João
dos Reis Silva Júnior: Escolha sitiada – conciliação oligárquica
2026
está deixando de ser apenas disputa eleitoral e está se tornando uma negociação
antecipada de regime. Não se trata só de saber quem vence. Trata-se de saber em
que condições sociais, parlamentares, econômicas e simbólicas o vencedor
governará. E aí a sua hipótese é forte: há sinais de que o país pode estar
repetindo, em nova forma, um velho movimento brasileiro – um pacto social de
superfície que, na estrutura, preserva o pacto oligárquico.
A
semana trouxe quatro sinais principais. Primeiro, Lula segue competitivo e
ainda aparece à frente de Flávio Bolsonaro em pesquisas recentes: o Datafolha
divulgado em 20 de junho indicou Lula com 41% no primeiro turno contra 31% de
Flávio, e 47% a 43% em eventual segundo turno; a CNT/MDA, poucos dias antes,
mostrou vantagem mais larga, 49,3% a 36,8%. Segundo, a extrema direita não
desapareceu; ela se reorganiza como herança familiar, ressentimento social,
antipetismo moral e candidatura de continuidade.
A
candidatura de Flávio Bolsonaro foi apresentada como sucessão escolhida por
Jair Bolsonaro, que segue influente mesmo condenado e inelegível, segundo
cobertura da agência Associated Press. Terceiro, há deslocamento
geracional importante: a Reuters registrou nesta semana
crescimento da rejeição a Lula entre jovens, sobretudo homens jovens,
combinando frustração econômica, descrédito institucional e atração por
discursos de ordem, anticorrupção e direita radicalizada.
Quarto,
o Congresso continua operando como centro real de veto: a Agência Brasil
registrou a semana com PEC da escala 6×1 travada no Senado, troca de liderança
do governo após saída de Jaques Wagner, agenda do MEI, depoimento de Jair
Bolsonaro e movimentos do governo em torno de defesa, saúde e segurança.
A
tendência, portanto, não é linearmente favorável nem à esquerda nem à direita.
A tendência é mais grave: a política brasileira está sendo reorganizada por uma
dupla contenção. De um lado, a contenção da extrema direita pela via eleitoral
e institucional. De outro, a contenção de qualquer transformação social
substantiva pela via parlamentar, fiscal, midiática e financeira. É aqui que
aparece o perigo da repetição histórica: a democracia pode derrotar
eleitoralmente o autoritarismo e, ao mesmo tempo, preservar o núcleo
oligárquico que o produz.
O que
ocorreu nesta semana, em termos profundos, foi a confirmação de que o voto
continua decisivo, mas cada vez menos soberano. Ele decide o governo, mas não
decide sozinho o regime de acumulação, a forma do Estado, o orçamento, a
dívida, a estrutura tributária, o sistema de comunicação, a propriedade da
terra, o comando das polícias, a captura do fundo público, nem a temporalidade
real da vida popular.
O voto
aparece como momento de escolha; a estrutura aparece como sistema de bloqueio.
Essa é a chave de leitura do meu artigo “A escolha sitiada”: o voto popular é indispensável para barrar
a herança autoritária, mas ele opera dentro de uma cidadania incompleta e de
uma democracia cercada. O voto popular de 2026, embora decisivo contra a
herança autoritária, esbarra nas contradições de uma cidadania marcada pela
modernização dependente.
A
pergunta decisiva, então, não é apenas: Lula vence? A pergunta é: o que fica
depois da vitória? Essa já era a pergunta do artigo, “O que fica?”, divulgado em 7 de junho no site A
Terra é Redonda: para além das pesquisas e do marketing de campanha, o pleito
de 2026 testa a capacidade política brasileira de produzir algo que permaneça.
A semana parece responder de modo inquietante: pode ficar uma vitória
defensiva, necessária, mas socialmente insuficiente. Pode ficar a contenção do
pior, sem abertura efetiva do novo.
A
hipótese do pacto social que repete, na estrutura, o pacto oligárquico é
plausível porque o Brasil tem uma forma histórica recorrente: quando a crise
ameaça sair do controle, as classes dominantes aceitam alguma recomposição
política desde que o núcleo material da dominação seja preservado.
Foi
assim em vários momentos: conciliação pelo alto, cidadania regulada,
modernização conservadora, abertura lenta e segura, redemocratização pactuada,
Constituição social tensionada por política econômica conservadora, lulismo
como inclusão via consumo sem ruptura com os grandes pactos da propriedade, e
agora talvez uma nova etapa: antifascismo eleitoral com acomodação
oligárquico-financeira.
O ponto
não é acusar moralmente Lula ou o governo. A questão é estrutural. O lulismo
governa um país em que o Congresso se autonomizou como poder orçamentário, o
mercado financeiro opera como tribunal permanente, a mídia converte
estabilidade em sinônimo de moderação fiscal, e a extrema direita monopoliza
parte da linguagem popular do ressentimento.
O
jornal Folha de S. Paulo registrou em maio que 70% viam a
relação entre Lula e Congresso mais como confronto do que colaboração,
sinalizando que a percepção social já identifica o Legislativo como força de
bloqueio e barganha. A Agência Brasil também mostrou na semana
passada que pautas de apelo popular, como a PEC da escala 6×1, permanecem
travadas no Senado, enquanto o governo reorganiza sua articulação parlamentar.
A forma
nova do pacto oligárquico não é mais apenas café com leite, coronelismo ou
mando agrário direto. Hoje ela combina cinco elementos: Congresso-orçamento,
mercado-dívida, mídia-plataforma, judicialização seletiva e segurança como
gramática social. A oligarquia contemporânea não precisa aparecer como
aristocracia rural. Ela aparece como “responsabilidade fiscal”,
“governabilidade”, “empreendedorismo”, “combate à corrupção”, “segurança
pública”, “modernização administrativa” e “paz institucional”. A linguagem
muda; a estrutura permanece.
Por
isso, o perigo de 2026 é a produção de um pacto social regressivo com aparência
democrática. Ele poderia assumir a seguinte forma: setores populares votam para
impedir a volta plena do bolsonarismo; setores médios aceitam Lula como mal
menor; frações empresariais aceitam estabilidade; o Congresso exige controle de
orçamento, cargos e emendas; o mercado exige disciplina fiscal; a mídia exige
“moderação”; e os movimentos sociais são chamados a defender a democracia, mas
não a expandir seu conteúdo material. O resultado seria uma democracia
defendida contra o fascismo, mas administrada em favor da ordem.
Essa é
a repetição estrutural do pacto oligárquico: o povo entra como força eleitoral,
mas não como sujeito constituinte. Ele é convocado para barrar a catástrofe,
mas não para redefinir a propriedade, o orçamento, o trabalho, a cidade, a
universidade, o crédito, o tempo social. A cidadania aparece no momento do
voto; desaparece no momento da decisão estrutural. O pacto social, nesse caso,
seria social apenas na retórica: defesa da democracia, combate à fome, proteção
dos pobres, ampliação de políticas públicas. Mas sua arquitetura permaneceria
oligárquica se a repartição real do poder continuasse intocada.
A
semana passada também mostrou uma contradição geracional importante. A matéria
da agência Reuters sobre jovens brasileiros afastando-se de
Lula é um sinal grave porque indica que parte da juventude não se sente
herdeira da inclusão lulista. O jovem precarizado, endividado, com diploma
desvalorizado ou sem expectativa de ascensão, pode não reconhecer a democracia
social como promessa concreta.
A
extrema direita entra justamente nesse vazio: ela oferece culpados,
masculinidade compensatória, ordem moral, anticorrupção performática e promessa
de pertencimento. Quando a esquerda não consegue traduzir futuro, a direita
oferece vingança. Quando a política não organiza esperança material, o
ressentimento organiza identidade.
Aqui
entra sua categoria da duração bloqueada. O pacto oligárquico contemporâneo não
apenas distribui desigualmente renda e poder; ele bloqueia a experiência do
futuro. A juventude não sente que a história está aberta. O trabalhador não
sente que o esforço vira estabilidade. O professor não sente que a universidade
forma futuro. O morador da cidade não sente que pertence ao lugar onde vive. O
eleitor não sente que seu voto se prolonga em mudança. A democracia, sem
duração social, vira evento periódico. E evento periódico, sozinho, não
sustenta projeto histórico.
A
tendência, então, é de polarização administrada. A extrema direita continuará
existindo como ameaça indispensável para disciplinar o campo democrático. O
centro oligárquico usará essa ameaça para exigir moderação da esquerda. A
esquerda institucional usará a ameaça autoritária para pedir unidade. Os
movimentos sociais serão pressionados a adiar demandas. E o Congresso
converterá cada urgência democrática em moeda de troca. Essa é a engrenagem
mais perigosa: o fascismo ameaça; a oligarquia arbitra; a esquerda administra;
o povo espera.
Mas há
uma diferença importante em relação aos pactos anteriores. O Brasil de 2026 não
vive apenas sob pacto oligárquico nacional; vive sob dependência
financeirizada. Isso significa que o pacto interno é subordinado a uma
temporalidade externa: juros, dívida, agências, fundos, câmbio, commodities,
plataformas, cadeias globais, orçamento capturado. A oligarquia nacional não
governa sozinha; ela administra localmente uma forma mundial de coerção. Por
isso, seu conceito de capital fictício como forma de bloqueio do tempo
histórico ilumina a conjuntura. A política nacional parece decidir; mas decide
sob chantagem permanente da valorização financeira.
O
risco, portanto, é que 2026 produza uma vitória progressista sem progressão
histórica. Uma vitória que impeça a regressão aberta, mas normalize a regressão
lenta. Uma vitória que diga “derrotamos o autoritarismo”, enquanto mantém a
escala 6×1 bloqueada, a reforma tributária limitada, a universidade
subfinanciada, a cidade financeirizada, a juventude sem futuro, o trabalho
precarizado, a comunicação concentrada e o fundo público disputado por frações
parlamentares. Isso não seria derrota imediata. Seria algo mais brasileiro:
vitória sitiada.
Mas a
hipótese não deve ser fechada como fatalismo. Há brechas. A primeira é que Lula
ainda mantém força popular real, e as pesquisas mostram que a extrema direita
não conseguiu converter automaticamente a herança de Jair Bolsonaro em maioria
nacional. A segunda é que a candidatura de Flávio Bolsonaro carrega o peso de
uma sucessão familiar, judicializada e moralmente desgastada, não uma novidade
histórica. A terceira é que temas como escala de trabalho, renda, saúde,
segurança, educação e custo de vida podem recolocar a materialidade no centro
da disputa. A quarta é que a juventude em deslocamento não está necessariamente
consolidada à direita; ela está disponível para quem conseguir nomear sua
frustração sem desprezá-la.
A
tarefa teórica e política, portanto, seria distinguir frente democrática de
pacto oligárquico. A frente democrática é necessária para derrotar o
autoritarismo. O pacto oligárquico é perigoso quando, em nome dessa derrota,
bloqueia o conteúdo social da democracia. A frente democrática deve ser tática
de defesa e abertura; o pacto oligárquico transforma a defesa em limite. A
primeira protege a possibilidade da história; o segundo administra o fim da
história.
A
formulação central poderia ser esta: O Brasil pode estar caminhando para uma
nova conciliação pelo alto: o povo é chamado a salvar a democracia pelo voto,
mas não a reorganizar a sociedade pelo poder. O pacto aparece como defesa
republicana contra o fascismo; sua estrutura, porém, pode repetir o velho
acordo oligárquico que admite a presença popular desde que ela não toque no
comando do orçamento, da propriedade, do trabalho, da comunicação e do tempo
social.
A
tendência mais provável, se nada deslocar o quadro, é esta: Lula segue favorito
ou altamente competitivo; a extrema direita permanece capaz de organizar medo e
ressentimento; o centro parlamentar aumenta seu preço; o mercado exigirá
garantias; e a campanha tenderá a empurrar o campo democrático para uma
moderação cada vez mais defensiva. A vitória, se vier, virá cercada. A derrota,
se vier, será catastrófica. O problema é que a vitória cercada pode preparar a
próxima catástrofe se não produzir duração histórica.
Em
termos conceituais, eu diria assim: o pacto oligárquico brasileiro se
modernizou. Antes bloqueava a entrada do povo; agora administra sua entrada
para impedir que ela se converta em poder histórico. Essa é a passagem
fundamental. A oligarquia aprendeu a conviver com eleições, políticas sociais
limitadas e linguagem democrática. O que ela não aceita é que o povo governe a
estrutura.
Por
isso, 2026 não deve ser lido apenas como pleito. Deve ser lido como teste da
democracia dependente sob capital fictício. Se a democracia for reduzida à
derrota eleitoral da extrema direita, ela sobreviverá como forma sitiada. Se
conseguir transformar a defesa institucional em reorganização social do tempo,
pode abrir outro ciclo. Mas, hoje, a tendência dominante é a primeira:
preservação defensiva da democracia com recomposição oligárquica da
governabilidade.
Fecho
com uma formulação mais literária, no seu tom: O Brasil talvez esteja diante de
sua velha astúcia histórica: chama o povo às urnas quando a casa ameaça
incendiar, mas entrega a chave da casa aos mesmos administradores do incêndio.
A democracia aparece como salvação; a oligarquia, como condição da salvação. O
voto barra o abismo, mas não reconstrói a ponte. E, enquanto a ponte não for
reconstruída, cada eleição será menos uma escolha de futuro do que uma operação
de resgate do presente.
¨ Quem se comunica com
o Trump também se trumbica. Por Gilberto Menezes Côrtes
O velho
guerreiro, Abelardo “Chacrinha” Barbosa, dizia a cada programa: “Quem não se
comunica se trumbica”. Chacrinha morreu em 30 de junho de 1988. Na passagem do
velho guerreiro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato ungido pelo pai,
Jair Bolsonaro, tinha apenas sete anos (nasceu em 30 de abril de 1981). Aos 45
anos, formado em advocacia e com mandatos de deputado estadual (de 2003 a 2018)
e senador (desde 2019), o filho 01 do ex-capitão já deveria ter mais capacidade
de avaliação política. É o mínimo que se espera de quem sonha ser presidente.
A
candidatura vem em descendente, desde 13 de maio, quando o site “Intercept
Brasil” revelou suas conversas para pedir R$ 134 milhões ao então banqueiro
Daniel Vorcaro, do Banco Master, em fins de 2024, num relacionamento (negado
num primeiro momento, seguido de contradições) que se prolongou até depois de
ter a candidatura confirmada pelo PL. Pego na mentira, vem descendo a ladeira
sem esclarecer totalmente sua relação com Daniel Vorcaro.7
E a
situação só piorou quando tentou desautorizar a articulação da madrasta,
Michelle Bolsonaro, no final do ano passado, na formação da chapa do PL ao
Senado pelo Ceará. A mágoa criou o distanciamento da ex-primeira-dama dos
quatro filhos de Jair Bolsonaro. Michelle aproveitou a data do jogo do Brasil
com a Escócia para postar vídeo com pesadas acusações contra o enteado senador.
Evangélica, ela presidia o PL Mulher há três anos e ampliou a filiação de
mulheres e evangélicos ao PL. As mulheres representam 53% do eleitorado e os
evangélicos beiram os 30%.
Pois os
aliados de Flávio Bolsonaro, a começar pelo economista Paulo Figueiredo, neto
do último ditador brasileiro, o general João Batista Figueiredo, que mora nos
Estados Unidos onde trama contra o Brasil e o governo Lula com o filho 03, o
ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), fez disparos pesados e
machistas contra Michelle. As balas perdidas atingiram a credibilidade do
senador no meio feminino e evangélico.
Desesperado,
mas desconhecedor da história, no dia 1º de julho de 2026, 38 anos depois da
morte de Abelardo Barbosa, o senador tentou mais uma vez recorrer ao apoio do
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e lhe enviou carta. Talvez escrita
a seis mãos. Possivelmente, o irmão Eduardo, que Flávio pretende nomear
chanceler, se for eleito, e o parceiro Paulo Figueiredo, participaram da
redação e das tratativas para encaminhar o e-mail ao Departamento de Estado,
chefiado por Marco Rubio, e à Casa Branca.
<><>
Atestado de entreguista
Trump,
como mostrou a melhora da aprovação ao presidente Lula após o tarifaço do ano
passado, que o clã Bolsonaro e os bolsonaristas aprovam saudando até a bandeira
americana, está em baixa nos Estados Unidos e se tornou um ativo tóxico no
Brasil e no mundo.
Clamar
para o presidente Trump suspender, "até depois da eleição", a nova
onda de tarifas ao Brasil, alegando que as restrições às exportações
brasileiras favoreceriam "a reeleição de Lula", mas admitindo os
tributos, se for eleito, prometendo, de antemão, favorecimento de pleitos
americanos, foi uma confissão de entreguismo.
Getúlio
Vargas se suicidou e passou à história com a “Carta Testamento”, cujos
contornos escritos à mão pelo presidente foram burilados e amplificados em
letra de forma, datilografada pelo amigo e secretário particular da
Presidência, José Soares Maciel Filho, e lida na Rádio Nacional pelo ministro
da Fazenda Oswaldo Aranha.
Já na
carta-confissão de vassalagem, Flávio Bolsonaro informa que as tarifas
propostas por Trump poderiam “recompensar os próprios infratores que pretendem
punir”. O argumento central é que a retaliação comercial fortaleceria Lula
eleitoralmente, porque permitiria ao governo brasileiro converter o conflito
com os EUA em ativo político interno.
O
posicionamento dos Bolsonaro e dos bolsonaristas está sendo devidamente
explorado à larga pelo presidente Lula, e deve refletir em novas pesquisas
que aumentam a distância entre o presidente e o senador, com chances crescentes
de a fatura ser decidida no primeiro turno, em 4 de outubro
Os
bolsonaristas deviam dizer a seu atual líder que a música sertaneja “Nóis
trumpica (sic) mas não cai” é perigosa agora.
<><>
Mancada com as mulheres
Decididamente,
Flávio Bolsonaro é um personagem que “mídia training” e processos de suavização
da imagem não conseguem burilar, tão enraizados são os traços truculentos e
misóginos do clã Bolsonaro.
Imagina,
caro (a) leitor (a). que precisando cativar o eleitorado feminino solidário com
o desacato a Michelle Bolsonaro por Paulo Figueiredo, o senador participou,
sexta-feira, 3 de julho, de evento na seção fluminense do PL Mulher, no Rio de
Janeiro, e tratou de saudar "a mulherada”.
Lá,
também ensaiou uma dancinha ao som de um funk com letra em sua homenagem. Como
já foi criticado por falta de ritmo, à tarde foi aprimorar dancinha e passos de
funk com o influenciador Pulga Chora Boy (?!) Planos para o país, nada.
Os
tempos mudaram muito. Mas a falta de trato com o eleitorado feminino custou
muitos dissabores ao então governador de São Paulo, Ademar de Barros, na
campanha presidencial de 1955. Num comício em Recife, que era a maior capital
do Nordeste, o candidato do PSP aproveitou para também saudar em alto e bom som
“a mulherada”.
Foi uma
gafe total. Afastou do palanque as mulheres das autoridades presentes, o
cardeal, e esvaziou a plateia feminina. O desastrado Ademar desconhecia que, no
Nordeste, em especial no Recife, “mulherada” era sinônimo das mulheres que
exerciam a mais antiga das profissões.
Em
tempo, a eleição de 1955 foi vencida por Juscelino Kubitscheck, da coligação
PSD-PTB, com 3,077 milhões de votos (35,68% dos votos válidos). O marechal
Juarez Távora, da UDN, ficou em segundo, com 2,610 milhões de votos (30,27).
Ademar foi terceiro, com 2,222 milhões (25,77%).
Fonte: A Terra é Redonda/JB



