sexta-feira, 24 de julho de 2026

Estranho patriota: Flávio aposta em inglês e estética americana em vídeo de campanha

Na nova peça de pré-campanha, publicada nas redes sociais, o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) aparece em um vídeo produzido integralmente com inteligência artificial. A narrativa de um minuto e 47 segundos é toda falada em inglês. Não há uma única frase em português, apesar de a família Bolsonaro se autointitular patriota.

A estética remete a trailers de Hollywood e a narrativa faz uma releitura de um dos memes mais conhecidos da internet: o vídeo do “Neymar jovem, adulto e velho”. Na versão estrelada pelo senador, um personagem adulto encontra sua versão mais jovem em uma suposta viagem no tempo. O diálogo tenta combinar emoção com mensagem política.

“Are you a time traveler?” (“Você é um viajante do tempo?”), pergunta a versão mais jovem.

“For today, you can call it that” (“Por hoje, pode me chamar assim”), responde o personagem mais velho.

Em seguida, o roteiro abandona a referência ao meme para inserir uma mensagem de campanha. O jovem pergunta se, no futuro, as crianças poderão brincar nas ruas sem medo. A resposta é construída para transmitir esperança: “No final, todas as famílias ficarão bem”, afirma o personagem antes de perguntar se deve continuar tentando.

Em um take rápido, aparece a mão de Flávio segurando a faixa presidencial.

Nos segundos finais, um terceiro personagem questiona a dancinha que o protagonista faz em sua pré-campanha e recebe como resposta: “Don’t complain. You invented it” (“Não reclame. Você inventou isso”), numa referência direta à coreografia que tornou o meme original famoso.

A escolha estética reforça uma tendência já observada em outras peças da pré-campanha: o uso de referências estrangeiras e linguagem internacionalizada para tentar ampliar o alcance nas redes. No vídeo inspirado em Top Gun, Flávio já havia adotado uma estética cinematográfica típica de produções americanas, com trilha sonora épica e narrativa heroica, buscando se aproximar da imagem de Tom Cruise.

Neste último vídeo, a imagem de Flávio em IA também tem traços do ator norte-americano.

O contraste com o discurso político do bolsonarismo parece evidente. Ao longo dos últimos anos, lideranças do grupo defenderam o patriotismo como marca central, criticaram o que chamam de influência cultural estrangeira e transformaram símbolos nacionais em elementos recorrentes de campanha.

Mesmo assim, as peças mais recentes apostam justamente no oposto: inglês como idioma principal, referências à cultura pop global e uma estética inspirada na indústria audiovisual dos Estados Unidos.

Ao transformar memes e referências hollywoodianas em propaganda eleitoral, a campanha tenta aproximar Flávio Bolsonaro da linguagem digital contemporânea. O resultado, porém, reforça um contraste difícil de ignorar: o patriotismo exibido pode ser mais retórico do que prático.

•        Flávio Bolsonaro emitiu R$ 1,5 mi em notas para empresas ligadas ao Master, diz site

O escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), emitiu notas fiscais no valor de R$ 1,5 milhão para empresas apontadas como integrantes da estrutura empresarial ligada ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A informação foi revelada pelo colunista Tácio Lorran, do Metrópoles, nesta quarta-feira (22). Das três notas emitidas, duas foram canceladas. Segundo a reportagem, uma das empresas teria sido usada para movimentar R$ 58 milhões do Banco Master.

De acordo com os documentos obtidos pelo Metrópoles, duas notas fiscais de R$ 500 mil cada foram emitidas em 7 de abril de 2025 em favor da Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A., mas acabaram canceladas no mesmo dia. Dois dias depois, o escritório de Flávio emitiu uma terceira nota, também de R$ 500 mil, desta vez para a Contábil Correa. Nesse caso, não há registro de cancelamento.

As duas empresas têm em comum o contador Rogério Lourenço Novo. Ele aparece na Receita Federal como diretor da Copenhagen e único sócio da Contábil Correa. A reportagem do Metrópoles afirma ainda que Rogério integra o conselho fiscal da Ambipar, empresa também relacionada à rede empresarial de Vorcaro.

Criada em novembro de 2024 com capital social de R$ 40, a Copenhagen figura entre as empresas que mais receberam recursos do Banco Master. Segundo a reportagem, Vorcaro depositou R$ 58 milhões na companhia, que, conforme investigações da Polícia Federal, integra uma estrutura usada para movimentação de recursos.

Segundo o Metrópoles, a Copenhagen não possui site próprio nem sede exclusiva registrada. A empresa aparece no endereço da Contábil Correa, em um prédio comercial em São Caetano do Sul (SP).

A relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro já havia vindo a público após o empresário financiar parte da produção do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Até então, o senador afirmava que o vínculo com o dono do Banco Master se restringia ao apoio ao projeto.

Em nota, Flávio Bolsonaro afirmou que não recebeu valores da Copenhagen e que as notas emitidas para a empresa foram canceladas porque a contratação não avançou. Segundo o senador, seu escritório tinha um contrato de prestação de serviços com a Contábil Correa, empresa de contabilidade que teria apresentado a Copenhagen como possível cliente.

Flávio disse ainda que não tinha conhecimento de qualquer relação entre a Contábil Correa ou a Copenhagen com o Banco Master e classificou como “capciosas” as tentativas de vinculá-lo ao caso. O senador afirmou também que pretende tomar medidas judiciais contra quem fizer associações que considera indevidas.

Rogério Lourenço Novo afirmou ao Metrópoles que é proprietário da Copenhagen desde setembro de 2025 e que contratou o escritório de Flávio Bolsonaro para prestar serviços aos clientes de sua empresa de contabilidade, em um modelo que chamou de “quarteirização”. Questionado sobre quais clientes receberam atendimento jurídico, disse que possui mais de 200 clientes e não se lembrava dos casos específicos.

A Trustee DTVM afirmou que não tinha ingerência sobre as relações comerciais da Copenhagen nem sobre pagamentos ou negociações entre a empresa e o Banco Master.

•        Júlia Zanatta e Bia Kicis: as vices que restaram – e que nada agregam – para Flávio Bolsonaro

segundo “não” da ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP-MS) ao convite de Valdemar Costa Neto para compor a chapa com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) abriu mais uma nova crise, desta vez sem precedentes, na cambaleante pré-candidatura do filho “01” de Jair Bolsonaro (PL), que vê o antigo ecossistema político que se aliou ao pai se esfacelando.

Tereza Cristina é avaliada pelo também ex-ministro da Casa Civil Ciro Nogueira como potencial candidata à Presidência, o que aumentou a fatura para um cortejado embarque do Progressistas.

Espertamente — e dentro de um pote de mágoas com Flávio Bolsonaro em razão do abandono pelo elo com Daniel Vorcaro —, Nogueira jogou a convenção do Progressistas para o dia 5 de agosto, prazo final para o registro das chapas junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Além de Tereza Cristina, o filho “01” de Bolsonaro corteja as deputadas Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE), que devem obedecer aos caciques do partido.

O impasse obrigou Flávio Bolsonaro a chegar à convenção do PL, que acontece no sábado (25), sem um candidato a vice. Sob fogo amigo, Rogério Marinho (PL-RN) resumiu o pânico que toma conta da pré-campanha.

“Até o dia 5 de agosto temos interesse em ter o apoio da federação (União-PP). O tempo de televisão permite que a campanha possa mostrar o candidato e responder às críticas. Estamos construindo também com Republicanos e Podemos”, afirmou o senador potiguar, que vem recebendo críticas na coordenação da pré-campanha justamente por deixar os aliados escaparem.

<><> Republicanos e fator Michelle

Enquanto vê o preço inflacionar para ter uma vice na federação comandada por Nogueira, Flávio Bolsonaro corteja outra mulher dentro do Republicanos para vice.

Classificada pelo sistema financeiro como a “Paulo Guedes de saias”, pela proximidade com o ex-“superministro” neoliberal de Bolsonaro, Daniella Marques Consentino correspondeu aos acenos e convenceu a Faria Lima de que colocaria as rédeas financistas como vice do já não mais “moderado” representante do clã do ex-presidente.

Contando com o entusiasmo de Eduardo Bolsonaro, de quem recebeu o aval em viagem para a Copa do Mundo, Daniella convenceu os neoliberais em seu périplo por Itaú, BTG, XP e Eurasia na Faria Lima. No entanto, o entrave acontece dentro do próprio Republicanos, de Edir Macedo.

Bispo licenciado da Igreja Universal, o presidente da sigla, Marcos Pereira, estaria cobrando uma fatura muito alta para entrar na chapa. Além de uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF) para si, Pereira quer o compromisso de Flávio Bolsonaro de abrir mão da reeleição para dar lugar a Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) em 2030.

A conta, no entanto, não fecha com os planos do clã Bolsonaro, que pretende se proliferar no poder caso Flávio seja eleito, além de não ter confiança na atuação de Pereira como ministro do Supremo para “anistiar” os membros do clã da série de processos e condenações impostas pela corte.

Além disso, Tarcísio ainda causa desconfiança pela aproximação que tem com Michelle Bolsonaro, com quem chegou a cogitar uma chapa presidencial antes de Flávio ser ungido ao posto pelo pai.

Michelle, que aceitaria ser vice de Tarcísio, nunca cogitou o mesmo com o enteado e, após o vídeo-bomba, fundou o próprio movimento político, o Michellismo, com vistas às eleições de 2030 — quando pretende contar com o apoio do governador paulista.

Quanto ao Podemos, citado por Marinho, o próprio PL entende que a sigla não tem força e se engalfinha às diretrizes dos outros pares do Centrão.

<><> Restam duas

Com as opções escassas, Flávio Bolsonaro conta com duas opções caseiras para vice, caso chegue ao dia 5 de agosto totalmente isolado pelo Centrão: as deputadas Júlia Zanatta (PL-SC) e Bia Kicis (PL-DF).

Eleitas na onda bolsonarista e totalmente submissas ao clã, as duas deputadas fazem uma disputa interna, se acotovelando a cada negativa de outras que teriam a preferência de Flávio Bolsonaro.

O maior problema é que nenhuma das duas agrega um voto sequer à candidatura de Flávio Bolsonaro, que derrete nas pesquisas e deve sofrer novos abalos em meio à campanha eleitoral com vídeos íntimos com Daniel Vorcaro ou até mesmo mais fogo amigo da madrasta — sem contar as investigações de Cláudio Castro, Comando Vermelho e o chamado Corredor do Rio.

<><> Bia Kicis: devoção cega e humilhação pública

Bia Kicis construiu sua trajetória política como uma das mais fiéis expoentes do bolsonarismo desde os tempos em que Jair Bolsonaro ainda integrava a bancada do baixo clero.

Procuradora aposentada do Distrito Federal, ganhou projeção nacional ao liderar movimentos pelo impeachment de Dilma Rousseff e, já eleita deputada em 2018 na onda bolsonarista, tornou-se uma das principais porta-vozes da agenda ideológica do governo, atuando em defesa das pautas mais radicais do então presidente, do negacionismo durante a pandemia aos ataques ao STF e ao sistema eleitoral.

A fidelidade lhe rendeu espaços de destaque, como a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas também evidenciou um comportamento essencialmente fisiológico: adaptou seu discurso e sua atuação parlamentar aos interesses imediatos do Planalto, tornando-se uma das mais disciplinadas defensoras de Bolsonaro no Congresso.

Essa lealdade, no entanto, nunca foi plenamente correspondida. Em julho de 2020, Bia Kicis sofreu uma das maiores humilhações públicas impostas por Bolsonaro a um aliado: foi exonerada do cargo de vice-líder do governo no Congresso por publicação no Diário Oficial, sem qualquer aviso prévio, após divergências relacionadas à votação do Fundeb. Depois da humilhação, Bolsonaro fez uma visita à deputada.

A própria deputada admitiu posteriormente que recebeu a notícia pelo Diário Oficial e que ninguém do Planalto teve a iniciativa de comunicá-la antes da demissão. Mesmo após o episódio, ela minimizou o tratamento recebido e permaneceu entre as mais aguerridas defensoras do ex-presidente, ilustrando uma relação marcada por subserviência política e pela lógica de fidelidade incondicional típica do núcleo bolsonarista.

Em meio à briga declarada entre Michelle e o enteado, fez questão de ficar ao lado de Flávio Bolsonaro já pensando nos dividendos eleitorais do apoio.

<><> Júlia Zanatta: armamentismo e submissão política

Júlia Zanatta é fruto da nova geração de parlamentares impulsionada pela onda bolsonarista de 2022. Sem trajetória política de expressão nacional antes da ascensão de Jair Bolsonaro, construiu sua imagem reproduzindo as principais bandeiras da extrema-direita — do armamentismo ao combate à chamada “ideologia de gênero”, passando pelos ataques ao Supremo Tribunal Federal e à esquerda.

A identificação com o bolsonarismo tornou-se seu principal ativo eleitoral, levando a deputada a adotar, de forma recorrente, o discurso e as estratégias de mobilização do clã Bolsonaro, muitas vezes subordinando sua atuação parlamentar às pautas e aos interesses políticos do ex-presidente e de seus filhos.

A relação, entretanto, sempre foi marcada por uma lógica de fidelidade unilateral. Zanatta esteve entre as parlamentares que mais se empenharam em defender Bolsonaro nos momentos de maior desgaste político e jurídico, reproduzindo suas narrativas mesmo quando contrariadas por decisões judiciais ou por fatos amplamente documentados.

Em diversas ocasiões, aceitou o papel de linha auxiliar do bolsonarismo, abrindo mão de protagonismo próprio para reforçar a estratégia do clã nas redes sociais e no Congresso. O que se observa é uma relação de marcada submissão política, na qual a manutenção do vínculo com o ex-presidente prevaleceu sobre a construção de uma agenda independente ou de posições que contrariassem os interesses do núcleo bolsonarista.

 

Fonte: ICL Notícias

 

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