sexta-feira, 24 de julho de 2026

Mendonça autoriza inquérito da PF sobre financiamento do filme Dark Horse

A investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse entrou em uma nova fase no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro André Mendonça autorizou a abertura de um inquérito da Polícia Federal para apurar a origem, a movimentação e o destino dos recursos destinados à produção cinematográfica que tem Jair Bolsonaro como personagem central.

A decisão representa uma mudança importante no caso. Até então, o tema tramitava por meio de diferentes manifestações submetidas ao Supremo. Ao todo, foram três pedidos de investigação: um apresentado pela Polícia Federal, outro pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e um terceiro protocolado por um advogado de forma independente, também por meio de notícia-crime.

Apenas o pedido da Polícia Federal recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR) e foi autorizado por Mendonça para prosseguimento.

No caso das manifestações apresentadas por Lindbergh e pelo advogado, um dos argumentos para o arquivamento foi a falta de competência para provocar a abertura de inquérito diretamente no STF. Segundo a avaliação da PGR, notícias-crime desse tipo não devem ser protocoladas na Corte por parlamentares ou particulares, mas seguir os canais institucionais adequados para eventual apuração.

Com a autorização do inquérito, a Polícia Federal passa a conduzir uma investigação formal, com poderes para realizar diligências, requisitar documentos, ouvir testemunhas e aprofundar a análise sobre o fluxo financeiro relacionado ao filme.

O pedido de abertura da investigação foi apresentado pela própria Polícia Federal e recebeu parecer favorável do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Ao acolher a manifestação, Mendonça entendeu que havia elementos suficientes para justificar o aprofundamento das apurações.

A investigação deverá concentrar esforços para identificar quem financiou efetivamente a produção, qual foi o caminho percorrido pelos recursos e qual foi sua destinação final. Entre os pontos que deverão ser examinados estão os valores atribuídos a empresas ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e a eventual utilização desses recursos em atividades políticas relacionadas ao grupo bolsonarista.

O caso ganhou dimensão nacional após surgirem suspeitas de que recursos privados destinados ao filme poderiam ter sido empregados em outras finalidades, incluindo despesas relacionadas à atuação internacional de aliados de Jair Bolsonaro. A família Bolsonaro nega qualquer irregularidade.

<><> Nova etapa processual

A autorização de Mendonça não significa o reconhecimento da existência de crimes nem antecipa qualquer responsabilização. A decisão apenas autoriza a instauração de um procedimento investigativo, etapa em que a Polícia Federal reúne provas para verificar se houve ilícitos e identificar eventuais responsáveis.

Na prática, a abertura do inquérito amplia significativamente os instrumentos disponíveis para a investigação. Diferentemente de uma notícia de fato ou de uma petição preliminar, o inquérito permite a adoção de diligências mais amplas, como a quebra do sigilo de documentos mediante autorização judicial, o rastreamento de operações financeiras e a coleta sistemática de depoimentos.

<><> O papel da PGR

Um dos aspectos que chamou atenção no caso foi a atuação da Procuradoria-Geral da República.

Embora a PGR tenha defendido o arquivamento da notícia-crime apresentada pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), o órgão manifestou-se favoravelmente ao pedido formulado pela Polícia Federal para a abertura de um inquérito próprio. As demais manifestações, incluindo a apresentada por um advogado de forma independente, também foram consideradas inadequadas para tramitação direta no STF.

A diferença é processual. Na avaliação da Procuradoria, as representações apresentadas por parlamentar e por particular não deveriam prosseguir nos moldes em que foram protocoladas, enquanto os elementos reunidos pela Polícia Federal eram suficientes para justificar uma investigação autônoma sob a relatoria de André Mendonça.

Antes da autorização do inquérito, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, havia definido que o caso deveria permanecer sob a relatoria de André Mendonça por conexão com outros procedimentos envolvendo Daniel Vorcaro e investigações relacionadas ao Banco Master.

Essa definição evitou a distribuição do caso a outro gabinete e concentrou em Mendonça a condução das apurações sobre o financiamento do filme.

<><> O que será investigado

Entre os principais pontos que deverão ser analisados pela Polícia Federal estão:

•        a origem dos recursos destinados à produção de Dark Horse;

•        o caminho percorrido pelo dinheiro até seus destinatários finais;

•        a participação de empresas ligadas a Daniel Vorcaro nas operações financeiras;

•        a compatibilidade entre os pagamentos realizados e os serviços efetivamente prestados;

•        e a eventual utilização dos recursos para finalidades distintas da produção cinematográfica.

A expectativa agora é pela edição da portaria de instauração do inquérito e pelas primeiras diligências da Polícia Federal. A partir desse momento, a investigação entra formalmente em sua fase de produção de provas, etapa que poderá definir o alcance das suspeitas e indicar se haverá pedidos de novas medidas ao Supremo Tribunal Federal.

•        PF vai investigar repasses de Vorcaro para filme sobre Jair Bolsonaro feitos a pedido de Flávio

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) para investigar os repasses de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a produção do filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O dinheiro foi dado pelo banqueiro a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.

Mendonça havia solicitado um parecer ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, a partir de solicitação da própria PF.

O chefe do Ministério Público Federal avaliou que havia elementos suficientes para justificar a abertura formal do inquérito.

Esse pedido é distinto de outro, feito anteriormente pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), também ao STF.

Lindbergh havia acionado o Supremo depois que o site The Intercept Brasil divulgou um áudio em que Flávio pede dinheiro a Vorcaro para o filme. A PGR se manifestou pelo arquivamento da solicitação do parlamentar.

No fim de junho, o presidente da corte, Edson Fachin, definiu que Mendonça seguiria como relator do caso.

Flávio Bolsonaro não se manifestou até o momento. Anteriormente, ele já havia dito que a solicitação de recursos a Vorcaro foi feita só para o filme e que não haveria qualquer irregularidade.

<><> O que será investigado pela PF

A crise envolvendo o clã Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro teve início no dia 13 de maio, após a divulgação de um áudio em que Flávio Bolsonaro pede apoio financeiro ao dono do Banco Master para o filme sobre o ex-presidente.

De acordo com a reportagem do site The Intercept Brasil, Vorcaro acertou um repasse total de US$ 24 milhões para a obra (cerca de R$ 134 milhões à época). Desse montante, R$ 61 milhões teriam sido efetivamente liberados entre fevereiro e maio de 2025.

Diante de atrasos nos pagamentos restantes, Flávio cobrou Vorcaro por mensagem. Em um dos textos divulgados, Flávio o chama de "irmão" e escreve: "Estou e estarei contigo sempre".

Vorcaro está preso na Papudinha, em Brasília, acusado de comandar fraudes bilionárias no Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro. Ele teve duas propostas de delação premiada rejeitadas pela Polícia Federal e pela PGR.

Flávio admitiu ter negociado com Vorcaro investimentos para custear as gravações, mas negou irregularidades, afirmando que o contato com o banqueiro se restringiu a assuntos do filme.

Segundo ele, o valor efetivamente investido, "100% comprovado", foi pouco superior a US$ 12 milhões — abaixo do orçamento previsto de US$ 24 milhões.

Pelo menos 10,6 milhões de dólares teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025. Segundo o The Intercept Brasil, parte do dinheiro foi transferida pela Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com empresas de Vorcaro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas (EUA).

Em maio, uma nova reportagem do site revelou que o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) atuou como produtor-executivo de Dark Horse, ao lado do também deputado Mario Frias (PL-SP), com poderes contratuais de gestão financeira sobre o projeto — documentos incluem um contrato entre Eduardo e a produtora Go Up Entertainment (sediada nos EUA).

A produtora do filme afirmou que Vorcaro bancou mais de 90% da produção. Karina Ferreira da Gama, sócia da GoUp, afirmou à Globonews que precisou procurar novos investidores após a prisão do banqueiro.

A PF apura se recursos de Vorcaro destinados ao filme teriam custeado despesas de Eduardo nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025, e se também financiaram outras ações de aliados de Jair Bolsonaro junto ao governo Trump.

Ao pedir a investigação no mês passado, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, disse considerar necessário apurar o envio de recursos de Vorcaro aos EUA sob justificativa de financiar o filme.

"Há necessidade de instaurar um inquérito para apurar todas essas circunstâncias que permeiam esses episódios", disse Rodrigues à GloboNews.

O ex-deputado confirmou ter assinado o contrato para a produção do filme anos atrás, mas disse ter usado recursos próprios (provenientes de seu projeto Ação Conservadora) para viabilizar a participação de um diretor de Hollywood, quando o filme "ainda era um sonho".

Segundo ele, deixou a função de diretor-executivo quando surgiram investidores e a estrutura passou a ser feita fora do Brasil, recebendo de volta o dinheiro que havia investido.

Eduardo negou que os repasses para a produção do filme tenham financiado sua vida nos EUA. Segundo ele, seu status migratório no país o impediria de receber dinheiro de fundo de investimento ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Flávio, por sua vez, negou ter oferecido contrapartidas: "Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo".

•        PL vê desgaste de Flávio em convenção após inquérito aprovado por Mendonça

O inquérito aprovado por André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), sobre os aportes ao filme Dark Horse ampliou o desgaste do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) às vésperas da convenção partidária, prevista para o próximo sábado (25).

Durante o CNN 360º desta quinta-feira (23), o analista de Política Pedro Venceslau descreveu um clima de apreensão no entorno da pré-campanha. Segundo ele, o momento é delicado para o senador, que, às vésperas da convenção partidária, ainda busca ampliar sua coligação.

"Havia conversas com Republicanos e Podemos, enquanto União Brasil e PP já declararam que vão ficar neutros nesta disputa eleitoral. Mas agora, praticamente, se torna impossível que Flávio Bolsonaro consiga fechar qualquer tipo de aliança com outros partidos do Centrão", destacou Venceslau.

O analista relatou que, mesmo entre lideranças do próprio campo da direita, há um clima de ceticismo em relação à campanha.

"A impressão dessas fontes ligadas ao próprio PL é de que, mesmo que Flávio Bolsonaro apresente negativas que sejam consistentes, há sempre uma nova revelação pendente que acontece depois que ele se explica", afirmou.

Essa dinâmica, segundo Venceslau, mantém a pré-campanha em constante estado de alerta e vai minando qualquer expectativa de poder. "Que é o principal elemento nas negociações partidárias", ressaltou.

O silêncio de Flávio Bolsonaro diante da decisão mais recente sobre o caso Dark Horse foi destacado como sintomático. Antes disso, ele já havia gravado vídeos para explicar sua relação com Daniel Vorcaro, em função de negócios do escritório de advocacia.

Além das questões nacionais, crises regionais também se acumulam, como a oficialização da candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará com apoio do Partido Liberal. Essa aliança foi pivô da desavença pública entre Flávio e Michelle Bolsonaro.

A convenção do PL, prevista para sábado, deve reunir aliados de outros partidos, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).

"É uma convenção que vai fazer de tudo para ter um clima de otimismo e de vitória, mas que vai acontecer sob forte clima de apreensão", destacou Venceslau.

<><> Questionamento sobre urnas

Outro ponto de atenção levantado pelo analista foi a declaração de Flávio Bolsonaro sobre o sistema eleitoral eletrônico.

Aliados do "bolsonarismo raiz" optaram por "dobrar a aposta" na fala do senador, já que ela é pública e tende a repercutir ao longo de todo o processo eleitoral.

"Reservadamente, aliados de Flávio no PL e em outras siglas dizem que ele precisa fazer esse gesto, que dialoga com a bolha bolsonarista, que anda dispersa", afirmou Venceslau.

O analista revelou que conversou com o senador Izalci Lucas (PL-DF), um dos que se posicionaram abertamente sobre o tema. O senador disse ao analista da CNN que "sou auditor e o que não é auditável não é confiável", defendendo o voto impresso.

"Uma bandeira que parecia superada e que não combina com esse figurino do 'Flávio moderado'", destacou Venceslau.

O analista destacou que muitos foram pegos de surpresa com a declaração do senador. Outros bolsonaristas classificaram a fala como inapropriada no momento atual, por ter afastado aliados mais moderados.

 

Fonte: ICL Notícias/BBC News Brasil/CNN Brasil

 

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