O
caminho da democracia é longo e penoso
Em seu Manifesto
Antropofágico publicado em 1928 na Revista de Antropofagia, Oswald
de Andrade (1890-1954) propõe uma “deglutição cultural” – a ideia de “tratar”
influências estrangeiras e transformá‑las em algo autenticamente brasileiro. O
manifesto propõe uma antropofagia cultural, expressão metafórica que se coloca
na direção de “devorar” influências externas (europeias, estadunidenses), a fim
de poder recriá‑las de forma autônoma e crítica.
Sem
dúvidas, uma contundente crítica ao colonialismo cultural e à submissão da
elite brasileira aos padrões que vem do norte global. Passados quase cem anos
da publicação do texto original, o incitamento de Oswald de Andrade permanece
atual. Seu apelo “Contra todas as catequeses” vem ganhando ares de necessidade
nesses dias tensos de um tempo pautado pelas eleições na realidade brasileira.
Em
março de 2016, mais de uma década atrás, a jornalista Eliane Brum publicava no
jornal El país, um artigo intitulado “Na política, mesmo os crentes
precisam ser ateus”. No texto, ela procurava demonstrar os riscos de uma adesão
à política pela via da fé, afirmando que se faz necessário resistir pela via da
razão ao “canto da sereia” – nesse caso, é preciso resistir pela razão a
tentação da crença na existência de um “mito salvador”.
A
racionalidade, ainda que passível de críticas (necessárias), se coloca como uma
faculdade humana que pode nos possibilitar seguir na busca por um mundo onde
caibam os muitos mundos que nele habitam. Mais de dez anos se passaram da
publicação do texto de Eliane Brum e vemos a lógica da barbárie muito presente
em fanatismos políticos em curso.
Infelizmente,
a máxima “contra todas as catequeses” de Oswald e o apelo ao ateísmo político
proposto por Eliane Brum parecem ter prosperado pouco nesses últimos anos. Por
exemplo, ver brasileiros e brasileiras (autodeclarados patriotas) comemorando
sanções desproporcionais e descabidas dos USA (e abusa) ao Brasil é uma
contradição absurda. Desfilar no dia 7 de setembro (em comemoração ao Dia da
Independência) com bonecos gigantes do presidente dos EUA, clamando por
intervenção, chega a ser assustador. Neste caso, o extremismo ideológico parece
nublar nossa capacidade de discernimento e o convite ao absurdo fica evidente
(efeito colateral de todo fanatismo).
Os
argumentos de Oswald de Andrade e de Eliane Brum permitem pensar que o chamado
“bolsonarismo” é uma “seita política”, que advoga em nome de uma leitura de
mundo anacrônica, fechada em si mesma, que não possibilita a autocrítica, pois
julga já estar na Verdade (com V maiúsculo), edificando dogmas que devem ser
venerados e professados aos demais, em um processo de conversão política “no
caminho do bem”.
Partindo
desses elementos iniciais, não me parece nada inteligente projetar a governança
de um país a um representante de um movimento que se estrutura socialmente por
meio de fundamentalismos em direção à normalização do absurdo. Projetar a
governança de um país a partir de uma ideologia predominantemente associada a
pautas anacrônicas representa aliar-se a um modo de pensar que não cabe mais em
nosso tempo, considerando a diversidade do mundo e da produção da vida na
contemporaneidade.
A
demagogia e a hipocrisia se colocam como bandeiras tremulantes em um horizonte
que, a curto prazo, poderá ter apenas, curto prazo. Um governo não se projeta
assentado predominantemente na pauta dos costumes (família, pátria,
conservadorismo, entre outros temas), um engodo que precisa ser questionado com
veemência.
Por
exemplo, a insistente defesa da família, aparentemente, representa uma bandeira
política que merece ser considerada. Porém, na medida em que fica claro o
modelo patriarcal de família “proposto” pelo “bolsonarismo”, o argumento perde
força. Família representa uma organização social fundada no amor. Inclusive,
sua configuração pode variar conforme cultura, religião e legislação.
No
Brasil, a Constituição Federal reconhece diversos tipos de união familiar. Ou
seja, defender a família é defendê-la em sua radical pluralidade, tendo como
princípio fundante, o amor que une pessoas que, por sua própria vontade,
desejam viver e produzir a vida conjuntamente, e não, pautar o debate sobre
essa questão a partir de uma perspectiva patriarcal autoritária e conservadora.
A
bandeira do patriotismo é ainda mais difícil de ser problematizada para esse
movimento. Na lógica imposta, quem não defende o Brasil é contra o Brasil (aos
moldes do brado “Brasil ame-o ou deixe-o”). Um dos grandes problemas dessa
questão, entre tantos, é projetar uma devoção religiosa a questão pátria.
Sustentar chavões como “Deus, Pátria, Família” é projetar um dogma, um atestado
de fé a um lema que, por sua vez, tem origem pouco nobre, tendo sido amplamente
explorado por regimes autoritários do século XX, tais como o Estado Novo de
Salazar em Portugal e o fascismo de Mussolini na Itália. Aqui se trata de uma
questão de método, como forma de dominação por meio da devoção a uma simbologia
nada ingênua, elemento básico de fundamentalismos.
Sobre o
conservadorismo, mesmo não concordando, entendo que assumir uma posição
conservadora frente a produção da vida, em sociedades democráticas, é um
direito de todo e qualquer cidadão. O conservadorismo se coloca como um sistema
filosófico que defende a manutenção da cultura e das tradições em determinado
âmbito social, considerando que as respostas aos desafios do futuro, em suma,
estão já dispersas (mas disponíveis) no passado, portanto, já devidamente
“testadas”.
Para um
conservador, já temos um “arsenal” que permitiria enfrentar os problemas do
mundo a partir de referências já constituídas. Porém, ser conservador não
significa ser obtuso, anacrônico e agressivo. Lembro por exemplo, do filósofo
conservador britânico Roger Scruton (1944-2020), um intelectual com saberes
profundos sobre música, literatura, filosofia, entre outros. Em síntese, para
ele “o desejo de conservar é compatível com todos os tipos de mudança, desde
que essa signifique continuidade” (2019, p. 54).
Neste
caso, a ideia de continuidade se coloca como elemento fundante do
conservadorismo. Mas, se é de direito assumir uma posição conservadora, em uma
democracia se faz necessário também, assumir com radicalidade o diálogo vivo
sobre o que vale a pena continuar a conservar e o direito de grupos assumirem
outras referências para a produção da vida, especialmente em uma sociedade que
se coloca de forma multifacetada e plural em um universo de possibilidades que
se abrem na construção de um futuro (ainda) em aberto e em disputa.
O
grande problema do conservadorismo de extrema direita é se fundar em posturas
totalitárias que advogam para si o direito de responder definitivamente sobre
questões complexas de nosso tempo através de simplificações da realidade – por
exemplo, com perspectivas do tipo, “menino veste azul e menina veste rosa”, de
autoria da ex-ministra Damares Alves, entre tantas outras. Como a realidade não
cabe em simplificações dessa ordem, o cerne desse movimento se assenta no
autoritarismo como método de validação de condutas anacrônicas e sem sentido no
contemporâneo.
E o
autoritarismo representa a centralização do poder e das tomadas de decisão. Por
isso, a articulação entre fé, conservadorismo e autoritarismo é extremamente
perigosa, pois define “sem os outros, o que é melhor para os outros” a partir
de uma pretensa “verdade divina”. Deveríamos ter aprendido com Hannah Arendt
(1906-1975) que a solução e as decisões dependem dos envolvidos (ARENDT, 2012),
e aqui reside uma das lutas em nome da democracia.
Portanto,
sustentar a pauta dos costumes em uma agenda política deve ter limites,
considerando aspectos culturais, sociais, bem como, aspectos jurídicos.
Consequência dessa articulação entre fé, conservadorismo e autoritarismo é a
proliferação do neofascismo como modos (aceitáveis) de pensar, sentir e agir na
contemporaneidade.
O
neofascismo se funda no “colapso do contrato social” e na desesperança (seu
motor social é o medo – de perder o que se tem, do outro, dos diferentes, dos
‘comunistas”, do futuro). A emergência desse novo tipo de fascismo, para além
do Estado fascista presente no fascismo histórico, representa um tipo de
fascismo inserido socialmente, tendo por consequência a disseminação de um modo
de ser nos mais distintos segmentos sociais.
Daí
surgem os ingredientes do neofascismo, produzindo novas formas de dominação e
exploração nas sociedades contemporâneas, um movimento que se manifesta como um
regime social e de civilização que se caracteriza pela ideia de que noções como
igualdade, justiça, solidariedade e universalidade deixam de ter valor. Nessa
lógica, indivíduos e grupos sociais em perseguição de seus próprios interesses
passam a representar o panorama político atual, em detrimento da vida pública.
Por
isso, o neofascismo se assenta na dominação (por vezes, implícita) de um grupo
por outro e nas dinâmicas sociais de demarcação de poder e território (em um
caldo cultural onda misoginia, racismo, homofobia, entre outros, ganham força).
O
negacionismo científico representa outra marca importante de ser evidenciada no
dito “bolsonarismo”. Bem verdade, ao longo da história, tivemos vários exemplos
de negacionismos: o heliocentrismo e o geocentrismo; a negação do holocausto; a
“revolta da vacina” no início do Século XX; o aquecimento global em nossos
dias; a negação da ditadura militar (golpe de 1964); a resistência em
compreender os riscos de dirigir após ingerir bebida alcoólica, entre tantos
outros que poderiam ser citados.
No caso
do dito “bolsonarismo”, vemos um aprofundamento de posturas anti-intelectuais e
anticientíficas que vem produzindo danos impactantes para a realidade
brasileira. Lembremos do movimento antivacina ao longo da pandemia e dos
impactos disso na vacinação contra o sarampo, influenza e outros vírus em
nossos dias, bem como, dos discursos de ódio com relação a formação
universitária e escolar.
Em
entrevista recente na TV Globo (28/08/2026), o candidato à Presidência
da República, Flávio Bolsonaro, afirmou que vivemos épocas cíclicas em que faz
mais calor, mais frio ou chove mais, mas que isso não tem a ver com a
influência do ser humano, desconsiderando razoável consenso científico de que a
ação humana vem causando mudanças climáticas profundas (algumas irreversíveis).
Visivelmente, tentou ser dissimulado em sua resposta, na lógica de se colocar
como um “Bolsonaro moderado”.
A pauta
ambiental não só se mostra ausente em sua proposta de governo, como esta
evidencia pautas antiambientais – ainda, o programa não reconhece a existência
de uma crise climática. Cabe lembrar que, além do exemplo da TV Globo,
muitos outros estão disponíveis, como a declaração dada em maio de 2024, quando
ele afirmou que seria uma armadilha atribuir as enchentes no Rio Grande do Sul
às mudanças climáticas.
Além
disso, a prática de desqualificar a comunidade LGBTQIA+, atacar mulheres,
agredir jornalistas, promover ciberbullying, promover notícias falsas,
entre outros absurdos, são ações comuns de um espectro político que se assentou
no absurdo como o grande fermento de sua constituição. Por exemplo, a alguns
anos atrás, justificar o nazismo, tal como feito recentemente por um “influencer”,
possivelmente não seria tolerado na realidade brasileira. Atualmente, vemos
setores justificando tal absurdo pela via da liberdade de expressão (?!?).
Oras, até a tolerância tem limites (não podemos tolerar projetos que pretendem,
em seu cerne, a negação do outro).
Tais
elementos, por si só, já causariam repúdio sobre um candidato que se baseia em
tais elementos para avançar na corrida presidencial. Nós necessitamos e
merecemos mais do que isso. A questão que fica é “como chegamos a esse ponto”?
Como chegamos ao ponto de alçar (novamente) um Bolsonaro como candidato à
Presidência da República? Por que aprendemos tão pouco?
Até o
jornal Folha de S. Paulo, em editorial datado de 04/04/2026, afirmou que
Flávio Bolsonaro não tem a menor condição de ser presidente. Justifica a
afirmação argumentando sobre sua falta de experiência, pela ausência de
compromisso democrático e pela falta de disposição para manter e criar relações
políticas com pessoas de outras tonalidades ideológicas.
Tivemos
já um bom desenho do que o sectarismo e o despreparo podem fazer na
presidência, a partir do desastroso governo de Jair Bolsonaro, hoje condenado e
preso por vários crimes, entre eles, tentativa de golpe de estado.
Significativa parcela do povo brasileiro parece ter esquecido dos negacionismos
(cabe lembrar da postura de Jair ao longo da pandemia), inúmeros comentários
absurdos (“você não merece ser estuprada pois é feia”), tomadas de decisão
patéticas (zerar importo para a compra de jet-ski) são exemplos do mundo
paralelo que habita governantes que se valem do “poder sem saber”.
Nessa
“seara cultural”, o chavão “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”
(semelhante ao brado nazista “Alemanha acima de tudo” – em alemão, “Deutschland
über alles”), expressa uma frase de ordem que pretende colocar os “cidadãos
de bem” de um lado, em oposição aos “outros”, uma bandeira que pretende separar
o “joio do trigo” (expressão sequestrada por esse movimento da parábola contada
por Jesus em Mateus 13:24-30). Na perspectiva do “bolsonarismo”, sempre deverá
haver o inimigo a combater, pois o importante, nesse caso, é manter acesa a
chama do ódio pelos “outros”, alicerce basilar para projetos totalitários como
esse.
Caso
eleito, não se iludam, Flávio Bolsonaro irá desmantelar o que ainda temos de
políticas públicas voltadas para a classe trabalhadora, privilegiando as elites
que já dominam esse País. Além disso, seguirá o modelo de segurança pública de
El Salvador? Lembremo-nos que lá sim é uma ditadura. Ou ainda, seguirá
bajulando e “batendo continência” para os USA? Abrirá as portas do Brasil para
uma colonização definitiva? Manterá a postura negacionista frente as questões
ambientais? Oras, isso não é projeto de País, é projeto de destruição e
submissão em troca de poder.
Ao
longo das eleições de 2022, ouvimos muitas vezes que o Brasil iria virar uma
Venezuela, caso Lula fosse eleito. Pois bem, isso não aconteceu – e estamos
vendo de longe o que vem acontecendo na Venezuela, sua submissão forçada aos
USA e a usurpação das reservas de petróleo. Algo que o Brasil vai viver, talvez
de forma mais sutil, caso Flavio Bolsonaro assuma a presidência.
Algumas
pessoas perguntam após argumentos dessa ordem: “Mas e o Lula?”, “E o PT?”.
Oras, estamos vivendo dias difíceis de uma República em crise, mas é possível
afirmar com certeza, que podemos e devemos criticar o governo e as instituições
em suas limitações. Cabe reconhecer que produzir críticas ao governo e as
instituições representa um empreendimento necessário para oxigenar uma
democracia.
Nesses
últimos quatro anos, tivemos a oportunidade de criticar o governo e as
instituições sem ameaça iminente de sofrer algum tipo de violência, tal como se
deu na gestão 2019-2022 (em um tempo no qual criticar o presidente era passível
de reprimendas violentas, ameaças e insultos dos mais diversos). Ou seja, mesmo
com suas mazelas, o atual governo recuperou certa normalidade no amplo espectro
político do País.
Retomando
o texto de Eliane Brum, “É um fato que o governo de Lula incluiu dezenas de
milhões de brasileiros e melhorou a vida de muitos. É um fato que a miséria e a
fome diminuíram significativamente no seu governo. É um fato que o Brasil mudou
– e mudou para melhor com Lula. E isso não é pouco, mas não é mesmo. Isso é
enorme”.
Assim,
que se faça a devida crítica ao atual governo e se faça a análise do que
representa sua continuidade. De minha parte, não tenho dúvidas que a amostra de
2019 a 2022 nos sinaliza o que virá pela frente caso Flávio Bolsonaro seja
eleito. Quem quer ser presidente deveria focar em um projeto de Brasil no qual
questões como economia, trabalho, renda, saúde, educação, mobilidade urbana,
segurança pública, ecologia, entre tantas outras pautas sérias, sejam mais
importantes do que teorias da conspiração, frases feitas, cancelamentos e
arroubos de arrogância.
Repito
o que escrevi em um texto anterior, parafraseando o italiano Nicolau Maquiavel
(1469-1527), se a chapa Lula/Alckmin não nos levará por decreto ao paraíso,
retomar o “modus operandi” de um governo como o de 2019-2022 por mais
quatro anos já seria o inferno. Há de se colocar novamente a possibilidade de
um Brasil para todos e todas, governado para além do “cercadinho”.
Pensar
diferente ou simplesmente se posicionar politicamente em uma sociedade cada vez
mais agressiva, violenta e armada, não pode colocar as pessoas em perigo de
demissão, agressão, ou mesmo, morte. Que possamos perceber que o projeto de
Flavio Bolsonaro é aprofundar as diferenças estruturais da realidade
brasileira, abrindo as portas para uma colonização definitiva dos EUA.
Várias
referências vêm alertando que os extremismos estão chegando a níveis
intoleráveis e insuportáveis e pessoas que se intitulam “do bem” estão perdendo
a capacidade de discernir sobre as consequências de suas decisões no mundo
real. São autodeclarados “cidadão de bem”, mas não se furtam a ofender e até
agredir aqueles e aquelas que pensam ou vivem de modo diferente – o fanatismo
político vem produzindo danos irreparáveis no cotidiano. Em um país
democrático, advogar em nome de um espectro político mais à esquerda ou mais à
direita é um direito inalienável.
Mas
isso que estamos vendo é um movimento absurdo que não pode alçar um
representante à condição de Presidente do Brasil. A subserviência em relação
aos EUA deveria ser, por si só, motivo de vergonha. Sem falar dos recursos não
explicados oriundos de um banqueiro corrupto para a produção de um “filme de
louvor” a Jair Messias Bolsonaro.
Enfim,
os argumentos aqui apresentados não são novos, mas necessários de serem
evidenciados em tempos difíceis para o diálogo e para as coisas do pensamento.
Bem verdade, aqueles convertidos possivelmente não irão fazer a leitura do
texto e, se o fizerem, não levarão em consideração os elementos apresentados.
Porém, reconhecer criticamente os avanços do Governo Lula é uma postura que não
pode sucumbir frente a discursos frágeis de um movimento político que se
sustenta pelo fundamentalismo político-religioso.
Certamente,
não estamos no paraíso com o governo Lula/Geraldo Alckmin, longe disso. Porém,
o caminho será muito mais difícil para quem não nasceu em “berço esplêndido”,
caso o espectro bolsonarista voltar ao poder, que isso fique muito claro.
Infelizmente,
o cenário leva a crer que a mancha do chamado “bolsonarismo” ainda levará tempo
para ser devidamente reconhecida como o rotundo erro que foi/é (assim como a
escravidão, o nazismo, a ditadura militar e outros). Os tempos que teremos pela
frente não serão fáceis. Que possamos aprender com Oswald de Andrade e com
Eliane Brum.
Que
possamos enfrentar a catequização laica que nos persegue na política. Que
possamos cultivar a saudável necessidade do ateísmo político. Que a razão nos
guie nas eleições de 2026 para os caminhos tortuosos da democracia e da
soberania nacional, caminhos nunca fáceis, nunca dados de vez, que precisamos
aprender construir a cada vez.
Que as
eleições de outubro nos permitam vislumbrar cenários de futuro mais promissores
e democráticos. Mas sem ilusões, pois o caminho da democracia é (sempre) longo
e penoso…
Fonte:
Por Ricardo Rezer, em A Terra é Redonda




