ele aparece na Receita
Federal como diretor da Copenhagen e único sócio da Contábil Correa. A
reportagem do Metrópoles afirma ainda que Rogério integra o conselho fiscal da
Ambipar, empresa também relacionada à rede empresarial de Vorcaro.
Criada
em novembro de 2024 com capital social de R$ 40, a Copenhagen figura entre as
empresas que mais receberam recursos do Banco Master. Segundo a reportagem,
Vorcaro depositou R$ 58 milhões na companhia, que, conforme investigações da
Polícia Federal, integra uma estrutura usada para movimentação de recursos.
Segundo
o Metrópoles, a Copenhagen não possui site próprio nem sede exclusiva
registrada. A empresa aparece no endereço da Contábil Correa, em um prédio
comercial em São Caetano do Sul (SP).
A
relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro já havia vindo a público após o
empresário financiar parte da produção do filme Dark Horse, sobre o
ex-presidente Jair Bolsonaro. Até então, o senador afirmava que o vínculo com o
dono do Banco Master se restringia ao apoio ao projeto.
Em
nota, Flávio Bolsonaro afirmou que não recebeu valores da Copenhagen e que as
notas emitidas para a empresa foram canceladas porque a contratação não
avançou. Segundo o senador, seu escritório tinha um contrato de prestação de
serviços com a Contábil Correa, empresa de contabilidade que teria apresentado
a Copenhagen como possível cliente.
Flávio
disse ainda que não tinha conhecimento de qualquer relação entre a Contábil
Correa ou a Copenhagen com o Banco Master e classificou como “capciosas” as
tentativas de vinculá-lo ao caso. O senador afirmou também que pretende tomar
medidas judiciais contra quem fizer associações que considera indevidas.
Rogério
Lourenço Novo afirmou ao Metrópoles que é proprietário da Copenhagen desde
setembro de 2025 e que contratou o escritório de Flávio Bolsonaro para prestar
serviços aos clientes de sua empresa de contabilidade, em um modelo que chamou
de “quarteirização”. Questionado sobre quais clientes receberam atendimento
jurídico, disse que possui mais de 200 clientes e não se lembrava dos casos
específicos.
A
Trustee DTVM afirmou que não tinha ingerência sobre as relações comerciais da
Copenhagen nem sobre pagamentos ou negociações entre a empresa e o Banco
Master.
• Júlia Zanatta e Bia Kicis: as vices que
restaram – e que nada agregam – para Flávio Bolsonaro
segundo
“não” da ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP-MS) ao convite de
Valdemar Costa Neto para compor a chapa com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) abriu mais
uma nova crise, desta vez sem precedentes, na cambaleante pré-candidatura do
filho “01” de Jair Bolsonaro (PL), que vê o antigo ecossistema político que se
aliou ao pai se esfacelando.
Tereza
Cristina é avaliada pelo também ex-ministro da Casa Civil Ciro Nogueira como
potencial candidata à Presidência, o que aumentou a fatura para um cortejado
embarque do Progressistas.
Espertamente
— e dentro de um pote de mágoas com Flávio Bolsonaro em razão do abandono pelo
elo com Daniel Vorcaro —, Nogueira jogou a convenção do Progressistas para o
dia 5 de agosto, prazo final para o registro das chapas junto ao Tribunal
Superior Eleitoral (TSE).
Além de
Tereza Cristina, o filho “01” de Bolsonaro corteja as deputadas Simone
Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE), que devem obedecer aos caciques do
partido.
O
impasse obrigou Flávio Bolsonaro a chegar à convenção do PL, que acontece no
sábado (25), sem um candidato a vice. Sob fogo amigo, Rogério Marinho (PL-RN)
resumiu o pânico que toma conta da pré-campanha.
“Até o
dia 5 de agosto temos interesse em ter o apoio da federação (União-PP). O tempo
de televisão permite que a campanha possa mostrar o candidato e responder às
críticas. Estamos construindo também com Republicanos e Podemos”, afirmou o
senador potiguar, que vem recebendo críticas na coordenação da pré-campanha
justamente por deixar os aliados escaparem.
<><>
Republicanos e fator Michelle
Enquanto
vê o preço inflacionar para ter uma vice na federação comandada por Nogueira,
Flávio Bolsonaro corteja outra mulher dentro do Republicanos para vice.
Classificada
pelo sistema financeiro como a “Paulo Guedes de saias”, pela proximidade com o
ex-“superministro” neoliberal de Bolsonaro, Daniella Marques Consentino
correspondeu aos acenos e convenceu a Faria Lima de que colocaria as rédeas
financistas como vice do já não mais “moderado” representante do clã do
ex-presidente.
Contando
com o entusiasmo de Eduardo Bolsonaro, de quem recebeu o aval em viagem para a
Copa do Mundo, Daniella convenceu os neoliberais em seu périplo por Itaú, BTG,
XP e Eurasia na Faria Lima. No entanto, o entrave acontece dentro do próprio
Republicanos, de Edir Macedo.
Bispo
licenciado da Igreja Universal, o presidente da sigla, Marcos Pereira, estaria
cobrando uma fatura muito alta para entrar na chapa. Além de uma cadeira no
Supremo Tribunal Federal (STF) para si, Pereira quer o compromisso de Flávio
Bolsonaro de abrir mão da reeleição para dar lugar a Tarcísio Gomes de Freitas
(Republicanos) em 2030.
A
conta, no entanto, não fecha com os planos do clã Bolsonaro, que pretende se
proliferar no poder caso Flávio seja eleito, além de não ter confiança na
atuação de Pereira como ministro do Supremo para “anistiar” os membros do clã
da série de processos e condenações impostas pela corte.
Além
disso, Tarcísio ainda causa desconfiança pela aproximação que tem com Michelle
Bolsonaro, com quem chegou a cogitar uma chapa presidencial antes de Flávio ser
ungido ao posto pelo pai.
Michelle,
que aceitaria ser vice de Tarcísio, nunca cogitou o mesmo com o enteado e, após
o vídeo-bomba, fundou o próprio movimento político, o Michellismo, com vistas
às eleições de 2030 — quando pretende contar com o apoio do governador
paulista.
Quanto
ao Podemos, citado por Marinho, o próprio PL entende que a sigla não tem força
e se engalfinha às diretrizes dos outros pares do Centrão.
<><>
Restam duas
Com as
opções escassas, Flávio Bolsonaro conta com duas opções caseiras para vice,
caso chegue ao dia 5 de agosto totalmente isolado pelo Centrão: as deputadas
Júlia Zanatta (PL-SC) e Bia Kicis (PL-DF).
Eleitas
na onda bolsonarista e totalmente submissas ao clã, as duas deputadas fazem uma
disputa interna, se acotovelando a cada negativa de outras que teriam a
preferência de Flávio Bolsonaro.
O maior
problema é que nenhuma das duas agrega um voto sequer à candidatura de Flávio
Bolsonaro, que derrete nas pesquisas e deve sofrer novos abalos em meio à
campanha eleitoral com vídeos íntimos com Daniel Vorcaro ou até mesmo mais fogo
amigo da madrasta — sem contar as investigações de Cláudio Castro, Comando
Vermelho e o chamado Corredor do Rio.
<><>
Bia Kicis: devoção cega e humilhação pública
Bia
Kicis construiu sua trajetória política como uma das mais fiéis expoentes do
bolsonarismo desde os tempos em que Jair Bolsonaro ainda integrava a bancada do
baixo clero.
Procuradora
aposentada do Distrito Federal, ganhou projeção nacional ao liderar movimentos
pelo impeachment de Dilma Rousseff e, já eleita deputada em 2018 na onda
bolsonarista, tornou-se uma das principais porta-vozes da agenda ideológica do
governo, atuando em defesa das pautas mais radicais do então presidente, do
negacionismo durante a pandemia aos ataques ao STF e ao sistema eleitoral.
A
fidelidade lhe rendeu espaços de destaque, como a presidência da Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ), mas também evidenciou um comportamento
essencialmente fisiológico: adaptou seu discurso e sua atuação parlamentar aos
interesses imediatos do Planalto, tornando-se uma das mais disciplinadas
defensoras de Bolsonaro no Congresso.
Essa
lealdade, no entanto, nunca foi plenamente correspondida. Em julho de 2020, Bia
Kicis sofreu uma das maiores humilhações públicas impostas por Bolsonaro a um
aliado: foi exonerada do cargo de vice-líder do governo no Congresso por
publicação no Diário Oficial, sem qualquer aviso prévio, após divergências
relacionadas à votação do Fundeb. Depois da humilhação, Bolsonaro fez uma
visita à deputada.
A
própria deputada admitiu posteriormente que recebeu a notícia pelo Diário
Oficial e que ninguém do Planalto teve a iniciativa de comunicá-la antes da
demissão. Mesmo após o episódio, ela minimizou o tratamento recebido e
permaneceu entre as mais aguerridas defensoras do ex-presidente, ilustrando uma
relação marcada por subserviência política e pela lógica de fidelidade
incondicional típica do núcleo bolsonarista.
Em meio
à briga declarada entre Michelle e o enteado, fez questão de ficar ao lado de
Flávio Bolsonaro já pensando nos dividendos eleitorais do apoio.
<><>
Júlia Zanatta: armamentismo e submissão política
Júlia
Zanatta é fruto da nova geração de parlamentares impulsionada pela onda
bolsonarista de 2022. Sem trajetória política de expressão nacional antes da
ascensão de Jair Bolsonaro, construiu sua imagem reproduzindo as principais
bandeiras da extrema-direita — do armamentismo ao combate à chamada “ideologia
de gênero”, passando pelos ataques ao Supremo Tribunal Federal e à esquerda.
A
identificação com o bolsonarismo tornou-se seu principal ativo eleitoral,
levando a deputada a adotar, de forma recorrente, o discurso e as estratégias
de mobilização do clã Bolsonaro, muitas vezes subordinando sua atuação
parlamentar às pautas e aos interesses políticos do ex-presidente e de seus
filhos.
A
relação, entretanto, sempre foi marcada por uma lógica de fidelidade
unilateral. Zanatta esteve entre as parlamentares que mais se empenharam em
defender Bolsonaro nos momentos de maior desgaste político e jurídico,
reproduzindo suas narrativas mesmo quando contrariadas por decisões judiciais
ou por fatos amplamente documentados.
Em
diversas ocasiões, aceitou o papel de linha auxiliar do bolsonarismo, abrindo
mão de protagonismo próprio para reforçar a estratégia do clã nas redes sociais
e no Congresso. O que se observa é uma relação de marcada submissão política,
na qual a manutenção do vínculo com o ex-presidente prevaleceu sobre a
construção de uma agenda independente ou de posições que contrariassem os
interesses do núcleo bolsonarista.
Fonte:
ICL Notícias

Nenhum comentário:
Postar um comentário