sábado, 25 de julho de 2026

PF cruza R$ 61 milhões de Vorcaro com emendas do senador Flávio Bolsonaro

Polícia Federal vai cruzar os R$ 61 milhões transferidos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse com as emendas parlamentares do senador Flávio Bolsonaro.

O inquérito, autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), eleva o caso de uma simples apuração sobre financiamento de cinema para uma investigação complexa. O objetivo central da PF agora é apurar se os aportes milionários ao projeto sobre a vida de Jair Bolsonaro tiveram relação com atos políticos e beneficiaram interesses do Banco Master.

A apuração unifica um circuito investigado de documentos, áudios e contratos revelados em reportagens publicadas desde maio por veículos como Intercept Brasil e Agência Pública. No centro do fluxo financeiro estão remessas que fariam parte de um orçamento global de até US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões).

<><> O rastreio das emendas de Flávio e a hipótese de contrapartida

O principal trunfo da PF nesta nova fase é a ampliação do foco. A pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), os investigadores não querem apenas rastrear o destino final do dinheiro, mas verificar o seu caminho de volta.

A diligência busca verificar se houve contrapartida política aos aportes. O levantamento vai mapear todas as emendas apresentadas por Flávio Bolsonaro para identificar eventuais favorecimentos ao Banco Master, abrindo uma nova frente sobre o relacionamento do senador com o grupo de Vorcaro. A PGR solicitou ainda o cruzamento de dados com outros inquéritos do banco para localizar movimentações financeiras ocultas.

<><> A rota do dinheiro e a estrutura no Texas

O fluxo de capital desenhado nos bastidores era robusto. A rota do dinheiro é uma das frentes da investigação sobre possível lavagem de capitais e evasão de divisas, expondo um trajeto complexo.

Parte do dinheiro saía de estruturas como a Entre Investimentos e Participações e, após enfrentar recusas no setor de câmbio do próprio Banco Master por problemas cadastrais, desembocava na Havengate Development Fund LP, sediada no Texas (EUA). A Fórum já havia revelado que o rastreamento definitivo deste fundo internacional depende de cooperação com autoridades norte-americanas.

A estrutura no Texas tinha como agente legal um escritório com conexões societárias associadas a Eduardo Bolsonaro. Com base em documentos que apontam o planejamento do filme como peça eleitoral, a investigação pretende agora mapear se essas remessas internacionais tiveram finalidade exclusivamente cinematográfica ou se cruzaram com a atuação política do deputado nos Estados Unidos. Eduardo Bolsonaro classifica a suspeita como “tosca”, afirmando ter declarado a origem de seus recursos às autoridades competentes.

<><> Cronologia da relação revelada pela investigação

A relação entre os envolvidos deixou rastros documentais que agora balizam o inquérito no STF.

•        Janeiro de 2024

O Contrato

Documento assinado digitalmente coloca Eduardo Bolsonaro e o deputado Mario Frias como produtores-executivos ao lado da GoUp Entertainment, com previsão de participação na gestão do orçamento.

•        Dezembro de 2024

A Reunião

Encontro marcado entre Flávio e Vorcaro na mansão do banqueiro em Brasília. No mesmo dia, Mario Frias envia áudio agradecendo o apoio: “Vamos mexer com o coração de muita gente”.

•        Setembro de 2025

Cobranças

Áudios obtidos pela investigação registram Flávio Bolsonaro cobrando a liberação de mais recursos para o projeto cinematográfico.

•        Novembro de 2025

Aproximação

Em nova mensagem revelada nos autos, Flávio chama o ex-banqueiro Vorcaro de “irmão” e declara apoio irrestrito.

•        Julho de 2026

O Inquérito

PF solicita abertura formal de inquérito (dia 8). PGR dá parecer favorável apontando indícios suficientes (dia 21), culminando na autorização do STF para rastrear a relação entre Vorcaro, que já tentou incluir o senador em proposta de colaboração premiada, e as emendas parlamentares.

<><> Notas fiscais fracionadas e a Operação Compliance Zero

Para encorpar o inquérito, a PF deverá incorporar a emissão de três notas fiscais que ligam o escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro à estrutura empresarial de Vorcaro, totalizando R$ 1,5 milhão. Segundo registros documentais, duas notas de R$ 500 mil foram emitidas e posteriormente canceladas para uma empresa envolvida no recebimento de recursos do Master, enquanto uma terceira nota, também de R$ 500 mil, foi efetivamente paga em outro vínculo empresarial do grupo.

A figura do publicitário Thiago Miranda conecta as pontas das apurações. Apontado como intermediário entre Flávio, Frias e Vorcaro nas negociações do filme, Thiago Miranda já havia sido alvo de busca e apreensão na Operação Compliance Zero, que investiga ataques à reputação do Banco Central como forma de retaliação a medidas impostas ao Banco Master.

<><> O que diz a defesa de Flávio Bolsonaro

Em transmissão recente, Flávio Bolsonaro alegou ser vítima de perseguição política. O senador argumenta que os recursos seguiram de maneira legal para um fundo privado no exterior e que o projeto do filme possui estrutura jurídica autônoma, sem qualquer irregularidade. A abertura do inquérito tem caráter investigativo, dependendo agora de diligências do STF para comprovar as hipóteses levantadas pela PF.

•        Em meio a investigações, Flávio Bolsonaro ataca diretor da PF

senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chamou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de “pau-mandado do Lula” durante uma transmissão ao vivo em seu canal no YouTube na quinta-feira (23), declarando que não aceitará a segurança da corporação em sua pré-campanha presidencial. O ataque ocorre enquanto a PF, em inquérito autorizado pelo STF, investiga se os R$ 61 milhões transferidos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse tiveram contrapartida em emendas parlamentares do próprio senador.

<><> Flávio Bolsonaro ataca diretor da PF e alega perseguição

Na live desta quinta-feira, Flávio Bolsonaro disparou: “O que aconteceu a partir do governo Lula é algo nunca antes visto na história do Brasil, começando pelo chefe da Polícia Federal, alguém que está ali, pau-mandado do Lula. Claramente não deixa que a Polícia Federal exerça a sua autonomia.”

A recusa à segurança da PF havia sido anunciada no domingo anterior (19), em publicação na rede social X. Flávio declarou que manterá apenas a equipe da Polícia do Senado, responsável por sua proteção desde o início do mandato. “Não confio no atual chefe da PF. Não vou correr o risco de ele próprio infiltrar pessoas na minha campanha”, disse. A assessoria do senador confirmou que a segurança permanecerá sob responsabilidade exclusiva da Polícia do Senado ao longo de 2026.

“Não sou investigado em absolutamente nada. É só a imprensa me julgando e me condenando todos os dias, 24 horas por dia”, declarou. A afirmação de que não é investigado “em absolutamente nada” contrasta diretamente com o avanço do inquérito federal descrito a seguir.

<><> As investigações da PF e a conexão com o clã Bolsonaro

A Polícia Federal está cruzando os R$ 61 milhões transferidos por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, ao filme Dark Horse, projeto cinematográfico sobre a vida de Jair Bolsonaro, com as emendas parlamentares do senador Flávio Bolsonaro. O inquérito, autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, busca apurar se os aportes milionários ao projeto tiveram contrapartida em atos políticos e beneficiaram interesses do Banco Master. A apuração unifica documentos, áudios e contratos revelados em reportagens do Intercept Brasil e da Agência Pública.

A Procuradoria-Geral da República ampliou o escopo da investigação para incluir o deputado Eduardo Bolsonaro, o publicitário Thiago Miranda e movimentações financeiras entre Brasil e Texas (EUA), com o objetivo de apurar possíveis atos de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Segundo as apurações, parte do dinheiro passava por estruturas como a Entre Investimentos e Participações e desembocava no fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas. A PGR solicitou ainda o cruzamento de dados com outros inquéritos do Banco Master para localizar movimentações financeiras ocultas.

O senador também foi confrontado por uma reportagem do Metrópoles sobre duas notas fiscais que seu escritório de advocacia teria emitido para a Copenhagen Consultoria, empresa apontada como integrante de uma estrutura ligada a Vorcaro. Segundo o Metrópoles, as notas, que somavam R$ 1 milhão, foram emitidas e canceladas em 7 de abril de 2025. Flávio negou qualquer irregularidade e afirmou que não chegou a prestar o serviço nem a receber os valores. “Estou sendo acusado de não aceitar trabalhar para uma empresa que supostamente tem alguma coisa com o Vorcaro”, disse o senador.

•        Investigado na crise do Master ameaça “levar outros” e pressiona pré-campanha…

Segundo o Revista Fórum, o publicitário Thiago Miranda, investigado pela Polícia Federal por montar uma rede paga de influenciadores para atacar o Banco Central e defender o Banco Master, virou o novo foco de tensão na pré-campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência.

Segundo a coluna de Bela Megale, no jornal O Globo, Miranda tem sinalizado a aliados que, se "cair", levará autoridades do meio político consigo.

No entorno do senador, a avaliação é de que o recado tem destinatário certo: o próprio Flávio.

Miranda foi alvo de operação da PF no dia 9 de julho e é apontado como o responsável por apresentar o senador ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no final de 2024. As investigações indicam que ele intermediou pagamentos de Vorcaro a um fundo nos Estados Unidos supostamente usado para financiar um filme sobre a vida de Jair Bolsonaro.

A apuração da PF também investiga se Miranda coordenou uma rede de influenciadores pagos para produzir conteúdo favorável ao Master e hostil ao Banco Central. O escopo inclui ainda um grupo voltado à intimidação de jornalistas, ao monitoramento de pessoas ligadas a autoridades e à obtenção indevida de informações sigilosas.

Em depoimento à PF em março, Miranda negou ter contratado influenciadores para atacar autoridades ou órgãos de Estado, afirmando que seu trabalho era de "reconstrução reputacional da imagem" de Vorcaro. Sua defesa também negou irregularidades, declarando em nota que o publicitário "sempre pautou sua atuação profissional pela legalidade".

No dia 13 de julho, Miranda encerrou as atividades de sua agência de publicidade, justificando a decisão como um ponto final para "viver um novo momento pessoal". Dois dias antes, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça havia determinado a apreensão do passaporte do publicitário e proibido sua saída do país sob pena de prisão preventiva, atendendo a pedido da PF, que apontou risco concreto de fuga.

•        Fogo amigo? Valdemar Costa Neto apoia apuração dos milhões de Vorcaro em “Dark Horse”

O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, declarou apoio à decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de abrir um inquérito para investigar os milhões de Daniel Vorcaro despejados no Dark Horse. A produção retrata a trajetória de Jair Bolsonaro (PL).

Valdemar afirmou, à coluna de Bela Megale, em O Globo, que a iniciativa é “importante” e que é preciso esclarecer a destinação dos recursos enviados ao exterior, enquanto novas revelações apontam para contradições nas declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e para um contrato de seu escritório com uma empresa ligada ao banqueiro Vorcaro, financiador da obra.

“É bom que apure para que tudo fique esclarecido. Acho importante a iniciativa”, disse Valdemar. A declaração é significativa: o dirigente do partido de Bolsonaro, em vez de questionar a legitimidade da investigação, a endossa publicamente.

O inquérito, autorizado pelo ministro André Mendonça, um dos nomeados por Jair Bolsonaro, tem como foco central verificar se o dinheiro enviado ao exterior para financiar o Dark Horse teve destinação diferente da produção do filme.

A postura de Valdemar expõe o isolamento crescente de Flávio Bolsonaro diante de revelações que contradizem versões anteriores do senador.

<><> O que está sendo investigado

O objeto do inquérito é o financiamento do Dark Horse pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo mensagens, planilhas e documentos apreendidos pela Polícia Federal (PF), ao menos R$ 61 milhões foram destinados à produção do filme.

A apuração busca determinar se esses recursos, remetidos ao exterior, chegaram integralmente à produção ou se tiveram outra finalidade.

<><> Inconsistências e novos fatos

O cenário em torno de Flávio Bolsonaro se complicou com a divulgação de uma mensagem de áudio na qual o senador pede recursos a Vorcaro para a realização do filme.

O problema é que, antes de o áudio vir a público, Flávio havia garantido ao próprio Valdemar Costa Neto não ter tido contato algum com o banqueiro. “O que foi desmentido”, resumiu o presidente do PL.

A isso se soma outra revelação: o escritório de Flávio Bolsonaro foi contratado por uma empresa ligada à consultoria que recebeu repasses do Banco Master, tendo recebido R$ 500 mil nessa operação.

Valdemar afirmou desconhecer o contrato. “Eu não tinha conhecimento dessas notas fiscais e não perguntei para o Flávio”, disse.

A declaração, ao mesmo tempo em que isenta o dirigente partidário de envolvimento direto, deixa o senador sem respaldo interno para explicar a relação financeira com o universo do financiador investigado.

•        Ao largar a mão de Flávio, André Mendonça abraça Michelle

Aplausos ao ministro André Mendonça por autorizar a Polícia Federal a investigar Flávio Bolsonaro, mas não se cogitem bobagens como a absoluta independência do magistrado ou seu apego cego às evidências criminais da obscena mendicância do 01 perante o mafioso Daniel Vorcaro para concluir a produção da hagiografia do pai, na versão oficial. O juiz terrivelmente evangélico, como sabe até o mundo mineral, liga-se religiosa, afetiva e ideologicamente a Michelle, cuja antipatia pelos enteados é notória. Claro, ninguém acredita naquele patético teatrinho da reconciliação.

O medo de Flávio é justificável. Não é pouca coisa ter contra si, ao mesmo tempo, a rejeição parental e a lei. Michelle foi a principal defensora e o mais atuante cabo eleitoral de André Mendonça enquanto ele pleiteava a vaga no Supremo Tribunal Federal. Quando seu nome foi aprovado no Senado, a então primeira-dama comemorou efusivamente.

Recentemente, surgiram boatos de que dados sigilosos processuais envolvendo o Banco Master e figuras ligadas a Flávio teriam chegado ao conhecimento de Michelle por intermédio de Mendonça, alimentando as rivalidades internas na família. Os mais maldosos chegaram a imaginar que os milhões de Vorcaro chegaram às mãos de 01 e 03 escondidos do patriarca.

Veleidades familiares à parte, os horizontes pessoal e político de Flávio Bolsonaro não são nada alvissareiros. A Polícia Federal deverá desvendar qual destino foi dado à verba mendigada em nome da ficção cinematográfica na qual Jim Caviezel, reacionário de quatro costados, interpreta o capitão Jair.

“Não conseguimos imaginar, por exemplo, como o Eduardo tem uma vida tão boa nos Estados Unidos, sem desenvolver nenhuma atividade econômica, nada, nada. Ele apenas e tão somente vive de um dinheiro grande e fácil”, comentou à coluna o advogado Roberto Tardelli, sempre de fina percepção. “A família Bolsonaro vai ser atingida no peito. Não é à toa que o PP recusou-se a apoiar a candidatura Flávio, coisa que jamais se imaginaria – era uma aliança tão evidente! E de repente não se concretizou, porque certamente estão prevendo a fragilidade da candidatura”, nota.

Para Tardelli, não haverá o inesperado nem surpresas: “A investigação autorizada pelo ministro André Mendonça vai chegar naquilo que todo mundo sabia: que o Vorcaro estava comprando a República Bolsonarista numa liquidação. E ele ia executar isso logo que eles ganhassem a eleição”.

 

Fonte: O Cafezinho/Fórum

 

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