Amapá
pode se tornar um dos estados mais prósperos e sustentáveis do Brasil com
petróleo na Margem Equatorial
A
descoberta de petróleo pela Petrobras na costa do Amapá abre a possibilidade de
uma transformação econômica de grandes proporções em um dos estados
ambientalmente mais preservados do Brasil. Se a presença de hidrocarbonetos na
Margem Equatorial resultar em reservas comercialmente viáveis, os investimentos
privados, a geração de empregos e, sobretudo, as futuras receitas públicas
associadas à produção poderão oferecer ao estado uma oportunidade histórica:
utilizar a riqueza do petróleo para elevar o desenvolvimento humano e,
simultaneamente, preservar seu extraordinário patrimônio ambiental.
O
desafio será converter uma riqueza finita, o petróleo, em ativos permanentes
para as próximas gerações. Educação, saúde, saneamento, ciência e tecnologia,
infraestrutura, energias renováveis e bioeconomia estão entre as áreas que
poderiam receber recursos caso a exploração avance para a produção comercial.
Essa estratégia permitiria ao Amapá perseguir um modelo no qual prosperidade e
preservação ambiental não sejam objetivos contraditórios.
A
dimensão ambiental desse desafio é particularmente relevante. Dados divulgados
pelo Ministério do Meio Ambiente já apontaram que o Amapá mantém mais de 90% de
sua vegetação, sendo que 72% do território estava protegido sob a forma de
unidades de conservação e terras indígenas. Trata-se, portanto, de um estado
que parte de uma condição ambiental excepcional para discutir como uma eventual
riqueza petrolífera poderá financiar um novo ciclo de desenvolvimento.
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Petróleo pode financiar salto no desenvolvimento humano
A
descoberta na Margem Equatorial cria uma oportunidade que vai muito além da
indústria de óleo e gás. Se forem confirmadas reservas comercialmente
exploráveis, a questão central será como transformar a renda extraordinária
gerada pelo petróleo em melhoria efetiva das condições de vida da população.
Royalties
e outras receitas petrolíferas podem financiar investimentos estruturantes em
educação básica e técnica, universidades, hospitais, atenção primária à saúde,
saneamento, habitação, mobilidade, conectividade digital e infraestrutura
logística.
O
objetivo estratégico poderia ser claro: usar o petróleo para elevar o IDH do
Amapá e preparar sua economia para o período posterior ao petróleo.
Essa
transformação exigiria planejamento de longo prazo. Recursos extraordinários
provenientes de commodities podem gerar desenvolvimento quando são investidos
em capital humano e infraestrutura, mas também podem criar dependência fiscal e
econômica quando utilizados predominantemente para financiar despesas
permanentes.
Por
isso, uma eventual nova riqueza petrolífera permitiria ao Amapá discutir
mecanismos capazes de preservar parte dessas receitas para as próximas
gerações, ao mesmo tempo em que outra parcela seria direcionada a investimentos
com elevado retorno econômico e social.
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Um estado preservado pode financiar a economia verde
O
diferencial do Amapá é justamente sua capacidade de combinar uma eventual nova
riqueza energética com um patrimônio ambiental já amplamente preservado.
Isso
abre espaço para um modelo diferente daquele observado historicamente em várias
regiões produtoras de recursos naturais. Parte das receitas do petróleo poderia
financiar diretamente uma economia de baixo carbono baseada em biodiversidade,
manejo florestal sustentável, pesquisa científica, biotecnologia, produção de
alimentos da floresta, turismo ecológico e energias renováveis.
Em vez
de escolher entre petróleo e floresta, o estado poderia utilizar
temporariamente a renda petrolífera para aumentar o valor econômico da própria
floresta preservada.
Investimentos
em universidades e centros de pesquisa também poderiam transformar a
biodiversidade amapaense em fonte de conhecimento, inovação e geração de renda.
Cadeias ligadas ao açaí, produtos florestais, fármacos, cosméticos e
biotecnologia poderiam receber infraestrutura, financiamento e tecnologia.
Nesse
modelo, a riqueza produzida no mar ajudaria a manter a floresta em pé.
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Guiana mostra dimensão da transformação possível
A
poucos milhares de quilômetros da costa brasileira, a Guiana oferece uma
referência concreta da dimensão econômica que uma grande província petrolífera
pode alcançar.
A
descoberta de enormes reservas offshore transformou uma pequena economia
sul-americana em uma das que mais crescem no planeta. Segundo o Fundo Monetário
Internacional, o PIB real da Guiana cresceu, em média, impressionantes 47% ao
ano entre 2022 e 2024, impulsionado pela rápida expansão da produção de
petróleo, pelo crescimento das atividades não petrolíferas e pelos
investimentos em infraestrutura.
Para
2026, as projeções do FMI indicam novamente uma expansão superior a 20%: cerca
de 23%, seguida de aproximadamente 21% em 2027. Portanto, embora não seja
correto afirmar que a economia guianense cresce mais de 20% em todos os anos, o
país vive uma trajetória extraordinária de expansão associada à nova indústria
petrolífera.
O
petróleo acelerou a transição da Guiana em direção ao grupo das economias de
alta renda, segundo o próprio FMI. Ao mesmo tempo, as receitas petrolíferas vêm
permitindo investimentos públicos de grande escala em infraestrutura e outros
setores da economia.
O
paralelo com o Amapá deve ser feito com cautela, já que se trata de estruturas
institucionais, populações e economias diferentes. Mas a experiência guianense
demonstra a dimensão da transformação que grandes descobertas offshore podem
produzir.
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A mesma grande fronteira energética
A
experiência da Guiana também ajuda a explicar por que existe tamanho interesse
econômico e geopolítico pela Margem Equatorial.
A faixa
marítima situada ao norte do Brasil integra uma grande fronteira geológica que
ganhou projeção mundial após as descobertas realizadas nas Guianas. No lado
brasileiro, a Petrobras aposta que áreas da Margem Equatorial possam
representar uma nova fronteira capaz de contribuir para a reposição das
reservas nacionais.
A
descoberta no Amapá representa, portanto, um primeiro sinal concreto de
potencial, mas não significa ainda a existência de uma reserva comercial.
A
Petrobras precisará continuar os estudos e testes para determinar o volume, a
qualidade e a viabilidade econômica dos hidrocarbonetos encontrados. Somente
depois dessas avaliações será possível dimensionar efetivamente a importância
econômica da descoberta.
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Royalties podem deixar legado permanente
Caso
uma produção relevante seja confirmada, uma das principais discussões deverá
envolver a destinação das receitas públicas.
O Amapá
teria a possibilidade de utilizar os recursos para enfrentar gargalos
históricos sem abandonar sua vocação ambiental. Investimentos em saneamento
básico, por exemplo, produziriam simultaneamente ganhos sociais e ambientais.
Educação e qualificação profissional permitiriam que trabalhadores amapaenses
ocupassem empregos de maior produtividade na própria indústria energética e em
outros setores.
Infraestrutura
digital poderia conectar comunidades e estimular empresas de tecnologia.
Investimentos em ciência poderiam ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade
amazônica. Energia renovável poderia reduzir custos e ajudar a criar novas
atividades industriais.
Outra
possibilidade seria estruturar mecanismos de poupança de longo prazo para que
uma parcela da riqueza permaneça disponível mesmo depois do declínio da
produção petrolífera.
A meta
seria evitar que o petróleo se transforme apenas em um ciclo passageiro de
expansão econômica.
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Do petróleo para uma economia pós-petróleo
A
aparente contradição entre uma nova fronteira petrolífera e a transição
energética pode ser enfrentada justamente pela forma como a renda será
utilizada.
O
petróleo pode representar uma fonte temporária de recursos para financiar uma
economia que, no futuro, dependa cada vez menos dele.
O Amapá
reúne condições singulares para testar essa estratégia. Possui vasto patrimônio
ambiental, baixa pressão histórica de desmatamento em comparação com outras
áreas amazônicas e agora se encontra diante da possibilidade de participar de
uma das principais novas fronteiras energéticas do continente.
A
oportunidade, caso a viabilidade comercial da descoberta seja confirmada, será
transformar recursos subterrâneos e marítimos em capital humano, infraestrutura
e preservação.
O
exemplo da Guiana demonstra o poder econômico de uma grande descoberta de
petróleo na região. Para o Amapá, porém, o objetivo pode ser ainda mais
ambicioso: aproveitar a riqueza da Margem Equatorial para elevar o IDH, reduzir
desigualdades e financiar uma economia sustentável capaz de sobreviver ao
próprio ciclo do petróleo.
Se essa
combinação for bem planejada, o estado poderá construir um modelo singular de
desenvolvimento brasileiro: uma das regiões mais preservadas do país
tornando-se também uma das mais prósperas, usando a riqueza do petróleo para
financiar seu futuro sustentável
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Chegou a hora do Norte
É aqui
que essa história ganha sua dimensão mais emocionante.
O Norte
brasileiro é uma das regiões mais ricas em recursos naturais e, paradoxalmente,
uma das que menos se beneficiaram economicamente dessa riqueza.
O Amapá
é um caso emblemático.
É um
estado extraordinariamente preservado, dono de biodiversidade incomparável, mas
ainda marcado por enormes carências de infraestrutura, saneamento, educação,
saúde, conectividade e oportunidades econômicas.
A
riqueza da Margem Equatorial pode ajudar a mudar essa história.
Se a
descoberta for confirmada como comercialmente viável, os investimentos da
Petrobras e de toda a cadeia de petróleo e gás poderão gerar empregos,
infraestrutura, conhecimento, formação profissional e renda. Royalties futuros
poderão financiar escolas, hospitais, saneamento, universidades, ciência e
tecnologia.
E
deveriam financiar também a própria sustentabilidade.
O
petróleo pode ajudar a financiar a economia pós-petróleo.
A renda
produzida no mar pode financiar a preservação da floresta, a bioeconomia, a
pesquisa científica, as energias renováveis e a formação de uma geração de
jovens amapaenses altamente qualificados.
O
objetivo não deve ser simplesmente extrair petróleo. Deve ser transformar
petróleo em desenvolvimento humano.
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Orgulho nacional
Monteiro
Lobato sonhou com um Brasil capaz de controlar suas riquezas.
Getúlio
Vargas criou a instituição que permitiria realizar esse sonho.
Gerações
de trabalhadores transformaram a Petrobras em uma das empresas tecnologicamente
mais sofisticadas do planeta.
Lula
presidiu o Brasil quando o pré-sal foi descoberto e agora, em seu terceiro
governo, assiste à abertura de uma nova possibilidade histórica na Margem
Equatorial.
A
Petrobras atravessou campanhas de descrédito, tentativas de enfraquecimento,
políticas de desmonte e projetos de privatização.
Sobreviveu
porque é maior do que qualquer governo.
Ela
pertence à história brasileira.
Agora,
a empresa poderá cumprir novamente sua missão mais nobre: usar tecnologia,
conhecimento e recursos naturais para puxar o desenvolvimento de uma região
brasileira que durante séculos recebeu muito menos do que merecia.
Que o
petróleo do Amapá seja convertido em escolas, hospitais, saneamento, ciência,
infraestrutura, empregos e preservação ambiental. Que cada barril produzido,
caso a viabilidade comercial seja confirmada, ajude a elevar a qualidade de
vida de quem vive na Amazônia.
E que
daqui a algumas décadas possamos olhar para trás e constatar que a riqueza
descoberta na Margem Equatorial não apenas aumentou a produção brasileira de
petróleo, mas ajudou a construir no Norte do País uma sociedade mais
desenvolvida, mais justa e mais sustentável.
Essa é
a Petrobras que faz sentido. Uma Petrobras forte, pública, tecnológica e
brasileira. Um verdadeiro orgulho nacional.
Fonte:
Por Leonardo Attuch, em Brasil 247



