quarta-feira, 27 de maio de 2026

João dos Reis Silva Júnior: O tabuleiro de 2026

Para compreender a posição dos candidatos à presidência em 2026, não basta observar pesquisas eleitorais, alianças partidárias, rejeição, aprovação de governo ou desempenho nas redes sociais. Esses elementos pertencem à superfície imediata da disputa. A questão mais profunda é outra: que tipo de cidadão a formação histórica brasileira produziu em cada período e sob cada sistema político?

A eleição presidencial não expressa apenas uma escolha conjuntural entre nomes. Ela condensa uma longa história de inclusão incompleta, cidadania desigual, modernização dependente e participação social mediada pelo Estado, pelo favor, pela tutela, pelo medo ou pela promessa de futuro.

Desde o período colonial, a sociedade brasileira formou-se sem a constituição plena de um cidadão moderno. A colônia não existia para produzir autonomia política, mas para integrar o território ao circuito externo de acumulação. A terra, o trabalho escravizado, a monocultura e a administração metropolitana organizaram uma sociedade hierárquica, patrimonial e profundamente desigual.

Nesse sistema, não havia propriamente cidadão, mas súditos, senhores, escravizados, indígenas submetidos à violência colonial, homens livres pobres dependentes de proteção e autoridades locais vinculadas à Coroa. A formação colonial produziu uma figura anterior ao cidadão: o indivíduo situado em relações de mando, favor, dependência pessoal e exclusão jurídica.

Com a Independência e o Império, o Brasil tornou-se formalmente um Estado nacional, mas não rompeu com a estrutura social herdada da colônia. A monarquia constitucional criou instituições, Parlamento, eleições censitárias e uma linguagem liberal, mas manteve a escravidão como fundamento da vida econômica e social durante quase todo o século XIX.

O cidadão imperial era restrito, masculino, proprietário ou qualificado por renda. A maioria da população – mulheres, escravizados, libertos pobres, indígenas e trabalhadores sem propriedade – permanecia fora da cidadania efetiva. Formou-se uma cidadania de fachada liberal: havia Constituição, representação e Estado nacional, mas a sociedade continuava organizada por hierarquias profundas.

A Primeira República ampliou a forma republicana, mas não democratizou substantivamente a cidadania. O voto era limitado pelo analfabetismo, pelo coronelismo, pela fraude eleitoral e pela dependência local. A figura do cidadão republicano nasceu marcada pela tutela dos poderes regionais. O eleitor não aparecia plenamente como sujeito autônomo de direitos, mas como parte de redes de mando, clientela e obediência. A República Velha produziu uma cidadania oligárquica: formalmente republicana, mas socialmente controlada.

Com a Revolução de 1930 e o período Vargas, a cidadania passou a ser reorganizada pelo Estado nacional-desenvolvimentista. A grande novidade foi a incorporação parcial dos trabalhadores urbanos por meio da legislação trabalhista, da sindicalização controlada, da previdência e da construção de uma identidade nacional-popular. O cidadão varguista foi, sobretudo, o trabalhador reconhecido pelo Estado. A cidadania deixou de ser apenas liberal-formal e passou a incluir direitos sociais. Mas essa inclusão veio acompanhada de tutela. Nasceu aí uma cidadania social regulada: mais ampla que a anterior, porém dependente da autorização estatal.

No período democrático de 1946 a 1964, a cidadania brasileira ganhou maior densidade política. A urbanização, a industrialização, os sindicatos, os partidos, os movimentos sociais e as lutas por reformas de base ampliaram a presença popular na vida pública. O cidadão começou a aparecer como sujeito de reivindicação coletiva.

Entretanto, essa cidadania expandida encontrou limites na estrutura agrária, na dependência econômica, na desigualdade social e no medo das elites diante da participação popular. A democracia de 1946 produziu um cidadão em formação, mais ativo e reivindicativo, mas ainda bloqueado por uma sociedade que não aceitava plenamente a democratização das massas.

A ditadura militar interrompeu esse processo. Entre 1964 e 1985, o sistema político reorganizou a cidadania sob o signo da segurança nacional, do controle social e da modernização autoritária. O cidadão foi reduzido a administrado, consumidor potencial ou trabalhador disciplinado. A participação política foi reprimida, os partidos foram controlados, os movimentos sociais perseguidos e a crítica tratada como ameaça. Ao mesmo tempo, a ditadura promoveu crescimento econômico, expansão urbana, tecnificação do Estado e integração subordinada ao capitalismo internacional. Formou-se uma cidadania mutilada: modernizada em certos aspectos materiais, mas politicamente bloqueada.

A redemocratização e a Constituição de 1988 abriram o momento mais importante de reconstrução cidadã da história brasileira. A Constituição reconheceu direitos sociais, ampliou liberdades civis, fortaleceu instituições democráticas, universalizou o voto, consolidou o SUS, ampliou direitos trabalhistas, educacionais e previdenciários, e reconheceu novas formas de participação. O cidadão de 1988 é, em sentido jurídico-político, o cidadão mais amplo que o Brasil já havia produzido.

Mas essa cidadania constitucional nasceu em tensão com a crise fiscal do Estado, a financeirização, a desigualdade persistente e, depois, o avanço neoliberal. A Constituição prometia uma cidadania social ampla, enquanto a economia frequentemente restringia suas condições materiais.

Nos anos 1990, com a hegemonia neoliberal, a cidadania passou a ser tensionada por outra lógica: mercado, eficiência, privatização, responsabilidade individual e redução do Estado social. O cidadão foi cada vez mais interpelado como consumidor, empreendedor de si mesmo e indivíduo responsável por sua adaptação.

A política social não desapareceu, mas passou a conviver com a linguagem da focalização, da austeridade e da competitividade. A cidadania neoliberal não elimina direitos formalmente, mas desloca sua base: em vez de sujeito coletivo de direitos, o indivíduo é estimulado a se perceber como gestor privado de sua sobrevivência.

Nos governos petistas, especialmente a partir de 2003, houve ampliação importante da cidadania social pela via do consumo, da renda, da inclusão educacional, do acesso ao ensino superior, da valorização do salário mínimo, dos programas de transferência de renda e de políticas públicas voltadas aos setores historicamente excluídos. Formou-se uma cidadania de inclusão social tardia: milhões de brasileiros passaram a experimentar possibilidades antes negadas. No entanto, essa cidadania permaneceu vulnerável porque não rompeu plenamente com a estrutura dependente, com a financeirização, com a concentração de riqueza e com a fragilidade dos serviços públicos. Ampliou o acesso, mas não consolidou integralmente a duração histórica dessa inclusão.

A crise aberta a partir de 2013, aprofundada pelo impeachment de 2016, pela Lava Jato, pela recessão econômica, pela polarização e pela ascensão da extrema direita, revelou a fragilidade da cidadania democrática brasileira. Parte da sociedade passou a desconfiar das instituições, dos partidos, da mediação política, da universidade, da imprensa e da própria linguagem democrática. O cidadão foi disputado por afetos de ressentimento, medo, antipolítica, moralismo punitivo e promessa de ordem. A cidadania deixou de ser apenas uma questão de direitos e passou a ser também uma disputa pela percepção da realidade.

O bolsonarismo expressou uma forma nova e regressiva de cidadania política: o cidadão armado simbolicamente contra o Estado democrático, contra os direitos sociais, contra as mediações institucionais e contra o pacto constitucional de 1988. Não se trata apenas de conservadorismo tradicional.

Trata-se de uma subjetividade política formada pela crise da democracia, pela precarização da vida, pela comunicação digital, pela religião política, pela desconfiança das instituições e pela promessa de autoridade direta. O cidadão bolsonarista não se vê necessariamente como súdito; muitas vezes se percebe como alguém “liberto” das mediações. Mas essa liberdade aparece como adesão a formas autoritárias de simplificação da vida social.

A eleição de 2022 e o governo Lula posterior recolocaram a cidadania democrática no centro da disputa. A questão passou a ser reconstruir instituições, recompor políticas públicas, enfrentar a fome, recuperar a presença internacional do Brasil e conter a ameaça autoritária. Mas o país já não era o mesmo da redemocratização. A cidadania brasileira estava fragmentada entre direitos constitucionais, precarização do trabalho, comunicação digital desregulada, crise da verdade pública, endividamento das famílias, insegurança social e disputa moral permanente.

O cidadão contemporâneo é atravessado por contradições: quer proteção social, mas desconfia do Estado; quer estabilidade, mas vive sob precariedade; quer democracia, mas muitas vezes se sente seduzido por soluções autoritárias; quer futuro, mas experimenta a compressão cotidiana da duração.

É nesse processo histórico que a eleição de 2026 deve ser compreendida. Cada candidatura se dirige a uma camada distinta dessa formação cidadã. As candidaturas democráticas tentam falar ao cidadão constitucional de 1988, ao trabalhador incluído, ao sujeito de direitos, ao eleitor que teme a volta do autoritarismo e ao brasileiro que deseja estabilidade social.

As candidaturas de direita e extrema direita falam ao cidadão ressentido com as instituições, ao indivíduo que se sente abandonado, ao empreendedor precarizado, ao eleitor moralmente mobilizado e ao sujeito que interpreta a crise como decadência da ordem. As candidaturas liberais ou de centro procuram falar ao cidadão consumidor, fiscal do Estado, preocupado com eficiência, estabilidade econômica e previsibilidade institucional. Já as candidaturas de esquerda mais programática tentam recuperar o cidadão social, coletivo, organizado em torno de direitos, trabalho, igualdade e soberania.

No cenário atual, a eleição de 2026 se organiza a partir de uma assimetria decisiva: Lula aparece como o nome mais consolidado do campo governista, enquanto a oposição de direita ainda precisa resolver a sucessão de Jair Bolsonaro. O ex-presidente permanece como força simbólica e eleitoral, mas está juridicamente impedido de disputar a eleição, pois o TSE o declarou inelegível por oito anos, em 2023, por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. Bolsonaro continua organizando afetos, fidelidades e identidades políticas, mas a direita precisa transformar essa herança em candidatura viável.

Lula representa o polo mais definido da eleição. Como presidente em exercício, carrega a máquina do governo, a memória de inclusão social dos anos 2000, a defesa da democracia após a crise institucional recente e a tentativa de reconstrução de políticas públicas. Sua força está na capacidade de falar ao cidadão que reconhece no Estado uma forma de proteção social: salário mínimo, programas de renda, SUS, universidade, moradia, emprego e presença pública. Sua dificuldade está em governar com Congresso conservador, juros elevados, inflação pressionada e sociedade fragmentada. Isso limita a memória política como adesão automática.

Além do governo e dos partidos, a esquerda chega a 2026 apoiada por movimentos sociais, sindicais, estudantis, feministas, negros, indígenas, ambientais, culturais, populares e religiosos progressistas. Eles não substituem a candidatura, mas dão capilaridade ao campo democrático-popular.

Falam ao cidadão que não se reconhece apenas como eleitor, mas como sujeito coletivo de direitos: trabalhador, estudante, mulher, negro, indígena, morador de periferia, agricultor familiar, servidor público, professor, artista ou jovem precarizado. Sua força está em manter viva a memória das lutas da Constituição de 1988; seu limite está em converter organização social em maioria eleitoral num ambiente de redes digitais, desinformação e trabalho fragmentado.

As redes sociais são mediação decisiva em 2026. Não funcionam apenas como instrumentos de campanha, mas como ambientes de formação política cotidiana. Nelas, muitos eleitores recebem notícias, confirmam crenças, expressam ressentimentos e interpretam a realidade. A direita aprendeu antes a transformá-las em máquina afetiva de mobilização, articulando indignação, moralidade, medo, religião, antipolítica e ataque às instituições. A esquerda ainda enfrenta o desafio de traduzir política pública, direitos sociais e democracia em linguagem rápida, sensível e compartilhável. Nas redes, não vence apenas quem comunica melhor; vence quem faz o eleitor sentir que sua vida concreta foi compreendida.

As pesquisas recentes mostram quadro competitivo. No campo bolsonarista, Flávio Bolsonaro aparece como herdeiro direto da identidade política construída pelo pai. Sua candidatura fala ao eleitor de lealdade, isto é, ao cidadão que interpreta o bolsonarismo como resistência contra o sistema, contra a esquerda, contra a imprensa, contra o Judiciário e contra o pacto político da redemocratização. Sua força está na continuidade simbólica. Seu limite está na dificuldade de ampliar para além do núcleo fiel. Quanto mais se apresenta como continuidade familiar, mais preserva a base; quanto mais precisa disputar o centro, mais carrega a rejeição associada ao próprio bolsonarismo.

Tarcísio de Freitas ocupa outra posição na direita. Ele aparece como possibilidade de tradução gerencial do campo conservador: menos centrada na guerra cultural direta, mais vinculada à administração, obras, segurança, previsibilidade econômica e eficiência. Seu eleitor potencial é o cidadão da ordem gerencial: aquele que deseja estabilidade, controle, crescimento e redução do conflito político aberto. Mas sua posição também é contraditória. Para ser competitivo, precisa manter conexão com a base bolsonarista; para ampliar, precisa parecer mais institucional do que Jair Bolsonaro. Essa tensão define seu lugar no tabuleiro.

Michelle Bolsonaro, caso se mantenha como possibilidade eleitoral ou figura ativa na campanha, expressa a cidadania moral-religiosa. Sua força está na comunicação afetiva com setores conservadores, especialmente religiosos, familiares e moralmente mobilizados. Fala ao eleitor que percebe a política como defesa de valores, fé, ordem e pertencimento. Seu limite está na dependência do capital político de Jair Bolsonaro e na necessidade de demonstrar capacidade de governar além da linguagem simbólica.

Outros nomes da direita e do centro-direita – governadores, lideranças regionais e quadros liberais – funcionam como peças de composição. Mesmo que não se consolidem como candidatos principais, serão importantes para palanques estaduais, alianças parlamentares, tempo de campanha, financiamento político e segundo turno. Em 2026, os governadores terão peso porque a eleição também passará por segurança pública, custo de vida, emprego regional, infraestrutura, agronegócio, religião, redes digitais e máquinas locais.

A economia será um dos eixos centrais da disputa. O governo chega ao ciclo eleitoral com indicadores contraditórios. Há crescimento e emprego em determinadas áreas, mas também inflação pressionada, juros altos e forte sensibilidade popular ao preço de alimentos, combustíveis, crédito e endividamento das famílias. O Ministério da Fazenda elevou a previsão de inflação de 2026 para 4,5%, enquanto expectativas de mercado indicavam IPCA próximo de 4,92% e Selic projetada em 13,25% ao fim do ano. Esses números importam politicamente porque o cidadão vota também a partir da experiência cotidiana do bolso.

Isso significa que a eleição não será decidida apenas pela memória de governos anteriores, nem apenas pela rejeição ao adversário. Ela será decidida pela capacidade de cada campo transformar experiência social em linguagem política. Para Lula, o desafio é mostrar que a democracia pode produzir proteção concreta. Para a direita bolsonarista, o desafio é transformar ressentimento, insegurança e moralização da política em maioria eleitoral. Para uma direita mais gerencial, o desafio é converter a promessa de eficiência em confiança nacional. Para o centro, o desafio é existir como alternativa real num país organizado pela polarização.

O eleitor de 2026 é fragmentado, desconfiado e digitalizado. Vive entre trabalho precário, endividamento, redes sociais, insegurança pública, religião política, medo da perda social e desejo de reconhecimento. Pode defender direitos sociais e repetir discursos contra o Estado; desejar democracia e aceitar atalhos autoritários; rejeitar a política tradicional e, ainda assim, depender de políticas públicas.

Por isso, a disputa de 2026 será menos uma eleição entre programas plenamente apresentados e mais uma disputa pela interpretação do mal-estar brasileiro. Lula tentará dizer que esse mal-estar decorre da desigualdade, da destruição de políticas públicas, da ameaça autoritária e da necessidade de reconstrução social. O bolsonarismo tentará dizer que ele nasce da corrupção, da desordem, da decadência moral, da insegurança e da ação de elites institucionais contra o povo. A direita gerencial tentará dizer que ele resulta da ineficiência do Estado, da instabilidade econômica e da falta de comando administrativo.

O tabuleiro pode ser resumido assim: Lula é o polo governista mais estável; o bolsonarismo segue como principal força oposicionista; Flávio Bolsonaro representa a continuidade direta da identidade bolsonarista; Tarcísio representa a tentativa de institucionalizar e ampliar a direita; Michelle Bolsonaro mobiliza a dimensão moral-religiosa; os movimentos sociais sustentam a capilaridade histórica da esquerda; as redes sociais organizam afetos, percepções e pertencimentos; e o centro permanece pressionado entre aderir a uma das grandes forças ou construir uma alternativa difícil em ambiente polarizado.

Assim, a eleição presidencial não é apenas uma comparação entre nomes. Ela é uma disputa entre formas históricas de cidadania acumuladas no Brasil: o cidadão tutelado pelo favor, o cidadão oligárquico, o trabalhador regulado pelo Estado, o cidadão democrático de 1988, o consumidor neoliberal, o incluído socialmente pelos governos populares, o sujeito precarizado da crise, o cidadão ressentido da extrema direita e o cidadão que ainda busca uma forma plena de democracia social.

O Brasil chega a 2026 carregando todas essas camadas ao mesmo tempo. Por isso a disputa é tão instável: ela não se dá apenas entre partidos, mas entre memórias históricas, expectativas frustradas, experiências de inclusão, medo de perda, desejo de ordem e necessidade de futuro.

A questão decisiva é saber qual candidatura conseguirá falar ao cidadão real produzido por essa história: não o cidadão abstrato dos manuais liberais, nem o eleitor idealizado pelas campanhas, mas o brasileiro concreto, formado pela dependência, pela desigualdade, pela promessa recorrente de futuro, pelos direitos incompletos e pela sensação de que sua vida precisa provar valor antes de amadurecer.

Por isso, a disputa de 2026 se liga ao problema mais profundo da modernidade dependente: o Brasil formou cidadãos antes de lhes garantir plenamente as condições históricas da cidadania.

 

Fonte: A Terra é Redonda

 

Luiz Carlos Azenha: Copa 2026 - A seleção que é um grito de Independência

Não é uma seleção, mas um grito de Independência.

O time que vai representar a Argélia na Copa do Mundo de 2026 talvez seja o com maior identidade em relação ao país de origem.

Em 13 de abril de 1958, o Onze da Independência foi criado, em plena guerra civil dos argelinos contra o domínio colonial da França.

A equipe foi formada por atletas que jogavam em clubes franceses, se afastaram e se afiliaram à Frente Nacional de Libertação, a FNL. A fuga espetacular da França, através da Suiça e da Itália, atravessando o mar Mediterrâneo para Tunis, onde estava o governo provisório, foi um grande golpe de propaganda.

Dez jogadores profissionais foram bem sucedidos. Outros dois acabaram presos. A França acionou a FIFA, que atendeu ao pedido de Paris de ‘proibir’ a seleção da FNL. Mesmo assim, a equipe fez cerca de 80 amistosos internacionais e foi extinto em 1962.

O jogo de despedida foi em Belgrado, contra a Iugoslávia: vitória de 5 a 1.

Em 5 de julho de 1962 a Argélia se tornou oficialmente independente, depois de 135 anos de ocupação francesa.

A seleção nacional herdou, então, o manto do time que a antecedeu.

<><> Sucesso precoce

Isso explica o sucesso precoce dos argelinos na Copa do Mundo. A primeira classificação foi para a Copa da Argentina, em 1982 . Na quarta aparição, no Brasil, a Argélia passou para a segunda fase depois de golear a Coreia do Sul e empatar com a Rússia.

No Beira Rio, os argelinos empataram com a futura campeã Alemanha no tempo regulamentar, em 0 a 0. Na prorrogação, os alemães fizeram 2 a 1.

Mas a zebra histórica provocada pelo argelinos foi a vitória sobre a então Alemanha Ocidental, em 1982, na Copa da Espanha, por 2 a 1. O último jogo da fase de grupos entrou para a História quando os alemães derrotaram a Áustria por 1 a 0, resultado na medida para classificar as duas seleções.

Depois do gol alemão, os dois times ficaram tocando a bola de lado.

O escândalo foi tamanho que obrigou a FIFA a mudar o regulamento da Copa e marcar todos os jogos finais de um grupo, na primeira fase, para o mesmo horário.

Em 2026, os argelinos caíram no grupo de Argentina, Jordânia e Áustria.

O forte time argelino não perdeu nenhuma partida nas eliminatórias. Nos amistosos, vem de um empate com o Uruguai.

Mais uma vez, o mundo vai ficar de olho no desempenho do ponta veterano Riyad Karim Mahrez, que ajudou a levar o Leicester a um inédito título da Premier League, passou pelo Manchester e hoje joga na Arábia Saudita.

Nascido na França, Mahrez pediu para ser convocado pela seleção da Argélia, onde obteve cidadania. Ele estreou na Copa do Brasil.

Agora aos 35 anos de idade, o jogador já foi uma grande estrela dos tabloides de fofoca do Reino Unido, depois de se casar com duas celebridades: a atriz Rita Johal e agora a modelo Taylor Ward.

Uma das forças da Argélia está no banco: o técnico Vladimir Petković tem um aproveitamento de quase 70% desde que assumiu o time, com 27 vitórias em 39 jogos.

•        A última Copa antes da guerra: o Mundial de 1938 e o avanço do fascismo.  Por Penelope Nogueira

Copa do Mundo sempre foi um torneio político. O Mundial frequentemente refletiu disputas diplomáticas, interesses econômicos, rivalidades ideológicas e projetos de poder. Ao longo da história, guerras provocaram cancelamentos do torneio, seleções foram boicotadas ou excluídas por conflitos internacionais, e governos utilizaram o futebol como ferramenta de propaganda nacional.

Décadas antes das discussões modernas sobre sanções esportivas, exclusões internacionais e instrumentalização política do esporte, a Copa do Mundo de 1938 já simbolizava essa relação entre futebol e poder. Realizado na França, o torneio aconteceu em um dos períodos mais tensos do século XX, quando a Europa observava a ascensão do fascismo e se aproximava rapidamente da Segunda Guerra Mundial.

<><> Um mundo à beira da guerra

Quando a bola começou a rolar em junho de 1938, o continente europeu já vivia um clima de instabilidade extrema. Adolf Hitler consolidava o poder da Alemanha nazista, Benito Mussolini fortalecia o regime fascista italiano e a Guerra Civil espanhola aprofundava a polarização política no continente.

Naquele mesmo ano, meses antes do Mundial, a Alemanha havia anexado a Áustria no episódio conhecido como Anschluss. A seleção austríaca, considerada uma das mais fortes do mundo na época, desapareceu do torneio após a anexação. Alguns jogadores foram incorporados à equipe alemã, enquanto outros se recusaram a atuar sob o regime nazista.

A Copa, portanto, acontecia em meio ao colapso político da Europa democrática.

<><> O boicote sul-americano

A escolha da França como sede gerou revolta na América do Sul. Havia uma expectativa de alternância entre Europa e América do Sul após os Mundiais de 1930, no Uruguai, e 1934, na Itália. A decisão da FIFA de realizar mais uma edição em território europeu foi vista como favorecimento político e econômico às potências do continente.

Como resposta, Argentina e Uruguai decidiram boicotar a competição. O caso uruguaio carregava um peso simbólico ainda maior: campeão da primeira Copa do Mundo em 1930, o país já havia protestado contra a baixa participação europeia no torneio disputado em Montevidéu.

O boicote esvaziou parte da força sul-americana na competição e aumentou a percepção de que a FIFA era fortemente centralizada nos interesses europeus, uma crítica que atravessaria décadas da história do futebol.

<><> A Copa como propaganda fascista

Nenhum país entendeu tão rapidamente o potencial político do futebol quanto a Itália fascista de Benito Mussolini.

A seleção italiana chegou à França como atual campeã mundial após vencer a Copa de 1934, torneio organizado pelo próprio regime fascista em território italiano. Na época, Mussolini já utilizava o esporte como instrumento de propaganda nacionalista, buscando associar as vitórias esportivas à ideia de superioridade do Estado fascista.

Em 1938, esse projeto político ganhou ainda mais força.

A delegação italiana carregava símbolos do regime e realizava a saudação fascista antes das partidas, gesto que provocava reações hostis do público francês. Em Marselha, antes da partida contra o Brasil, os jogadores italianos chegaram a ser vaiados intensamente ao fazerem a saudação ligada ao fascismo.

Dentro de campo, a Itália venceu novamente. A equipe derrotou Hungria por 4 a 2 na final e conquistou o bicampeonato mundial, algo inédito até então. A vitória consolidou a imagem da seleção italiana como potência do futebol e serviu diretamente aos interesses políticos de Mussolini.

A imprensa italiana alinhada ao regime transformou o título em símbolo da suposta força e eficiência do fascismo. O futebol passava a funcionar como uma extensão da propaganda estatal, reforçando a ideia de unidade nacional e superioridade italiana em um momento de crescente militarização europeia.

O Mundial de 1938 ajudou a consolidar internacionalmente essa estratégia política baseada no esporte, algo que seria repetido posteriormente por diversos governos ao redor do mundo, inclusive pelo Brasil anos depois.

<><> O Brasil de Leônidas da Silva

Apesar do contexto político turbulento, a Copa também marcou a consolidação do futebol brasileiro no cenário internacional.

A seleção brasileira terminou em terceiro lugar, sua melhor campanha até então em Copas do Mundo, e revelou ao mundo um dos grandes nomes da história do esporte: Leônidas da Silva.

Conhecido como “Diamante Negro”, o atacante encantou o torneio com dribles, velocidade e improviso. Artilheiro da competição com sete gols, Leônidas virou símbolo da criatividade do futebol brasileiro e ajudou a popularizar ainda mais o esporte no país.

Foi naquela Copa que surgiu um dos episódios mais emblemáticos da carreira do jogador. Na vitória brasileira por 6 a 5 sobre a Polônia, sob forte chuva e gramado encharcado, Leônidas marcou um gol descalço após perder uma das chuteiras durante a jogada.

A campanha brasileira, no entanto, também ficou marcada por controvérsias. Na semifinal contra a Itália, o técnico Adhemar Pimenta decidiu poupar alguns titulares, incluindo Leônidas, acreditando que o Brasil já estava garantido na final. A estratégia fracassou: os italianos venceram por 2 a 1 e avançaram para a decisão.

<><> A última Copa antes do silêncio

A Copa do Mundo de 1938 acabou entrando para a história como a última edição realizada antes da Segunda Guerra Mundial.

Com o início do conflito em 1939, o futebol internacional praticamente parou. As Copas previstas para 1942 e 1946 foram canceladas, e o torneio só voltou a acontecer em 1950, no Brasil.

Por isso, muitos historiadores enxergam o Mundial da França como uma espécie de “última dança” do futebol antes do colapso provocado pela guerra. Enquanto jogadores brilhavam em campo, a Europa já caminhava para um dos períodos mais violentos da história moderna.

A Copa de 1938 permanece como um dos maiores exemplos de que futebol e política jamais estiveram separados.

 

Fonte: Fórum

 

Pesquisa identifica 3 tipos cerebrais diferentes de TDAH: como isso pode mudar tratamento para o transtorno

Por décadas, médicos e pesquisadores trataram o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade — o TDAH — como se fosse uma condição relativamente única, variando apenas no quanto cada pessoa era desatenta, hiperativa ou impulsiva.

Agora, um estudo publicado em fevereiro de 2026 na revista científica JAMA Psychiatry, uma das publicações de psiquiatria mais respeitadas do mundo, vem colocar em xeque essa visão.

Usando imagens de ressonância magnética do cérebro de mais de mil crianças, pesquisadores de universidades na China, nos Estados Unidos e na Austrália conseguiram identificar três perfis cerebrais distintos dentro do TDAH — o que a pesquisa chama de "biotipos".

Segundo o estudo, cada um dos perfis tem suas próprias características no cérebro, com diferentes sintomas predominantes e implicações para quais tratamentos funcionam melhor para cada perfil.

<><> O problema com o diagnóstico atual

O manual que orienta os diagnósticos psiquiátricos em boa parte do mundo, o DSM, classifica o TDAH com base em comportamentos observáveis — dificuldade de atenção, impulsividade, agitação — e a partir daí define se o quadro é predominantemente desatento, hiperativo ou combinado.

O problema é que esse sistema foi construído com base em consenso clínico — grupos de especialistas deliberando sobre quais comportamentos são clinicamente relevantes — e não necessariamente no que ocorre no funcionamento do cérebro.

Mas o novo estudo demonstra que o que ocorre no cérebro é muito mais variado do que as categorias do DSM conseguem descrever.

"O TDAH é caracterizado por uma considerável heterogeneidade clínica, e os sistemas de classificação existentes limitam o desenvolvimento de abordagens baseadas em neurobiologia", escrevem os pesquisadores logo na abertura do artigo.

Para Guilherme Polanczyk, coordenador do Núcleo de Pesquisa em Neurodesenvolvimento e Saúde Mental da USP e do Programa de Diagnóstico e Intervenções Precoces do IPq (Instituto de Psiquiatria), o DSM continua sendo um instrumento válido — mas insuficiente para dar conta da diversidade real dos pacientes.

"Existe um grupo muito heterogêneo de pessoas com TDAH, assim como ocorre em outros diagnósticos", afirma.

"As técnicas de neurociência, sem dúvida, têm potencial para identificar esses subgrupos, e entendemos que, eventualmente, isso poderia levar a tratamentos mais direcionados e específicos."

A equipe, liderada pelo médico e pesquisador Qiyong Gong, da Universidade de Sichuan, na China, coletou imagens de ressonância magnética estrutural — um exame que mostra a anatomia do cérebro em detalhes — de crianças com e sem TDAH em seis centros de pesquisa diferentes, espalhados por China e Estados Unidos.

No total, participaram 446 crianças com diagnóstico de TDAH e 708 sem o transtorno no grupo principal do estudo. Os resultados foram depois verificados em um segundo grupo independente, com mais 554 crianças com TDAH. A média de idade era de cerca de 11 anos.

A partir das imagens, os pesquisadores construíram o que chamam de "redes de similaridade morfométrica" — uma forma de mapear como diferentes regiões do cérebro se assemelham entre si em estrutura e volume.

Regiões que crescem e se desenvolvem de forma parecida tendem a trabalhar juntas, e alterações nessa rede podem revelar como o cérebro de uma criança difere do padrão esperado.

Para estabelecer esse padrão de referência, os pesquisadores utilizaram uma técnica chamada modelagem normativa. Com ela, é montada uma espécie de curva de crescimento aplicada ao cérebro.

Assim como um pediatra usa uma curva de peso para avaliar se uma criança está dentro do esperado para sua idade, essa abordagem quantifica o quanto o cérebro de cada criança se afasta da norma em determinadas regiões.

Com esses desvios mapeados individualmente, os pesquisadores aplicaram algoritmos para agrupar as crianças de acordo com os padrões encontrados — sem usar nenhuma informação clínica, apenas os dados cerebrais.

O que emergiu foram três grupos distintos.

<><> Os três biotipos

>>> Biotipo 1 — O mais grave: combinado com desregulação emocional

Este grupo reuniu 142 crianças e foi o que apresentou os quadros mais intensos. As alterações cerebrais estavam concentradas no córtex pré-frontal medial e numa estrutura chamada pálido — regiões ligadas ao controle emocional, à tomada de decisão e à regulação do comportamento.

Clinicamente, essas crianças tinham os maiores níveis tanto de desatenção quanto de hiperatividade/impulsividade. Mas o que mais se destacou foi a dificuldade de controlar as emoções: elas tinham mais problemas para lidar com frustração, raiva e angústia do que os outros grupos.

Ao longo do tempo, enquanto os outros biotipos mostraram melhora nessa área, o biotipo 1 permaneceu mais estável — ou seja, os sintomas emocionais persistiam.

Esse grupo também apresentou maior taxa de transtornos de humor associados, como ansiedade e depressão, embora o número de casos não fosse grande o suficiente para ser conclusivo estatisticamente.

O destaque dado à desregulação emocional é um dos pontos que mais chamou a atenção de especialistas. Para Polanczyk, esse achado dialoga diretamente com uma linha de pesquisa em crescimento.

"A irritabilidade vem sendo bastante estudada e reconhecida como um fator associado a maior gravidade e a maior dificuldade de resposta aos tratamentos", diz.

O próprio grupo do pesquisador tem um estudo em fase de publicação que, usando o temperamento como critério de agrupamento em crianças pequenas com TDAH, chegou a conclusão semelhante: a irritabilidade distingue um subgrupo específico de pacientes.

Para Danielle Admoni, psiquiatra especializada em infância e adolescência pela Unifesp, o estudo confirma algo que a prática clínica já sinalizava: a dificuldade de controlar emoções não é apenas um efeito colateral do TDAH — em certos perfis, ela pode ser tão definidora do quadro quanto a desatenção ou a hiperatividade.

Ela aponta implicações diretas para o tratamento: "A gente tem casos de TDAH que melhoram muito pouco com a medicação. Será que nesses casos a gente não precisa associar alguma coisa pensando nessa desregulação emocional — de repente um estabilizador de humor, alguma outra medicação — entendendo que isso pode ser algo mais central do que se pensava até então?"

>>> Biotipo 2 — Predominantemente hiperativo/impulsivo

Com 177 crianças, este foi o maior dos três grupos.

As alterações cerebrais estavam concentradas no córtex cingulado anterior e, novamente, no pálido — um circuito ligado ao controle de impulsos e à capacidade de inibir comportamentos.

O perfil clínico bateu bem com a neurobiologia: hiperatividade e impulsividade eram os sintomas dominantes, com a desatenção aparecendo em menor grau.

Ao longo do acompanhamento, esse grupo mostrou melhora na regulação emocional — ao contrário do biotipo 1.

>>> Biotipo 3 — Predominantemente desatento

Este grupo reuniu 127 crianças. As alterações cerebrais eram mais localizadas, concentradas principalmente no giro frontal superior, uma região associada à atenção sustentada e à memória de trabalho — aquela capacidade de manter informações na cabeça enquanto se realiza uma tarefa.

Clinicamente, a desatenção era o sintoma dominante, com hiperatividade e impulsividade em segundo plano.

Das três, foi a configuração que apresentou os desvios cerebrais menos extensos, sugerindo um quadro mais focal e, possivelmente, mais específico de responder a certas intervenções.

<><> Por que as descobertas importam

A descoberta mais relevante do estudo não é simplesmente o número de biotipos — mas sim o fato de que esses grupos foram identificados sem que os pesquisadores usassem qualquer informação clínica.

O algoritmo olhou apenas para o cérebro e chegou a agrupamentos que, depois, se mostraram coerentes com o comportamento das crianças. Isso é o que os cientistas chamam de validação convergente: duas formas diferentes de olhar para o mesmo problema chegam à mesma conclusão.

Isso é relevante porque sugere que esses biotipos não são apenas uma construção estatística conveniente — eles podem refletir diferenças biológicas reais. E se as diferenças são biológicas, elas potencialmente respondem de formas diferentes a tratamentos.

O estudo foi além e investigou quais substâncias químicas do cérebro apresentavam alterações em cada biotipo.

Os três perfis mostraram padrões distintos: o biotipo 1 envolve dopamina e serotonina — ligadas a humor, motivação e bem-estar — além de acetilcolina, relacionada à memória e atenção. O biotipo 2 apresentou alterações em glutamato, o principal mensageiro de ativação do cérebro, entre outras substâncias. O biotipo 3 mostrou alterações mais restritas, também ligadas à serotonina.

Os medicamentos mais usados no TDAH hoje — como o metilfenidato, conhecido como Ritalina — agem principalmente na dopamina e na noradrenalina, substâncias ligadas à atenção e ao autocontrole.

Mas se o biotipo 2 tem seu perfil dominante ligado ao glutamato — principal mensageiro de ativação do cérebro — e ao sistema endocanabinoide — rede de receptores que regula humor, dor e sono —, a pergunta que se coloca é direta: esse grupo responde da mesma forma ao tratamento convencional? Talvez não.

<><> O que o estudo não responde — e por que os resultados ainda pedem cautela

Apesar da consistência dos achados, os próprios pesquisadores foram cuidadosos ao demarcar o que o estudo pode e não pode afirmar. E há críticas externas que merecem atenção.

O estudo fotografa o cérebro em um momento — não acompanha as mesmas crianças por anos para ver se o biotipo muda com o tempo.

Em crianças, cujo cérebro ainda está em intensa formação, isso é uma limitação real.

A psiquiatra Danielle Admoni lembra que o desenvolvimento cerebral segue em transformação até por volta dos 30 anos, o que torna o quadro ainda mais dinâmico.

Mas ela vê nisso não apenas uma limitação, e sim uma pista clínica importante: "Você pode transitar entre esses três subtipos ao longo da vida — pode começar com um e depois migrar para outro. Os biotipos não são estanques, assim como a plasticidade neuronal também não é."

Isso, na sua avaliação, reforça a necessidade de acompanhar o paciente longitudinalmente, e não apenas fazer um diagnóstico fixo em um momento.

Outro ponto de atenção é que a amostra é predominantemente masculina — 76% dos participantes com TDAH eram meninos.

Como o transtorno se apresenta de formas diferentes em meninas, Polanczyk reforça que validar os biotipos em amostras com maior representação feminina é um passo necessário antes de qualquer generalização.

Outro ponto diz respeito à viabilidade prática. O estudo foi feito em centros de pesquisa com equipamentos sofisticados e protocolos rigorosos.

"A neuroimagem é pouco acessível quando se pensa em saúde pública — essa é uma barreira concreta", alerta Polanczyk. Para que esses achados possam ser traduzidos para a prática clínica, será necessário desenvolver métodos de subtipagem que funcionem com recursos disponíveis em diferentes contextos.

E, talvez o ponto mais importante: o fato de existirem três perfis cerebrais distintos não significa que tratar cada um de forma diferente vai necessariamente mudar os resultados clínicos.

Isso ainda precisa ser testado em ensaios clínicos específicos — o que pode levar anos. O próprio Polanczyk adverte contra o entusiasmo prematuro: "Muitas vezes as pessoas antecipam implicações clínicas e já propõem tratamentos específicos, mas ainda não chegamos a esse ponto."

<><> O que vem a seguir

O estudo lança as bases para uma abordagem que cientistas chamam de "medicina de precisão" aplicada à psiquiatria: em vez de tratar o TDAH como um bloco único, identificar qual é o perfil neurobiológico de cada paciente e ajustar o tratamento a partir daí.

"As pessoas não vão manifestar a mesma doença da mesma maneira, e o tratamento não vai ser o mesmo. A ideia é uma coisa mais precisa — sintomas específicos, subtipos específicos, e não só da parte de sintomas, mas também da parte de tratamento e de acompanhamento", resume Admoni.

O caminho, contudo, passa necessariamente por ensaios clínicos que testem se subgrupos diferentes respondem de forma distinta a intervenções distintas.

Um estudo randomizado do grupo de Polanczyk, publicado há alguns anos, já apontou nessa direção: crianças pequenas com TDAH e irritabilidade respondiam melhor ao treinamento parental do que à medicação, que se mostrou mais eficaz nas questões de atenção e cognição.

"Estudos como esse, que identifiquem quais subgrupos respondem melhor ou pior a determinadas intervenções, são fundamentais", diz o pesquisador. "A escolha de medicações específicas por subgrupo só será possível depois desse caminho percorrido."

É uma visão que ainda está no horizonte — não na mesa do consultório. "É um caminho promissor, mas ainda em construção", resume Polanczyk.

 

Fonte: Por Giulia Granchi, da BBC News Brasil em Londres

 

Ideia de Lula reeleito já não assusta tanto o meio evangélico, diz pastor Zé Barbosa

A Fórum Onze e Meia da sexta-feira (22), o pastor, teólogo e cientista político Zé Barbosa, também colunista da Fórum, analisou os votos evangélicos para as eleições de outubro divididos entre Lula (PT) e deputados de extrema direita. Barbosa analisou que a reeleição do presidente petista tem sido mais positiva entre esse meio e como a extrema direita deve se dividir para conquistar esse voto. 

Para o pastor, Michelle Bolsonaro (PL) tem mais força dentro do grupo evangélico do que Flávio Bolsonaro (PL). “A última pesquisa da Atlas traz alguns dados bem interessantes. Acho que a Michelle está de olho nesse eleitorado evangélico. Ela hoje teria mais força dentro da imagem evangélica do que o Flávio”, afirma o pastor. 

Ele também analisa que entre evangélicos, a aprovação do Lula, por exemplo, cresceu mais do que a média normal. “Então, a aprovação do Lula cresceu entre evangélicos 1.2%. No geral, é 0,6%. Na avaliação do governo entre ótimo e bom melhorou entre evangélicos, 1.6%. E caiu 4,1%. Enquanto, no geral, caiu 2.9%”, diz. 

O pastor ainda acrescenta que nas respostas, entre evangélicos, para a pergunta sobre qual o cenário mais preocupante, se Lula reeleito ou Flávio eleito, o índice para a primeira pergunta caiu 12,3%, enquanto no geral, caiu 6,8%.

“Ou seja, entre evangélicos caiu muito mais. A ideia do Lula reeleito já não está assustando mais tanto”, destaca. 

Portanto, o pastor analisa que, diante desse cenário, a extrema direita pode investir em um nome “mais aceito entre evangélicos” após o escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro e o Banco Master ter tirado alguns votos do senador, e esse nome seria o de Michelle. 

“A Michelle tem essa prerrogativa de ser mais comunicativa com evangélicos do que o Flávio. Eu acho que ela perde [a eleição], ela não vai ter tanta força. Mas entre evangélicos, sim. Ela vai ter o apelo de ser uma mulher evangélica, que tem aquela coisa da mulher sofredora, que aguenta um marido troncho, aquela coisa toda”, avalia Zé. 

“Então, essa tensão entre Michelle e Flávio vai continuar e vai ter como principal pano de fundo o eleitorado evangélico. Podem ter certeza disso”, acrescenta o pastor. 

O pastor ainda ressalta que apesar da esquerda reforçar muito o passado de Michelle, isso para o meio evangélico é algo positivo, pois reforça a ideia de redenção da mulher. 

“Se a gente ficar batendo nisso, o efeito é contrário. Não adianta bater no passado da Michelle, o que ela foi, o que ela fez. Porque quanto mais pesado, melhor é a imagem da mulher redentora, da mulher que foi redimida e agora está assim”, afirma o pastor. 

<><> Reforçar a mentira de Flávio Bolsonaro

O pastor também acrescentou que essa pesquisa Atlas o surpreendeu positivamente porque mostra um “derretimento” do apoio a Flávio Bolsonaro após o escândalo financeiro envolvendo o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), “Dark Horse”. O pastor destaca que é preciso reforçar a campanha de que Flávio mentiu sobre esse caso. 

“A gente está sabendo falar dessa coisa da mentira, tem que bater muito nisso. É mentiroso, é mentiroso, é mentiroso. Porque se pegar nele, essa coisa do Flávio mentiroso, aí vem coisa da mentira: ‘o pai do diabo é a mentira’. E a gente tem isso como força de argumento”, diz o pastor, citando um versículo famoso entre os evangélicos. 

“Essa palavra ‘mentira’ para o evangélico é muito forte. Então fazer essa associação é muito importante para que a gente possa trabalhar. E acho que a gente está num momento bom”, finaliza o pastor. 

¨      Flávio derrete, mas ameaça permanece mesmo se Lula vencer. Por Gustavo Tapioca

A candidatura de Flávio Bolsonaro entrou em sua fase mais difícil desde que foi lançada como tentativa de continuidade familiar do bolsonarismo em 2026. O escândalo envolvendo Daniel Vorcaro, que já ganhou o nome de BolsoMaster, produziu o primeiro grande abalo real na campanha da direita liberal e da extrema direita. 

Lula cresceu. Flávio caiu. O empate técnico começou a se desfazer. A candidatura, que até poucos dias atrás era vendida como alternativa competitiva da direita contra Lula, passou a carregar uma marca difícil de apagar: a de um Bolsonaro enredado em explicações contraditórias, relações perigosas e uma proximidade incômoda com o centro de um dos maiores escândalos financeiros recentes do país. 

Mas é exatamente nesse ponto que o campo progressista precisa ter cuidado. 

Flávio Bolsonaro, o candidato da direita e da extrema direita derreteu. Mas ainda não morreu. 

<><> A Faria Lima começa a fechar a porta 

A notícia de que um banqueiro influente da Faria Lima se recusou a receber o filho de Jair Bolsonaro depois da divulgação do áudio com Daniel Vorcaro tem peso simbólico enorme. Não se trata apenas de uma agenda cancelada. Trata-se de um sinal. 

A pequena história revelada por Fernando Nakagawa, da CNN Brasil, vale mais que muitos discursos. Flávio Bolsonaro teria negado a um grande banqueiro da Faria Lima qualquer relação com Daniel Vorcaro. Depois, o áudio mostrou o contrário. Ao tentar se explicar, Flávio já não encontrou a mesma porta aberta. Não conseguiu agenda.  

O episódio é simbólico: a Faria Lima não rompe com o bolsonarismo por razões morais, mas quando sente cheiro de risco, contaminação e prejuízo reputacional. O problema de Flávio deixou de ser apenas eleitoral. Passou a ser também financeiro, político e tóxico. 

Em entrevista ao jornalista Luis Nassif, o cientista político Carlito Neto declarou que o principal problema enfrentado por Flávio seria a perda de confiança de setores ligados à Faria Lima. 

“Eu acho que (o derretimento na campanha) não para, porque o Flávio fez o que nenhum candidato que se diz conservador e de direita deve fazer: roubar a Faria Lima de alguma maneira, e foi o que o Flávio fez”, disse Carlito. 

Flávio tentava construir a imagem de candidato aceitável para o mercado. Queria aparecer como o Bolsonaro “civilizado”, o herdeiro menos estridente, o nome capaz de reunir o voto bolsonarista, o da direita liberal, o dinheiro conservador do andar de cima, os grandes interesses econômicos e a velha mídia que sonha com uma alternativa capaz de derrotar Lula sem parecer uma aventura golpista. O áudio com Vorcaro atrapalhou essa operação. 

A Faria Lima não tem problema moral com o bolsonarismo. Nunca teve. Conviveu muito bem com Paulo Guedes, Jair Bolsonaro, a destruição ambiental, o ataque às instituições, a pandemia tratada com crueldade e a tentativa de golpe. 

O problema, agora, é outro. 

É risco. É contaminação. É custo reputacional. É medo de estar ao lado de uma candidatura que pode se transformar em sinônimo de dinheiro nebuloso e mentira pública, o BolsoMaster. Flávio não perdeu apenas pontos nas pesquisas. Perdeu parte da aura de viabilidade. 

<><> A mentira como problema político 

O caso Vorcaro é devastador porque não se limita à pergunta sobre dinheiro. O problema também é a mentira. 

Flávio tentou reduzir sua relação com Daniel Vorcaro a uma operação privada, supostamente limitada ao financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro. Depois vieram mensagens, áudios, contradições, negativas desmentidas e a revelação de que a relação era muito, muito mais próxima do que o senador havia admitido. 

O problema não é apenas ter conversado com Vorcaro. É ter tentado convencer o país de que quase não o conhecia. Quando dele era íntimo. Amigo de longas datas. Amigo “irmão”, com quem teria feito tenebrosas transações. 

Agora, Flávio Bolsonaro aparece colado a um banqueiro preso, a um banco sob investigação, a contratos milionários e a explicações que não fecham. E condenado a ver diariamente seu passado nada republicano de rachadinhas, Fabrício Queiroz, Adriano da Nóbrega e a cumplicidade com o crime organizado, compras de casa com empréstimo privilegiados do BRB e muito mais. 

<><> Lula avança, a base bolsonarista continua viva 

As pesquisas mais recentes mostram uma mudança importante. Lula passou à frente de Flávio em levantamentos divulgados depois da crise. A vantagem do presidente cresceu justamente quando a candidatura bolsonarista passou a sangrar.  

A nova pesquisa Nexus/BTG, divulgada nesta terça-feira, 25, confirma a liderança do presidente Lula, tanto nos cenários de primeiro quanto de segundo turno.  

Esses números importam. 

Eles mostram que o escândalo furou a bolha. Mostram que a candidatura do “Zero Um” do papai Jair Bolsonaro deixou de parecer inevitável. Mostram que a extrema direita, pela primeira vez em meses, passou a jogar na defesa. Mostram também que Lula volta a se aproximar do patamar que pode consolidar sua reeleição. 

Mas há um dado que impede qualquer euforia: a base bolsonarista continua viva. Fanatizada. Mobilizada. Blindada contra fatos. Acostumada a transformar denúncia em perseguição, escândalo em conspiração e prova em narrativa. 

Flávio pode ter perdido mercado. Pode ter perdido o centro e o norte. Pode ter perdido a máscara e a maquiagem de bom moço. Mas ainda não perdeu a base. 

E enquanto essa base permanecer organizada, nenhum democrata tem o direito de dormir tranquilo. 

<><> O alerta de Marcos Nobre 

É nesse ponto que a avaliação do filosofo e cientista político Marcos Nobre, em entrevista à BBC, precisa ser levada a sério. Segundo ele, o momento do escândalo pode ter sido, paradoxalmente, favorável a Flávio Bolsonaro, porque ainda haveria tempo até a eleição para tentar reconstruir a candidatura. 

A frase incomoda, mas não deve ser descartada. 

Na política brasileira, escândalos que parecem fatais em maio podem ser reorganizados até outubro. A máquina de desinformação da extrema direita ainda não entrou em sua fase máxima. O dinheiro ainda circulará. Os púlpitos e altares ainda serão acionados. Os algoritmos ainda serão inundados. Os influenciadores ainda fabricarão novas cortinas de fumaça. E a família Bolsonaro ainda tentará transformar Flávio em vítima de uma suposta conspiração do sistema. 

Esse roteiro é conhecido. 

Foi assim em 2018. Foi assim durante a pandemia. Foi assim depois do 8 de janeiro. Foi assim com a tentativa de golpe. Foi assim com Jair Bolsonaro condenado e ainda tratado por parte da imprensa como liderança política normal. 

A extrema direita não precisa provar inocência. Precisa apenas manter sua base em estado de guerra. 

<><> O erro seria baixar a guarda 

O campo progressista tem razões para reconhecer o bom momento. Lula avança. Flávio sangra. A direita tradicional se inquieta sem saber ainda como substituir Flávio. A Faria Lima começa a hesitar. A candidatura bolsonarista, que parecia embalada, agora precisa explicar sua intimidade e cumplicidade com Vorcaro e os crimes do BolsoMaster. 

Mas seria um erro grave transformar esse quadro em euforia. 

Flávio Bolsonaro ainda é o herdeiro direto do sobrenome que organiza a extrema direita brasileira e ainda carrega a direita que não quer Lula de jeito nenhum. Ainda tem o apoio de parte decisiva do PL. Ainda tem a máquina digital bolsonarista. Ainda tem a blindagem emocional de milhões de eleitores. Ainda tem setores religiosos, parlamentares, empresariais e midiáticos interessados em impedir a reeleição de Lula. 

Além disso, se Flávio cair, o bolsonarismo tentará reorganizar a chapa em torno de outro nome — Michelle, Caiado, Zema, Renan Santos, os novatos na fila, Aécio Neves, Joaquim Barbosa e outros menos votados — ou qualquer figura capaz de preservar o núcleo do projeto: derrotar Lula, anistiar os golpistas, recompor o pacto com a extrema direita internacional e recolocar o Brasil na órbita política de Donald Trump. 

Portanto, o problema não é apenas Flávio. O problema é o projeto que Flávio representa. 

<><> E se Lula vencer? 

O campo progressista não deve descansar enquanto o resultado da eleição não for proclamado. E nem depois. 

A candidatura de Flávio derreteu, mas ainda não morreu. Lula avança, mas ainda não venceu. A extrema direita está ferida, mas continua organizada. E, mesmo que Lula conquiste um quarto mandato, a luta democrática entrará em uma fase ainda mais difícil. 

É este o novo alerta feito por Marcos Nobre na entrevista à BBC. O cientista político chama atenção para um problema que vai muito além da disputa presidencial: a correlação de forças no Congresso. 

Lula governa com minoria. Para aprovar medidas, negocia com o Centrão. Para conter abusos do Congresso, recorre ao Supremo Tribunal Federal. Esse arranjo, já instável, pode se tornar ainda mais frágil depois das eleições de 2026. 

A estratégia do bolsonarismo, segundo Nobre, é clara: conquistar maioria no Senado. Não apenas para bloquear Lula, mas para colocar o STF sob ameaça permanente. Um Senado dominado pela extrema direita poderia transformar o impeachment de ministros do Supremo em instrumento de chantagem institucional. 

O objetivo não seria apenas derrotar o governo. Seria paralisar a democracia por dentro. 

Mesmo que Lula vença, poderá encontrar uma Câmara ainda mais hostil e um Senado ainda mais agressivo. Poderá governar sob cerco permanente. Poderá enfrentar um Congresso decidido a capturar o orçamento, sabotar políticas públicas, blindar interesses privados e transformar cada votação em chantagem. 

O alerta é simples: é preciso derrotar Flávio Bolsonaro nas urnas. Mas será preciso derrotar também o projeto que ele representa — antes, durante e depois da eleição. 

A pior resposta do campo progressista seria confundir o barulho do tombo com o fim da ameaça. Mesmo ganhado a eleição de outubro, a célebre frase que Lula usava desde o final dos anos 1970 nas greves do ABC, em plena ditadura militar, nunca soou tão forte: A luta continua, companheiro. E vai continuar sendo muito dura.  

¨      Zema diz que eleitor de Flávio Bolsonaro “entregará eleição para Lula”

Ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à presidência da República, Romeu Zema (Novo), adotou, definitivamente, uma postura ofensiva contra a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL). Ele voltou a fazer duras críticas ao filho do presidente condenado, Jair Bolsonaro (PL).

Depois de afirmar que “não posso ficar calado sobre quem se envolve com banqueiro bandido. Quem se aproximou dele, sabendo que fazia, merece ser visto com toda reserva”, em referência às ligações perigosas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, do Banco Master, Zema pariu para o ataque frontal, com objetivo de deslegitimar a já desgastada pré-candidatura do senador.

“Eu fico muito preocupado em que nós estejamos entregando para a esquerda, mais uma vez, essa eleição. E essas últimas pesquisas demonstraram que quem está votando no Flávio, muito provavelmente vai estar entregando a eleição para o Lula, que manteve o seu posicionamento, enquanto ele caiu. E isso se não surgir mais nada daqui por diante”, declarou Zema, nesta segunda-feira (25), durante evento da Câmara Americana de Comércio Para o Brasil (AmCham), em São Paulo.

O pré-candidato relembrou a disputa eleitoral de 2022, quando Lula venceu por 50,90% dos votos válidos diante de Bolsonaro. Segundo Zema, a tendência é que a briga em 2026 seja mais complicada ainda para a direita.

¨      Zema volta a atacar Flávio Bolsonaro por dinheiro de Vorcaro

O cenário político nacional voltou a registrar forte turbulência na disputa interna pelo eleitorado de direita e pelos rumos da sucessão presidencial. Em entrevista concedida, nesta segunda-feira (25,) à Band News, Zema subiu o tom e renovou as críticas frontais ao senador e também presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Rompendo o ensaio de trégua que vinha mantendo com o clã do ex-presidente condenado, Zema abandonou a postura defensiva e disparou uma frase que caiu como uma bomba nos bastidores do Congresso: “Não posso ficar calado sobre quem se envolve com banqueiro bandido. Quem se aproximou dele, sabendo que fazia, merece ser visto com toda reserva”.

A declaração contundente mexe diretamente com o tabuleiro eleitoral de curto prazo e isola ainda mais o filho “zero um” de Jair Bolsonaro, que tenta se equilibrar em meio às denúncias de favorecimento financeiro. A fala do ex-mandatário mineiro sinaliza que a ala mais pragmática e de perfil técnico da direita não pretende carregar o desgaste ético associado aos recentes escândalos de corrupção, transformando o debate ético no principal divisor de águas entre os pré-candidatos ao Palácio do Planalto.

 

Fonte: Fórum