Evangélicos
no mundo: Trump, evangélicos brancos e posições de poder
Corrente
religiosa em plena expansão em todo o mundo, os evangélicos são frequentemente
associados ao imaginário estadunidense e ao nacionalismo cristão, do qual são
parte integrante nos Estados Unidos.
No
entanto, sua realidade é infinitamente mais variegada, como explica o
pesquisador Sébastien Fath, um dos maiores especialistas no assunto, em seu
livro "Le Nouveau Pouvoir évangélique" (O novo poder evangélico, em
tradução livre, Grasset). Trata-se de uma impressionante síntese que desmonta
muitos clichês sobre esses fiéis, destacando a profunda diversidade das Igrejas
evangélicas em nível internacional, especialmente na África e na Ásia, que
diferem profundamente de algumas Igrejas nacionalistas estadunidenses.
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Eis a entrevista.
• De onde vem o evangelicalismo?
Sua
história está intrinsecamente ligada à do protestantismo e não pode ser
compreendida sem considerar as diversas tendências da Reforma Protestante, que
teve início no século XVI. Ao longo da história protestante, houve fases de
"despertar", sem dúvida explicadas pelo fato de que, diferentemente
da Igreja Católica, não existe uma centralidade institucional entre os
protestantes, resultando disso uma certa fragilidade na transmissão. As fases
de despertar, ou seja, de remobilização militante, abrangem três dimensões: uma
dimensão pessoal, ou seja, a conversão, que é central para a identidade
evangélica; uma forma de criatividade eclesial, com o surgimento de novas
Igrejas que respondem a novas sensibilidades, como o metodismo e o
pentecostalismo; e o impacto social, visto que esses despertares favoreceram a
criação de obras como as capelanias prisionais ou a Cruz Vermelha. Esses
despertares permitiram às franjas evangélicas, inicialmente minoritárias e
discriminadas, se tornarem gradualmente majoritárias dentro do protestantismo.
• No que o evangelicalismo difere do
protestantismo tradicional, ou seja, luterano e reformado?
Diferencia-se
principalmente na ênfase posta sobre a conversão. O evangelicalismo não é uma
religião que se herda por nascimento, mas sim uma religião que se reivindica e
que se testemunha publicamente. Consequentemente, as Igrejas evangélicas são
geralmente Igrejas de crentes professos, compostas por associações de
convertidos, o que não ocorre no luteranismo ou a Igreja Reformada. Além disso,
há menos mediação na interpretação da Bíblia nas Igrejas evangélicas, que
desenvolvem uma leitura mais direta e menos metafórica do que nos ambientes
luteranos ou reformados.
Estes
últimos dão menos importância ao sobrenatural, em favor de uma abordagem mais
focada na ética. Para os evangélicos, a relação com o invisível, com um Deus
poderoso que opera milagres, é essencial.
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Quais são os principais polos evangélicos no mundo?
Em meu
livro, tento desamericanizar o imaginário sobre o evangelicalismo: trata-se de
um fenômeno multipolar que não deve ser limitado aos Estados Unidos. Esse
clichê está ligado à extraordinária influência da cultura estadunidense na
França após 1945, com a imagem do clergyman protestante de estilo anglo-saxão.
Hoje, ao contrário, o padrão do evangélico é o de uma mulher nigeriana de
classe média, que administra o aluguel de três apartamentos, dirige uma empresa
de telefonia móvel e, à noite, vai orar e profetizar em uma Igreja do
Despertar. Estamos longe do clichê do evangélico texano branco
ultraconservador: este existe, sim, mas o evangelicalismo, mesmo nos Estados
Unidos, é mais diversificado — e há oito vezes mais evangélicos no resto do
planeta. Chefes de Estado evangélicos governam a República Democrática do Congo
— o maior país francófono do mundo —, Etiópia, Gana, República Centro-Africana,
Quênia... Embora os evangélicos brancos estadunidenses (white evangelicals)
ocupem espaço, a realidade é que, no plano religioso, os Estados Unidos estão
se secularizando, com um aumento significativo no número de "sem
religião" na população estadunidense, como demonstram os dados do Public
Religion Research Institute, um think tank independente.
Milhões
de pessoas se converteram ao evangelicalismo a partir da década de 1960 na
América Latina e, 30 anos depois, na África francófona. Trata-se, na maioria
das vezes, de novas Igrejas pós-coloniais, criadas por africanos para
africanos, e não fundadas por europeus. Hoje, dos 48 milhões de evangélicos
francófonos, 40 milhões são africanos. Alguns deles vieram viver na Europa, o
que explica em parte o crescimento das Igrejas evangélicas no continente. No
entanto, esse crescimento não é massivo: na França, 1,6% da população é
evangélica, uma porcentagem muito maior do que no período pós-Segunda Guerra
Mundial, mas ainda assim modesta.
• Na França, as Igrejas evangélicas são
percebidas como correntes novas, importadas de países anglo-saxões. É isso?
O
século XIX propiciou uma espécie de reinvenção do protestantismo na França,
onde muitas comunidades haviam sido desenraizadas. Comunidades suíças, alemãs e
britânicas ajudaram os protestantes franceses a reevangelizar. Os
estadunidenses chegaram mais tarde, especialmente após 1945, em um contexto de
Guerra Fria, no qual temiam que a França se inclinasse para o comunismo. No
entanto, desde a queda da Cortina de Ferro, a França deixou de ser uma
prioridade para os Estados Unidos. E, há 30 anos, a influência mais
significativa entre os evangélicos franceses é claramente aquela vinda da
África. Uma influência trumpista pode estar presente em algumas redes, mas não
é a linha dominante dentro do Conselho Nacional de Evangélicos Franceses, uma
rede que reúne de 60% a 70% deles. Nunca houve uma Igreja evangélica
nacionalista na França, e o que está acontecendo nos Estados Unidos é uma
exceção.
• Como se explica essa exceção
estadunidense?
A
sociedade estadunidense foi construída pelos puritanos, protestantes
extremistas que a Europa não queria. Ao chegarem à Nova Inglaterra,
implementaram modelos radicais que moldaram a identidade protestante
estadunidense, com uma conotação de viés teocrático. Contudo, já existia um
debate interno, com pensadores discordando dessa linha. Foi assim que o pastor
Roger Williams (1603-1683) fundou Providence, em Rhode Island, onde introduziu
a liberdade de consciência. De qualquer forma, o aspecto excepcional estadunidense
persiste até hoje. Com a crescente secularização da sociedade estadunidense,
muitos evangélicos sentem-se como uma cidadela sitiada. Esse pânico moral afeta
particularmente os evangélicos brancos, convencidos de que os Estados Unidos
perderam sua identidade cristã. Esses neopuritanos querem construir uma
barreira contra a secularização, o que é motivo de preocupação para todos os
defensores da democracia liberal. No entanto, as mesmas ênfases não são
encontradas entre os evangélicos estadunidenses de origem africana, asiática ou
latina. O quadro é completamente diferente na Europa. As minorias protestantes
na França defendem a ideia de uma sociedade republicana que oferece igualdade
para todos, pois a memória das perseguições sofridas ainda está muito viva. O
que acontece nos Estados Unidos não pode ser transposto para a França.
Por
outro lado, mesmo nos Estados Unidos, o evangelicalismo não pode ser reduzido
ao nacionalismo cristão. Durante a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de
2021, os revoltosos queriam enforcar o vice-presidente Mike Pence, um
evangélico fervoroso, mas defensor da democracia e contrário ao golpe de
estado. E a principal revista mensal dos evangélicos do país, Christianity
Today, fundada pelo pregador Billy Graham (1918-2018) e hoje dirigida por um
afro-estadunidense, é anti-Trump.
• As Igrejas evangélicas são consideradas
muito conservadoras, senão francamente reacionárias. Essa é a realidade?
É
verdade que os evangélicos são bastante conservadores em matéria de sexualidade
e se alinham um pouco mais à direita do que a média da população francesa. Mas
eles também expressam um forte apelo pela solidariedade e valorizam o
acolhimento do estrangeiro. Uma pesquisa quantitativa realizada na megaigreja
Martin Luther King (MLK) de Créteil, em 2025, revelou que mais de 16% das
opiniões políticas declaradas se inclinavam para La France insoumise [extrema
esquerda] e menos de 4% para o Rassemblement National [RN – extrema direita].
Na
França, muitos locais de culto evangélicos são Igrejas
"crioulizadas", com uma porcentagem significativa de casamentos
mistos, um público que mal suporta o discurso do RN. Isso é bem diferente da
situação nas Igrejas dos Estados Unidos, onde a mistura é rara e muitas vezes
reina uma forma de segregação implícita.
• Poderíamos dizer que Donald Trump
realizou uma espécie de OPA (tomada de poder) sobre o evangelicalismo nos
Estados Unidos?
Certamente,
ele o usou cinicamente para chega ao poder, instrumentalizando os ambientes
evangélicos brancos. Sem dúvida, comprou em parte seu apoio, com uma troca de
favores à qual muitos evangélicos, dependentes das doações, responderam
favoravelmente. No entanto, não se pode falar propriamente de OPA, porque isso
sugeriria um controle total, que não existe.
• O que o evangelicalismo nos conta com
seu sucesso, diante o declínio do catolicismo e do protestantismo tradicional?
É
verdade que pode parecer surpreendente. Quando entrei para o CNRS em 1999,
ouvia meus colegas falar sobre o colapso do catolicismo. Para a corrente
evangélica, porém, é o oposto. Um dos elementos que explica esse dinamismo é
que o protestantismo evangélico se adapta muito bem a uma sociedade
democrática, consumista e individualista, enquanto o catolicismo está mais em
sintonia com uma sociedade tradicional, baseada na transmissão geracional e na
autoridade vertical.
Além
disso, as Igrejas evangélicas são mais abertas do que a instituição católica no
que diz respeito ao papel das mulheres, inclusive na pregação. E muitos
católicos não querem mais um cristianismo em que toda palavra de autoridade
venha de um homem.
Finalmente,
os jovens recebem responsabilidades durante o culto e são envolvidos em
atividades comunitárias, um aspecto positivo em uma sociedade onde os jovens
lutam para encontrar seu espaço. Eles também são muito ativos nas redes
sociais.
O
crescimento dessa corrente religiosa faz parte de uma história global marcada,
há 40 anos, pelo triunfo do capitalismo financeiro em detrimento do capitalismo
industrial. Isso levou ao enriquecimento da oligarquia financeira, em
detrimento das classes médias empobrecidas. A atomização dos laços sociais
desestabilizou muitas sociedades, que, portanto, estão em busca de relações. E
as Igrejas evangélicas, assim como outras ofertas religiosas — particularmente
o islamismo — são lugares de solidariedade. O evangelicalismo e o islamismo
constituem hoje as principais ofertas religiosas que atendem as mudanças das
sociedades contemporâneas.
• Como vê o futuro do evangelicalismo?
O
crescimento do evangelicalismo não é inexorável. Nos Estados Unidos, a
Convenção Batista do Sul perdeu 2 milhões de membros desde o início do século
XXI, enquanto havia triplicado o número de membros após a Segunda Guerra
Mundial. Acredito também que a união artificial entre Trump e os evangélicos
brancos esteja lhes custando caro, mesmo que tenha lhes permitido conquistar
posições de poder. Quanto ao Reino Unido, o evangelicalismo continua a perder
terreno. Na Coreia do Sul, está se registrando um ligeiro declínio. Em nível
mundial, por outro lado, está em crescimento, particularmente na África, China
e Sudeste Asiático.
O
evangelicalismo ainda tem várias décadas de crescimento pela frente,
especialmente na França. Isso dependerá, contudo, da capacidade do catolicismo
de se reformar. Se este último conseguir acelerar sua renovação, o
evangelicalismo poderá perder força. No entanto, os evangélicos são capazes de
atrair tanto ex-católicos quanto pessoas não religiosas (2 em cada 10, em
média). Na França, observa-se uma forma de aculturação do evangelicalismo, por
meio de figuras como o cantor Kendji Girac e o jogador de futebol Olivier
Giroud. Contudo, como no caso do Islamismo, os evangélicos são muitas vezes
difamados. Deve-se admitir que, ainda que modestamente, alguns crentes radicais
têm potencial para causar danos, mas, na realidade, a vasta maioria desses
cidadãos é pacífica. É preciso deixar claro que as minorias religiosas —
judaicas, muçulmanas, evangélicas, budistas — onde têm seu espaço, contribuem
para construir a França de hoje.
• “Os evangélicos cresceram em todo o
mundo alinhados com a extrema-direita”. afirma Kristin Kobes du Mez
Kristin
Kobes du Mez é professora de História na Calvin University, de Michigan. Em seu
livro Jesus e John Wayne: como o Evangelho foi cooptado por movimentos
culturais e políticos [Editora Thomas Nelson Brasil, 2022], descreve a ascensão
da direita evangélica, dos primeiros telepregadores e antifeministas da Guerra
Fria à conversão de Trump no presidente da “Maioria Moral”.
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Eis a entrevista.
• Seu livro tem uma abordagem
estadunidense, mas a presença do evangelismo na Europa é cada vez mais notável.
É um fenômeno mundial em expansão?
O
evangelismo conservador é a versão reacionária do cristianismo que está se
espalhando por todo o mundo através das missões que as organizações evangélicas
estadunidenses exportam para muitas partes do planeta, com mensagens populares
e agressivas campanhas de penetração em comunidades locais, através de rádios,
televisões e publicações por onde difundem seu credo para dominar o mercado
religioso.
E agem
com astúcia, combinando as tradições patriarcais com as agendas nacionalistas
locais mais retrógradas. Desde a publicação de meu livro Jesus e John Wayne,
recebi informações precisas sobre o aumento de sua presença e influência no
Canadá, Reino Unido, Austrália, Alemanha, Holanda, China, Brasil, Uganda,
Quênia e também na Espanha.
• Quais são os valores dos evangélicos?
Nos
Estados Unidos, querem restaurar a “América cristã” e ordenar a sociedade
segundo as leis de Deus. Isto se traduz em uma ênfase hierárquica da autoridade
masculina e uma política baseada na “lei e na ordem”.
São
pessoas que se opõem aos direitos de gays, lésbicas, bissexuais e transexuais,
ao aborto, à imigração, à redistribuição de renda e a qualquer tentativa de
abordar as desigualdades sociais, pois apoiam sem rodeios o capitalismo de
livre mercado. Também são muito propensos a negar a existência do racismo.
Além
disso, enquanto muitos defendem a democracia liberal, o evangelismo branco
estadunidense está cada vez mais inclinado a tendências autoritárias. Apoiam as
lideranças fortes, mostram muito pouca preocupação com a supressão de direitos
civis e acreditam que a violência política pode ser justificada se é para
proteger sua visão do que deve ser os Estados Unidos.
Alguns
admiram a maneira em que políticos como Putin, Orbán e Meloni lidam com o
poder. A facção mais extremista defende que as leis de Deus estão acima de
qualquer compromisso com a democracia, pois está convencida de que está
construindo sua obra e que Deus está do seu lado.
• Em plena crise de legitimidade do
liberalismo, são um perigo para o sistema?
Sim,
absolutamente. O elemento cristão mais radical representa um perigo para a
democracia liberal. Acreditam que a finalidade de sua doutrina autoritária
justifica os meios. Sentem-se à vontade enfrentando os tribunais, proibindo os
setores mais críticos de votar ou fazendo interpretações da Constituição para
privilegiar os direitos daqueles que compartilham de sua agenda.
• Na Europa, e concretamente na Espanha, o
número de seguidores tem crescido. Onde está o seu sucesso?
Dedicam
enormes recursos financeiros para promover ensinamentos que fazem crescer o seu
movimento religioso. Sempre dominam a tecnologia moderna para disseminar
mensagens e são incrivelmente acolhedores quando as pessoas entram pela porta
de sua igreja desencantadas com um Estado que não lhes oferece qualquer
resposta. Tenha presente que os evangélicos oferecem um senso de comunidade e
identidade a seus fiéis, em uma época caracterizada pela incerteza econômica e
a mudança cultural. São formados na crença divina da prosperidade, que promete
sucesso aos seus adeptos, tanto neste mundo como no próximo.
• É paradoxal que uma doutrina baseada na
dominação de classe atraia seguidores entre os setores sociais mais
desfavorecidos.
Sim, é
assim. Transmitem a ideia de que se alguém é “obediente” e busca a bênção de
Deus, receberá sua recompensa na forma de felicidade pessoal e sucesso
financeiro. Exaltam os ricos como os santificados por Deus e, portanto,
merecedores de sua riqueza, ao passo que os pobres são vistos como culpados por
sua penúria, que só podem ser salvos por sua fé.
Misturam
habilmente a caridade com a evangelização. Distribuem refeições gratuitas,
elaboram programas extraescolares e oferecem ajuda individual à margem das
políticas estatais contra a pobreza e a desigualdade.
• Na Espanha, a direita política tem
participado de cerimônias evangélicas para conquistar o voto de seus fiéis,
muitos deles migrantes latino-americanos. É uma cópia do que Trump e Bolsonaro
já fizeram?
Essa
não foi apenas uma estratégia de Trump e Bolsonaro. Essa tem sido a tática
constante da direita religiosa em todo o mundo, desde os anos 1960 e 1970.
Aproveitam-se da devoção de seus seguidores para se apresentarem como a única
opção política realmente cristã.
Começam
seu trabalho se posicionando sobre valores familiares como aborto, sexo e
gênero, mas acabam apresentando toda a sua agenda conservadora como a única
forma de ser um crente fiel.
Nos
Estados Unidos, tem sido uma fórmula incrivelmente eficaz para mobilizar
eleitores. E não utilizam apenas pastores e igrejas para espalhar sua
propaganda, mas também meios de comunicação em que transmitem mensagens
políticas bem afinadas para chegar a centenas de milhões de pessoas.
• A principal organização protestante da
Espanha se distanciou dessa corrente evangelista politizada porque “viola o
princípio da separação Igreja-Estado”. Qual é a sua opinião?
Não
posso falar se esta afirmação é genuína ou apenas mera aparência. O que posso
dizer é que muitos evangélicos estadunidenses se declaram apolíticos, enquanto
se alinham sistematicamente com a extrema-direita e apoiam o Partido
Republicano. E defendem seu comportamento dizendo que suas lealdades políticas
são meramente “cristãs”, não partidaristas.
No
entanto, é importante destacar que também há líderes evangélicos que consideram
que tudo isso não passa de uma submissão religiosa, diante de uma política
direitista. Não é que esses pastores sejam esquerdistas ou que votem no Partido
Democrata, mas pelo menos reconhecem os perigos que a inclinação de sua
congregação à direita representa para o país e para sua fé.
E
atenção porque muitos dos que lamentam publicamente a politização da fé acabam
apoiando os candidatos republicanos e favorecendo os elementos mais
extremistas.
• Fala-se do poder dos evangelistas nos
Estados Unidos, mas não na Rússia, onde também experimentam um crescimento
surpreendente.
Por
décadas, os estadunidenses se consideraram os oponentes mais resistentes e
obstinados do comunismo soviético, por isso é surpreendente ver, atualmente,
como alguns evangélicos enaltecem fervorosamente Putin por sua defesa
autoritária dos “valores tradicionais”.
Assim
como alguns cristãos russos – evangélicos e ortodoxos –, veem Putin como um
homem forte que tem tudo o que precisa para enfrentar a esquerda decadente. E
muitos deles consideram que apoiar a democracia liberal é fazer o jogo da
esquerda.
• Há muito dinheiro por trás dessas
igrejas?
Há uma
grande quantidade de dinheiro por trás dessas igrejas, suas redes e
organizações, como o Conselho de Política Nacional, que reúne destacados
pastores com bilionários para falar de suas doações privadas. Milhares de
evangélicos doam 10% de sua renda mensal para suas congregações.
E esse
dinheiro é usado para pagar os pastores e toda a sua equipe de assessores, para
construir edifícios, financiar missionários, comprar recursos educacionais e
alimentar a divulgação. Além disso, as editoras evangélicas são um grande
negócio.
Os
best-sellers evangélicos costumam vender milhões de cópias, apesar de serem
bastante simples e de qualidade questionável. Os circuitos de conferências que
organizam também são extremamente lucrativos, e a música e suas rádios se
transformaram em indústrias com um gigantesco alcance.
Fonte:
Entrevista com Sébastien Fath para Virginie Larousse, no Le Monde - tradução de
Luisa Rabolini, em IHU/Naiz



