sábado, 22 de agosto de 2026

Sobre a possibilidade de um golpe de Estado(ParteI)

Jair Bolsonaro tramou o seu golpe para o caso de perder as eleições, em um movimento que chamei, na época, de estratégia de bola ou búrica. Seus assessores mais arrojados insistiram em dar o golpe antes das eleições, mas o presidente preferiu tentar ganhar as eleições pelo escancarado abuso do poder executivo, enquanto preparava as condições para rejeitar o resultado das eleições através de ataques à lisura do pleito, disseminando dúvidas sobre as urnas eletrônicas. A vitória de Lula com menos de dois milhões de votos de vantagem (menos de 2% dos votos válidos) colocou na mesa a opção do golpe. Jair Bolsonaro contava com vários elementos favoráveis ao seu intento golpista. Tinha milhares de militantes acampados na porta de dezenas de quartéis das forças armadas apoiados por uma pouco disfarçada simpatia dos coronéis responsáveis por essas unidades. Contava também com uma base de centenas de milhares simpatizantes armados, os chamados CACs, organizados em Clubes de Tiro distribuídos em todo o país. Este grupo realizou vários atentados, desde a interrupção da circulação nas estradas pelos caminhoneiros, a destruição de linhas de transmissão de energia elétrica e até a tentativa (fracassada) de explosão de depósitos de combustíveis e aeroportos. Jair Bolsonaro tinha ainda o suporte de uma amplíssima rede de comunicação via internet bombardeando o público com fake news e apelando para o golpe. Estes agentes foram acionados pelos golpistas, mas de forma desorganizada e intermitente, sempre à espera de um comando do “mito”. Criaram um clima de inquietação, sobretudo porque as forças da ordem, as polícias estaduais e as federais, deixaram correr os atentados sem interferir. Jair Bolsonaro não ousou apelar diretamente para uma ação massiva de seus apoiadores, esperando resolver o impasse nas forças armadas em relação ao golpe.

A chave para o fracasso da intentona de golpe se deu exatamente na falta de apoio da cúpula das Forças Armadas. A imprensa e muitos comentaristas preferiram acreditar que prevaleceu entre generais, almirantes e brigadeiros mais estrelados, um sentimento de respeito pelas instituições democráticas. A meu ver isto se chama “wishfull thinking” ou, em bom português, acreditar no que se quer que exista. O que determinou a posição dos “estrelados” foi a clara condenação de um golpe pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, então sob a presidência do democrata Joe Biden. Generais americanos vieram ao Brasil e se reuniram com seus pares nacionais para dar um recado firme e direto: “não façam isto”. Mesmo assim a posição contra o golpe teve apoio significativo na cúpula das três forças, incluindo o comandante da Marinha. Como ficou claro nos inquéritos contra os golpistas havia uma opção radical de passar por cima das vacilações dos comandos superiores, já que se considerava que a oficialidade, “de general de brigada para baixo”, estava pronta para apoiar o golpe. Na tradição golpista brasileira este seria um fato inédito pois em 1964 a hierarquia fechou com o golpe e, em 1961, bastou que um comandante de exército se opusesse (o do Terceiro Exército no Rio Grande do Sul) para a cúpula procurar uma conciliação que evitasse o embate entre eles.

O que faltou para esta opção ser levada à prática? A voz de comando de Jair Bolsonaro. Como este amarelou e se mandou para consultar o Mickey e o Pateta em Miami, o golpismo ficou sem a ordem de marcha, tudo desmoronou como um castelo de cartas e Lula tomou posse. A tentativa seguinte (o 8 de janeiro), a meu ver, não foi a de um golpe para derrubar Lula, mas para blindar os comandos das Forças Armadas no seu governo, mantendo-o refém do poder militar. Como a intentona deu xabu, Lula trocou alguns comandantes das Forças Armadas e o golpismo encolheu-se, esperando melhores dias. Os inquéritos e condenações de alguns dos golpistas levaram a um refluxo da militância da oficialidade, mas também geraram um sentimento de ressentimento e a torcida pela “volta do cipó”. Lula não fez a temida (e esperada) limpa na alta oficialidade, até porque não sabia se podia contar com a generalada que estava na lista das promoções. Na melhor tradição brasileira ele buscou uma conciliação nomeando um avatar dos militares para o ministério da Defesa.

Além da poderosíssima posição do governo e das Forças Armadas americanas, a democracia brasileira foi defendida com toda força pelo TSE e pelo STF. O primeiro foi chave para barrar o golpismo no processo eleitoral e o segundo no desmonte do aparato golpista, no que contou com a participação decisiva da Polícia Federal. Por outro lado, no nível mais baixo do judiciário, a simpatia pelo bolsonarismo se manifestou, inclusive durante as eleições, com juízes de extrema direita mais afoitos tentando limitar atividades da oposição de esquerda. Na lista dos opositores civis do golpe não se pode deixar de citar a forte atuação da chamada grande imprensa, seguidamente denunciando as manobras golpistas. Finalmente, se o golpismo tinha apoio, inclusive financeiro, do agronegócio e de pequenos e médios empresários, a alta rapioca da Faria Lima se posicionou contra o golpe. Não se trata de uma fé nos princípios da democracia, mas em uma avaliação negativa do bolsonarismo e o medo do efeito do desarranjo institucional para o ambiente dos negócios e, por fim, mas não por último, na posição internacional contrária ao golpe. Esta posição se refletiu no segundo turno com o apoio a Lula, em particular pelo posicionamento de Simone Tebet e Soraia Thronicke e do presidente do Novo, rompendo com seu próprio partido. Foram os votos decisivos (a maior parte deles em São Paulo) para barrar a vitória eleitoral do energúmeno.

Finalmente, cabe analisar a posição dos partidos políticos. Apesar de todo o direitismo da maioria dos eleitos em 2022 e de sua óbvia simpatia pelo capitão de araque, a ideia de rejeitar os resultados das eleições pela acusação de manipulação das urnas eletrônicas gerou arrepios, já que a votação os tinha beneficiado. Embora sem muita ênfase, os partidos do Centrão, inclusive os presidentes da Câmara e do Senado se manifestaram contra o golpe. Como este não prosperou, ficamos sem saber como o Congresso se manifestaria se colocado diante de um fato consumado golpista. Haveria certamente uma negociação para estabelecer algumas salvaguardas ao poder ampliado do Congresso, cedido pelo capitão presidente em seus momentos de maior fraqueza no governo. Ou talvez, vitorioso o golpe, Bolsonaro e seus seguidores resolvessem radicalizar e passar o rodo no Congresso de uma vez por todas.

<><> A tragédia anunciada

Nestas eleições devemos nos ver diante de uma situação semelhante à de 2022, com a vitória no segundo turno sendo decidida no fotochart. Diante desse quadro o bolsonarismo retomou a estratégia da “bola ou búrica”. Vão tentar ganhar nas urnas enquanto se preparam para questionar os resultados que lhes forem desfavoráveis. O candidato do capitão é ainda mais patético do que o pai e, em vários quesitos, mais fraco. Não tem a empatia do “mito” e está mais exposto do que seu mentor em temas como a corrupção e misoginia, além de não ter um “posto Ipiranga” de confiança do empresariado, como foi Paulo Guedes. Mas o que importa nestas eleições não é a coerência do candidato com propostas de governo ou identidade ideológica com o sentimento do que há de pior na nossa nacionalidade. O que definitivamente está cada vez mais claro nas tendências indicadas pelas pesquisas é a decisão de barrar Lula contaminando mais de 50% do eleitorado, segundo as pesquisas.

A direita tem hoje menos vantagem na guerra das redes com o lulopetismo. A esquerda e os defensores do presidente aprenderam alguma coisa e hoje disputam com o bolsonarismo a produção de memes. Por outro lado, as redes perderam a confiança absoluta que tiveram em 2018 e 2022, cedendo a primazia da formação de opinião para a mídia convencional. Mas podemos esperar um recrudescimento dos disparos de mensagens distorcendo a realidade, sobretudo sabendo-se que o trumpismo usou e abusou da cumplicidade das big techs para derramar disparos massivos de desinformação nas eleições vencidas pela direita em toda a América Latina. O filhote do energúmeno tem uma vantagem em relação às últimas eleições: o controle do TSE por Kassio Nunes Marques e André Mendonça. Podemos esperar, pelo menos, um controle frouxo das redes nesta guerra de mensagens. E, muito mais perigoso, os dois bolsonaristas do supremo podem usar de seu lugar para provocar notícias negativas, sobretudo nos processos de investigação sob sua responsabilidade. Já é visível o uso de pesos desiguais na revelação de casos de corrupção, deixando o caso do “Dark Horse” em banho maria e seguindo de perto os de Wagner, Lulinha e, agora, Marcola. Ainda é mais perigosa, em um contexto de busca de um pretexto de golpe, a posição que ocupam os dois ministros bolsonaristas no TSE. Até agora eles têm sido forçados a defender as urnas eletrônicas, mas frente a uma situação de crise basta que Nunes Marques aceite a necessidade de uma investigação sobre os resultados das urnas para dar o mote buscado pelos golpistas.

Na disputa eleitoral, que não é o objeto deste artigo, a troca de chumbo em todos os temas deve dar empate e cada bloco vai votar para derrotar o adversário, mais do que para eleger o seu candidato. Cada vez mais o voto está consolidado e não haverá denúncia, proposta ou argumento para mudar posições a não ser em uma ínfima parcela do eleitorado que vai fazer a diferença no fotochart.

Supondo que Lula ganhe por diferença semelhante à das últimas eleições, algo entre um e dois por cento dos votos válidos, entra em campo a alternativa B, o golpe. Flávio Bolsonaro já está repetindo os passos de seu pai em 2022, questionando as urnas em um evento reunindo o corpo diplomático presente em Brasília. Na ocasião ele lançou uma fake news requentada originada nos EUA, afirmando que as nossas urnas foram fabricadas por uma indústria venezuelana, supostamente suspeita de fraudes naquele país. Flávio Bolsonaro deveria ter sido interpelado pelo TSE, mas Nunes Marques limitou-se a reproduzir uma nota emitida no passado por Alexandre de Morais, invés de cobrar um desmentido. Mais importante para o desfecho deste embate, o governo de Donald Trump já está preparado para agir na mesma linha, inclusive já tendo mandado emissários para investigar a lisura das nossas eleições, no que foi impedido pelo Itamaraty. O novo embaixador dos EUA, se receber o agrément antes das eleições, deve vir com tudo para desacreditar o processo eleitoral, já tendo anunciado em sua apresentação no Congresso americano que vai vigiar “a lisura do pleito”. Não é possível prever o que vai fazer para tumultuar, mas o certo é que vai provocar o governo e os tribunais. Só espero que a habitual falta de medida dos gringos coloque a opinião pública contra ele e seu candidato.

<><> Quem vai dar o golpe? Quem vai apoiar?

Golpes, por definição, são dados por militares, na maior parte dos casos pelos oficiais das forças armadas, com o suporte das polícias estaduais ou sua neutralização. As Forças Armadas, por formação, funcionam com base no princípio da disciplina. Este elemento básico do comportamento militar faz com que um golpe conduzido pelos mais altos hierarcas das Forças Armadas tenda a seu imbatível. Por outro lado, o mesmo princípio faz com que um golpe em que os hierarcas não estão no comando do processo tenda a não ter sucesso. Estas regras são muito fortes, mas temos exemplos na América Latina de golpes dados por forças policiais, com as Forças Armadas assistindo o desenrolar do processo. No Brasil tivemos um caso de tentativa de golpe em que o alto comando se dividiu e a oficialidade (incluindo o comandante) de um dos quatro exércitos (o terceiro, do Sul) se rebelou.

O mais alto hierarca das Forças Armadas é o presidente da República, mas se ele não tiver apoio do Alto Comando para dar o um autogolpe (caso de Jair Bolsonaro em 2022) terá que dar a ordem direta aos oficiais com comando de tropas, passando por cima da hierarquia e da devida disciplina. Se Jair Bolsonaro tivesse tido a coragem de dar esta ordem ele colocaria o seu Alto Comando em posição de rebeldia e, no caso deste último não se enquadrar, haveria uma disputa entre duas ordens contraditórias e tudo dependeria de qual seria respeitada. O Alto Comando poderia arguir a ilegalidade da ordem do presidente, mas o clima político entre a oficialidade naquele momento provavelmente provocaria uma adesão dos escalões inferiores, com múltiplas e anárquicas quebras de hierarquia. No quadro presente o presidente Lula é o comandante das Forças Armadas e o seu afastamento pelo Alto Comando seria uma ruptura da cadeia de comando e poderia ser desobedecido pelos escalões inferiores, mas isto é muito improvável dado o histórico de adesão ao bolsonarismo na oficialidade, de tenente a general. Tudo se resume em qual a decisão que vai tomar o Alto Comando se os bolsonaros apelarem para que ele afaste Lula. No quadro atual, a grande diferença com 2022 é a postura do governo e das Forças Armadas americanas. Podemos esperar uma pressão das Forças Armadas americanas ainda mais forte do que naquele ano, só que em sentido contrário. O que vão decidir os nossos generais, almirantes e brigadeiros? Desde logo, como sempre, a decisão chave será o do comando do exército. O resto virá a reboque ou ficará no muro, esperando o desfecho. Apesar de terem sido nomeados por Lula, não há simpatia pelo presidente, nem pruridos legalistas ou democráticos entre estes altos hierarcas. Muito provavelmente eles vão sondar os seus comandados à frente das regiões militares e estes vão fazer o mesmo junto aos comandantes de divisão e brigada. Se a tensão política estiver muito alta até os coronéis vão tomar posição, mas creio que a tendência será pelo golpe.

A imprensa não deu muita bola para a declaração infeliz do ministro da Defesa, que tem se esmerado por representar os interesses da oficialidade das três armas junto ao governo Lula. Segundo este avatar dos militares, no caso de os EUA decidirem por uma invasão do Brasil o que deveríamos fazer seria “abrir as portas sem resistência”, já que esta seria inútil. A declaração favorável a uma capitulação sem luta deveria ter provocado uma tempestade de protestos, mas isto não ocorreu, gerando apreensões sobre qual o sentimento das Forças Armadas. Foi ainda menos divulgado e comentado o documento assinado pelos presidentes dos três clubes dos quatro militares que agregam a oficialidade e divulgado pouco depois da fala derrotista de José Múcio Monteiro. Assinam a carta, em nome de todos os associados, os presidentes do Clube Militar, do Clube Naval e do clube da Aeronáutica. Não fica claro porque o presidente do Clube do Exército não assinou. Quem são os associados destes Clubes? O público em geral acha que são todos oficiais fora da ativa, tanto que são tratados pela imprensa como sendo “de pijama”, mas são muitos os oficiais da ativa que deles participam, pelo menos os do exército e da marinha. Não existem informações sobre quantos e quem são os associados ao Clube da Aeronáutica. No Clube militar os associados são 26.080, sendo que 1821 são da ativa. No Clube Naval são 7.829, sendo que 4.220 da ativa (ou seja, a maioria). Lembremos ainda que existem 31.200 oficiais da ativa no exército e cerca de 11.000 na marinha e 8200 na aeronáutica. Estes números indicam que no exército a proporção dos oficiais da ativa que são membros do Clube Militar é menor do que 20%, mas na marinha eles são quase 40%. Independentemente destes números, a história mostra que os manifestos dos Clubes exprimem o pensamento ou o sentimento da oficialidade da ativa que, por regulamento, não pode se manifestar em público sobre questões políticas. Entre seu penúltimo pronunciamento, em 2024 os Clubes questionaram as condenações dos oficiais comprometidos na intentona de 8 de janeiro de 2023 apontando para uma perseguição aos implicados. Em 2022 assinaram uma carta questionando as urnas eletrônicas, gesto entendido como parte do apoio político ao golpe nas Forças Armadas. Neste último pronunciamento os Clubes não questionaram a fala capitulacionista de José Múcio Monteiro. Questionaram a leniência com a corrupção, tolerância com o crime e o descaso com a gestão da coisa pública que acarretam a falência moral, institucional e econômica do país. O alvo parece ser amplo, incluindo governo, judiciário e congresso. Questionaram o ambiente político marcado pela polarização, pelo revanchismo e pelo clientelismo. O alvo também é amplo, incluindo todas as instituições da república. Questionaram a criação de ruídos diplomáticos desnecessários e o desalinhamento político com importantes países, comprometendo relações bilaterais construídas ao longo de dois séculos de cooperação. Esta passagem é claramente dirigida à crise das relações com o governo americano e aponta para uma responsabilidade do governo brasileiro e não do agressor. Isentaram a responsabilidade do governo americano nos tarifaços, afirmando que poderiam ter sido evitados por meio de negociações mais técnicas e pragmáticas, mais uma acusação contra o governo Lula. O manifesto termina apontando para o risco do Brasil se tornar um país insolvente, ingovernável e irrelevante. Para solucionar todos os problemas apontados a mensagem entra em contradição com seus próprios termos, propondo o diálogo entre as forças vivas da nação.

A meu ver, quem declara que as instituições estão falidas não está propondo diálogo que inclua as mesmas. É um apelo, já muito repetido na história do Brasil, para as forças armadas salvarem o país, ou seja, um apelo ao golpe. Mas o mais importante no documento é a manifestação de apoio ao governo americano, embora o mesmo não tenha sido citado nominalmente. Para os militares dos Clubes (e provavelmente para a maioria da oficialidade da ativa) Donald Trump está certo e o governo brasileiro é o agente provocador da crise. Isto, e o silêncio frente às declarações do ministro da Defesa, é o convite explícito para uma intervenção americana “para botar ordem na casa”. Para a massa da oficialidade, e não apenas os aposentados, as Forças Armadas dos EUA não representam uma ameaça para o Brasil, mas uma força de apoio aos princípios da liberdade e da democracia no país, no melhor estilo dos tempos da guerra fria e da frente sagrada contra o comunismo ateu. As nossas Forças Armadas passaram por quase noventa anos de subordinação às das Forças Armadas americanas, sendo que entre 1945 e 1991 elas se integraram totalmente ao pensamento estratégico e tático da Guerra Fria anticomunista capitaneada pelos americanos. Com o fim do bloco soviético não houve uma redefinição sobre as ameaças militares ao nosso país e os manuais das nossas FFAA continuam versando sobre o velho modelo anticomunista e na fidelidade aos Estados Unidos.

Não tenho dúvidas que a dupla Trump/Rúbio vai fazer inúmeras provocações contra Lula. Já estão requentando uma lenda urbana dos tempos da primeira vitória eleitoral de Lula, acusando o PT de ter recebido recursos financeiros ilegais do governo de Chaves. Vão inventar ligações com o narcotráfico e sabe lá o que mais. O disparo de mensagens bombásticas a partir do exterior, contando com o apoio das empresas das redes e a complacência do TSE também deve entrar no script. Mas não acredito que isto modifique o quadro eleitoral, embora possa criar o clima para uma ação golpista. A escolha da oficialidade a favor ou contra participar de um golpe de Estado não vai ficar imune às influências da opinião pública. Comparando com 2022, quando a hierarquia já estava mais do que balançada pela forte pressão dos acampamentos na porta dos quartéis, pela onda de atentados dos CACs e pelas manifestações bolsonaristas nas ruas e nas redes, os elementos de um ambiente pró golpe eram melhores. No momento a maré bolsonarista está em baixa, sem capacidade de mobilização nas ruas e podemos contar com a oposição da grande mídia e uma maior presença das forças antigolpe nas redes. Se as eleições se realizarem em calma vai ser mais complicado para os golpistas romperem com a legalidade sem pretextos, por mais que o sentimento da oficialidade seja a favor. Sem um comando unificado nas FFAA a favor do golpe a hipótese de uma revolta dos escalões inferiores fica mais difícil pelo risco que incorrerão no caso de o golpe não prosperar.

 

Fonte: Por Jean Marc von der Weid, em A Terra é Redonda

 

Sobre a possibilidade de um golpe de Estado (II)

As nossas Forças Armadas passaram por quase noventa anos de subordinação às das Forças Armadas americanas, sendo que entre 1945 e 1991 elas se integraram totalmente ao pensamento estratégico e tático da Guerra Fria anticomunista capitaneada pelos americanos. Com o fim do bloco soviético não houve uma redefinição sobre as ameaças militares ao nosso país e os manuais das nossas Forças Armadas continuam versando sobre o velho modelo anticomunista e na fidelidade aos Estados Unidos.

Não tenho dúvidas que a dupla Donald Trump/ Marco Rúbio irá fazer inúmeras provocações contra Lula. Já estão requentando uma lenda urbana dos tempos da primeira vitória eleitoral de Lula, acusando o PT de ter recebido recursos financeiros ilegais do governo de Hugo Chaves. Vão inventar ligações com o narcotráfico e sabe lá o que mais. O disparo de mensagens bombásticas a partir do exterior, contando com o apoio das empresas das redes e a complacência do TSE também deve entrar no script. Mas não acredito que isto modifique o quadro eleitoral, embora possa criar o clima para uma ação golpista.

A escolha da oficialidade a favor ou contra participar de um golpe de Estado não vai ficar imune às influências da opinião pública.

Comparando com 2022, quando a hierarquia já estava mais do que balançada pela forte pressão dos acampamentos na porta dos quartéis, pela onda de atentados dos CACs e pelas manifestações bolsonaristas nas ruas e nas redes, os elementos de um ambiente pró golpe eram melhores.

No momento a maré bolsonarista está em baixa, sem capacidade de mobilização nas ruas e podemos contar com a oposição da grande mídia e uma maior presença das forças antigolpe nas redes. Se as eleições se realizarem em calma vai ser mais complicado para os golpistas romperem com a legalidade sem pretextos, por mais que o sentimento da oficialidade seja a favor. Sem um comando unificado nas Forças Armadas a favor do golpe a hipótese de uma revolta dos escalões inferiores fica mais difícil pelo risco que incorrerão no caso de o golpe não prosperar.

O que podem fazer Donald Trump e Marco Rúbio para provocar o golpe no Brasil? Mandar a generalada americana buzinar nos ouvidos dos nossos Altos Comandos a mensagem golpista pode dar mais coragem para estes darem o salto no escuro da quebra da hierarquia e da legalidade. Dou de mão beijada que todos os generais e almirantes gostariam de tirar Lula e o PT do governo, mas sem um forte respaldo para o golpe no país eu duvido que se movam.

A única medida que pode fazer a mesa virar é uma invasão pelas Forças Armadas americanas que provocaria a adesão das nossas e a tomada do poder. Às vésperas de uma eleição nos EUA e com Donald Trump altamente desgastado por suas intervenções externas desastradas, uma invasão de Brasília pela First Air Cavalry (divisão de paraquedistas), mais uma divisão de marines (fuzileiros navais) com ainda uma participação dos Seals (espécie de kids pretos americanos) seria um risco político medonho, mesmo para um louco como o presidente americano. Infelizmente, é algo que não se pode descartar.

Este quadro seria impensável até janeiro deste ano, quando foi feita a operação de sequestro do presidente da Venezuela. Mas vejamos o cálculo feito pelo governo de Donald Trump: estava em curso uma negociação com a cúpula do governo e das Forças Armadas venezuelanas, que estava travada por Nicolás Maduro. Retirada a trava o acordo funcionou, mantendo-se a estrutura existente de poder desde que submissa a Donald Trump.

No caso do Brasil este tipo de operação cirúrgica não funcionaria pois temos instituições democráticas atuantes e independentes, diferentemente da ditadura venezuelana. Aqui seria preciso fechar Congresso, STF e afastar os ocupantes do executivo. Ou seja, seria preciso ocupar o terreno e não uma rápida entrada e saída. Como Donald Trump vai interpretar a mensagem da oficialidade? Com certeza ele vai ter claro que não vai encontrar resistência militar e vai poder entregar o cadáver das nossas instituições para as Forças Armadas gerirem o país, garantidos os interesses dos EUA, como na Venezuela.

Vai ter peso na criação de um clima contra o golpe a capacidade de Lula de repetir o extraordinário feito das eleições de 2022, quando seus comícios, sobretudo no Nordeste, levaram milhões às ruas. Infelizmente, este não me parece um quadro provável nestas eleições. Lula hoje está mais preocupado em fazer alianças “fortes” nos Estados (leia-se, compondo com todo mundo, Centrão, direita, esquerda) do que mobilizar massas aos milhões.

Esperemos que uma ameaça de golpe trumpista e/ou bolsonarista provoque uma reação política da sociedade civil que possa se exprimir em multidões nas ruas para garantir os resultados das eleições, já que não vejo capacidade de mobilização na esquerda e, quiçá, nem no Lula.

Em resumo: as condições para um golpe eram muito maiores em 2022 e ele poderia ter acontecido se o Alto comando do Exército tivesse aderido ou se Jair Bolsonaro tivesse dado a ordem para a intervenção das Forças Armadas, passando por cima da generalada. As investigações nos processos contra os golpistas mostraram como a montagem do golpe foi amadora e desarticulada e a covardia do mito permite chamar uma quase tragédia de farsa.

Hoje as condições políticas internas são menos favoráveis a um golpe militar, mas a ameaça de uma invasão americana tornou-se uma possibilidade real, dados os interesses de longo prazo dos EUA e os de curto de Donald Trump e o total desprezo do personagem pelas regras de convívio civilizado entre países soberanos. Seria uma tragédia inimaginável, capaz de fazer a ditadura 64/85 empalidecer.

<><> O que podem fazer Trump e Rúbio para provocar o golpe no Brasil?

Mandar a generalada americana buzinar nos ouvidos dos nossos Altos Comandos a mensagem golpista pode dar mais coragem para estes darem o salto no escuro da quebra da hierarquia e da legalidade. Dou de mão beijada que todos os generais e almirantes gostariam de tirar Lula e o PT do governo, mas sem um forte respaldo para o golpe no país eu duvido que se movam. A única medida que pode fazer a mesa virar é uma invasão pelas FFAA americanas que provocaria a adesão das nossas e a tomada do poder. Às vésperas de uma eleição nos EUA e com Trump altamente desgastado por suas intervenções externas desastradas, uma invasão de Brasília pela First Air Cavalry (divisão de paraquedistas), mais uma divisão de marines (fuzileiros navais) com ainda uma participação dos Seals (espécie de kids pretos americanos) seria um risco político medonho, mesmo para um louco como o presidente americano. Infelizmente, é algo que não se pode descartar. Este quadro seria impensável até janeiro deste ano, quando foi feita a operação de sequestro do presidente da Venezuela. Mas vejamos o cálculo feito pelo governo Trump: estava em curso uma negociação com a cúpula do governo e das FFAA venezuelanas, que estava travada por Nicolau Maduro. Retirada a trava o acordo funcionou, mantendo-se a estrutura existente de poder desde que submissa a Trump. No caso do Brasil este tipo de operação cirúrgica não funcionaria pois temos instituições democráticas atuantes e independentes, diferentemente da ditadura venezuelana. Aqui seria preciso fechar Congresso, STF e afastar os ocupantes do executivo. Ou seja, seria preciso ocupar o terreno e não uma rápida entrada e saída. Como Trump vai interpretar a mensagem da oficialidade? Com certeza ele vai ter claro que não vai encontrar resistência militar e vai poder entregar o cadáver das nossas instituições para as FFAA gerirem o país, garantidos os interesses dos EUA, como na Venezuela. Vai ter peso na criação de um clima contra o golpe a capacidade de Lula de repetir o extraordinário feito das eleições de 2022, quando seus comícios, sobretudo no Nordeste, levaram milhões às ruas. Infelizmente, este não me parece um quadro provável nestas eleições. Lula hoje está mais preocupado em fazer alianças “fortes” nos Estados (leia-se, compondo com todo mundo, Centrão, direita, esquerda) do que mobilizar massas aos milhões. Esperemos que uma ameaça de golpe trumpista e/ou bolsonarista provoque uma reação política da sociedade civil que possa se exprimir em multidões nas ruas para garantir os resultados das eleições, já que não vejo capacidade de mobilização na esquerda e, quiçá, nem no Lula.

Em resumo: as condições para um golpe eram muito maiores em 2022 e ele poderia ter acontecido se o Alto comando do Exército tivesse aderido ou se Bolsonaro tivesse dado a ordem para a intervenção das FFAA, passando por cima da generalada. As investigações nos processos contra os golpistas mostraram como a montagem do golpe foi amadora e desarticulada e a covardia do mito permite chamar uma quase tragédia de farsa. Hoje as condições políticas internas são menos favoráveis a um golpe militar, mas a ameaça de uma invasão americana tornou-se uma possibilidade real, dados os interesses de longo prazo dos EUA e os de curto de Trump e o total desprezo do personagem pelas regras de convívio civilizado entre países soberanos. Seria uma tragédia inimaginável, capaz de fazer a ditadura 64/85 empalidecer.

 

Fonte: Por Jean Marc von der Weid, em A Terra é Redonda 

 

Jornalismo sem pluralismo

Há, no jornalismo econômico brasileiro, narrativas recorrentes apresentadas muitas vezes como se fossem proposições técnicas incontroversas, quando na realidade dependem de escolhas teóricas, institucionais e distributivas. Isso não significa toda crítica fiscal ser um “mito”, nem a inflação ter deixado de importar. Significa ser necessário distinguir identidades contábeis, restrições institucionais, hipóteses comportamentais e juízos normativos.

Os dados atuais tornam essa discussão oportuna. O recorrente diagnóstico mandatório de economista fiscalista midiático – “a dívida pública terá de ser paga” – é uma formulação enganosa,

Um Estado sem dívida externa e com títulos de dívida pública em moeda nacional, isto é, risco soberano, não funciona como uma família na qual herdeiros têm de liquidar todas as dívidas do finado antes de receber eventual herança. A dívida pública é normalmente refinanciada: títulos vencem, o Tesouro os resgata e simultaneamente emite outros.

O Tesouro Nacional administra emissões, resgates, estoque, vencimentos e reserva de liquidez – justamente porque administrar a dívida pública significa gerir continuamente seu refinanciamento. Os detentores de títulos de dívida pública – Instituições Financeiras em torno de 31,8% do total dos títulos; Fundos de Previdência: aproximadamente 22,6%; Fundos de Investimento: cerca de 21,6%; Não-residentes (Estrangeiros): 10%; Seguradoras, Governo e Tesouro Direto com participações menores – estão interessados nos permanentes rendimentos de juros. Logo, quando há vencimentos dos títulos públicos, compram outros.

A pergunta economicamente relevante não é: “Quando o Brasil pagará sua dívida?”, mas sim: “Em quais condições o Estado conseguirá refinanciar sua dívida ao longo do tempo?” Isso desloca radicalmente o problema.

O limite não é uma imaginária data de quitação do estoque, mas a interação entre taxa de juros, crescimento nominal do PIB, resultado primário, composição e maturidade da dívida, demanda dos investidores por títulos e credibilidade político-institucional. Simplificadamente: Δ(d) ≈ (r−g) d – p; onde (d) é dívida/PIB, (r) é o juro real efetivo, (g) é o crescimento da renda (ou arrecadação fiscal) e (p) é o superávit primário.

Essa equação mostra algo obscurecido pelo debate jornalístico sem pluralismo: uma taxa real de juros muito elevada pode desestabilizar a dívida mesmo com um resultado primário relativamente próximo do equilíbrio.

Bancos, fundos de investimento, fundos de pensão, seguradoras e famílias não desejam necessariamente “livrar-se” da dívida pública. Para eles, o passivo do governo é ativo financeiro.

O título público é simultaneamente: Passivo do Estado = Ativo financeiro dos detentores, inclusive bancos públicos e governos. Por isso, “eliminar a dívida pública” significaria também eliminar parcela importante dos ativos seguros usados na gestão patrimonial privada e nos balanços de entidades públicas.

Nos números fiscais há uma assimetria e precisam ser distinguidos entre realizados e projetados. Aproximadamente 0,5% do PIB de déficit primário e 8,5% de juros são valores projetados para 2026 no cenário-base da IFI do Senado.

Segundo o Banco Central, em doze meses, o setor público consolidado acumulou déficit primário de R$ 157,2 bilhões, equivalente a 1,19% do PIB. No acumulado em doze meses até junho, os juros nominais alcançaram R$ 1,16 trilhões (8,8% do PIB). O resultado nominal do setor público consolidado, incluindo o resultado primário e os juros nominais apropriados, no acumulado em doze meses, teve déficit nominal de R$ 1,31 trilhões (9,99% do PIB).

Mesmo usando o dado realizado, a diferença é extraordinária: a conta de juros é cerca de 7,4 vezes o déficit primário. Isso não demonstra ser qualquer gasto social irrelevante fiscalmente. Previdência, saúde e educação precisam ser financiados dentro da capacidade fiscal e tributária do Estado.

Mas enfraquece a narrativa ortodoxa dos “fiscalistas”, segundo a qual o déficit nominal brasileiro seria essencialmente consequência de um “Estado gastador” em políticas sociais. Contabilmente, hoje, a grande diferença entre um déficit primário relativamente pequeno e o enorme déficit nominal é a conta de juros.

Aqui aparece um segundo mito: confundir déficit primário com “gastos sociais”. Nessa sutileza conceitual, o resultado primário não mede simplesmente: gastos sociais – receitas. Ele agrega receitas e despesas primárias de diversas naturezas. Portanto, não podemos inferir serem saúde, educação ou Previdência os únicos responsáveis diretos pelo déficit primário de 1,19% do PIB.

Apesar de todo o conjunto das despesas primárias do Estado, grande parte delas sociais, receitas tributárias financiam quase integralmente essas despesas. O desequilíbrio líquido primário é pequeno, quando comparado à despesa líquida com juros. Essa formulação factual é difícil de contestar.

A baixa inflação demonstra a natureza do problema. O IPCA de julho foi apenas 0,07%, acumulando 3,44% em 2026 e 4,44% em doze meses. Enquanto isso, a Selic está em 14% ao ano. O próprio Copom caracteriza esse nível como “significativamente contracionista”.

Logo, há uma questão econômica legítima, merecedora de debate plural. Não se deve simplesmente subtrair os dois números para obter o juro real ex ante – o correto é considerar a inflação esperada –, mas qualquer medida razoável aponta para juros reais excepcionalmente elevados.

Por isso, a inflação em nível historicamente baixo deixou de justificar, por si só, toda a discussão macroeconômica brasileira continuar girando em torno do combate inflacionário, sem ponderação equivalente dos efeitos patrimoniais, fiscais, distributivos e produtivos da taxa de juros.

Fundamento a “estagdesigualdade” com a Teoria do valor financeiro, elaborada por mim em um livro digital. A Selic elevada produz efeitos diferentes sobre dois circuitos: (i) No circuito da renda e produção: Juros Crédito mais caro Alavancagem empresarial Investimento Demanda Crescimento da renda; (ii) No circuito da capitalização patrimonial: Selic CDI Renda fixa Juros compostos Patrimônio financeiro.

Isso cria uma configuração paradoxal: fluxo de renda crescendo lentamente + estoque financeiro capitalizando rapidamente. É precisamente aí onde o conceito de estagdesigualdade ganha força analítica.

Quem depende predominantemente do trabalho vive no circuito do fluxo de renda relativamente estagnado, diante do padrão da Era desenvolvimentista. Quem já acumulou grande patrimônio financeiro participa intensamente do circuito de capitalização.

Há um feedback: Selic elevada despesa pública com juros renda financeira privada acumulação patrimonial maior concentração de riqueza. Simultaneamente: Selic elevada custo de capital menor alavancagem financeira da produção menor investimento menor crescimento da renda.

A combinação dos dois circuitos produz justamente: Estagdesigualdade = baixo dinamismo do fluxo de renda (estagnação relativa) + capitalização assimétrica dos estoques (desigualdade patrimonial).

Há quatro contrapontos importantes a uma visão indiferente ao problema fiscal.

Primeiro, rolar dívida não significa inexistir restrição fiscal. Se investidores exigirem taxas crescentes, encurtarem prazos ou alterarem a composição desejada de suas carteiras, o custo de refinanciamento aumenta.

Segundo, resultado primário importa, particularmente porque interage com (r-g). Juros altos tornam necessário um resultado primário maior para estabilizar dívida/PIB; mas déficits primários persistentes também aumentam o estoque sobre o qual os juros incidem.

Terceiro, juros não constituem simplesmente uma transferência do Estado para “rentistas”. Os títulos pertencem direta ou indiretamente a fundos de pensão, fundos de investimento, bancos, seguradoras, empresas e pessoas físicas. O efeito distributivo precisa ser medido pela propriedade final desses ativos.

Quarto, não é possível atribuir toda a baixa taxa de investimento à Selic. Expectativas de demanda, infraestrutura, tecnologia, câmbio, tributação, incerteza política, capacidade instalada e perspectivas de rentabilidade também entram na decisão empresarial.

O verdadeiro problema jornalístico brasileiro é, portanto, o reducionismo ortodoxo fiscalista – e não “fake news econômicas”. Mitos econômicos são produzidos pela transformação de uma interpretação teórica convencional, muitas vezes uma crença equivocada, em senso comum jornalístico.

Forma-se uma cadeia: hipótese teórica interpretação de economistas neoliberais consenso do mercado jornalismo econômico opinião pública. No fim dessa cadeia, deveria falsear a hipótese inicial e não a conclusão aparecer como se fosse um fato.

“Dívida tem de ser paga”, “o governo precisa fazer a mesma coisa de uma família”, “déficit público decorre de excesso de gasto social”, “juros altos são simplesmente consequência do risco fiscal” e “qualquer inflação acima da meta exige juros extremamente elevados” são proposições discutíveis, não identidades contábeis.

A alternativa plural não seria simplesmente inverter todas elas. Seria mostrar ao leitor as causalidades concorrentes e seus feedbacks: de um lado, Selic elevada déficit nominal maior dívida pública / PIB maior pressão por ajuste fiscal; de outro lado: Selic elevada menor alavancagem financeira menor investimento. Ambas as resultantes se sobrepõem e resultam em: menor crescimento da renda menor arrecadação tributária piora fiscal.

Em contrapartida, no estoque de riqueza: Selic elevada rendimentos financeiros juros compostos capitalização patrimonial concentração da riqueza.

Essa abordagem sistêmica muda a pergunta central. Em vez de discutir isoladamente “gasto público demais ou de menos?”, passa-se a investigar como política monetária, política fiscal, estrutura financeira, distribuição patrimonial e crescimento interagem e se retroalimentam.

Nesse enquadramento da complexidade, minha hipótese pode ser formulada de maneira provocadora de um debate plural: o problema macroeconômico brasileiro contemporâneo não é simplesmente um “déficit fiscal”, mas sim uma configuração financeiro-fiscal na qual juros muito elevados simultaneamente ampliam o déficit nominal, remuneram estoques de riqueza, encarecem a alavancagem e restringem a expansão do fluxo de renda e, portanto, da arrecadação fiscal.

Esta é uma hipótese de Economia política a ser testada empiricamente. É justamente o tipo de hipótese ausente quando o debate econômico é apresentado como se houvesse apenas uma interpretação tecnicamente admissível.

 

Fonte: Por Fernando Nogueira da Costa, em A Terra é Redonda

 

Mamografia de rastreamento revela desigualdade entre regiões do Brasil

Entre 2015 e 2024, a cobertura da mamografia de rastreamento pelo SUS (Sistema Único de Saúde) entre mulheres de 50 a 69 anos ficou em apenas 23,7% — menos de um terço da referência de 70% utilizada como parâmetro de estudo.

Os dados são do Panorama do Câncer de Mama, levantamento baseado em informações oficiais do DataSus, e revelam uma realidade preocupante no acesso ao diagnóstico precoce no Brasil.

Em entrevista ao Live CNN, a mastologista Juliana Francisco, parceira médica em campanhas de saúde das mamas, destacou a gravidade do cenário. "O câncer de mama é um problema de saúde pública mundial", afirmou.

Segundo a especialista, dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer) projetam aproximadamente 78.610 novos casos de câncer de mama em mulheres para o triênio 2026-2028, sendo a principal causa de morte por câncer nessa população.

<><> Diagnóstico precoce e a importância da mamografia

Juliana Francisco ressaltou que o diagnóstico precoce é a principal chave para aumentar as chances de cura. "Quanto antes a gente descobre o câncer de mama, chegamos a taxas de cura de até 95%", explicou.

A mastologista lembrou que, quando a cobertura mamográfica atinge 70% do público-alvo, é possível reduzir em 30% a mortalidade por câncer de mama — meta que o Brasil ainda está muito longe de alcançar.

Em dezembro do ano passado, houve uma mudança importante na recomendação do SUS: a idade para início do rastreamento foi reduzida de 50 para 40 anos. A decisão se baseia em dados nacionais que mostram que 32% dos casos de câncer de mama em mulheres ocorrem na faixa etária entre 40 e 50 anos.

"A nossa população é um pouco diferente dos modelos estudados no exterior", observou Juliana Francisco, justificando a mudança. A recomendação atual é que toda mulher sem sintomas e sem histórico familiar realize a mamografia uma vez ao ano a partir dos 40 anos.

<><> Desigualdades regionais alarmantes

Os dados do Panorama do Câncer de Mama expõem profundas desigualdades regionais na cobertura do exame. Roraima apresenta o índice mais baixo, com apenas 3,5% de cobertura, seguido por Tocantins, com 6,1%, e Rondônia, com 10,5%.

Estados como Piauí (34%), Bahia (31,5%) e São Paulo (29,8%) apresentam índices maiores, mas ainda muito abaixo da meta de 70%.

"A gente não consegue mostrar exatamente uma causa isolada única", ponderou Juliana Francisco, defendendo a necessidade de uma política integral de cuidado ao câncer, com linhas de cuidado, protocolos e busca ativa pelas pacientes.

<><> Desinformação agrava o cenário

Além das barreiras de acesso, a desinformação representa outro obstáculo grave. Segundo o índice  de conscientização

 do câncer de mama — iniciativa do Instituto Natura, Avon e outros parceiros —, 86% das mulheres não sabem que podem realizar a mamografia em qualquer idade se apresentarem algum sintoma ou indicação médica.

Além disso, 95% desconhecem a lei dos 30 dias, que garante o diagnóstico em até 30 dias a partir da suspeita, e 98% não sabem sobre a lei dos 60 dias, que assegura o início do tratamento em até 60 dias após o diagnóstico. "Quanto mais tempo a gente demora para iniciar o tratamento, maior o risco da mulher morrer pelo câncer de mama", alertou Juliana Francisco.

A mastologista defendeu que qualquer profissional de saúde — e não apenas ginecologistas — deve aproveitar as consultas de rotina para orientar e solicitar o exame de mamografia.

"Se ela for a uma consulta com um clínico para tratar uma pressão alta, que ele já pegue aquela oportunidade e ofereça a mamografia", sugeriu. Para Juliana Francisco, essa abordagem integrada é essencial para mudar a realidade das mulheres brasileiras e reduzir a mortalidade pelo câncer de mama no país.

<><> Falta de enzima na gravidez pode originar esquizofrenia, diz estudo

Uma nova pesquisa, conduzida por cientistas brasileiros, apontam que a inibição de uma enzima durante o período de formação do cérebro pode estar ligada ao surgimento da esquizofrenia.

O estudo investigou a importância da PHGDH (fosfoglicerato desidrogenase), uma enzima considerada chave para o desenvolvimento do sistema nervoso, para a interação entre neurônios e astrócitos do cérebro em formação.

Os resultados do trabalho apontam que a inibição da PHGDH afeta o desenvolvimento neurológico e está implicada em distúrbios como a esquizofrenia.

A pesquisa foi publicada na revista científica Glial Health Research e contou com a participação da FMRP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto) da USP (Universidade de São Paulo), Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), IDOR (Instituto D’Or de Pesquisa e Educação), UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

<><> A enzima PHGDH

Os distúrbios do neurodesenvolvimento estão ligados a deficiências em redes biológicas complexas. O funcionamento cerebral depende da interação neurônio-astrócito – células que trabalham para o funcionamento do cérebro – e o o neurotransmissor D-serina é 

essencial

 para essa comunicação. Por isso, a desregulação dos níveis de D-serina tem sido relacionada à esquizofrenia.

De acordo com a USP, o estudo utilizou modelos neurais humanos desenvolvidos em laboratório para compreender como alterações metabólicas em período precoce podem afetar o desenvolvimento das conexões cerebrais e aumentar a vulnerabilidade a transtornos neuropsiquiátricos.

Estudos anteriores já haviam mostrado que a PHGDH apresentava alterações em pacientes com esquizofrenia. Isso levantou a hipótese de que ela poderia desempenhar um papel importante no desenvolvimento do cérebro e, consequentemente, na doença.Flávio Protásio Veras, professor da Universidade Federal de Alfenas, em Minas Gerais, e pesquisador da FMRP

De acordo com Daniel Martins de Souza, um dos pesquisadores do IDOR e professor de Bioquímica da Unicamp, os cientistas se interessaram em estudar a enzima ao encontrá-la desregulada no tecido cerebral de pacientes com esquizofrenia e de células derivadas de pacientes.

“No início, não tínhamos certeza de que a inibição da PHGDH levaria a alterações relacionadas a transtornos do neurodesenvolvimento. Nossa ideia era entender melhor qual era o papel dessa enzima nas fases iniciais da formação do cérebro”, conta Flávio Veras.

<><> Processo de estudo

Pesquisadores usaram células-tronco humanas para criar neuroesferas, miniaturas 3D que simulam o cérebro em formação, compostas por neurônios e astrócitos (células que alimentam e protegem os neurônios).

A enzima PHGDH foi inibida para avaliar como isso afetava o desenvolvimento dessas células usando diferentes técnicas. Ao bloquear a enzima PHGDH nessas estruturas, eles observaram:

  • Quebra de suprimento: A falta da enzima reduziu a D-serina e desregulou substâncias vitais (como lactato e glutamina), que garantem a energia e o diálogo entre as células cerebrais.
  • Neurônios vulneráveis: Enquanto os astrócitos conseguiram usar caminhos alternativos para sobreviver, os neurônios sofreram sem esse suporte, registrando alta morte celular e falhas na produção de proteínas essenciais. As neuroesferas ficaram menores e com conexões comprometidas.
  • Elo com a esquizofrenia: Essa falha impede a maturação correta dos neurônios e prejudica os receptores NMDA (estruturas de comunicação diretamente ligadas à esquizofrenia).

“Foi a partir desse conjunto de evidências que concluímos que alterações na PHGDH podem aumentar a vulnerabilidade a problemas do neurodesenvolvimento, oferecendo uma nova perspectiva para compreender mecanismos relacionados à doença”, afirma Veras.

 

Fonte: CNN Brasil

 

O que você não viu no lançamento das campanhas de Lula e Flávio

Começou oficialmente a campanha eleitoral para a presidência da República. No domingo, 16/08, os candidatos à presidência fizeram seus comícios inaugurais nesta que promete ser, de acordo com as pesquisas, uma disputa ainda mais acirrada do que as anteriores. 

Encarei o sol pesado de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, para ver como seria o início da última campanha presidencial de Lula, seja ele vencedor ou perdedor. O público, uniformizado de vermelho, com camisetas e bonés de movimentos sociais e organizações diversas – MTST, MST, CUT, sindicatos vários – satisfez, aparentemente, a expectativa dos organizadores, que esperavam cerca de 20 mil.  

Com o mote “Onde Tudo Começou”, o evento foi nostálgico. Muitos se emocionaram com a bonita ideia da largada, relembrar as greves de 1979, quando Lula despontou como liderança sindical pela primeira vez. Afinal, quando as músicas e bordões de todas as 5 campanhas presidenciais de Lula à presidência eram transmitidas no telão, uma parte da nossa vida também era reencenada nas imagens com definição dos anos 90, nas roupas antiquadas, nos cabelos de Lula embranquecendo e rareando. 

A campanha entendeu que, hoje, qualquer sociedade precisa tanto de um futuro quanto do passado, essa coisa longínqua que cada vez mais as redes sociais roubam de nós: já não se vive mais o passado ou se pratica a memória como antigamente. 

Também apelava a uma saudade o bordão “é tetra” estampado em uma enorme bandeira pendurada na arquibancada. Segundo o Uol, Lula participou ativamente da coordenação do ato, mostrando compreender que, se falta na sua campanha a promessa de algo novo, por outro lado, seus três governos têm muitos resultados a mostrar. 

Foram bonitos os reencontros encenados na Vila Euclides: o de Lula com os operários que participaram da greve de 1979; o de Janja com a memória de Marisa Letícia, homenageada na fala da primeira-dama, que relembrou que as mulheres também construíram a luta social, ajudaram a derrubar a ditadura e a mudar o país. Consciente que o voto do eleitorado feminino tem peso decisivo neste pleito, Lula falou o tempo inteiro para as mulheres, e Janja prometeu: “vamos juntas eleger Lula presidente mais uma vez”. 

Não houve grandes surpresas, nem tanto entusiasmo dos presentes, mas o ato cumpriu a missão de transformar a campanha de um senhor de 80 anos, que já foi presidente três vezes, em plena era da IA, em algo histórico, que dá orgulho.   

Lula falou pra caramba, mais de 30 minutos. Relembrou as greves de 1979 e a de 1980, quando foi preso e os operários reconheceram seu papel como liderança. Leu números do seu governo mais recente e cobrou que a militância mostrasse aos indecisos que são melhores que os do governo Bolsonaro. Relembrou números impressionantes na educação, contrapondo educação com segurança pública, tentando distinguir seu investimento no futuro dos jovens com a liberação da venda de armas pelo governo Bolsonaro. Finalizou seu discurso quando o gramado já estava esvaziando, notando que Janja sempre diz a ele que, “quando começam a aparecer buracos na multidão, é o povo dizendo que está com fome e quer almoçar”.  

Me chamou a atenção a menção ao ministro do STF, Dias Toffoli. No improviso, Lula mostrou rancor, sem chamá-lo pelo nome, ao lembrar que foi “um ministro que eu indiquei” ao STF que não o permitiu comparecer ao velório do seu irmão Vavá quando estava preso na PF em Curitiba. Comparou Toffoli com o delegado Romeu Tuma, que lhe permitia todas as noites visitar a mãe, dona Lindu, quando ele estava preso durante a ditadura militar. “Numa demonstração de que os homens não são medidos por épocas, os homens são medidos pelo caráter, pela dignidade, pela criação que ele teve de berço”, disse.

O desabafo vem em má hora. Com o TSE dividido, Toffoli será o fiel da balança em temas fundamentais que irão do uso da IA até campanhas de desinformação e ataques à integridade das urnas, pois a composição tem, de um lado, ministros mais conservadores, sendo o presidente e o vice Kássio Nunes e André Mendonca – ambos indicados por Bolsonaro – e de outro, os advogados Estela Aranha, que foi assessora de Celso Amorim, e Floriano Peixoto, além dos ministros do STJ Ricardo Cueva e Antônio Ferreira. 

Uma enorme bandeira aberta do Brasil em meio à multidão e a nostalgia por diversos Brasis atravessados pela trajetória de Lula bastaram para exalar um patriotismo que certa vez foi sequestrado pelo bolsonarismo. Fafá de Belém cantou o hino nacional; havia muitas camisas do time do Brasil com a estrela do PT. 

Mas o tema da soberania nacional, em si, apareceu pouco. No discurso de Lula, apareceu quando ele falou de terras raras, essenciais para fazer a arquitetura da nova economia da IA. “Eu não quero nem com os Estados Unidos, nem com a Rússia, nem com a China, nem com a França, nem com a Inglaterra. Ninguém vai explorar os nossos minerais raros em benefício do povo brasileiro”.

<><> Flávio mira narrativas para o combate digital 

Já em Copacabana (onde não estive, mas assisti pelo YouTube), o patriotismo se apresentava mais uma vez com as camisas da seleção, verde-amarelas. Ali não havia nostalgia, mas a maior marca era uma saudade, a ausência de Jair Bolsonaro, cujo nome e rosto estampavam todos os discursos. O público era evidentemente menor (cerca de 9 mil segundo o Monitor do Debate Político da USP/Cebrap) e a campanha começou morna, com recentes notícias de desembarque do centrão ainda reverberando.   

Ali também houve o hino nacional, que foi finalizado com a voz de Jair Bolsonaro nas caixas de som: “Deus, pátria família e liberdade, obrigada meu Deus por esse momento”. A abertura já deixou claro que a campanha é mais em seu nome do que em nome de Flávio, o que torna a candidatura essencial para o futuro do Bolsonarismo. Não se trata de uma eleição para vencer, mas para manter o movimento bolsonarista na primazia da política nacional. O próprio Flávio deu o tom: “é difícil comparar o filho do Pelé com o Pelé”. 

O ato demonstrou, assim, um dos grandes desafios da campanha e seu principal pano de fundo, a tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro. Ficou claro no discurso a dificuldade de conciliar uma campanha democrática com a narrativa de que existe uma perseguição a Jair – “nós [os Bolsonaro] sempre fomos o último obstáculo para que este país virasse uma ditadura”, disse Flávio. Também será difícil conciliar a defesa do país e o hino nacional às retaliações impetradas pelos EUA contra empresários brasileiros a pedido do irmão Eduardo. 

Sob o mote “O Brasil vai vencer”, Flávio tocou no tema que parece ser um calcanhar de Aquiles para Lula, o da segurança pública. Fez uma promessa clara, a de aprofundar a designação de organizações criminosas como terroristas, incluindo nelas as milícias. E bateu na percepção de que o governo federal nada faz para combater o crime organizado. Estruturou a crítica com um mote bem elaborado: “O atual governo briga com um país a 10 mil kms de distância mas não briga com traficante, com ladrão de celular, com assassino”, disse. 

Outra sacada da campanha de Flávio foi a maneira como o candidato buscou ressignificar a palavra “soberania” à luz do medo da violência que segue sendo uma das principais preocupações eleitorais de todos os brasileiros. “Nós perdemos a soberania. Não temos mais soberania sobre nosso celular, nosso carro, sua bolsa, nossa casa”, disse. 

“Quem tem soberania aqui no Complexo do Alemão? O Governo ou o Comando Vermelho?”, perguntou. “Um governo que não tem a capacidade e não tem também a vontade de defender a soberania de quem mora aqui no Brasil, não tem condições de manter a soberania sobre o seu próprio território, ou tá fechado com crime organizado ou é muito incompetente”. Assim, ele prometeu: “eu vou resgatar a soberania do Brasil”.

Essa engenharia narrativa permite rebater o principal calcanhar de Aquiles da campanha de Flávio Bolsonaro, sua aliança com os EUA via o irmão Eduardo e as retaliações dos EUA – algo que sempre pegou mal no Brasil, por mais que tenha aumentado a porcentagem de brasileiros que acham que Lula deveria negociar com Trump. 

Há aqui talvez a principal questão que torna a candidatura do campo bolsonarista competitiva: sua maestria digital. A tática de “roubar” uma palavra ao campo opositor tem até um nome em estudos de manipulação do discurso digital, se chama “keyword squatting”, e faz sentido na disputa pela internet pela maneira como se organiza a distribuição de informações através, por exemplo, de ferramentas de buscas, tagueamento e organizações por conteúdos relacionados. Ao usar a palavra “soberania”, a campanha insere sua versão nas buscas e nas redes sociais, e também passa a confundir um conceito que, para a maioria dos brasileiros, pode parecer ainda distante, etéreo. 

Flávio demonstrou ainda que tem tração nas redes: enquanto o lançamento oficial da sua campanha foi assistido por 393 mil pessoas no YouTube, a de Lula teve 226 mil até a manhã de segunda-feira.  

Para ampliar esta tração, o candidato do PL vai trazer de volta um velho fantasma, reacendendo as conspirações sobre a facada a Jair Bolsonaro. Antes de ir a Copacabana, ele anunciou, durante uma live, que faria a campanha com colete à prova de balas porque, segundo afirma, teria recebido mais de 1.800 ameaças de morte. 

O colete balístico foi vestido por baixo de uma camisa verde e amarela com os dizeres “Meu partido é o Brasil”.  

Vale lembrar que, depois do anúncio das novas tarifas de Trump contra o Brasil, Flávio teve seis vezes mais interações nas redes do que Lula, segundo levantamento da consultoria Bites. Se na largada Lula levou mais gente IRL (na vida real), no digital, o bolsonarismo segue tendo vantagem.

 

Fonte: Por Natália Viana, da Agencia Pública