terça-feira, 28 de julho de 2026

O partido global: a disputa pela nova ordem mundial

Durante décadas, a política internacional foi analisada a partir dos Estados. Mas uma nova realidade emerge diante dos nossos olhos: líderes, partidos, think tanks, plataformas digitais e organizações transnacionais passaram a atuar além das fronteiras nacionais, disputando eleições e influenciando governos em escala global. Este artigo investiga como essa transformação está redesenhando a geografia do poder e por que o Brasil se tornou um dos principais campos de batalha dessa nova ordem mundial.

<><> A política mudou de escala

Durante grande parte da história contemporânea, as eleições foram compreendidas como disputas internas de Estados soberanos. Os eleitores escolhiam governos, os governos definiam políticas nacionais e, a partir delas, cada país projetava sua posição no sistema internacional. Mesmo em meio à Guerra Fria, quando as grandes potências influenciavam processos políticos em diferentes regiões do planeta, permanecia a percepção de que o centro da disputa estava dentro das fronteiras nacionais.

Essa lógica deixou de explicar o mundo. As eleições continuam sendo realizadas dentro dos Estados, mas seus efeitos ultrapassam cada vez mais as fronteiras nacionais. O resultado de uma votação em Brasília, Washington, Buenos Aires ou Varsóvia já não altera apenas a política doméstica. Ele redefine alianças internacionais, reorganiza cadeias econômicas, influencia conflitos geopolíticos, afeta a regulação das plataformas digitais, modifica relações comerciais e pode alterar o equilíbrio de forças entre projetos concorrentes de organização da ordem mundial.

Essa transformação produziu uma mudança silenciosa, mas profunda. As eleições deixaram de ser apenas mecanismos de alternância de poder dentro dos países. Tornaram-se um dos principais campos de disputa entre projetos internacionais de poder. O voto continua sendo depositado nas urnas nacionais, mas seus efeitos passaram a ser calculados em escala global.

É justamente essa mudança que explica um fenômeno até pouco tempo considerado excepcional: líderes estrangeiros apoiando publicamente candidatos em outros países, organizações políticas atuando para além de suas fronteiras, think tanks compartilhando estratégias, plataformas digitais influenciando campanhas em diferentes continentes e redes ideológicas coordenando narrativas em tempo real. Esses acontecimentos costumam ser tratados como episódios isolados. Na realidade, são manifestações de uma transformação estrutural muito mais profunda.

Compreender essa mudança é essencial para interpretar o presente. A questão central já não é apenas quem vencerá uma eleição, mas qual projeto de poder internacional será fortalecido a partir dela. É nesse contexto que emerge aquilo que este artigo denomina partido global: uma articulação política transnacional que disputa governos nacionais como parte de uma batalha muito maior, a definição da próxima ordem mundial.

<><> O nascimento do partido global

Nas últimas décadas, um fenômeno começou a se repetir com uma intensidade inédita: líderes políticos, partidos, fundações, think tanks, empresários, plataformas digitais e organizações privadas passaram a atuar de forma coordenada para influenciar processos eleitorais muito além de seus próprios países. O que antes aparecia como episódios isolados tornou-se uma dinâmica permanente da política internacional.

Nos Estados Unidos, Donald Trump transformou sua liderança em uma referência para movimentos conservadores em diferentes continentes. Na Europa, partidos e lideranças da nova direita passaram a compartilhar estratégias, campanhas e narrativas por meio de estruturas como a CPAC, o Fórum de Madri e uma ampla rede de organizações políticas e intelectuais. Na América Latina, Javier Milei, Nayib Bukele e outras lideranças passaram a integrar esse mesmo circuito de articulação política internacional, participando de eventos comuns, reproduzindo discursos semelhantes e estabelecendo alianças que ultrapassam os limites de seus Estados nacionais.

Esse processo também alcançou o Oriente Médio. Benjamin Netanyahu consolidou uma relação política privilegiada com lideranças da direita internacional, especialmente nos Estados Unidos, transformando temas relacionados a Israel em elementos centrais da disputa política em diversos países. A política externa deixou de ser apenas uma relação entre governos e passou a integrar a disputa eleitoral doméstica de outras nações.

O Brasil ocupa uma posição singular nesse processo. Jair Bolsonaro construiu sua projeção internacional articulado a esse mesmo ecossistema político, estabelecendo vínculos públicos com Donald Trump, Javier Milei, Viktor Orbán, Benjamin Netanyahu e outras lideranças da direita global. Mais recentemente, o apoio explícito de autoridades e parlamentares norte-americanos às pressões econômicas e diplomáticas contra o governo brasileiro, assim como as manifestações públicas de integrantes da família Trump em defesa de Bolsonaro, demonstram que a política brasileira passou a ser tratada como uma peça relevante de uma disputa geopolítica muito mais ampla. O debate nacional deixou de interessar apenas aos brasileiros.

Seria um erro interpretar esses movimentos como a existência de um comando central ou de uma organização única. Não há evidências de um “partido” formal capaz de dirigir essa articulação global. O que existe é algo mais sofisticado: uma infraestrutura política transnacional formada por organizações, financiadores, meios de comunicação, plataformas digitais, institutos de pesquisa, lideranças políticas e redes de influência que compartilham diagnósticos, interesses estratégicos, repertórios discursivos e objetivos convergentes. É essa infraestrutura que este artigo denomina partido global.

O conceito não descreve uma instituição jurídica, mas uma realidade política. Mais do que uma organização, trata-se de uma nova forma histórica de articulação do poder em escala transnacional. Da mesma forma que o capital se internacionalizou sem constituir um único conglomerado mundial, a ação política também passou a operar por meio de redes capazes de coordenar agendas, difundir narrativas, legitimar lideranças e disputar governos em diferentes países. As fronteiras nacionais permanecem, mas a competição pelo poder deixou de respeitá-las. É nesse novo terreno que se trava, hoje, a disputa pela ordem mundial.

<><> A nova geografia do poder

Nenhuma transformação política acontece no vazio. Assim como o capitalismo industrial produziu os Estados nacionais modernos e a Guerra Fria organizou o mundo em torno de dois grandes blocos de poder, a globalização reorganizou as próprias condições materiais da política. O capital internacionalizou suas cadeias produtivas, o sistema financeiro passou a operar em tempo real, as plataformas digitais eliminaram barreiras de comunicação e a infraestrutura tecnológica conectou sociedades inteiras em uma única rede de circulação de informações, mercadorias e influência.

A política acompanhou esse movimento. Se a economia deixou de operar exclusivamente dentro das fronteiras nacionais, seria improvável que a disputa pelo poder permanecesse limitada a elas. Os mesmos fluxos que transportam capitais, dados, tecnologias e narrativas passaram a transportar projetos políticos, estratégias eleitorais, campanhas de comunicação, métodos de mobilização e formas de intervenção capazes de atravessar continentes em poucas horas.

Essa mudança alterou profundamente a natureza da soberania. Os Estados continuam sendo os principais centros de decisão institucional, mas deixaram de monopolizar a produção de poder. Hoje, empresas de tecnologia controlam infraestruturas essenciais da comunicação pública, fundos financeiros influenciam economias nacionais, think tanks formulam agendas que circulam simultaneamente em diversos países e plataformas digitais definem, por meio de algoritmos, parte significativa daquilo que bilhões de pessoas veem, compartilham e acreditam. O poder tornou-se distribuído por uma arquitetura transnacional muito mais complexa do que aquela conhecida ao longo do século XX.

Essa reorganização material também transformou o significado das eleições. Governar um país como Brasil, Estados Unidos, Argentina ou Alemanha significa influenciar cadeias globais de produção, mercados financeiros, acesso a minerais estratégicos, rotas comerciais, desenvolvimento tecnológico, regulação da inteligência artificial, exploração de recursos naturais e alianças militares. A disputa eleitoral deixou de decidir apenas quem administra um Estado; passou a interferir diretamente na correlação de forças da economia política internacional.

É por isso que governos estrangeiros, corporações, fundações privadas, plataformas digitais e redes políticas passaram a investir crescente energia na disputa por eleições realizadas fora de seus territórios. O objetivo não é apenas conquistar aliados ideológicos, mas ampliar posições de poder em uma ordem internacional marcada pela competição entre projetos distintos de organização econômica, tecnológica e geopolítica.

Nesse cenário, a política já não pode ser compreendida apenas pela lógica interna de cada país. Ela precisa ser analisada como parte de uma disputa internacional permanente, na qual as fronteiras continuam existindo, mas deixaram de delimitar o espaço real onde o poder é produzido, disputado e exercido.

<><> O Brasil no centro da disputa

Nenhum país se torna alvo permanente de disputas internacionais por acaso. O Brasil ocupa uma posição estratégica porque reúne atributos que serão decisivos na reorganização da economia e da geopolítica do século XXI. É uma das maiores reservas de água doce do planeta, concentra parte significativa da biodiversidade mundial, possui vastas reservas de minerais críticos, enorme capacidade de produção de alimentos e energia, uma base industrial ainda relevante, liderança regional e integra o principal bloco político responsável pela construção de uma ordem internacional multipolar: os BRICS.

É justamente essa combinação que transforma o país em um espaço permanente de disputa entre projetos distintos de poder global. De um lado, forças comprometidas com a preservação de uma ordem internacional concentradora, hierarquizada e subordinada aos interesses das grandes potências e do capital financeiro transnacional. De outro, países que defendem uma redistribuição do poder internacional, o fortalecimento da soberania nacional, a ampliação da cooperação Sul-Sul, a reforma das instituições multilaterais e a construção de uma ordem multipolar menos assimétrica.

Essa disputa deixou de ocorrer apenas nos fóruns diplomáticos. Ela atravessa eleições, parlamentos, sistemas judiciais, plataformas digitais, mercados financeiros e meios de comunicação. O governo que emerge das urnas brasileiras influencia diretamente temas como a expansão dos BRICS, a desdolarização parcial do comércio internacional, a integração sul-americana, a política climática, a exploração de minerais estratégicos, a regulação das plataformas digitais e a própria distribuição do poder econômico global.

Por essa razão, o Brasil passou a ocupar lugar central no debate político de lideranças estrangeiras. As manifestações públicas de Donald Trump em defesa de Jair Bolsonaro, o alinhamento imediato de Javier Milei a essa agenda internacional, a aproximação política entre Bolsonaro e Benjamin Netanyahu, o apoio de setores da direita internacional às pressões econômicas contra o governo brasileiro e a mobilização de redes transnacionais em torno da política nacional não são acontecimentos desconectados. Todos expressam o reconhecimento de que o futuro político brasileiro produz consequências muito além das fronteiras do país.

Seria um equívoco reduzir essa disputa a uma simples polarização entre direita e esquerda. O que está em jogo é a definição de qual projeto de governança internacional ganhará força nas próximas décadas. De um lado, consolida-se uma articulação internacional marcada pelo nacionalismo excludente, pelo autoritarismo, pela concentração de poder econômico, pela militarização das relações internacionais e pela erosão de direitos democráticos, frequentemente acompanhada de discursos ultranacionalistas, xenófobos e supremacistas. De outro, avança um projeto ainda heterogêneo, impulsionado sobretudo por países do Sul Global, que busca ampliar a multipolaridade, fortalecer a soberania dos Estados, reformar as instituições internacionais e construir relações menos assimétricas entre as nações.

É nesse cruzamento entre recursos estratégicos, posição geopolítica e capacidade de influência internacional que o Brasil deixa de ser apenas um país importante. Torna-se um dos territórios decisivos da disputa pela configuração da próxima ordem mundial.

<><> Quando as eleições nacionais se tornam disputas internacionais

A internacionalização da política deixou de ser uma hipótese para se tornar uma prática cotidiana. Nunca tantos governos, líderes políticos, fundações privadas, empresários, plataformas digitais e organizações transnacionais participaram de forma tão explícita do debate político interno de outros países. A fronteira entre política doméstica e política internacional tornou-se cada vez mais difusa.

Essa transformação pode ser observada na maneira como eleições nacionais passaram a mobilizar atores externos. A eleição presidencial brasileira de 2022 foi acompanhada de perto por governos, mercados financeiros, organismos internacionais e lideranças políticas estrangeiras. Mais recentemente, a crise diplomática envolvendo o governo brasileiro e a administração de Donald Trump revelou um novo patamar dessa disputa. Tarifas comerciais, sanções, declarações públicas, manifestações de parlamentares norte-americanos e a defesa aberta de Jair Bolsonaro por integrantes do governo e do círculo político de Trump demonstraram que a disputa em torno da política brasileira passou a integrar interesses geopolíticos que extrapolam a realidade nacional.

O mesmo padrão pode ser identificado em outras regiões. Javier Milei converteu sua política doméstica em um símbolo de alcance internacional, tornando-se uma das principais referências da nova direita global. Benjamin Netanyahu transformou a política israelense em elemento permanente da polarização internacional. Viktor Orbán, na Hungria, consolidou seu governo como laboratório de uma agenda iliberal que influencia movimentos conservadores em diferentes continentes. Em todos esses casos, as fronteiras nacionais permanecem como espaço institucional das eleições, mas a disputa política já é organizada, financiada, narrada e legitimada por redes que operam em escala transnacional.

Esse movimento não ocorre apenas em um dos polos da política internacional. O fortalecimento dos BRICS, a ampliação das articulações entre países do Sul Global, a defesa de novas instituições financeiras internacionais, os projetos de integração regional e as iniciativas voltadas à construção de uma ordem multipolar também expressam uma crescente coordenação política além das fronteiras nacionais. A diferença é que esses projetos disputam concepções distintas de governança global e de distribuição do poder internacional.

O que emerge desse processo é uma nova realidade histórica. As eleições continuam sendo nacionais em sua forma jurídica, mas tornaram-se internacionais em seus interesses, em seus impactos e nos atores que buscam influenciá-las. O voto depositado por um cidadão brasileiro continua valendo apenas dentro do território nacional. As consequências desse voto, entretanto, são hoje calculadas em Washington, Bruxelas, Moscou, Pequim, Tel Aviv, Buenos Aires, Brasilia e em diversas outras capitais onde se decide, cada vez mais, o futuro da ordem internacional.

<><> A disputa pela nova ordem mundial

A grande disputa do século XXI não ocorre apenas entre governos, partidos ou lideranças. Ela opõe projetos distintos de organização da ordem internacional. O mundo atravessa uma transição histórica marcada pelo esgotamento da arquitetura de poder consolidada após o fim da Guerra Fria e pela emergência de novos polos econômicos, tecnológicos e geopolíticos. Em períodos como esse, as eleições deixam de ser acontecimentos exclusivamente nacionais e passam a integrar a disputa pela configuração do sistema internacional.

Nesse contexto, consolidam-se dois grandes projetos de governança global.  Essa disputa não se organiza, fundamentalmente, em torno das categorias tradicionais de direita e esquerda. Ela opõe projetos distintos de reorganização da ordem internacional, capazes de reunir governos, partidos e interesses econômicos muito diferentes entre si. De um lado, uma articulação transnacional que busca preservar a concentração do poder econômico, financeiro, militar e tecnológico nas mãos de um número reduzido de países e corporações, frequentemente associada ao avanço de agendas autoritárias, ultranacionalistas, supremacistas, militarizadas e hostis à ampliação de direitos e da soberania dos povos. De outro, um projeto ainda em construção, impulsionado sobretudo por países do Sul Global, que defende uma ordem multipolar baseada na ampliação da soberania nacional, na reforma das instituições internacionais, na cooperação entre os povos e em uma distribuição menos desigual do poder mundial.

Os BRICS constituem hoje a principal expressão institucional desse projeto multipolar. Mais do que um bloco econômico, representam a construção de uma arquitetura alternativa de governança internacional, baseada na ampliação da soberania dos Estados, na cooperação entre o Sul Global e na redistribuição do poder econômico, financeiro e político em escala mundial. É justamente por simbolizar essa transição que o bloco passou a ocupar posição central na disputa geopolítica do século XXI.

Essa disputa não elimina as contradições internas de nenhum desses blocos nem transforma seus protagonistas em atores homogêneos. A história nunca se move dessa forma. Mas ela revela uma mudança estrutural: o centro da política internacional deslocou-se da simples relação entre Estados para a disputa permanente entre projetos históricos de reorganização do mundo.

É nesse cenário que o conceito de partido global ganha sentido analítico. Ele não designa uma organização formal nem uma direção única capaz de comandar governos a partir de um centro oculto. Designa uma infraestrutura política transnacional que conecta lideranças, partidos, fundações, think tanks, plataformas digitais, grupos econômicos e redes de influência em torno de estratégias convergentes de poder. Sua força não reside na existência de um comando centralizado, mas na capacidade de produzir coordenação política, difundir narrativas, construir legitimidade e disputar governos em diferentes países como partes de um mesmo tabuleiro geopolítico.

Compreender essa transformação é uma condição para compreender o próprio Brasil. O país deixou de ser apenas objeto das disputas internacionais para tornar-se um dos espaços onde o futuro da ordem mundial está sendo negociado. Cada eleição, cada decisão estratégica sobre tecnologia, recursos naturais, integração regional, inteligência artificial, comunicação, defesa ou desenvolvimento passou a produzir efeitos que extrapolam o território nacional. A soberania continua sendo exercida dentro das fronteiras do Estado, mas sua defesa depende cada vez mais da capacidade de compreender forças que operam muito além delas.

O desafio do nosso tempo, portanto, não consiste apenas em escolher governos. Consiste em compreender quais projetos históricos disputam a reorganização da ordem internacional e quais interesses materiais procuram definir o futuro da humanidade. As eleições continuam sendo realizadas dentro das fronteiras nacionais. A disputa pela ordem mundial, porém, já não reconhece fronteiras.

 

Fonte: Por Reynaldo José Aragon Gonçalves, em Brasil 247

 

"Como poderia Lula poderia agir na relação com Trump", segundo analista mexicana

A América Latina está vivendo uma "onda azul" com as eleições presidenciais recentes vencidas pela direita radical na Argentina, na Colômbia, no Peru, entre outros países da região.

A definição é uma espécie de contraponto à "onda rosa" de governos de esquerda no início do século 21 nos países latino-americanos.

O termo "onda azul" foi usado pelo presidente argentino Javier Milei durante visita, em junho deste ano, do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Buenos Aires. "Vem aí a onda azul pelas mãos de Flávio Bolsonaro", escreveu o argentino em suas redes sociais em claro apoio à campanha do candidato ao Palácio do Planalto.

A "onda azul" se refere a uma suposta tendência de sucesso nas urnas protagonizado por presidentes da direita radical que admiram e apoiam o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e quando, ao mesmo tempo, ele declara seu voto e respaldo aos políticos desta linha ideológica.

Foi assim na reta final da corrida eleitoral na Colômbia, por exemplo, quando Trump anunciou apoio a Abelardo de la Espriella, que foi eleito e tomará posse no dia sete de agosto.

Mas no Brasil, ações recentes do governo Trump, como a decisão de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros, podem ter prejudicado o candidato da "onda azul", a três meses das eleições presidenciais.

Analistas têm declarado que as tarifas favorecem a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e não a de Bolsonaro, seguidor de Trump.

Uma pesquisa Quaest divulgada no dia 10/07, antes do novo tarifaço da última quinta-feira (23/07), mostrou que 47% dos entrevistados concordam mais com Lula, que acusa Flávio Bolsonaro de ter pedido as novas tarifas contra o Brasil.

No levantamento, outros 35% concordam mais com a versão do senador de que teria solicitado a Trump que não adotasse novas taxas sobre produtos brasileiros, de acordo com o portal G1.

Em entrevista à BBC News Brasil, a professora de Relações Internacionais do Colégio do México, Guadalupe González, formada pela London School of Economics (LSE) no Reino Unido, disse que o presidente americano, ao tomar partido em eleições em várias partes do mundo, desestabiliza democracias. No caso da América Latina, na opinião dela, fragmenta ainda mais a região.

Integrante do Conversatório Latino-Americano (Conlat), que reúne especialistas de universidades do Brasil, da Argentina, da Colômbia e do México que discutem as problemáticas do continente, González entende que Lula poderia se inspirar na tática da presidente mexicana Claudia Sheinbaum na relação com Trump – "cabeça fria e nada de discussões (bate-boca) público".

<><> A seguir os principais pontos da entrevista com Guadalupe González.

·        O presidente Milei, da Argentina, diz que a América Latina está vivendo uma 'onda azul' com a eleição de governos da direita em diversos países. Milei, inclusive, viajou ao Brasil para participar do lançamento da campanha à Presidência do senador Flávio Bolsonaro. A sra. concorda?

Guadalupe González - As forças políticas, principalmente de um novo tipo de direita, extrema-direita, que não é a direita tradicional latino-americana, vêm ganhando as últimas eleições. Então, é verdade que estamos vivendo uma 'onda azul'.

·        A sra. diferencia uma direita radical da direita tradicional…

Guadalupe González - E este é um primeiro ponto. Além disso, essas direitas que têm vencido as eleições não são o mesmo tipo de direita e também não estão ganhando com os mesmos índices [nas urnas].

Mas ainda é cedo para saber se este é um movimento pendular, quanto irá durar e também quanto das agendas das direitas radicais pretendem realizar transformações de médio e longo prazo na política regional.

Existem duas maneiras de ler este momento. Uma é sobre o realinhamento político e ideológico dos eleitorados. Quer dizer, que de fato os eleitores latino-americanos são agora mais conservadores que antes. Esta é uma leitura e, além disso, nos distintos países acontecem coisas diferentes.

·        Por exemplo?

Guadalupe González - Por exemplo, o bolsonarismo é uma direita radical que está mais enraizada do que podíamos imaginar. Vemos também a vitória de Keiko Fujimori [no Peru]. E a eleição de [Abelardo] de la Espriella, na Colômbia. De la Espriella é um completo outsider, o bolsonarismo já foi governo e já ganhou eleições locais e tem um pensamento ideológico, religioso, militarista. Já De la Espriella é um personagem mais incerto. Era liberal em temas sociais e agora é mais conservador. [Nota da reportagem: De la Espriella não exerceu cargo político antes de ser eleito para a Presidência].

·        Cada eleitor responde de acordo com seu país? Está mais à direita que antes?

Guadalupe González - Não sabemos se o eleitor está mais à direita em termos de valores. Eu tenho minhas dúvidas sobre isso. A outra leitura sobre a "onda azul" é que, na verdade, estas forças de direita estão ganhando por representarem um voto castigo aos governos [no poder].

O que poderíamos esperar, sendo assim, é que Milei perderia a próxima eleição e que voltaríamos a ter um pêndulo [um governo de direita e outro de esquerda se alternando]. Mas não sabemos. E também não sabemos se, no caso de pêndulo, se seria para um governo menos radical [de direita] ou se a onda irá para o extremo, com populismo de esquerda.

·        Qual a sua perspectiva neste cenário?

Guadalupe González - Eu me inclino mais para a segunda possibilidade, que tenhamos fatores na América Latina que são mais demandantes eleitoralmente. Há maior interesse e maior participação do eleitorado, que está polarizado pelas redes sociais, principalmente. Ou seja, a política latino-americana e mundial já mudou, com as redes sociais. É outra coisa.

Estamos diante de um fenômeno novo e acho que as redes sociais rendem frutos eleitorais a todas as opções mais populistas do que programáticas. Porque as redes sociais se baseiam muito nas emoções.

·        O eleitor também está mais exigente que tempos atrás?

Guadalupe González - Temos um eleitor mais exigente, mais informado e que está indignado contra governos que considera que são muito ineptos porque não apresentam resultados [às suas necessidades].

·        Milei governa na Argentina, José Antonio Kast no Chile..

Guadalupe González - Qual foi a genialidade de Kast? Conseguir convencer o eleitorado de que era necessário mão dura contra a imigração e a insegurança [pública]. Ao colocar o foco nestas questões, acabou tendo uma vitória que provavelmente não teria tido se a demanda social por estes temas não existisse. Na Colômbia, [a eleição de Abelardo de la Espriella] também pode ser explicada, de alguma forma, da mesma maneira. Na Colômbia há muita divisão em relação à segurança e ao processo de paz [o acordo de paz foi assinado em 2016, mas este é um processo que não envolveu todos os atores políticos e dissidências das Farc].

·        Qual a sua opinião sobre o papel de Trump nesse tabuleiro latino-americano?

Guadalupe González - O papel de Trump e do movimento social que lidera, que é o movimento Make America Great Again (Maga), são fatores muito disruptivos em toda a América Latina e no mundo em geral.

·        Disruptivo de que maneira?

Guadalupe González - Ele é um personagem que polariza e é também um personagem que está vivendo os processos eleitorais em todo o mundo. É importante dizer isso porque, por exemplo, o vice-presidente [J.D. Vance] fez campanha na Europa

·        Na Hungria...

Guadalupe González - Exato. Então, acho que não é algo que está acontecendo só com a América Latina. Mas sim um movimento político-ideológico antiliberal liderado por esta administração [Trump]. Eles representam, basicamente, uma reinterpretação da história política dos Estados Unidos muito baseada na figura de Andrew Jackson [que foi o sétimo presidente dos EUA] e é uma combinação muito americana.

Por um lado, eles veem com muita desconfiança uma intervenção muito forte do Estado na economia e por outro lado é de um nacionalismo enorme e há também uma parte religiosa com eleitores muito conservadores. Os evangélicos são grande parte da sua base, que tem muito a ver com uma agenda social muito conservadora em matéria de direito reprodutivo e etc.

Tomar partido nas eleições de outros países é política expressa da administração Trump. Agora, que impacto eleitoral real tem isso? Muito variável.

·        Para cada país, Trump reserva uma relação ou medida, não?

Guadalupe González - No caso de Milei, nas eleições legislativas [em outubro de 2025], a ajuda econômica de Trump pode ter ajudado a dar mais credibilidade [ao modelo econômico de Milei]. Mas ainda é preciso continuar acompanhando. No caso da Colômbia, [a interferência de Trump] foi ao mesmo tempo favorável e prejudicial. Muitos eleitores consideraram que era uma pretensão intervencionista inaceitável.

·        Já no Brasil, no primeiro tarifaço de Trump, o apoio ao presidente Lula subiu e agora, depois dos novos tarifaços, também há preocupação com os impactos nas exportações e na economia.

Guadalupe González - A intervenção aberta e explícita de Trump visando o resultado eleitoral tem efeito disruptivo e desestabilizador. Primeiro porque reduz a legitimidade dos processos eleitorais na América Latina. Segundo porque é um fator que aumenta a polarização ainda mais. E terceiro, principalmente agora que vemos que Trump quer realizar uma reforma eleitoral nos Estados Unidos… todo o discurso político de Trump em relação ao processo eleitoral está direcionado a tirar a legitimidade do resultado eleitoral que não lhe seja favorável. Então, é antissistêmico do ponto de vista do funcionamento democrático.

·        Qual seria então o efeito do governo Trump para as democracias em termos mundiais?

Guadalupe González - Os Estados Unidos, são um país que tinha o "farol na montanha", que inaugurou a vida democrática… E, hoje, basicamente, encara a erosão da própria democracia americana com a concentração de poder por parte do presidente, com essa relação tão oligárquica, patrimonialista do poder político e dos mega, multimilionários.

Além disso, o questionamento que ele [Trump] fez do resultado da eleição de 2020… Tudo isso o faz um personagem que provoca erosão também na fortaleza das democracias latino-americanas e de todo o mundo.

·        Como define o presidente Trump?

Guadalupe González - No mínimo como um personagem antiliberal, o que afeta os direitos estabelecidos. E, por outro lado, também antidemocrático. Devemos lembrar que por isso existe o movimento "no kings" (manifestações realizadas em 2025 e 2026 em várias cidades dos EUA contra ações do segundo mandato de Trump). Na sua política externa, quando vemos a política "Donroe" [reinterpretação do governo Trump da doutrina intervencionista do presidente James Monroe no século 19] é um pouco "neo-imperial".

·        E para a América Latina?

Guadalupe González - Um efeito muito claro do governo Trump em relação à região é que aprofundou nossa fragmentação ao privilegiar uma bilateralização extrema na sua interlocução presidencial. Por exemplo, eles negociam com o México e negociam, separadamente, com nossos vizinhos sobre os mesmos assuntos.

·        Serão realizadas eleições de meio de mandato em novembro nos Estados Unidos. Neste cenário, seriam eleições importantes não apenas para os EUA, mas também para América Latina e o mundo, não?

Guadalupe González - Com certeza. Aqui eu diria que temos que acompanhar com lupa o que ocorrerá nesta eleição dos Estados Unidos. Será preciso ver se, efetivamente, nos níveis federal e estadual serão realizadas reformas eleitorais que restringem a possibilidade de participação do eleitorado nas próximas eleições. O que está em jogo agora para a administração Trump é se mantém ou não a maioria nas duas Casas [do Congresso] e para eles isso é fundamental.

·        Você diz que Trump tem uma participação disruptiva e desestabilizadora nos processos eleitorais. O que um governo pode fazer em relação a estas interferências externas num processo eleitoral? Por exemplo, no caso do Brasil, que realiza eleição presidencial neste ano?

Guadalupe González - Acho que grande parte destes processos eleitorais vão depender da qualidade da informação e de uma política de enfrentar a desinformação.

·        O que inclui as 'fake news'…

Guadalupe González - Totalmente. Vou colocar aqui o exemplo do México que, aliás, acho uma resposta incorreta a esse método [de intervenção de Trump]. Aqui no México foi aprovada uma reforma eleitoral que permite uma nova eleição se ficar comprovado que houve uma intervenção de atores do exterior.

·        Não seria positivo?

Guadalupe González - Uma lei assim, na minha opinião, é um erro. Porque qualquer partido, quando não gostar do resultado, terá um recurso para tentar anular uma eleição. E isso é muito disruptivo. Isto pode levar a disputas eleitorais infinitas e muita instabilidade.

·        Qual a alternativa?

Guadalupe González - Eu acho que essa alternativa não é boa. Aqui no México surge a pergunta, quem vai interpretar essa nova lei? Será o Tribunal Eleitoral e vai depender da composição do Tribunal Eleitoral, se ele estará mais a favor de um partido ou de outro. Vai ser uma confusão. Eu acho que o problema é principalmente de comunicação e de narrativa. E evitar fazer de Trump parte da eleição.

·        Como?

Guadalupe González - Donald Trump pode falar o que ele quiser. A direita pode falar o que quiser, mas não cair no jogo que eles estão jogando. O ideal, no meu ponto de vista, é que ignorem Trump nas campanhas eleitorais. Mas reconheço que é muito difícil por causa da provocação.

·        Mas no caso do Brasil, o novo tarifaço, como foi o primeiro, afeta as exportações brasileiras e pode afetar a economia brasileira…

Guadalupe González - Mas neste caso há um assunto importante do ponto de vista da informação. É provável que Donald Trump mantenha o fantasma ou o próprio tarifaço para influenciar as eleições. Mas é importante que o setor industrial saiba que independentemente do que aconteça, votar em [Flávio] Bolsonaro não é garantia de um acordo [contra as tarifas].

·        Como você vê o fato de Trump ter declarado grupos criminosos do Brasil e de outros países da América Latina como terroristas?

Guadalupe González - A situação do crime organizado na América Latina é, no meu ponto de vista, uma das maiores ameaças, é um dos maiores problemas que a região enfrenta. Mas acho que deveríamos entender que a categoria "crime organizado" não captura a problemática em sua totalidade. Acho que desde a perspectiva da América Latina, o problema de ecossistemas violentos é a melhor maneira de entender o problema da insegurança.

·        Como assim? Qual a diferença?

Guadalupe González - Geralmente pensamos a categoria de crime organizado como separado do restante. Na América Latina temos uma relação simbiótica do crime organizado com a criminalidade, a economia, a sociedade e a política. Esse é o problema.

No documento sobre violência que fizemos no Conlat (isso) está muito claro. Devemos entender essa situação de maneira integral para poder gerar políticas públicas eficazes. É a única maneira de não cairmos em fórmulas como a de Bukele [presidente de El Salvador], que não têm sustentação no médio e longo prazo. Além disso, estas políticas [de Bukele] possuem o grave erro de restringir direitos civis e de militarizar a sociedade.

·        A região tem altos índices de violência e de desigualdade...

Guadalupe González - Exato. E em resumo, o problema da violência sistêmica na América Latina é, talvez, uma das questões mais importantes. A segunda é a da desigualdade. São problemas estruturais e não se resumem ao crime organizado.

·        E sobre a declaração de grupos criminosos como organizações terroristas?

Guadalupe González - Isto tem enormes implicações. O crime organizado pode recorrer a táticas terroristas, mas não é uma organização terrorista porque seu objetivo é o lucro. O funcionamento, a dinâmica é outra. Na minha opinião, há uma distorção na forma de entender o problema.

Com a redefinição do problema [para organização terrorista], a própria estrutura legal americana permite aos Estados Unidos atuar extraterritorialmente. Ou seja, legitima que os Estados Unidos utilize a força unilateral...

·        Força militar?

Guadalupe González - Sim, forças militares porque seriam contra terroristas. Ou seja, os efeitos são enormes. Ao mesmo tempo, de levar adiante todas estas investigações por lavagem de dinheiro, compra de armas e etc. que afetam instituições financeiras latino-americanas. Então, estamos diante de uma "extraterritorialidade" das leis americanas.

O caso mais claro é o de Maduro [ex-presidente da Venezuela retirado do país no dia 3 de janeiro por forças militares dos EUA]. Neste caso, foi feito o uso unilateral da força para extrair um presidente no cargo, ilegítimo, ditador ou como se queira defini-lo, e levar… Ou seja, o que estamos vendo é maiúsculo, é enorme.

·        O que foi feito com Maduro pode virar uma espécie de laboratório para chegar a ser realizado em outros países?

Guadalupe González - Com certeza. Não tenho a menor dúvida. Até porque do ponto de vista dos Estados Unidos, foi uma operação muito bem sucedida. Mas agora o que estamos vendo é o governo Trump alinhando estes governos de direita, eleitos a partir da demanda popular de mais segurança, mais segurança, em torno do Escudo das Américas [aliança de cooperação militar e de segurança lançada por Trump]. Na verdade, essa é uma maneira de normalizar e de institucionalizar as ações unilaterais dos Estados Unidos. E neste contexto estão incluídos a forma como os imigrantes são tratados, o uso da força, os megapresídios.

·        E os países, que discordarem desta política, não podem se declarar contrários quando os Estados Unidos declarem grupos criminosos como territoriais?

Guadalupe González - Poderia se apelar através de instrumentos jurídicos internacionais, com apelações na Corte Interamericana de Direitos Humanos e outras cortes internacionais sobre a legitimidade destas ações.

·        O governo Trump obedeceria?

Guadalupe González - Provavelmente não. Mas pelo menos se tentaria. Mas o problema é que muitos governos da América Latina se uniram a esta agenda americana cegamente porque lhes gera, acreditam, bons resultados eleitorais.

·        Como o governo Noboa, do Equador.

Guadalupe González - Claro. Estão importando essa visão. Preocupante.

·        O México envia grande parte de suas exportações para os Estados Unidos. Como a presidente Claudia Scheinbaum faz para manter apoio popular e ter equilíbrio na relação com Donald Trump?

Guadalupe González - É uma ação muito forte de equilibrismo. Claudia Scheinbaum entendeu rápido a relação com Trump e que Trump é um personagem muito performático, e que devia encontrar um canal de comunicação direto e muito regular com ele e num espaço neutro, onde o presidente Trump não tivesse espaço para fazer um show midiático. Então, desde o início se optou por uma comunicação regular via telefônica.

·        Entre os dois diretamente?

Guadalupe González - Exatamente. Eles se falaram várias vezes, neste ano, por telefone, em diferentes momentos. Isso ajudou muito. Outra característica da política exterior de Claudia Scheinbaum na relação bilateral, é algo que o governo mexicano vem fazendo historicamente, que é buscar segmentar a agenda. E é a presidente que unifica o discurso diante dos Estados Unidos diariamente em sua "Mañanera" (entrevista diária à imprensa).

Por ser uma pessoa séria e inteligente, normalmente ela responde com serenidade e tentando evitar que as coisas se descontrolem. Alguns dizem que é uma "diplomacia zen" e também uma diplomacia muito ativa em muitos setores, incluindo as questões econômicas e de imigração de mexicanos nos Estados Unidos.

·        Paciência estratégica.

Guadalupe González - Mas a posição de Claudia Scheinbaum é cada vez mais difícil e incômoda (pela pressão do governo Trump) pelas ações de combate ao narcotráfico. Porque os Estados Unidos estão solicitando a extradição de integrantes, inclusive governadores....

·        Da frente governista Morena...

Guadalupe González - Exato. Governadores do Morena. E isso gera muita dificuldade e tensões no interior do próprio Morena e a decisão dela foi um não absoluto (à extradição). E deixa o governo numa posição difícil porque a oposição diz que este é um "narcogoverno". É muito complexo e daqui até novembro (mês da eleição nos Estados Unidos) se vive um dos momentos mais tensos da relação entre México e Estados Unidos.

·        Na sua visão, o fato de ela ter essa paciência estratégica e de dialogar regularmente com Trump, pode ser um exemplo para o presidente Lula?

Guadalupe González - Sim. E não politizar a relação. Por exemplo, ela nunca responde publicamente o que ele diz. E Donald Trump diz que ela é uma boa pessoa, que não tem medo dos narcotraficantes...E ela, por sua vez, nestas ocasiões, diz: "Bom, é a opinião do presidente Trump." Como ela diz, cabeça fria.

 

Fonte: Por Marcia Carmo, para BBC News Brasil