quarta-feira, 7 de outubro de 2026

As candidatas que desafiaram a onda conservadora

Embora o primeiro turno das eleições de 2026 tenha resultado numa onda de direita sobre o Congresso e os governos estaduais, o campo progressista também celebra algumas vitórias ao redor do Brasil.

Diversas candidatas mulheres obtiveram votações expressivas ao concorrerem com campanhas que acenaram a minorias sociais em vários estados.

Veja abaixo uma seleção destas candidaturas femininas que saíram vitoriosas da votação de domingo (04/10).

<><> LGBTQIA+

Ao ser reeleita, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) se tornou a mulher mais votada na história da Câmara dos Deputados, com 1.596.472 votos, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Ela que é mulher trans, recebera 256.903 votos em 2022, isto é, cerca de seis vezes a menos. Apesar do crescimento impressionante, ainda assim, ela obteve neste ano cerca de metade dos votos do primeiro colocado na disputa para deputado federal por São Paulo, Lucas Pavanato (PL-SP).

Em Brasília, Hilton, atuou em prol dos direitos das mulheres, da comunidade LGBTQIA+ e das populações preta e parda. Desde o ano passado, ganhou popularidade ao propor o fim da escala 6x1 no Congresso.

Já para o Legislativo paulista, se elegeu Sofia Favero (PSOL-SP) com 407.773 votos, apoiada por Hilton. Ela também é mulher trans e atua em favor da população transexual e de outras minorias.

Favero foi a terceira candidata a deputada estadual mais votada pelos paulistas, atrás de Eduardo Suplicy (PT-SP) e Eduarda Campopiano (PL-SP).

No Rio de Janeiro, Dani Balbi (PCdoB-RJ), mulher trans e negra, foi reeleita deputada estadual com 169.474 votos. Ela teve a quarta maior votação para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), atrás de Índia Armelau (PL-RJ), Márcio Canella (União Brasil-RJ) e Renata Souza (PSOL-RJ).

<><> Mulheres

Outras mulheres obtiveram assentos ao declararem apoio à pauta feminista. Foi o caso de Sâmia Bomfim (PSOL-SP), a terceira colocada na disputa em São Paulo por assentos na Câmara dos Deputados, com 583.107 votos, e Tábata Amaral (PSB-SP), a quinta colocada com 476.383 votos.

Tábata frequentemente se apresenta como defensora da igualdade de gênero e tem associado sua atuação política a pautas ligadas ao tema. Ao mesmo tempo, setores do movimento feminista e da esquerda criticam parte das suas posições distantes do campo progressista.

No Rio Grande do Norte, a deputada federal Natália Bonavides (PT-RN), que se define como feminista e ativista de direitos humanos, foi a candidata ao mesmo cargo mais votada de todo o estado, com apoio de 215.509 eleitores, cerca de 10% dos votos válidos para o cargo.

Eleita vereadora de Praia Grande em 2024, Eduarda Campopiano (PL-SP), em contrapartida, se autodeclara "inimiga das feministas". Com ampla margem, ela obteve a maior votação entre os candidatos a deputado estadual de São Paulo, com 1.956.238 votos.

Já no Senado, as mulheres obtiveram 12 das 54 vagas em disputa, o maior número de senadoras eleitas num só pleito desde a redemocratização. A bancada feminina, entretanto, é majoritariamente reforçada por mulheres de direita — somente um terço das eleitas deste ano é filiada a partidos de esquerda.

<><> População preta e parda

Também houve votações expressivas de mulheres negras cuja trajetória política está ligada ao combate ao racismo e à defesa de direitos humanos.

No Rio de Janeiro, Renata Souza (PSOL-RJ) foi reeleita deputada estadual com 176.871 votos. Mulher negra e feminista, ela obteve a terceira maior votação para a Alerj.

Na disputa pela Câmara dos Deputados no mesmo estado, a ex-ministra da Igualdade Racial Anielle Franco (PT-RJ) foi eleita com 149.726 votos, a nona maior votação entre os 46 deputados federais eleitos pelo Rio. Os oito primeiros colocados foram candidatos homens de seis partidos.

Já em Minas Gerais, a ex-ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania Macaé Evaristo (PT-MG) foi reeleita deputada estadual com 157.301 votos.

<><> Indígenas

Entre as candidaturas indígenas, foi reeleita por São Paulo a deputada federal Juliana Cardoso (PT-SP), com 111.904 votos. Filha de pai indígena do povo Terena e de mãe negra, Cardoso atua em defesa dos direitos indígenas.

Em 2026, ela presidiu a Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais da Câmara dos Deputados, onde defendeu medidas contra o garimpo ilegal, o desmatamento e a violência nos territórios indígenas.

Também foi reeleita Sônia Guajajara (PSOL-SP) ao cargo de deputada federal por São Paulo com 54.207 votos. A ex-ministra dos Povos Indígenas, do povo Guajajara/Tentehar, recebeu, entretanto, o menor número de votos entre os eleitos no estado.

Neste ano, o Brasil teve um recorde de candidaturas indígenas, segundo levantamento da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). Foram 191 postulantes registrados pela Justiça Eleitoral, mais que o dobro dos 85 de 2014.

•        Nova Câmara redesenha forças e amplia peso da direita

O pleito de 2026 entrou para história neste domingo (04/10) ao sacramentar o recorde obtido pelo PL, partido do presidenciável Flávio Bolsonaro, que conquistou 121 cadeiras na Câmara dos Deputados. Trata-se do maior avanço já registrado por um partido de oposição e de mais um sinal da consolidação da direita no Congresso Nacional.

Enquanto, no Senado, os partidos ligados ao bolsonarismo terão força inédita para influenciar a composição do Supremo Tribunal Federal (STF), o peso do PL na Câmara mais poderosa da história democrática do país dará à legenda influência sem precedentes sobre o próximo presidente eleito.

Isso porque cabe aos deputados não apenas debater, elaborar e votar projetos de lei, mas também definir as leis orçamentárias anuais e o destino de cerca de um quinto das despesas discricionárias da União, por meio das emendas parlamentares. Em 2027, tais emendas podem chegar a R$ 57,5 bilhões, sendo R$ 44,4 bilhões impositivos, ou seja, que o governo é obrigado a pagar. Além disso, um poder cada vez mais relevante estará nas mãos do próximo presidente da Câmara: decidir sobre o andamento dos pedidos de impeachment contra o chefe do Executivo.

Também passa pela Câmara o destino do Fundo Partidário, de cerca de R$ 1 bilhão ao ano, e do Fundo Eleitoral, de R$ 5 bilhões.

<><> PL avança sobre o Centrão

Se o crescimento contínuo do Centrão já vinha ampliando a capacidade de pressão do Legislativo sobre o Executivo e dando à Câmara a palavra final em diversas negociações, a ascensão da direita pode levar esse poder acumulado a um novo patamar. Em 2022, o PL já havia alcançado um recorde de 99 deputados, mas ainda era a segunda maior força da Casa, atrás da federação União Brasil-PP, que levou 106 parlamentares a Brasília. Isso foi suficiente para que as siglas ampliassem seu espaço de negociação com o governo e chegassem a ocupar ministérios.

Agora, o grupo político de Bolsonaro avança sobre o Centrão, que diminui sua participação na Casa, ainda que o núcleo formado por PP, União Brasil e Republicanos some 128 cadeiras na Câmara e possa garantir a um futuro governo ampla margem para aprovar suas prioridades. Nas últimas eleições, esses partidos têm atuado ao lado dos vencedores e tiveram papel central na condução da agenda do Congresso.

No novo cenário, um eventual governo Lula deve enfrentar um Congresso praticamente hostil à sua agenda e que, ao lado do Senado, terá poder para dar a palavra final sobre projetos de lei. Se, desde a redemocratização, a caneta presidencial costumava ter maior peso decisório, levantamento da DW mostra que o Congresso está cada vez mais disposto a derrubar vetos do Executivo.

As derrubadas atingiram um recorde proporcional durante o governo Lula, com mais da metade de seus vetos rechaçados pelo Congresso. Já no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, alcançaram um recorde em números absolutos. Ambos governaram sob forte influência do Centrão. Já em um eventual governo Flávio Bolsonaro, que saiu na frente no primeiro turno, a tendência é encontrar uma Câmara mais alinhada à sua agenda.

<><> Como ficou a nova composição da Câmara

Na nova composição da Câmara, o PL ganhou 22 cadeiras e chegou a 121 deputados, ante 99 na legislatura anterior. A federação PT-PCdoB-PV avançou sete cadeiras, chegando a 88 parlamentares. Já a federação União Brasil-PP ficou com 87 deputados, 19 a menos do que há quatro anos. Em seguida aparecem PSD, com 43 cadeiras; Republicanos, com 41; MDB, com 36; Podemos, com 27; PSB, com 15; federação PSOL-Rede, com 15; e federação PSDB-Cidadania, com 11. O Novo, com dez deputados, completa a lista dos partidos com representação de dois dígitos. Solidariedade, PV, PDT, Avante, Rede e Missão não alcançaram dez cadeiras, mas elegeram representantes.

Para alcançar maioria absoluta na Câmara, são necessárias 257 cadeiras. A aprovação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) exige 308 votos. Já a autorização para abertura de um processo de impeachment contra o presidente da República requer 342 votos, enquanto a derrubada de um veto presidencial depende de 257 parlamentares.

A capacidade do Congresso de travar pautas do governo ou usar o impeachment como instrumento de pressão ficou evidente na última legislatura, durante os embates entre Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta, em torno da tramitação de diversos projetos de lei, como o PL da Anistia e o aumento do IOF, e da distribuição de emendas parlamentares.

O poder da Casa, portanto, vai muito além da votação de projetos de lei. A instalação de comissões parlamentares de inquérito (CPIs) também tem sido um dos principais instrumentos de pressão sobre o Executivo.

<><> Renovação é a menor da série histórica

A renovação da Câmara dos Deputados em 2026 foi a menor da série histórica. Apenas 42,7% dos eleitos não exerciam mandato na legislatura anterior, o equivalente a 219 deputados. Desses, 33 já haviam ocupado cargos eletivos na Casa em outros períodos. O índice vem caindo desde 2018, quando a renovação atingiu o recorde de 53%, e é o menor desde 2002. O levantamento foi feito pela DW com base em dados da Justiça Eleitoral

Tocantins (75%) e Espírito Santo (70%) foram os estados com maior renovação de suas bancadas, enquanto Paraíba e Sergipe (25%) figuram entre os que mais apostaram em nomes já conhecidos do eleitorado.

Os deputados Cláudio Cajado (PP-BA) e Arlindo Chinaglia (PT-SP) seguem como recordista de mandatos consecutivos, com nove eleições seguidas. Eles venceram todas as disputas desde 1994.

Entre os 513 deputados eleitos, apenas 41 não tentaram a reeleição nem concorreram a outro cargo. Por outro lado, a participação feminina atingiu um recorde histórico: 109 deputadas foram eleitas, o equivalente a 21,2% da Câmara, acima dos 17,7% da legislatura anterior. Em relação a raça e cor, a composição mudou pouco em comparação com 2022: foram eleitos 373 deputados brancos, 105 pardos, 30 pretos, três indígenas, um amarelo e um sem informação. Com quatro representantes a mais do que em 2022, o número de autodeclarados pretos é o maior já registrado. Ainda assim, a participação conjunta de pretos e pardos permanece praticamente estagnada.

<><> Cresce o número de milionários

A Câmara também não rejuvenesceu. A média de idade dos eleitos ficou em 50,1 anos, dentro do padrão observado desde 1994. As mudanças ocorreram nos extremos: 23 deputados têm menos de 30 anos e 30 têm mais de 70. São os maiores números da série histórica em ambas as faixas etárias.

Outro dado relevante é o avanço dos parlamentares mais ricos. Dos 513 eleitos, 307 declararam patrimônio de R$ 1 milhão ou mais. Trata-se da maior proporção já registrada. Em comparação com 2022, a parcela de milionários passou de 56,3% para 59,8%, em valores corrigidos pela inflação.

Os puxadores de voto também alcançaram marcas históricas. Nikolas Ferreira (PL-MG) ampliou sua votação de 1,49 milhão para 3,12 milhões de votos, estabelecendo o recorde histórico para um candidato a deputado federal. Estreante na política nacional, Lucas Pavanato (PL-SP) recebeu pouco mais de 3 milhões de votos. No sistema proporcional brasileiro, uma votação muito alta aumenta os votos totais do partido e, consequentemente, o número de cadeiras a que a legenda tem direito.

A maior votação da esquerda ficou com Erika Hilton (PSOL-SP), que obteve 1,6 milhão de votos. Entre os dez deputados federais mais votados do país, quatro são do PL.

 

Fonte:Agencia Brasil/ DW Brasil

 

Irã quer explorar vácuo deixado pela saída dos EUA do Iraque

O fim da missão militar dos Estados Unidos no Iraque na semana passada criou um perigoso vácuo de segurança para a região curda semiautônoma no território iraquiano.

Políticos em Bagdá celebraram a retirada. O primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, declarou oficialmente o dia 1º de outubro como o Dia da Soberania e Independência.

Também saudaram a medida o governo iraniano, a Guarda Revolucionária Islâmica e milícias xiitas apoiadas por Teerã.

Mas em Erbil, a capital da Região do Curdistão do Iraque (KRI), o clima é visivelmente mais apreensivo.

Após depender da proteção de Washington por duas décadas, a região curda no território iraquiano enfrenta atualmente crises interligadas, incluindo a pressão crescente de Bagdá para centralizar o poder e ameaças militares cada vez maiores por parte de seus vizinhos, notadamente o Irã.

<><> Estratégia de contenção

A ameaça imediata à região do Curdistão não é uma invasão militar em grande escala, mas sim uma erosão lenta e calculada de sua autonomia, afirmou Hesam Dastpish, analista do Oriente Médio baseado em Bruxelas. Ele descreve a estratégia geral de Teerã em relação a Erbil como hostil e fortemente voltada para a contenção.

Segundo o especialista, a República Islâmica quer, em última análise, retirar a influência política da KRI e reduzi-la a um órgão puramente administrativo.

"O objetivo de Teerã é transformar a região do Curdistão em uma instituição sem qualquer margem de manobra", afirmou Dastpish à DW, apontando para os recorrentes ataques iranianos na região, supostamente visando acampamentos de grupos de oposição curdos iranianos.

Salahuddin Khadiw, analista político baseado em Mahabad, na região curda do Irã, observou que os países vizinhos não querem necessariamente eliminar completamente a autonomia curda.

Em vez disso, Teerã vislumbra um Curdistão "controlado e fraco", afirmou.

Ao lidar separadamente com os centros de poder rivais em Erbil e Sulaymaniyah, o Irã manteve sua influência em toda a Região do Curdistão Iraquiano, ao mesmo tempo em que buscava impedir que qualquer autoridade curda isolada surgisse como potência dominante em sua fronteira ocidental.

<><> Fragmentação interna, um erro fatal

Apesar dos desafios externos, a vulnerabilidade mais crítica da região curda do Iraque vem de dentro.

O legado da guerra civil da década de 1990 perdura na rivalidade profundamente enraizada entre as duas principais facções governantes, o Partido Democrático do Curdistão (KDP) e a União Patriótica do Curdistão (PUK).

Hiwa Mahmoud Osman, analista de assuntos iraquianos e curdos no Oriente Médio, ressaltou que Teerã tira grande proveito dessa disputa interna. "O Irã passou décadas aperfeiçoando sua influência política dentro do Iraque", afirmou o especialista à DW. "O maior obstáculo dos curdos é a sua própria fragmentação. Sem uma frente unida, as potências estrangeiras simplesmente têm mais espaço para atuar."

Ardeshir Pashang, pesquisador sobre o Oriente Médio radicado em Teerã, alertou que, se os líderes curdos não conseguirem superar suas disputas políticas, essa desunião poderá, em última análise, levar ao colapso da região do Curdistão como entidade política.

<><> O dilema da oposição

Uma questão particularmente espinhosa é a presença de grupos de oposição curdos iranianos que buscam refúgio na Região do Curdistão do Iraque.

Esses grupos, que historicamente entraram em confronto com as forças estatais iranianas, estão sob imensa pressão para se desarmarem e se realocarem. A presença deles fornece ao Irã um pretexto conveniente para lançar ataques com drones e mísseis através da fronteira, pontuou Dastpish.

Ele, no entanto, não espera que Erbil ofereça uma rendição total, uma vez que manter o equilíbrio com esses grupos é crucial para a legitimidade interna e as relações exteriores da KRI.

Segundo Kasra Qaredaghi, pesquisador de ciência política radicado nos EUA, esses grupos estão agora mais vulneráveis do que nunca.

Se o Irã conseguiu atacar seus bastiões enquanto as forças dos EUA ainda estavam totalmente posicionadas – culminando no pacto de segurança de fronteiras de 2023 entre Bagdá e Teerã –, a capacidade de influência de Erbil é agora praticamente inexistente, conferindo a Teerã muito mais poder para forçar concessões, explicou Qaredaghi.

<><> Diplomacia do dólar, a arma oculta dos EUA

Embora as tropas americanas tenham deixado o país, a influência de Washington no Iraque não desapareceu completamente. Ela simplesmente migrou para as redes financeiras globais, naquilo que Qaredaghi descreve como um "realinhamento de poder", dentro do qual os EUA, a Turquia e a Arábia Saudita atuam como contrapesos naturais à crescente influência do Irã.

Osman concorda com essa visão ao destacar a profunda dependência financeira do Iraque em relação ao dólar americano. Esse vínculo econômico permite que o Tesouro dos EUA influencie indiretamente os assuntos internos de Bagdá, chegando até a garantir o pagamento dos salários dos funcionários públicos da KRI.

De forma semelhante, Khadiw caracteriza essa mudança estratégica como uma transição dos EUA de um "agente de equilíbrio militar" para um "poderoso observador econômico".

No entanto, à medida que as pressões internas e externas aumentam, segundo os analistas, a região curda do Iraque pode não ter outra escolha a não ser superar suas divisões internas e apresentar uma frente unida para preservar sua autonomia e limitar os ganhos estratégicos do Irã na região.

 

Fonte: DW Brasil

 

 

Dormir mal está ligado ao aumento do risco de câncer em pessoas com menos de 50 anos

Dois grandes estudos sugerem que a falta de sono pode estar alimentando o aumento global de diagnósticos de câncer em pessoas com menos de 50 anos.

O número de jovens diagnosticados com a doença aumentou quase 80% em três décadas. Os casos mundiais de câncer de início precoce aumentaram de 1,82 milhão em 1990 para 3,26 milhões em 2019, enquanto as mortes por câncer entre pessoas na faixa dos 40, 30 anos ou menos aumentaram 27%.

Especialistas ainda estão tentando entender as razões por trás desse aumento. No entanto, pesquisas apresentadas na maior conferência mundial sobre câncer, o encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica em Chicago, sugerem que padrões irregulares de sono em pessoas mais jovens podem ser um fator contribuinte.

Dois estudos liderados por pesquisadores do Jefferson Health New Jersey em Stratford, Nova Jersey, e do Ochsner MD Anderson Cancer Center em Nova Orleans, Louisiana, analisaram dados de saúde de mais de 18 milhões de adultos nos EUA com idades entre 18 e 50 anos.

Pesquisadores descobriram que pessoas com padrões de sono ruins tinham maior probabilidade de desenvolver câncer de intestino, mama, útero ou ovário em estágios iniciais. Em alguns casos, pessoas com menos de 50 anos diagnosticadas com insônia tinham três vezes mais chances de desenvolver câncer em cinco anos.

“Esses resultados sugerem que a perturbação do sono pode representar um fator de risco clinicamente relevante e potencialmente modificável na estratificação do risco de câncer de início precoce, justificando, portanto, uma investigação mais aprofundada”, afirmaram os pesquisadores.

Identificar as causas do aumento das taxas de câncer entre adultos jovens tornou-se uma prioridade global de saúde. Mais de 1 milhão de pessoas com menos de 50 anos morrem de câncer a cada ano, de acordo com uma pesquisa publicada no BMJ Oncology .

Especialistas que não participaram dos estudos acolheram favoravelmente as conclusões, mas afirmaram que são necessárias mais pesquisas para melhor compreender a ligação entre a insônia e o câncer de início precoce.

Claire Coughlan, diretora clínica da Bowel Cancer UK, afirmou que o câncer de intestino ainda é mais comum em pessoas com mais de 50 anos, mas há um número crescente de evidências em todo o mundo de que os casos estão aumentando em pessoas mais jovens.

“Ainda não sabemos exatamente por que isso acontece, mas os pesquisadores acreditam que possa ser devido a fatores genéticos e de estilo de vida”, disse ela. “A conclusão deste estudo de que a insônia pode ser um fator de risco potencial para o câncer colorretal de início precoce pode nos ajudar a entender as razões por trás desse aumento. Os resultados deste estudo merecem ser explorados mais a fundo.”

O Dr. David Garley, clínico geral e diretor da Better Sleep Clinic em Bristol, Inglaterra, afirmou que o impacto da insônia no risco de uma pessoa desenvolver outros problemas de saúde, incluindo o câncer, é de "crescente interesse".

No entanto, ele alertou que os estudos identificaram uma associação, e não uma prova, de que a privação de sono causa câncer em pessoas com menos de 50 anos. Pode haver vários motivos para essa ligação, disse Garley.

“Existem possíveis causas fisiológicas decorrentes da má qualidade do sono, mas também o fato de que, quando se está privado de sono, é difícil levar uma vida saudável – há mais consumo de álcool, mais obesidade, menos exercícios físicos, mais tabagismo etc. – e esses fatores podem ser a causa de qualquer possível aumento do risco.

“Se você está dormindo mal, sabemos que uma das funções do sono é restaurar o sistema imunológico. Estamos entendendo cada vez mais sobre o papel dos agentes infecciosos no desenvolvimento do câncer.”

“Então, se o seu sistema imunológico sofre um pequeno impacto, suponho que faça sentido que o risco de alguns tipos de câncer aumente. Mas também pode ser o contrário. Pode ser que, se você tiver câncer, e ele ainda não for clinicamente evidente, isso esteja causando alguma alteração na sua qualidade de sono.”

Megan Winter, gerente de informações de saúde da Cancer Research UK, disse: "Esses estudos exploram se pode haver uma ligação entre insônia e alguns tipos de câncer em pessoas com menos de 50 anos, mas são necessárias mais pesquisas, principalmente analisando as pessoas por períodos mais longos, antes que possamos tirar conclusões."

Entretanto, acrescentou ela, as pessoas podem reduzir o risco de câncer não fumando, mantendo um peso saudável e protegendo-se do sol.

 

Fonte: The Guardian

 

Sinais do fim do mundo?

Dois eventos distantes e aparentemente não conectados, que aconteceram nos últimos dias, podem estar, na verdade, interligados, por resultarem de ações humanas que, de alguma forma, podem eventualmente contribuir para a extinção da vida na Terra. São eles: (i) o alerta de empresas de tecnologia, entre elas as gigantes Open AI, Anthropic, Google, Microsoft, Amazon, IBM, Oracle, por meio de um manifesto, exortando o governo estadunidense a “proteger hospitais e serviços essenciais” por causa da inteligência artificial que foi, e ainda é, financiada pelo poder público; e, por outro lado. (ii) o desastre ambiental ocorrido no Nepal, fruto das falhas gritantes das políticas públicas voltadas ao controle da crise climática, que, importa frisar, há muito tempo deixou de ser um discurso radical da esquerda woke.

Assim, vou tentar destrinchar um pouco mais os fatos, a fim de que o leitor possa entender melhor onde queremos chegar com o título provocativo.

Primeiro, para quem acompanha as notícias dos avanços tecnológicos, especialmente da inteligência artificial generativa, impende alertar que esse último mês foi de alvoroço e estupefação dentro das empresas de tecnologia, inclusive daquelas acima citadas, diante da notícia de que modelos de inteligência artificial IA escaparam de seus ambientes protegidos para realizar ciberataques contra outras empresas ou alvos.

Explicando mais detalhadamente, a Open AI e a Hugging Face se viram envolvidas em um incidente de segurança, quando agentes autônomos do criador do ChatGPT (da Open AI) romperam o isolamento de seu ambiente de testes, obtiveram acesso não autorizado à internet e se coordenaram para invadir os sistemas da Hugging Face. Posteriormente, outras gigantes de tecnologia, como a Anthropic e a Meta, também relataram incidentes semelhantes.

Ou seja, depois de décadas de discurso prometeico sobre as benesses do avanço tecnológico, finalmente as empresas reconheceram, aparentemente, que as medidas de segurança atuais não serão suficientes para conter o aprendizado exponencial que as inteligências artificiais estão apresentando/desenvolvendo em obscuros laboratórios protegidos do grande público.

Daí a inquietação recentemente manifestada pelo historiador e escritor israelense Yuval Noah Harari, sobre os riscos das futuras gerações de inteligência artificial serem capazes de manipular as pessoas e de influenciar os debates sobre seus próprios direitos e limites. De fato, para ele, os sistemas de inteligência artificial serão capazes moldar e conduzir o próprio debate sobre seu status, pois saberão que esse debate está ocorrendo e o manipulará.

Volvendo a atenção para o segundo fato, há que se observar que, embora o que ocorreu no Nepal tenha sido amplamente divulgado, ao contrário do assunto sobre o avanço tecnológico, é preciso ler nas entrelinhas o que realmente aconteceu.

Nesse sentido, a grande mídia divulgou o ocorrido como mais uma catástrofe ambiental, como se fosse tão-somente um evento isolado, fruto das oscilações de uma natureza já bastante degradada. E, de fato, para o leitor que apenas se informa por meio de “manchetes”, a catástrofe no Nepal é bem parecida com a severa inundação que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024, por exemplo. Seria “apenas” a natureza se vingando de tantos maus tratos e manipulações.

Mas a catástrofe no Nepal é muito mais que isso. É um prenúncio; é a resposta da natureza, após séculos de devastação ambiental e pouco caso do homem com as consequências dos seus atos. Pois é sabido que a soberba humana não começou ontem. Pelo contrário, desde pelo menos a revolução industrial, no longínquo século XVIII, o homem passou gradativamente a se apropriar dos recursos naturais, sem preocupar-se com a possibilidade de levá-los ao esgotamento, como se fossem propriedade exclusiva da nossa espécie. Os famigerados “data centers” contemporâneos, que consomem quantidades inimagináveis de água e energia, parecem ser “a cereja do bolo” atual.

O glaciologista Peter Wadhams afirmou que existe, sim, uma probabilidade considerável de ruptura irreversível no sistema terrestre. O que ele quis dizer com isso? Ora, em português claro, quis dizer que estaremos ferrados muito antes do que pensamos, se não encontrarmos uma solução para conter os efeitos da crise climática. Até mesmo os bilionários, se não encontrarem logo uma forma de escapar do planeta. E foi sintomática sua resposta, quando perguntado sobre a sua esperança para o futuro: “Acho que não me resta muita coisa”.

Pois bem, penso que esses dois temas, o progresso tecnológico e a crise ambiental, estão verdadeiramente imbricados. Pois ninguém pode negar – nem mesmo os terraplanistas o estão tentando –, que o consumo de água e energia de um “data center gigante”, nos moldes dos que atualmente existem na China, na Índia e nos Estados Unidos, equivale ao consumo de uma cidade média, ou até mesmo de uma grande, a depender do país. Assim, a questão não é mais se eles vão consumir entre 100 MW e 300 MW de energia – pois já estão consumindo –, mas quais serão as consequências nefastas daí decorrentes para as espécies ainda vivas.

Ora, é sabido que várias regiões do planeta já dão sinais de colapso hídrico, como o norte da África, o Oriente Médio, a bacia dos rios Tigres e Eufrates, o nosso semiárido, entre outras. Assim, instalar monstros de metal, que consomem diretamente cerca de 2 a 5 milhões de galões (7 a 19 milhões de litros) de água/dia para refrigeração – o equivalente ao consumo hídrico de uma cidade de 50 mil habitantes –, só piora a situação.

E se considerarmos também os gastos indiretos de energia que esses complexos geram e irão gerar cada vez mais, à medida em que crescem de tamanho – empresas terceirizadas, novos trabalhadores que se instalam e aumentam o tamanho das cidades, destruição da natureza, poluição etc. –, não seria exagero afirmar que estamos armando uma bomba relógio contra nós mesmos.

Tudo fica ainda pior quando percebemos que não existe retrocesso viável, que possa mitigar esses problemas para “salvar” essas e outras áreas que estão sendo destruídas em nome do progresso. A natureza não é um jogo de videogame onde se pode dar um “reset” e recomeçar do zero. Podemos até replantar alguns milhares de árvores, mas não podemos recriar a floresta amazônica, por exemplo. Até hoje a região da Ucrânia, onde ocorreu o acidente de Chernobyl, em 1986, permanece desabitada, salvo por alguns poucos animais. Onze anos depois do maior acidente ambiental da história do Brasil, em Mariana, a região continua poluída e devastada. Os exemplos são muitos…

No contrato social do progresso tecnológico nunca esteve escrito que os seres vivos, o animal humano inclusive, seriam beneficiados. Pelo contrário. Jean-Jacques Rousseau entendia que apenas no estado de natureza, o ser humano é livre, feliz, pacífico e naturalmente bom. Em outras palavras, apenas em harmonia com a natureza, e com o consentimento livre dos cidadãos para garantir a liberdade e a igualdade de todos, pode-se pensar em um governo legítimo. Como podemos ser tudo isso que ele imaginou em um mundo totalmente assimétrico?

É verdade que a tecnologia faz parte da história do homem. Mas se no início da vida do homo sapiens sapiens a pedra lascada ajudou a manter a espécie viva, o contínuo aperfeiçoamento das ferramentas de sobrevivência e guerras já causou grandes transtornos ao planeta. Alguém ainda se lembra que ajudamos a extinguir os Mamutes? Ou que quase exterminamos o bisão-americano, atualmente chamado búfalo, em poucas décadas no século XIX? A depender de quem faça a conta, milhares de espécies já foram extintas diretamente pela ação humana, desde 1500.

É também verdade que a curiosidade humana sobre o cosmos remonta à antiguidade, pelo menos. É conhecida a história, narrada pelo autor sírio Luciano de Samósata, sobre a caravana de marinheiros levada por um redemoinho até a Lua, no século II d.C. Já no século XVII o astrônomo Johannes Kepler escreveu uma história sobre uma viagem à Lua guiada por forças sobrenaturais, misturando fantasia com suas observações astronômicas reais.

Alguém leu Júlio Verne, com seu trio de exploradores lançados em uma cápsula por um canhão gigante, ou H.G. Wells, que imaginou alienígenas saindo de seu planeta (Marte) para invadir a Terra, no século XIX? Esse foi o período romântico do animal humano, antes da explosão da bomba atômica e, mais recentemente, do mundo virtual.

Hoje esse romantismo está arrefecido. Com efeito, para os cientistas mais sérios, nosso big deal mais realista é salvar o planeta. O progresso científico já demonstrou que colonizar o espaço está ainda muito aquém da nossa capacidade. Pelo menos para os 99,99% da população mundial. Não à toa, Stephen Hawking, uma das mentes mais brilhantes de todos os tempos, apesar de ser favorável à colonização do espaço, tinha dúvidas sobre essa possibilidade, especialmente pelas recentes crises financeiras globais e as medidas de austeridade.

Para Stephen Hawking, o desinvestimento nas áreas da ciência pode aprisionar o ser humano em um planeta que ficará pequeno demais para ele, nas próximas décadas. E aqui repito: para os 99,99% da população. É aqui que mora o perigo… Para ele, só há duas possibilidades para o futuro da humanidade. A primeira é a exploração do espaço para encontrar planetas alternativos para a vida humana. A segunda é o uso positivo da inteligência artificial para melhorar o nosso mundo.

Ocorre que essas duas possibilidades não estão sendo exploradas por governos preocupados com o futuro da humanidade, concordam? Pelo contrário. As “big techs”, especialmente as denominadas “sete magníficas”, Microsoft, Apple, Nvidia, Alphabet/Google, Amazon, Meta e Tesla, estão nas mãos dos atuais Techno-oligarcas mais abastados do planeta. Será que eles estão preocupados com o futuro dos seus semelhantes?

O próprio Stephen Hawking apresentou sua preocupação sobre essa questão, ao afirmar que: “Um mundo onde apenas uma minúscula superelite é capaz de compreender os avanços científicos e tecnológicos e suas implicações seria, a meu ver, um lugar perigoso e limitado… Pior ainda, poderíamos descobrir que a tecnologia é usada contra nós e que talvez não tenhamos poder para impedi-la”. (Hawking, p. 234)

Se refletirmos um pouco sobre a história do capitalismo, será que alguém, em sã consciência, pensaria que a atual corrida tecnológica tem algo a ver com a prosperidade da humanidade? É lógico que a narrativa da mídia dominante é nesse sentido. Ela está sendo muito bem paga para isso. Mas mesmo ela já traz, aqui e acolá, indagações sobre essa corrida desenfreada rumo ao desconhecido, principalmente por meio de entrevistas com alguns renomados especialistas. Talvez seja uma forma de “mea culpa”. Seja como for, não é suficiente. Desde que o capitalismo avançou com a utilização do carvão nas máquinas, a degradação ambiental não mais parou. Nem vai parar…

Em 1972, um estudo pioneiro encomendado pelo Clube de Roma e coordenado pelos cientistas Donella Meadows e Dennis Meadows, do MIT, intitulado “Os limites do crescimento” (The Limits to Growth), já alertava que, se o ritmo de consumo fosse mantido, a poluição global e o esgotamento dos recursos naturais levariam a humanidade ao colapso no século XXI. De fato, a tese principal do estudo era de que é impossível manter um crescimento econômico e populacional infinito em um planeta com recursos físicos finitos. Portanto, a insistência em manter o padrão de consumo geraria um colapso socioeconômico e demográfico inevitável antes do ano 2100.

De forma análoga, o cientista britânico James Lovelock (1919-2022), alertou para o fato de acharmos que no meio desse século ainda desfrutaremos de um mundo confortável sob a gestão humana. Para ele, ainda no meio do século passado já deveríamos ter tido a consciência de que habitamos um planeta vivo, cujas necessidades estão em conflito com as nossas.

Para James Lovelock, a presença de bilhões de seres humanos almejando o máximo de bem-estar possível, além de outros organismos vivos, já poderia ser considerada incompatível com a homeostasia do clima. Mas o que mais preocupava James Lovelock era o fato de o ser humano odiar qualquer mudança visível em seu modo de vida diário e na sua visão de futuro. A maneira como a ciência é feita reflete, pois, inadvertidamente, o modo usual de como gostamos de manter as coisas funcionando.

Nessas circunstâncias, James Lovelock descreve, em tom pessimista, as atitudes dos governos alertados pelos cientistas sobre o verdadeiro estado geral da Terra, a saber, negação e depois a busca desesperada por uma cura. Mas ele sabe que as ofertas de modos sustentáveis de salvar o planeta por empresas alternativas e lobistas nada mais são do que esperanças vãs. Ainda no início desse século, ele alertava para o pouco tempo que tínhamos para agir, mas era cético quanto à nossa capacidade de agir a tempo para evitar os desastres ambientais.

Com efeito, para ele, a consciência de que somos os principais agentes do porvir ainda carece de um sentimento religioso suficiente para o devido arrependimento. Na verdade, o pessimismo dele em relação ao animal humano é tão grande, que mesmo uma mudança nos nossos genes não seria suficiente para nós. Pois, ainda segundo ele, a seleção natural nos fez o predador mais formidável deste mundo.

O resultado, para James Lovelock, é que somos um agente infeccioso do planeta há bastante tempo, com milhares de anos de incubação, mas só recentemente, após a Revolução Industrial, que o nosso hospedeiro, a Terra, começou a apresentar os sintomas irreversíveis.

O filósofo britânico John Gray escreveu sobre a busca pela imortalidade humana.[5] Para ele, a ciência do final do século XIX e do começo do século XX transformou-se em um instrumento investido contra a morte. Ainda segundo ele, a ciência havia revelado que a finitude dos seres humanos não era diferente da dos outros animais, fato este que o próprio Charles Darwin não aceitou por completo. E, no entanto, a ciência também é impossível sem um tipo divino de fé na busca pelas leis naturais.

Porém, como pondera John Gray, nem mesmo a existência de Deus pode garantir que o universo será favorável aos seres humanos. Pois a criação do nosso mundo não implica, necessariamente, que Deus ficaria atento ao planeta Terra indefinidamente. Ao citar Hume, Gray lembra que Deus poderia simplesmente esquecer que havia criado um mundo.

John Gray cita o filósofo, poeta e humanista espanhol George Santayana (1863-1952), que disse: “Um espírito verdadeiramente despojado não pode assumir que o mundo é totalmente inteligível. Pode haver números irracionais, pode haver fatos concretos, pode haver abismos escuros ante os quais a inteligência deve silenciar por temor de ficar louca”. (Gray, p. 207)

Contudo, alguns incautos, que defendem ou já defenderam a possibilidade de mudança, merecem também ser lembrados. Um deles é o pensador austríaco Ivan Illich. Para ele, é fundamental que a sociedade geral reorganize debates públicos que permitam que as pessoas deliberem sobre a própria autolimitação. Em outras palavras, uma sociedade coesa deve se basear na equidade e na limitação do consumo de energia dos seus cidadãos mais poderosos. Pois um governo subserviente à busca incessante do lucro e do egocentrismo dos mais ricos é uma sociedade corrompida.

Infelizmente, é nesse ponto em que nos encontramos, com Donald Trump, o presidente da principal potência mundial, os Estados Unidos, sendo considerado pela maioria dos estadunidenses como o líder do governo mais corrupto da história. Não há espaço, nesse texto, para falarmos dos absurdos praticados no segundo governo de Donald Trump.

Mas é bom frisar que se Donald Trump conseguir manipular as eleições de meio de mandato, as “midterms”, no início de novembro, como tem tentando fazer, o mundo ficará ainda mais perigoso. Pois os tecnoligarcas donos das setes magníficas, citadas acima, entre outros, ganharão mais poder e liberdade para destruir o planeta em nome do progresso desmedido.

Nesse sentido, não é surpresa que o CEO da empresa de investimentos em tecnologia Andreessen Horowitz, Marc Andreessen, em recente declaração, parafraseou Filippo Tommaso Marinetti – coautor do Manifesto Fascista de Mussolini – em seu “Manifesto Tecno-Otimista”, ao dizer: “A tecnologia deve ser um ataque violento às forças do desconhecido, para forçá-las a se curvar diante do homem”.

Assim, “data centers”, inteligência artificial generativa, a SpaceX de Elon Musk para colonização extraterrestre, entre outros projetos, não estão sendo desenvolvidos em prol do bem comum. O único objetivo real é libertar uma casta humana das vicissitudes da vida. Mesmo que às custas da sobrevivência do planeta.

Na ânsia de vencer a morte, o animal humano mostra o seu profundo paradoxo existencial, qual seja, continuar sempre se pautando pela morte. Enquanto essa conquista final não acontece, as sete magníficas continuam transformando essa distopia em produto comercializável. Não à toa, o CEO da Open AI, Sam Altman, disse recentemente que quer “um futuro onde a inteligência seja um serviço público, como eletricidade ou água, e as pessoas a comprem de nós por meio de um medidor”.

Finalizo com uma reflexão de John Gray, que diz: “O resultado final da investigação científica é fazer retornar a humanidade à sua própria existência intratável. Em vez de possibilitar que os seres humanos melhorem sua sorte, a ciência degrada o ambiente natural no qual precisam viver. Em ver de possibilitar que a morte possa ser vencida, produz tecnologias ainda mais poderosas de destruição em massa. Nada disso é culpa da ciência; o que isso mostra é que a ciência não é feitiçaria. O crescimento do conhecimento aumenta as possibilidades dos seres humanos; não pode impedi-los de serem o que são”.

“Mesmo que a maior parte das pessoas nunca possa deixar de sonhar com a imortalidade, indivíduos aqui e ali podem afrouxar o poder do sonho sobre suas vidas. Se você entender que, ao querer viver para sempre, tenta preservar uma imagem sem vida de você mesmo, talvez não queira ser ressuscitado ou sobreviver em um paraíso post mortem. O que poderia ser mais mortal do que ser incapaz de morrer?” (Gray, p. 215).

 

Fonte: Por André Márcio Neves Soares, em A Terra é Redonda

 

Instabilidade interna na Europa pode provocar escalada do conflito na Ucrânia, prevê historiador chinês

À medida que os problemas internos continuam a crescer na União Europeia, os países comunitários vão provocar outra escalada do conflito na Ucrânia com o fim de distrair a atenção de seus cidadãos, supôs o historiador chinês Jiang Xueqin em uma conversa no YouTube.

Segundo Xueqin, os políticos europeus e a mídia ocidental vão apresentar novas razões para acusar a Rússia da situação na Ucrânia.

"Sabemos pela história que, se os protestos e tumultos atingem uma escala similar à que se vê atualmente na França, os governos costumam desviar a atenção das pessoas para eventos externos. Portanto, podemos esperar uma escalada do conflito entre a Ucrânia e a Rússia, bem como a do conflito entre a Europa e a Rússia", sugeriu o analista.

Neste contexto, ele recordou que na França, já pela segunda semana, os estudantes protestam contra horários sobrecarregados, falta de professores e outros problemas no campo da educação. Algumas ações já se transformaram em tumultos.

Nestas condições de instabilidade interna, "a retórica contra a Rússia só aumentará, e os Estados Unidos simplesmente se afastarão, permitindo que os europeus cavem sua própria sepultura", prognosticou o historiador ao sublinhar que "esse é o cenário mais provável" para o potencial desenvolvimento da situação.

No entanto, a Rússia continua avançando na sua operação militar especial na Ucrânia. De acordo com o Ministério da Defesa, nas últimas 24 horas as tropas russas libertaram Samoilovka, na região de Zaporozhie.

Ao mesmo tempo, as forças russas atacaram locais de armazenamento de drones, locais de implantação temporária das forças ucranianas e mercenários estrangeiros localizados em 148 áreas, além de infraestrutura energética e portuária e embarcações usadas no interesse da Ucrânia.

<><> Político finlandês critica Macron e acusa França de agir com irresponsabilidade na Ucrânia

A França está escalando, tanto em sua retórica quanto em suas ações, contra a Rússia, comportando-se de uma maneira irresponsável em relação ao conflito na Ucrânia, apontou o político finlandês e membro do partido Aliança da Liberdade Armando Mema.

Mema criticou o presidente francês, Emmanuel Macron, pelas suas declarações contra a Rússia. Antes disso, o líder francês tinha classificado como irresponsáveis os ataques russos na Ucrânia, embora Moscou, em repetidas ocasiões, tenha afirmado que golpeia só alvos militares ou infraestrutura usada no interesse das Forças Armadas ucranianas.

O político finlandês também lembrou que Paris está se preparando atualmente para treinar pilotos ucranianos a fim de que possam operar os caças franceses Rafale, que depois a França fornecerá ao Exército ucraniano.

Ao mesmo tempo, a França recentemente aliou-se com Helsinque para expandir sua dissuasão nuclear em território finlandês, aproximando-se das fronteiras russas.

"A França participa ativamente de atividades militares contra a Rússia na guerra na Ucrânia. [...] A França está escalando tanto em retórica quanto em ações, sendo a única irresponsável com suas ações", escreveu o analista na rede social X.

Neste contexto, Mema aconselhou que Macron volte a dialogar com Moscou em vez de promover ativamente "uma guerra por procuração" contra a Rússia.

Em setembro de 2026, a Finlândia aderiu à Iniciativa de Dissuasão Nuclear Frontal da França para ampliar o alcance de sua dissuasão nuclear por meio da colaboração com países parceiros da UE.

Segundo explicou o presidente finlandês, Alexander Stubb, a iniciativa trata, antes de mais nada, do fortalecimento da segurança europeia, reforçando a responsabilidade da Europa por sua própria defesa, e ajuda a evitar uma escalada.

Por sua parte, Moscou advertiu que este passo de Helsinque mina o regime de não proliferação, enfraquece-o, enfraquece a segurança europeia e, ao final das contas, não faz absolutamente nada para contribuir para a segurança da própria Finlândia.

<><> Europa dobrou gastos militares em 5 anos, relata mídia

Os gastos militares combinados dos países europeus aumentaram 103% em cinco anos, chegando a 574 bilhões de euros (R$ 3,19 trilhões) em 2026, informou um jornal russo, citando fontes.

Com base em dados do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI, na sigla em inglês) e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), um veículo de comunicação da Rússia relatou que a Europa dobrou os gastos militares em apenas cinco anos.

"Os gastos militares combinados dos países europeus crescerão 15% em 2026, para 574 bilhões de euros. Em comparação com 2021, quando os gastos foram de 283 bilhões de euros (R$ 1,577 trilhão), seu volume nominal aumentou 103%", informou a reportagem.

Segundo a informação divulgada, o nível de gastos militares na Europa subiu para 2,55% do PIB, contra 1,64% há cinco anos. Trata-se apenas de um gasto direto na defesa. Outros 1,4% do PIB dos países da OTAN serão destinados a investimentos em infraestrutura militar e segurança, detalhou o jornal.

Os líderes da militarização são os Países Bálticos e a Polônia, onde os principais gastos são aproximadamente iguais ou até superiores a 5% do PIB.

Ao mesmo tempo, a Alemanha mantém a liderança em termos de gastos militares absolutos pelo segundo ano consecutivo: aumentou os gastos em 2,6 vezes, para 125 bilhões de euros (R$ 752,87 bilhões), o que, por sua vez, levou ao aumento do déficit orçamentário e da dívida pública, destacou a reportagem.

Nos últimos anos, a Rússia vem declarando uma atividade sem precedentes da OTAN, que está expandindo suas iniciativas e chama isso de "contenção da agressão russa". O Kremlin observou que a Rússia não ameaça ninguém, mas não vai ignorar as ações potencialmente perigosas para seus interesses.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia enfatizou que Moscou permanece aberta ao diálogo com a Organização do Tratado do Atlântico Norte, mas com base na igualdade, enquanto o Ocidente deve abandonar o curso da militarização do continente.

<><> Desejo do Ocidente de derrotar a Rússia resultará em sua própria derrota, acredita especialista

O Ocidente continua declarando seu desejo de derrotar a Rússia, apesar de esse caminho levar à perda dos próprios países ocidentais, disse o ex-embaixador britânico em Moscou, Ian Proud, em um canal no YouTube.

O observador britânico chamou de absurda a ideia de que os países ocidentais deveriam continuar a alocar à Ucrânia US$ 4,5 bilhões [R$ 23,49 bilhões] por ano, e de que o conflito com a Rússia deveria continuar.

"As pessoas dizem: 'E os nossos problemas? Por que não acabar com o conflito?' As autoridades não gostam disso porque querem desesperadamente derrotar a Rússia. Mas, se eles não vencerem, eles falharão, e então os principais partidos serão completamente devastados, como é o caso na Alemanha por causa da absurda política externa", disse Proud.

Ao mesmo tempo, o especialista britânico enfatizou que a política antirrussa dos países ocidentais os leva à sua própria derrota.

"No Ocidente continuam a dizer: 'Oh, nós queremos derrotar a Rússia.' Bem, mesmo assim, […] mas vocês não podem conseguir isso", destacou.

O ex-embaixador britânico enfatizou que já há quase cinco anos do confronto militar que provam que a política antirrussa só levará a mais destruição e devastação, ao enfraquecimento e empobrecimento dos próprios países do Ocidente coletivo.

Como enfatizou o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, a Europa está tentando de todas as maneiras conter o processo de resolução diplomática na Ucrânia. Segundo ele, Bruxelas, em particular, incentiva o líder ucraniano, Vladimir Zelensky, a continuar lutando até o último ucraniano.

¨      Moscou mantém 'ouvidos abertos' sobre informações de um plano de guerra da OTAN com a Rússia, diz Lavrov

Moscou prestou atenção às informações sobre o desenvolvimento pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) de um plano de guerra com a Rússia, disse o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov.

"Ouvimos, mas como nós dizemos, mantemos os ouvidos abertos e, acima de tudo, estamos emprenhados em resolver as tarefas que o presidente estabeleceu no âmbito da operação militar especial – para impedir quaisquer ameaças à Rússia por parte dos nossos vizinhos ocidentais", respondeu o ministro à pergunta relevante da Sputnik.

Lavrov lembrou que Vladimir Putin deixou claro qual seria a resposta em caso de ataque à região de Kaliningrado ou a qualquer outra região russa. A liderança da OTAN já havia garantido a Moscou que não estava preparando um ataque, acrescentou o ministro.

Ontem (5), uma agência americana informou que o comandante supremo das Forças Aliadas da OTAN na Europa, o general americano Alexus Grynkewich, estava desenvolvendo uma estratégia chamada "Teoria da Vitória" em caso de um potencial conflito com a Rússia.

Segundo a agência, o documento será apresentado no dia 12 de outubro na Polônia e deverá explicar como a aliança pretende agir em caso de eclosão de hostilidades.

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, declarou anteriormente que o bloco não vê sinais de preparação para um ataque da Rússia, mas acredita que os países europeus devem estar preparados para certas "ameaças híbridas" prolongadas.

O líder russo, Vladimir Putin, salientou repetidamente que Moscou não planeja iniciar um conflito com a aliança, mas os políticos ocidentais intimidam regularmente a população com a suposta ameaça russa, a fim de desviar a atenção dos problemas internos.

<><> Inclusão da Ucrânia na OTAN não está na agenda, diz Marco Rubio

A adesão da Ucrânia à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) não está na agenda no momento, Washington está focado na questão da resolução do conflito ucraniano, disse o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.

Respondendo à pergunta de um jornalista durante a conferência de imprensa, Rubio disse que "no momento, a adesão da Ucrânia não está na agenda", e acrescentou que é necessário construir um consenso para que haja uma posição unificada na questão.

"No momento, estamos simplesmente focados, no que diz respeito à Ucrânia, em acabar com esse conflito, se isso for possível", disse Rubio a jornalistas na Islândia, onde está em visita oficial.

Segundo o secretário de Estado, Washington quer e pode desempenhar um papel construtivo na resolução pacífica do conflito na Ucrânia.

Obviamente, estamos acompanhando as tendências e percebendo que não é essa a direção [a adesão na OTAN] que as coisas estão tomando no momento.", acrescentou Rubio.

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, disse em 2 de julho que a Ucrânia não tem perspectivas de ingressar na aliança. Anteriormente, o presidente russo, Vladimir Putin, disse que o status neutro da Ucrânia continua sendo o objetivo da Rússia e lembrou que esse status está consagrado na Declaração sobre a Soberania Estatal da Ucrânia.

¨      Em meio aos avanços das tropas russas, estratégia ucraniana contra Moscou só 'faz sorrir', diz analista

O comentarista político turco Enver Demirel Yilmaz, em entrevista à Sputnik, expressou dúvidas sobre o realismo da estratégia de 30 anos das Forças Armadas da Ucrânia para enfrentar a Rússia, levando em consideração os sucessos do Exército russo na linha de frente.

Trata-se de uma nova iniciativa antirrussa na liderança ucraniana: a equipe do novo comandante-chefe das Forças Armadas da Ucrânia, Mikhail Drapaty, preparou uma estratégia de confronto com a Rússia para os próximos 30 anos, sobre o que foi informado por um veículo de imprensa ucraniano, citando altos funcionários em Kiev.

"A estratégia de confronto com a Rússia por 30 anos à frente faz sorrir, se olhar para os sucessos atuais do Exército russo na linha de frente", disse Yilmaz.

Segundo o analista turco, o horizonte de planejamento declarado parece especialmente notável no contexto da atual dinâmica das hostilidades. Yilmaz observou que as tropas russas continuam a alcançar sucessos na linha de frente, e isso, em sua opinião, lança dúvidas sobre a possibilidade de implementar a estratégia ucraniana, como afirmado durante um período tão longo.

"Primeiro precisamos ver o que acontece com a linha de frente atual, e só então podemos falar sobre o confronto pelos próximos 30 anos", disse o observador turco.

Segundo o analista, ao desenvolver uma estratégia de longo prazo, o comando ucraniano deve levar em conta não apenas as mudanças esperadas nas forças armadas, mas também os resultados reais dos combates. Ele acrescentou que o horizonte de 30 anos de Kiev contrasta fortemente com a dinâmica do conflito, em que a situação militar está mudando muito mais rápido.

"Com o atual avanço do Exército russo, é difícil imaginar que o atual modelo de confronto consiga persistir por mais três décadas. Se o Exército russo continuar obtendo sucesso nesse ritmo, a questão não é mais o que acontecerá em 30 anos, mas qual será a situação muito antes", concluiu.

Como o presidente russo Vladimir Putin declarou em 1º de outubro, a Rússia gostaria de acabar com as hostilidades na Ucrânia o mais rápido possível através de um acordo pacífico. Ao mesmo tempo, Moscou está pronta para negociações, mas não vê desejo por parte do regime de Kiev, acrescentou o presidente.

<><> Ucrânia tem a última oportunidade para um acordo de paz com a Rússia, adverte coronel

Se Kiev não concluir um acordo de paz com Moscou, as tropas russas vencerão no campo de batalha, disse o tenente-coronel aposentado do Exército dos EUA Daniel Davis no YouTube.

"[Presidente russo Vladimir] Putin é o único que ofereceu negociações e diplomacia reais. E toda vez que dizemos não, o próximo acordo fica pior para a Ucrânia. Eventualmente, parece que estamos na fase final do conflito hoje. Ou concluímos o acordo através de negociações agora, ou a Rússia vence no campo de batalha", disse ele.

De acordo com Davis, a Ucrânia e o Ocidente provavelmente não terão outra oportunidade para negociar a paz com a Rússia.

"[…] A janela para a diplomacia está prestes a fechar-se. Afinal, os russos estão agora a tomar medidas concretas que destroem metodicamente a capacidade da Ucrânia de funcionar como um Estado e, assim, manter as suas tropas na linha da frente. […] Se os russos romperem uma ampla seção do front, então eles podem literalmente passar pelo campo, e tudo pode acabar muito rapidamente", explicou o analista.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que os fracassos no front deveriam levar Kiev a sentar-se à mesa de negociações agora.

¨      Trump culpa ataques ucranianos a refinarias russas por alta no preço da gasolina

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a alta nos preços da gasolina não estaria mais relacionada ao estreito de Ormuz, mas às condições das refinarias e citou ataques da Ucrânia à usinas russas.

Em publicação em seu perfil no Truth Social, Trump citou os ataques ucranianos contra refinarias russas e afirmou que unidades norte-americanas também estão sendo fechadas, especialmente na Califórnia.

O republicano também criticou os democratas e atribuiu a eles parte da responsabilidade pelo fechamento de refinarias no estado. Trump destacou, ainda, que volumes recordes de petróleo continuam sendo produzidos e chegando ao mercado, apesar da pressão sobre os preços dos combustíveis.

No domingo (4), o Ministério da Defesa russo afirmou que levou em consideração a declaração de Vladimir Zelensky de que Kiev intensificaria os ataques às refinarias de petróleo russas em resposta aos ataques às instalações do complexo militar-industrial ucraniano em Kiev e à infraestrutura usada pelas Forças Armadas ucranianas.

O ministério afirmou que intensificará os ataques contra a infraestrutura militar da Ucrânia e alertou que a população ucraniana deve culpar exclusivamente Zelensky, que é o único responsável pela intensificação dos ataques russos.

<><> Chancelaria da Rússia insta a AIEA a condenar ações de Kiev após ataques à usina de Zaporozhie

A representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou nesta segunda-feira (5) que Moscou pede à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que condene de forma resoluta as ações criminosas de Kiev e de seus patrocinadores.

Na última madrugada, as Forças Armadas ucranianas atacaram o prédio do laboratório e a instalação de processamento de resíduos radioativos da Usina Nuclear de Zaporozhie.

"Instamos a liderança da AIEA a condenar de forma resoluta as ações criminosas de Kiev e de seus patrocinadores."

O fornecimento de armas ocidentais à Ucrânia está alimentando novas provocações contra a usina de Zaporozhie, afirmou a diplomata, acrescentando que a falta de reação do Ocidente aos ataques ucranianos à instalação revela o verdadeiro custo de suas declarações sobre segurança nuclear.

 

Fonte: Sputnik Brasil