sexta-feira, 24 de julho de 2026

MENTIRA DE PAI PRA FILHO: Flavio repetiu discurso de Jair Bolsonaro

Durante um encontro com diplomatas estrangeiros realizado nesta terça-feira (21), em Brasília, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez declarações sobre o sistema eleitoral brasileiro e pediu o reforço da presença de observadores internacionais nas eleições de 2026. O parlamentar também associou as urnas eletrônicas utilizadas no Brasil à empresa venezuelana Smartmatic, tese já desmentida anteriormente pela Justiça Eleitoral.

Durante reunião com embaixadores, em julho de 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro também fez diversos ataques ao sistema eleitoral sem provas. O encontro foi transmitido pela TV Brasil. Em junho de 2023, o TSE declarou Bolsonaro inelegível por oito anos. Com placar de 5 a 2, a Corte reconheceu a prática de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante a reunião com os embaixadores.

Nesta terça, Flávio citou um relatório da CIA divulgado na semana passada, segundo o qual a Smartmatic teria participado de um suposto esquema de manipulação das eleições venezuelanas de 2012 por meio de urnas previamente programadas. Com base nisso, sugeriu que os equipamentos usados no Brasil teriam a mesma origem da empresa.

“Há poucos dias, por coincidência, há uma denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela. […] Muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma… Têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”, declarou.

Na sequência, o senador defendeu uma ampliação da fiscalização internacional do pleito brasileiro.

“O pedido que eu faço a todos aqui, não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para as nossas eleições, como sempre fazem, e também pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e [sobre] como o Brasil pode dar eleições mais seguras e transparentes”, afirmou.

As declarações ocorreram durante um ciclo de palestras promovido pela consultoria Novo Selo Comunicação, que reuniu pré-candidatos à Presidência da República com embaixadores, cônsules, chefes de missão e outros representantes diplomáticos.

A assessoria da pré-campanha de Flávio Bolsonaro foi procurada para comentar as falas, mas não respondeu até a publicação da reportagem.

A relação entre as urnas eletrônicas brasileiras e a Smartmatic, no entanto, já foi rejeitada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em nota divulgada anteriormente, a Corte informou que a empresa nunca forneceu urnas nem desenvolveu os programas utilizados nas eleições brasileiras.

Segundo o tribunal, os contratos firmados com a Smartmatic limitaram-se à prestação de serviços de conexão de dados e voz, além de treinamentos para suporte técnico e operacional. A companhia chegou a participar da licitação para fabricar urnas eletrônicas destinadas às eleições de 2020, mas foi derrotada pela Positivo.

No mesmo evento, Flávio também comentou a reunião realizada por Jair Bolsonaro com embaixadores em 2022. O senador afirmou que o ex-presidente foi declarado inelegível após demonstrar “uma preocupação com a transparência e a segurança do nosso sistema eleitoral”.

•        Fala sobre urnas vira munição contra tentativa de Flávio de construir imagem moderada

O governo e lideranças do centrão apontam erro estratégico de Flávio Bolsonaro (PL) na declaração desta terça-feira (21) contra as urnas eletrônicas. Integrantes do PT afirmam que o discurso acabou com a tentativa de moderação do pré-candidato à Presidência. Já o Centrão aponta que o senador atraiu para si um tom derrotista ao tentar resgatar um assunto considerado pelo grupo como “página virada”.

“A tentativa de apresentar Flávio como um candidato moderado era uma estratégia fadada ao fracasso. Ele é o que é, um bolsonarista raiz, e como tal flerta com o golpismo, os ataques às instituições e com uma postura submissa, entreguista a interesses estrangeiros. A melhor definição de Flávio partiu de Donald Trump: Bolsonaro Júnior”, disse à Folha o secretário de comunicação do PT, Éden Valadares.

Desde que assumiu sua pré-candidatura, Flávio Bolsonaro tem tentado passar uma imagem de moderação, pelo menos em comparação ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A avaliação do PL era que, se não apostasse nos mesmos discursos do pai, ele poderia recuperar parte dos eleitores de centro e vencer o presidente Lula (PT) na eleição de outubro.

Apesar disso, Flávio passou a enfrentar dificuldades de manter esse discurso, principalmente diante do tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil, logo após o pré-candidato visitar Donald Trump e tirar uma foto com o presidente estadunidense. Nesse sentido, a associação, já desmentida, de relação entre urnas brasileiras e uma empresa venezuelana piorou esse cenário.

O deputado Jilmar Tatto (PT-SP) defendeu a retirada de Flávio da corrida eleitoral. “Acho que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) devia não deixar ele ser candidato. O cara não confia na urna eletrônica, como participa de um pleito que acha que não tem segurança?”, afirmou.

No Centrão, integrantes de partidos com quem Flávio manteve diálogo, do PP, ao União Brasil e Republicanos, dizem que a declaração só não atrapalhou uma aliança com a sigla porque elas já tinham descartado uma adesão formal à candidatura do PL à Presidência da República.

Anteriormente, parte do Centrão havia colocado a moderação como pré-requisito para uma eventual aliança com Flávio Bolsonaro. Uma ala aponta que, ao por em xeque a confiabilidade das urnas, o senador não só voltou a um assunto considerado “página virada” como assumiu um tom de “derrotismo” no pleito de outubro.

O grupo diz que tal estratégia, de reunir diplomatas para atacar o sistema de votação nacional, não rendeu bons frutos ao pai de Flávio Em 2022, o então presidente Jair Bolsonaro reuniu embaixadores e atacou as urnas. Ele foi condenado pelo TSE, ficando inelegível por oito anos por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação.

Enquanto isso, um interlocutor da pré-campanha de Flávio Bolsonaro minimiza o impacto. Ele argumenta que, nas bolhas da direita, houve pouca atenção para o discurso do pré-candidato sobre as urnas eletrônicas.

Reconhece, porém, que a fala municiou influenciadores da esquerda para explorarem o assunto nas redes sociais.

•        Ronaldo Caiado esculhamba encontro de Flávio Bolsonaro com embaixadores

Durante evento realizado na terça-feira (21), que contou com a presença de representantes diplomáticos de 42 países, o senador e pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, disseminou informações falsas sobre as urnas eletrônicas.

“Há poucos dias, por coincidência, há uma denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela”, disse o senador. Na sequência, afirmou que “muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”, referindo-se à Smartmatic, empresa citada em documento da CIA como suspeita de envolvimento em manipulação de votos nas eleições venezuelanas de 2010 e 2012. Essas informações já foram desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Ronaldo Caiado, pré-candidato do PSD à Presidência e que disputa o eleitorado da direita com o candidato do PL, esculhambou a participação de Flávio Bolsonaro no evento com representantes diplomáticos e afirmou que o senador poderia ter tratado da abertura de negócios, mas optou por falar do sistema eleitoral brasileiro.

“42 embaixadores numa sala: dava para vender soja. Dava para abrir mercado para a indústria. Dava para atrair investimento. Escolheram falar de urna eletrônica!”, disparou Caiado.

<><> Flávio Bolsonaro repete tática do pai e difunde desinformação sobre urnas a embaixadores

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência, usou um evento com representantes diplomáticos de 42 países em Brasília, nesta terça-feira (21), para disseminar informações falsas sobre as urnas eletrônicas brasileiras, associando-as à empresa venezuelana Smartmatic. No mesmo discurso, pediu que os países enviem “a maior quantidade de observadores possível” para as eleições de outubro, citando documentos da CIA sobre supostas fraudes eleitorais na Venezuela. O episódio repete, ponto a ponto, a estratégia de seu pai, Jair Bolsonaro, declarado inelegível pelo TSE após reunião semelhante com embaixadores em 2022.

O evento “Debatendo o Brasil”, organizado pelo site The Brazilian Report e pela agência Novo Selo Comunicação, reuniu membros do corpo diplomático de nações como Estados Unidos, Israel, Reino Unido, África do Sul, Austrália, Alemanha e Paraguai, entre outros. Foi diante dessa plateia que Flávio Bolsonaro escolheu evocar documentos da CIA, divulgados pela gestão Trump na semana anterior, que apontam suspeitas sobre o processo eleitoral venezuelano, para então fazer uma conexão sem respaldo com o sistema eleitoral brasileiro.

“Há poucos dias, por coincidência, há uma denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela”, disse o senador. Na sequência, afirmou que “muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”, referindo-se à Smartmatic, empresa citada no documento da CIA como suspeita de envolvimento em manipulação de votos nas eleições venezuelanas de 2010 e 2012.

A partir dessa premissa falsa, Flávio fez seu pedido central à plateia estrangeira: “O pedido que eu faço a todos aqui, não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para nossas eleições, como sempre fazem, e também pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e como o Brasil pode dar eleições mais seguras e transparentes.”

<><> As informações falsas e os desmentidos do TSE

A afirmação de Flávio Bolsonaro não tem sustentação factual. O TSE desmentiu publicamente a ligação entre a Smartmatic e as urnas eletrônicas brasileiras em 2017, 2020, 2022 e novamente em julho de 2026, quando foi procurado sobre a fala do senador. A nota do tribunal é categórica: “São falsas as mensagens que circulam nas redes sociais segundo as quais a empresa Smartmatic fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil. Todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país.”

A Smartmatic, de fato, teve relação com o TSE, mas em escopo completamente distinto do alegado pelo senador. Segundo a Justiça Eleitoral, a empresa celebrou contratos apenas para prestação de serviços de conexão de dados e voz, além de treinamento de profissionais de suporte técnico. Ela não fabricou, não programou e não operou nenhum equipamento de votação. A empresa ainda participou de licitação para fabricação de urnas para 2020, mas perdeu o processo para a empresa Positivo.

O TSE reforça que o sistema eletrônico de votação “utiliza meios próprios e criptografados de comunicação e transmissão de dados, não tendo nenhum contato com redes públicas, como a internet”, e que, em mais de 20 anos, foi “reiteradamente testado e comprovadamente isento de quaisquer formas de manipulação”.

<><> A tática de descredibilização e o pedido de observadores

A cena em Brasília tem um precedente direto e juridicamente relevante. Em 2022, Jair Bolsonaro convocou embaixadores para uma reunião transmitida pela televisão pública e questionou o sistema eleitoral sem apresentar provas. O TSE considerou que o ex-presidente cometeu abuso de poder político ao propagar informações já desmentidas, o que resultou em sua declaração de inelegibilidade. O próprio Flávio mencionou o episódio no discurso, descrevendo o pai como alguém que “apenas manifestava suas preocupações” — uma releitura que o tribunal eleitoral, à época, não aceitou.

A contradição interna do discurso de Flávio é flagrante: ao mesmo tempo em que declarou “não estar questionando o sistema de votação brasileiro”, o senador usou informações falsas sobre a origem das urnas para justificar o pedido de observadores com “conhecimento sobre essa tecnologia”. Afirmar que as urnas têm origem suspeita e, na frase seguinte, dizer que não está questionando o sistema é uma construção que não se sustenta.

A difusão de desinformação para diplomatas estrangeiros funciona como uma tentativa de internacionalizar a narrativa de fraude, desgastando a imagem do Brasil no exterior e preparando o terreno para contestações futuras do resultado eleitoral, caso o pleito de outubro não produza o resultado esperado pelo campo bolsonarista.

O padrão é o mesmo que levou o pai à inelegibilidade: usar um fórum diplomático para plantar dúvidas sobre a lisura do processo eleitoral, com informações que o próprio TSE já havia refutado publicamente. A diferença é que Flávio fez questão de lembrar o destino do pai antes de repetir o roteiro.

•        “Só burrice” ou “é frouxo e quer desistir”, diz Marco Aurélio Carvalho sobre Flávio Bolsonaro atacar urnas

Coordenador jurídico da campanha de Lula em São Paulo e do Grupo Prerro, que reúne advogados progressistas, Marco Aurélio Carvalho afirmou à Fórum que estão sendo observadas duas hipóteses no recente ataque às urnas eletrônicas e ao sistema eleitoral por Flávio Bolsonaro (PL). A partir dessa observação, estão sendo avaliadas medidas jurídicas.

Carvalho, no entanto, afirmou que não há hipótese de se pedir a cassação da candidatura visto que não houve sequer oficialização e registro da chapa de Flávio Bolsonaro, que pena para conseguir uma vice, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“Pode ser só burrice. Mas pode ser uma estratégia de Flávio Bolsonaro para abandonar a disputa. Como já visto na disputa à prefeitura do Rio [em 2016], Flávio Bolsonaro é um frouxo e não consegue sustentar as próprias ideias. Pode ser um mecanismo para inviabilizar a própria candidatura, que está derretendo”, afirmou o advogado.

Segundo Marco Aurélio, a campanha vê um “aspecto positivo” no ataque às urnas feito pelo filho “01” de Jair Bolsonaro: de que ele teria abandonado definitivamente a fantasia de moderado que tentou vender no início da pré-campanha.

“Há um aspecto positivo, pois ele carrega o sobrenome Bolsonaro, cujo golpismo está no DNA. Assim como Tarcísio [Gomes de Freitas], ele havia tentando se distanciar disso, se vendendo como moderado. Com o ataque às urnas, caiu a máscara. Flávio mostrou que é da mesma cepa do pai”, afirmou.

O advogado afirma que a campanha acompanha com cautela a radicalização de Flávio Bolsonaro e a orientação, no momento, é fazer “uma defesa contundente da democracia e do processo eleitoral”, que se tornaram alvos mais uma vez da ultradireita.

 

Fonte: ICL Notícias/Fórum

 

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