terça-feira, 7 de julho de 2026

Reflexões sobre o neoliberalismo à brasileira

Recentemente Armando Boito Jr, professor da Unicamp, publicou um polêmico artigo em que saiu em defesa do governo Lula e sua política econômica, contra críticas vindas de setores da esquerda independente do governo. A tentativa de defender o governo de forma substantiva e não somente por oposição ao bolsonarismo, mesmo carecendo de fundamentos sólidos, oferece a oportunidade para um debate mais amplo.

O objetivo deste artigo não é o de refutar ponto a ponto os principais argumentos de Boito Jr, num debate que já vem de longe e tem sua própria história. O que pretendo aqui é colocar a ênfase num aspecto secundarizado, ainda que apontado por Boito Jr em seu artigo, que é o papel do processo de financeirização da economia brasileira e como isso impacta na análise das frações de classe dominantes e como ele se entrelaça ao processo de reprimarização e entrega das riquezas minerais.

Para além de discussões terminológicas ou escolásticas sobre qual a melhor nomenclatura para descrever o que são os governos petistas, foi sobre a estrutura neoliberal legada por FHC que os governos petistas desenvolveram sua política, reforçando ao mesmo tempo essa estrutura e promovendo através dela sua política redistributiva light e sua tímida defesa de margens muito limitadas de autonomia estatal. Se isso pode ser chamado de “neodesenvolvimentismo”, como faz Armando Boito Jr, isso é uma expressão do rebaixamento das ambições históricas da esquerda institucional, de um estreitamento inédito dos horizontes daqueles seguem buscando a possibilidade de mudanças significativas por dentro da ordem capitalista. Busquemos, antes de voltar aos argumentos em defesa do terceiro governo Lula, coloca-los em contraposição com uma descrição ultra sumária de alguns aspectos fundamentais do capitalismo brasileiro das últimas décadas.

<><> A financeirização precoce como “vantagem comparativa” do atraso neoliberal brasileiro

Num interessante estudo de longo prazo sobre a dinâmica da economia brasileira, “Uma interpretação da economia brasileira a partir da taxa de lucro: 1950-2020”, os autores buscam na relação entre a taxa de lucro e a taxa de acumulação uma explicação para o que chamam de a “grande estagnação” da economia brasileira a partir dos anos oitenta. Traçando em grandes linhas e evolução de ambas as taxas desde os anos 50, os autores constatam que a partir de meados dos anos oitenta e início dos anos 90 a relativa recuperação da taxa de lucro não se dá acompanhada pela recuperação da taxa de acumulação.

Demonstram que a partir dos anos oitenta a taxa de lucro começa a se recuperar dos mínimos históricos, ainda sem alcançar os patamares anteriores, mas sem também uma correspondente recuperação da taxa de acumulação. Ou seja, a partir da explosão da dívida pública impulsionada pela ditadura, que se apoiou amplamente no financiamento externo para manter o dinamismo dos investimentos, é a dívida pública que vai se converter no principal polo de valorização para o capital estrangeiro no Brasil, mas também para o capital nacional que já não consegue manter sua lucratividade nas atividades produtivas como antes. É através do lucro financeiro, através do mecanismo da dívida pública, do mercado cambial e de crédito (junto também com a renda da terra e do subsolo), por onde a taxa de lucro se recupera.

Analisando a crise de 2008 do capitalismo mundial, Juan Chingo já havia - junto com outros economistas marxistas - colocado o acento exatamente nessa mesma característica que se deu na fase da ofensiva neoliberal a nível internacional, a recuperação da taxa de lucro sem uma recuperação correspondente da taxa de acumulação. No seu artigo, Chingo mostrou como essa subacumulação e financeirização se apoiava em pólos da economia mundial onde o que se dava era o contrário, uma dinâmica de sobreacumulação, como o mercado imobiliário, ou o de alta tecnologia. A China era então a grande exceção, com altas taxas de acumulação e uma latente crise de sobreacumulação, com a qual até hoje o gigante chinês tenta lidar, reduzindo gradativamente as taxas de expansão do PIB e aumentando o próprio mercado interno.

Ao longo da ofensiva neoliberal se acumulou a contradição entre o ataque aos salários e aos direitos da classe trabalhadora, acelerados com a entrada da mão de obra chinesa do mercado mundial, e uma expansão do consumo baseada na expansão do crédito. Essas contradições explodiram em 2008 e seguem latentes na economia mundial, sendo a disputa pelos escassos nichos de acumulação da economia mundial o vetor, que em última instância, leva ao recrudescimento das disputas comerciais entre as grandes potências concorrentes, EUA e China e a uma escalada militarista sem precedentes desde a II Guerra Mundial.

Essa relação que se dá na economia mundial, entre a financeirização generalizada e nichos de específicos de acumulação e sobre acumulação, um aumento da precarização do trabalho e um consumo alimentado pela dívida das famílias e pela dívida estatal, são coordenadas para entender as transformações e o “estilo de desenvolvimento” do capitalismo brasileiro em sua fase neoliberal. A hipertrofia do sistema financeiro nacional permitiu que os grandes bancos e as famílias financeiras tradicionais como os Setúbal, os Moreiras Salles, os Amador Aguiar, os Mello Brandão, participassem das rodadas de privatização e de capitalização financeira de grandes grupos agroindustriais e da mineração, abocanhando uma parte maior da mais valia extraída da classe trabalhadora brasileira. O polo dinâmico da acumulação capitalista na república neoliberal brasileira se deu em torno da aliança entre o eixo latifúndio/mineração com a Faria Lima, deslocando a centralidade do eixo Av. Paulista e grandes montadoras.

A super renda financeira, agrária e mineral extraída nos momentos ascendentes do ciclo econômico foi o que permitiu certas vantagens comparativas a setores da burguesia brasileira. Não apesar da financeirização, da reprimarização, e da manutenção e aprofundamento do seu caráter dependente, mas através delas. O fluxo de capitais especulativos que entram no mercado brasileiro para se beneficiar das maiores taxas de juros reais do planeta, fazem girar o sistema financeiro nacional e irrigam os canais por onde flui o crédito ao consumo, às empresas e ao Estado. Em 2025, por exemplo, o Brasil foi o terceiro país que mais recebeu capitais estrangeiros, perdendo apenas para EUA e China. O dinamismo do grande mercado interno brasileiro (entre os dez maiores do mundo) e de todos os setores burgueses grandes e médios ligados a ele é profundamente dependente do fluxo positivo da corrente de capitais internacionais. Essa vantagem comparativa do atraso neoliberal é que permite que, sem choques importantes com o “modelo”, nos momentos de fluxo positivo possa se dar a massificação dos benefícios sociais, inclusive como forma de contenção de explosões sociais frente ao aumento da precarização do trabalho.

O capitalismo brasileiro, transcorrido o primeiro quarto do século XXI não se resume a pauta de exportação, que se concentrou amplamente em soja, minério de ferro, e óleo bruto, e não estamos de volta ao Brasil do café com leite da República Velha. Aumentou a complexidade da articulação entre as formas “arcaicas” que persistem - tanto das formas comunitárias précapitalistas indígenas e quilombolas, que se expressam na resistência ao avanço da mineração, como do trabalho análogo à escravidão de norte a sul do país que se fortalece com o avanço do moderno latifúndio e da mineração - com os polos “avançados” da economia nacional como nunca antes. É preciso entender os processos econômicos brasileiros das últimas décadas nos termos de uma exacerbação do desenvolvimento desigual e combinado, em que o atraso do latifúndio se amplia junto com o avanço do extrativismo e se combina com a hipertrofia do mercado financeiro, com a digitalização da esmagadora maioria da população, com o avanço da plataformização do trabalho que leva a uma industrialização em massa dos serviços urbanos, e com pesquisas de ponta em algumas áreas ligadas aos principais nichos de acumulação na economia brasileira.

<><> Neoliberalismo tucano/petista e neoliberalismo militar/bolsonarista

Como é impossível argumentar que o governo Lula tem uma política de ruptura com o modelo neoliberal, Boito força a mão na diferenciação entre modelo econômico, no sentido da estrutura geral do modelo de acumulação, que seria neoliberal, com a política do governo, que seria neodesenvolvimentista, promovendo mudanças quantitativas significativas dentro do modelo geral, ou resistindo ao salto da “novíssima” dependência.

Um aprofundamento histórico e conceitual do debate em torno dos diferentes ciclos desenvolvimentistas, do debate entre Celso Furtado e os chamados “dependentistas” e toda riqueza e complexidade deste grande debate econômico e sociológico sobre os problema da estrutura econômica brasileira fogem, como dissemos, ao escopo deste debate com Armando Boito Jr. e merecem um desenvolvimento à parte. Um ponto, no entanto, precisa ser ressaltado. O desenvolvimentismo pré-golpe, com todas as suas deficiências e ilusões na burguesia nacional, tinha como horizonte um desenvolvimento que levasse o Brasil a se equiparar aos polos mais dinâmicos do capitalismo mundial. O estreitamento dos horizontes das últimas décadas se expressa também nas próprias visões de setores da intelectualidade. O que Boito Jr. chama de uma orientação política neodesenvolvimentista e de um novo bloco de poder é a expressão de uma burguesia associada ainda mais dependente do que aquela que o debate econômico setentista buscava entender, durante os anos de exílio. E que nem por isso deixa de tentar negociar com os “amos do norte” cotas limitadas de autonomia estatal, como sempre fez a burguesia dependente brasileira, com a diferença de agora dentro de margens cada vez menores de autonomia.

Não existe tal burguesia interna industrial, agrária e comercial que Boito pretende diferenciar do capital bancário e financeiro propriamente dito e de uma burguesia associada e compradora. Pelo menos não quando analisamos o topo mais hierarquizado do capitalismo nacional. A burguesia interna brasileira é altamente financeirizada e atua com forte associação ao capital imperialista, num mercado altamente monopolizado. Nas últimas décadas se consolidou a formação de um gigante financeiro como o Itau/Unibanco e da sua controladora Itaúsa, fruto da fusão estratégica entre as famílias Setubal e Moreira Salles como líder dos grandes bancos brasileiros, que ocupam os primeiros lugares na lista das maiores instituições da América Latina.

O sentido geral de todos os governos de 1988 até aqui foi o de seguir incrementando o controle do capital financeiro em todos os ramos econômicos. Isso não significa dizer que não existem diferenças substanciais entre cada um dos governos do ciclo neoliberal, mas que guardadas essas diferenças, todos eles compõem ativamente esse ciclo. Basta ver que depois da ofensiva lavajatista, os maiores representantes dessa burguesia interna que não foram diretamente internacionalizados como a JBS, apoiaram o golpe de 2016 e o conjunto do programa econômico de Temer, a “ponte para o futuro” e deram sustentação para o programa econômico de Bolsonaro e Guedes. A possibilidade dos pesos pesados da burguesia brasileira poderem transitar entre os dois polos da polarização eleitoral é a expressão política do que têm de comum a orientação econômica de todos os governos da fase neoliberal, como bem pode-se ver na elaboração de um novo teto de gastos por parte do PT, chamado eufemisticamente de “arcabouço fiscal”, ou o aprofundamento de manutenção de toda a estrutura de entrega das riquezas do subsolo legada por FHC, chamado pomposamente tal ato de “política nacional para os minerais críticos”. Podemos trocar os nomes das medidas neoliberais, mas elas não mudam seu conteúdo junto com a mudança de nomenclatura.

Aqui buscamos desenvolver a tese de um neoliberalismo tucano petista, que se apoia numa burguesia interna dependente e associada, altamente financeirizada. Essa burguesia, por dentro do neoliberalismo e através dele, se apoia nas vantagens comparativas da renda da terra, mineral e do petróleo, na enorme superexploração do trabalho, na força do seu sistema financeiro e dos seus bancos, para manter nichos próprios de acumulação de capital e margens de autonomia diplomática. Isso não é fruto de uma orientação política desenvolvimentista, que se chocaria tendencialmente com a estrutura neoliberal vigente, mas resultado da forma que tomou o neoliberalismo no Brasil, no qual a burguesia foi capaz de manter o controle de alguns nichos de acumulação. A atual aliança entre Lula e o PT, arrastando até o PSOL, com Alckmin, a rede Globo, o STF e as grandes finanças, fala mais do que rios de palavras que poderíamos escrever sobre esse já surrado debate a respeito das continuidades e descontinuidades entre Lula e FHC.

Este bloco de classes, que aqui estamos chamando de neoliberalismo tucano/petista, aceita um aumento da subordinação aos EUA como fica evidente na discussão a respeito dos minerais críticos e das terras raras, porém não aceita uma subordinação integral como a demanda por Trump e levada a cabo pelo capital financeiro mais ligado às novas tecnologias. Assim, apesar de toda a química entre Lula e Trump, ressurgem os pontos de tensão em temas sensíveis que dizem respeito às margens de autonomia estatal dessa burguesia, como a política de combate ao crime organizado - que remete à questão das fronteiras e às relações geopolíticas na América Latina-, a questão do Pix, que remetem às margens de autonomia do sistema financeiro brasileiro e o tema das barreiras fiscais e incentivos para setores nacionais que o neoliberalismo à brasileira nunca abandonou por completo e que o lulismo, mais do que FHC, busca incrementar. Que dentro, por exemplo, da entrega das riquezas do subsolo para as mineradoras dos EUA e grandes potencias, o governo Lula tente avançar na produção nacional de fertilizantes, não quer dizer que isso é uma política desenvolvimentista nem que agora o latifúndio da soja tenha passado a defender uma qualquer soberania nacional ou se tornado parte de um bloco “neodesenvolvimentista”. De forma nenhuma, segue sendo o setor mais trumpista e neoliberal à la Pinochet que existe no país favorecido pelo governo Lula uma e outra vez, como se vê agora novamente com um novo Plano Safra multibilionário.

Ainda que as relações políticas com os processos econômicos não sejam imediatas, mas mediada por um série de fatores, podemos traçar uma relação mais ou menos direta entre a extrema-direita que bate continência para a bandeira dos EUA, e a penetração dos gigantes do capital financeiro (Black Rock, Sequoia, Atlantic, entre outros) em “nichos” até então controlados pela burguesia brasileira através das ferramentas digitais, como Nubank, QuintoAndar, Bets, Cazé TV. Podemos traçar a diferenças entre um bloco burguês ma que busca preservar o que resta do pacto da Nova República de 1988 e a política externa que lhe é própria, do Mercosul e do multilateralismo e um outro setor, que desde o golpe institucional veio se fortalecendo, que expressa uma tendência a um maior alinhamento histórico da Brasil aos EUA, em ruptura com a secular tradição diplomática brasileira, de busca de autonomia dentro do bloco liderado pelos EUA, aceitando um salto de qualidade na dependência e em troca penhorando a tarefa da segurança regional aos EUA, integrando o país ao polo Atlântico do escudo de defesa continental que Trump almeja.

Reconhecer essa diferença não nos leva nem a embelezar o programa econômico neoliberal de Lula 3, muito menos a dar apoio político a esse governo. Isso significa dizer simplesmente que, frente às lutas de frações da burguesia, não apostamos na Frente Ampla de Lula e Alckmin como alternativa. Com todas as diferenças que desenvolvemos entre Lula/Alckmin e Bolsonaro, compartilham entre si, como duas formas de neoliberalismo, o consenso extrativista, e o apoio ao avanço da terceirização e da uberização e de todas as formas de precarização do trabalho, além das alianças cruzadas com o centrão. Entre as frações burguesas em disputa, defendemos um terceiro caminho, e da luta das massas da cidade e do campo, como os que estão trilhando as massas bolivianas enquanto escrevemos essas linhas.

Em um dado momento de seu artigo, Boito Jr. fala que “somente um Estado nacional autônomo, nascido de uma revolução democrática e popular, e não um Estado dependente, pode se colocar a tarefa de romper com o imperialismo”. Tamanho é o retrocesso teórico dessa afirmação, que não somente a esquerda revolucionária ou trotskista, mas até FHC, em 1963 (Empresário Industrial e Desenvolvimento Econômico no Brasil, publicada em livro em 1964), anos antes da sua conversão neoliberal, apontava uma perspectiva mais aguda do que essa: “Estreita-se a cada dia a faixa de compromissos possíveis. As decisões fundamentais não dependerão apenas da burguesia industrial que, parece, optou pela ‘ordem’, isto é, por abdicar de uma vez por todas de tentar a hegemonia plena da sociedade, satisfeita já com a condição de sócio menor do capitalismo ocidental e de guarda avançada da agricultura que muito lentamente se capitaliza. Resta verificar qual será a reação das massas urbanas e dos grupos populares e qual será a capacidade de organização e decisão de que serão capazes para levar mais adiante a modernização política e o processo de desenvolvimento econômico do país. No limite a pergunta será então subcapitalismo ou socialismo”. Algumas décadas depois, FHC deixou claro o lado que escolheu (talvez muito antes de fundar o PSDB em 1986), junto com as forças da burguesia associada do subcapitalismo capitalismo brasileiro em uma fase de financeirização aguda e “precoce”. Empresário Industrial e Desenvolvimento Econômico no Brasil, publicada originalmente em 1964

Frente a acentuação de todas as contradições do capitalismo, que transcorrido um quarto do século XXI coloca a humanidade frente ao terror distópico de guerra nuclear entre potências e de uma série de catástrofes ambientais a revolução nacional é a maior utopia que a conceitualização dos blocos históricos, na defesa do governo Lula, nos permite imaginar? A constituição de um estado burguês independente através de uma revolução nacional democrática e popular quando é o próprio capitalismo que atravessa um período de crises cada vez mais agudas? As alternativas por dentro do capitalismo são as piores possíveis, mesmo dentro das suas variantes “menos piores”, a única saída realista possível é a revolução e o socialismo. O que precisamos das novas gerações de estudantes e intelectuais não é que se ponha ao lado a verificar, mas que sejam parte ativa para construir a capacidade de organização necessária para triunfarmos.

 

Fonte: Por Thiago Flamé, em Esquerda Diário

 


 

A economista que tenta entender a insatisfação dos brasileiros sob Lula

O terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vive um paradoxo.

O desemprego está nas mínimas históricas (em 5,6% em maio deste ano, menor patamar para o mês desde o início da série histórica), a economia cresce acima das expectativas — 3,2% em 2023, 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025 — e 17,5 milhões de brasileiros saíram da pobreza entre 2022 e 2024.

Ainda assim, 44% dos entrevistados na pesquisa Genial/Quaest de junho afirmam que a economia do país piorou nos últimos 12 meses, enquanto apenas 20% dizem que melhorou.

economista Laura Carvalho, professora da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o "Conselhão" de Lula, tem se dedicado a entender esse descolamento.

Como parte desse esforço, ela lançou recentemente o artigo "Paradoxos do Lulismo: a desconexão entre resultados macroeconômicos e percepção sobre a economia", em coautoria com seu marido e também economista Guilherme Klein Martins, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Para a dupla de economistas, quatro fatores principais estariam por trás desse descompasso: a inflação e seus efeitos persistentes sobre o bem-estar; a comparação com o ciclo de mobilidade social dos anos 2000, durante os dois primeiros governos Lula; a mudança nos desejos de consumo da população, impulsionada em grande medida pelas redes sociais; e a frustração de uma geração escolarizada que não encontra empregos compatíveis com a sua formação.

"Com as redes sociais, as pessoas têm acesso ao padrão de consumo de classes muito mais ricas, de forma muito mais fácil", observa Carvalho, em entrevista à BBC News Brasil.

"Você não só está vendo o que consome uma pessoa no seu bairro, na sua família, você está vendo o que consome uma pessoa da classe média europeia ou um rico no seu país. E então os desejos, as aspirações, vão se homogeneizando e se globalizando de uma forma muito rápida e única na história, com uma sensação de insatisfação saindo daí", afirma.

Para a professora da USP, esse é um dos fatores que talvez expliquem a diferença entre o sentimento da população nos anos 2000, durante os governos Lula 1 e 2, e no atual governo.

"Ali nos anos 2000, a distribuição de renda na base da pirâmide e o crescimento econômico expressivo incluíram uma parte da população no mercado consumidor que estava totalmente excluída desse mercado. Que passou a ter acesso a geladeira, a viagem de avião. Surgiu uma nova classe média, que hoje já não é mais satisfeita com esse mesmo padrão de consumo", diz Carvalho.

Também diretora de Prosperidade Econômica e Climática da Open Society Foundation, Laura Carvalho lançou em 2018 o livro Valsa Brasileira, em que analisou os motivos que levaram a economia do país da prosperidade (2006-2010) a uma das piores recessões de sua história (2014-2017).

Na entrevista à BBC News Brasil, a economista analisa por que a desigualdade no Brasil segue sendo uma das maiores do mundo, mesmo diante do elevado gasto do governo com políticas sociais nos últimos anos. E propõe uma agenda para devolver o país a um novo ciclo de prosperidade.

Segundo ela, isso passa por uma expansão dos serviços públicos e diversificação da economia para gerar empregos qualificados para absorver a crescente população escolarizada. Mas também pelo avanço da agenda de tributação, iniciada com a reforma do Imposto de Renda.

"O debate tem que avançar no próximo período para alguma forma de taxação de riqueza", defende.

"A concentração de riqueza é mais elevada do que a da renda, o que faz com que a desigualdade se perpetue — e ela se perpetua também no sistema político. Porque a influência daqueles que estão nesse topo [de renda] é muito desproporcional e, com isso, atua para preservar a estrutura atual."

Carvalho destaca ainda o papel da dívida pública na perpetuação desse topo de riqueza. "O Estado brasileiro, por meio da dívida pública elevada, que paga juros muito altos, acaba transferindo renda para os mais ricos e atuando para perpetuar essa desigualdade elevada", afirma.

"Hoje, muitos dos detentores da dívida são pessoas de alto patrimônio e que, sem muito risco envolvido, obtêm esses rendimentos elevados. Isso significa, sim, que o governo transfere renda para os mais ricos. Inclusive, me parece que o custo distributivo da dívida é algo que a gente não fala muito", problematiza.

>>>> Confira os principais trechos da entrevista.

  • O World Inequality Report 2026, divulgado no fim do ano passado pelo grupo de economistas ligados ao [economista francês Thomas] Piketty, mostrou que a desigualdade no Brasil segue entre as mais altas do mundo, e inclusive cresceu entre 2014 e 2024. Na sua visão, o que explica essa persistência da desigualdade no país, mesmo diante do elevado gasto do governo com políticas sociais nos últimos anos?

Laura Carvalho - Esse é o padrão da desigualdade brasileira, aliás, da América Latina. É uma das regiões mais desiguais do mundo e essa desigualdade é caracterizada por uma concentração muito alta da renda no topo da pirâmide — da renda e do patrimônio.

Já a desigualdade entre o meio e a base da pirâmide é relativamente pequena no Brasil. Conseguimos, inclusive, reduzir muito a desigualdade entre o meio e a base, com os programas sociais, com a valorização do salário mínimo, com o próprio dinamismo do mercado de trabalho, que vem acompanhado de crescimento do emprego, sobretudo para trabalhadores menos escolarizados.

Então, toda a redistribuição que a gente teve nos anos 2000 se deu entre esse meio e a base, onde a desigualdade já não era tão alta. Mas a desigualdade entre o topo e o meio não foi reduzida, ela se manteve elevada ao longo das últimas décadas.

A primeira vez que começamos a atacar essa característica, na verdade, foi agora, nesse terceiro mandato do presidente Lula. Quando ele, já desde a campanha, fala que é sobre "colocar o pobre no Orçamento, e o rico no Imposto de Renda".

Isso se refletiu na reforma do Imposto de Renda, não só pelo fato de se atribuir uma alíquota mínima para esse topo, mas a própria isenção para quem ganha até R$ 5 mil, com progressão até quem ganha R$ 7,5 mil, porque você está dando um benefício fiscal para quem está nesse meio.

Mas claro, isso é apenas uma medida. Ainda há muito o que avançar, porque, mesmo com a alíquota mínima de 10%, continuamos com esse topo pagando menos do que quem vem logo abaixo dele.

E não é só sobre taxação da renda, o debate tem que avançar no próximo período para alguma forma de taxação de riqueza, porque taxar a renda pode até frear a concentração, mas não corrige o que historicamente acumulou.

A concentração de riqueza é mais elevada do que a da renda, o que faz com que essa desigualdade se perpetue, e ela se perpetua também no sistema político. Porque a influência daqueles que estão nesse topo é muito desproporcional e, com isso, atua para preservar a estrutura atual.

  • Numa fala pública no fim do ano passado, o Luis Stuhlberger, gestor do Fundo Verde [fundo de investimento conhecido por seu histórico de alto retorno aos investidores], falou que o governo Lula age como "pai dos pobres e mãe dos ricos", por conta do elevado gasto social, combinado a juros altos. Você concorda com essa avaliação?

Carvalho - Não que os juros sejam gerados pelo gasto social. Não acho que temos uma taxa de juros tão alta porque o governo está gastando muito, porque está gastando com benefícios sociais. Isso não tem evidência.

O nosso alto patamar de taxa de juros depende também do contexto internacional e de como os fluxos de capitais estão entrando ou saindo dos países em desenvolvimento. Hoje há um cenário de juros altos no mundo inteiro, com o Brasil sendo, claro, sempre um caso um pouco fora da curva. [Nota da redação: em junho, o Brasil ocupava o topo do ranking das economias com maior juro real do mundo, mesmo após o corte de 0,25 ponto percentual da Selic, para 14,25% ao ano. No período recente, países com juros historicamente baixos ou zero elevaram suas taxas, em meio ao avanço global da inflação.]

Mas também temos uma meta de inflação muito mais baixa do que outros países emergentes [atualmente, a meta de inflação é de 3% ao ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos].

Então, o que acho que é válido nessa comparação é que, de fato, o Estado brasileiro, por meio da dívida pública elevada, que paga juros muito altos, acaba sim, transferindo renda para os mais ricos e atuando para perpetuar essa desigualdade elevada. Isso sim é verdade.

Hoje, muitos dos detentores da dívida são pessoas de alto patrimônio e que, sem muito risco envolvido, obtêm esses rendimentos elevados. Isso significa, sim, que o governo transfere renda para os mais ricos. Inclusive, me parece que o custo distributivo da dívida é algo que a gente não fala muito.

  • Essa persistência da desigualdade se reflete, de alguma forma, no sentimento de mal-estar com relação à economia da população brasileira?

Carvalho - Temos visto no mundo todo, não só no Brasil, uma desconexão entre indicadores macroeconômicos e percepção das pessoas sobre economia. Inclusive durante o governo [Joe] Biden, nos Estados Unidos, se cunhou o termo vibesession, que é uma espécie de recessão de sentimento.

Então não é só aqui no Brasil, isso vem sendo observado ao redor do mundo, e o principal fator que tem sido trazido para explicar é a própria inflação. Vivemos um período no mundo inteiro de sucessivos choques inflacionários desde a pandemia, depois a guerra na Ucrânia, e agora um terceiro com a guerra no Irã.

Então uma sequência de choques econômicos de natureza distinta, mas que levaram a efeitos similares, de uma crise com inflação. O que torna mais difícil para os governos lidar, porque, em crises de outro tipo, como a de 2008, o governo faz o quê? Baixa a taxa de juros.

Hoje, nesses choques inflacionários, os governos atuam a partir do aumento de taxas de juros pelos bancos centrais e, com isso, têm menos espaço fiscal para ajudar a saída dessas crises.

Isso tem a ver com desigualdade, sim, no sentido de que a população que mais foi afetada, sobretudo em 2024, pelo choque de preços de alimentos, foram os 50% mais pobres que têm nesses produtos essenciais uma parte maior da sua cesta de consumo. E, de fato, a gente observa que, nas pesquisas eleitorais, esse ciclo de deterioração de percepção econômica coincide com um ciclo de queda na aprovação do governo.

  • Mas a inflação é suficiente para explicar essa insatisfação?

Carvalho - A inflação não é suficiente para explicar, porque há um segundo ciclo de deterioração dessa percepção sobre a economia, que vem entre 2025 e 2026. Ela se dá na classe média, entre os mais ricos. Há o crescimento da renda, ela supera a inflação, então não é que as pessoas estão perdendo poder de compra. As pessoas estão ganhando poder de compra e a inflação tampouco foi expressiva para esse grupo dos mais ricos, considerando a cesta de consumo deles.

Então, a gente se debruça sobre outros fatores. E o principal, me parece, é que esse crescimento da renda se dá sobre níveis de renda muito deprimidos. A gente veio de um período de uma década com pouquíssimo crescimento da renda per capita, então só em 2024 as pessoas recuperam a renda que elas tinham lá em 2014.

Então o crescimento não é tão robusto quanto foi o dos anos 2000 e ele se dá sobre uma memória de que você já foi mais próspero. E também o que se deseja mudou. A sociedade vai mudando e querendo acesso a outras coisas.

  • Você tem falado nessa questão do "consumo aspiracional" e isso, inclusive, entrou no radar da equipe econômica do governo. Por que isso virou uma preocupação?

Carvalho - Isso é um fenômeno novo que tem sido estudado. Em particular, o efeito das redes sociais sobre o consumo aspiracional.

Porque consumo aspiracional sempre fez parte da teoria econômica. Há muito tempo, o economista James Duesenberry olhava para essa questão. Como, na verdade, as pessoas não consomem só baseadas na própria renda. É claro, sempre que a renda delas cresce, elas consomem mais. Mas elas também acabam consumindo emulando o consumo de outros, sobretudo daquelas classes que elas aspiram ser.

E elas então se comportam e têm os seus desejos de consumo pautados por aquilo, mesmo se a renda delas é insuficiente, o que, claro, está por trás de dinâmicas frequentes de endividamento. Porque quando há algum descompasso entre aquilo que você ganha e aquilo que você deseja consumir, o que cobre o resto acaba sendo o crédito. Isso sempre foi verdade, isso não é novo.

Mas, claro, as redes sociais mudam muito essa dinâmica. Esse "efeito demonstração" de consumo ocorre de uma forma muito diferente com a presença das redes. As pessoas têm acesso ao padrão de consumo de classes muito mais ricas, de forma muito mais fácil.

Você não só está vendo o que consome uma pessoa no seu bairro, na sua família, você está vendo o que consome uma pessoa da classe média europeia ou um rico no seu país. E então os desejos, as aspirações, vão se homogeneizando e se globalizando de uma forma muito rápida e única na história, com uma sensação de insatisfação saindo daí.

Muitos estudos mostram que as pessoas se frustram também pelo fato de estarem vendo essa ostentação, que não é só a ostentação de bens de luxo, mas também do que as pessoas fazem com seu tempo livre, a viagem, o lazer. Consumo não é só coisas, é um padrão de vida.

Acho que isso talvez traga um dos elementos da diferença entre o que foram os anos 2000 para o governo Lula 1, Lula 2, e o que vem sendo esse governo.

Porque, ali nos anos 2000, a distribuição de renda na base da pirâmide e o crescimento econômico expressivo incluíram uma parte da população no mercado consumidor que estava totalmente excluída desse mercado. Que passou a ter acesso a geladeira, a viagem de avião. Surgiu uma nova classe média, que hoje já não é mais satisfeita com esse mesmo padrão de consumo.

  • E como mudar esse quadro de insatisfação e gerar um novo ciclo de prosperidade?

Carvalho - Pelo fato de a renda ter ficado estagnada durante tanto tempo, vai levar tempo. Precisamos chegar num ponto em que as pessoas se sintam satisfeitas, que o salário no fim do mês seja suficiente para dar vazão àquilo que elas entendem como um padrão de vida confortável.

Primeiro, a economia tem que crescer muito mais e o nível de renda tem que subir. O PIB [Produto Interno Bruto, soma de todos os bens e serviços produzidos no país] continua importando e muito.

E a renda tem que ser redistribuída. Quanto mais desigualdade, mais difícil é a gente chegar nesse ponto em que a maior parte da sociedade brasileira consiga se beneficiar desse crescimento.

E terceiro, tem toda uma agenda de serviços públicos, porque nem toda inclusão se dá com renda direta para as pessoas. Elas também podem gastar menos da sua renda com serviços privados, porque têm acesso a serviços públicos de maior qualidade. Um plano de saúde que deixa de ser necessário porque o SUS atende, ou uma educação privada que deixa de ser necessária porque o sistema de educação atende. Isso já libera muita margem para que as pessoas deem vazão às suas ambições e aspirações.

E um tempo menor no transporte público. Isso é uma mudança de qualidade de vida que também contribui para deixar as pessoas mais próximas de um padrão de vida que elas desejam.

  • Você cita a expansão dos serviços públicos como um dos itens dessa receita, como fazer isso num quadro de restrição fiscal, sem aumentar ainda mais os juros que alimentam a desigualdade?

Carvalho - A gente defende que seja dado sequência à agenda de tributação. E aí não é só sobre cobrar mais impostos progressivos, mas também sobre subsídios. Os gastos tributários, que hoje representam 6% do PIB, também contribuem para a desigualdade. São deduções que não estão perseguindo nenhuma agenda específica, que foram sendo expandidas por influência dos setores beneficiados.

  • Mas é possível abrir espaço fiscal só via tributos? Ou reformas estruturais também podem ser necessárias, como uma reforma administrativa?

Carvalho - Temos que continuar avançando em eficiência no gasto, nos serviços. Essa é uma agenda que temos visto nesse governo, com digitalização dos serviços. Para que um mesmo real gasto no sistema de saúde, no sistema de educação, atinja uma qualidade maior, atinja mais gente.

Agora, não me parece que a gente vai conseguir chegar num objetivo de serviço público de maior qualidade, achando que o grande inimigo do Orçamento são as pessoas que estão trabalhando na prestação desses serviços.

Tampouco acho que cortar benefício social [seja a solução], apesar de, claro, poder haver uma discussão sobre integração, sobre racionalização dos benefícios, que de fato são muitos, e são sobrepostos muitas vezes. Acho que isso é válido.

  • Você também tem citado como um dos fatores dessa frustração dos brasileiros, as gerações escolarizadas que não encontram empregos compatíveis. Por que isso está acontecendo? E como você vê o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho brasileiro nos próximos anos, isso pode agravar esse quadro?

Carvalho - O Brasil, nos primeiros ciclos de governos do PT, expandiu muito o nível educacional, deu acesso a [educação de] nível superior para filhos de famílias que nunca tiveram. Isso tanto pelo Fies, quanto pelo Prouni, quanto pela própria expansão das universidades federais.

Passamos a ter uma geração inteira de pessoas com diploma universitário que hoje procuram empregos num nível de qualificação maior do que os seus pais tinham. E os empregos que estamos gerando são de um salário mínimo e em setores de serviços de baixa qualificação.

Então, há um certo descompasso entre os empregos gerados e aqueles que as pessoas querem e têm qualificação para ter. Isso já vem sendo observado há algum tempo. Na última década, aumentou muito o percentual de pessoas que estão em empregos que requerem um nível educacional menor do que o que elas têm.

  • E como endereçar esse problema?

Carvalho - Isso vem sendo debatido ao redor do mundo e demanda um tipo de política que olhe para a estrutura produtiva, e [defina] quais são os setores onde nós vamos entrar e onde o Brasil tem competitividade.

Isso tem a ver com a agenda de desenvolvimento do país. É preciso olhar pela ótica do emprego, de maneira combinada a transição climática, soberania e vários outros objetivos que tem uma política industrial.

Também tem que olhar pelo lado da própria educação. Porque, às vezes, os diplomas que estão sendo dados não são compatíveis com a estrutura produtiva.

Então, [é preciso pensar] como você integra mais o Sistema S, as universidades, os institutos federais a essa estratégia. Para que as pessoas se eduquem também onde há oportunidades.

A questão da IA, claro, afeta isso tudo. Mas eu acho que ela não é o principal.

  • A professora Rosana Pinheiro Machado tem escrito sobre como a direita radical tem mobilizado essa nova classe trabalhadora plataformizada por meio das redes digitais, com discurso particularmente direcionado para os microempreendedores e trabalhadores informais. Na sua visão, é possível reconquistar esses trabalhadores para o campo democrático através de medidas econômicas?

Carvalho - Em alguns casos, esses são indivíduos que estão nesses trabalhos porque não têm outro, mas em muitos casos são pessoas que hoje valorizam algum grau de autonomia sobre o seu tempo. Até porque a sua alternativa seria estar numa escala 6x1, onde esse tempo não existe.

Então a própria escala 6x1 é uma agenda que ajuda. O outro lado é, claro, proteção. Então, como essas pessoas vão ter acesso a proteção social caso elas percam empregos. Acho que tem toda uma agenda de regulação do setor que faz sentido.

Mas, uma terceira parte, que eu acho que é pouco falada, é que esse setor depende muito de uma macroeconomia que vai bem. Quando a economia vai mal, os primeiros a sofrerem são esses trabalhadores que ou são precarizados, pois estão em empregos informais, ou são plataformizados.

É um setor muito dependente de PIB e de desemprego baixo. Então a forma de entregar uma melhora substantiva para esses trabalhadores é ter uma economia que cresce. Essa é a principal.

A gente precisa ter um ciclo de crescimento mais longo, mais robusto, com redistribuição de renda, para conseguir ver indicadores melhores de percepção das pessoas sobre a economia.

  • Você sempre esteve próxima dos governos petistas, mas nunca assumiu um cargo no Executivo. Tem esse desejo num eventual governo Lula 4?

Carvalho - Eu sou uma professora universitária, fico muito confortável na posição de analista da política econômica brasileira.

Estando fora, a gente contribui para essa compreensão, essa análise dos fenômenos, com diálogo permanente com aqueles que estão [dentro do governo] fazendo. Então, eu sempre fiquei muito confortável nessa posição.

Nesse momento, estou mais pensando em escrever um novo livro, como foi o Valsa Brasileira, que analise esse novo ciclo necessário de prosperidade econômica no país. Qual é essa agenda de prosperidade econômica que possa nos ajudar a superar esses desafios novos, com os limites todos. Como abrir as frestas necessárias para conseguir implementar e adotar essas agendas.

Então, isso é o que está mais na minha cabeça no momento.

 

Fonte: BBC News Brasil


Contradições entre universidade e setor produtivo

A relação entre a autonomia universitária e a sociedade civil (especialmente o setor produtivo como o comércio e a indústria) é um dos debates mais complexos na educação superior. Infelizmente, o mainstream das universidades tem se focado cada vez mais nesse segmento da sociedade ao longo dos anos, tornando invisível o serviço às classes menos favorecidas, mesmo que essa seja sempre a conversa fora dos campi no Brasil.

A autonomia universitária é frequentemente vista no Brasil como um escudo de isolamento; a garantia de que a academia deve ser independente de pressões externas. Mas essa visão confunde autonomia com soberania ou isolamento. A universidade não é o fim, mas uma autarquia social que só funciona se não estiver em conflito com a sociedade civil. É justamente nesse meio-termo que se encontra um dos debates mais acalorados da educação superior atual entre o comércio e a indústria e sua relação com a universidade.

Se, por um lado, a separação do mercado é uma causa de anacronismo e do desaparecimento da relevância prática, por outro lado, a adesão cega à lógica mercantilista pode transformar o conhecimento em algo como trabalho e patentes comerciais. Assim, a autonomia não deve ser vista como um obstáculo ao diálogo com o capital, mas sim como uma salvaguarda entre a universidade e o setor produtivo, não para ser usada por ele. Erga Omnes.

Mais de 95% de toda a produção científica e pesquisa de ponta no Brasil vem de universidades públicas (federais e estaduais). O setor privado puro (faculdades privadas) está mais preocupado com a educação de graduação, não com o novo conhecimento e a geração de conhecimento.

Nos rankings de patentes do INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), as universidades públicas dominam o top 10 de inovação no país, competindo com grandes empresas como a Petrobras. Universidades como a UFMG, UFCG (Campina Grande) e Unicamp são as que mais registram pedidos de patentes para novas tecnologias no país, e é uma evidência de que a indústria nacional deve depender das universidades para patentear tecnologia.

O Brasil gasta cerca de 1% do seu PIB em pesquisa e desenvolvimento (P&D). O setor empresarial responde por cerca de 30% a 35% do orçamento total de P&D e é baixo em relação a países como a Coreia do Sul ou os Estados Unidos, onde o setor empresarial gasta muito dinheiro em inovação.

Com o comércio e a indústria em vigor, a universidade não se torna obsoleta. O setor produtivo apresenta problemas sociais reais (a necessidade de transição energética ou novos tratamentos de saúde) e, assim, impulsiona a pesquisa aplicada. Mas o bem comum deve ser combatido contra a hegemonia do setor não acadêmico que sempre visa lucrar com seus lucros: esse é o modelo corporativo de produção.

Por outro lado, em um momento de crise fiscal e cortes orçamentários em fundos públicos (como no caso das agências CNPq e CAPES), fundos privados, contratos de transferência de tecnologia e doações corporativas são as respostas para financiar novos laboratórios e laboratórios estatais que não podem mais ser feitos sozinhos. A batalha não é mais por dólares públicos, mas sim pela perspectiva mercantilista e, assim, a Academia não está bem treinada em seu próprio jogo de xadrez, por assim dizer.

Quando os fundos públicos são escassos, encontrar recursos privados deixa de ser uma opção para expansão, mas é uma estratégia de sobrevivência. É aí que reside o perigo: a universidade não está indo para o mercado por escolha livre, mas por restrições orçamentárias. A luta política pelo financiamento público (que o Estado tem a obrigação de garantir) se transforma em uma competição entre empresas individuais por uma fatia do bolo.

Essa dinâmica destaca a ingenuidade de gestores e acadêmicos que pensam, no final, que a universidade pode ser convertida em uma corporação sem perder todo o seu DNA. Afinal, o capitalismo é baseado em métricas de eficiência que colidem com a realidade e a natureza da ciência: o mercado precisa de resultados de médio prazo, produtos comercializáveis e sigilo industrial para proteger patentes; a academia é baseada no longo prazo, tolerando o erro metodológico como uma das etapas do aprendizado e a troca aberta de conhecimento.

O direcionamento da autonomia universitária para o mercado não é um acidente de curso ou de gestão e não é apenas uma questão de pensamento estratégico, mas um processo de transformação real do trabalho intelectual em capital e do conhecimento em mercadorias.

A perda da autonomia universitária em nome dos interesses de mercado está no cerne da verdadeira transferência da produção intelectual para a lógica da acumulação capitalista. Em termos marxistas, a mudança da pesquisa pública para o financiamento corporativo move o conhecimento do valor de uso social para o valor de troca, e assim o conhecimento se torna uma mercadoria no processo.

Ao aceitar essa dinâmica, a universidade abdica da ciência básica (que é, a longo prazo, um problema teórico e desafia a velocidade de rotação do capital) e se afasta das humanidades e das artes. Estas últimas são intencionalmente excluídas do sistema na ausência de valor excedente imediato via patentes comercializáveis. Mas sua história é a construção do tecido cultural e crítico do país; as áreas que expõem as contradições do modo de produção atual e que, por essa razão, sabotam a reprodução ideológica das relações de dominação que o capital precisa para se perpetuar.

Por natureza de mercado, as empresas são impulsionadas para lucros de curto ou médio prazo. Mas se a universidade perde sua autonomia, perderá a pesquisa teórica que pode levar décadas para produzir um resultado prático, mas que é a base da pesquisa futura.

A autonomia didático-científica garante que você possa investigar. Se uma indústria farmacêutica financia 100% de um laboratório universitário, como garantir que os resultados da pesquisa sobre os efeitos colaterais de um medicamento sejam imparciais? A autonomia é a única coisa que sustenta a credibilidade do cientista. É o problema com sua missão central: a universidade deve responder ao cidadão, mas a empresa deve atender aos seus proprietários e ganhar dinheiro.

Permitir que o comércio e a indústria ditem quais cursos abrir ou fechar mina o dever social da educação superior e transforma a educação em uma questão de negócios. Essa subordinação gera uma espécie de “apagão formativo” em que profissões essenciais para o desenvolvimento soberano da nação são descartadas em nome da eficiência mercantilista, e a universidade é alijada da realidade da transformação social.

O erro é que a autonomia universitária é vista como isolamento ou apenas soberania corporativista. A autonomia em suas dimensões didático-científica, administrativa e financeira é, de fato, a própria condição de possibilidade para a instituição cumprir sua missão pública e salvaguardar seu compromisso social.

Diante das crescentes pressões políticas, econômicas e da avassaladora comercialização da educação, esses três pilares não se erguem como muros que separam a academia da sociedade, mas como garantias de liberdade acadêmica e pluralismo de ideias não apenas no papel, mas também na prática.

É essa proteção legal que protege a universidade de ser sugada pelo setor produtivo com base na responsabilidade pública, transparência e prestação de contas, em vez de uma submissão cega ao capital. Em outras palavras, a autonomia é o mecanismo para que a academia se envolva com o comércio e a indústria sem perder seu papel como espaço de inclusão, igualdade e desenvolvimento soberano da sociedade.

Em suma, a universidade está hoje em uma encruzilhada, lutando contra o valor de uso social do conhecimento e sendo transformada em mercadoria. Diante de restrições orçamentárias que empurram a academia para uma lógica mercantilista, a defesa da autonomia universitária não é mais uma afirmação corporativa, mas um ato de resistência política. Reafirmar o aspecto didático-científico, administrativo e financeiro da instituição (como estamos argumentando na discussão sobre a missão pública da universidade) é garantir que o conhecimento não se torne uma mercadoria e esteja enraizado no bem comum e na liberdade do conhecimento para ser acadêmico e na transformação das classes menos privilegiadas.

Pontes através do comércio e da indústria são viáveis e necessárias para o desenvolvimento tecnológico, mas somente serão democraticamente justificadas se a universidade mantiver o controle soberano de suas diretrizes.

A autonomia, portanto, é a única proteção para garantir que o templo do conhecimento não se torne um balcão de negócios, que a ciência, a cultura e a crítica continuem a servir à emancipação humana e não à reprodução cega do capital.

 

Fonte: Por Antonio Rosevaldo Ferreira da Silva, em A Terra é Redonda

 

Glicose alta não significa mais energia para treinar; especialistas explicam o que acontece a quem tem diabetes

O exercício físico é um dos pilares do tratamento do diabetes, mas praticá-lo com segurança exige mais do que escolher uma modalidade. O controle da glicose, a hidratação, o uso adequado da insulina e o planejamento da atividade influenciam diretamente o desempenho e ajudam a reduzir o risco de complicações.

O tema foi esclarescido no DiabetesCast pelo professor de Educação Física e fisiologista do exercício William Komatsu, que estuda diabetes há mais de 20 anos, e pela endocrinologista e pesquisadora Denise Franco. Durante a conversa, ambos reforçaram que o exercício físico faz parte do tratamento do diabetes e deve receber a mesma atenção dada aos medicamentos.

<><> Exercício físico é parte do tratamento do diabetes

Para Denise Franco, o exercício físico é um dos pilares do tratamento do diabetes. Além do controle glicêmico, ele contribui para a saúde cardiovascular, preservação da massa muscular e melhora da qualidade de vida.

A endocrinologista lembra que existe uma diferença entre atividade física e exercício físico. Qualquer movimento corporal que aumente o gasto energético é considerado atividade física. Caminhar até o trabalho, subir escadas, passear com o cachorro ou lavar a louça são alguns exemplos.

Já o exercício físico é planejado, estruturado e realizado com um objetivo específico. Segundo William Komatsu, essa diferença é importante porque o exercício deve ser encarado como uma prescrição.

“Ele tem indicação, contraindicação, efeitos esperados e precisa ser individualizado. É como um medicamento”, explica o fisiologista.

Por isso, os especialistas defendem que a recomendação do exercício esteja registrada na própria receita médica. Mais do que orientar o paciente a “fazer caminhada”, é importante definir frequência, intensidade, duração e modalidade mais adequada para cada pessoa.

<><> Diagnóstico não deve afastar a prática de exercícios

Muitas pessoas reduzem ou até interrompem a prática de exercícios após receberem o diagnóstico de diabetes por medo de episódios de hipoglicemia ou por não saberem como agir diante das alterações da glicose.

Segundo Denise Franco, esse comportamento é comum, mas o caminho não deve ser evitar o exercício. O ideal é receber orientação adequada para praticá-lo com segurança.

William Komatsu reforça que o exercício deve ser incorporado desde o início do tratamento. Para ele, da mesma forma que uma pessoa inicia o uso de medicamentos após o diagnóstico, também deveria iniciar um programa de exercícios físicos individualizado.

Os especialistas destacam que o movimento não deve ser encarado apenas como estratégia para emagrecimento ou estética. O exercício faz parte do tratamento e precisa ser valorizado por profissionais de saúde e pacientes.

<><> Crianças e adolescentes também precisam se movimentar

O receio de uma hipoglicemia faz muitos pais limitarem as brincadeiras das crianças com diabetes. No entanto, William Komatsu afirma que essa proteção excessiva pode trazer consequências.

Durante seu mestrado, ele avaliou adolescentes com e sem diabetes e observou que aqueles com diabetes apresentavam menor condicionamento físico. Segundo o pesquisador, isso acontecia porque eram menos ativos no dia a dia.

Enquanto muitas crianças sem diabetes brincavam constantemente, as que conviviam com a condição permaneciam mais tempo paradas devido ao receio dos familiares.

Para o especialista, crianças precisam brincar, correr e participar das atividades próprias da idade. A orientação é que os cuidados estejam voltados para o monitoramento da glicemia e não para impedir o movimento.

Já entre adolescentes, a recomendação é incentivar modalidades com as quais eles tenham maior afinidade. A musculação, por exemplo, pode ser realizada desde que haja orientação adequada de um profissional de Educação Física.

William também lembra que não existem evidências científicas que sustentem a ideia de que a musculação prejudica o crescimento quando realizada de forma correta e supervisionada.

<><> 5 cuidados para melhorar o desempenho no exercício quando se convive com diabetes

•        Monitore a glicose antes de iniciar o exercício: oresultado ajuda a decidir se é necessário ajustar a alimentação, a insulina ou até adiar a atividade.

•        Pratique um exercício planejado e orientado: além da atividade física do dia a dia, um programa individualizado faz parte do tratamento do diabetes.

•        Mantenha uma boa hidratação: água e eletrólitos também influenciam o desempenho durante o exercício, não apenas a glicose.

•        Evite pensar que glicose alta significa mais energia: a hiperglicemia pode prejudicar a resposta do organismo durante a atividade física, principalmente quando há falta de insulina ou desidratação.

•        Durma bem e mantenha uma rotina regular de treinos: a qualidade do sono e a frequência do exercício ajudam no desempenho físico e favorecem o controle da glicose.

#### Carboidratos: entenda como eles podem ajudar ou atrapalhar o controle da glicose de quem tem diabetes

Quem convive com diabetes costuma ouvir que precisa evitar carboidratos. No entanto, essa orientação não está correta quando analisada de forma ampla. Segundo informações da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), os carboidratos são a principal fonte de energia do organismo e também fornecem o combustível necessário para o funcionamento do cérebro. O que faz diferença para o controle da glicose é o tipo de carboidrato consumido, o grau de processamento dos alimentos e a quantidade ingerida.

<><> O que são carboidratos e por que eles são importantes

Os carboidratos estão presentes principalmente em alimentos de origem vegetal. Depois de consumidos, eles são rapidamente transformados em glicose pelo organismo, com exceção das fibras.

A glicose é utilizada como fonte de energia para manter as funções do corpo e do cérebro. Por isso, os carboidratos fazem parte de uma alimentação equilibrada, inclusive para pessoas com diabetes.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, a classificação mais adequada divide os carboidratos em três grupos: açúcares, amidos e fibras. Essa forma de classificação substitui os termos “carboidratos simples” e “carboidratos complexos”.

<><> Açúcares incluem alimentos naturais e produtos industrializados

Entre os açúcares, os principais são sacarose, frutose e lactose. A sacarose corresponde ao açúcar obtido da cana-de-açúcar, tanto na versão branca quanto na mascava. A frutose está presente naturalmente nas frutas e no mel.

Já a lactose é encontrada no leite de vaca e de outros mamíferos. Embora seja um derivado do leite, o queijo contém pouca ou nenhuma lactose.

Nos alimentos industrializados, o açúcar pode aparecer com diferentes nomes no rótulo. Entre eles estão açúcar invertido, frutose, xarope de glicose e xarope de milho.

Segundo a SBD, esses xaropes podem ser mais prejudiciais à saúde porque apresentam concentrações maiores de glicose e frutose do que fontes tradicionais, como o açúcar da cana e o mel.

Outro produto encontrado no mercado é o xarope de agave. Ele é extraído de uma planta cultivada principalmente no México e tem a frutose como principal componente.

<><> Amidos estão presentes em alimentos consumidos diariamente

Os amidos são formados por amilose e amilopectina. Durante a digestão, essas substâncias são quebradas por enzimas e transformadas em glicose.

Eles estão presentes em diversos alimentos consumidos no dia a dia, como arroz, milho, trigo, aveia, centeio, cevada e farinhas de trigo, mandioca e milho.

Também fazem parte desse grupo tubérculos e raízes, como batata, batata-doce, mandioca, mandioquinha, inhame e cará.

Além disso, os amidos estão presentes nas leguminosas, incluindo feijão, ervilha, lentilha, grão-de-bico e soja.

<><> Amido resistente pode elevar menos a glicemia

Existe um tipo de amido conhecido como amido resistente. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, ele é menos digerido pelas enzimas do organismo e, por isso, tende a ser menos absorvido. Como consequência, seu consumo costuma provocar menor elevação da glicemia.

Esse tipo de amido está presente principalmente nas leguminosas e na banana verde.

<><> Fibras ajudam no controle da glicose e da saúde intestinal

As fibras também pertencem ao grupo dos carboidratos. No entanto, elas não são digeridas pelo organismo e são eliminadas nas fezes.

Essa característica contribui para o funcionamento do intestino e também traz benefícios para o controle da glicemia e dos lipídios sanguíneos, como colesterol e triglicerídeos.

As fibras são encontradas apenas em alimentos de origem vegetal, incluindo frutas, verduras, legumes, cereais integrais, feijões, sementes e castanhas.

Entre os exemplos estão arroz integral, pão integral, aveia, milho em grão e diferentes tipos de feijão.

Além das fibras, esses alimentos fornecem vitaminas, minerais e outros nutrientes importantes para a manutenção da saúde.

<><> Qual é a recomendação diária de fibras

A Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda a ingestão de 20 a 50 gramas de fibras por dia. Essa recomendação é a mesma indicada para a população em geral.

No entanto, a entidade destaca que o consumo habitual de fibras pelos brasileiros permanece abaixo desse valor. Por isso, aumentar a ingestão diária de alimentos ricos em fibras deve ser uma prioridade para toda a população.

<>< Quem tem diabetes pode consumir alimentos com carboidratos?

Sim. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, os alimentos que contêm carboidratos devem fazer parte da alimentação das pessoas com diabetes.

A orientação é priorizar alimentos integrais, menos processados e menos refinados. Esses alimentos oferecem mais nutrientes e podem contribuir para uma alimentação mais equilibrada.

<><> O excesso de carboidratos pode prejudicar o controle da glicose

O problema não está apenas na presença dos carboidratos na alimentação, mas também na qualidade dos alimentos consumidos.

De acordo com a SBD, o consumo excessivo de alimentos ricos em açúcares e gorduras, com baixo teor de fibras, pode favorecer a piora da glicemia.

Esse grupo inclui doces, bebidas açucaradas, fast food e outros produtos com alto grau de processamento.

Além da elevação da glicose, esse padrão alimentar pode aumentar os níveis de triglicerídeos e favorecer o ganho de peso.

 

Fonte:Um Diabético