Ciência,
Iluminismo e emancipação feminina para além do reducionismo decolonial
Com meu
algoritmo calibrado para conteúdos de humanidades, basta rolar o feed das
redes sociais por alguns minutos para esbarrar em publicações que questionam a
ciência a partir de um vocabulário decolonial.
Foi
assim que o Instagram me mostrou o seguinte post: “Por que o
discurso científico é colonial?” Na legenda, o perfil tecia críticas à ciência
moderna, retratada como inimiga do conhecimento de intelectuais mulheres,
negras, indígenas, anticoloniais e dissidentes.
Nos
últimos anos, esse tipo de enunciado tornou-se lugar comum. Segundo a
ferramenta Google Trends, o interesse dos usuários pelo termo “decolonial”
começou a crescer no Brasil em 2015. Uma década depois, estamos no auge desse
interesse, não no seu declínio. Multiplicam-se pedagogias decoloniais,
letramentos decoloniais, formações de professores decoloniais e afins.
O fato
é que “decolonial” é usado, hoje em dia, por muitas pessoas, num sentido muito
impreciso. Com frequência, dizer que um indivíduo ou algo é “decolonial” é
sinalizar comprometimento com o antirracismo e com povos que foram colonizados.
E, não raro, a ciência moderna e o iluminismo são apresentados como obstáculos
a esse compromisso.
Os
autores que compõem o campo dos estudos decoloniais não têm culpa das versões
simplificadas que circulam em seu nome. Na verdade, conviver com versões
populares é o destino de qualquer teoria acadêmica bem-sucedida.
Porém,
cabe lembrar que aquilo que o sociólogo peruano Aníbal Quijano escreveu em seu
ensaio fundador sobre a colonialidade do poder não está tão distante assim da
versão que circula nas redes.
Em Colonialidade do Poder, Eurocentrismo
e América Latina,
Quijano afirma que a Europa teria concentrado sob sua hegemonia o controle
de todas as formas de produção do conhecimento. Segundo ele, ao
utilizar categorias modernas (inclusive as científicas), os colonizados
estariam presos a uma espécie de tragédia: levados, conscientemente ou não, a
aceitar como sua uma imagem que não lhes pertence.
Segundo
esse raciocínio, toda mulher, pessoa de um país outrora colonizado ou pessoa
negra que recorre ao método científico moderno está sendo inautêntica. Pior,
ela não apenas não está se emancipando, mas reencenando sua própria
subordinação ao usar ferramentas que a definem como inferior.
Nesse
texto, conto como pesquisar a produção intelectual de mulheres do século XIX
(tanto do centro como da periferia mundial) me afastou, em vez de me aproximar,
de ideias assim. Cataloguei inúmeros exemplos de usos emancipatórios da
ciência, da razão e dos princípios do Iluminismo por mulheres de diversas
partes do globo, de diferentes cores, religiões e etnias.
Ao ler
o que elas escreveram, encontrei um uso ativo e deliberado das ferramentas da
ciência e da filosofia iluminista para apontar as contradições de suas próprias
sociedades, reivindicar mudanças e, muitas vezes, criticar a própria ciência.
Se a
proposta de Quijano está próxima ou distante das formulações originais de
outros autores decoloniais é uma pergunta que deixo para outro momento. Aqui,
quero reconstruir a história da relação das mulheres com a ciência, a razão e o
Iluminismo a partir das suas próprias contribuições.
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O feminismo europeu
A
crítica ao uso, por colonizados, de categorias modernas encontra um paralelo
numa acusação que também recai sobre as mulheres europeias que aderiram ao
Iluminismo: a de que teriam sido cúmplices do patriarcado que pretendiam
combater.
A
historiadora britânica Barbara Taylor mostra que essa leitura, hoje “da moda”,
trata o Iluminismo de forma caricata, como uma mera disputa de poder
branco-masculino-burguês mascarada por um discurso de emancipação universal.
Seu
trabalho com Mary Wollstonecraft, por exemplo, sugere que o legado iluminista
foi muito mais ambíguo do que essa caricatura costuma admitir. Wollstonecraft,
Catharine Macaulay e as feministas socialistas não foram, assevera Taylor,
receptoras passivas de uma retórica que as objetificava, mas se apropriaram da
linguagem universalista da razão para reivindicar a igualdade intelectual.
Mary
Wollstonecraft, por exemplo, atacou a clássica divisão entre razão e
sentimento, a primeira reservada aos homens, o segundo às mulheres. Para ela,
essa diferença era falsa: os homens disfarçavam de razão o que era muitas vezes
só paixão descontrolada, enquanto as mulheres eram forçadas a disfarçar de
sentimento aquilo que era, na verdade, pensamento racional. Negar a faculdade
da razão às mulheres as impedia de serem plenamente humanas.
Tenho
chegado a constatações parecidas às de Barbara Taylor estudando obras de outras
mulheres que, entre o fim do século XVIII e as primeiras décadas do XX,
teorizaram sobre a vida social e sobre a condição feminina.
Harriet
Taylor Mill, por exemplo, criticou a exclusão das mulheres do voto, da
propriedade, da educação superior e da vida pública. Ela se recusava aceitar
qualquer afirmação sobre a “natureza” feminina que não tivesse sido testada e
observada empiricamente em condições de igualdade real.
Flora
Tristan, por sua vez, bebeu no socialismo de Saint-Simon, Fourier e Owen, uma
tradição que aspirava a fundar uma ciência positiva da sociedade, para criticar
a subordinação da mulher e a exploração do trabalhador. Isso lhe deu a base
para reivindicar a existência civil, política e social das mulheres.
Na
França, muitos beberam direta ou indiretamente nas ideias de René Descartes
para afirmar a igualdade entre os sexos. A historiadora Elisabeth Badinter
aponta que, ao estender a faculdade da razão a toda a humanidade (não mais
definida pelo corpo, o sexo ou a posição social), Descartes forneceu uma base
filosófica da qual mulheres puderam extrair, décadas e séculos depois,
argumentos para reivindicar sua própria humanidade plena.
O
impacto do racionalismo cartesiano na elevação do status das mulheres na
opinião pública não foi pequeno. Figuras como François Poulain de la Barre e
Nicolas de Condorcet mobilizaram esse discurso para afirmar a semelhança entre
homens e mulheres, deixando um legado reconhecível até hoje em autoras como
Simone de Beauvoir.
É digno
de nota que essa leitura de Descartes como fonte de emancipação contrasta
frontalmente com a interpretação que Aníbal Quijano faz dele. Para Quijano, a
epistemologia cartesiana, ao fundar o conhecimento numa relação sujeito-objeto,
teria fornecido as bases filosóficas para tratar os povos colonizados como
meros “objetos” de conhecimento e dominação, excluídos da condição de
“sujeitos” racionais.
O
problema é que, como observa o filósofo Paul Anthony Chambers, Quijano sequer
cita uma única obra de Descartes para sustentar sua tese. E basta ler as
primeiras páginas do Discurso do Método para
desmenti-la: ali, Descartes recomenda relativizar os próprios costumes à luz
dos costumes de outros povos, e não tratá-los como medida universal de
racionalidade. Seu uso em prol das mulheres dá testemunho desse potencial
emancipador da filosofia cartesiana.
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Além da Europa
Fora da
Europa, em contextos coloniais ou não, o século XIX foi disruptivo, forçando
sociedades patriarcais a gestos de autorreforma. Como aponta a socióloga e
historiadora cingalesa Kumari Jayawardena, nesses espaços, as elites
nacionalistas locais se empenharam em demonstrar que suas sociedades não eram
“atrasadas” aos olhos dos europeus. O objetivo era reivindicar a soberania e
provar que mereciam autogovernar-se.
Jayawardena
é explícita quanto ao caráter conservador do arranjo: muitos desses
reformadores viam os males sociais de suas sociedades como ameaças à
estabilidade da família burguesa e às suas aspirações por independência
nacional. A mulher que projetavam era educada e “apresentável”, mas com papel
primordialmente doméstico.
Ainda
assim, esse projeto abriu frestas que os próprios reformadores não previram. Ao
reivindicar modernidade, desenvolvimento e civilização, eles tiveram que
criticar práticas como o casamento infantil, a poligamia, o confinamento físico
das mulheres, o enfaixamento dos pés na China e a discriminação das viúvas. E
abriram margens que mulheres como Pandita Ramabai e Nazira Zeineddine
aproveitaram: não como recipientes passivas da modernização importada, mas como
usuárias competentes das ferramentas de razão e ciência.
Nazira
Zeineddine foi uma jovem drusa libanesa que respondeu à fatwa emitida por
xeiques sírios, em 1927, determinando que as mulheres cobrissem o rosto.
Educada em escolas francesas de Beirute, citava com frequência The
Subjection of Women, de John Stuart Mill, para sustentar que a subordinação
de um sexo ao outro era contrária ao aperfeiçoamento humano. Em Unveiling
and Veiling (1928), conciliando diferentes tradições intelectuais,
Zeineddine fundamentou toda a sua argumentação no Alcorão e na Sunna para defender
que a inferioridade intelectual e religiosa atribuída às mulheres não
encontrava respaldo nas escrituras, mas sim na interpretação interessada
daqueles que as controlavam.
A
indiana Pandita Ramabai é outro caso exemplar. Sua autoridade sobre as
escrituras hindus não veio de fora. Ela aprendeu a ler sânscrito com o pai, que
acreditava que mulheres e homens deveriam receber a mesma educação. Na
Inglaterra, entrou em contato com os estudos comparados da religião. Reunindo
essas duas tradições intelectuais, Ramabai combinou a análise de textos
sagrados e sermões religiosos com a observação direta acumulada ao longo de
anos de viagem para explicar práticas como o infanticídio feminino, o casamento
infantil e a violência contra as viúvas na Índia.
Da
China, Qiu Jin foi estudar no Japão, e participou em 1904 da primeira
associação de mulheres chinesas explicitamente feminista, que agitava também
pela derrubada da dinastia Manchu. Executada em 1907, ela representa um padrão
que se repete por toda a Ásia: a formação obtida fora (no Japão, Inglaterra,
Estados Unidos) usada não para imitar o Ocidente, mas para acelerar a
emancipação feminina.
A
recepção de ideias de fora, aliás, não foi reverente e passiva. A personagem
Nora, protagonista da peça Casa de Bonecas (1879), do norueguês Henrik
Ibsen, tornou-se símbolo de emancipação feminina em toda a Ásia. A peça foi
traduzida para o chinês e o termo “ibsenismo” passou a circular entre
intelectuais chineses.
Em
1923, porém, Lu Xun perguntou o que aconteceria depois que Nora renegasse o
casamento e saísse pela porta, e constatou que, sem mudanças sociais, ela teria
de voltar para casa ou se prostituir. A ideia vinda da Europa foi imediatamente
submetida a crítica.
Na
África do Sul, Olive Schreiner manteve uma relação intelectual intensa e
ambivalente com Karl Pearson, matemático britânico que se tornaria um dos
principais formuladores da eugenia. Conheceram-se em Londres, em meados da
década de 1880, e a relação começou bem. Porém, as tensões se elevaram quando
Schreiner passou a questionar as generalizações apressadas e as evidências
frágeis que o amigo utilizava para falar sobre a natureza das mulheres.
Schreiner
virou as próprias ferramentas da ciência, como a exigência de evidência sólida,
contra as conclusões de Pearson. Assim, ela argumentou, em Woman and Labour (1911), que a suposta
inferioridade intelectual das mulheres não resistia a um exame empírico
honesto.
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Nos Estados Unidos
Os
Estados Unidos proporcionam dois exemplos fundamentais de como a ciência e a
objetivação estatística foram importantes para desmontar mitos raciais. A
jornalista Ida B. Wells compilou dados sistemáticos sobre linchamentos em A Red Record (1895), mostrando as
motivações econômicas e políticas dos seus incitadores: impedir o avanço social
da população negra.
O
sociólogo W.E.B. Du Bois, por sua vez, ofereceu o exemplo mais inovador de uso
do método científico contra o racismo. Em The Philadelphia Negro (1899), ele cruzou
estatística com observação direta de uma comunidade. O resultado contrariava,
com evidências, os mitos correntes sobre inferioridade racial da população
negra. Du Bois também estudou em Berlim, entre 1892 e 1894, e anos depois
conheceu Max Weber, que chegou a traduzir e publicar um artigo seu na Alemanha.
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Uma ressalva antes de concluir
É
preciso fazer uma ressalva. As mulheres e homens aqui reunidos são exceções
notáveis, nem sempre por riqueza ou posição social, mas quase sempre por terem
tido acesso a algo raro em seu tempo: educação, mobilidade internacional ou
redes intelectuais de contato. Esses recursos, ainda que não fossem
financeiros, não eram acessíveis à imensa maioria das pessoas de então,
europeias ou não.
Reconhecer
sua agência não é negar que agiram dentro de estruturas profundamente
desiguais: o colonialismo, o patriarcado e o racismo científico do século XIX
foram reais e moldaram as condições sob as quais essas figuras tiveram que
agir.
A
ciência serviu, na mesma época, a projetos de dominação, e a lista é longa. A
frenologia e a craniometria mediram crânios para justificar hierarquias
raciais. A poligenia sustentou que negros e brancos pertenciam a espécies
distintas. A eugenia forneceu justificativa para políticas de esterilização
compulsória. A antropometria colonial catalogou corpos como quem cataloga
espécimes, e exposições universais exibiram pessoas em zoológicos humanos.
- Marion Sims
aperfeiçoou a cirurgia ginecológica operando repetidas vezes mulheres
negras escravizadas, sem anestesia e sem qualquer consentimento. A
medicina mediu a inteligência feminina pelo peso do cérebro e diagnosticou
com histeria mulheres que discordavam de seus maridos. Não se trata de
desvios isolados. Foram programas de pesquisa financiados, publicados em
revistas respeitáveis e defendidos por cientistas de prestígio.
As
trajetórias trazidas aqui não demonstram que a ciência foi, na prática, um
instrumento neutro ou benigno. Mas apontam que, mesmo dentro de contextos de
opressão, a ciência e a razão puderam ser reivindicadas, contestadas e viradas
contra seus próprios usos e abusos, por quem menos poder tinha para fazê-lo.
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Elas têm razão
Essas
mulheres e homens não foram consumidores passivos de uma “ciência ocidental”,
mas usuários e inovadores da própria ciência. Intervieram em debates
filosóficos, revisaram categorias científicas, forçaram a ciência a confrontar
suas contradições.
Em
diversas ocasiões, polemizaram abertamente com cientistas famosos nas páginas
de livros, revistas e jornais. Como demonstrei, algumas mulheres criticaram
abusos cometidos em nome da ciência, enquanto outras usaram o método científico
para desmontar crenças tradicionais, religiosas e comunitárias que sustentavam
a subordinação feminina.
A
filósofa Susan Neiman lembra que foi contra a autoridade da Igreja, da tradição
e dos reis que a ciência moderna se ergueu. Não para desqualificar outros
saberes, mas para tornar o raciocínio lógico e a evidência empírica acessíveis
a qualquer um, não só aos poderosos.
Se a
ciência, na prática e ao longo da história, esteve à altura desse ideal é outra
questão. Mas para falar de ciência é preciso conhecer as aspirações que ela
persegue, mesmo quando desigualdades e hierarquias historicamente a afastaram
delas.
A
ciência é um patrimônio comum. Separar um “saber ocidental” de um “saber do
resto do mundo”, confundindo desigualdades históricas com essências fixas e
binárias, não valoriza, mas apaga as contribuições intelectuais e as próprias
formas de resistência de mulheres, de pessoas negras, de povos colonizados.
Como
mostra Paul Gilroy em seu estudo sobre o Atlântico Negro, as próprias
tradições que hoje chamamos de “negras” ou “europeias” nasceram de uma
circulação constante de pessoas, textos e ideias num espaço híbrido que nenhuma
separação rígida entre Norte e Sul consegue capturar.
Importa,
portanto, não confundir processos históricos como a construção da ciência, das
universidades, das instituições com “mérito” nacional ou étnico. Esses
processos são longos, contingentes, raramente planejados. E, a despeito das
desigualdades no campo científico, a ciência continua a mostrar sua vocação
para a emancipação.
Nesse
sentido, a trajetória da indiana Meera Nanda é exemplar. Formada em
microbiologia, ela tem apontado que o método científico foi para ela uma
ferramenta de emancipação pessoal e, depois, coletiva. Nanda participou de
movimentos populares de divulgação científica na Índia, como o Kerala Sasthra
Sahithya Parishad, que levam a vilas, através de teatro de rua e feiras de
ciência, temas como a determinação genética do sexo dos bebês, ajudando a
livrar mulheres do estigma por não gerarem herdeiros homens.
Nanda
tem se voltado contra dois discursos anticiência: de um lado, o nacionalismo
hindu, que usa a autoridade da ciência para legitimar um projeto
político-religioso tradicionalista. De outro, correntes pós-modernas e
decoloniais que, ao relativizar a ciência como “apenas mais um saber” entre
outros, acabam retirando dos movimentos populares justamente a ferramenta que
lhes permite chamar de falsa uma tradição opressora.
A
ciência não pertence a ninguém em particular. E é justamente por isso que
pertence a todos.
Volto,
então, às duas afirmações de Quijano. Sua tese de um controle “total” sobre
todas as formas de produção do conhecimento pela Europa mostra-se, repetidas
vezes, falsa. Já sua afirmação de que usar a ciência e a razão modernas é uma
“tragédia” que torna o colonizado “inautêntico” retira de pessoas como
Zeineddine, Ramabai, Schreiner, Wells, Du Bois e tantas outras aquilo que elas
conquistaram com muito esforço e dificuldade.
Uma
pergunta abriu este texto: “Por que o discurso científico é colonial?” Depois
de anos lendo o que essas mulheres escreveram, minha resposta é a seguinte: não
é. Se a ciência já foi usada para oprimir, ela também o foi para emancipar.
Afinal, ela continua sendo o instrumento que Olive Schreiner usou para
contestar a tese da inferioridade feminina de Pearson, que Ida B. Wells usou
contra a supremacia branca nos Estados Unidos e que Meera Nanda usa hoje contra
o nacionalismo hindu patriarcal.
Fonte:
Por Verônica Toste Daflon, no Le Monde

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