Flavio
radicaliza extremismo para preservar ativo eleitoral do clã
Em
dezembro do ano passado, quando foi lançado candidato presidencial pelo pai,
Flávio estrategicamente buscou repaginar a imagem de extremista e truculento.
Durante
meses, o truque de marketing entusiasmou parcelas da mídia hegemônica, o
rentismo, o empresariado urbano e rural e os setores antipetistas em geral, o
que conferiu força de tração à candidatura do Bolsonarinho para liderar com
perspectiva de vitória o bloco anti-Lula.
Nesse
período, o candidato “com sangue de Bolsonaro” se esgueirou com a fantasia de
mais moderado que o pai e os irmãos, como se isso fosse crível em relação a
qualquer membro do clã de gângsteres ou a um bolsonarista-raiz.
O
desbaratamento da irmandade com Daniel Vorcaro em maio passado deu início uma
espiral sem fim de escândalos e de erros políticos comprometedores para Flávio.
Além
dos R$ 134 milhões pedidos e de pelo menos 61 milhões recebidos do esquema
mafioso do Master, assunto ainda totalmente obscuro, a aliança com Trump para
atacar o Brasil e as denúncias da madrasta abalaram de modo incontornável o
potencial da candidatura dele.
Estes
desgastes culminaram com o enfraquecimento e o isolamento partidário da
candidatura do Flávio, cuja radioatividade afasta o PL de aliança inclusive com
os partidos-satélites da ultradireita e da direita “menos extremada”, aquela
que não hesitaria em aderir a ele caso enxergasse alguma chance de derrotar
Lula.
A
situação do Flávio hoje, que já é ruim e não pára de piorar, deverá ficar ainda
pior durante o período eleitoral, em especial com o início dos programas de
rádio e televisão, quando os escândalos e vínculos criminosos dele e família
serão explorados ad nauseam pelo PT.
A
possibilidade de reversão dessa realidade é improvável faltando menos de 80
dias para a eleição. A direita não-bolsonarista, os bolsonaristas e o próprio
Flávio têm demonstrado publicamente descrença em relação ao potencial eleitoral
dele contra Lula.
Waldemar
da Costa Neto, presidente do PL, reconhece que “Flávio não estava preparado
para concorrer”.
Diante
da perspectiva de derrota, Flávio não tem mais nada a perder, mas muito a
preservar: o ativo eleitoral dos Bolsonaro e a liderança da força-movimento de
extrema-direita no Brasil.
Por
isso ele radicaliza o perfil extremista da candidatura e encampa o “programa
máximo” bolsonarista, como fez ao ressuscitar a bandeira da fraude das urnas
eletrônicas.
O foco
prioritário dele já não está nos chamados eleitores independentes, que de fato
decidirão o resultado da eleição, mas nos cerca de 25% do eleitorado cativo,
que continua apoiando-o a despeito de todas mazelas pessoais e familiares
conhecidas, e de outras ainda por serem reveladas.
Flávio
abandonou o simulacro de Bolsonaro moderado e encampou sua verdadeira essência
ultra-extremista e golpista para preservar o imenso poder de influência dos
gângsteres e das estruturas criminosas na política brasileira. A escolha de
vice da chapa, que provavelmente será uma mulher do PL se nenhum outro partido
participar da aliança, deverá seguir o critério de aposta na quintessência do
bolsonarismo.
• Isolado e sem alianças, Flávio Bolsonaro
vê articulação com o centrão ruir e PL admite “tragédia”
A
confirmação de que a federação União Progressista — composta pelo Progressistas
(PP) e pelo União Brasil — permanecerá neutra na disputa pela Presidência da
República consolidou, entre dirigentes do PL, a percepção de que o senador
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deverá chegar ao início da campanha eleitoral sem
nenhuma aliança nacional. Nos bastidores da legenda, integrantes da cúpula
classificam a articulação política conduzida por Flávio e pelo coordenador de
sua campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), como uma verdadeira
“tragédia”. A avaliação geral, segundo o jornal O Globo, é de que o presidente
Lula (PT) venceu a corrida pelos principais apoios partidários, restando ao
partido aceitar a perspectiva de uma candidatura “avulsa”, sustentada
exclusivamente pela estrutura e pelos recursos do próprio PL.
O
cenário de pessimismo ganhou contornos definitivos após o presidente do PP,
Ciro Nogueira, comunicar pessoalmente a Flávio, na tarde de quarta-feira (22),
que sua sigla adotará neutralidade na eleição presidencial. Em função da
federação partidária, a decisão do PP arrasta automaticamente o União Brasil
para a mesma posição. A reunião era considerada pelos articuladores do PL como
a cartada final para tentar reverter a tendência de neutralidade. Na tentativa
de selar o acordo, a campanha de Flávio chegou a oferecer a vaga de vice na
chapa à senadora Tereza Cristina (PP-MS), que recusou o convite.
Reservadamente,
dirigentes do PL criticam a condução do processo e afirmam que a campanha
falhou na construção de uma rede sólida de interlocução política desde o
princípio. A principal queixa é que Flávio e Rogério Marinho fcaram
excessivamente concentrados na estratégia eleitoral e negligenciaram o cultivo
do relacionamento cotidiano com presidentes de partidos e lideranças centrais
do Centrão.
Um
dirigente do PL, ouvido sob reserva, resumiu a insatisfação ao declarar que a
política se faz “na alegria e na tristeza”, em uma referência direta à postura
adotada por Flávio quando Ciro Nogueira se tornou alvo de uma operação da
Polícia Federal no âmbito das investigações do caso Master. Segundo esse
interlocutor, o pré-candidato errou ao divulgar uma nota oficial ressaltando a
gravidade das acusações, defendendo a apuração “com rigor e transparência” e
elogiando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça —
responsável por autorizar a investigação —, sem apresentar uma defesa política
firme em favor do presidente do PP. O gesto foi interpretado por aliados de
Ciro Nogueira como um abandono deliberado no momento de maior desgaste do cacique
político.
A crise
de confiança se aprofundou uma semana depois, com outro revés. O portal The
Intercept Brasil revelou trocas de mensagens entre Flávio Bolsonaro e o
banqueiro Daniel Vorcaro referentes ao financiamento do filme Dark Horse. A
divulgação reforçou a desconfiança entre os dirigentes da federação União
Progressista, que enxergaram uma contradição no comportamento do senador: a
adooção de um discurso público rígido enquanto mantinha interlocução direta com
o controlador do Banco Master.
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Lula vence por “goleada” na batalha das alianças
Dentro
do próprio PL, a comparação com o desempenho do presidente Lula é inevitável. O
chefe do Executivo obteve sucesso ao reunir todas as principais forças do campo
da esquerda — incluindo a federação formada por PT, PV e PCdoB, a federação
PSOL-Rede e o PSB. Simultaneamente, legendas de centro como a federação União
Progressista e o MDB preferiram a neutralidade. Esse arranjo favorece
diretamente Lula, pois impede que esses partidos e seus respectivos tempos de
rádio e TV reforcem formalmente a candidatura da oposição.
Diante
desse quadro, interlocutores do próprio Flávio admitem que Lula venceu de
“goleada” o primeiro capítulo da disputa eleitoral, centrado na amarração das
coligações, fazendo com que o senador inicie a corrida em clara desvantagem. O
único alento relativo do pré-candidato do PL é que, por integrar a legenda que
detém a maior bancada do Congresso Nacional, ele terá direito a cerca de 30% do
tempo total da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.
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Distanciamento do Republicanos e do Podemos
O clima
de desânimo na pré-campanha do PL é ampliado pelas sinalizações de outros
partidos. Interlocutores envolvidos nas negociações afirmam que o Republicanos
está cada vez mais distante de fechar um acordo nacional com Flávio. Embora o
PL siga insistindo na indicação da ex-presidente da Caixa Econômica Federal,
Daniella Marques, para compor a chapa como vice, dirigentes do Republicanos
interpretam a pressão como uma manobra para forçar uma coligação formal.
A
situação de Daniella Marques gera incômodo adicional: ela se filiou ao
Republicanos sem o conhecimento prévio do presidente da sigla, Marcos Pereira,
e precisou acionar a Justiça para garantir o reconhecimento do seu registro
partidário. Com o esgotamento dos prazos para trocas partidárias, lideranças
avaliam reservadamente que o PL tenta transformar o imbróglio jurídico em
instrumento de coerção política.
Nem
mesmo o Podemos é visto hoje como uma opção viável para compor a aliança.
Embora dirigentes do partido tenham mantido conversas com o PL, Novo, PT e PSD,
interlocutores indicam que a tendência irreversível é a manutenção da
neutralidade na corrida presidencial. Para a cúpula do PL, a soma desses
fatores consolida o isolamento político de Flávio Bolsonaro e extingue qualquer
chance de construção de uma coligação nacional relevante antes do início
oficial da campanha.
• ‘Foi aos EUA prestar papel de
vira-lata’, afirma Alencar Santana Braga sobre Flávio Bolsonaro
O
deputado federal Alencar Santana Braga (PT-SP) fez uma dura crítica ao
pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesta
sexta-feira (24) após dois tarifaços aplicados pelos Estados Unidos contra o
Brasil.
“O
mesmo falso patriota foi aos EUA prestar papel de vira-lata e ajudou a taxar o
próprio país”, escreveu o petista em postagem divulgada pela rede social X,
antigo Twitter. Os EUA anunciaram um tarifaço de 25% e outro de 12,5% sobre as
exportações brasileiras enviadas para o mercado estadunidense.
O
senador da extrema direita foi aos EUA em pelo menos seis ocasiões diferentes
este ano e faz articulações com o governo Donald Trump para estimular sanções
contra o Brasil por causa da condenação de Jair Bolsonaro no inquérito da trama
golpista. O Supremo Tribunal Federal condenou o ex-mandatário a 27 anos de
prisão.
Em
reação, o governo Lula informou que a Lei da Reciprocidade Econômica será
acionada “imediatamente”. Sancionada em 11 de abril de 2025, a Lei nº 15.122
autoriza o governo brasileiro a suspender concessões comerciais diante de
ações, políticas ou práticas unilaterais de outros países que prejudiquem a
competitividade da economia nacional.
Na
prática, caso um parceiro comercial imponha medidas consideradas danosas ao
Brasil, o Executivo poderá adotar contrapartidas, como elevar tributos e
tarifas, retirar isenções, rever reduções de impostos de importação ou
restringir a entrada de determinados bens e serviços no país.
A lei
determina ainda que as medidas de resposta sejam aplicadas, sempre que
possível, de forma proporcional ao impacto econômico causado ao Brasil pelo
país ou bloco responsável pela decisão.
• Caso Dark Horse complica extrema-direita
e André Mendonça pode quebrar sigilos de Flávio Bolsonaro
As
investigações sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do
ex-presidente Jair Bolsonaro, ganharam novo fôlego e podem produzir
desdobramentos políticos relevantes para a extrema direita brasileira. Segundo
a colunista Raquel Landim, do Estado de S. Paulo, a Polícia Federal apura um
suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo recursos que teriam sido
desviados de uma empresa ligada ao Banco Master e utilizados para financiar a
produção audiovisual.
O caso
passou a tramitar no Supremo Tribunal Federal após manifestação favorável da
Procuradoria-Geral da República (PGR), com a supervisão do ministro André
Mendonça. De acordo com a coluna, o magistrado, indicado ao STF por Jair
Bolsonaro, tem adotado uma postura considerada independente na condução do
processo.
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PF investiga destino de mais de R$ 61 milhões
Segundo
a apuração publicada pelo Estado de S. Paulo, a Polícia Federal busca
esclarecer o destino de mais de R$ 61 milhões que teriam sido retirados de uma
empresa ligada ao Banco Master.
Os
investigadores trabalham para identificar se os recursos tiveram origem em
operações fraudulentas e como foram utilizados ao longo de uma complexa
estrutura financeira que teria envolvido empresas no Brasil e nos Estados
Unidos.
Entre
as hipóteses investigadas está a possibilidade de que parte do dinheiro tenha
financiado despesas pessoais do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro
durante sua permanência nos Estados Unidos.
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Fundo no Texas está no centro das investigações
De
acordo com a coluna, a movimentação financeira teria seguido um percurso
internacional.
Os
recursos sairiam de uma empresa brasileira, passariam por um fundo de
investimentos sediado no Texas, controlado por um advogado próximo de Eduardo
Bolsonaro, e posteriormente retornariam ao Brasil para a produtora Go Up
Entertainment.
A
empresa é administrada por Karina Ferreira Gama e foi responsável pela produção
do filme Dark Horse, que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro.
A
utilização desse circuito financeiro é um dos principais focos das
investigações da Polícia Federal.
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Flávio Bolsonaro aparece nas apurações
A
investigação também alcança o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Segundo
a coluna de Raquel Landim, um áudio divulgado anteriormente mostra o senador
solicitando ao empresário Daniel Vorcaro que viabilizasse o financiamento do
filme, colocando-se como avalista político da operação.
Caso
sejam confirmadas irregularidades na origem dos recursos, esse elemento poderá
contrariar a versão apresentada por Flávio Bolsonaro de que as tratativas
tinham caráter exclusivamente privado e sem relação com eventual esquema
ilícito.
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André Mendonça poderá autorizar novas diligências
A
aceitação da investigação pela Procuradoria-Geral da República e seu
processamento no Supremo abrem caminho para novas medidas investigativas.
Segundo
a coluna, o avanço das apurações poderá envolver pedidos de cooperação jurídica
internacional, especialmente junto às autoridades norte-americanas, além de
eventuais quebras de sigilos bancário, fiscal e telemático.
Essas
medidas dependerão da análise do ministro André Mendonça, relator do caso no
STF.
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Investigação ocorre em momento delicado para a direita
O
avanço do caso acontece em um momento de dificuldades políticas para Flávio
Bolsonaro.
Segundo
Raquel Landim, o senador enfrenta queda nas pesquisas eleitorais, dificuldades
para consolidar apoios no campo conservador e negociações ainda inconclusas com
partidos do Centrão.
A
colunista também observa que Flávio buscou recentemente reaproximação com
Michelle Bolsonaro, enquanto tenta ampliar sua base política para a disputa
presidencial.
Ao
mesmo tempo, lideranças empresariais e partidos como o Republicanos ainda não
demonstraram apoio explícito ao projeto eleitoral do senador.
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Caso pode produzir novos desdobramentos
De
acordo com a análise publicada no Estado de S. Paulo, as investigações ainda
estão em fase inicial, mas tendem a se aprofundar nos próximos meses.
A
cooperação internacional para rastreamento de recursos e a eventual quebra de
sigilos poderão esclarecer a origem e o destino do dinheiro utilizado no
financiamento do filme Dark Horse, além de definir a extensão da participação
dos envolvidos.
As
conclusões da Polícia Federal e as decisões do Supremo Tribunal Federal serão
determinantes para estabelecer se houve ou não irregularidades nas operações
financeiras investigadas.
Fonte:
Por Jeferson Miola, em Brasil 247

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