PF
cruza R$ 61 milhões de Vorcaro com emendas do senador Flávio Bolsonaro
Polícia
Federal vai cruzar os R$ 61 milhões transferidos pelo ex-banqueiro Daniel
Vorcaro para o filme Dark Horse com as emendas parlamentares do senador Flávio
Bolsonaro.
O
inquérito, autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal
(STF), eleva o caso de uma simples apuração sobre financiamento de cinema para
uma investigação complexa. O objetivo central da PF agora é apurar se os
aportes milionários ao projeto sobre a vida de Jair Bolsonaro tiveram relação
com atos políticos e beneficiaram interesses do Banco Master.
A
apuração unifica um circuito investigado de documentos, áudios e contratos
revelados em reportagens publicadas desde maio por veículos como Intercept
Brasil e Agência Pública. No centro do fluxo financeiro estão remessas que
fariam parte de um orçamento global de até US$ 24 milhões (cerca de R$ 134
milhões).
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O rastreio das emendas de Flávio e a hipótese de contrapartida
O
principal trunfo da PF nesta nova fase é a ampliação do foco. A pedido da
Procuradoria-Geral da República (PGR), os investigadores não querem apenas
rastrear o destino final do dinheiro, mas verificar o seu caminho de volta.
A
diligência busca verificar se houve contrapartida política aos aportes. O
levantamento vai mapear todas as emendas apresentadas por Flávio Bolsonaro para
identificar eventuais favorecimentos ao Banco Master, abrindo uma nova frente
sobre o relacionamento do senador com o grupo de Vorcaro. A PGR solicitou ainda
o cruzamento de dados com outros inquéritos do banco para localizar
movimentações financeiras ocultas.
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A rota do dinheiro e a estrutura no Texas
O fluxo
de capital desenhado nos bastidores era robusto. A rota do dinheiro é uma das
frentes da investigação sobre possível lavagem de capitais e evasão de divisas,
expondo um trajeto complexo.
Parte
do dinheiro saía de estruturas como a Entre Investimentos e Participações e,
após enfrentar recusas no setor de câmbio do próprio Banco Master por problemas
cadastrais, desembocava na Havengate Development Fund LP, sediada no Texas
(EUA). A Fórum já havia revelado que o rastreamento definitivo deste fundo
internacional depende de cooperação com autoridades norte-americanas.
A
estrutura no Texas tinha como agente legal um escritório com conexões
societárias associadas a Eduardo Bolsonaro. Com base em documentos que apontam
o planejamento do filme como peça eleitoral, a investigação pretende agora
mapear se essas remessas internacionais tiveram finalidade exclusivamente
cinematográfica ou se cruzaram com a atuação política do deputado nos Estados
Unidos. Eduardo Bolsonaro classifica a suspeita como “tosca”, afirmando ter
declarado a origem de seus recursos às autoridades competentes.
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Cronologia da relação revelada pela investigação
A
relação entre os envolvidos deixou rastros documentais que agora balizam o
inquérito no STF.
• Janeiro de 2024
O
Contrato
Documento
assinado digitalmente coloca Eduardo Bolsonaro e o deputado Mario Frias como
produtores-executivos ao lado da GoUp Entertainment, com previsão de
participação na gestão do orçamento.
• Dezembro de 2024
A
Reunião
Encontro
marcado entre Flávio e Vorcaro na mansão do banqueiro em Brasília. No mesmo
dia, Mario Frias envia áudio agradecendo o apoio: “Vamos mexer com o coração de
muita gente”.
• Setembro de 2025
Cobranças
Áudios
obtidos pela investigação registram Flávio Bolsonaro cobrando a liberação de
mais recursos para o projeto cinematográfico.
• Novembro de 2025
Aproximação
Em nova
mensagem revelada nos autos, Flávio chama o ex-banqueiro Vorcaro de “irmão” e
declara apoio irrestrito.
• Julho de 2026
O
Inquérito
PF
solicita abertura formal de inquérito (dia 8). PGR dá parecer favorável
apontando indícios suficientes (dia 21), culminando na autorização do STF para
rastrear a relação entre Vorcaro, que já tentou incluir o senador em proposta
de colaboração premiada, e as emendas parlamentares.
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Notas fiscais fracionadas e a Operação Compliance Zero
Para
encorpar o inquérito, a PF deverá incorporar a emissão de três notas fiscais
que ligam o escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro à estrutura empresarial
de Vorcaro, totalizando R$ 1,5 milhão. Segundo registros documentais, duas
notas de R$ 500 mil foram emitidas e posteriormente canceladas para uma empresa
envolvida no recebimento de recursos do Master, enquanto uma terceira nota,
também de R$ 500 mil, foi efetivamente paga em outro vínculo empresarial do
grupo.
A
figura do publicitário Thiago Miranda conecta as pontas das apurações. Apontado
como intermediário entre Flávio, Frias e Vorcaro nas negociações do filme,
Thiago Miranda já havia sido alvo de busca e apreensão na Operação Compliance
Zero, que investiga ataques à reputação do Banco Central como forma de
retaliação a medidas impostas ao Banco Master.
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O que diz a defesa de Flávio Bolsonaro
Em
transmissão recente, Flávio Bolsonaro alegou ser vítima de perseguição
política. O senador argumenta que os recursos seguiram de maneira legal para um
fundo privado no exterior e que o projeto do filme possui estrutura jurídica
autônoma, sem qualquer irregularidade. A abertura do inquérito tem caráter
investigativo, dependendo agora de diligências do STF para comprovar as
hipóteses levantadas pela PF.
• Em meio a investigações, Flávio
Bolsonaro ataca diretor da PF
senador
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chamou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei
Rodrigues, de “pau-mandado do Lula” durante uma transmissão ao vivo em seu
canal no YouTube na quinta-feira (23), declarando que não aceitará a segurança
da corporação em sua pré-campanha presidencial. O ataque ocorre enquanto a PF,
em inquérito autorizado pelo STF, investiga se os R$ 61 milhões transferidos
pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse tiveram contrapartida em
emendas parlamentares do próprio senador.
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Flávio Bolsonaro ataca diretor da PF e alega perseguição
Na live
desta quinta-feira, Flávio Bolsonaro disparou: “O que aconteceu a partir do
governo Lula é algo nunca antes visto na história do Brasil, começando pelo
chefe da Polícia Federal, alguém que está ali, pau-mandado do Lula. Claramente
não deixa que a Polícia Federal exerça a sua autonomia.”
A
recusa à segurança da PF havia sido anunciada no domingo anterior (19), em
publicação na rede social X. Flávio declarou que manterá apenas a equipe da
Polícia do Senado, responsável por sua proteção desde o início do mandato. “Não
confio no atual chefe da PF. Não vou correr o risco de ele próprio infiltrar
pessoas na minha campanha”, disse. A assessoria do senador confirmou que a
segurança permanecerá sob responsabilidade exclusiva da Polícia do Senado ao
longo de 2026.
“Não
sou investigado em absolutamente nada. É só a imprensa me julgando e me
condenando todos os dias, 24 horas por dia”, declarou. A afirmação de que não é
investigado “em absolutamente nada” contrasta diretamente com o avanço do
inquérito federal descrito a seguir.
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As investigações da PF e a conexão com o clã Bolsonaro
A
Polícia Federal está cruzando os R$ 61 milhões transferidos por Daniel Vorcaro,
ex-dono do Banco Master, ao filme Dark Horse, projeto cinematográfico sobre a
vida de Jair Bolsonaro, com as emendas parlamentares do senador Flávio
Bolsonaro. O inquérito, autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo
Tribunal Federal, busca apurar se os aportes milionários ao projeto tiveram
contrapartida em atos políticos e beneficiaram interesses do Banco Master. A
apuração unifica documentos, áudios e contratos revelados em reportagens do
Intercept Brasil e da Agência Pública.
A
Procuradoria-Geral da República ampliou o escopo da investigação para incluir o
deputado Eduardo Bolsonaro, o publicitário Thiago Miranda e movimentações
financeiras entre Brasil e Texas (EUA), com o objetivo de apurar possíveis atos
de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Segundo as apurações,
parte do dinheiro passava por estruturas como a Entre Investimentos e
Participações e desembocava no fundo Havengate Development Fund LP, sediado no
Texas. A PGR solicitou ainda o cruzamento de dados com outros inquéritos do
Banco Master para localizar movimentações financeiras ocultas.
O
senador também foi confrontado por uma reportagem do Metrópoles sobre duas
notas fiscais que seu escritório de advocacia teria emitido para a Copenhagen
Consultoria, empresa apontada como integrante de uma estrutura ligada a
Vorcaro. Segundo o Metrópoles, as notas, que somavam R$ 1 milhão, foram
emitidas e canceladas em 7 de abril de 2025. Flávio negou qualquer
irregularidade e afirmou que não chegou a prestar o serviço nem a receber os
valores. “Estou sendo acusado de não aceitar trabalhar para uma empresa que
supostamente tem alguma coisa com o Vorcaro”, disse o senador.
• Investigado na crise do Master ameaça
“levar outros” e pressiona pré-campanha…
Segundo
o Revista Fórum, o publicitário Thiago Miranda, investigado pela Polícia
Federal por montar uma rede paga de influenciadores para atacar o Banco Central
e defender o Banco Master, virou o novo foco de tensão na pré-campanha de
Flávio Bolsonaro à Presidência.
Segundo
a coluna de Bela Megale, no jornal O Globo, Miranda tem sinalizado a aliados
que, se "cair", levará autoridades do meio político consigo.
No
entorno do senador, a avaliação é de que o recado tem destinatário certo: o
próprio Flávio.
Miranda
foi alvo de operação da PF no dia 9 de julho e é apontado como o responsável
por apresentar o senador ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no
final de 2024. As investigações indicam que ele intermediou pagamentos de
Vorcaro a um fundo nos Estados Unidos supostamente usado para financiar um
filme sobre a vida de Jair Bolsonaro.
A
apuração da PF também investiga se Miranda coordenou uma rede de
influenciadores pagos para produzir conteúdo favorável ao Master e hostil ao
Banco Central. O escopo inclui ainda um grupo voltado à intimidação de
jornalistas, ao monitoramento de pessoas ligadas a autoridades e à obtenção
indevida de informações sigilosas.
Em
depoimento à PF em março, Miranda negou ter contratado influenciadores para
atacar autoridades ou órgãos de Estado, afirmando que seu trabalho era de
"reconstrução reputacional da imagem" de Vorcaro. Sua defesa também
negou irregularidades, declarando em nota que o publicitário "sempre
pautou sua atuação profissional pela legalidade".
No dia
13 de julho, Miranda encerrou as atividades de sua agência de publicidade,
justificando a decisão como um ponto final para "viver um novo momento
pessoal". Dois dias antes, o ministro do Supremo Tribunal Federal André
Mendonça havia determinado a apreensão do passaporte do publicitário e proibido
sua saída do país sob pena de prisão preventiva, atendendo a pedido da PF, que
apontou risco concreto de fuga.
• Fogo amigo? Valdemar Costa Neto apoia
apuração dos milhões de Vorcaro em “Dark Horse”
O
presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, declarou apoio à
decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de abrir
um inquérito para investigar os milhões de Daniel Vorcaro despejados no Dark
Horse. A produção retrata a trajetória de Jair Bolsonaro (PL).
Valdemar
afirmou, à coluna de Bela Megale, em O Globo, que a iniciativa é “importante” e
que é preciso esclarecer a destinação dos recursos enviados ao exterior,
enquanto novas revelações apontam para contradições nas declarações do senador
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e para um contrato de seu escritório com uma empresa
ligada ao banqueiro Vorcaro, financiador da obra.
“É bom
que apure para que tudo fique esclarecido. Acho importante a iniciativa”, disse
Valdemar. A declaração é significativa: o dirigente do partido de Bolsonaro, em
vez de questionar a legitimidade da investigação, a endossa publicamente.
O
inquérito, autorizado pelo ministro André Mendonça, um dos nomeados por Jair
Bolsonaro, tem como foco central verificar se o dinheiro enviado ao exterior
para financiar o Dark Horse teve destinação diferente da produção do filme.
A
postura de Valdemar expõe o isolamento crescente de Flávio Bolsonaro diante de
revelações que contradizem versões anteriores do senador.
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O que está sendo investigado
O
objeto do inquérito é o financiamento do Dark Horse pelo banqueiro Daniel
Vorcaro. Segundo mensagens, planilhas e documentos apreendidos pela Polícia
Federal (PF), ao menos R$ 61 milhões foram destinados à produção do filme.
A
apuração busca determinar se esses recursos, remetidos ao exterior, chegaram
integralmente à produção ou se tiveram outra finalidade.
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Inconsistências e novos fatos
O
cenário em torno de Flávio Bolsonaro se complicou com a divulgação de uma
mensagem de áudio na qual o senador pede recursos a Vorcaro para a realização
do filme.
O
problema é que, antes de o áudio vir a público, Flávio havia garantido ao
próprio Valdemar Costa Neto não ter tido contato algum com o banqueiro. “O que
foi desmentido”, resumiu o presidente do PL.
A isso
se soma outra revelação: o escritório de Flávio Bolsonaro foi contratado por
uma empresa ligada à consultoria que recebeu repasses do Banco Master, tendo
recebido R$ 500 mil nessa operação.
Valdemar
afirmou desconhecer o contrato. “Eu não tinha conhecimento dessas notas fiscais
e não perguntei para o Flávio”, disse.
A
declaração, ao mesmo tempo em que isenta o dirigente partidário de envolvimento
direto, deixa o senador sem respaldo interno para explicar a relação financeira
com o universo do financiador investigado.
• Ao largar a mão de Flávio, André
Mendonça abraça Michelle
Aplausos
ao ministro André Mendonça por autorizar a Polícia Federal a investigar Flávio
Bolsonaro, mas não se cogitem bobagens como a absoluta independência do
magistrado ou seu apego cego às evidências criminais da obscena mendicância do
01 perante o mafioso Daniel Vorcaro para concluir a produção da hagiografia do
pai, na versão oficial. O juiz terrivelmente evangélico, como sabe até o mundo
mineral, liga-se religiosa, afetiva e ideologicamente a Michelle, cuja
antipatia pelos enteados é notória. Claro, ninguém acredita naquele patético
teatrinho da reconciliação.
O medo
de Flávio é justificável. Não é pouca coisa ter contra si, ao mesmo tempo, a
rejeição parental e a lei. Michelle foi a principal defensora e o mais atuante
cabo eleitoral de André Mendonça enquanto ele pleiteava a vaga no Supremo
Tribunal Federal. Quando seu nome foi aprovado no Senado, a então primeira-dama
comemorou efusivamente.
Recentemente,
surgiram boatos de que dados sigilosos processuais envolvendo o Banco Master e
figuras ligadas a Flávio teriam chegado ao conhecimento de Michelle por
intermédio de Mendonça, alimentando as rivalidades internas na família. Os mais
maldosos chegaram a imaginar que os milhões de Vorcaro chegaram às mãos de 01 e
03 escondidos do patriarca.
Veleidades
familiares à parte, os horizontes pessoal e político de Flávio Bolsonaro não
são nada alvissareiros. A Polícia Federal deverá desvendar qual destino foi
dado à verba mendigada em nome da ficção cinematográfica na qual Jim Caviezel,
reacionário de quatro costados, interpreta o capitão Jair.
“Não
conseguimos imaginar, por exemplo, como o Eduardo tem uma vida tão boa nos
Estados Unidos, sem desenvolver nenhuma atividade econômica, nada, nada. Ele
apenas e tão somente vive de um dinheiro grande e fácil”, comentou à coluna o
advogado Roberto Tardelli, sempre de fina percepção. “A família Bolsonaro vai
ser atingida no peito. Não é à toa que o PP recusou-se a apoiar a candidatura
Flávio, coisa que jamais se imaginaria – era uma aliança tão evidente! E de
repente não se concretizou, porque certamente estão prevendo a fragilidade da
candidatura”, nota.
Para
Tardelli, não haverá o inesperado nem surpresas: “A investigação autorizada
pelo ministro André Mendonça vai chegar naquilo que todo mundo sabia: que o
Vorcaro estava comprando a República Bolsonarista numa liquidação. E ele ia
executar isso logo que eles ganhassem a eleição”.
Fonte:
O Cafezinho/Fórum

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