quinta-feira, 30 de abril de 2026

'Lição para quem começou a guerra': EUA não atingem objetivos desejados no Irã, diz MRE iraniano

Os Estados Unidos, ao atacarem o Irã, queriam alcançar mudanças geopolíticas na região, e eles as conseguiram, mas o resultado é outro, afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh.

Discursando no Instituto de Estudos Políticos e Internacionais do Ministério das Relações Exteriores do Irã, o vice-ministro afirmou que Teerã continuará a se defender, mas ao mesmo tempo vai buscar a resolução diplomática das hostilidades, já que, na opinião dele, a diplomacia não tem alternativas.

"Há uma expressão: tenha medo de seus desejos. Eles [EUA] queriam mudanças geopolíticas, eles as conseguiram, mas não tenho certeza se isso corresponde ao que eles queriam. Mais uma lição para quem começou a guerra", ressaltou Khatibzadeh.

O diplomata iraniano explicou que Washington iniciou a guerra contra Teerã porque queria "punir" os iranianos pela Revolução Islâmica de 1979, como resultado da qual os EUA foram "expulsos do Irã".

No entanto, os planos dos norte-americanos fracassaram: eles acreditavam que a República Islâmica estaria à beira do colapso e que os militares iranianos seriam incapazes de dar uma resposta, mas a realidade se mostrou outra.

"O Irã continuará em alerta máximo e defensivo em todas as frentes até que perceba que a guerra terminará 'em todas as frentes' e que a situação se estabilizará", disse o diplomata.

Ao mesmo tempo, ele enfatizou que o Irã precisa se concentrar em acabar com a guerra e abordar as causas subjacentes. O Irã continua agindo de acordo com essa linha e não aceitará riscos relacionados à soberania nacional, à integridade territorial ou à segurança nacional do país, acrescentou Khatibzadeh.

Vale mencionar que nesta terça-feira (28) um jornal norte-americano informou que o presidente dos EUA, Donald Trump, instruiu seus assessores a se prepararem para um bloqueio de longo prazo ao Irã, considerando a retomada dos bombardeios uma opção mais arriscada.

¨      Irã prioriza segurança regional mais do que programa nuclear em conversas com EUA, diz analista

Os iranianos estão adotando uma estratégia calculada, priorizando a estabilidade regional antes de abordar as questões nucleares, informa a agência de notícias CNN Brasil, citando Danny Zahreddine, professor de Relações Internacionais da PUC-Minas.

Zahreddine destaca que os iranianos estão "dando um nó" nos norte-americanos nas tratativas nucleares.

"O Irã tem adotado uma estratégia calculada nas negociações com os Estados Unidos sobre seu programa nuclear, priorizando primeiro a estabilidade regional e a abertura do estreito de Ormuz antes de discutir questões mais sensíveis, como o programa nuclear e mísseis balísticos", ressalta o analista.

Segundo ele, o Irã sabe que resolver rapidamente questões do seu programa nuclear seria prejudicial aos seus interesses.

Ao mesmo tempo, a estratégia iraniana inclui articulações diplomáticas com vizinhos, como viagens do ministro das Relações Exteriores ao Paquistão, Omã e Rússia, para ganhar apoio à negociação em etapas.

O foco é criar estabilidade regional e garantir livre acesso ao estreito de Ormuz, adiando temas nucleares, que são mais complexos. Essa tática contraria o objetivo principal dos EUA de resolver a questão nuclear de imediato, afetando diretamente a narrativa norte-americana.

Dessa forma, o analista conclui que o Irã fortalece sua posição regional diante das tentativas dos EUA de pressionar Teerã.

Cabe lembrar que, segundo informações da mídia, nesta segunda-feira (27), Teerã sugeriu aos EUA um acordo que prevê a abertura do estreito de Ormuz e o adiamento da discussão da questão nuclear para uma data posterior.

Na terça-feira (28), um jornal norte-americano escreveu que o presidente dos EUA, Donald Trump, estava insatisfeito com a proposta iraniana porque ela previa o adiamento das negociações sobre a questão nuclear iraniana, enquanto esse era um dos pontos-chave para o chefe da Casa Branca.

Nesta quarta-feira (29), o presidente estadunidense instruiu seus assessores a se prepararem para um bloqueio de longo prazo ao Irã, considerando que a retomada dos bombardeios seria uma opção mais arriscada, segundo matéria de outro veículo de imprensa norte-americano.

¨      EUA gastaram cerca de US$ 25 bilhões na guerra com Irã, afirma Pentágono

Os Estados Unidos já gastaram cerca de US$ 25 bilhões (R$ 125 bilhões) na guerra contra o Irã, afirmou agência de notícias norte-americana, citando vice-secretário interino de defesa para finanças dos EUA, Jules Hurst.

Segundo a publicação, o montante de US$ 25 bilhões é a estimativa pública mais abrangente até o momento do custo do conflito, apresentada pela administração Trump.

"Até hoje, gastamos cerca de US$ 25 bilhões na operação Fúria Épica. […] a maioria [desses fundos foi gasta] em munição", declarou Hurst.

O alto funcionário do Pentágono responsável pelas questões orçamentais militares anunciou esse número durante um discurso perante o Comitê de Serviços Armados da Câmara dos Representantes na quarta-feira (29), juntamente com o secretário de Defesa, Pete Hegset.

Durante a reunião foi debatida também a necessidade de aumentar o orçamento militar norte-americano. O chefe do Pentágono, Pete Hegset, argumentou que um aumento de 40% corrigiria a situação de subfinanciamento de longo prazo, criticando, ao mesmo tempo, as declarações antiguerra dos democratas.

Hegset negou também que a guerra tenha esgotado as principais reservas de munição. No entanto, a agência norte-americana informou que os bombardeamentos norte-americanos ao Irã também esgotaram uma grande parte dos estoques de mísseis e bombas de alta tecnologia.

Vale lembrar que, anteriormente, o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês) afirmou que os Estados Unidos correm o risco de enfrentar uma escassez crítica de mísseis de alta precisão em futuros confrontos de grande escala devido ao esgotamento de seus arsenais durante o conflito com o Irã.

<><> Economia do Reino Unido pode perder cerca de 35 bilhões de libras devido à guerra no Irã, diz mídia

O Reino Unido se prepara para um impacto econômico de £ 35 bilhões (R$ 235 bilhões) e uma possível recessão em 2026 devido às consequências da guerra no Irã, informa uma mídia britânica. O material destaca que, mesmo na melhor das hipóteses, a economia britânica registraria um crescimento mais lento em 2026 e 2027 devido ao conflito em andamento.

Segundo o artigo, o Reino Unido enfrentará um prejuízo econômico grave em 2026, com as repercussões da guerra no Irã intensificando as pressões sobre o governo do primeiro-ministro britânico Keir Starmer.

"A economia do Reino Unido cresceria a um ritmo muito mais lento neste e no próximo ano devido ao conflito no Oriente Médio [...]. Isso representa um duro golpe para a missão do governo de fazer a economia do país voltar a crescer", ressalta a publicação.

Nesse contexto, é apontado que as famílias britânicas enfrentam custos crescentes de energia associados à guerra no Irã, o que agrava um déficit de bilhões de libras nas finanças públicas, em meio a pressões inflacionárias cada vez mais intensas.

Ao mesmo tempo, o conflito no Oriente Médio ressalta a vulnerabilidade do país a choques energéticos globais.

Isso prejudica principalmente as famílias mais pobres e sobrecarrega as empresas com custos mais elevados, além de deixar a economia do país significativamente abaixo das projeções recentes, mesmo que as tensões diminuam rapidamente.

Em uma perspectiva pessimista diante da guerra em andamento, as previsões de crescimento da economia britânica foram reduzidas em 0,5 ponto percentual para 0,9% em 2026 e em 0,3 ponto para 1% em 2027.

Em um cenário mais severo, porém plausível, no qual os preços globais do petróleo subissem para US$ 140 (R$ 697) por barril, a inflação aumentaria ainda mais, podendo levar a economia à recessão no segundo semestre deste ano.

Mesmo no cenário base, de uma redução gradual dos preços da energia, as taxas de juros devem subir um quarto de ponto em julho, para 4%, embora um aumento na próxima reunião de política monetária continue sendo possível.

Portanto, a matéria conclui que o impacto econômico da guerra pode aumentar o endividamento do governo em quase £ 24 bilhões (R$ 161 bilhões) até o final da década.

Anteriormente, um jornal britânico informou que no Reino Unido há temores de recessão, da escassez de suprimentos no Serviço Nacional de Saúde e alerta sobre a vulnerabilidade econômica do país.

¨      EUA revisam proposta de paz do Irã apesar do descontentamento de Trump, diz mídia

Embora o presidente norte-americano, Donald Trump, esteja insatisfeito com a proposta do Irã sobre cessar-fogo e resolução da situação no estreito de Ormuz, a Casa Branca ainda analisa a mensagem iraniana, afirmou o jornal estatal chinês Global Times.

Citando o vice-diretor do Instituto de Pesquisas Internacionais chinês, Dong Manyuan, o veículo informou que o descontentamento do presidente estadunidense pode não significar uma rejeição completa, deixando espaço para a possibilidade de que Washington possa formular uma contraproposta após uma análise mais aprofundada.

"Um olhar mais atento aos detalhes mostra que o Irã não abandonou suas pré-condições; em vez disso, adiou as negociações sobre a questão nuclear, o que por sua vez destaca o estreito de Ormuz como um ponto-chave de discórdia", opinou o especialista chinês.

Ao mesmo tempo, Dong Manyuan sublinhou a queda da imagem dos Estados Unidos aos olhos da comunidade internacional e o crescimento da desconfiança de uma série de países em todo o mundo com as ações norte-americanas no Golfo Pérsico.

"Repetidas violações no estreito de Ormuz fizeram o mundo pagar pelas ações irresponsáveis dos Estados Unidos. Aquilo que inicialmente causou descontentamento em alguns países agora se transformou em um problema internacional mais amplo que provocou forte oposição de muitas nações", observou o analista.

Cabe lembrar que, segundo informações da mídia, nesta segunda-feira (27), Teerã sugeriu aos EUA um acordo que prevê a abertura do estreito de Ormuz e o adiamento da discussão da questão nuclear para uma data posterior.

Na terça-feira (28), um jornal norte-americano escreveu que Donald Trump estava insatisfeito com a proposta iraniana porque ela previa o adiamento das negociações sobre a questão nuclear iraniana, enquanto esse era um dos pontos-chave para o chefe da Casa Branca.

Nesta quarta-feira (29), o presidente estadunidense instruiu seus assessores a se prepararem para um bloqueio de longo prazo ao Irã, considerando que a retomada dos bombardeios seria uma opção mais arriscada, segundo matéria de outro veículo de imprensa norte-americano.

<><> Trump recebe opções para lidar com o bloqueio de Ormuz em meio a negociações paralisadas, diz mídia

Trump recebeu novas opções para responder ao bloqueio do estreito de Ormuz enquanto as negociações com o Irã seguem sem avanços diplomáticos, segundo a mídia norte-americana. A Casa Branca avalia ampliar ou reduzir sua presença na hidrovia após semanas de tensão.

O presidente dos EUA, Donald Trump, recebeu uma série de opções sobre como lidar com o bloqueio contínuo do estreito de Ormuz, enquanto as negociações entre Washington e Teerã estão paralisadas, informou a mídia norte-americana nesta quarta-feira (29), citando duas pessoas a par da reunião.

Mais cedo, Trump instou o Irã a acelerar os esforços para chegar a um acordo sobre o programa nuclear.

As opções apresentadas na segunda-feira (27) foram elaboradas pela equipe de Segurança Nacional do presidente e incluíam aumentar ou reduzir a presença dos EUA na hidrovia, segundo a reportagem, que cita um funcionário norte-americano. Além disso, a "agressividade" operacional de Washington também foi discutida.

Trump ainda não decidiu qual opção seguir, informou a apuração, observando que não está claro quando o presidente pretende tomar uma decisão.

Em 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra alvos no Irã, causando danos e baixas civis. Em 7 de abril, Washington e Teerã anunciaram um cessar-fogo de duas semanas. As negociações subsequentes em Islamabad terminaram sem conclusões, e Trump estendeu a cessação das hostilidades para dar ao Irã tempo para apresentar uma "proposta unificada".

Em 13 de abril, a Marinha dos EUA começou a bloquear o tráfego marítimo que entrava e saía dos portos iranianos em ambos os lados do estreito de Ormuz. Washington afirma que embarcações não iranianas podem navegar livremente pelo estreito, desde que não paguem pedágio a Teerã.

¨      Presença militar israelense nos Emirados não muda arquitetura de segurança no Golfo, diz mídia

O suposto envio da Cúpula de Ferro por Israel aos Emirados Árabes Unidos (EAU), usada para interceptar mísseis iranianos durante a escalada regional, marca uma cooperação militar inédita entre os dois países, mas indica uma tendência no Oriente Médio em meio à guerra com o Irã.

O suposto envio do sistema antimíssil Cúpula de Ferro para os Emirados Árabes Unidos, revelado pelo Axios, foi interpretado por analistas como um ponto de inflexão nos alinhamentos de segurança do Oriente Médio, em meio à guerra entre Israel e Irã.

A presença do sistema, acompanhado por tropas israelenses, teria ocorrido logo no início do conflito, marcando uma mudança significativa na cooperação militar entre os dois países, embora não indique uma tendência mais abrangente.

Segundo o site norte-americano, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou o envio de uma bateria completa da Cúpula de Ferro — com interceptores e dezenas de operadores — após uma conversa com o presidente emiradense, sheik Mohamed bin Zayed Al Nahyan. Os EAU teriam utilizado o sistema para interceptar dezenas de mísseis iranianos, configurando a primeira operação da Cúpula de Ferro em território árabe.

A suposta implantação ocorreu enquanto os Emirados eram alvo de ataques com mísseis e drones, parte da retaliação iraniana contra aliados dos EUA após o início dos bombardeios conjuntos de Washington e Tel Aviv contra o Irã, em 28 de fevereiro. O episódio reforçou o papel central dos sistemas de defesa antiaérea no conflito, especialmente diante das táticas eficazes de saturação empregadas por Teerã.

Desde os Acordos de Abraão, firmados em 2020, os EAU aprofundaram sua cooperação militar com Israel, e o conflito atual parece ter acelerado essa integração. O Ministério da Defesa emiradense afirma que o país foi alvo de cerca de 550 mísseis balísticos e de cruzeiro e mais de 2.200 drones, e embora a maioria tenha sido interceptada, os mísseis iranianos demonstraram que o sistema israelense não é infalível.

Para Liselotte Odgaard, pesquisadora do Hudson Institute consultada pelo South China Morning Post, o envio da Cúpula de Ferro representa um "momento decisivo" na arquitetura de segurança regional, indicando que a defesa antiaérea está se tornando um esforço compartilhado.

A analista ressalta, porém, que o sistema é eficaz, mas limitado, e deve ser entendido como parte de uma defesa em camadas, não como um escudo absoluto.

Odgaard argumenta que a presença de uma bateria operacional israelense nos Emirados marca a transição da normalização diplomática para a integração militar em tempos de guerra, refletindo um nível inédito de coordenação. Para ela, a medida também evidencia uma convergência na percepção de ameaças em relação ao Irã entre Israel e seus parceiros do Golfo.

Também falando à apuração, James Dorsey, pesquisador em Cingapura, elogiou a primeira implantação da Cúpula de Ferro em um Estado árabe, mas alertou que isso não deve ser interpretado como uma tendência generalizada no Golfo. Segundo ele, os Emirados são uma exceção, por serem o parceiro mais próximo de Israel tanto política quanto ideologicamente.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

Todos iguais no 2º turno e eleitor de centro-direita: o problema real de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro está empatado tecnicamente com Lula em todos os institutos sérios que pesquisam a eleição de 2026. Quaest, Datafolha, PoderData CNT/MDA e até Nexus e Atlas/Intel. Esses dois últimos têm reputação uma oitava abaixo dos demais, mas entram nesta análise por boa vontade democrática. Em todas elas, o empate é irrefutável.

A Quaest de 15 de abril apontou o senador numericamente à frente pela primeira vez — 42% a 40%. O Datafolha de 11 de abril inverteu a equação com vantagem numérica também inédita para o candidato do PL — 46% a 45%. A Nexus/BTG de 24 a 26 de abril, divulgada na manhã do dia 27 de abril, devolveu a liderança numérica a Lula — 46% a 45%. Todos os empates técnicos e dentro das margens de erro de 2 pontos percentuais.

São empates, contudo, que nos permitem observar um problema estrutural para o filho 01 do presidiário Jair Bolsonaro, ex-presidente que cumpre sentença por tentativa de golpe de Estado e destruição do patrimônio público, além de formação de quadrilha.

Eis o problema: não é alvissareiro para ele o percentual real dos votos que o senador pelo Rio de Janeiro (ex-deputado estadual investigado por promover o esquema de “rachadinhas” em seu gabinete e envolver-se com milícias) herdará de qualquer candidato de direita no segundo turno, e a velocidade com que parte desse eleitorado muda de lado.

FOCO FECHADO NA ÚLTIMA PESQUISA

A pesquisa Nexus/BTG divulgada na segunda-feira, 27 de abril, é a mais recente e a mais precisa a nos permitir essa arqueologia. Empresa ligada à holding FSB Comunicação, que manteve relações umbilicais com o bolsonarismo dentro do Palácio do Planalto até 31 de dezembro de 2022, os dados da Nexus parecem insuspeitos para se avance num raciocínio que não deixa em boa moldura a “fotografia do momento” para Flávio Bolsonaro.

Os números da Nexus/BTG mergulham nos cruzamentos e revelam o que se esconde na superfície. Entre os eleitores de Romeu Zema no primeiro turno, três em quatro — 76% — migrariam para Flávio num confronto direto com Lula. Apenas 9% prefeririam o petista. É bom para Flávio. Só que os eleitores de Zema são 4% do eleitorado no cenário estimulado mais testado. Isso equivale a um grão que não move agulha no marcador de nenhum candidato com chances reais de vencer uma eleição nacional.

O problema de verdade está nos eleitores de Caiado. O ex-governador de Goiás, que oficializou sua pré-candidatura pelo PSD há menos de dois meses, oscilou dentro da margem de erro e não cresceu a ponto de ameaçar ninguém, conforme a própria Nexus atesta. Mas, a divisão dos eleitores que ele carrega, esta sim, é relevante: 3% do eleitorado total no cenário principal da pesquisa que num eventual 2º turno entre Flávio e Lula, esse eleitorado de Caiado se divide de forma incômoda para o campo bolsonarista.

Dos eleitores do ex-governador de Goiás, 47% migram para Flávio Bolsonaro e 25% e cinco por cento migram para Lula. Outros 28% deles não votariam em nenhum dos dois. Ou seja, um quarto do eleitorado de um candidato de direita, ao escutar o nome de Flávio Bolsonaro, prefere dar um 4º mandato ao presidente petista porque não encara nem comedimento, nem experiência, nem segurança no herdeiro do clã do ex-presidente ora preso.

A questão central não é quantos votos de direita Flávio Bolsonaro herda de Caiado e Zema. É quantos votos da chamada “direita liberal, ou direita democrática, ou ainda direita tradicional” — o eleitorado que se posiciona como conservador mas rejeita o bolsonarismo de raiz — ele consegue, de fato, atrair.

CANDIDATO DO PL NÃO CONSEGUE PESCAR ONDE PRECISA

A Nexus construiu um índice de polarização precioso para entender essa fissura. No eleitorado classificado como “bolsonaristas convictos”, que responde por 28% do total, o candidato do PL concentra 70% das intenções de voto no primeiro turno. Parece sólido. Porém, no grupo dos “não polarizados” — 22% do eleitorado, o maior reservatório de votos disponíveis fora dos blocos ideológicos fixos —, o placar é quase 30% a 29% entre Lula e Flávio Bolsonaro. Não há vantagem sensível para nenhum dos dois e era nessa represa que o senador de extrema-direita deveria estar pescando com galhardia. Não está, não consegue fazê-lo.

Entre os “nem Lula, nem Bolsonaro” simultaneamente — um eleitorado de 8% que é, por definição, o coração do que se chama de 3ª via —, Lula leva 40% e Flávio Bolsonaro apenas 18%. Quem quiser entender por que a 3ª via não consegue crescer a ponto de ameaçar ninguém, que leia esse dado de trás para frente. O eleitorado que rejeita tanto Lula quanto Bolsonaro é pequeno demais e está distribuído de forma que, forçado a escolher entre os dois, prefere o petista ao filho do capitão.

Quando se consideram apenas os eleitores que dizem sempre comparecer para votar, eliminando a abstenção declarada, a diferença entre Lula e seu antagonista do PL no 1º turno encolhe de 5 para 3 pontos. Isso indica que o petismo concentra parte relevante de seu eleitorado justamente no segmento que historicamente se abstém — o de renda mais baixa, menos escolarizado, geograficamente mais concentrado no Nordeste.

Se esse eleitorado não aparecer em outubro, Flávio Bolsonaro se beneficia diretamente. Entretanto, é justamente esse o estrato social mais impactado pelos programas eleitorais na TV aberta, pelas ondas de participação criadas nas retas finais das campanhas. O PT e a esquerda têm sólida reputação de fazer o povo acordar para a relevância do voto, para olhar suas próprias vidas para o que Lula representa no país nos últimos 50 anos. Sendo assim, nada recomenda a torcida pela abstenção por parte das extrema-direita.

EXTREMISTAS CONTAM COM VARIÁVEL QUE NÃO CONTROLAM

O problema para o herdeiro do clã que tentou golpear e garrotear a Democracia no Brasil é que ele não controla a variável “abstêmios”. Ela depende da mobilização do PT, da capacidade de entrega de programas sociais do governo Lula nos meses que antecedem a eleição, e de uma cesta de fatores que escapam à campanha bolsonarista. Os programas de TV e a mídia tradicional brasileira, quando quer,  estimulam esse revisionismo. Os veículos de imprensa ligados ou dependentes de bancos, do sistema financeiro em geral e do bloco de empresários e executivos reacionários ainda não deu seu voto de confiança inarredável em Flávio Bolsonaro. Exposto ao confronto ao confronto com suas fragilidades, o senador fluminense seguirá sem recebê-lo entusiasticamente.

A pesquisa Nexus mapeia outro problema do filho do golpista Jair Bolsonaro que corre por baixo do empate nas intenções de voto. É o endividamento e a percepção de dificuldade econômica. Cinquenta por cento dos entrevistados pela Nexus, a mais recente das pesquisas (o percentual é mais ou menos o mesmo nas demais) disseram que comprar alimentos ficou mais difícil desde janeiro de 2023 — quando o governo Lula começou.

Esse dado é combustível de oposição. Entretanto, o mesmo Flávio Bolsonaro que se beneficia da percepção negativa da economia precisa explicar o que fará diferente de um pai que governou o Brasil entre 2019 e 2022 e deixou o país com inflação de 10% ao ano, desabastecimento de medicamentos e 33 milhões de brasileiros na miséria, com fome. O eleitorado que hoje rejeita Lula por causa do custo de vida é o mesmo que, em 2022, rejeitou Jair Bolsonaro por motivo semelhante. Isso significa que a rejeição econômica é flutuante e não ancorada no bolsonarismo como projeto de governo.

Em contrapartida, o governo Lula está empenhado em criar programas que possibilitem às famílias quitarem ou renegociarem suas dívidas, manterem os filhos na escola e poderem entrar num Minha Casa, Minha Vida repaginado e assegurarem os benefícios de prestação continuada. É bem diferente da oferta do outro lado do balcão, onde o coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro, o senador potiguar Rogério Marinho (PL), faz juras à Faria Lima de que a chegada deles ao poder trará arrocho fiscal, limitação nas aposentadorias e pensões do INSS, redutor nos aumentos anuais do salário mínimo e redução de verbas públicas para programas sociais. As promessas dos bolsonaristas soam como música para os banqueiros e são terror e pânico para as classes C, D e E.

Flávio Bolsonaro tem hoje 48% de rejeição, segundo a Nexus. Lula tem também 48%. Estão tecnicamente empatados na repulsa que provocam nos eleitores. Porém, a composição dessa rejeição é estruturalmente distinta. A rejeição a Lula vem principalmente dos homens — 55% da rejeição ao petista é masculina —, das faixas de renda entre 2 e 5 salários mínimos, da classe média do Sudeste e do Sul. A rejeição a Flávio é majoritariamente feminina — 57% —, vem do Nordeste em proporção muito superior à rejeição ao petista naquela região, e é mais elevada entre os mais pobres.

Esse é o mapa real do problema de Flávio Bolsonaro. Não é um problema de segundo turno apenas. É um problema de composição de eleitorado que nenhum debate de TV resolve e nenhuma aliança com Caiado ou Zema conserta automaticamente, já que 28% do eleitorado do ex-governador goiano prefere não votar em nenhum dos dois a votar no filho de Jair Bolsonaro. As urnas nacionais de outubro de 2026 serão decididas, como sempre, por quem conseguir mobilizar mais seus eleitores e por quem conseguir convencer mais o centro flutuante que prefere nenhum dos dois. Nessa rinha, Lula está levando a melhor e a tendência é que dispare nessas conquistas.

•        Flávio Bolsonaro nega que escalaria irmãos como ministros e abre nova crise

A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou uma nota à imprensa para desmentir rumores que circulavam entre apoiadores e em redes sociais sobre a possível nomeação de seus irmãos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), como ministros em um eventual governo.

No comunicado enviado ao ICL Notícias, a equipe de pré-campanha do parlamentar foi direta ao classificar as informações como falsas e sem qualquer fundamento. “As informações divulgadas não são verdadeiras. Não procedem as afirmações de que Carlos ou Eduardo Bolsonaro serão nomeados ministros em eventual governo. Trata-se de conteúdo inverídico, sem qualquer confirmação ou fundamento”, diz a nota.

Questionada pela reportagem sobre a existência de qualquer possibilidade de os irmãos ocuparem cargos ministeriais, a equipe foi categórica: “nenhuma”.

A pré-campanha também acrescenta que mantém “compromisso com a transparência e a correta informação dos fatos”, em uma tentativa de conter a disseminação do boato.

A necessidade de uma resposta pública mostra o alcance que a narrativa ganhou dentro do próprio campo bolsonarista. As especulações passaram a circular em grupos de apoiadores e perfis alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, alimentando a ideia de que um eventual governo de Flávio já teria espaço reservado para integrantes da família.

<><> Conflito de informações

Segundo membros do PL ouvidos pela reportagem, os boatos teriam partido dos próprios irmãos, Eduardo e Carlos Bolsonaro, em uma tentativa de viabilizar seus nomes em um eventual governo de Flávio, caso seja eleito. A avaliação entre aliados é que o movimento acabou gerando desgaste antecipado e obrigou a campanha a agir para conter a narrativa.

O episódio expõe um ruído interno na comunicação política do bolsonarismo. Enquanto a base antecipa cenários e projeta um governo com forte presença familiar, a campanha tenta conter esse tipo de narrativa, considerada prejudicial para a construção de alianças e para a ampliação do eleitorado.

A inclusão de Eduardo e Carlos Bolsonaro em possíveis ministérios, ainda que apenas no campo da especulação, carrega desgaste político imediato. A percepção de um governo concentrado na família tende a afastar setores mais moderados e reforçar críticas recorrentes da oposição sobre personalismo e falta de institucionalidade.

A campanha busca evitar que a imagem de um eventual governo seja associada a uma estrutura familiar antes mesmo de qualquer definição política mais ampla, como alianças partidárias, composição de base e construção de programa.

O episódio também ocorre em um momento em que o bolsonarismo ainda tenta consolidar um nome competitivo para a disputa presidencial, diante da inelegibilidade de Jair Bolsonaro. Flávio tem sido apontado como uma das alternativas dentro do grupo, mas ainda enfrenta desafios para ampliar sua projeção nacional e consolidar apoios fora do núcleo mais fiel.

Nos bastidores, a avaliação de integrantes do partido é que o principal desafio de Flávio, tanto durante a campanha quanto em um eventual governo, pode vir de dentro de casa. A interferência da própria família, especialmente dos irmãos, é vista como um fator de risco político que a campanha tenta, desde já, neutralizar.

Nesse contexto, a circulação de boatos e a necessidade de desmenti-los publicamente reforçam a percepção de desorganização e disputa de narrativa dentro do próprio campo político.

 

Fonte: ICL Notícias

 

"Só sim é sim": UE debate uniformizar definição de estupro

O Parlamento Europeu aprovou nesta terça feira (28/04) uma proposta em favor de uma definição jurídica do que deve ser considerado estupro do ponto de vista penal.

Fruto de uma iniciativa suprapartidária, o texto teve 447 votos a favor e 160 contra. Cabe agora a análise do Conselho da União Europeia (UE), que atua como colegislador ao lado do Parlamento.

O marco legal do estupro gera dissenso entre os 27 Estados-membros da UE há décadas. Hoje, as definições variam consideravelmente entre os países.

O objetivo da proposta é "criar uma regulamentação uniforme em toda a UE que garanta que, nas relações sexuais, apenas um 'sim' realmente signifique 'sim', e que todas as leis sobre estupro na UE se baseiem no princípio do consentimento", explicou à DW a eurodeputada social democrata Evin Incir, da Suécia, uma das idealizadoras da proposta.

No futuro, o fator decisivo deverá ser "a ausência de consentimento", "e não o fato de a vítima ter de se defender fisicamente ou apresentar hematomas para provar que disse 'não'". O texto também defende uma harmonização com padrões internacionais e um maior apoio às vítimas em todos os Estados membros, incluindo acesso à Justiça, a serviços especializados e à assistência à saúde.

<><> "Não é não" ou "Só sim é sim"

De modo geral, os modelos jurídicos atuais na UE podem ser divididos em três categorias. Em vários países, um ato sexual só é considerado estupro se o agressor usar violência física ou ameaçar com violência.

Já em outros, incluindo Alemanha, Áustria e Polônia, vigora o modelo "Não é não": há estupro quando o ato ocorre contra a vontade claramente manifestada da vítima, ou seja, quando ela nega ativamente o consentimento.

Já o modelo "Só sim é sim" significa que qualquer relação sexual sem consentimento expresso e voluntário é definida como estupro. Esse modelo foi introduzido primeiro na Suécia, mas também é aplicado em diversos outros países da UE, como Bélgica, Dinamarca, Croácia e Grécia.

Nos últimos anos, outros grandes países europeus adotaram essa regra, como Espanha e Países Baixos, e mais recentemente a França, em novembro de 2025, sob o impacto do caso Gisèle Pelicot. A República Tcheca também discute atualmente a introdução desse modelo.

Cerca de metade de todas as mulheres na UE, segundo o Conselho Europeu, já foi assediada sexualmente ao menos uma vez desde os 15 anos.

<><> Suécia pioneira

É baixo o percentual de casos de estupro que são esclarecidos na Europa. Apenas uma pequena parcela dos crimes de estupro é denunciada. Além disso, provas inequívocas são difíceis de obter, e os julgamentos frequentemente se limitam à palavra da parte que acusa contra a da parte acusada.

Na Suécia, o primeiro país da UE a adotar o modelo "Só sim é sim", em 2018, o número de condenações por estupro aumentou significativamente desde então.

Isso também se deve ao fato de o governo ter introduzido simultaneamente o crime de "estupro por negligência (grave)". Ou seja, agressores podem ser condenados quando não tiverem se certificado previamente de que a outra pessoa participava do ato sexual de forma voluntária.

Ainda assim, a produção de provas em tribunal continua difícil, e a taxa geral de condenações permanece baixa. De todo modo, organizações de direitos humanos como a Anistia Internacional consideram a adoção do modelo "só sim é sim" um passo importante, lendo-a como a chave para uma mudança cultural.

<><> Tentativa anterior fracassou

Esta já é a segunda tentativa de estabelecer o modelo "só sim é sim" em toda a UE. Uma iniciativa anterior fracassou em 2024, em parte devido à oposição da França e da Alemanha no Conselho Europeu.

A resistência não se deu tanto por discordância do princípio do consentimento, mas por questionamentos jurídico formais. Como o estupro não está explicitamente listado nos tratados do bloco como crime de dimensão transfronteiriça, os países argumentaram que a UE não teria competência para definir uma norma comum.

O direito penal é considerado um núcleo da soberania nacional. Ambos temiam que a Comissão Europeia extrapolasse suas atribuições e que uma diretiva desse tipo pudesse ser posteriormente anulada pelo Tribunal de Justiça da UE.

"Muita coisa mudou", disse Incir. "Depois que a França mudou sua posição em nível nacional, vemos que a Itália também está trabalhando em uma lei semelhante. Acreditamos que desta vez podemos ter uma grande maioria no Conselho da UE e que talvez já não exista uma minoria de bloqueio."

Em 2023, o bloco aderiu à Convenção de Istambul, o conjunto de normas mais abrangente do mundo para o combate à violência de gênero. Depois, no ano seguinte, aprovou uma diretiva que criminaliza assédio sexual no local de trabalho, cyberstalking e a divulgação de imagens íntimas sem consentimento. Além disso, os países europeus investem centenas de milhões de euros por ano em projetos de prevenção da violência e de proteção às vítimas.

 

Fonte: DW Brasil

 

Quem tem diabetes precisa cuidar do coração? Veja o que a glicose alta pode causar no sistema cardiovascular

O diabetes aumenta o risco de problemas no coração e a glicose alta está entre os fatores que ajudam a explicar essa relação. Segundo o cardiologista José Rocha Faria Neto, o impacto ocorre ao longo do tempo, quando o descontrole da glicose favorece lesões nas artérias e pode contribuir para o entupimento dos vasos do coração.

<><> Como a glicose alta afeta o coração no diabetes

A glicose alta provoca alterações nas células que revestem as artérias. Esse processo ocorre de forma progressiva e facilita o acúmulo de gordura nas paredes dos vasos. O resultado é a formação de placas que podem levar ao entupimento das artérias do coração.

O médico explica que esse processo não acontece por episódios isolados de descontrole. A complicação está associada ao aumento constante da glicose ao longo do tempo. Esse cenário favorece o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

Pessoas com diabetes tipo 2 apresentam risco maior porque, em muitos casos, convivem com outros fatores. Entre eles estão pressão alta, colesterol elevado e obesidade. Esses elementos aumentam a chance de problemas cardíacos.

No diabetes tipo 1, o risco também existe. O aumento da glicose ao longo dos anos pode levar ao mesmo tipo de lesão nas artérias.

<><> Risco de infarto é maior em quem tem diabetes

Segundo José Rocha Faria Neto, o risco de infarto em pessoas com diabetes pode ser duas a três vezes maior em comparação com quem não tem a condição. Esse dado se aplica aos dois tipos de diabetes.

O tempo de convivência com a doença influencia esse risco. Pacientes com mais de 10 anos de diagnóstico já entram em um grupo com maior chance de desenvolver complicações cardíacas. O risco aumenta quando há descontrole da glicose nesse período.

O especialista também destaca que o diabetes pode levar ao enfraquecimento do músculo do coração. Esse quadro pode evoluir para insuficiência cardíaca ao longo do tempo.

<><> O coração pode dar sinais de problema

Nem sempre o coração apresenta sinais claros. Alguns pacientes sentem dor no peito durante esforço físico. Esse sintoma indica dificuldade de circulação do sangue nas artérias.

Esse quadro recebe o nome de angina e funciona como alerta para possível obstrução. No entanto, nem todos os pacientes apresentam esse tipo de sintoma.

O cardiologista alerta que pessoas com diabetes podem perder a sensibilidade à dor ao longo do tempo. Isso pode levar a situações em que o infarto acontece sem dor. Esse cenário dificulta a identificação precoce do problema.

<><> Hipoglicemia também pode afetar o coração

O risco não está apenas na glicose alta. Episódios de hipoglicemia também podem provocar impacto no coração.

A queda da glicose reduz a disponibilidade de energia para o funcionamento do músculo cardíaco. O coração depende desse combustível para manter sua atividade contínua.

Oscilações frequentes entre glicose alta e baixa aumentam o risco cardiovascular. Dois pacientes com a mesma média de glicose podem apresentar riscos diferentes. Quem tem grandes variações ao longo do dia fica mais exposto a complicações.

<><> Controle da glicose e outros fatores de risco

O controle da glicose não deve ser o único foco. O acompanhamento inclui avaliação de colesterol, pressão arterial e peso corporal.

A obesidade, por si só, aumenta o risco cardiovascular. A gordura abdominal libera substâncias que contribuem para o dano nas artérias.

O acompanhamento médico deve incluir exames regulares. A avaliação anual permite identificar alterações antes do surgimento de sintomas.

O médico orienta que o cuidado com o diabetes exige rotina diária. A prática de atividade física, o controle alimentar e o uso correto da medicação fazem parte desse processo.

<><> Check-up cardiológico no diabetes

A avaliação cardiológica pode incluir exames como teste de esforço. Esse exame mostra como o coração reage durante atividade física.

A indicação depende do histórico de cada paciente. Em muitos casos, o acompanhamento pode ser feito pelo clínico ou endocrinologista.

A medição de colesterol e pressão arterial faz parte da rotina. Esses fatores não apresentam sintomas na maioria dos casos.

A ausência de sintomas não indica ausência de risco. Por isso, o acompanhamento regular faz parte do controle do diabetes.

•        Leite aumenta a glicose? Entenda o melhor tipo para quem tem diabetes

Qual será o melhor tipo de leite para quem convive com diabetes? O que considerar na hora de escolher entre o integral ou o desnatado? O ‘Um Diabético’ foi atrás dessa resposta.

A bebida contém carboidratos, proteínas e gorduras. Esses componentes influenciam a glicose no sangue. Em uma porção de 200 ml de leite integral, há cerca de 9,1 gramas de carboidratos. Esse valor também aparece em versões desnatadas e zero lactose, com pequenas variações.

O carboidrato presente no leite pode elevar a glicose. A proteína também interfere nesse processo. A gordura altera a velocidade de absorção. Por isso, o efeito do leite na glicemia depende da composição e da quantidade consumida.

<><>  Diferença entre leite integral, desnatado e zero lactose

A leitura do rótulo ajuda a entender o impacto de cada tipo de leite. O leite integral apresenta cerca de 6,0 gramas de gordura por porção de 200 ml. Já o desnatado tem aproximadamente 0,7 gramas de gordura. O zero lactose fica em torno de 2,4 gramas de gordura.

A quantidade de carboidratos se mantém próxima entre os três tipos. O diferencial está na presença de gordura e na forma como o organismo absorve esses nutrientes.

<><> Gordura interfere na velocidade da glicose

A gordura presente no leite integral atua na digestão dos carboidratos. Esse efeito reduz a velocidade de absorção da glicose. Com isso, a elevação da glicemia tende a acontecer de forma mais gradual.

O leite desnatado não possui gordura em quantidade relevante. Isso faz com que o carboidrato seja absorvido mais rapidamente. Nesse cenário, a glicose pode subir em menos tempo.

O leite zero lactose passa por um processo que quebra a lactose em glicose e galactose. Essas substâncias também impactam a glicemia. A resposta do organismo pode variar de acordo com cada pessoa.

<><> Qual leite impacta menos a glicose

De acordo com a nutricionista Carol Netto, o leite integral tende a provocar uma elevação mais lenta da glicose. Esse efeito ocorre pela presença de gordura na composição.

Já ele desnatado apresenta absorção mais rápida dos carboidratos. O leite zero lactose mantém o teor de carboidratos, mas com alterações na forma de absorção.

O leite integral pode ser uma opção para evitar picos rápidos de glicose. Esse fator não se relaciona com estratégias de perda de peso.

<><> Consumo deve considerar o contexto de saúde

A escolha do tipo dessa bebida precisa levar em conta outros fatores de saúde. Pessoas com orientação para reduzir gordura devem avaliar o consumo com equipe de saúde.

O controle da glicose depende da quantidade ingerida e da combinação com outros alimentos. O monitoramento da glicemia ajuda a entender a resposta individual.

A nutricionista Noeli Dantas destaca que a gordura pode retardar a elevação da glicose. Esse efeito exige atenção, pois o impacto pode ocorrer mais tarde.

<><> Leitura do rótulo é parte do controle

A análise do rótulo permite identificar a quantidade de carboidratos, gorduras e proteínas. Esse cuidado orienta escolhas mais adequadas no dia a dia.

O consumo não precisa ser excluído. A decisão deve considerar o tipo, a quantidade e a resposta da glicose após o consumo.

O acompanhamento com nutricionista e médico contribui para ajustes individuais. Cada organismo responde de forma diferente aos alimentos.

 

Fonte: Um Diabético

 

'Língua dos anjos': a fervorosa maneira como pentecostais oram

"Mesmo que eu fale em línguas, a dos homens e a dos anjos, se me falta o amor, sou um metal que ressoa, um címbalo retumbante."

Assim escreveu o apóstolo cristão Paulo, em carta enviada ao povo de Corinto, histórica cidade da Grécia antiga.

No mesmo documento, ele afirmou que "há diversidade de dons da graça, mas o Espírito é o mesmo". E quando enumerou, pontuou "a outro, o dom de falar em línguas".

"Graças a Deus eu falo em línguas mais do que todos vós", acrescentou Paulo. E anotou ainda que "aquele que fala em línguas não fala aos homens, mas a Deus".

Estes são alguns dos trechos que costumam ser usados com mais frequência para justificar biblicamente o fenômeno da glossolalia, manifestação religiosa comum nos meios cristãos de viés pentecostal, tanto em denominações evangélicas como no movimento da Renovação Carismática Católica (RCC).

No evangelho atribuído a Marcos, o relato das aparições de Jesus aos seus seguidores após a morte inclui um trecho em que ele ordenaria que aquele grupo original se espalhasse pelo mundo pregando "a todas as criaturas".

"E eis os sinais que acompanharão os que houverem crido: em meu nome, expulsarão os demônios, falarão novas línguas, pegarão serpentes com as mãos e, se beberem algum veneno mortal isto não lhes causará mal algum", registrou o evangelista.

Por fim, também há referências sobre essas línguas estranhas no livro dos Atos dos Apóstolos, que no cânone bíblico sucede os quatros evangelhos e traz os relatos dos primeiros trabalhos empreendidos pelos cristãos no esforço de cristianização.

No segundo capítulo do livro, no episódio chamado de Pentecostes, os primeiros seguidores de Jesus estão reunidos e, segundo o texto, recebem o Espírito Santo.

Uma das consequências foi que "se puseram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia exprimirem-se".

Bem mais adiante, no mesmo livro, há o relato da chegada de Paulo à comunidade de Éfeso, na atual Turquia. Ele teria convertido um grupo de cerca de 12 pessoas.

"Paulo lhes impôs as mãos, e o Espírito Santo veio sobre eles; falavam em línguas e profetizavam."

Na interpretação cristã fundamentalista contemporânea, o fenômeno é chamado de "língua dos anjos".

Há nuances de interpretação um pouco diferente conforme os grupos, mas em geral entende-se essa manifestação fervorosa de fé como uma das consequências do chamado batismo no Espírito Santo, ou seja, de uma conversão genuína em que a pessoa recebe o próprio Deus em sua forma espiritual e assume uma mudança radical de vida, a serviço de um propósito sagrado.

<><> Modelo americano

Essa busca mais espiritualizada da experiência religiosa cristã se intensificou no fim do século 19 e início do século 20, sobretudo em algumas comunidades protestantes dos EUA.

O episódio conhecido como Avivamento da Rua Azusa, ocorrido há 120 anos, em abril de 1906, é considerado o marco fundador do pentecostalismo cristão como vertente que existe hoje.

No catolicismo, movimento semelhante foi chamado de Renovação Carismática. Nasceu também nos Estados Unidos, mas apenas em 1967, e chegou ao Brasil dois anos depois.

As orações em línguas ocorrem de forma similar tanto no meio evangélico quanto no meio católico.

Uma das principais divergências, contudo, é que enquanto os católicos entendem que o fruto desse batismo do Espírito Santo seja o desejo de uma mudança de vida — e a oração em línguas seja vista como uma possível experiência pessoal — há vertentes evangélicas que definem as línguas como primeiro sinal do batismo.

"As igrejas pentecostais interpretam o fenômeno da glossolalia como evidência do batismo com o Espírito Santo na vida de uma pessoa convertida a Jesus. Para a tradição pentecostal, esse é um fenômeno pós-conversão, uma espécie de segunda bênção recebida pelo crente em Jesus, que fica evidenciada com a experiência de falar em línguas, a glossolalia", explica o teólogo e psicólogo Daniel Guanaes, autor do livro Cuidar de Si e pastor na Igreja Presbiteriana do Recreio, no Rio de Janeiro.

Guanaes explica que a busca por essa experiência é incentivada aos fiéis, "sobretudo por meio da prática da oração, dos jejuns, vigílias e cultos". Ele reconhece, contudo, que há abordagens diferentes conforme a denominação.

"No pentecostalismo clássico, as línguas geralmente são entendidas como a evidência inicial do batismo no Espírito Santo e costumam ser tratadas como centrais para a vida espiritual", comenta.

"Já no movimento carismático, as línguas são reconhecidas como um dom espiritual legítimo, mas não como evidência obrigatória. Elas podem acontecer, são valorizadas, mas não definem o grau de espiritualidade de alguém nem são esperadas de todos."

O teólogo Huanderson Leite, fundador da Comunidade Católica Ruah Adonai e coordenador estadual da Comissão da Unidade da RCC São Paulo, contextualiza que há divergências dentro da Igreja Católica e, embora com pontos de conexão, algumas diferenças em relação à prática realizada por católicos e por evangélicos.

"A graça que denominamos dentro do movimento carismático de batismo no Espírito é uma experiência pessoal com o amor de Deus. Tem como primeiro e principal fruto o desejo de uma mudança de vida", afirma, opondo-se à visão evangélica que entende a oração em línguas como consequência necessária desse batismo.

De qualquer forma, ambas as vertentes valorizam a glossolalia.

"Para os fiéis é uma experiência catártica", afirma o teólogo e historiador Gerson Leite de Moraes, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Moraes acredita, entretanto, que haja um "problema histórico gigantesco" — o hiato entre as descrições do fenômeno na Bíblia e a explosão do movimento pentecostal pouco mais de 100 anos atrás.

"Quer dizer que o Espírito Santo ficou 1800 anos praticamente sem utilizar esse recurso?", provoca ele.

Os casos de glossolalila entre os relatos bíblicos e a contemporaneidade realmente renderam raríssimos registros.

Conforme lembra o teólogo Raylson Araujo, pesquisador na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), na tradição cristã há textos atribuídos aos pensadores cristãos e religiosos antigos Irineu de Lyon (130-202), Tertuliano (160-220), Hilário de Poitiers (300-368), Cirilo de Jerusalém (313-386) e Agostinho de Hipona (364-430) indicando que eles vivenciavam o fenômeno.

"De alguma forma eles mencionam um carisma, uma manifestação às vezes chamada de oração em júbilo", pontua.

"Da mesma forma, escritos da patrística falam em manifestação e forma de orar que produz palavras não compreensíveis por aqueles presentes na comunidade."

O frade e pensador Tomás de Aquino (1225-1274) também seria um adepto.

"Há uma fala dele que diz sobre a mente ser estimulada pela devoção e, quando oramos, nos rompemos espontaneamente em lágrimas, gemidos, choros de júbilo e outros ruídos. Aqui também haveria uma relação", diz Leite.

Mais recentemente, a freira carmelita Teresa d'Ávila (1515-1582) também teria esse tipo de experiência.

"Na tradição mística ela dizia que o Senhor dava uma oração estranha que não pode ser compreendida e que parece uma linguagem sem nexo", conta Leite.

<><> Leão 13 e Concílio

O teólogo Araujo explica que a fundamentação católica do fenômeno considera várias camadas. Em primeiro lugar, os textos bíblicos. Mas também se consideram esses registros de teólogos antigos.

Para ele, a RCC é depositária dessas tradições e de dois contextos. Em primeiro lugar, o foco que a religiosa italiana Elena Guerra (1835-1914) e o papa Leão 13 (1810-1903) deram ao Espírito Santo.

"Ela foi uma freira muito sensível e um pouco mística. E ele foi um papa que consagrou ou século 20 como o século do Espírito Santo", contextualiza Araujo.

O segundo elemento foi, no entendimento de Araujo, o Concílio Vaticano 2º, série de encontros da cúpula do catolicismo ocorrida entre 1962 e 1965 para modernizar a Igreja Católica.

Entre as pautas, estava a abertura para movimentos de leigos — os encontros da RCC, em geral, têm um protagonismo de católicos leigos, ou seja, que não são religiosos consagrados como padres ou freiras.

Araujo lembra que muitos católicos desconhecem que tal manifestação ocorra na Igreja que seguem.

"Porque é uma experiência que acontece no espaço do grupo de oração, principalmente. Aquele católico que só frequenta missa ou casamentos, por exemplo, muitas vezes desconhece esse carisma", comenta.

É inegável que o pentecostalismo evangélico também teve grande influência sobre a RCC. Nos anos 1960, a ênfase em fenômenos como oração em línguas já era intensa em muitas denominações protestantes.

Araujo lembra ainda que entre os fundadores da RCC, nos Estados Unidos, o best-seller A Cruz e o Punhal, obra biográfica do pastor pentecostal David Wilkerson (1931-2011) era fonte de inspiração.

No meio evangélico a glossolalia também não é unanimidade.

"Há tradições no campo evangélico que divergem moderadamente e outras que divergem significativamente dessa compreensão. Ou seja, há igrejas que reconhecem a possibilidade dos dons, mas não os colocam como centrais nem como evidência normativa da ação do Espírito", ressalta.

"E há igrejas que adotam uma leitura cessacionista, entendendo que certos dons extraordinários tiveram uma função específica na igreja primitiva, como descrito em Atos dos Apóstolos, e não se repetem da mesma forma hoje", explica o pastor Guanaes.

Teologicamente, diz Guanaes, o pentecostalismo costuma entender esse tipo de oração como um dom "concedido ao crente como sinal e meio de edificação espiritual".

"Em muitas correntes, elas indicam uma experiência de maior capacitação para a vida cristã e para o serviço. A explicação parte da ideia de que, ao falar em línguas, o fiel ora 'no Espírito', ultrapassando os limites da linguagem racional e permitindo que a própria oração seja conduzida por Deus", salienta o pastor.

<><> Psicologia da fé

Do ponto de vista humano, a psicologia também oferece sua compreensão sobre o fenômeno.

Na posição dupla de pastor e psicólogo, Guanaes busca separar essas duas facetas ao lembrar que "a competência da psicologia não é avaliar a genuinidade da experiência religiosa", mas sim "entender o que está acontecendo" com o indivíduo "sem recorrer necessariamente a uma explicação sobrenatural".

"De uma perspectiva neuropsicológica, a glossolalia é vista como um fenômeno humano possível dentro de estados emocionais e cognitivos específicos. Em geral, ela é associada a estados alterados de consciência, nos quais há uma diminuição do controle racional e um aumento da expressão automática da fala", explica.

"Nesses momentos, áreas do cérebro ligadas à linguagem estruturada tendem a reduzir sua atividade, enquanto regiões associadas à emoção, à experiência religiosa e à espontaneidade ganham mais protagonismo. Isso ajuda a explicar, por exemplo, por que a fala em línguas soa fluida para quem pratica, mas não segue uma estrutura linguística convencional."

Para outras vertentes, há outras explicações. Autora do livro Voz da Alma, a psicóloga Gabriela Picciotto estudou relações entre espiritualidade e a psiquê humana em seu doutorado realizado na Universidade do Porto, em Portugal.

Ela explica a glossolalia como "um estado alterado de expressão e consciência, no qual a pessoa acessa um fluxo vocal que não segue a lógica da linguagem estruturada mas que está profundamente conectado a uma vivência emocional e interna".

"A pessoa não está 'fora de si', mas em um estado diferente do habitual, menos racional e mais conectado ao sentir", diz ela.

"Do ponto de vista psicológico, podemos entender como uma forma de expressão que emerge quando o pensamento lógico cede espaço para camadas mais profundas da experiência psíquica."

Uma linha mais psicanalítica pode entender o fenômeno como "uma forma de expressão simbólica do inconsciente", comenta Guanaes.

Já a psicologia social e da religião costumam entender o fenômeno como reflexo dos estímulos dos ambientes religiosos que valorizam tal prática — portanto, facilitam sua ocorrência.

É a abordagem do psicólogo Victor Richarte, por exemplo. Para ele, como na linguagem de determinados grupos religiosos a glossolalia tem um aspecto de diferenciação, a manifestação serve de validação para o crente.

"Aquele que fala línguas ininteligíveis se destaca no grupo", comenta. "É um marco que confere certa identidade. E tem validação pela comunidade como um momento especial e de destaque."

Richarte acredita que em determinados contextos o fenômeno demonstra uma ascensão do fiel.

"Uma certa promoção na hierarquia religiosa, uma forma da pessoa se destacar naquele meio", diz.

"A glossolalia se configura como uma prática complexa, situada na interface entre corpo, cultura e experiência subjetiva, podendo também funcionar como mecanismo de pertencimento e expressão da consciência religiosa", contextualiza a psicóloga Mariana Malvezzi, professora na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

Com um viés psicanalítico, Malvezzi argumenta que a experiência pode ser compreendida como uma forma de expressão relacional profunda, "em que o sujeito se conecta com algo que simultaneamente o transcende e o constitui".

Picciotto ressalta que a oração em línguas, embora não seja uma comunicação "no sentido tradicional", é dos pontos de vista "emocional e simbólico".

"Do ponto de vista psicológico, o importante é reconhecer que nem toda comunicação precisa ser racional para ser significativa", defende ela.

 

Fonte: BBC News Brasil