sábado, 4 de julho de 2026

A dívida pública como alavanca do capitalismo

A trajetória histórica da dívida pública caracteriza o capitalismo como um sistema nascido, não da ação automática e natural de forças econômicas, mas da ação extraeconômica da força concentrada do Estado. Karl Marx qualificou a dívida pública como “o credo do capital”. Vejamos, pois, em linhas gerais, a trajetória desse Deus Padre. As pessoas nascem e morrem e as empresas podem falir.

O Estado, por muitas dificuldades financeiras que tenha, não vai à falência, não “fecha”, pois tem sempre como suporte, suscetível de saque, o patrimônio e os rendimentos da população. Um contrato em que o Estado figura como devedor é perfeito para os credores: o domínio ou a influência do capital garante condições favoráveis aos credores (com maior ou menor envolvimento da corrupção estatal):

“A dívida do Estado, isto é, a alienação do Estado – despótico, constitucional ou republicano – imprime sua marca sobre a era capitalista. A única parte da chamada riqueza nacional que realmente entra na posse coletiva dos povos modernos é sua dívida de Estado”.

A constituição de um sistema de dívida pública, cujas origens estão em Gênova e Veneza no século XIV (em Gênova, a Casa di San Giorgio era uma instituição privada dirigida por banqueiros que controlava as finanças públicas da cidade-estado, ou seja, controlava a dívida pública) acompanhou cada fase do surgimento do modo de produção capitalista, até este atingir sua moderna fase imperialista. O mercantilismo foi o conjunto de políticas prévias necessárias à emergência do domínio geral do capital. Marcando essa fase de transição, era um conjunto de teorias econômicas aplicadas pelo Estado num momento ou outro, num esforço para conseguir riqueza e poder.

O mercantilismo era também um sistema político baseado na defesa do comércio com fins lucrativos, embora as mercadorias fossem ainda produzidas com base em um modo de produção ainda não capitalista; o bulionismo (do inglês bullion: ouro em pequenos lingotes; ou também metalismo, teoria econômica que quantificava a riqueza através da quantidade de metais preciosos possuídos) salientava a importância de acumular metais preciosos.

Nas cidades-estados italianas o capital comercial e o capital bancário se expandiram com o advento das sociedades por ações, das letras de câmbio e da escrita contável em duas colunas, nascida no século XV; a dívida pública aumentou também os recursos do Estado e as possibilidades de investimento para os cidadãos com rendimentos acima das necessidades imediatas de sobrevivência.

Como essas características se imbricaram com o nascimento de um novo modo de produção? Giovanni Arrighi identificou quatro ciclos sistêmicos mundiais de acumulação de capital. O primeiro foi o das cidades de Gênova e Veneza (séculos XV a XVII), o segundo foi o holandês (séculos XVI a XVIII), o terceiro foi o britânico (séculos XVIII a XX) e o quarto o norte-americano (de finais do século XIX até os dias de hoje).

Nas primeiras fases, o protecionismo se converteu em um meio artificial de fabricar fabricantes, de expropriar trabalhadores independentes, de capitalizar os meios de produção e de subsistência, de abreviar pela violência a transição entre o modo de produção antigo e o moderno. Os mercantilistas argumentavam que o Estado devia exportar mais bens do que importava, para que os estrangeiros tivessem que pagar a diferença em metais preciosos: somente matérias primas que não pudessem ser extraídas no próprio país deveriam ser importadas.

O mercantilismo promovia subsídios e concessão de monopólios comerciais a grupos de empreendedores, assim como tarifas protecionistas, para incentivar a produção nacional de bens manufaturados. Os empresários europeus, apoiados por controles, subsídios e monopólios estatais, realizavam a maior parte de seus lucros a partir da compra e venda de mercadorias. Segundo Francis Bacon, o objetivo do mercantilismo era “a abertura e o equilíbrio do comércio, o apreço dos fabricantes, o banimento da ociosidade, a repressão dos resíduos e excesso de leis, a melhora e administração do solo; a regulamentação dos preços”.

No período mercantilista, o nascente Estado substituiu as corporações locais como regulador da economia. Joseph Schumpeter reduziu as proposições mercantilistas a três preocupações principais: controle do câmbio, monopólio de exportação e saldo da balança comercial. Esses processos tiveram por palco fundamental a Europa ocidental que foi, por isso, o centro histórico da acumulação capitalista primitiva e, depois, o ponto de irradiação mundial do novo modo de produção.

Um abalo decisivo se deu com o afluxo de metais preciosos provenientes das recém descobertas Américas Na Europa, com a “revolução dos preços” do século XVI, só os que viviam de rendas fixas e apenas compravam, arruinaram-se (basicamente a aristocracia). O Estado teve que criar outras formas de arrecadação (venda de títulos da dívida pública, e a venda de cargos e títulos de nobreza, que antes eram monopolizados pela nobreza de nascimento). A entrada de metais preciosos na Europa “desencadeou a crise dos preços do século XVI, e salvou a Europa de uma nova Idade Média, permitindo a reconstituição de seu estoque metálico”.

Ele desencadeou bem mais do que isso, pois antecipou o clima de uma nova sociedade, por meio do “espanto desses homens ao longo de um século que começa antes de 1500 e durante o qual os preços não param de subir. Tiveram a impressão de viver uma experiência sem precedente. Aos bons velhos tempos em que tudo se dava por nada sucedeu o tempo desumano das carestias que não mais retrocediam”.

A crise suscitada pela “revolução dos preços” (que quadriplicaram na Europa, ao longo do século XVI) contribuiu, com a inflação, para a ruína de inúmeros artesãos ou pequenos proprietários, determinando o aparecimento de trabalhadores livres, despossuídos de qualquer propriedade a não ser a sua força de trabalho. O total de ouro circulante na Europa entre 1500 e 1650 passou de cinco mil para 180 mil toneladas, e a prata de 16 mil para 60 mil toneladas.

Parte importante desviou-se para importações de mercadorias do Oriente, mas outra parte alimentou o orçamento dos Estados que o despenderam em exércitos e armadas, emprestando dos banqueiros e criando o déficit fiscal (dívida pública) como regra. O aumento da dívida pública e dos preços das mercadorias caracterizou a Europa do século XVII. Em 1694, em apoio ao sistema de dívida pública, foi criado o Banco da Inglaterra, que concedia créditos ao Estado, detendo o monopólio de emissão de moeda escritural (fiduciária) na região londrina e controlando financeiramente os bancos de outras regiões, agindo como um poderoso fator de unidade do mercado nacional.

Nesse quadro, parte do processo de acumulação originária se realizou através da transformação dos senhores feudais em proprietários burgueses; houve um compromisso entre os setores burgueses e os setores aristocráticos da sociedade inglesa. A aristocracia foi ficando com os cargos sem transcendência do novo regime, crescentemente burguês.

A condição de existência do modo de produção capitalista foi a separação de duas classes de possuidores de mercadorias: os donos de meios de produção (matérias primas, ferramentas ou máquinas, propriedades fundiárias próprias ou alugadas) e os trabalhadores cuja única mercadoria era sua força de trabalho (a capacidade física e intelectual de transformar matérias primas em produtos-mercadorias mediante o esforço físico e mental).

Nas palavras de Karl Marx:

“A relação de capital pressupõe uma separação completa entre os trabalhadores e a propriedade das condições para a realização do trabalho… O processo que cria a relação de capital nada pode ser senão o processo que divide o trabalhador da propriedade das condições de seu próprio trabalho; é um processo que opera duas transformações, segundo as quais os meios sociais de subsistência e de produção são transformados em capital e os produtores imediatos são transformados em trabalhadores assalariados”.

A compra e venda da força de trabalho, característica do capitalismo, dependia da separação do trabalhador dos meios de produção. Desse modo, o trabalhador é “livre no duplo sentido de que ele dispõe, como pessoa livre, de sua força de trabalho como mercadoria, e de que ele, por outro lado, não tem outras mercadorias para vender, solto e solteiro, livre de todas as coisas necessárias à realização de sua força de trabalho”.

A troca entre capital e trabalho assalariado pressupõe “a distribuição dos elementos da própria produção, os fatores materiais que estão concentrados de um lado, e a força de trabalho isolada, de outro”. A acumulação originária de capital se processou mediante a formação do polo proletário e do polo burguês da sociedade. O Estado exerceu um papel central através do sistema colonial, da dívida pública, do moderno sistema impositivo e do sistema protecionista.

A dívida pública, instrumento de concentração de capital monetário, fez da burguesia financeira uma classe poderosa: ela se respaldava nas receitas do Estado, que precisam cobrir os juros e demais pagamentos anuais; desse modo, o moderno sistema tributário tornou-se um complemento do sistema de empréstimos nacionais.

A continuidade do fluxo financeiro imanente à punção fiscal configurava uma situação econômica única. Os detentores do controle da dívida pública se transformaram nos personagens mais poderosos de seu tempo. Jacob Fugger de Augsburgo (1459-1525) foi seu símbolo personificado.

Ele converteu o negócio familiar herdado de seu pai na banca mais potente de Europa, dominando o comércio de prata do Tirol e de cobre da Hungria. Conselheiro imperial sob Maximiliano I, foi ele (seu dinheiro) o verdadeiro eleitor por trás de Carlos V de Espanha e do Sacro Império, o monarca do império “onde o sol nunca se punha”, de quem também foi conselheiro (chegando a lhe lembrar, em carta pessoal, que devia seu lugar no trono ao seu dinheiro). Seus ganhos monetários foram de 50% anuais, sobre um capital em progressão geométrica, ao longo de três décadas.

Seu primeiro investimento ascendeu a 17.500 florins-ouro; ao morrer, sua companhia possuía um capital de dois milhões de florins (o melhor artesão alemão recebia, à época, 30 florins anuais). O capital monetário já estava à espera de se apropriar da esfera da produção: essa concentração de capital oriundo do comércio e da finança não teve paralelo em nenhuma outra economia comercial do mundo.

O poder, o exército e o dinheiro: ao redor desses elementos surgiu o Estado Absolutista que modelou Europa, unificando territórios, língua e religião com o uso da coerção, do consenso e da corrupção. A dívida pública, instrumento de concentração de capital monetário, fez da burguesia financeira europeia uma classe poderosa: ela se respaldava nas receitas do Estado, que precisam cobrir os juros e demais pagamentos anuais.

Elencando a sucessão dos países cujo domínio econômico, político e militar criou as bases do mercado mundial (Veneza-Gênova-Pisa, Espanha, Portugal, Holanda, França, Inglaterra), Marx identificou o caráter da acumulação de capital em cada fase histórica da era burguesa: cada domínio resumia o caráter de uma época.

Inglaterra, no final do século XVII, mostrou uma combinação sistemática de todas as características dos impérios precedentes: colonialismo, economia estatal baseada na dívida pública, arrecadação fiscal moderna, crédito internacional e protecionismo alfandegário. O sistema colonial americano fez prosperar como nunca o comércio e a navegação mundiais. No período manufatureiro a supremacia comercial era a que proporcionava o predomínio industrial, antes da indústria capitalista se transformar na mola propulsora do comércio internacional.

A dívida pública apoderou-se de toda a Europa durante o período de sua expansão colonial: ela tornou-se, nesse período, no “credo do capital” (“Ela infunde força criadora no dinheiro improdutivo e o transforma, assim, em capital, sem que, para isso, tenha que se expor aos esforços e riscos inseparáveis da aplicação industrial e mesmo usurária”):

“O sistema colonial, com seu comércio marítimo e suas guerras comerciais, serviu-lhe de incubadora. Assim, ele se consolidou primeiramente na Holanda. A dívida pública, isto é, a alienação do Estado – despótico, constitucional ou republicano – imprime sua marca sobre a era capitalista. A única parte da assim chamada riqueza nacional que realmente integra a posse coletiva dos povos modernos é sua dívida pública. Daí que seja inteiramente coerente a doutrina moderna segundo a qual um povo se torna mais rico quanto mais se endivida. O crédito público se torna o credo do capital. E ao surgir o endividamento do Estado, o pecado contra o Espírito Santo, para o qual não há perdão, cede seu lugar para a falta de fé na dívida pública”.

Essa dívida converteu-se em uma das alavancas mais poderosas da acumulação capitalista, pois criou uma classe de capitalistas ociosos; enriqueceu, de improviso, os agentes financeiros que serviam de intermediários entre o governo e a nação, e deu origem ao sistema internacional de crédito.

Nas diversas etapas do sistema colonial, só na última o colonialismo se configurou definitivamente como alicerce orgânico do capitalismo metropolitano: “As diversas etapas da acumulação originária têm seu centro, por ordem cronológica, na Espanha, Portugal, Holanda, França e Inglaterra. É aí, na Inglaterra, onde em finais do século XVII se resumem e sintetizam sistematicamente, no sistema colonial, o sistema da dívida pública, o moderno sistema tributário e o sistema protecionista”.

O desenvolvimento do capitalismo industrial permitiu à Inglaterra transformar-se na principal potência marítima: o poder naval foi a plataforma de lançamento do seu império colonial e o elemento que lhe permitiu desagregar os sistemas coloniais de seus adversários.

Mas a superioridade fundamental da Inglaterra residia nas transformações que estavam se operando em sua estrutura produtiva, articulando sua expansão internacional com o processo de acumulação de capital. O sistema colonial inglês não só foi importante como forma de acumulação de capital-dinheiro, mas também como periferia orgânica do crescimento industrial.

Durante os séculos XVI e XVII a expansão comercial holandesa tinha ainda as características clássicas de expansão mercantil (comprar barato para vender caro) e se especializava nos exóticos produtos tropicais. A expansão inglesa, diversamente, incorporava suas colônias como apêndice aprovisionador de matérias primas (algodão, sobretudo) e, depois, como mercado protegido para sua produção manufatureira. Na medida em que a indústria inglesa ia deitando raízes na metrópole, o monopólio colonial perdia importância como via de acumulação originária e se transformava em seu obstáculo.

A acumulação capitalista deslocou do núcleo gerador de capital, levando-o para a esfera da produção, para a indústria. Através da Revolução Industrial chegou-se finalmente ao “sistema capitalista”: com ela surgiram como figuras dominantes da vida econômica o capital e o trabalho assalariado. Ela foi responsável pela separação completa entre capital e trabalho, pela consolidação do trabalho assalariado, pelo controle da burguesia capitalista sobre a produção e pela formação de uma nova classe social, o proletariado.

A acumulação primitiva foi substituída pela acumulação de capital ou “reprodução ampliada”. David Hume e seu discípulo Adam Smith, em meados do século XVIII, desafiaram as doutrinas mercantilistas; a crença, por exemplo, de que o montante da riqueza mundial permanecia constante e que um Estado só podia aumentar a sua riqueza em detrimento de outro Estado. A riqueza geral podia também crescer de modo constante, e até ilimitado.

Com o advento da burguesia industrial rompeu-se a unidade orgânica de política e economia: a classe capitalista industrial passou a dirigir efetivamente o processo produtivo e a atividade econômica, organizando a divisão do trabalho na fábrica e gerindo sua empresa no âmbito da divisão do trabalho. A extração do excedente revestiu-se de natureza puramente econômica; a burguesia industrial possui os meios de produção e dirige diretamente o processo produtivo. No entanto, diversamente da antiga nobreza, ela não geria diretamente o Estado.

Com as transformações na esfera produtiva, o mercantilismo cedeu seu lugar ao capitalismo de predominância industrial que integrou no seu processo a terra, o comércio, a tecnologia e o trabalho sob a forma de salariato. A tecnologia passou a se basear na mecanização e na utilização de novos materiais e novas fontes de energia (carvão, vapor) integradas ao sistema fabril. O capitalismo se apropriou da esfera da produção mediante a transformação dos meios de produção em capital.

Seu deslanche teve lugar na Inglaterra, onde, sob as penúrias impostas pelo bloqueio continental francês e a enorme dívida pública, através de crises políticas entre aristocracia, burguesia agrária e burguesia industrial, e de ampliações do colégio eleitoral, a indústria inglesa se impôs, transformando o país na fábrica do mundo: “Sem subestimar a contribuição determinante dada pelo protecionismo estatal direto e indireto, especialmente na época mercantilista, é certo que a decolagem definitiva do capitalismo aconteceu em concomitância com a chamada Revolução Industrial. Ela se iniciou primeiramente na Inglaterra na segunda metade do século XVIII, na França e nos EUA a partir dos primeiros decênios do século XIX, e somente na segunda metade do mesmo século na Alemanha”.

A dívida pública continuou onipresente. No século XIX, na França pós-revolucionária, os financistas estavam representados no governo de Luís Filipe, uma vez que o próprio monarca era oriundo deles. Apoiado por banqueiros como Casimire Pérère (ex discípulo de Saint-Simon e homem bem sucedido nos empreendimentos financeiros), a nova monarquia conseguiu impor um clima de paz e “prosperidade”, baseada no endividamento do Estado, de interesse direto da fração da burguesia que governava e legislava através das Câmaras: o saque das finanças estatais era o objeto da especulação financeira e a fonte de seus lucros crescentes.

As despesas estatais anuais com a dívida pública ascendiam a 400 milhões de francos, num país em que as exportações anuais não superavam 750 milhões de francos. Sob essas condições progredia o capitalismo no continente europeu: “A adoção da estrada de ferro evidenciou o impacto da Revolução Industrial inglesa no continente, com um efeito ainda mais revolucionário do que no país de origem. Mas os trens exigiam grande quantidade de capital. Estes, por sua vez, não estavam disponíveis em quantidade suficiente, ou os potenciais investidores se negavam a investir sem garantias de lucro que só o Estado poderia proporcionar. Na maior arte dos casos, por isso, o desenvolvimento das estradas de ferro na Europa teve lugar sob os auspícios do Estado e exigiu a cooperação de financeiros e banqueiros internacionais”.

 

Fonte: Por Osvaldo Coggiola, em A Terra é Redonda

 

Eles não têm medo do Pix. Têm medo do futuro que ele inaugura

Durante os últimos cinco anos, o debate sobre o Pix foi conduzido pela pergunta errada. Economistas discutiram custos de transação, bancos analisaram perdas de receitas, empresas de tecnologia buscaram adaptar seus modelos de negócio e governos estrangeiros passaram a observar, com crescente atenção, o sucesso do sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. Todos esses movimentos são importantes, mas permanecem na superfície do fenômeno. O Pix nunca foi apenas um sistema de pagamentos. Essa talvez seja a maior ilusão produzida pelo próprio sucesso da ferramenta.

A reação dos Estados Unidos ajuda a revelar essa dimensão invisível. Se o Pix fosse apenas um mecanismo mais rápido para transferir dinheiro, dificilmente teria sido incorporado a uma investigação comercial conduzida pelo USTR, o escritório responsável pela política de comércio exterior norte-americana. Nenhuma potência mobiliza sua estrutura de política comercial contra uma simples inovação tecnológica. O que entrou em disputa não foi um aplicativo brasileiro. Foi algo muito mais profundo: a possibilidade de um Estado nacional construir uma infraestrutura pública capaz de reorganizar a circulação do dinheiro fora da lógica tradicional dos intermediários privados que dominaram esse mercado durante décadas.

Essa é a razão pela qual interpretar o Pix apenas como um instrumento financeiro significa reduzir um fenômeno histórico a uma inovação operacional. O que está em jogo não é apenas a velocidade de uma transferência bancária. É a arquitetura institucional que sustenta essa transferência. Pela primeira vez, um país do Sul Global demonstrou, em escala nacional, que pagamentos instantâneos, interoperáveis, seguros e de baixo custo podem ser organizados como infraestrutura pública, administrada por uma autoridade monetária e aberta à atuação de todo o sistema financeiro. O ativo estratégico brasileiro não foi apenas criar uma tecnologia eficiente. Foi demonstrar que existe uma forma alternativa de organizar um dos fluxos mais importantes da economia contemporânea: a circulação do dinheiro.

Essa mudança de perspectiva obriga a abandonar outra interpretação igualmente limitada. A disputa em torno do Pix não é, essencialmente, um conflito entre Brasil e Estados Unidos. Tampouco se resume à concorrência entre bancos, empresas de cartão ou plataformas digitais. O que começa a emergir é um confronto entre dois modelos distintos de organização econômica. De um lado, uma arquitetura baseada em infraestruturas privadas, nas quais a circulação do dinheiro depende de redes controladas por grandes intermediários financeiros. De outro, uma infraestrutura pública que preserva a competição entre empresas, mas desloca para o Estado a responsabilidade pelos trilhos sobre os quais essa competição acontece.

Talvez seja exatamente por isso que o debate internacional tenha mudado tão rapidamente. O mundo começa a perceber que a grande disputa do século XXI pode não ocorrer apenas em torno das moedas, das tarifas comerciais ou das taxas de juros. Ela passa, cada vez mais, pelo controle das infraestruturas que organizam os fluxos essenciais da economia. Dados, energia, semicondutores, inteligência artificial, logística, identidade digital e sistemas de pagamento deixaram de ser apenas tecnologias ou mercados específicos. Tornaram-se estruturas permanentes de poder. O Pix surge exatamente nesse ponto de inflexão histórica.

É por isso que a pergunta decisiva deste artigo não é como funciona o Pix. A pergunta é muito maior: por que um sistema público de pagamentos criado no Brasil passou a incomodar a maior potência econômica do planeta? A resposta revela uma transformação muito mais profunda do que parece. O que está nascendo diante dos nossos olhos não é apenas uma nova tecnologia financeira. Pode ser o início de uma nova arquitetura da circulação econômica mundial.

•        O nascimento da primeira infraestrutura pública financeira do Sul Global

Toda grande infraestrutura nasce para resolver um problema imediato, mas apenas algumas acabam transformando a própria lógica da sociedade. As ferrovias surgiram para transportar mercadorias, mas reorganizaram a geografia econômica do século XIX. A eletricidade foi concebida para iluminar cidades, mas redefiniu a indústria, a produtividade e o cotidiano humano. A internet nasceu como um projeto militar e científico, mas tornou-se a espinha dorsal da economia digital. O Pix pertence a essa mesma categoria de transformações. Foi criado para modernizar pagamentos, mas acabou revelando uma nova forma de organizar a circulação do dinheiro.

Quando o Banco Central iniciou o projeto, o objetivo parecia relativamente simples: reduzir custos, ampliar a concorrência, acelerar transferências e diminuir a dependência de instrumentos lentos e caros, como TED, DOC e boletos. O sistema financeiro brasileiro permanecia altamente concentrado, as transferências eletrônicas tinham horários limitados, tarifas elevadas e forte dependência dos grandes bancos. A solução concebida pela autoridade monetária rompeu com essa lógica ao criar uma infraestrutura única, interoperável, aberta e disponível vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, sob governança pública. A inovação não estava apenas na velocidade das operações. Estava na arquitetura institucional que permitia que qualquer instituição autorizada operasse sobre a mesma infraestrutura, obedecendo a regras comuns e padronizadas.

O resultado superou qualquer expectativa inicial. Em poucos anos, o Pix tornou-se o principal instrumento de pagamentos do país, movimentando dezenas de trilhões de reais por ano e realizando dezenas de bilhões de transações, ultrapassando cartões, TEDs, DOCs e diversos outros meios de pagamento em volume de operações. Mais importante do que os números foi o comportamento social produzido por eles. Pequenos comerciantes passaram a receber instantaneamente. Trabalhadores informais reduziram custos. Microempreendedores ganharam liquidez. Empresas diminuíram despesas financeiras. Consumidores passaram a realizar pagamentos em segundos, a qualquer hora do dia. O dinheiro deixou de esperar pelo funcionamento do sistema bancário tradicional. Pela primeira vez, a infraestrutura passou a se adaptar à dinâmica da sociedade, e não o contrário.

Foi justamente nesse momento que o fenômeno deixou de ser brasileiro. O Banco de Compensações Internacionais, o Banco Mundial e outros organismos multilaterais passaram a estudar o Pix como uma das experiências mais bem-sucedidas do mundo em pagamentos instantâneos. Não se tratava apenas de reconhecer uma inovação tecnológica, mas de compreender um modelo institucional capaz de combinar eficiência econômica, inclusão financeira, concorrência e governança pública. O Brasil deixou de importar soluções financeiras para tornar-se referência internacional em infraestrutura de pagamentos. Essa inversão de fluxo possui enorme significado histórico. Durante séculos, países do Sul Global foram consumidores de tecnologias, protocolos e modelos concebidos nas economias centrais. O Pix representa uma das primeiras ocasiões em que uma arquitetura institucional desenvolvida na periferia do sistema passa a ser observada como referência pelos próprios centros de poder econômico.

É precisamente nesse ponto que reside sua maior inovação. O verdadeiro produto brasileiro nunca foi o software que processa pagamentos instantâneos. Softwares podem ser copiados. Algoritmos podem ser reproduzidos. O ativo estratégico criado pelo Brasil foi outro: um modelo de governança capaz de transformar uma infraestrutura financeira em bem público, preservando a competição privada sobre bases comuns. Essa distinção parece sutil, mas altera completamente a natureza da discussão. O Pix não substitui bancos, fintechs ou empresas de tecnologia. Ele redefine o terreno sobre o qual todas elas competem. Em vez de privatizar a infraestrutura, o modelo brasileiro socializa os trilhos e estimula a inovação nos serviços construídos sobre eles.

É justamente essa característica que transforma o Pix em algo muito maior do que um sistema de pagamentos. Pela primeira vez, um país do Sul Global demonstrou que também pode exportar instituições, protocolos e modelos de governança, e não apenas produtos primários ou mão de obra barata. Essa talvez seja sua contribuição histórica mais importante. O mundo não começou a olhar para o Brasil porque desenvolvemos um aplicativo eficiente. Começou a olhar porque demonstramos que existe outra maneira de organizar uma infraestrutura essencial da economia contemporânea. E é exatamente essa possibilidade que explica por que o Pix deixou de ser um assunto bancário para tornar-se uma questão de geopolítica.

<><> O século XXI deixou de disputar moedas. Agora disputa infraestruturas.

Durante grande parte do século XX, a geopolítica foi interpretada a partir da disputa pelos recursos materiais e pelos instrumentos tradicionais de poder econômico. A industrialização definia a capacidade produtiva dos Estados. O controle das cadeias energéticas determinava sua autonomia estratégica. O sistema financeiro internacional organizava a circulação do capital, enquanto o dólar consolidava-se como principal moeda de reserva e liquidação global. Essa arquitetura produziu a ordem econômica que conhecemos. Mas a dinâmica tecnológica das últimas décadas começou a deslocar lentamente o centro de gravidade desse sistema.

O poder continua dependendo da indústria, da capacidade financeira e das moedas. Nada disso desapareceu. O que mudou foi a emergência de uma nova camada estrutural. Cada vez mais, o poder passa a depender também das infraestruturas que organizam a circulação desses ativos. Não basta produzir riqueza. Torna-se decisivo controlar os trilhos pelos quais riqueza, dados, energia, conhecimento, mercadorias, inteligência artificial, identidade digital e dinheiro circulam. A disputa geopolítica deixa de ocorrer apenas sobre os recursos e passa a envolver a arquitetura invisível que torna possível sua circulação.

Essa mudança pode ser observada em praticamente todos os grandes conflitos contemporâneos. Os Estados Unidos restringem exportações de semicondutores porque compreendem que chips são infraestrutura estratégica da economia digital. A China investe centenas de bilhões de dólares em cadeias produtivas próprias porque entende que dependência tecnológica significa vulnerabilidade política. A disputa por cabos submarinos, satélites, computação em nuvem, inteligência artificial, data centers e minerais críticos segue exatamente a mesma lógica. Não se trata apenas de tecnologias isoladas. Trata-se das infraestruturas que sustentarão a produção, a circulação e o exercício do poder nas próximas décadas.

Essa transformação ajuda a compreender por que o debate sobre pagamentos instantâneos extrapolou rapidamente os limites do sistema financeiro. O Pix integra exatamente essa nova geração de infraestruturas estratégicas. Seu significado histórico não reside apenas na capacidade de transferir recursos em segundos. Reside no fato de demonstrar que um Estado nacional pode construir uma infraestrutura pública capaz de organizar um fluxo essencial da economia contemporânea com eficiência, escala, interoperabilidade e baixo custo. O que está sendo produzido não é apenas um novo serviço financeiro. É um novo modelo institucional para organizar a circulação monetária.

Sob a perspectiva do materialismo histórico, essa transformação possui enorme relevância analítica. Marx jamais reduziu sua análise às fábricas ou às máquinas. Seu método consistia em compreender como a base material de cada época condicionava as relações sociais, políticas e econômicas. Essa base nunca permaneceu estática. No capitalismo industrial, era constituída por fábricas, ferrovias, portos e máquinas. No capitalismo financeirizado, incorporou bancos, bolsas, crédito e sistemas monetários. O capitalismo digital acrescenta uma nova camada: infraestruturas digitais, informacionais, financeiras e cognitivas que organizam a circulação permanente da economia. A infraestrutura deixa de ser apenas o suporte da produção. Passa a ser também o suporte da circulação.

Essa talvez seja uma das mudanças mais profundas do capitalismo contemporâneo. Durante décadas, o debate concentrou-se na propriedade dos ativos. Hoje, torna-se igualmente decisivo compreender quem controla os protocolos, os padrões tecnológicos, os sistemas de compensação, as plataformas, os algoritmos, os fluxos de dados e as infraestruturas que coordenam esses ativos. Em outras palavras, o centro da disputa desloca-se progressivamente da posse dos recursos para o controle dos trilhos que permitem sua circulação. O valor estratégico deixa de residir apenas na riqueza acumulada e passa a depender da capacidade de organizar sua movimentação em escala global.

É exatamente nesse contexto que o Pix adquire significado histórico. Ele demonstra que uma infraestrutura pública pode exercer funções tradicionalmente associadas às grandes redes privadas de intermediação financeira, preservando a competição entre empresas sem privatizar os trilhos da circulação monetária. Pela primeira vez, um país do Sul Global apresenta ao mundo não apenas uma inovação tecnológica, mas uma arquitetura institucional alternativa para um dos fluxos mais sensíveis da economia contemporânea.

Talvez seja cedo para afirmar que estamos diante de uma nova etapa da história econômica mundial. Mas já existem evidências suficientes para sustentar uma hipótese mais prudente e, ao mesmo tempo, mais poderosa: o século XXI poderá ser lembrado como o período em que a competição entre Estados deixou de ocorrer apenas pelo controle das moedas e passou a concentrar-se no domínio das infraestruturas que organizam a circulação da própria economia. Se essa hipótese estiver correta, o Pix será lembrado não apenas como um sistema de pagamentos bem-sucedido, mas como um dos primeiros sinais de uma transformação muito mais profunda na arquitetura do poder global.

<><> Por que Washington entrou em guerra contra o Pix

A crescente tensão entre Estados Unidos e Brasil em torno do Pix costuma ser apresentada como mais um episódio das disputas comerciais contemporâneas. Essa leitura, embora parcialmente correta, continua insuficiente. A abertura da investigação conduzida pelo United States Trade Representative (USTR), incluindo serviços de pagamento eletrônico e comércio digital, não pode ser compreendida apenas como um desacordo regulatório. Ela revela algo mais profundo: a crescente politização das infraestruturas digitais que organizam a circulação da economia mundial. O fato de um sistema público de pagamentos brasileiro passar a integrar a agenda oficial da política comercial norte-americana indica que a disputa deixou de ser apenas tecnológica ou financeira. Tornou-se geopolítica.

O aspecto mais revelador dessa controvérsia é que as críticas dirigidas ao Pix praticamente não questionam sua eficiência. Nenhum documento relevante sustenta que o sistema seja inseguro, lento ou economicamente fracassado. Pelo contrário. Organismos multilaterais como o Banco Mundial e o Banco de Compensações Internacionais apresentaram o Pix como uma das experiências mais bem-sucedidas do mundo em pagamentos instantâneos. O ponto de conflito situa-se em outro lugar: sua arquitetura institucional. O modelo brasileiro demonstra que um Estado pode oferecer uma infraestrutura pública altamente eficiente sobre a qual bancos, fintechs e empresas privadas continuam competindo. O debate, portanto, não é sobre inovação. É sobre quem controla a infraestrutura da inovação.

Essa distinção ajuda a compreender por que a reação norte-americana extrapola o caso brasileiro. Nos últimos anos, iniciativas semelhantes desenvolvidas na Índia e em outros países também passaram a despertar crescente atenção de Washington. O denominador comum entre essas experiências não é a nacionalidade nem a tecnologia empregada, mas a construção de infraestruturas públicas digitais capazes de reduzir a dependência de redes privadas historicamente dominantes. O que passa a preocupar não é um aplicativo específico, mas a possibilidade de que esse modelo se transforme em referência internacional.

Essa preocupação possui fundamentos econômicos concretos. Durante décadas, a circulação global dos pagamentos estruturou-se sobre uma extensa cadeia de intermediação composta por bandeiras internacionais, adquirentes, processadoras, bancos, empresas de tecnologia financeira e plataformas digitais. Cada etapa dessa cadeia capturava parte do valor gerado pela circulação monetária. O Pix altera essa lógica ao reduzir custos de transação, eliminar diversas camadas de intermediação e transferir parte da eficiência da infraestrutura para toda a economia. Não elimina o mercado, mas modifica profundamente a forma pela qual determinados agentes capturam renda.

É precisamente aqui que a economia política substitui interpretações simplistas. Não se trata de afirmar que Visa, Mastercard, bancos ou plataformas digitais deixariam de existir diante da expansão de modelos semelhantes ao Pix. Tampouco seria correto afirmar que uma infraestrutura pública elimina a concorrência privada. O efeito observado é diferente. A competição desloca-se dos trilhos para os serviços construídos sobre eles. Em vez de controlar a infraestrutura da circulação monetária, as empresas passam a disputar inovação, experiência do usuário, crédito, investimentos, seguros e novos produtos financeiros. Essa mudança reduz o poder estrutural dos intermediários sem impedir sua atuação econômica.

Sob essa perspectiva, a reação norte-americana torna-se perfeitamente racional. Os Estados Unidos ocupam posição central na arquitetura financeira internacional construída ao longo do século XX. Grande parte das principais redes privadas de pagamentos, plataformas financeiras, empresas de tecnologia e mecanismos internacionais de liquidação nasceu sob sua esfera econômica. A difusão de infraestruturas públicas interoperáveis desenvolvidas por diferentes Estados não elimina essa posição, mas reduz sua centralidade relativa. Quanto maior o número de países capazes de organizar autonomamente seus sistemas de pagamentos, menor tende a ser a dependência estrutural de determinadas redes privadas globais.

Essa é a dimensão que transforma o Pix em um fenômeno geopolítico. O verdadeiro desafio não está na existência de um sistema brasileiro eficiente. Está na possibilidade de que dezenas de países passem a construir infraestruturas semelhantes, interoperáveis entre si e capazes de organizar pagamentos domésticos e internacionais sob modelos de governança próprios. Nesse cenário, o conflito deixa definitivamente de ser entre Brasil e Estados Unidos. Passa a representar uma disputa entre duas concepções distintas de organização econômica: uma baseada na privatização das infraestruturas essenciais da circulação financeira e outra fundada na ideia de que esses trilhos podem constituir bens públicos estratégicos, preservando a concorrência sem abrir mão da soberania.

É exatamente por isso que interpretar a reação de Washington como simples protecionismo comercial significa ignorar a profundidade da transformação em curso. O que está sendo disputado não é apenas um sistema de pagamentos. É a arquitetura institucional que poderá organizar a circulação do dinheiro ao longo das próximas décadas. E, quando a disputa desloca-se para a infraestrutura, o debate deixa de ser tecnológico. Torna-se, inevitavelmente, uma questão de poder.

<><> O futuro já começou

Toda grande transformação histórica possui uma característica em comum: ela costuma ser confundida, durante muito tempo, com um fenômeno menor. As primeiras ferrovias pareciam apenas um novo meio de transporte. A eletricidade parecia apenas uma forma mais eficiente de iluminação. A internet foi vista, inicialmente, como uma ferramenta de comunicação entre universidades. Apenas décadas depois tornou-se evidente que aquelas tecnologias não haviam criado novos produtos. Haviam criado novas infraestruturas capazes de reorganizar toda a economia. O Pix talvez esteja percorrendo exatamente esse caminho.

É improvável que a principal transformação financeira das próximas décadas seja o desaparecimento do dólar ou o surgimento de uma moeda única global. Essa hipótese simplifica excessivamente uma realidade muito mais complexa. O sistema monetário internacional continuará sendo influenciado pelo tamanho das economias, pela profundidade dos mercados financeiros, pela confiança institucional e pela capacidade política e militar das grandes potências. Mas existe outra transformação, muito menos visível, que já começou e pode produzir consequências igualmente profundas. O mundo começa a construir novas infraestruturas para organizar a circulação do dinheiro.

Essa mudança pode parecer discreta, mas possui enorme significado histórico. Durante boa parte do século XX, participar da economia internacional significava, em grande medida, utilizar infraestruturas concebidas, reguladas ou fortemente influenciadas pelas economias centrais. A próxima etapa poderá ser diferente. Sistemas públicos nacionais, interoperáveis entre si, capazes de realizar liquidações rápidas, seguras e de baixo custo em moedas locais, começam a surgir em diferentes regiões do planeta. O objetivo imediato é aumentar eficiência. A consequência estratégica pode ser muito maior: ampliar a autonomia operacional dos Estados na organização de seus próprios fluxos financeiros.

Nesse contexto, o Pix deixa de ser apenas uma experiência brasileira e passa a representar um paradigma institucional. Sua maior contribuição não consiste em demonstrar que pagamentos instantâneos são possíveis. Isso diversos países já comprovaram. O que o Brasil demonstrou foi que uma infraestrutura pública pode combinar escala nacional, eficiência econômica, governança estatal, competição privada e inovação contínua sem depender da privatização dos trilhos pelos quais circula o dinheiro. Essa distinção poderá influenciar a maneira como outras economias organizam seus próprios sistemas nas próximas décadas.

Se essa trajetória avançar, a internacionalização do modelo dificilmente ocorrerá por meio da exportação de um único sistema brasileiro. O cenário mais provável é outro: uma rede de infraestruturas públicas soberanas, desenvolvidas por diferentes países, interoperáveis entre si e capazes de realizar pagamentos transfronteiriços preservando a autonomia monetária de cada Estado. Essa arquitetura permitiria reduzir custos de comércio, ampliar pagamentos em moedas locais, fortalecer cadeias econômicas regionais e diminuir dependências operacionais historicamente concentradas em poucos centros financeiros internacionais. A transformação seria gradual, desigual e cheia de obstáculos, mas alteraria silenciosamente a geografia da circulação econômica mundial.

É justamente por isso que interpretar o Pix apenas como inovação tecnológica significa subestimar sua dimensão histórica. Seu verdadeiro legado pode não estar nas transferências realizadas em segundos, mas na demonstração de que a infraestrutura financeira também pode ser concebida como patrimônio estratégico de uma nação. Pela primeira vez, um país do Sul Global não apenas adaptou uma tecnologia produzida no Norte, mas apresentou ao mundo uma arquitetura institucional capaz de influenciar o debate internacional sobre soberania, desenvolvimento e organização econômica.

Essa talvez seja a principal lição do século XXI até aqui. Durante muito tempo acreditamos que a disputa pelo poder internacional ocorria fundamentalmente em torno das moedas, do petróleo, da indústria ou dos mercados financeiros. Tudo isso continua relevante. Mas uma nova camada foi incorporada à geopolítica contemporânea. O poder passa a depender, cada vez mais, da capacidade de construir, proteger e coordenar as infraestruturas que organizam a circulação da própria economia. Quem controla esses trilhos não determina apenas a velocidade dos fluxos. Determina, em grande medida, quem depende de quem.

O Pix tornou-se um dos primeiros sinais dessa transformação. Talvez, daqui a algumas décadas, ele seja lembrado menos como um sistema de pagamentos revolucionário e mais como o momento em que o Sul Global demonstrou que também podia produzir infraestruturas estratégicas capazes de reorganizar a economia mundial. Se isso acontecer, o maior legado do Pix não será financeiro. Será histórico.

Porque, no fim das contas, o debate nunca foi sobre pagamentos instantâneos.

Nunca foi sobre QR Codes.

Nunca foi sobre aplicativos bancários.

O debate sempre foi sobre poder.

Sobre soberania.

Sobre quem constrói os trilhos pelos quais a riqueza circula.

É exatamente por isso que eles não têm medo do Pix.

Têm medo do futuro que ele inaugura.

 

Fonte: Por Reynaldo José Aragon, em Brasil 247

 

 O mais explícito episódio de entreguismo da história

A carta de Mark Rubio, confirmando que Flávio Bolsonaro colocou uma futura equipe de transição “à disposição” das autoridades americanas, não é uma mera formalidade política. A Lei 10.609/2002, que regulamenta a equipe de transição, não dá acesso apenas a dados públicos. Ela garante à equipe de transição acesso a “segredos de Estado”, contas públicas, programas e projetos de todos os 29 ministérios, mais de 60 agências/autarquias e às 16 estatais federais, incluindo documentos sigilosos dos quatro anos anteriores de gestão — e os servidores do governo em exercício são obrigados por lei a entregar o que for pedido pelo coordenador da equipe.

Ou seja: não é uma fresta, é a “casa toda aberta” por até ~120 dias, formalmente, e por dois meses até a posse. As categorias mais sensíveis que cairiam nesse perímetro, dado o quadro atual (guerra tarifária, sanções Magnitsky contra Moraes, disputa OMC):

>>> Política monetária e cambial

  • Composição e estratégia de uso das reservas internacionais do BC
  • Operações de swap cambial, calendário de rolagem da dívida pública, vulnerabilidades de curto prazo no balanço de pagamentos
  • Arquitetura técnica e governança de dados do Pix/SPB

>>> Estratégia de negociação comercial e jurídica contra os EUA

  • Posição negociadora completa do Brasil no contencioso tarifário (o que a Câmara de Comércio Exterior já decidiu sobre a Lei de Reciprocidade, limites de retaliação, estratégia no caso da OMC)
  • Estratégia jurídica do governo (inclusive a contratada via Arnold & Porter) para reverter sanções e tarifas

>>> Segurança, defesa e inteligência

  • Planos de aquisição e cooperação da base industrial de defesa
  • Protocolos de compartilhamento de inteligência, estrutura de comando das Forças Armadas
  • Inquéritos em andamento na PF, especialmente os que tocam Moraes, Bolsonaro e a articulação com autoridades estrangeiras já mencionada por Gilmar Mendes

>>> Minerais críticos e terras raras

  • Estágio interno das negociações do PL 2780, detalhes da operação Serra Verde/USA Rare Earth, inventário estratégico de reservas — exatamente o ponto fraco de soberania

>>> Energia e Petrobras

  • Dados de exploração do pré-sal e planejamento estratégico da estatal

>>> Judiciário e sanções

  • Estratégia interna de resposta às sanções pessoais contra ministros do STF

O precedente institucional (caso Moro/Temer-Bolsonaro) mostra que quem coordena uma área técnica na transição costuma virar ministro da mesma pasta — então não é só acesso temporário à informação, é controle direto do fluxo de informação estratégica para dentro do próprio governo seguinte, caso o indicado de fato assuma.

¨      Como poderá ser a interferência de Trump nas eleições

Quais as armas de que dispõe Donald Trump para interferir nas eleições brasileiras?

Em outros tempos, quando a atuação do Departamento de Justiça era mais discreta, houve articulação mortal contra a democracia brasileira. Redes sociais estimularam as manifestações de desagrado para com o governo Dilma Rousseff. Aliados incondicionais dos EUA, a mídia encetou uma campanha de desgaste inclemente. 

A Lava Jato não foi um caso de um Estado estrangeiro impondo sua jurisdição sobre o Brasil de fora para dentro. Foi algo mais sofisticado e mais eficaz: um vetor de influência que penetrava o território nacional através de uma facção doméstica disposta, a força-tarefa de Curitiba.

Havia os mesmos interesses entre os dois grupos, e um gancho jurisdicional nítido — a Foreign Corrupt Practices Act, acionável porque a Petrobras tinha ações listadas em Nova York e a Odebrecht movimentava o sistema financeiro dos Estados Unidos.

Agora não há contraparte brasileira disposta. O Estado brasileiro está defendendo Moraes, não cooperando contra ele. A Advocacia-Geral da União ingressou na ação que tramita na Flórida para sustentar a imunidade de jurisdição do magistrado, e a Justiça americana aceitou o Brasil como parte interessada, suspendendo a possibilidade de julgamento à revelia.

O modelo de “parceria através de facção doméstica” não está morto, está à espera de mudança na correlação de forças interna. O próprio relatório do Judiciary Committee não esconde o vetor eleitoral: registra que Flávio Bolsonaro aparece tecnicamente empatado com Lula às vésperas de outubro de 2026. Em caso de vitória do bolsonarismo, haveria a montagem de uma facção alinhada a Washington, dentro da PF, do Congresso (os pedidos de impeachment de Moraes), ou de um futuro Executivo bolsonarista — é o que recriaria a engrenagem Lava Jato, agora apontada para o outro lado. O DoJ não inicia uma operação dessas; ele se acopla a uma demanda interna quando ela surge.

O pacote — tarifa, sanção, litígio privado, relatório parlamentar — é pressão de Estado a Estado. E é uma pressão que vem se revelando juridicamente instável e economicamente cara para quem a aplica. A tarifa original de 50% foi derrubada pela própria Suprema Corte americana por abuso de poderes de emergência; a nova investida, de 25% via Seção 301, já nasce reformatada para poupar o abastecimento alimentar — confissão tácita de que a reação dos compradores americanos, no episódio do café, saiu caro demais. 

Enquanto o Estado brasileiro permanecer institucionalmente coeso e Lula governar, a pressão de Trump fica contida no plano da intimidação com custo real, mas mordida limitada. A variável que reabre a possibilidade de uma Lava Jato ao contrário não é uma decisão tomada em Washington. É uma decisão tomada nas urnas brasileiras, em outubro.

O risco maior está na cooperação CIA-força tarefa do Master. A lógica do enquadramento das organizações criminosas brasileiras como terroristas tem, por trás, abrir espaço para a troca de informações entre CIA e ala lavajatista da Polícia Federal.

Na Lava Jato, informações críticas foram levantadas pelo DoJ e pela CIA, como foi o caso do Almirante Othon e dos arquivos da Odebrecht.

Ficam em aberto as intervenções das redes sociais, alavancando o bolsonarismo e restringindo a visibilidade dos demais atores.

 

Fonte: Por Luís Nassif, no Jornal GGN

 

11 canetas para emagrecer: quais são, como funcionam (e qual a melhor)

As canetas para emagrecer, como Ozempic, Wegovy, Mounjaro e Saxenda, são remédios injetáveis que são indicados para a perda de peso nos casos de obesidade ou sobrepeso.

Isso porque estes medicamentos contêm semaglutida, liraglutida ou tirzepatida, por exemplo, princípios ativos que reduzem a velocidade da digestão dos alimentos e diminuem o apetite.

As canetas para emagrecer devem ser usadas somente com indicação do endocrinologista e com consultas médicas regulares, para acompanhar a perda de peso e avaliar o surgimento dos possíveis efeitos colaterais.

<><> Como funciona a caneta para emagrecer

As canetas para emagrecer funcionam da seguinte forma:

1.       Diminuem os movimentos gastrointestinais;

2.       Reduzem o esvaziamento gástrico, aumentando o tempo que o alimento fica no estômago;

3.       Aumentam a sensação de saciedade;

4.       Diminuem o apetite;

5.       Estimulam a liberação de insulina pelo pâncreas;

6.       Mantêm o equilíbrio nos níveis de insulina;

7.       Melhoram o controle dos níveis de açúcar no sangue;

8.       Reduzem a quantidade de glicose produzida pelo fígado.

Os agonistas do receptor GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon 1) levam ao emagrecimento por reduzir o consumo de calorias durante o dia, resultando na perda de peso.

Além disso, outra classe de caneta emagrecedora é a dos agonistas do receptor GLP-1 e dos receptores os receptores GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose), como a tirzepatida, que potencializa o efeitos desses hormônios e a perda de peso.

O uso das canetas para emagrecer deve ser feito com indicação do endocrinologista e associado a uma dieta balanceada e prática de exercícios físicos regulares.

<><> Quais são as canetas para emagrecer

As principais canetas para emagrecer são:

>>> 1. Ozempic

O Ozempic é uma caneta emagrecedora que contém semaglutida na sua composição, um agonista do receptor GLP-1.

Esse remédio tem indicação aprovada pela Anvisa somente para o tratamento da diabetes tipo 2.

No entanto, o Ozempic pode ser indicado pelo endocrinologista para o emagrecimento, como uso off-label, ou seja, que não está na bula do remédio, após avaliar o estado de saúde da pessoa, os riscos e os benefícios do tratamento.

A caneta para emagrecer Ozempic é encontrada nas doses de 0,25 mg, 0,5 mg e 1 mg, para aplicação sob a pele.

# Como usar: a injeção da caneta para emagrecer Ozempic deve ser feita 1 vez por semana, começando com doses menores de 0,25 mg nas primeiras 4 semanas.

>>> 2. Wegovy

O Wegovy é uma caneta para emagrecer que também contém semaglutida na sua composição.

Essa caneta é indicada para o tratamento da obesidade ou sobrepeso em adultos ou adolescentes com mais de 12 anos e com peso corporal maior que 60 Kg.

O caneta para emagrecer Wegovy é encontrado em diferentes doses de 0,25 mg, 0,5 mg, 1,0 mg, 1,7 mg e 2,4 mg e deve ser usado somente com indicação, orientação e acompanhamento do endocrinologista.

# Como usar: a caneta emagrecedora Wegovy deve ser aplicada sob a pele da barriga, sendo que a dose inicial recomendada é de 0,25 mg, 1 vez por semana.

Essa dose pode ser aumentada pelo endocrinologista, a cada 4 semanas, até a dose máxima de 2,4 mg, 1 vez por semana.

>>> 3. Mounjaro

O Mounjaro contém tirzepatida na sua composição, que é um agonista dos receptores GLP-1 e GIP, indicado para emagrecer, devido seu efeito na redução do apetite, além do tratamento da diabetes tipo 2 descontrolada em adultos.

A caneta para emagrecer Mounjaro é encontrada nas doses de 2,5 mg, 5 mg, 7,5 mg, 10 mg, 12,5 mg e 15 mg, e deve ser usada com indicação do endocrinologista.

# Como usar: a dose da caneta emagrecedora Mounjaro para adultos é de 1 injeção de 2,5 mg, 1 vez por semana, nas primeiras 4 semanas.

Essa dose pode ser aumentada pelo médico, em incrementos de 2,5 mg, a cada 4 semanas, até no máximo de 15 mg, 1 vez por semana.

>>> 4. Poviztra

O Poviztra é uma caneta para emagrecer que pode ser indicada para a perda e a manutenção de peso em adultos e adolescentes com 12 anos ou mais e com mais de 60 kg.

Este remédio contém a semaglutida, uma substância semelhante a um hormônio natural GLP-1, liberado pelo intestino após as refeições.

Assim, o Poviztra atua nos receptores do cérebro que controlam o apetite, fazendo com que a pessoa se sinta mais satisfeita, com menos fome e menos vontade de comer, ajudando a reduzir o peso corporal.

# Como usar: a dose inicial para adultos e adolescentes é de 1 injeção sob a pele de 0,25 mg, 1 vez por semana, entre as semanas 1 e 4.

A dose deste medicamento pode ser aumentada pelo médico a cada 4 semanas, até o máximo de 7,2 mg por semana, para adultos, e até 2,4 mg por semana, para adolescentes acime de 12 anos.

>>> 5. Retatrutida

A retatrutida é uma caneta para emagrecer que atua como agonista triplo dos receptores hormonais GLP-1, GIP e glucagon (GCG). Essa ação combinada ajuda a controlar o apetite, aumenta a produção de insulina e contribui para manter níveis adequados de glicose no sangue.

Em estudos clínicos recentes, a retatrutida apresentou uma perda de peso significativa, chegando a até 24,2% do peso corporal total em 48 semanas. Comparações indiretas sugerem que essa redução pode ser maior do que a observada com o Mounjaro.

A retatrutida ainda está em fase de estudos clínicos e não tem aprovação e registro na Anvisa. Por isso, qualquer venda ou manipulação desse remédio é ilegal e pode representar riscos à saúde.

# Como usar: nos estudos, a retatrutida foi aplicada uma vez por semana. Como ainda está em investigação, as doses ideais ainda não foram oficialmente definidas.

>>> 6. Zepbound

O Zepbound é outro agonista dos receptores GLP-1 e GIP que contém tirzepatida na sua composição.

Essa caneta para emagrecer é indicada para o tratamento da obesidade ou sobrepeso em adultos, com pelo menos uma doença associada, como diabetes, pressão alta ou colesterol alto.

A caneta para emagrecer Zepbound é encontrada nas doses de 2,5 mg, 5 mg, 7,5 mg, 10 mg, 12,5 mg ou 15 mg.

# Como usar: a dose inicial para adultos da caneta emagrecedora Zepbound é de 1 injeção sob a pele de 2,5 mg, 1 vez por semana, durante as primeiras 4 semanas.

Essa dose pode ser aumentada pelo endocrinologista a cada 4 semanas, até no máximo de 10 mg, 1 vez por semana.

>>> 7. Saxenda

O Saxenda é uma caneta emagrecedora que contém liraglutida, outro agonista do GLP-1.

Essa caneta para emagrecer é indicada para pessoas com IMC maior que 30 kg/m2 ou com IMC maior que 27 kg/m2 que possuem doenças associadas, como pressão alta ou diabetes do tipo 2.

A caneta emagrecedora Saxenda é encontrada na dose de 6,0 mg/mL, com 3 mL de solução em cada caneta, para aplicação sob a pele.

# Como usar: para adultos e adolescentes com mais de 12 anos, a dose inicial da caneta emagrecedora Saxenda é de 0,6 mg, 1 vez por dia.

A dose do Saxenda deve ser aumentada pelo endocrinologista, em intervalos de 0,6 mg, de forma que na semana 5 de tratamento a dose é de 3 mg, 1 vez por dia.

>>> 8. Victoza

O Victoza é outro agonista do GLP-1 que contém liraglutida na sua composição, indicado para o tratamento da diabetes tipo 2 em adultos ou crianças com mais de 10 anos.

No entanto, por reduzir o apetite, esse remédio pode ser indicado pelo endocrinologista para ajudar na perda de peso em adultos.

A  caneta para emagrecer Victoza é encontrada em doses de 6,0 mg/mL contendo 3 mL de solução para aplicação sob a pele.

# Como usar: a dose inicial da caneta emagrecedora Saxenda recomendada para adultos é de 1 injeção 0,6 mg, 1 vez por dia, na primeira semana.

Após esse período, essa dose pode ser aumentada pelo médico para 1,2 ou 1,8 mg, 1 vez por dia.

>>> 9. Trulicity

O Trulicity contém dulaglutida na sua composição, um agonista do GLP-1 de longa duração, indicado para o tratamento da diabetes tipo 2 em adultos ou crianças com mais de 10 anos.

Por ter um efeito de emagrecimento em pessoas com diabetes, esse remédio pode ser indicado como uso off-label para perda de peso, pois promove a redução do apetite, levando ao emagrecimento.

A caneta para emagrecer Trulicity deve ser aplicada sob a pele e é encontrada nas doses de 0,75 mg/0,5 mL e 1,5 mg/0,5 mL.

# Como usar: a dose inicial da caneta emagrecedora Trulicity para adultos é de 0,75 mg, 1 vez por semana.

A dose pode ser aumentada pelo endocrinologista para 1,5 mg, 1 vez por semana, de acordo com a resposta ao tratamento.

>>> 10. Byetta

O Byetta é um agonista do receptor GLP-1, que contém exenatida na sua composição, indicado para o tratamento da diabetes tipo 2 em adultos.

No entanto, o Byetta pode ajudar na perda de peso em pessoas com diabetes e, por isso, o médico pode indicar seu uso para emagrecer.

A caneta para emagrecer Byetta é encontrada nas doses de 5 mcg e 10 mcg para aplicação sob a pele.

# Como usar: a dose inicial para adultos é de 1 injeção de 5 mcg, 2 vezes por dia, cerca de 60 minutos antes das refeições da manhã e da noite.

Após o 1º mês de tratamento, o endocrinologista pode aumentar a dose para 10 mcg, 2 vezes ao dia, de acordo com a resposta ao tratamento e surgimento de efeitos colaterais.

>>> 11. Ozivy

O Ozivy é um agonista do receptor de GLP-1, indicado para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2 em adultos, quando dieta, atividade física e outros medicamentos não são suficientes.

Trata-se do primeiro medicamento injetável à base de semaglutida sintética produzido no Brasil, com registro aprovado pela ANVISA.

O medicamento é apresentado em caneta aplicadora preenchida de 1,5 mL, com doses de 0,25 mg e 0,5 mg, de uso subcutâneo semanal.

# Como usar: o tratamento com Ozivy geralmente começa com 0,25 mg uma vez por semana. Após avaliação da resposta e da tolerância ao medicamento, a dose pode ser aumentada para 0,5 mg uma vez por semana.

<><> Qual a melhor caneta para emagrecer?

Alguns estudos têm mostrado que a caneta para emagrecer que contém agonistas dos receptores GPL-1 e GIP, como a tirzepatida, tem um efeito maior na redução de peso, do que as canetas que têm apenas agonistas dos receptores GPL-1, como semaglutida, liraglutida ou dulaglutida.

No entanto, ainda são necessários mais estudos que comparem os efeitos das canetas emagrecedoras para a perda de peso.

É importante ressaltar que o uso de qualquer tipo de caneta emagrecedora seja feito somente com indicação do endocrinologista e com acompanhamento médico regular, já que podem causar efeitos colaterais.

<><> Como aplicar a caneta para emagrecer

A caneta para emagrecer deve ser usada em aplicações subcutâneas, ou seja, sob a pele da barriga, da coxa ou da parte superior do braço. Veja como aplicar injeção subcutânea corretamente.

Além disso, é importante lavar as mãos antes e após a aplicação e variar o local de aplicação a cada semana ou dia, de acordo com o tipo de caneta emagrecedora utilizada.

<><> Cuidados ao usar a caneta emagrecedora

Alguns cuidados são importantes ao usar a caneta emagrecedora, como:

•        Fazer o acompanhamento com o endocrinologista de forma regular;

•        Não aumentar a dose por conta própria, mas somente após avaliação e indicação do endocrinologista;

•        Comunicar ao médico o surgimento de efeitos colaterais;

•        Evitar consumir bebidas alcoólicas;

•        Informar ao médico imediatamente caso engravide durante o tratamento, no caso de mulheres.

Além disso, é importante beber pelo menos 2 litros de água por dia, para manter o corpo hidratado, e evitar a desidratação caso surja diarreia ou vômitos.

<><> Caneta para emagrecer precisa de receita?

As canetas para emagrecer são vendidas apenas com apresentação de receita médica. Desta forma, é necessário apresentar duas vias da receita da caneta para emagrecer, sendo que uma via fica retida na farmácia.

O tempo de validade da receita da caneta para emagrecer é de 90 dias a partir da data da prescrição assinada pelo médico.

<><> Efeitos colaterais das canetas emagrecedoras

Os efeitos colaterais mais comuns das canetas emagrecedoras são:

•        Náuseas, vômitos e diarreia;

•        Dor abdominal ou refluxo gastroesofágico;

•        Excesso de gases intestinais ou barriga inchada;

•        Dor, coceira, irritação, lesão e manchas roxas no local da aplicação da injeção;

•        Hipoglicemia, principalmente quando usado junto com remédios antidiabéticos;

Além disso, podem surgir efeitos colaterais mais graves, como inflamação no pâncreas (pancreatite), pedra na vesícula, (colelitíase) ou paralisia do estômago (gastroparesia) ou obstrução intestinal.

A caneta para emagrecer também pode causar reações alérgicas graves ou anafilaxia. Saiba identificar os sintomas de reação alérgica.

Nos casos de efeitos colaterais graves, deve-se ir imediatamente ao pronto-socorro para realizar o tratamento adequado.

<><> Agonorexia

A agonorexia não é um termo reconhecido oficialmente, mas vem sendo usado de forma informal para descrever a perda intensa de apetite observada em alguns usuários de canetas para emagrecer.

Em alguns casos, esses medicamentos ao invés de apenas ajudar a controlar a fome, podem fazer com que a pessoa praticamente deixe de sentir fome, se esqueça de se alimentar ou desenvolva uma aversão à comida.

<>< Riscos do uso sem orientação médica

Os principais riscos do uso da caneta para emagrecer sem orientação médica é o surgimento de efeitos colaterais graves.

Isso porque, as alterações metabólicas no organismo não são monitoradas pelo médico, e nem a dose e sua alteração é orientada pelo médico.

Além disso, podem ocorrer interações medicamentosas, que também podem aumentar o risco de efeitos colaterais graves.

Por isso, o uso das canetas emagrecedoras só deve ser feito com indicação, orientação e acompanhamento regular com o endocrinologista.

<><> Riscos de canetas para emagrecer falsificadas

Os riscos do uso de canetas para emagrecer falsificadas incluem efeitos colaterais graves, como infecções graves, reações imunes e perigo de óbito.

Isso porque as canetas falsificadas podem conter bactérias, impurezas, substâncias desconhecidas e concentrações aumentadas ou reduzidas, por exemplo.

Esses produtos são proibidos pela Anvisa, pois não tiveram a sua qualidade, eficácia e segurança de uso avaliadas.

Alguns exemplos de nomes de canetas para emagrecer que são falsificadas são: Lipoless, TG.5, Lipoless Éticos, Tirzazep Royal Pharmaceuticals e T.G. Indufar.

O único medicamento à base de tirzepatida aprovado pela Anvisa é o Mounjaro, da farmacêutica Lilly. Por isso, qualquer outro produto que afirme conter tirzepatida não possui registro e é considerado irregular ou falsificado.

<><> Canetas emagrecedoras cortam o efeito do anticoncepcional?

As canetas para emagrecer podem reduzir a eficácia dos anticoncepcionais orais em pessoas com obesidade ou sobrepeso, e aumentar o risco de gravidez.

Isso porque, como diminui o tempo de esvaziamento gástrico, o anticoncepcional oral pode ficar mais tempo no estômago, o que dificulta a absorção dos hormônios da pílula pelo intestino.

Desta forma, é recomendado utilizar preservativo em todas as relações sexuais, além de consultar o ginecologista para avaliar a necessidade de troca da pílula por outros métodos contraceptivos, como DIU ou implante hormonal, por exemplo.

<><> Quem não deve usar

A caneta emagrecedora não deve ser usada por mulheres grávidas ou em amamentação ou por pessoas que tenham alergia ao princípio ativo ou qualquer outro componente da injeção.

Pessoas com diabetes tipo 1, pancreatite, doenças inflamatórias intestinais, tumores em glândulas, cetoacidose ou retinopatia diabética ou com histórico pessoal e familiar de câncer na tireoide, também não devem usar a caneta para emagrecer.

Crianças com mais de 10 anos e adolescentes com menos de 18, só devem usar esses remédios se indicado pelo endocrinologista, para o tratamento da diabetes tipo 2

 

Fonte: Tua Saúde