Abin,
França e Alemanha: o que está acontecendo com a eleição brasileira
Em 30
de setembro de 2026, uma informação mudou o enquadramento da eleição
brasileira. A Reuters revelou que representantes da inteligência do país
receberam, entre 9 e 11 de setembro, uma delegação francesa e alemã em
Brasília. Na mesa estavam interferência estrangeira, plataformas digitais e
formas de resposta antes da votação. Pela França vieram integrantes da Viginum,
especializada em interferência digital estrangeira, e da Arcom, reguladora de
mídia e comunicação. A Alemanha enviou representantes de sua Agência Federal de
Redes. Os documentos examinados pela Reuters registram entre os objetivos da
missão a preparação de respostas coordenadas para o processo eleitoral de 2026.
Foi
nesse encontro que representantes brasileiros falaram em interferência
proveniente dos Estados Unidos e da Rússia. As duas atribuições, porém, não
aparecem sustentadas da mesma forma. Segundo o relato conhecido, a atuação
norte-americana teria ido do lawfare a formas de interferência reconhecidas
publicamente. Sobre a Rússia, o documento acessado pela reportagem não
apresenta evidência específica. Colocar as duas acusações no mesmo plano
apagaria justamente o que a informação disponível permite distinguir.
A
composição da reunião ajuda a entender por que ela importa. Viginum, Arcom e a
agência alemã não foram a Brasília para discutir apenas uma postagem falsa ou
um vídeo adulterado. São estruturas que lidam com regulação, redes, segurança e
interferência. A presença delas indica que o problema eleitoral brasileiro já
está sendo observado como algo que combina tecnologia, poder estatal e
capacidade de influência transnacional.
A Abin
vinha preparando esse terreno conceitual. Em seu documento de desafios para
2026, descreveu o domínio digital como arena de competição geopolítica, apontou
a dependência brasileira de infraestrutura tecnológica estrangeira como
vulnerabilidade e admitiu que grandes plataformas podem funcionar como vetores
de influência dos Estados onde estão sediadas. O mesmo documento reúne guerra
cognitiva, espionagem, coerção e infraestrutura crítica dentro de um espectro
híbrido. A Política Nacional de Inteligência, por sua vez, trata interferência
externa como atuação deliberada voltada a influenciar os rumos políticos do
país em benefício de interesses estrangeiros.
O
risco, portanto, não começa apenas quando alguém tenta tocar na urna. Pode
aparecer muito antes, na capacidade de uma potência, empresa ou rede política
alterar o ambiente em que o país decide. Às vésperas da votação, a questão é
simples e incômoda. Quem possui meios para condicionar a decisão brasileira,
por quais caminhos e a serviço de quais interesses?
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A guerra está atrás da notícia
Durante
muito tempo, o debate público sobre guerra informacional ficou preso à mentira
visível. Procurava-se a postagem falsa, a fotografia adulterada, o vídeo
manipulado, a frase inventada. Era necessário fazer isso, mas nunca bastou. Uma
operação pode usar conteúdo verdadeiro, falso ou apenas deslocado de contexto.
O que lhe dá força está na organização, no financiamento, na infraestrutura, na
escolha do alvo e na capacidade de repetir um estímulo até transformá-lo em
ambiente.
Minha
pesquisa foi caminhando nessa direção ao longo dos últimos anos. Não por
antecipação profética, muito menos por desejo de reivindicar primazia. Os
próprios objetos impunham a mudança. Ao estudar metaintermediação algorítmica,
autonomia cognitiva, gerrymandering digital e operações psicológicas, o
problema reaparecia sob formas diferentes. Plataformas não transportam apenas
informação. Classificam públicos, distribuem visibilidade, antecipam
preferências e alteram o campo em que decisões são tomadas.
Em
julho de 2025, eu já discutia o risco de uma infraestrutura capaz de antecipar
escolhas interferir na própria formação da autonomia. Meses depois, ao tratar
da guerra informacional em direção a 2026, a questão aparecia em termos de
detecção, antecipação e capacidade estatal de resposta. A unidade de análise
deixava de ser a peça isolada. O que precisava ser seguido era a operação.
A
Viginum chegou institucionalmente a uma formulação muito próxima. O órgão
francês deixa claro que não é uma agência de checagem de fatos. Seu objeto é o
modo operatório informacional, observado por indicadores técnicos,
comportamento dos operadores, coordenação, ferramentas, procedimentos e
infraestrutura. Em junho de 2026, esse conceito foi incorporado a um marco
comum do mecanismo de resposta rápida do G7, numa tentativa de deslocar a
atenção das narrativas para os meios que tornam uma campanha possível.
Saber
que uma mensagem é falsa ajuda a conter sua circulação. Descobrir quem a
produziu, como foi distribuída, quais contas atuaram em conjunto, de onde
vieram os recursos e que sistemas ampliaram seu alcance aproxima a investigação
da estrutura responsável pelo efeito político. É nesse terreno que inteligência
e jornalismo investigativo começam a se encontrar.
Não há
razão para transformar essa convergência em vaidade. A Viginum trabalha com
essa abordagem desde o início de 2025, e comunidades de inteligência e pesquisa
em diferentes países chegaram por caminhos próprios a problemas semelhantes. O
que importa é que a discussão brasileira permaneceu por tempo demais
concentrada na oposição entre verdade e mentira enquanto a disputa já avançava
sobre dados, recomendação, publicidade e distribuição.
A
notícia falsa, quando existe, é o vestígio mais fácil de enxergar. A
investigação estratégica começa depois dela, quando se segue a infraestrutura e
se pergunta quem ganhou capacidade de produzir o efeito.
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A interferência deixou de ser uma hipótese abstrata
No caso
dos Estados Unidos, já existe uma sequência concreta de atos de poder. Em junho
de 2026, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos concluiu
uma investigação aberta por determinação do presidente Donald Trump e
classificou como passíveis de resposta medidas brasileiras que, segundo
Washington, prejudicavam interesses comerciais norte-americanos. Entre os
fundamentos estavam decisões de tribunais brasileiros contra plataformas
digitais dos Estados Unidos, com ordens de remoção de conteúdo, suspensão de
perfis e sanções por descumprimento. Em 15 de julho, a administração Trump
impôs tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros.
Não é
necessário atribuir a cada medida uma intenção eleitoral secreta para
reconhecer o problema. Decisões tomadas dentro do sistema jurídico brasileiro
passaram a produzir resposta econômica de uma potência estrangeira justamente
quando o país entrava na reta decisiva da eleição. Quando o custo de uma
escolha soberana começa a ser imposto de fora, a política comercial deixa de
poder ser examinada separadamente do ambiente político em que atua.
A
revelação da Reuters acrescentou outro elemento. No encontro com franceses e
alemães, representantes brasileiros teriam descrito a atuação norte-americana
como algo que ia do lawfare a formas abertas de interferência. É uma avaliação
atribuída à inteligência brasileira e deve ser tratada com esse peso, nem mais
nem menos. Sua gravidade está no fato de que não surgiu isolada, mas dentro de
um contexto já marcado por pressão econômica, conflito com decisões judiciais
brasileiras e articulação política transnacional.
A
campanha de Flávio Bolsonaro expôs essa internacionalização de forma pública.
No lançamento da candidatura, em julho, foram apresentados apoios de Javier
Milei e Benjamin Netanyahu. Netanyahu apareceu por vídeo. Milei atacou Lula e
exaltou Bolsonaro. Chefes de governos estrangeiros tomaram posição diante de
uma candidatura à Presidência do Brasil, e a própria campanha incorporou esse
apoio à sua cena política. Não é preciso imaginar clandestinidade onde a
influência já se apresenta à luz do dia.
Ainda
assim, as categorias precisam permanecer separadas. Apoio político, coerção
econômica, influência informacional e operação clandestina produzem efeitos
diferentes e exigem provas diferentes. Misturá-las pode render uma frase mais
explosiva, mas destrói a análise. Guerra híbrida não é um rótulo para qualquer
conflito. É uma forma de observar a combinação de instrumentos quando eles
passam a convergir sobre a autonomia decisória de outro Estado.
Essa
diferença de prova é especialmente importante no caso da Rússia. A Abin a
mencionou, e há operações russas de influência documentadas em outros países,
assim como presença informacional russa na América Latina. O material público
conhecido sobre a eleição brasileira, contudo, não oferece o mesmo nível de
detalhamento apresentado no caso norte-americano. Capacidade não equivale a
autoria, e presença internacional não basta para demonstrar interferência
eleitoral. Fazer essa distinção não suaviza a análise. Evita que ela seja
contaminada por uma simetria que os fatos disponíveis não sustentam.
Israel
exige cuidado semelhante. O apoio de Netanyahu a Flávio Bolsonaro é público.
Também é documentada a existência de empresas israelenses que atuam nos
mercados de inteligência, vigilância e operações de influência, e o Brasil
conhece os riscos políticos de tecnologias estrangeiras de monitoramento quando
elas entram em estruturas estatais sem controle adequado. Isso não prova que o
governo israelense comande uma operação clandestina contra Lula. Mostra, porém,
que interesses, redes políticas e capacidades tecnológicas de origem
estrangeira já fazem parte do ambiente que cerca a eleição.
A
soberania ganha aqui um sentido material. Não é uma palavra para cerimônias nem
um argumento reservado às Forças Armadas. É a capacidade de uma sociedade
absorver pressões sem entregar a decisão. Quando uma eleição passa a conviver
com tarifas, disputas sobre plataformas, apoios presidenciais estrangeiros e
redes transnacionais de influência, olhar apenas para a campanha doméstica é
enxergar metade do tabuleiro.
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O campo de batalha está dentro da infraestrutura
Grande
parte da guerra informacional contemporânea acontece sobre infraestrutura
privada. Publicidade eleitoral, segmentação de públicos, recomendação
algorítmica, inteligência artificial e disputa pela atenção dependem de
sistemas que não estão sob controle direto do Estado brasileiro. São
plataformas que organizam visibilidade por regras próprias e modelos opacos,
capazes de decidir em segundos o que alcança milhões de pessoas e o que
desaparece. Por isso soberania digital deixou de ser assunto técnico.
O
documento da Abin já citado reconhece essa vulnerabilidade ao tratar fluxos de
dados, plataformas sociais e infraestrutura informacional como territórios de
competição geopolítica. A dependência brasileira de tecnologias controladas no
exterior cria uma assimetria difícil de ignorar. Não significa que cada decisão
empresarial seja uma ordem de governo estrangeiro. Significa que parte
crescente da esfera pública brasileira funciona em ambientes cuja governança,
arquitetura e interesses econômicos são definidos fora do país.
Em
agosto, a Anistia Internacional testou essa fragilidade. Pesquisadores
submeteram ao sistema de anúncios do Facebook peças experimentais com
desinformação eleitoral em português. Oito das quatorze peças com conteúdo
falso foram aceitas. O teste saiu de Londres, sem VPN que simulasse localização
brasileira, e a conta não havia concluído a verificação de identidade exigida
para publicidade política. Os anúncios foram cancelados antes de ir ao ar, mas
o sistema de revisão permitiu que chegassem até ali.
No dia
30 de setembro, outro levantamento apontou pelo menos R$ 1,1 milhão em anúncios
eleitorais considerados irregulares na Meta. Algumas páginas operavam do
exterior, havia pagamentos em moedas estrangeiras e determinados conteúdos
acumularam milhões de impressões antes da remoção. A empresa informou ter
retirado anúncios ilegais e reiterou seu compromisso com a integridade
eleitoral. O episódio, somado ao teste da Anistia, mostra quanto tempo pode
existir entre a circulação de uma peça e a reconstrução de sua cadeia de
responsabilidade.
A
própria campanha eleitoral passou a depender financeiramente desse mercado de
visibilidade. Até 20 de setembro, candidatos brasileiros haviam destinado mais
de R$ 167 milhões à Meta para impulsionar conteúdo político, superando o gasto
de toda a eleição de 2022. Uma parcela relevante da comunicação eleitoral
circula, portanto, dentro de uma infraestrutura pertencente a uma corporação
estrangeira e organizada por sistemas que o eleitor não audita e o Estado
brasileiro conhece apenas parcialmente.
Esse
desenho produz uma vulnerabilidade que independe de conspiração. Quem compra
alcance entra numa disputa regida por critérios de distribuição privados. Quem
opera redes coordenadas tenta explorar os mesmos mecanismos. Quem fiscaliza
chega depois, muitas vezes obrigado a reconstruir trajetórias que a plataforma
já percorreu em escala industrial. O poder está menos na mensagem isolada do
que na capacidade de fazê-la aparecer para a pessoa certa, no momento certo e
com frequência suficiente para parecer parte natural do ambiente.
Em 23
de setembro, essa dependência apareceu por outra via. A conta de anúncios da
campanha de Lula no Facebook foi suspensa temporariamente e restabelecida no
mesmo dia. A campanha considerou a medida prejudicial e pediu explicações. A
Meta confirmou o restabelecimento, mas não informou publicamente a razão da
suspensão. O episódio não demonstra interferência deliberada. Revela algo mais
elementar. Uma decisão técnica ou empresarial tomada dentro de uma plataforma
pode alterar de imediato a capacidade de comunicação de uma candidatura
presidencial.
Não é
preciso controlar todos os cidadãos para produzir efeito político. Basta
controlar ou explorar pontos de passagem importantes. Publicidade,
recomendação, busca, nuvem, inteligência artificial e distribuição funcionam
como gargalos de uma esfera pública cada vez mais digital. Quem detém poder
sobre esses gargalos não determina automaticamente o voto, mas interfere no
campo de visibilidade em que milhões de pessoas definem o que parece urgente,
confiável ou irrelevante.
É aí
que a integridade eleitoral encontra seu limite mais difícil. A urna pode
permanecer tecnicamente intacta enquanto o ambiente anterior ao voto sofre
pressão econômica, tecnológica e informacional. Proteger a máquina e ignorar o
espaço em que a vontade é formada seria cuidar apenas da última etapa de um
processo que começou muito antes.
Um país
que não conhece suficientemente a infraestrutura pela qual sua população recebe
informação, não domina seus dados estratégicos e não consegue auditar os
sistemas que organizam a esfera pública transfere parte da própria autonomia
para estruturas que não controla. A ameaça mais sofisticada não precisa
derrubar a democracia por fora. Pode aprender a operar dentro das dependências
que a democracia passou a considerar normais.
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Soberania não termina na urna
Diante
desse quadro, a resposta brasileira não pode se limitar à proteção da votação
ou à remoção de conteúdo. O país precisa tratar a esfera informacional como
parte de sua infraestrutura estratégica. Isso envolve Justiça Eleitoral,
inteligência, ciberdefesa, investigação financeira, universidades, imprensa,
empresas e sociedade civil. Nenhuma dessas áreas, sozinha, enxerga o quadro
inteiro.
O TSE
ampliou em 2026 sua cooperação com Meta, Google, X, Telegram, TikTok, Kwai,
LinkedIn e outras plataformas, exigindo planos de mitigação de riscos à
integridade eleitoral. É um passo necessário. Mas a defesa de uma eleição
também depende de saber de onde vem o dinheiro, como redes se coordenam, quais
infraestruturas estão sendo usadas e quando uma campanha de influência deixa de
ser ruído para adquirir valor estratégico.
A
aproximação com França e Alemanha pode ajudar nessa construção, desde que
cooperação não se transforme em dependência. O Brasil tem interesse em aprender
com estruturas que já desenvolveram métodos de detecção e atribuição. Também
tem obrigação de construir capacidade própria. Uma democracia soberana não pode
depender permanentemente de Washington, Paris, Berlim, Bruxelas, Moscou, Pequim
ou Tel Aviv para compreender o que acontece dentro de sua esfera pública.
Essa
capacidade precisa sobreviver a governos. Operações informacionais amadurecem
ao longo do tempo, atravessam calendários eleitorais e se adaptam às mudanças
de plataforma. O Estado brasileiro necessita de memória técnica, equipes
estáveis, capacidade de atribuição e mecanismos de cooperação que não
desapareçam depois da apuração dos votos. Sem isso, cada eleição começa como se
o país estivesse aprendendo novamente a reconhecer o problema.
Crítica
estrangeira não é automaticamente interferência, relação diplomática não é
conspiração, jornalismo internacional não é operação psicológica e apoio
político público não equivale, por definição, a ação clandestina. Banalizar
esses conceitos seria oferecer aos próprios operadores de influência a confusão
de que precisam. Atribuição séria exige prova, contexto e capacidade de
distinguir interesses que se cruzam sem presumir comando único onde ele não foi
demonstrado.
O
jornalismo e a pesquisa têm responsabilidade particular nesse terreno.
Reproduzir narrativas em circulação é apenas o começo. Investigar significa
seguir vínculos, infraestrutura, dinheiro, cronologia e efeitos até onde a
evidência permitir. Foi essa exigência que, ao longo dos últimos anos, me levou
a olhar menos para a mentira como objeto isolado e mais para as condições que
lhe dão potência. A revelação da reunião entre Abin, franceses e alemães torna
essa pergunta ainda mais urgente.
Empresas,
universidades e organizações da sociedade civil também fazem parte dessa
defesa. Grande parte da capacidade técnica necessária está fora do governo.
Pesquisadores acompanham redes, jornalistas reconstroem interesses, empresas
controlam infraestrutura e organizações civis detectam abusos que o Estado
muitas vezes só percebe depois. Transformar esse conhecimento disperso em
capacidade democrática é uma tarefa de soberania.
Soberania
não pertence a um governo, partido ou candidatura. Pertence ao país. Alianças
externas, dependências tecnológicas e pressões econômicas precisam ser julgadas
pelo efeito que produzem sobre a autonomia nacional, não pela conveniência que
oferecem a um campo político numa eleição. O Brasil precisa conservar para si a
decisão sobre o próprio futuro.
A
reunião revelada pela Reuters vale menos como episódio diplomático do que como
aviso. Instituições brasileiras e europeias já discutem interferência
estrangeira em termos de inteligência, infraestrutura e resposta coordenada.
Enquanto isso, o debate público ainda corre o risco de se prender à próxima
fake news quando a disputa decisiva acontece numa camada mais profunda.
A urna
é o último território da eleição. Quando o eleitor chega a ela, boa parte da
disputa pela soberania já aconteceu.
Fonte:
Por Reynaldo José Aragon, em Código Aberto




