Se
você sempre escova os dentes depois de comer, a ciência tem algo a lhe dizer:
está fazendo do jeito errado
"Quase
todo mundo escova os dentes", concluiu um grupo de pesquisadores da
Universidade de Gotemburgo em 2012. O problema é que "apenas uma em cada
dez pessoas faz isso corretamente". Embora as conclusões fossem
específicas para a Suécia, até onde sabemos, elas permanecem perfeitamente
válidas em todo o mundo ocidental: dedicamos uma quantidade desproporcional de
tempo e recursos para escovar mal os dentes.
No
entanto, a culpa não é inteiramente do público
Como a
BBC relatou, estudos identificaram pelo menos "66 tipos diferentes de
recomendações de especialistas — algumas das quais se contradizem". Então,
precisamos perguntar: o que as evidências disponíveis realmente dizem sobre a
escovação dos dentes?
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Como devemos escovar os dentes?
O
método mais eficaz é aquele que leva em conta o verdadeiro objetivo da
escovação. Muitas vezes, presumimos que escovamos apenas para remover
partículas de comida da boca, mas há mais do que isso. Os dentes desenvolvem um
biofilme denso — a placa bacteriana — que os reveste e não pode ser facilmente
removido apenas com enxágue.
Escovamos
os dentes para remover manualmente essa camada pegajosa da forma mais completa
possível, eliminando-a tanto dos dentes quanto das gengivas.
Existem
várias técnicas para isso, mas vamos focar no ponto mais importante: "Você
não deve usar um movimento horizontal; em vez disso, a escova deve se mover da
gengiva em direção à base do dente", explica o dentista Juan Casado Adán.
Você deve escovar cada dente, um por um, sem aplicar pressão excessiva ou
apressar o processo.
E mais
uma coisa: após escovar, cuspa a pasta de dente, mas não enxágue a boca. Se
você enxaguar, a maior parte do flúor simplesmente vai pelo ralo.
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Com que frequência você deve escovar os dentes?
Especialistas
recomendam pelo menos duas vezes ao dia: uma antes de dormir e outra logo após
acordar. Pode parecer estranho, mas há uma razão para isso: a saliva desempenha
um papel fundamental na inibição da placa bacteriana, mas produzimos menos
saliva enquanto dormimos.
Como a
boca se torna um ambiente mais propício para as bactérias durante o sono,
escovar antes de dormir ajuda a remover "resíduos" que as bactérias
poderiam usar para alimentar sua atividade e enfraquecer o esmalte. Da mesma
forma, escovar ao acordar é essencial para renovar o ambiente bucal — carregado
de bactérias — e ajudar a saliva a desempenhar sua função.
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Não deveríamos escovar os dentes após as refeições?
Na
verdade, usar uma escova de cerdas médias nos permite escovar os dentes sempre
que quisermos. E sim, geralmente é uma boa ideia escovar após comer, pois isso
remove resíduos dos quais as bactérias poderiam se alimentar.
No
entanto, existem exceções: se tivermos consumido grandes quantidades de bebidas
ácidas (como refrigerantes, café ou álcool) ou doces, ou se tivermos vomitado,
escovar imediatamente pode ser um erro. Segundo o enfermeiro pediátrico Luis
Cabezas Vallejo, quando o pH da boca está ácido, o esmalte enfraquece; escovar
nesse momento pode causar danos (mesmo que não sejam perceptíveis de imediato).
Como
explicou ao jornal ABC Juan Carlos Llodra — vice-secretário do Comitê Executivo
do Conselho Geral de Associações de Dentistas da Espanha — nessas situações é
melhor esperar, permitir que a saliva neutralize os ácidos (ou açúcares) e só
então escovar.
• Os especialistas concordam: muitos
alimentos e cosméticos têm aditivos que nos interessa evitar a qualquer preço
Toda
vez que colocamos um pacote de salgadinho, produto industrializado ou até
hidratante corporal no carrinho de compras, incorporamos dezenas de substâncias
no nosso corpo que muitas vezes passam despercebidas, apesar de aparecerem no
rótulo. Conservantes, corantes e emulsionantes fazem parte da composição usual
de milhares de produtos que compramos nos supermercados. Sua presença responde
a uma lógica industrial legítima: é necessário estender a vida útil de um
alimento ou estabilizar a textura de um cosmético.
O
problema é que as regulamentações que regem esses aditivos quase sempre ficam
atrás do conhecimento científico. Um aditivo pode levar décadas para ser
aprovado e usado em massa antes que estudos científicos obriguem as autoridades
a reabrir seu dossiê. A Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA)
reavalia periodicamente esses compostos, mas seu modo de trabalho exige
acumulação de evidências sólidas e sustenta anos de exposição contínua antes de
quaisquer mudanças regulatórias.
Essa
desconexão não significa de forma alguma que tudo permitido seja
automaticamente perigoso. Na verdade, a grande maioria dos aditivos autorizados
é respaldada por décadas de estudos toxicológicos. Mesmo assim, é do interesse
dos consumidores saber quais substâncias geraram mais controvérsia científica,
em quais produtos aparecem com mais frequência e quais instituições se
concentraram nelas.
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Os conservantes que já estão em discussão
O
benzoato de sódio (E211) é um dos conservantes mais usados em picles, molhos e
refrigerantes. A EFSA revisou sua segurança em várias ocasiões, a mais recente
em 2016, e concluiu que, dentro dos níveis autorizados, não levanta preocupação
quanto à genotoxicidade (a capacidade de uma substância de danificar o material
genético de uma célula). No entanto, ele alertou que certos grupos
populacionais podem facilmente exceder a ingestão diária aceitável.
Parte
da controvérsia sobre esse aditivo vem de pesquisas como a do Professor Peter
Piper, da Universidade de Sheffield (Reino Unido), que documentou danos ao DNA
mitocondrial de células expostas ao benzoato de sódio em testes in vitro.
O
sorbato de potássio (E202) segue uma lógica semelhante. Ele aparece
frequentemente em queijos, iogurtes ou vinhos, e atua como antifúngico. A EFSA
reavaliou em 2015 e novamente em 2019, estabelecendo uma ingestão diária
aceitável conjunta com ácido sórbico de 3 mg por quilograma de peso corporal
por dia. Um estudo publicado na revista Toxicology in Vitro avaliou seu
potencial genotóxico em linfócitos humanos cultivados em laboratório, sem
encontrar efeitos relevantes nas concentrações testadas, o que reforça a
posição oficial da agência.
A EFSA
opta pela prudência regulatória, enquanto certos grupos acadêmicos insistem em
regras mais rigorosas
Outra
observação relevante: ambos os conservantes compartilham o mesmo padrão.
Nenhuma instituição de referência os classificou como cancerígenos, mas não há
unanimidade quanto à sua completa inofensividade a longo prazo. A EFSA opta
pela prudência regulatória, enquanto certos grupos acadêmicos insistem em
regras mais rigorosas, especialmente em populações sensíveis, como crianças ou
pessoas com alergia à aspirina.
A
exposição real daqueles que consomem esses produtos embalados várias vezes por
semana está muito abaixo dos limites em que os efeitos adversos foram
observados nos estudos mais alarmistas.
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Os aditivos mais apontados pela ciência
Além
dos conservantes, há outros aditivos que receberam uma atenção regulatória
muito mais rigorosa. O caso mais claro é o do dióxido de titânio (E171), um
corante branco usado por décadas em doces, chicletes e alguns cosméticos. A
EFSA concluiu em 2021 que sua genotoxicidade não pode ser descartada,
especialmente devido à sua capacidade de se acumular no corpo, o que levou a
União Europeia a proibir seu uso como aditivo alimentar desde 2022. Mesmo
assim, ainda é permitido em cosméticos, como protetores solares.
Os
antioxidantes BHA (hidroxianisol butilado, E320) e BHT (hidroxitolueno butilado,
E321), presentes em lanches, cereais e alguns cosméticos, ilustram bem as
nuances desse tipo de avaliação. A Agência Internacional de Pesquisa sobre o
Câncer (IARC) classificou o BHA no grupo 2B como possível carcinógeno para
humanos. O BHT, por outro lado, permanece no grupo 3, não classificado devido à
falta de evidências suficientes.
A
Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer classificou o BHA no grupo 2B
como possível carcinógeno para humanos
A
Comissão Europeia também colocou o BHA como substância prioritária para a
perturbação endócrina, enquanto o BHT apenas levanta suspeitas semelhantes na
literatura científica, sem uma classificação institucional equivalente.
Parabenos de cadeia longa em cosméticos seguem um caminho semelhante: vários
deles foram proibidos na União Europeia desde 2014 por decisão do comitê
científico de segurança do consumidor.
O
nitrito de sódio (E250), comum em linguiças e carnes processadas, encerra a
lista com o caso mais bem documentado: a IARC classificou a carne processada
como cancerígena do grupo 1 em 2015, principalmente devido à formação de
nitrosaminas quando cozida em alta temperatura.
Fonte:
Xataka Brasil

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