O
neoliberalismo e o antineoliberalismo
Como
caracterizar aos governos antineoliberais, como os do Brasil, do México, da
Colômbia, da Venezuela, do Uruguai, de Honduras? O que eles têm em comum?
Esses
governos atuam nas linhas de menor resistência dos governos neoliberais, atacam
seus pontos mais significativamente mais frágeis. O neoliberalismo propõe uma
politica de ajuste fiscal como forma de, ao mesmo tempo, combater a inflação,
diminuir os gastos do Estado e abrir o mercado interno. Pretende que, com a
contenção da inflação, o poder aquisitivo dos salários suba e se produza uma
distribuição de renda. A redução dos gastos do Estado permitiria diminuir a
carga tributária, enquanto a abertura da economia pressionaria os preços para
baixo.
Todos
os presidentes neoliberais tiveram uma lua de mel relativamente longa,
conseguiram se eleger e se reeleger por conta do combate à inflação. Para isso
foi necessária uma intensa campanha que promovesse o combate à inflação – e não
as questões sociais – como a preocupação central das pessoas. A inflação
sintetizaria todos os problemas da sociedade e faria do Estado o alvo a atacar,
porque e’ o Estado quem emite dinheiro, quem inflaciona.
Tendo
acumulado responsabilidades a cumprir, especialmente no campo dos direitos
sociais durante o longo ciclo do desenvolvimento econômico contínuo, recaiam
sobre o Estado os ônus desses gastos, quando a estagnação e a recessão
econômica, além do pagamento da divida externa, multiplicada pela alta taxa de
juros, diminuíam drasticamente a capacidade de arrecadação e a disponibilidade
geral de recursos. Para fechar as contas, os governos inflacionam e
desvalorizam continuamente tanto a moeda, quanto os salários.
O
neoliberalismo chegou à América Latina pela via da promoção da inflação como
tema central a combater e, como responsável dela, ao Estado. A tese do Estado
mínimo é onde desemboca a tese da ingovernabilidade, que se refere ao
desequilíbrio entre direitos acumulados e capacidade do Estado de responder por
eles. Ao invés de promover mais produção, o neoliberalismo se propõe a cortar
gastos estatais.
Esse
diagnóstico se impôs como consenso a partir da campanha sistemática dos agentes
do capital financeiro contra a inflação e contra o Estado, a qualquer preço.
Cortar recursos do Estado representa cortar direitos, empregos, rebaixar a
qualidade das políticas sociais de educação, de saúde, e de todas as demais.
Uma vez
promovido o combate à inflação como objetivo prioritário, assumido pela opinião
pública, forjada pelos meios de comunicação, todo o resto se justificaria,
todos os esforços e sacrifícios valeriam a pena para equilibrar as contas
publicas, como meio para conter a inflação e impor a estabilidade monetária.
Essa
foi uma transformação de fundo das preocupações de construção da democracia e
do enfrentamento dos problemas sociais para o combate à inflação, o que
privilegia as ações governamentais de ajuste fiscal. Foi uma mudança de projeto
hegemônico na sociedade, ancorada na mudança da opinião publica, com um novo
tipo de consenso e de sentido comum.
A
esquerda foi pega de surpresa, não encontrou resposta para o tema da inflação e
da crise fiscal do Estado. Ainda mais que o argumento de que “a inflação e’ um
imposto aos pobres”, que são os que não conseguem se defender da inflação, tem
uma raiz profunda na realidade e na cabeça das pessoas.
Esses
novos consensos deixaram a esquerda na defensiva. A iniciativa na nova agenda
passou totalmente para as mãos da direita, que redefiniu termos até ali
monopolizados pela esquerda, como o das reformas. Reformas passaram a
significar nãos mais reformas democráticas das estruturas de poder
tradicionais, como reforma agraria, reforma urbana, reforma tributária, entre
outras, mas reformas de desmantelamento do Estado, na ótica dos ajustes
fiscais. Que na verdade são contra-reformas.
A
esquerda, de progressistas, passou a ser taxada de conservadora, defensora do
Estado e das suas regulamentações, dos direitos sociais e dos gastos
correspondentes, do fechamento do mercado interno à economia internacional.
Todas
as determinações na contramão da globalização neoliberal, que aparecia como a
via que iria desbloquear a expansão econômica. Aos olhos do senso comum, a
esquerda passava a encarnar uma resistência ao progresso econômico, promovido
pela globalização. A historia parecia retomar um processo de universalização
das relações econômicas, diante da qual os Estados nacionais, os sindicatos e a
própria política pareciam ser obstáculos a ser superados.
A
diminuição do direito do Estado mediante as privatizações, o enfrentamento das
politicas sociais e os gastos correspondentes, a diminuição dos servidores
públicos, o afrouxamento das regulações estatais – tudo levou a uma redefinição
das relações de poder na sociedade. Com o mercado assumindo a centralidade e,
com ele, as grandes empresas nacionais e estrangeiras, enfraqueceram também a
vida política, esvaziada das maiores definições sobre os grandes temas
nacionais.
Assim,
a mercantilização geral das relações sociais chegou à politica, em que o peso
dos recursos econômicos foi fazendo com que os Congressos foram ocupados, e,
grande parte, por lobbies, que representam diretamente os
interesses das grandes corporações econômicas e de outros interesses privados.
De
repente surgira governos sui generis, que pareciam impossíveis poucos anos
antes. Governos eleitos como expressão das mobilizações de resistência aos
governos neoliberais.
Os
governos neoliberais combinaram políticas de elevação dos salários acima da
inflação – que segue sendo o mecanismo mais eficiente e direto de distribuição
de renda – com a criação de grande quantidade de empregos com carteira
assinada, de politicas complementares para setores específicos. O Bolsa Família
permaneceu como um símbolo dessas políticas.
¨
Proselitismo liberal. Por Alexandre Linares
Quando
Deirdre Nansen McCloskey ocupa suas colunas na Folha de S. Paulo para
debochar da luta pelo fim da exaustiva escala 6×1, ela não está fazendo uma
análise econômica séria: está performando o velho e desgastado proselitismo
liberal. Na sua coluna “A mágica semana de 5 dias” de 22 de julho de 2026, a
postura fica evidente.
Autoproclamada
defensora do mercado “livre”, a autora é professora da Universidade de Illinois
em Chicago e ligada ao Cato Institute, um think tank ultra-fundamentalista
e ultraliberal estadunidense financiado pelos irmãos Koch, magnatas
conhecidos por bancar a negação da crise climática, o desmonte de direitos
trabalhistas e a ascensão de falanges ultraliberais, reacionários e fascistas pelo
mundo, como o MBL no Brasil e a experiência desastrosa de Javier Milei na
Argentina. Aqui no Brasil, esse tipo de atitude grotesca é normalizado pelos
proprietários da imprensa como a Folha de S. Paulo.
Para
desqualificar o anseio vital da classe trabalhadora por descanso e vida digna,
McCloskey recorre ao mais rasteiro dos sofismas: a reductio ad absurdum (redução
ao absurdo). Compara a regulamentação do tempo de trabalho ao arredondamento
matemático do número Pi para 3,0 ou à promulgação de uma lei que proíba a
tristeza. Essa piada de mau gosto busca naturalizar a jornada exaustiva de seis
dias como se ela fosse uma lei inviolável da física, e não uma construção
histórica imposta pelo capital para extrair até a última gota de mais-valia de
quem é obrigado a vender sua força de trabalho para viver.
A “Chicago
girl“, replicando docilmente os dogmas formulados por Milton Friedman e
pela escola que aparelhou as mais sangrentas ditaduras da América Latina, finge
esquecer que o mesmo argumento mofado foi utilizado no século XIX contra a
proibição do trabalho infantil, contra a proteção ao trabalho de mulheres
grávidas e contra a jornada de 8 horas. Naquela época, os mesmos ideólogos
alarmavam que proibir crianças de trabalhar em minas de carvão “quebraria a
economia”. Se dependesse dessa trupe, a classe trabalhadora ainda estaria
operando 16 horas diárias em troca de um prato de sopa.
Para
embasar seu falacioso pânico econômico nas páginas da Folha de S. Paulo,
a autora cita triunfante um artigo de Mariana Trujillo publicado na
revista Reason Magazine, cujo subtítulo é “Free minds and
free markets” (mentes livres e mercados livres). A jovem diretora da
publicação fez parte da equipe de instituições como o banco de
investimentos J.P. Morgan, o Mercatus Center e o
próprio Cato Institute. O que a Folha não mostra é
que a Reason é uma emblemática trincheira ultraliberal
financiada por bilionários contra tudo e todos que se opunham a o único direito
que consideram legítimos: o de explorar e lucrar.
A
grande indústria do tabaco, por exemplo, passou décadas publicando “estudos”
nessa esfera para negar a relação entre o cigarro e o câncer de pulmão, e esses
mesmos atores se tornaram combatentes contra qualquer política de proteção
ambiental. É essa a “ciência” que os ultraliberais (também chamados de
libertarianos) e os proprietários da Folha de S. Paulo vendem
ao público: a manipulação paga por bilionários para proteger a exploração e as
margens de lucro às custas das condições de vida de quem vive do trabalho.
<><>
O grito do povo e o medo dos exploradores
Ao
contrário do contorcionismo retórico dos ideólogos de gabinete do
libertarianismo, os dados reais desmistificam a propaganda patronal.
Levantamentos
do instituto AtlasIntel e pesquisas de opinião pública revelam
que mais de 73% da população brasileira é amplamente favorável ao fim da escala
6×1 e à redução da jornada sem diminuição salarial. A petição promovida e
organizada pelo Movimento VAT (Vida Além do Trabalho) já ultrapassa 3 milhões
de assinaturas, evidenciando um grito represado da sociedade.
Estudos
do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e
do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (CESIT/Unicamp) demonstraram
que a redução da jornada tem um impacto residual e perfeitamente absorvível
pelos custos empresariais (menos de 2,5% do custo operacional médio). Esse
pequeno ajuste é rapidamente compensado pelo ganho de produtividade, pela
redução drástica do absenteísmo, pela diminuição do burnout e
dos acidentes de trabalho, além do aquecimento do mercado interno pelo consumo
das famílias no tempo livre.
A
essência do debate não é uma “mágica legal”, mas a luta de classes tal como ela
é. Em todo o mundo, a luta da maioria que vive do próprio trabalho resume-se a
disputar a valorização e a propriedade do seu tempo de vida. Enquanto a
produtividade global aumentou exponencialmente nas últimas décadas graças à
acentuação da exploração com o uso da tecnologia e do avanço técnico, a riqueza
gerada ficou concentrada no topo da pirâmide, enquanto quem produz padece sob
jornadas massacrantes.
O
resultado do dogma neoliberal professado por Deirdre McCloskey está visível na
Argentina de Javier Milei, incensado pela mesma corja libertária. Não há
nenhuma racionalidade sob sua condução: é a vontade de executar sem medo um
programa antissocial de cortes. Sob a receita desta figura degradante, o país
vizinho viu a pobreza ultrapassar 50%, com pessoas buscando comida no lixo e
famílias de classe média comprando carne de burro para se alimentar.
Isso
tudo enquanto porta-vozes desta mesma escola de pensamento de Deirdre McCloskey
e Javier Milei chegam ao absurdo de defender o livre comércio de órgãos humanos
(algo que alguns liberais já começam a defender na imprensa brasileira). O
próximo passo dessa turma será defender o direito de pais venderem filhos para
exploradores de crianças ou de pessoas venderem partes de si para canibais. É a
barbárie social maquiada de “liberdade econômica”.
Dizer
que “os brasileiros só conseguirão mais se produzirem mais” é uma das mentiras
patronais mais cínicas. O trabalhador brasileiro já produz muito e ganha pouco,
enquanto a vida se esvai no transporte público e na escala 6×1.
Reduzir
a jornada sem corte de salários não é mágica parlamentar: é reparação
histórica, distribuição de renda e humanização da vida. Os propagandistas do
mercado podem ser pagos em dólares por grandes fundações capitalistas para
mentir e grunhir contra os direitos sociais, mas a história continuará sendo
movida pela força daqueles que produzem toda a riqueza do mundo.
¨
O que se entende mesmo por crise? Por Leonardo Boff
Atualmente
parece estar tudo em crise: a ordem do capital, a economia, a política, as
ciências, as éticas, os valores, as religiões e, entre nós, no Brasil até o
futebol. Numa palavra, temos a ver com uma crise de civilização, vale dizer, da
nossa forma de estar no mundo, como organizamos a sociedade e estabelecemos os
valores e leis que nos regem. Não há campo livre, especialmente concernente ao
futuro.
Ela
pode representar uma tragédia cujo desfecho pode ser destrutivo, como no teatro
grego ou um drama cujo termo pode ser bem-aventurado como na liturgia cristã
que celebra a páscoa da ressurreição depois da sexta-feira santa da paixão.
A
humanidade está posta diante desta decisão: ou continuar como está e poderemos
ir ao encontro de uma tragédia civilizatória ou abrir um novo caminho, marcado,
certamente, por um drama, mas que promete um futuro melhor.
A
Carta da Terra,
um dos principais documentos da ONU pensando o futuro do planeta Terra afirma:
“As bases da segurança global estão ameaçadas; essas tendências são perigosas,
mas não inevitáveis. A escolha é nossa: ou formar uma aliança global para
cuidar da Terra e uns dos outros ou arriscar a nossa destruição e a destruição
da diversidade da vida” (preâmbulo). Eis com que crise radical somos
confrontados.
Expliquemos
primeiramente o que entendemos por crise. A maioria recorre ao ideograma chinês
de crise: como risco e como oportunidade, o que julgo iluminador. Mas prefiro a
rica significação de crise em sânscrito, por ser a matriz de nossa língua e por
possuir ressonâncias em outras palavras derivadas daí.
Em
sânscrito, crise vem de kir ou kri que
significa purificar e limpar. De kri vem crisol, o cadinho
para depurar o ouro das gangas. Acrisolar, na linguagem elegante, quer dizer
também decantar. Uma doença grave produz uma crise profunda no enfermo. Ao sair
da crise, reavalia o sentido da vida e resgata o valor das coisas mais
cotidianas. Então, a crise significa um processo crítico, de depuração de tudo
o que não é essencial. O acidental permanece acidental.
Abordemos
a natureza da crise. Quem primeiro aprofundou a associação entre crise e
angústia foi Sören Kierkegaard, considerado um dos fundadores do
existencialismo. Era filósofo e teólogo. Escreveu um ensaio o título “A
crise e uma crise na vida de uma atriz”. Para ele a vida é entendida como
processo permanente de angústias e crises e de superação de angústias e de
crises.
Outro
pensador fundamental da crise foi o filósofo espanhol Ortega y Gasset
(1883-1955), conhecido como o autor da frase “eu sou eu e minha circunstância”.
Escreveu um ensaio de 1942, mais tarde publicado como Ao redor de
Galileo Galilei: esquemas das crises históricas. Mostrou que a
história, por causa de suas rupturas e retomadas, possui a estrutura da crise.
Esta
obedece, segundo o Ortega y Gasset, à seguinte lógica:
(i)
a
ordem dominante deixa de realizar um sentido evidente;
(ii)
anuncia-se
a percepção de que um muro se levanta à nossa frente, por isso reinam dúvida,
ceticismo e uma crítica generalizada;
(iii)
urge
uma decisão que cria novas certezas e um outro sentido; mas como decidir se não
se vê claro? mas sem decisão não haverá saída para a crise;
(iv)
tomada
a decisão, mesmo sob risco, então abre-se, novo caminho e outro espaço para a
liberdade. Superou-se a crise. Nova ordem pode começar.
Ela se
traduzirá por um curso diferente das coisas. Depois, seguindo a lógica da
crise, esta ordem também entrará em crise. E permitirá, após processo crítico
de acrisolamento e purificação, a emergência de nova ordem. E assim
sucessivamente se estrutura a história humana.
A crise
possui também uma dimensão pessoal, especialmente, a grande crise representada
pela morte. Ela revela também uma dimensão cósmica que é o fim do universo.
Este, creio eu, não acaba na morte térmica e no completo vazio, mas numa
explosão e implosão para dentro da suprema realidade.
Entretanto,
todo processo de purificação não se faz sem cortes e rupturas. Daí a
necessidade da de-cisão. A de-cisão opera uma cisão com o anterior e inaugura o
novo. Assim resgatemos o sentido grego de crise.
Em
grego krísis, crise, significa o processo de decisão tomada
por um juiz ou um médico. O juiz pesa e sopesa os argumentos prós e os contra e
o médico conjuga os vários sintomas da doença. À base deste processo ambos
tomam suas decisões pelo tipo de sentença a ser proferida ou pelo tipo de
doença a ser tratada. Esse processo decisório é chamado “crise”. Encontrada a
solução, a crise desaparece.
O
evangelho de São João usa
30 vezes a palavra crise no sentido de decisão que a maioria dos tradutores,
insensíveis às riquezas da palavra original krísis, traduzem por
juízo. O fato real é que Jesus compareceu como “a crise do mundo” (krisis
tou cósmou), pois obrigava as pessoas a se decidirem em favor ou contra sua
mensagem e pessoa.
O
Brasil vive, há séculos, protelando suas crises porque as lideranças não
possuem a ousadia histórica de tomar decisões que cortassem com o passado
perverso. Sempre se fizeram e se fazem conciliações negociadas a pretexto da
governabilidade. Desta forma sutilmente se preservam os privilégios das
elites do atraso e novamente as grandes maiorias são condenadas continuar na
sua miséria ou na marginalidade.
A crise
do capitalismo é notória. Como mostrou Carl Polanyi em sua obra A
grande transformação, de uma sociedade com mercado se passou para uma
sociedade de mercado. Tudo é feito mercadoria (até órgãos humanos), coisa que
Karl Marx em 1847 o previu e chamou de “o tempo da corrupção geral e da
venalidade universal” em A miséria da filosofia. Hoje predomina o
capital especulativo que não produz sequer um prego, apenas dinheiro e mais
dinheiro. Seguramente terminará numa crise fenomenal afetando cruelmente milhões
de pobres.
Bem
disse Platão em meio à crise da cultura grega: “as coisas grandes só acontecem
no caos, na krisis”. Com a de-cisão, o caos e a crise desaparecerão
e pode nascer a nova ordem. Assim terminava Martin Heidegger, feito nazista por
um tempo, sua preleção inaugural como reitor da universidade de Friburgo, na
Alemanha.
Oxalá
desta crise planetária, surja um novo ensaio civilizatório que, esperamos, seja
mais integrador, mais humanitário, mais espiritual e mais cuidadoso.
Caso
contrário…
Fonte:
Por Emir Sader, em A Terra é Redonda



