Câncer
não é mais sentença, mas ainda é descoberto muito tarde
O
câncer mudou. Nas últimas décadas, os avanços no diagnóstico e no tratamento
transformaram a forma de enfrentar a doença, aumentando significativamente as
chances de controle e sobrevida. Ainda assim, um problema persiste – e, em
muitos casos, se agrava: o diagnóstico continua acontecendo tarde demais. E, ao
mesmo tempo, cada vez mais cedo.
Dados
da Organização Mundial da Saúde indicam que entre 30% e 50% dos casos de câncer
poderiam ser evitados com mudanças no estilo de vida e estratégias de
prevenção. Apesar disso, hábitos de risco seguem em alta, enquanto a adesão a
exames de rastreamento ainda está longe do ideal.
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A medicina avançou, mas o comportamento não acompanhou
Hoje, a
oncologia vive uma revolução silenciosa. Terapias mais precisas, tratamentos
personalizados e maior compreensão do comportamento dos tumores têm mudado o
prognóstico de muitos pacientes. Em diversos casos, o câncer deixou de ser uma
sentença imediata para se tornar uma doença tratável e, em algumas situações,
controlável por longos períodos.
Mas
esse avanço não tem sido acompanhado na mesma velocidade pela população. O
medo, a negação, a rotina acelerada e a falsa sensação de que “está tudo bem”
fazem com que sinais iniciais sejam ignorados e consultas preventivas sejam
adiadas.
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Na
prática, isso significa que muitos pacientes ainda chegam ao consultório em
estágios mais avançados da doença, quando as possibilidades de tratamento se
tornam mais limitadas.
Hoje
temos muito mais recursos do que tínhamos há alguns anos. O problema é que
ainda encontramos pacientes que demoram a procurar ajuda, mesmo diante de
sintomas persistentes.
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Casos em adultos jovens entram no radar
Outro
fenômeno que tem chamado a atenção da comunidade médica é o aumento da
incidência de câncer em adultos mais jovens. Embora o envelhecimento continue
sendo o principal fator de risco, estudos recentes mostram crescimento em
faixas etárias abaixo dos 50 anos.
Publicações
da American Cancer Society já apontam essa tendência, especialmente em tumores
relacionados ao estilo de vida. Entre os fatores associados estão:
• aumento da obesidade;
• alimentação rica em ultraprocessados;
• sedentarismo;
• consumo de álcool;
• alterações metabólicas precoces.
Além
disso, mudanças no padrão reprodutivo, níveis de estresse elevados e distúrbios
hormonais também entram na equação, especialmente quando se fala em saúde
feminina. Esse cenário reforça um ponto importante: o câncer não é mais uma
doença exclusiva da terceira idade.
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Entre o excesso de informação e a falta de ação
Nunca
se falou tanto sobre saúde. Redes sociais, aplicativos e conteúdos digitais
ampliaram o acesso à informação como nunca antes. Ainda assim, isso não tem se
traduzido, necessariamente, em atitudes práticas de prevenção.
Muitas
pessoas conhecem termos, sintomas e até tratamentos, mas não realizam exames
básicos, não mantêm acompanhamento médico regular e subestimam sinais do
próprio corpo. O resultado é um paradoxo: mais informação, mas nem sempre mais
cuidado.
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Prevenção e diagnóstico precoce ainda são decisivos
Apesar
de todos os avanços, dois fatores continuam sendo determinantes no
enfrentamento do câncer: prevenção e diagnóstico precoce. Medidas como
alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do peso,
redução do consumo de álcool e abandono do tabagismo têm impacto direto na
redução do risco.
Da
mesma forma, exames de rotina e acompanhamento médico permitem identificar
alterações ainda em fases iniciais, quando as chances de tratamento eficaz são
significativamente maiores.
O
desafio, hoje, não está apenas na evolução da medicina – mas na capacidade de
transformar conhecimento em ação. Porque, embora o câncer já não seja mais
sinônimo imediato de morte, ele ainda cobra um preço alto quando descoberto
tarde demais.
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Estudo mostra que 25% dos brasileiros não sabem sobre prevenção do câncer
Um novo
estudo nacional, aponta que um a cada quatro brasileiros não sabe que o câncer
pode ser evitado. A pesquisa, realizada com 6,5 mil adultos em todo o país,
mostrou que há muita desinformação sobre a doença — que registrará 781 mil
novos casos por ano no Brasil até 2028.
O
relatório "Mais Dados Mais Saúde", obtido pela CNN Brasil, aponta que
40% dos casos de câncer poderiam ser evitados com algumas mudanças de hábito.
Assim como o hábito de fumar, outras atividades e comportamentos costumam
contribuir para a incidência da doença.
Os
dados mostram que 27% dos brasileiros sequer sabem que o câncer pode se
desenvolver de acordo com a rotina de uma pessoa. O nível de conhecimento varia
e envolve tópicos mais conhecidos, como tabagismo, herança genética e exposição
solar excessiva.
No
entanto, alguns comportamentos acabam ficando de lado no que diz respeito à
conscientização na luta contra o câncer. São menos abordados temas como consumo
de bebidas alcoólicas, de alimentos embutidos, ultraprocessados e carne
vermelha.
A parte
comportamental também não é reconhecida por grande parte da população como
fator de risco. O sedentarismo e o excesso de peso podem contribuir para o
surgimento da doença.
De
acordo com o estudo, o nível de conhecimento dos brasileiros sobre os fatores
de risco se configura da seguinte maneira:
• Tabagismo: 90,5%;
• Herança genética: 89,4%;
• Exposição solar excessiva: 88,3%;
• Bebidas alcoólicas: 71,3%;
• Alimentos embutidos: 70,7%;
• Ultraprocessados: 65,6%;
• Excesso de peso: 54,1%;
• Sedentarismo: 48,3%;
• Carne vermelha: 27,5%.
Um
ponto levantado sobre o estudo sugere que o alto conhecimento sobre herança
genética como fator de risco aponta para uma sensação de
"inevitabilidade" da doença; ou seja, para algumas pessoas, não há
como evitar o câncer.
A
pesquisa também sugere que 61,3% dos entrevistados acreditam que consumir
suplementos vitamínicos pode diminuir drasticamente o risco de ter câncer no
futuro. Já 40% não sabem que o aleitamento materno é um dos grandes aliados
contra o desenvolvimento de câncer de mama.
Mesmo
sem ter conhecimento sobre os fatores de risco, grande parte da população já
evitou ou não consome alimentos e bebidas que podem levar ao câncer.
O
estudo mostra que:
• 45% das pessoas que comem
ultraprocessados já tentaram diminuir o consumo;
• 45% das pessoas que comem carne vermelha
não pensam em diminuir o consumo;
• 86,3% da população afirmam consumir
frutas e verduras;
• Jovens de até 24 anos são o grupo que
está mais em contato com fatores de risco para ter câncer.
• Brasileiros reconhecem, mas não tratam
sintomas do câncer colorretal
O
câncer colorretal ainda está distante do cotidiano da maioria dos brasileiros,
apesar disso, uma pesquisa da A.C.Camargo e da Nexus apontou que, oito em cada
dez brasileiros reconhecem a gravidade dos sintomas da doença.
Para a
pesquisa — “A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em
diagnósticos médicos” —, foram ouvidas mais de 2 mil pessoas em todo o país.
Segundo
o levantamento, 8 em cada 10 brasileiros reconhecem como grave a presença de
sangue nas fezes ou a mudança de funcionamento no intestino por mais de um mês,
dois dos principais sintomas da doença. Mas na maioria dos casos, o
conhecimento não vem a partir da proximidade: apenas 21% dos entrevistados
conhecem alguém que já teve a doença, sendo 15% um parente muito próximo e 6%
um amigo ou conhecido. Outros 75% disseram que nunca tiveram contato com
pacientes desse tipo de câncer.
O tema
ganha ainda mais relevância diante dos números recentes da doença no país. Em
fevereiro deste ano, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimou 53.810 novos
casos de câncer colorretal por ano no Brasil para o triênio 2026-2028, o que o
torna o segundo tumor com maior incidência entre os brasileiros. A doença é a
mesma que a cantora Preta Gil, que faleceu em julho do ano passado, enfrentou
durante dois anos.
Dos 80%
de entrevistados que reconhecem a gravidade de sangue nas fezes ou uma mudança
no funcionamento intestinal que persista por mais de um mês, 42% consideram
esses sintomas “muito grave”. Esse reconhecimento chega a 44% entre quem já
conviveu de perto com a doença.
A
pesquisa também indica que a associação entre esses dois sintomas e o câncer de
intestino é majoritária, mas ainda carece de firmeza. São 67% dos brasileiros
que concordam que sangue nas fezes ou alterações intestinais prolongadas podem
indicar a doença, mas apenas 24% concordam “muito”. A maior parte (43%)
demonstra concordância apenas moderada.
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Sintomas reconhecidos
Um dos
achados mais relevantes do estudo diz respeito à distância entre reconhecer o
risco e agir diante dele. Na vida real, 9% dos entrevistados afirmam já ter
notado a presença de sangue nas fezes.
Desse
grupo, embora 59% tenham buscado atendimento médico imediatamente, uma parcela
expressiva de 40% não teve essa reação: 19% não fizeram nada e esperaram o
sintoma passar, 10% aguardaram dias ou semanas antes de procurar um médico, 7%
recorreram a remédios caseiros ou mudanças na alimentação, 3% foram à farmácia
buscar medicação por conta própria e 1% pesquisou na internet antes de buscar
orientação profissional.
A busca
imediata por um diagnóstico é maior entre quem tem melhores condições
financeiras (86%), brasileiros acima dos 60 anos (72%) e moradores do Sudeste
(72%). As mulheres (63%) também costumam buscar mais ajuda imediata do que os
homens (54%). Entre os moradores do Norte/Centro-Oeste, chega a 43% o número de
entrevistados que apenas esperou o sintoma passar.
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Exame de rastreamento
Outra
descoberta da pesquisa, é o desconhecimento sobre ferramentas de rastreamento
precoce. Dois em cada três brasileiros (67%) nunca ouviram falar do exame
“Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes” (PSO), recurso simples e utilizado para
identificar sinais da doença antes mesmo do aparecimento de sintomas evidentes.
Apenas 11% já realizaram o exame, enquanto 21% conhecem o procedimento, mas
nunca o fizeram.
O
desconhecimento chega a 85% entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, e também é
maior do que a média entre homens (76%), pessoas com menor renda (73%) e que
estudaram apenas até o ensino fundamental (72%).
Entre
quem teve ou conhece alguém que teve câncer colorretal o desconhecimento do
exame cai para 56% e o percentual de entrevistados que realizaram o PSO quase
triplica: 8% dos brasileiros que não têm contato com a doença já realizaram o
exame contra 21% de quem já teve.
Diante
do crescimento da doença no país, especialistas do A.C.Camargo reforçam a
importância de não ignorar sinais como sangramento, alteração no ritmo
intestinal, dor abdominal persistente e perda de peso sem causa aparente, além
da realização de exames preventivos a partir dos 45 anos ou antes, conforme
orientação médica e histórico familiar.
Fonte:
CNN Brasil

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