sábado, 25 de julho de 2026

O erro no almoço de quem tem pré-diabetes ou diabetes pode estar na ordem dos alimentos

Quem convive com diabetes, pré-diabetes ou resistência à insulina costuma ter dúvidas sobre o que colocar no prato no almoço. Em muitos casos, o medo de elevar a glicemia leva à exclusão de alimentos como arroz e feijão. No entanto, segundo o nutricionista especialista em diabetes Danilo Araújo, a organização do prato pode fazer diferença sem exigir restrições desnecessárias.

O especialista explica que o foco não deve estar apenas na escolha dos alimentos, mas também na sequência em que eles são consumidos e na quantidade de cada grupo alimentar.

<><> Como montar um almoço para diabetes

De acordo com Danilo Araújo, o primeiro passo é preencher o prato com legumes. A orientação inclui alimentos como brócolis, couve-flor, abobrinha, cenoura, vagem, berinjela e chuchu.

Segundo o nutricionista, começar a refeição pelos legumes ajuda a retardar a absorção dos carboidratos consumidos em seguida. Portanto, essa estratégia pode contribuir para um aumento mais gradual da glicemia após a refeição.

Em seguida, a recomendação é acrescentar uma fonte de proteína. Entre as opções citadas por Danilo estão peito de frango, patinho bovino, ovos, tilápia, atum, lentilha e outros peixes.

O especialista destaca que a proteína também faz parte da composição do prato e ajuda a completar a refeição antes da inclusão dos alimentos ricos em carboidratos.

<><> Arroz e feijão podem fazer parte da alimentação?

Uma dúvida frequente entre pessoas com diabetes é se arroz e feijão precisam ser retirados da alimentação.

Segundo Danilo Araújo, a resposta é não. O nutricionista afirma que esses alimentos podem continuar presentes no almoço, desde que a pessoa observe a quantidade consumida e monte o prato seguindo a sequência proposta.

Além do arroz integral, ele cita como opções de carboidratos batata-doce, mandioca, batata inglesa, macarrão integral, quinoa e feijão.

Nesse contexto, o especialista reforça que o problema não está no consumo do carboidrato em si, mas no excesso e na forma como a refeição é organizada.

<><> Quantidade também faz diferença no controle da glicemia

Segundo Danilo Araújo, depois de incluir os legumes e a proteína, o restante do espaço do prato deve ser destinado aos carboidratos.

Durante a explicação, ele mostra um exemplo de composição em que a maior parte do prato é formada por verduras, legumes e proteínas. Enquanto isso, arroz e feijão ocupam a menor porção.

Além disso, o nutricionista afirma que muitas pessoas restringem alimentos sem necessidade. Para ele, quem convive com diabetes não precisa consumir refeições sem sabor nem eliminar alimentos tradicionais do dia a dia.

O especialista orienta variar os alimentos ao longo da semana para ampliar a diversidade da alimentação. Entre os legumes sugeridos estão brócolis, couve-flor, abobrinha, cenoura, vagem, berinjela e chuchu. As proteínas podem incluir peito de frango, patinho bovino, ovos, tilápia, atum, lentilha e peixes. Já entre os carboidratos aparecem arroz integral, batata-doce, mandioca, batata inglesa, macarrão integral, quinoa e feijão.

Segundo Danilo Araújo, o objetivo é substituir a restrição por estratégias alimentares que permitam montar refeições equilibradas e adaptadas à rotina de quem convive com diabetes, pré-diabetes ou resistência à insulina.

•        Quem tem diabetes deve tirar o miolo do pão? Nutricionista responde

Logo após o diagnóstico de diabetes, muitas pessoas mudam a alimentação de um dia para o outro. Entre as primeiras atitudes está retirar o miolo do pão francês na tentativa de evitar o aumento da glicose. A estratégia é comum, mas, sozinha, não resolve o problema. Segundo a nutricionista e educadora em diabetes Tarcila Campos, membro do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o resultado depende do conjunto da refeição.

<><> Tirar o miolo do pão reduz carboidratos, mas não transforma o alimento

Durante participação no DiabetesCast, Tarcila explicou que retirar o miolo pode diminuir um pouco a quantidade de carboidrato consumida. No entanto, isso não faz o pão deixar de ser uma fonte de carboidrato nem elimina seu impacto sobre a glicemia.

Segundo a especialista, o pão francês pode continuar fazendo parte da alimentação de quem tem diabetes, desde que seja consumido em uma porção adequada e acompanhado de outros alimentos que ajudem a equilibrar a refeição.

“O que talvez eu falaria é: continua com o seu pãozinho, põe um ovinho mexido junto e vamos ver o que acontece”, afirmou.

Ela explica que, no café da manhã, a resistência à insulina costuma ser maior para muitas pessoas com diabetes tipo 2. Por isso, consumir apenas um alimento rico em carboidratos pode favorecer uma elevação mais rápida da glicose.

<><> O que colocar junto com o pão pode fazer mais diferença

Para Tarcila, a principal estratégia não é retirar alimentos, mas aprender a combiná-los.

Adicionar uma fonte de proteína, como ovos, queijo ou iogurte natural, pode ajudar a tornar a absorção do carboidrato mais lenta. Além disso, a nutricionista recomenda evitar concentrar muitos alimentos ricos em carboidratos na mesma refeição.

Um exemplo citado por ela é o hábito de consumir pão e fruta ao mesmo tempo. Nesse caso, uma alternativa pode ser manter o pão no café da manhã e deixar a fruta para outro horário do dia.

Segundo a especialista, essa organização costuma trazer mais benefícios do que simplesmente eliminar o miolo do pão.

<><> O diagnóstico não significa abandonar alimentos

Outro ponto destacado por Tarcila é que muitas pessoas recebem o diagnóstico acreditando que nunca mais poderão comer pão, arroz ou outros alimentos presentes na rotina.

Ela afirma que essa percepção não corresponde ao tratamento nutricional atual do diabetes tipo 2.

Em vez de criar listas de alimentos proibidos, o foco deve estar na quantidade consumida e na composição das refeições. O planejamento alimentar também precisa considerar a realidade de cada pessoa, incluindo cultura, acesso aos alimentos e hábitos familiares.

“A gente precisa organizar a forma e, muitas vezes, a quantidade daquele alimento”, explicou.

<><> Cada pessoa pode responder de forma diferente

A nutricionista também ressalta que não existe uma regra que funcione da mesma maneira para todos.

Algumas pessoas conseguem manter determinado alimento na rotina sem grandes alterações na glicose. Outras apresentam respostas diferentes ao consumir exatamente o mesmo alimento.

Segundo Tarcila, conhecer essa resposta individual pode ajudar na construção de um plano alimentar mais adequado. Quando possível, a monitorização da glicose, seja com glicosímetro ou sensor, permite identificar como cada refeição interfere nos níveis de glicose ao longo do dia.

Essas informações ajudam profissionais de saúde a ajustar quantidades, horários e combinações dos alimentos de acordo com a resposta de cada organismo.

<><> Dicas para incluir o pão na alimentação de quem tem diabetes

•        Consuma o pão em uma porção adequada para a sua necessidade.

•        Prefira combinar o pão com uma fonte de proteína, como ovo, queijo ou iogurte natural.

•        Evite consumir vários alimentos ricos em carboidratos na mesma refeição, como pão e grandes porções de frutas ao mesmo tempo.

•        Acrescente fibras à refeição, incluindo frutas na quantidade orientada ou vegetais quando possível.

•        Lembre-se de que retirar o miolo do pão reduz apenas uma pequena quantidade de carboidrato e, sozinho, não controla a glicemia.

•        Sempre que possível, monitore a glicose para entender como o seu organismo responde ao pão e às diferentes combinações de alimentos.

•        Não exclua o pão da alimentação apenas por causa do diagnóstico. O planejamento da refeição costuma ser mais importante do que eliminar um alimento específico.

 

Fonte: Um Diabético

 

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