MENTIRA
DE PAI PRA FILHO: Flavio repetiu discurso de Jair Bolsonaro
Durante
um encontro com diplomatas estrangeiros realizado nesta terça-feira (21), em
Brasília, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez declarações sobre o sistema
eleitoral brasileiro e pediu o reforço da presença de observadores
internacionais nas eleições de 2026. O parlamentar também associou as urnas
eletrônicas utilizadas no Brasil à empresa venezuelana Smartmatic, tese já
desmentida anteriormente pela Justiça Eleitoral.
Durante
reunião com embaixadores, em julho de 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro
também fez diversos ataques ao sistema eleitoral sem provas. O encontro foi
transmitido pela TV Brasil. Em junho de 2023, o TSE declarou Bolsonaro
inelegível por oito anos. Com placar de 5 a 2, a Corte reconheceu a prática de
abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante a
reunião com os embaixadores.
Nesta
terça, Flávio citou um relatório da CIA divulgado na semana passada, segundo o
qual a Smartmatic teria participado de um suposto esquema de manipulação das
eleições venezuelanas de 2012 por meio de urnas previamente programadas. Com
base nisso, sugeriu que os equipamentos usados no Brasil teriam a mesma origem
da empresa.
“Há
poucos dias, por coincidência, há uma denúncia por parte do governo americano
de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na
Venezuela. […] Muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições
brasileiras são da mesma… Têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”,
declarou.
Na
sequência, o senador defendeu uma ampliação da fiscalização internacional do
pleito brasileiro.
“O
pedido que eu faço a todos aqui, não estou questionando o sistema de votação
brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de
observadores possíveis para as nossas eleições, como sempre fazem, e também
pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e [sobre] como o Brasil
pode dar eleições mais seguras e transparentes”, afirmou.
As
declarações ocorreram durante um ciclo de palestras promovido pela consultoria
Novo Selo Comunicação, que reuniu pré-candidatos à Presidência da República com
embaixadores, cônsules, chefes de missão e outros representantes diplomáticos.
A
assessoria da pré-campanha de Flávio Bolsonaro foi procurada para comentar as
falas, mas não respondeu até a publicação da reportagem.
A
relação entre as urnas eletrônicas brasileiras e a Smartmatic, no entanto, já
foi rejeitada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em nota divulgada
anteriormente, a Corte informou que a empresa nunca forneceu urnas nem
desenvolveu os programas utilizados nas eleições brasileiras.
Segundo
o tribunal, os contratos firmados com a Smartmatic limitaram-se à prestação de
serviços de conexão de dados e voz, além de treinamentos para suporte técnico e
operacional. A companhia chegou a participar da licitação para fabricar urnas
eletrônicas destinadas às eleições de 2020, mas foi derrotada pela Positivo.
No
mesmo evento, Flávio também comentou a reunião realizada por Jair Bolsonaro com
embaixadores em 2022. O senador afirmou que o ex-presidente foi declarado
inelegível após demonstrar “uma preocupação com a transparência e a segurança
do nosso sistema eleitoral”.
• Fala sobre urnas vira munição contra
tentativa de Flávio de construir imagem moderada
O
governo e lideranças do centrão apontam erro estratégico de Flávio Bolsonaro
(PL) na declaração desta terça-feira (21) contra as urnas eletrônicas.
Integrantes do PT afirmam que o discurso acabou com a tentativa de moderação do
pré-candidato à Presidência. Já o Centrão aponta que o senador atraiu para si
um tom derrotista ao tentar resgatar um assunto considerado pelo grupo como
“página virada”.
“A
tentativa de apresentar Flávio como um candidato moderado era uma estratégia
fadada ao fracasso. Ele é o que é, um bolsonarista raiz, e como tal flerta com
o golpismo, os ataques às instituições e com uma postura submissa, entreguista
a interesses estrangeiros. A melhor definição de Flávio partiu de Donald Trump:
Bolsonaro Júnior”, disse à Folha o secretário de comunicação do PT, Éden
Valadares.
Desde
que assumiu sua pré-candidatura, Flávio Bolsonaro tem tentado passar uma imagem
de moderação, pelo menos em comparação ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A
avaliação do PL era que, se não apostasse nos mesmos discursos do pai, ele
poderia recuperar parte dos eleitores de centro e vencer o presidente Lula (PT)
na eleição de outubro.
Apesar
disso, Flávio passou a enfrentar dificuldades de manter esse discurso,
principalmente diante do tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil, logo
após o pré-candidato visitar Donald Trump e tirar uma foto com o presidente
estadunidense. Nesse sentido, a associação, já desmentida, de relação entre
urnas brasileiras e uma empresa venezuelana piorou esse cenário.
O
deputado Jilmar Tatto (PT-SP) defendeu a retirada de Flávio da corrida
eleitoral. “Acho que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) devia não deixar ele
ser candidato. O cara não confia na urna eletrônica, como participa de um
pleito que acha que não tem segurança?”, afirmou.
No
Centrão, integrantes de partidos com quem Flávio manteve diálogo, do PP, ao
União Brasil e Republicanos, dizem que a declaração só não atrapalhou uma
aliança com a sigla porque elas já tinham descartado uma adesão formal à
candidatura do PL à Presidência da República.
Anteriormente,
parte do Centrão havia colocado a moderação como pré-requisito para uma
eventual aliança com Flávio Bolsonaro. Uma ala aponta que, ao por em xeque a
confiabilidade das urnas, o senador não só voltou a um assunto considerado
“página virada” como assumiu um tom de “derrotismo” no pleito de outubro.
O grupo
diz que tal estratégia, de reunir diplomatas para atacar o sistema de votação
nacional, não rendeu bons frutos ao pai de Flávio Em 2022, o então presidente
Jair Bolsonaro reuniu embaixadores e atacou as urnas. Ele foi condenado pelo
TSE, ficando inelegível por oito anos por abuso de poder político e uso
indevido dos meios de comunicação.
Enquanto
isso, um interlocutor da pré-campanha de Flávio Bolsonaro minimiza o impacto.
Ele argumenta que, nas bolhas da direita, houve pouca atenção para o discurso
do pré-candidato sobre as urnas eletrônicas.
Reconhece,
porém, que a fala municiou influenciadores da esquerda para explorarem o
assunto nas redes sociais.
• Ronaldo Caiado esculhamba encontro de
Flávio Bolsonaro com embaixadores
Durante
evento realizado na terça-feira (21), que contou com a presença de
representantes diplomáticos de 42 países, o senador e pré-candidato do PL à
Presidência, Flávio Bolsonaro, disseminou informações falsas sobre as urnas
eletrônicas.
“Há
poucos dias, por coincidência, há uma denúncia por parte do governo americano
de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na
Venezuela”, disse o senador. Na sequência, afirmou que “muitas dessas máquinas
que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa
venezuelana”, referindo-se à Smartmatic, empresa citada em documento da CIA
como suspeita de envolvimento em manipulação de votos nas eleições venezuelanas
de 2010 e 2012. Essas informações já foram desmentidas pelo Tribunal Superior
Eleitoral (TSE).
Ronaldo
Caiado, pré-candidato do PSD à Presidência e que disputa o eleitorado da
direita com o candidato do PL, esculhambou a participação de Flávio Bolsonaro
no evento com representantes diplomáticos e afirmou que o senador poderia ter
tratado da abertura de negócios, mas optou por falar do sistema eleitoral
brasileiro.
“42
embaixadores numa sala: dava para vender soja. Dava para abrir mercado para a
indústria. Dava para atrair investimento. Escolheram falar de urna
eletrônica!”, disparou Caiado.
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Flávio Bolsonaro repete tática do pai e difunde desinformação sobre urnas a
embaixadores
O
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência, usou um evento
com representantes diplomáticos de 42 países em Brasília, nesta terça-feira
(21), para disseminar informações falsas sobre as urnas eletrônicas
brasileiras, associando-as à empresa venezuelana Smartmatic. No mesmo discurso,
pediu que os países enviem “a maior quantidade de observadores possível” para
as eleições de outubro, citando documentos da CIA sobre supostas fraudes
eleitorais na Venezuela. O episódio repete, ponto a ponto, a estratégia de seu
pai, Jair Bolsonaro, declarado inelegível pelo TSE após reunião semelhante com
embaixadores em 2022.
O
evento “Debatendo o Brasil”, organizado pelo site The Brazilian Report e pela
agência Novo Selo Comunicação, reuniu membros do corpo diplomático de nações
como Estados Unidos, Israel, Reino Unido, África do Sul, Austrália, Alemanha e
Paraguai, entre outros. Foi diante dessa plateia que Flávio Bolsonaro escolheu
evocar documentos da CIA, divulgados pela gestão Trump na semana anterior, que
apontam suspeitas sobre o processo eleitoral venezuelano, para então fazer uma
conexão sem respaldo com o sistema eleitoral brasileiro.
“Há
poucos dias, por coincidência, há uma denúncia por parte do governo americano
de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na
Venezuela”, disse o senador. Na sequência, afirmou que “muitas dessas máquinas
que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa
venezuelana”, referindo-se à Smartmatic, empresa citada no documento da CIA
como suspeita de envolvimento em manipulação de votos nas eleições venezuelanas
de 2010 e 2012.
A
partir dessa premissa falsa, Flávio fez seu pedido central à plateia
estrangeira: “O pedido que eu faço a todos aqui, não estou questionando o
sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior
quantidade de observadores possíveis para nossas eleições, como sempre fazem, e
também pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e como o Brasil
pode dar eleições mais seguras e transparentes.”
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As informações falsas e os desmentidos do TSE
A
afirmação de Flávio Bolsonaro não tem sustentação factual. O TSE desmentiu
publicamente a ligação entre a Smartmatic e as urnas eletrônicas brasileiras em
2017, 2020, 2022 e novamente em julho de 2026, quando foi procurado sobre a
fala do senador. A nota do tribunal é categórica: “São falsas as mensagens que
circulam nas redes sociais segundo as quais a empresa Smartmatic fornece urnas
eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil. Todo o projeto da urna
eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é
gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país.”
A
Smartmatic, de fato, teve relação com o TSE, mas em escopo completamente
distinto do alegado pelo senador. Segundo a Justiça Eleitoral, a empresa
celebrou contratos apenas para prestação de serviços de conexão de dados e voz,
além de treinamento de profissionais de suporte técnico. Ela não fabricou, não
programou e não operou nenhum equipamento de votação. A empresa ainda
participou de licitação para fabricação de urnas para 2020, mas perdeu o
processo para a empresa Positivo.
O TSE
reforça que o sistema eletrônico de votação “utiliza meios próprios e
criptografados de comunicação e transmissão de dados, não tendo nenhum contato
com redes públicas, como a internet”, e que, em mais de 20 anos, foi
“reiteradamente testado e comprovadamente isento de quaisquer formas de
manipulação”.
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A tática de descredibilização e o pedido de observadores
A cena
em Brasília tem um precedente direto e juridicamente relevante. Em 2022, Jair
Bolsonaro convocou embaixadores para uma reunião transmitida pela televisão
pública e questionou o sistema eleitoral sem apresentar provas. O TSE
considerou que o ex-presidente cometeu abuso de poder político ao propagar
informações já desmentidas, o que resultou em sua declaração de
inelegibilidade. O próprio Flávio mencionou o episódio no discurso, descrevendo
o pai como alguém que “apenas manifestava suas preocupações” — uma releitura
que o tribunal eleitoral, à época, não aceitou.
A
contradição interna do discurso de Flávio é flagrante: ao mesmo tempo em que
declarou “não estar questionando o sistema de votação brasileiro”, o senador
usou informações falsas sobre a origem das urnas para justificar o pedido de
observadores com “conhecimento sobre essa tecnologia”. Afirmar que as urnas têm
origem suspeita e, na frase seguinte, dizer que não está questionando o sistema
é uma construção que não se sustenta.
A
difusão de desinformação para diplomatas estrangeiros funciona como uma
tentativa de internacionalizar a narrativa de fraude, desgastando a imagem do
Brasil no exterior e preparando o terreno para contestações futuras do
resultado eleitoral, caso o pleito de outubro não produza o resultado esperado
pelo campo bolsonarista.
O
padrão é o mesmo que levou o pai à inelegibilidade: usar um fórum diplomático
para plantar dúvidas sobre a lisura do processo eleitoral, com informações que
o próprio TSE já havia refutado publicamente. A diferença é que Flávio fez
questão de lembrar o destino do pai antes de repetir o roteiro.
• “Só burrice” ou “é frouxo e quer
desistir”, diz Marco Aurélio Carvalho sobre Flávio Bolsonaro atacar urnas
Coordenador
jurídico da campanha de Lula em São Paulo e do Grupo Prerro, que reúne
advogados progressistas, Marco Aurélio Carvalho afirmou à Fórum que estão sendo
observadas duas hipóteses no recente ataque às urnas eletrônicas e ao sistema
eleitoral por Flávio Bolsonaro (PL). A partir dessa observação, estão sendo
avaliadas medidas jurídicas.
Carvalho,
no entanto, afirmou que não há hipótese de se pedir a cassação da candidatura
visto que não houve sequer oficialização e registro da chapa de Flávio
Bolsonaro, que pena para conseguir uma vice, no Tribunal Superior Eleitoral
(TSE).
“Pode
ser só burrice. Mas pode ser uma estratégia de Flávio Bolsonaro para abandonar
a disputa. Como já visto na disputa à prefeitura do Rio [em 2016], Flávio
Bolsonaro é um frouxo e não consegue sustentar as próprias ideias. Pode ser um
mecanismo para inviabilizar a própria candidatura, que está derretendo”,
afirmou o advogado.
Segundo
Marco Aurélio, a campanha vê um “aspecto positivo” no ataque às urnas feito
pelo filho “01” de Jair Bolsonaro: de que ele teria abandonado definitivamente
a fantasia de moderado que tentou vender no início da pré-campanha.
“Há um
aspecto positivo, pois ele carrega o sobrenome Bolsonaro, cujo golpismo está no
DNA. Assim como Tarcísio [Gomes de Freitas], ele havia tentando se distanciar
disso, se vendendo como moderado. Com o ataque às urnas, caiu a máscara. Flávio
mostrou que é da mesma cepa do pai”, afirmou.
O
advogado afirma que a campanha acompanha com cautela a radicalização de Flávio
Bolsonaro e a orientação, no momento, é fazer “uma defesa contundente da
democracia e do processo eleitoral”, que se tornaram alvos mais uma vez da
ultradireita.
Fonte:
ICL Notícias/Fórum

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