segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Eleição brasileira virou uma disputa internacional pelo lugar do Brasil no mundo

A eleição no Brasil não determinarão apenas quem será o novo presidente ou a composição do Congresso, mas também colocarão em disputa uma questão que transcende suas fronteiras: nelas se definirá quem os brasileiros são no mundo, que tipo de nação querem ser e como será configurada a nova ordem global.

Para o governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, uma vitória da extrema-direita com Flávio Bolsonaro é fundamental para reafirmar a América Latina como seu quintal. Isso é essencial para sua política externa e para sua estratégia de conter a influência chinesa em todo o mundo.

A decisão do presidente libertário argentino Javier Milei de viajar a São Paulo para apoiar publicamente a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro não constitui apenas um novo episódio de tensão diplomática com Luiz Inácio Lula da Silva, mas representa, sobretudo, um sinal de que a campanha presidencial brasileira deixou de ser um assunto exclusivamente brasileiro. Quando um chefe de Estado intervém de maneira explícita na política interna da principal potência sul-americana, a mensagem transcende a conjuntura e adquire uma dimensão regional.

Talvez Milei não soubesse que, desde o retorno da democracia e a consolidação do Mercado Comum do Sul (Mercosul), a relação entre Argentina e Brasil se sustentou sobre um princípio relativamente estável: as diferenças ideológicas entre os governos não deveriam comprometer um vínculo considerado estratégico para ambos os Estados.

O apoio explícito de um presidente argentino em exercício a um dos candidatos que disputam a Presidência do Brasil representa um salto qualitativo, porque transfere a competição política brasileira para o campo da política externa.

Em seu discurso em São Paulo, Milei qualificou Lula como “ladrão”, “presidiário” e “lixo socialista” e fez declarações como as seguintes: “Os argentinos vimos como os esquerdistas de merda nos afundaram na pobreza. Não deixem que roubem o futuro de vocês pelas mãos de socialistas ladrões.”

“Se na Argentina temos como fator econômico o que chamamos de ‘risco Kuka’, aqui, no Brasil, hoje vocês têm o ‘risco Lula’.” “Hoje o Brasil pode se somar à transformação regional da qual fomos testemunhas nestes últimos anos, que fará da América Latina uma região sinônimo de progresso.” “Flávio é a pessoa que hoje pode deter Lula e liderar uma verdadeira mudança.”

Já em Buenos Aires, ao inaugurar a Exposição Rural, Milei apontou diretamente para o Brasil em geral e para o governo Lula em particular. Ao abordar o tema da “campanha antiargentina”, o líder libertário afirmou: “Sabe quem colocou mais dinheiro nessa campanha antiargentina? O governo do Brasil: 25% dos recursos saíram de lá, e depois vêm falar de interferências…”.

O Brasil interpretou o episódio como uma ingerência em um processo eleitoral interno e decidiu elevar o tom diplomático. O próprio presidente evitou um confronto pessoal ao afirmar que “não conhece esse sujeito”, uma frase voltada a deslegitimar politicamente Milei sem transformá-lo em um interlocutor direto.

Mais do que um apoio pessoal a Flávio Bolsonaro, tratou-se de uma aposta em um cenário regional mais favorável às prioridades internacionais de seu governo. Reduzir o episódio a uma troca de ofensas seria um erro de análise. O que realmente está em discussão não é a relação pessoal entre dois presidentes, mas o lugar que o Brasil ocupará no novo mapa político.

Quem governar o Brasil não definirá apenas a política interna do país, mas também influenciará o futuro do Mercosul, a evolução do BRICS, as negociações comerciais com a União Europeia e a margem de atuação dos Estados Unidos e da China na região. Nenhuma outra eleição presidencial latino-americana reúne impacto estratégico comparável.

Mas esse cenário coincide com uma mudança política mais ampla. A próxima posse presidencial na Colômbia aprofundará uma guinada regional para a extrema-direita que já alcança Argentina, Equador, Peru, Paraguai, Chile e Bolívia. Nesse contexto, o Brasil aparece hoje como a principal incógnita do mapa político sul-americano.

Para o governo de Donald Trump, o Brasil constitui um parceiro-chave em qualquer estratégia destinada a recuperar influência na América Latina diante do avanço da China. A recepção de Flávio Bolsonaro na Casa Branca e os vínculos que o bolsonarismo mantém com setores conservadores estadunidenses refletem que a disputa brasileira também é vista como uma peça relevante dessa competição estratégica. Pequim também acompanha o processo com atenção. O Brasil é seu principal parceiro comercial na América Latina e um dos pilares do BRICS. Uma eventual vitória de Bolsonaro dificilmente implicaria uma ruptura com a China, dado o peso que esse mercado tem para as exportações brasileiras, mas poderia alterar o equilíbrio diplomático que Lula procurou manter entre as duas grandes potências.

Nos últimos meses, as ações da Casa Branca e o apoio explícito de um presidente argentino em exercício a um dos candidatos que disputa a Presidência do Brasil representam um salto qualitativo, porque transferem a competição política brasileira para o terreno da política externa. As eleições regionais têm sido decisivas para determinar os resultados. No entanto, qualquer ambição de controlar a América Latina estaria fadada ao fracasso se não incluísse o Brasil, que representa um terço da população e do território, além de responder por uma parcela preponderante da economia do continente.

Qualquer ambição de controlar a América Latina estaria fadada ao fracasso se não incluísse o Brasil, que representa um terço da população e do território, além de responder por uma parcela preponderante da economia do continente. O sequestro do Estado brasileiro é fundamental para o plano de refundar o Ocidente com base em novos valores ultraconservadores.

Nos últimos anos, especialmente após a vitória de Trump nos Estados Unidos, o movimento articulou uma tentativa de controlar organizações internacionais. Washington cortou o financiamento de entidades globais e condicionou a retomada dos recursos à transformação dessas instituições para que passassem a cumprir seus objetivos.

O que acontecer em outubro terá impacto imediato no destino de Javier Milei, José Kast e de tantos outros líderes da extrema-direita sul-americana. Embora se oponham ao presidente Lula da Silva, todos sabem que suas economias entrarão em colapso se o Brasil decidir romper acordos ou interromper relações comerciais ou diplomáticas.

Na Casa Rosada ou em qualquer outro gabinete presidencial da região, os governos têm consciência de que dependem do mercado brasileiro para que suas próprias economias prosperem.

Essas eleições também são estratégicas para a China. Em Pequim, os diplomatas se perguntam de que forma uma possível vitória de Flávio Bolsonaro seria decisiva para o novo mapa mundial que está surgindo e para a ambição de Trump de expulsar qualquer presença chinesa da América Latina.

Um Brasil sem forças progressistas representaria um duro golpe para o projeto do BRICS? Um Brasil com um Bolsonaro submisso à Casa Branca significaria o fim do projeto de desdolarização de parte do comércio mundial?

Qual seria, então, o preço que Trump exigirá de Flávio Bolsonaro para apoiá-lo nas eleições? Quem controlaria as reservas brasileiras de terras raras? Qual seria o destino da agenda de desenvolvimento, do combate à fome e do enfrentamento dos problemas climáticos globais com um governo em Brasília que violaria os tratados internacionais?

O que se viu nos últimos dias com a participação de Milei em São Paulo, as viagens de equipes pouco conhecidas ligadas a Donald Trump ou mesmo um telefonema de Xi Jinping são sinais evidentes de que há muito mais em jogo nas eleições brasileiras do que interesses internos. Seu resultado determinará quem será o novo presidente e a composição do Congresso, mas também definirá quem é o Brasil no mundo e que tipo de nação deseja ser.

A estridente participação de Javier Milei, no último fim de semana, no ato de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, em São Paulo, marcou o início da campanha presidencial do gigante sul-americano. Lula respondeu dizendo que aquilo era uma palhaçada, embora depois tenha prevalecido a estratégia da diplomacia zen.

Lula considera seu colega argentino apenas um enviado do verdadeiro adversário, Donald Trump. Fontes governamentais do Palácio do Planalto fizeram circular a informação de que se trata de uma tentativa de Washington de inclinar a balança nas eleições de outubro, segundo o The Wall Street Journal.

Ali não se mencionam apenas as tarifas impostas pelos Estados Unidos em meados de julho, mas também um fato que eleva consideravelmente o nível de tensão: a recusa, por parte do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, do visto para dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos que viajariam ao país para investigar o sistema eleitoral, segundo O Globo.

No domingo, Lula enviou ao The Washington Post um artigo de opinião no qual critica as sanções econômicas e aponta a tentativa de instrumentalizar as relações entre os dois países “com fins eleitorais”. Nesse mesmo dia, conversou por telefone com Xi Jinping, que lhe manifestou apoio na disputa.

Por enquanto, as pesquisas sorriem para o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), que busca a reeleição. Mas ainda falta muito: a corrida está apenas começando e, como destaca Laryssa Borges, na Veja, “os insultos de Milei prenunciam um cenário sem precedentes de internacionalização das eleições”.

A grande pergunta é qual será o grau de eficácia das tentativas de ingerência que preocupam o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e que se multiplicam, como o ativismo da embaixada estadunidense em São Paulo.

<><> Uma disputa que transcende fronteiras

As eleições no Brasil determinarão quem será o novo presidente e a composição do Congresso. O que está em jogo, porém, é uma disputa que transcende as próprias fronteiras do país. Será definido quem é o Brasil no mundo, que tipo de nação deseja ser e como será configurada a nova ordem global.

O que se viu nos últimos dias com a participação do presidente libertário argentino Javier Milei em um ato de campanha de Flávio Bolsonaro, em São Paulo, as viagens de equipes pouco conhecidas ligadas a Donald Trump e até mesmo um telefonema de Xi Jinping são sinais evidentes de que há muito mais em jogo nas eleições brasileiras do que interesses internos.

Para a extrema-direita global, as urnas no Brasil também são decisivas. O sequestro do Estado brasileiro é fundamental para seu plano de refundar o Ocidente com base em novos valores ultraconservadores. O que acontecer em outubro terá impacto imediato no destino de Javier Milei, José Kast e de tantos outros líderes da extrema-direita sul-americana. Embora se oponham ao presidente Lula, todos sabem que suas economias entrarão em colapso se o Brasil decidir romper acordos ou interromper relações comerciais ou diplomáticas.

¨      A guerra de Trump avança para a diplomacia. Por Paulo Cannabrava Filho

A guerra desencadeada por Donald Trump contra o Brasil deixou de ser apenas econômica. Os tarifaços, utilizados como instrumento de pressão política e comercial, agora são acompanhados por uma ofensiva diplomática que eleva a tensão entre Brasília e Washington a um patamar inédito nas últimas décadas.

O centro do novo conflito é a troca de embaixadores. O governo brasileiro ainda não concedeu o agrément ao diplomata Daniel Perez, indicado por Washington, procedimento indispensável para que um embaixador possa assumir oficialmente suas funções.

Em resposta, a Casa Branca decidiu retaliar atingindo diretamente a representação diplomática brasileira, transformando uma questão de protocolo em instrumento de pressão política.

A medida mais contundente foi a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A decisão não a obriga a deixar imediatamente os Estados Unidos, mas a impede de retornar ao país caso saia do território estadunidense.

Trata-se de uma forma de pressão diplomática incomum entre dois países que mantêm relações há mais de um século. Segundo o governo estadunidense, a sanção poderá ser revertida tão logo o Brasil conceda o agrément ao político indicado por Washington.

O governo brasileiro reagiu afirmando que a justificativa apresentada pelos Estados Unidos se baseia em premissas falsas e que a escalada diplomática é motivada por razões ideológicas.

Em Brasília, também prevalece a avaliação de que a indicação de Daniel Perez, somada às medidas de pressão adotadas pela administração Trump, revela a intenção de influenciar o ambiente político brasileiro às vésperas das eleições gerais de outubro.

Independentemente dos desdobramentos imediatos, o episódio revela uma mudança preocupante na condução das relações internacionais dos Estados Unidos.

A diplomacia, tradicionalmente voltada à construção de entendimentos entre Estados soberanos, passa a ser utilizada como instrumento de intimidação política.

Durante mais de um século, Brasil e Estados Unidos construíram uma relação marcada pela cooperação. Em muitos momentos, essa cooperação foi além da cordialidade e assumiu contornos de evidente assimetria, com o Brasil frequentemente acomodando seus interesses às prioridades de Washington. Ainda assim, preservaram-se as formas diplomáticas e o respeito institucional.

Agora, a lógica parece outra. O objetivo deixa de ser o entendimento para dar lugar à imposição da vontade da maior potência sobre um parceiro que procura preservar sua autonomia.

A resposta brasileira deve ser firme, mas serena. Firme na defesa de sua soberania e de suas instituições; serena para não transformar divergências diplomáticas em crises permanentes. O Brasil não precisa romper relações com os Estados Unidos, tampouco alimentar confrontos estéreis. Precisa apenas agir como um país soberano, consciente de seus interesses e de seu papel no mundo.

Os Estados Unidos continuarão sendo um parceiro importante. Mas não são o único. O Brasil mantém relações econômicas, políticas e culturais com dezenas de países e dispõe de condições para ampliar sua presença internacional sem aceitar pressões incompatíveis com sua condição de Estado independente.

Soberania não é hostilidade. É a capacidade de decidir os próprios caminhos sem tutela externa. Nas relações entre nações, o respeito não se impõe pela força; conquista-se pelo reconhecimento mútuo da independência e da dignidade de cada povo. É esse princípio que deve orientar o Brasil neste momento de tensão diplomática.

¨      Lula diz que Marco Rubio é um ‘latino-americano frustrado’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez críticas ao secretário de Estado dos Estados Unidos, o republicano Marco Rubio, a quem classificou como “latinoamericano frustrado”. Em discurso no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP), o chefe do Executivo brasileiro atribuiu a Rubio parte dos problemas na relação com Donald Trump.

Lula explicou que sua equipe faz telefonemas semanais com o governo Trump e enviou diversos documentos comprovando falácias nos argumentos utilizados para implementar as últimas tarifas contra o Brasil.

“Tem um cidadão lá que não gosta do Brasil, que não gosta da América Latina e que é bolsonarista, que é o homem secretário de Estado, que é o Marco Rubio. Ele não gosta. Eu disse para o Trump: ‘Esse moço não gosta do Brasil’. Ele é um anti-latino-americano ou um latino-americano frustrado.”

O presidente brasileiro recordou que Rubio tem ascendência cubana. Seu pai, Mario Rubio Reina, imigrou para os Estados Unidos em 1956, três anos antes da Revolução Cubana. “Ele é um descendente de cubano de Miami. Então ele odeia Cuba, odeia Colômbia, odeia o Brasil. E ele faz as coisas diferente daquilo que a gente conversa com Trump”, disse Lula.

<><> Quem é Marco Rubio

O posto de Secretário de Estado dos Estados Unidos apresenta similaridades com o de um ministro de relações exteriores. Trata-se de um cargo dentro do Departamento de Estado, nomeado diretamente pela presidência da República.

Rubio é um político republicano há mais de 20 anos, próximo de algumas das alas mais conservadoras do partido. Já teve mandatos na Câmara dos Representantes da Flórida (2000–2008) e no Senado dos Estados Unidos (2011–2025).

Quando a última rodada de tarifas contra o Brasil foi implementada, Rubio fez acusações contra o presidente brasileiro na rede social X. “Que não haja dúvidas sobre o motivo [das taxas]: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa fé”, disse. “Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. Durante o último ano, Lula priorizou seu próprio ego em detrimento de um acordo que buscasse o bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço a pagar por isso.”

 

Fonte: Por Álvaro Verzi Rangel, em Diálogos do Sul Global/Opeera Mundi

 

A armadilha do debate: a dialética impossível

O debate promete confronto de ideias, mas sua segunda vida pertence aos algoritmos. Em poucos segundos, argumentos viram cortes, contexto vira ruído e contradições complexas são convertidas em munição. Diante dessa máquina, a pergunta não é se Lula tem coragem de comparecer. É porque deveria aceitar lutar no terreno escolhido pelos adversários.

<><> O debate não termina no debate

Há um erro de perspectiva no debate sobre a participação de Lula nos primeiros confrontos presidenciais de 2026. Discute-se se o presidente deve comparecer como se a questão central fosse sua disposição para enfrentar adversários diante das câmeras. Não é. Antes de perguntar se Lula deve entrar no debate, é preciso perguntar no que o debate se transformou.

O debate televisionado já não termina quando a transmissão acaba. Ele continua em outra escala, submetido a uma segunda lógica. Horas de confronto são decompostas em fragmentos, reenquadradas, legendadas e redistribuídas como objetos políticos autônomos. Uma resposta de três minutos pode desaparecer; alguns segundos de hesitação podem circular durante dias. O acontecimento permanece o mesmo, mas sua percepção pública passa a ser disputada por campanhas, influenciadores, redes organizadas, veículos, perfis anônimos e sistemas privados de recomendação que hierarquizam visibilidade e circulação.

Não mudou apenas a linguagem. Mudou a estrutura material da disputa.

O debate deixou de ser somente uma arena de exposição e passou a funcionar também como matéria-prima para uma cadeia de processamento político posterior. É aí que começa a guerra dos cortes. Ela não precisa falsificar uma frase para alterar seu sentido. Basta separar o fragmento das relações que o explicam. Não precisa derrotar um argumento. Basta fazer sobreviver a parte mais eficiente para a circulação.

Isso produz uma assimetria decisiva: explicar é mais caro do que acusar. Governar exige causalidade, contexto, escolhas, limites e consequências. Atacar exige localizar uma vulnerabilidade e condensá-la numa forma capaz de circular. A igualdade formal do relógio não elimina essa desigualdade material. Três minutos não possuem o mesmo valor estratégico para quem precisa tornar inteligíveis quatro anos de governo e para quem precisa produzir dez segundos de impacto.

É nesse ponto que o problema deixa de ser apenas comunicacional.

O contraditório pode existir formalmente e, ainda assim, perder as condições necessárias para se transformar em elaboração. A dialética não nasce do simples choque entre posições opostas. Ela exige que a contradição possa revelar suas determinações, encontrar mediações, desenvolver-se no tempo e transformar a compreensão do próprio objeto. Quando esse processo é comprimido pela lógica do impacto imediato, o conflito permanece, mas sua capacidade de produzir compreensão diminui.

A contradição não desaparece. Continuam existindo trabalho e capital, soberania e dependência, desigualdade, interesses econômicos e projetos de sociedade em disputa. O que se estreita é o espaço para que essas relações apareçam como relações e não como fragmentos isolados.

Esse é o paradoxo central da arena contemporânea: quanto mais se multiplica o contraditório, menos tempo pode restar para elaborá-lo.

E quando a abundância de confronto começa a substituir a compreensão das contradições, o debate pode conservar todas as formas externas da democracia enquanto perde parte de sua capacidade dialética.

Essa transformação não beneficia todas as formas de fazer política da mesma maneira. A extrema-direita contemporânea desenvolveu uma linguagem particularmente adaptada à economia da atenção: personalização do conflito, fabricação de inimigos, choque moral, indignação e redução de processos históricos complexos a culpados imediatamente reconhecíveis. Não é necessário explicar uma relação quando se pode oferecer um inimigo.

Isso não significa atribuir à direita alguma superioridade tecnológica, nem supor que forças progressistas estejam imunes à simplificação ou à manipulação. A questão é material: certas formas de discurso possuem maior capacidade de compressão. Medo, ressentimento e acusação cabem facilmente num corte. Causalidades econômicas, relações históricas e contradições sociais exigem mediação.

Para um governo de esquerda, a assimetria é ainda mais sensível. Emprego, salário, inflação, juros, investimento público, proteção social ou soberania só podem ser compreendidos nas relações que os produzem. Governar significa também administrar a tensão entre aquilo que se pretende transformar e aquilo que a correlação de forças permite realizar. Explicar essa contradição exige contexto. Para atacá-la, muitas vezes basta convertê-la em fracasso pessoal, escândalo ou sentença moral.

É nessa arena que Lula entraria em 2026. Não apenas como candidato, mas como presidente, representante de um governo e principal pólo político que seus concorrentes precisam atingir para conquistar a centralidade. A igualdade formal entre candidatos esconde, portanto, uma profunda desigualdade de incentivos.

Para quem precisa crescer, confrontar Lula pode custar pouco e render muito. Não é necessário derrotá-lo durante duas horas. Basta produzir diante dele o instante capaz de sobreviver às duas horas.

A tecnologia que multiplica esse poder é nova. A disputa pelo que sobrevive a um debate presidencial, não. Lula conhece essa história desde 1989.

O precedente mais brutal está em 1989. No último debate entre Lula e Fernando Collor, às vésperas do segundo turno, a disputa não terminou no estúdio. No dia seguinte, o Jornal Nacional exibiu uma edição que privilegiou os melhores momentos de Collor e os piores de Lula, desequilíbrio posteriormente reconhecido pela própria Globo. Décadas depois, pesquisa publicada na Comparative Political Studies encontrou evidências de efeito eleitoral significativo daquela cobertura desfavorável a Lula. A lição permanece: o poder de um debate não está apenas no que acontece diante das câmeras, mas também em quem consegue determinar o que sobreviverá depois.

Em 1989, essa capacidade de edição e distribuição estava concentrada nos grandes meios de comunicação. Em 2026, foi pulverizada. Campanhas, influenciadores, redes políticas e operadores digitais podem produzir milhares de versões do mesmo acontecimento, enquanto plataformas distribuem esses fragmentos em escala, velocidade e segmentação impossíveis na era da televisão monopolista. O problema histórico permanece, mas sua potência tecnológica mudou.

Em 2006, surgiu outra dimensão. Presidente e candidato à reeleição, Lula decidiu não comparecer ao último debate da Globo antes do primeiro turno. A cadeira vazia foi explorada pelos adversários e sua ausência tratada como medo, arrogância e fuga. Lula foi ao segundo turno, voltou aos debates, enfrentou Geraldo Alckmin e venceu a eleição. O episódio não prova que faltar a debates produz vitória. Prova algo mais importante: presença não é virtude e ausência não é covardia. Seu significado depende da conjuntura e do cálculo estratégico.

Em 2022, Lula encontrou outra configuração. Como principal candidato da esquerda e um dos polos da eleição, tornou-se alvo valioso não apenas de Jair Bolsonaro, mas de concorrentes que também precisavam confrontá-lo para conquistar espaço próprio. A lógica é simples: quem ocupa o centro da disputa oferece centralidade a quem consegue enfrentá-lo.

É essa genealogia que importa em 2026. Em 1989, o poder da edição. Em 2006, a legitimidade da recusa estratégica. Em 2022, o incentivo à concentração dos ataques. Agora, essas três dimensões se encontram dentro de uma infraestrutura de circulação política muito mais rápida, fragmentada e capilar.

A questão, portanto, nunca foi saber se Lula pode perder um debate. É saber por que deveria oferecer aos adversários uma arena na qual sua própria centralidade pode ser utilizada para fabricar a deles.

É nesse ponto que a acusação de covardia perde qualquer valor analítico. Coragem é uma virtude humana, não um método de decisão estratégica. Estratégia começa em outro lugar: objetivo, correlação de forças, terreno, risco e recompensa.

Depois de quase meio século de vida pública, transformar a presença de Lula num estúdio de televisão em prova de coragem é politicamente pueril. A pergunta relevante é outra: que objetivo sua participação no primeiro debate permitiria alcançar que não possa ser obtido, com menor risco e maior capacidade de iniciativa, em outras arenas?

Esse é o cálculo. Para candidaturas que precisam crescer, o debate oferece acesso direto ao presidente, audiência nacional e a possibilidade de produzir um momento de repercussão. Para Lula, a equação é inversa. Responder pode promover um adversário menor. Ignorar pode alimentar a acusação de evasão. Uma imprecisão pode virar corte. Uma reação pode substituir horas de discussão. Quanto maior sua centralidade, maior o valor político de qualquer fragmento extraído dela.

Não comparecer também tem custos. A cadeira vazia será explorada, adversários falarão em fuga e parte do eleitorado poderá considerar a ausência um erro. Ignorar isso seria substituir estratégia por torcida. A questão é comparar riscos. A ausência produz uma narrativa previsível e politicamente administrável. A presença abre um campo muito maior de acontecimentos imprevisíveis cuja circulação posterior escapa ao controle da campanha.

Recusar o primeiro debate, portanto, não significa recusar debates como princípio. A correlação de forças muda ao longo de uma eleição. Num segundo turno, com dois projetos frente a frente, o confronto pode tornar-se necessário e estrategicamente vantajoso. Estratégia não transforma decisões circunstanciais em dogmas.

É justamente por isso que moralizar a presença interessa a quem deseja Lula naquela arena. Quando comparecer passa a significar coragem e faltar passa a significar medo, tenta-se converter uma escolha estratégica em obrigação moral. O resultado é conveniente: retira-se do adversário a liberdade de escolher seus próprios movimentos.

Lula não precisa aceitar esse enquadramento. Precisa decidir onde sua presença amplia sua força política e onde apenas amplia as oportunidades dos outros.

Uma campanha presidencial não existe para vencer uma noite de televisão. Existe para vencer uma eleição.

Há, porém, algo maior em jogo. Uma democracia não se mede pela quantidade de confrontos que produz, mas pelas condições que oferece para que a sociedade compreenda os projetos em disputa. Quando a política é submetida à fragmentação permanente, o contraditório pode sobreviver como espetáculo enquanto perde capacidade de revelar as relações que organizam a vida concreta.

Numa sociedade desigual e periférica como a brasileira, essa perda não é neutra. Quem mais precisa compreender por que o salário compra menos ou mais, como juros afetam emprego e investimento, por que decisões tomadas nos centros do poder econômico atravessam a vida cotidiana, é justamente quem dispõe de menos poder sobre as estruturas que organizam a circulação da informação. Soberania, desenvolvimento, trabalho e democracia deixam então de aparecer como relações e passam a competir como fragmentos.

A disputa pela dialética é também, nesse sentido, uma disputa pela autonomia da consciência. Nenhuma plataforma pode abolir as contradições entre trabalho e capital, soberania e dependência, democracia e concentração de poder. Pode, porém, fragmentar sua representação até dificultar que sejam percebidas como partes de uma mesma totalidade histórica.

É também por isso que escolher onde enfrentar o adversário importa. Recusar uma arena desfavorável não elimina o confronto democrático. Significa preservar a capacidade de travá-lo onde projetos possam ser apresentados, contradições expostas e a sociedade tratada como sujeito político, não apenas como audiência a ser capturada.

Lula não precisa provar que sabe lutar. O desafio de 2026 é saber quando lutar, em quais condições e a serviço de qual objetivo.

Estratégia não é aceitar todas as batalhas.

É não entregar ao adversário o poder de escolher o terreno da história.

 

Fonte: Por Reynaldo José Aragon, em Brasil 247

 

Por que o Sul é a região mais propensa a tornados no Brasil?

Excepcionalmente rápidos, altamente destrutivos e mais comuns do que podem parecer. Assim são os tornados que ameaçam sobretudo a região Sul, a mais propensa no país a este fenômeno meteorológico severo, tal como o que arrasou a cidade de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, em novembro do ano passado, ou o que atingiu o município de Pedro Osório, no sul do Rio Grande do Sul, nesta quinta-feira (06/08). 

Um levantamento da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) contabilizou 23 tornados no Sul em 2024, dentre 28 em todo o Brasil. Paraná e Rio Grande do Sul tiveram dez casos cada, e Santa Catarina registrou três ocorrências. Mais três casos aconteceram na Bahia, além de um em Alagoas e outro no Pará.

Os mesmos pesquisadores já estimaram que 70% dos tornados em solo brasileiro se passem no Sul – dentre 581 tornados no país estudados entre 1975 e 2018, 411 foram na região. 

A suscetibilidade do Sul se explica pela sua posição geográfica, que faz dele um corredor atmosférico. Lá passam tanto ventos quentes e carregados de umidade vindos da Amazônia quanto massas polares oriundas do Sul-Sudoeste. O encontro entre as duas correntes favorece a formação de tempestades severas com movimentos giratórios, que são os tornados.

<><> Como se formam os tornados?

O tornado em Rio Bonito do Iguaçu se originou a partir de uma supercélula, ou seja, uma tempestade severa formada num ambiente de instabilidade, com uma importante variação na velocidade dos ventos correndo em diferentes altitudes – é o que especialistas chamam de "cisalhamento vertical do vento".  

Uma corrente de ar fria descendente e outra ascendente entram em rotação e formam uma coluna de ar giratória, chamada de mesociclone. A partir daí, se forma o tornado, que se desloca de 30 a 60 km/h, com velocidade de giro que pode ultrapassar os 400 km/h. 

De junho de 2018 a julho de 2026, 511 tornados atingiram o Brasil, conforme registrado pela Plataforma de Registros de Tempo Severo (PRETS), base de dados mantida por uma iniciativa de meteorologistas. 

O número inclui tornados que se formam sobre a água, sem a presença de tempestades, e eventualmente diversos pontos onde uma mesma tempestade provocou danos. O Sul foi, também nesta contagem, a região mais afetada.

<><> América do Sul é foco no planeta

Os Estados Unidos são os campeões mundiais de tornados registrados – são em média 1.225 ao ano –, e pesquisas já apontaram a América do Sul como o segundo lugar do mundo mais propício à sua ocorrência. A área de maior potencial inclui Brasil, Paraguai, Argentina, Uruguai e Bolívia. 

O cálculo, entretanto, é dificultado pelo fato de que, ao contrário de fenômenos meteorológicos que podem ser medidos com instrumentos fixos, os tornados precisam ser observados por seres humanos. 

"A defesa civil registra os casos em que ela é chamada. Mas muitos tornados acontecem sem que ela seja acionada. Às vezes, em comunidades rurais e distantes, as pessoas resolvem os problemas que resultam dos tornados por conta própria", explica a professora Karin Linete Hornes, do Departamento de Geociências da UEPG. 

Quando eles se manifestam em lugares nada ou pouco povoados, o mais provável é que não sejam documentados. No Sul brasileiro, este é caso frequente dos tornados em zonas rurais, podendo gerar danos para plantações.

O tornado em Rio Bonito do Iguaçu foi excepcional também pela velocidade dos ventos, estimados entre 300 km/h e 330 km/h pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). Outros dois tornados menores foram registrados no Paraná com ventos entre 200 km/h e 250 km/h.

<><> Aumento de registros

Nas últimas décadas, o crescimento da população em áreas suscetíveis e o desenvolvimento de tecnologias e iniciativas para rastreá-los tem feito aumentar a incidência conhecida dos tornados e dos danos provocados, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Falta ainda, entretanto, um registro oficial e unificado para o Brasil. 

"As pessoas costumam usar mais o termo 'redemoinho'. Muitas acham até que é mentira que temos tornados no Brasil. Mas, infelizmente, cada vez mais nós vemos este fenômeno," diz Hornes. "A falta de informação faz com que pessoas vão de encontro ao tornado, por exemplo, porque não sabem que não dá para passar."  

Para ela, maiores esforços de registro de tornados são importantes para moldar políticas públicas, redesenhar as normas para construções e tornar as cidades resilientes a desastres naturais.  

Especialistas alertam que as mudanças climáticas poderão torná-los ainda mais frequentes. "A possibilidade de eventos extremos como esse aumenta," afirmou Michel Mahiques, professor da Universidade de São Paulo, à Agência Brasil, sobre o tornado recente no Paraná.

<><> Difíceis de detectar

A detecção de tornados iminentes e o aviso à população a tempo, entretanto, são um desafio para meteorologistas e órgãos de defesa civil. Em geral, só é possível emitir alertas poucos minutos antes de os tornados atingirem áreas habitadas.

O ideal para se proteger dos tornados são os porões ou ambientes de segurança, incomuns no Brasil. A recomendação para tempestades severas, portanto, inclui procurar um local com estrutura de concreto, laje e ferro — em geral, os banheiros dentro de uma casa.

Para quem se encontra em construções frágeis, é indicado se enrolar em cobertores e colchões. Devem ser evitados árvores, postes e campos abertos, bem como estruturas de vidro ou portas em interiores, que podem facilmente colapsar.  

Nos Estados Unidos, o governo mantém uma contagem oficial de tornados registrados desde 1950. O ano de 2024 teve o segundo maior número, com 1.791 episódios contabilizados.

O recorde é de 2004, quando houve 1.813 casos reportados, e o tornado mais fatal aconteceu em 18 de março de 1925, quando 695 pessoas morreram nos estados de Missouri, Illinois e Indiana. 

 

Fonte: DW Brasil

 

Por que olhar apenas o "colesterol ruim" nem sempre é suficiente

Durante muitos anos, a conversa sobre colesterol parecia simples: bastava olhar o resultado do LDL, conhecido como “colesterol ruim”, para decidir se estava tudo bem ou se era preciso iniciar tratamento.

Hoje sabemos que essa avaliação é muito mais complexa. Duas pessoas podem apresentar exatamente o mesmo valor de LDL e, ainda assim, ter riscos completamente diferentes de sofrer um infarto ou um acidente vascular cerebral (AVC). Isso acontece porque o colesterol é apenas uma das peças que compõem o quebra-cabeça da saúde cardiovascular.

A cardiologia entrou na era da prevenção personalizada, em que o objetivo não é tratar apenas um número, mas entender o risco real de cada indivíduo.

<><> O colesterol continua importante, mas não conta toda a história

O LDL permanece como um dos principais responsáveis pela formação das placas de gordura nas artérias, processo conhecido como aterosclerose. Quanto maior a exposição ao colesterol elevado ao longo da vida, maior tende a ser o risco de desenvolver doenças cardiovasculares.

Entretanto, outros fatores influenciam diretamente essa evolução. Idade, pressão alta, diabetes, tabagismo, obesidade, histórico familiar de infarto precoce, doença renal crônica e estilo de vida podem aumentar ou reduzir esse risco, mesmo quando o colesterol apresenta valores semelhantes entre duas pessoas.

É justamente por isso que a decisão de iniciar ou intensificar um tratamento nunca deve ser baseada apenas em um exame isolado.

<><> A prevenção está cada vez mais individualizada

Nos últimos anos, a cardiologia passou a incorporar novas ferramentas para refinar a avaliação de risco em pacientes selecionados.

Entre elas estão a lipoproteína(a), uma partícula cuja concentração é determinada principalmente pela genética e que pode aumentar o risco cardiovascular mesmo em pessoas com colesterol aparentemente controlado.

Outro exame é a apolipoproteína B (ApoB), que estima a quantidade de partículas potencialmente capazes de penetrar na parede das artérias e participar da formação das placas de aterosclerose.

Já o escore de cálcio coronariano, obtido por tomografia computadorizada, permite identificar a presença de calcificações nas artérias do coração antes mesmo do aparecimento de sintomas.

Esses exames não fazem parte do check-up de rotina de toda a população. Eles são indicados em situações específicas, quando existe dúvida sobre o risco cardiovascular ou necessidade de definir estratégias mais individualizadas de prevenção.

<><> Quanto antes agir, maior é o benefício

Um dos conceitos mais importantes da cardiologia atual é o de carga acumulada de colesterol. Isso significa que o organismo sofre os efeitos do colesterol elevado ao longo de décadas, muitas vezes sem provocar qualquer sintoma.

Quando o infarto ou o AVC acontecem, a aterosclerose geralmente já vem se desenvolvendo silenciosamente há muitos anos.

Por isso, identificar precocemente pessoas com maior risco permite iniciar mudanças no estilo de vida e, quando necessário, tratamento medicamentoso antes que as artérias sofram danos mais importantes.

Quanto mais cedo o colesterol é controlado em quem realmente precisa, maior tende a ser a redução do risco cardiovascular ao longo da vida.

<><> O futuro da prevenção não é igual para todos

A medicina está deixando para trás a ideia de que todos os pacientes devem receber exatamente a mesma abordagem.

Hoje, o objetivo é compreender o perfil de risco de cada pessoa e decidir quais exames, metas e tratamentos fazem sentido para aquela realidade.

Alguns pacientes precisarão apenas reforçar hábitos saudáveis. Outros se beneficiarão de medicamentos para reduzir o colesterol. Em grupos específicos, exames complementares ajudarão a definir se é necessário intensificar a prevenção.

Essa é a principal mudança da cardiologia moderna: tratar pessoas, e não apenas resultados de laboratório.

No Dia Nacional de Combate ao Colesterol, a mensagem mais importante é que o colesterol continua sendo um grande vilão das doenças cardiovasculares, mas a prevenção eficaz depende de uma avaliação muito mais ampla, individualizada e baseada em evidências.

¨      Alimentos vendidos como saudáveis podem ter sódio em excesso; entenda

Produtos frequentemente consumidos por quem pratica atividade física diariamente podem ter alto teor de sódio, o que eleva o risco de doenças cardiovasculares.

O consumo excessivo do mineral é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. E alimentos vendidos como "fitness", "diet", "zero açúcar" e "light" podem ter na composição sódio em excesso escondido.

“Esses produtos podem conter mais sódio porque, ao reduzir açúcar ou gordura, a indústria alimentícia muitas vezes aumenta o sódio para manter sabor, textura e conservação", explica o cardiologista do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, Marcio Sousa.

Alguns dos produtos que têm proposta de serem mais saudáveis, mas que podem concentrar aditivos perigosos são: whey protein, barras proteicas e snacks fitness, pães integrais industrializados, queijos magros, biscoitos de arroz, molhos prontos “funcionais”, isotônicos e águas saborizadas e refrigerantes zero ou diet e light.

As bebidas para quem busca mais energia contém uma mistura de sódio, altas doses de cafeína e outros estimulantes, que pode elevar a pressão arterial e a frequência cardíaca, favorecendo arritmias. O médico alerta que o consumo deve ser esporádico para preservar o coração.

<><> Nomenclatura pode ser enganosa

"Zero açúcar não significa zero risco", reforça o especialista, que explica como esses nomes serem associados à saúde pode mascarar pontos de atenção. "Isso cria a impressão de alimento ‘mais leve’, quando, na prática, a carga de sódio pode ser maior do que a esperada. Ler o rótulo é essencial”, explica o cardiologista.

Além do sódio, podem fazer parte da composição conservantes e realçadores de sabor. Por isso, a ideia de que alimentos fitness ou zero açúcar são, por si só, benéficos para a saúde pode ser enganosa pelas altas doses de sódio, adoçantes e aditivos.

O nutricionista Thyago Nishino reforça que os alimentos não substituem refeições completas. "Muitas pessoas conseguem alcançar suas necessidades nutricionais apenas com alimentação equilibrada. É importante evitar exageros e não transformar suplementos e industrializados na base da alimentação. O ideal é priorizar comida de verdade no dia a dia, como frutas, legumes, proteínas naturais e grãos."

<><> O que observar no rótulo do produto?

Naquela tabela de informações impressa nas embalagens, estão informações importantes de serem consultadas. Marcio Sousa diz que optar por versões com menos de 140 mg de sódio por porção pode ajudar a reduzir a carga total consumida ao longo do dia.

Valores acima de 400 miligramas por porção de 100 gramas já merecem atenção e são considerados como alimentos ricos em sódio pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor). Outro ponto fundamental é analisar a lista de ingredientes e identificar termos como glutamato, bicarbonato, fosfato e conservadores, que indicam fontes de sódio oculto.

 

Fonte: CNN Brasil

 

Mentiras que parecem verdades voltam a rondar as eleições

Às vésperas de mais uma eleição presidencial, o Brasil volta a assistir ao ressurgimento de um itinerário conhecido. Em meio ao acirramento da disputa política, às tensões diplomáticas e à multiplicação de investigações de grande repercussão, versões, boatos e acusações voltam a disputar espaço com os fatos, fazendo com que mentiras travestidas de verdades reapareçam com força no debate público.

No plano internacional, as sucessivas investidas do governo Trump contra o Brasil, acrescidas da inédita escalada nas relações diplomáticas, ganharam novo contorno com a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, medida excepcional, interpretada como forma de pressionar o governo brasileiro a destravar a indicação do novo embaixador norte-americano em Brasília. Vale ressaltar que a diplomacia brasileira não recusou a indicação de Daniel Peres, apenas deixou de conceder o agrément porque Washington rompeu com a praxe diplomática internacional ao anunciar publicamente o nome do indicado antes de obter a anuência formal do Brasil, procedimento consagrado pela Convenção de Viena e pelos costumes diplomáticos. Em uma reação articulada pelo partido de Trump, o Senado americano aprovou, na sexta-feira (06/08), o indicado de Trump à embaixada no Brasil. Com maioria de senadores republicanos, Trump contorna o descumprimento dos trâmites diplomáticos internacionais. Todavia, Daniel Peres ainda dependerá do aval do presidente Lula para assumir o cargo.

Acerca desse clima entre Brasil e EUA, o presidente Lula afirmou que pretende conversar com Donald Trump nos próximos dias. A providência de Lula visa colocar a diplomacia na mesa para negociar o fim do conflito na Ucrânia, entre outros assuntos pertinentes. O movimento, contudo, ainda depende de confirmação oficial. Na América do Sul, os reiterados e graves ataques verbais do presidente argentino ao presidente Lula e o consequente rebaixamento das relações diplomáticas entre Brasil e Argentina ao nível de encarregados de negócios também compõem o cenário de crescente tensão política que antecede as eleições brasileiras. No plano doméstico, os inquéritos instaurados envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, intencionalmente apelidado pela imprensa de “Lulinha”, e o ex-chefe de gabinete do governo, Marco Aurélio Santana Ribeiro, adicionam novos elementos de desgaste político e alimentam um cenário que pode afetar a disputa pela reeleição do presidente Lula, único candidato do campo progressista de esquerda.

As pesquisas de intenção de voto, divulgadas nesta semana, indicam uma redução da diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro. Embora o presidente continue liderando tanto no primeiro quanto no segundo turno, os levantamentos revelam que uma parcela do eleitorado ainda oscila entre os dois candidatos. Esse dado causa perplexidade diante de fatos amplamente conhecidos que comprometem a imagem de Flávio, como sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso em investigação que apura suspeitas de crimes financeiros, além da ausência de esclarecimentos sobre a prestação de contas prometida a respeito da utilização do vultoso aporte financeiro recebido para a produção do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Agrega-se a isso um histórico recorrente de declarações falsas ou desmentidas, da insistência em lançar dúvidas sobre a segurança das urnas eletrônicas à aliança com Donald Trump em iniciativas que confrontam interesses do próprio Brasil.

A permanência de uma parcela expressiva do eleitorado disposta a relativizar esses fatos sobre Flávio não pode ser compreendida apenas pelas situações isoladas, mas também pelo ambiente político e comunicacional em que a corrida eleitoral se desenvolve. A mídia hegemônica, tradicionalmente atuante na formação da opinião pública com sistemáticas críticas aos governos progressistas, a capacidade de mobilização coordenada da oposição nas redes sociais, o fortalecimento da ala bolsonarista inescrupulosa e truculenta, acostumada a deturpar a natureza dos fatos pelo uso de fake news, e os recentes episódios envolvendo investigações de pessoas ligadas ao governo compõem um ambiente político particularmente adverso. Nessa atmosfera inóspita, argumentos descolados dos fatos encontram terreno fértil para se consolidarem, transformando versões convenientes em supostas verdades e dificultando o discernimento do eleitor.

Nessa conjuntura de instabilidade incomum nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, e também entre Brasil e Argentina, ganha relevância o protagonismo do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, assim como o alinhamento estratégico do presidente argentino ao governo Trump, marcado por sua adesão submissa e irrestrita à política externa dos EUA. Ao delegar a Rubio a condução dos assuntos relativos à América Latina, Trump concentra sua atuação nas prioridades geopolíticas de seu governo: os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, a disputa estratégica com a China e as negociações comerciais globais. Sob a liderança de Rubio, a diplomacia norte-americana busca conter o avanço da influência chinesa na América do Sul e fortalecer a presença política e econômica dos Estados Unidos na região. Nesse ambiente, o Brasil ocupa posição central, pois, além de ser a maior economia sul-americana, representa na região um polo importante em meio à transição para uma nova ordem internacional multipolar, marcada pela ascensão da China, pelo fortalecimento dos BRICS e pela contestação da hegemonia norte-americana.

Enfraquecer as perspectivas eleitorais de um governo progressista brasileiro e favorecer um alinhamento geopolítico mais próximo dos interesses norte-americanos significaria uma vitória estratégica de enorme alcance. Para Marco Rubio, que desponta como um dos principais nomes do Partido Republicano para a sucessão presidencial, ao lado do vice-presidente JD Vance, amplamente apontado como favorito para liderar a chapa republicana em 2028, um reposicionamento geopolítico do Brasil em favor dos interesses estadunidenses representaria um expressivo ativo político na disputa pela liderança do partido e, posteriormente, pela Casa Branca.

É nesse ambiente de intenso embate político, de acirramento das tensões diplomáticas e de disseminação de versões que as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva adquirem uma dimensão que extrapola o campo estritamente jurídico. Às vésperas das eleições de 2026, Fábio Luís passou a ser investigado em três inquéritos da Polícia Federal autorizados pelo Supremo Tribunal Federal. No primeiro, a PF apura suspeitas de tráfico de influência no Ministério da Saúde e no Palácio do Planalto envolvendo sua relação com o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e a empresária Roberta Luchsinger. No segundo, autorizado pelo ministro André Mendonça, investiga-se se Fábio Luís teria intermediado interesses de empresários do setor de tecnologia em contratos da Dataprev e do governo federal em troca de contrapartidas, como o custeio de viagens. Já o terceiro, autorizado pelo ministro Flávio Dino, busca apurar novos fatos e desdobramentos relacionados a suposto tráfico de influência em favor de empresas privadas.

A existência desses inquéritos reaviva um roteiro já conhecido da política brasileira. A cada período eleitoral, uma avalanche de acusações, boatos e ataques envolvendo os filhos do presidente Lula ressurge no debate público. Fábio Luís tornou-se o principal alvo desse processo. Ao longo dos anos, já lhe atribuíram a propriedade da JBS (Friboi), da empresa de telecomunicações Oi, de uma Ferrari dourada, a condição de maior acionista da Petrobras, a posse de extensas propriedades rurais, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), de lanchas e iates, além de inúmeras outras acusações que ganharam ampla repercussão. Também foi alvo do inquérito da Lava Jato envolvendo as empresas Gamecorp, PDI e Gol Mídia. Em 2022, contudo, a Justiça Federal determinou o arquivamento da investigação por não haver elementos indiciários que justificassem o prosseguimento da ação penal. Embora sucessivamente desmentidas ou arquivadas, essas acusações jamais desapareceram do imaginário político. Pelo contrário, continuam sendo reeditadas e reutilizadas como instrumento de desgaste da imagem da família Lula em praticamente todas as disputas eleitorais.

É justamente essa recorrência que explica os efeitos quase imediatos produzidos pela abertura de novas investigações sobre Fábio Luís. Antes mesmo da produção de provas ou da conclusão dos inquéritos, informações fragmentadas, vazamentos seletivos e interpretações parciais passam a circular intensamente tanto nas redes sociais quanto na mídia tradicional. Sob o discurso da neutralidade, muitos desses veículos, vinculados ou financiados por grupos econômicos com interesses políticos definidos, acabam difundindo versões desprovidas da realidade fática necessária para que o público distinga suspeitas de fatos comprovados. Por outro lado, nos últimos dias, instalou-se um silêncio em torno dos fatos graves que compõem o histórico de suspeitas envolvendo Flávio Bolsonaro. Nesse caso, diferentemente de outras investigações, não houve qualquer vazamento do inquérito sobre o financiamento do Dark Horse, sob a relatoria de André Mendonça.

Convém destacar que a posição defendida por Lula em relação aos próprios filhos e aos integrantes de seu governo é a de que toda suspeita que recaia sobre qualquer deles seja rigorosamente investigada e, caso o processo judicial comprove a prática de ilícitos, os responsáveis sejam julgados e condenados nos termos da lei. Em sentido oposto, Jair Bolsonaro reagiu de maneira distinta quando seu filho Flávio passou a ser investigado. Durante seu mandato, demitiu o diretor-geral da Polícia Federal em meio a acusações de tentativa de interferência na corporação, reuniu-se com a cúpula da Abin e com ministros em busca de alternativas para neutralizar relatórios do Coaf e da Receita Federal que atingiam seu filho Flávio, e passou a atribuir as investigações a uma suposta perseguição política promovida por órgãos de controle, pelo Ministério Público e por delegados da Polícia Federal. Ao mesmo tempo, negou qualquer irregularidade, classificou movimentações financeiras suspeitas como operações legítimas e reiterou publicamente sua confiança na conduta do filho. Em vez de permitir que as instituições atuassem com independência, mobilizou o peso político da Presidência da República para desqualificar investigações que alcançavam sua própria família.

Sob essa perspectiva, a experiência brasileira do campo da esquerda tem demonstrado que investigações podem ser convertidas em poderosos instrumentos de confronto político. A corrompida Operação Lava Jato evidenciou como os desvios ao devido processo legal e a espetacularização de investigações, com a antecipação de juízos de culpa, foram capazes de produzir profundas consequências políticas, como a eleição do pior presidente da República da história do Brasil, atualmente cumprindo pena por tentativa de golpe de Estado.

Outro aspecto que desperta atenção é a atuação do ministro André Mendonça no acompanhamento de inquéritos, alvo de crescente desconforto entre integrantes do STF e da Polícia Federal. Segundo informações divulgadas pela jornalista Daniela Lima, o magistrado vem adotando uma forma de supervisão considerada incomum e “sem precedentes” recentes no âmbito da Corte, extrapolando, na avaliação de interlocutores ouvidos pela colunista, as atribuições tradicionalmente exercidas por um relator do STF. Entre as medidas atribuídas ao ministro estão a imposição de procedimentos fora da praxe do Tribunal, cobranças diretas sobre diligências, exigência de envio imediato de dados, provas e documentos em estado bruto, antes mesmo da realização de perícias, além da determinação de comunicação prévia sobre alterações nas equipes responsáveis pelas investigações. Exigências que não lhe competem.

Na avaliação de integrantes da Polícia Federal, tais exigências extrapolam em máxima potência os limites ordinários do controle jurisdicional e configuram ingerência na atividade investigativa, circunstância que levou a corporação a recorrer à Advocacia-Geral da União (AGU), ampliando o desgaste institucional entre o gabinete do relator e a direção da Polícia Federal. Ao ultrapassar o devido senso institucional no acompanhamento dos inquéritos sob sua relatoria, Mendonça provocou um manifesto coletivo inédito da cúpula da PF em defesa do diretor-geral Andrei Rodrigues. A nota de 27 superintendentes regionais alerta para os limites das investidas do magistrado, frisando o caráter autônomo da corporação. Entre os trechos do posicionamento, destaca-se: “A credibilidade construída perante a sociedade brasileira decorre da atuação técnica e independente de seus servidores. […] A atividade investigativa da Polícia Federal não se submete a interesses políticos, ideológicos ou pessoais, mas ao estrito cumprimento da lei. […] Os 27 Superintendentes Regionais da Polícia Federal vêm a público reafirmar sua confiança na Direção da Polícia Federal.”

No fundo, o impasse demonstra o absurdo: a revolta da PF contra André Mendonça não é mero corporativismo, mas uma reação legítima a um claro excesso do ministro. Ao atropelar a autonomia administrativa da PF e proibir expressamente que delegados informem seus próprios superiores sobre as tratativas administrativas das investigações, Mendonça foi além de suas atribuições. A pretexto de gerenciar inquéritos, o magistrado impôs uma mordaça interna que desestrutura a hierarquia da corporação e compromete o fluxo institucional. Frente a esses episódios, e por meio de uma medida evidente para contornar o desgaste e estancar a crise que ele próprio provocou, o ministro André Mendonça teve que se reunir com o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e o chefe da AGU, Jorge Messias, para uma conversa de emergência e apaziguamento do clima entre seu gabinete e a cúpula da Polícia Federal, deflagrado após suas conturbadas decisões nos inquéritos sob sua relatoria.

Nessa materialidade, em que mentiras disfarçadas de verdades voltam a rondar as eleições como fantasmas de ciclos anteriores, o eleitor brasileiro é novamente chamado a decidir se vai se deixar capturar por narrativas convenientes ou se exigirá fatos, provas e o devido processo legal. Além do desgaste da imagem do filho de Lula a cada eleição, há a reiterada tentativa de transformar suspeita em sentença antecipada, vazamento seletivo em verdade consolidada e investigação em arma política. Na tentativa de apurar e reparar os danos provocados por vazamentos de informações sigilosas que, na prática, favoreceram a exploração política do caso envolvendo Fábio Luís, o ministro Flávio Dino autorizou a abertura de um quarto inquérito, no qual Fábio Luís figura na condição de vítima. A pedido da Polícia Federal, a apuração mira os subterrâneos do próprio sistema para desvendar quem vazou dados sob sigilo no STF. Afinal, em véspera de corrida eleitoral, o vazamento “seletivo” nunca é obra do acaso, mas sim munição pesada para a demolição de reputações. Ao alvejar o filho para atingir o líder das pesquisas rumo a 2027, desvela-se uma verdade indigesta nos bastidores de apurações supostamente isentas: há quem opere sem pudor algum como linha de frente da oposição.

Durante a escrita deste artigo, recebi a triste notícia do falecimento do professor Lejeune Mirhan. Sociólogo comunista brasileiro, jornalista, escritor e analista internacional de reconhecida trajetória acadêmica, dedicou grande parte de sua produção intelectual ao estudo de relações internacionais, geopolítica, com foco especial no Oriente Médio, no mundo árabe e nas teses marxistas, tornando-se uma das referências brasileiras nesses temas. Apesar da vasta e intermitente produção intelectual e da intensa agenda de trabalho, preservava uma qualidade cada vez mais rara: a simplicidade. Nas redes sociais, mantinha uma relação respeitosa e afetuosa com seus leitores, encontrando tempo para agradecer comentários, dialogar e compartilhar, com a mesma naturalidade com que fazia suas reflexões e relatava seus momentos de alegria ao lado de sua família. Fica aqui este singelo registro de respeito e gratidão por sua valiosa contribuição ao pensamento crítico e pelo exemplo de generosidade no trato com as pessoas. Querido professor: “A prática é o critério da verdade.” (Karl Marx). Sua prática em vida e, agora, sua obra permanecerão como o testemunho mais eloquente de sua verdade. Siga em paz!

 

Fonte: Por Elisabeth Lopes, em Brasil 247