Notas
de R$ 1,5 milhão a empresas de Vorcaro: entenda o novo escândalo que cerca
Flávio Bolsonaro
Uma
sequência de três notas fiscais emitidas pelo escritório de advocacia de Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) abriu uma nova frente de questionamentos sobre as relações da
família Bolsonaro com o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master,
alvo de investigações da Polícia Federal e atualmente preso.
Os
documentos, emitidos em abril de 2025, somam R$ 1,5 milhão e têm como
destinatárias duas empresas conectadas a pessoas e estruturas financeiras
investigadas no caso do Banco Master: a Copenhagen Consultoria e Assessoria
S.A. e a Contábil Correa Contabilidade & Auditoria LTDA.
Duas
notas de R$ 500 mil destinadas à Copenhagen foram posteriormente canceladas.
Uma terceira, também no valor de R$ 500 mil e emitida para a Contábil Correa,
permanece sem registro de cancelamento.
Flávio
Bolsonaro confirmou que seu escritório prestou serviços advocatícios para a
Contábil Correa. O senador, no entanto, não explicou publicamente quais
serviços foram realizados, quem foi efetivamente atendido nem como se chegou ao
valor de R$ 500 mil.
A
emissão das notas, isoladamente, não comprova a prática de crime. O que
alimenta os questionamentos é a combinação entre os valores elevados, a falta
de detalhamento sobre os serviços e as conexões das empresas com o conglomerado
investigado de Vorcaro.
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O que mostram as notas fiscais
O
escritório Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, que tem o
senador como único sócio, emitiu duas notas fiscais de R$ 500 mil para a
Copenhagen em 7 de abril de 2025.
Os
documentos descreviam a prestação de serviços de consultoria jurídica. Uma das
notas foi cancelada no mesmo dia. A outra foi cancelada em 9 de abril.
Naquela
mesma data, o escritório emitiu uma terceira nota de R$ 500 mil, desta vez para
a Contábil Correa. Não há registro de que esse documento tenha sido cancelado.
Flávio
afirmou que desistiu de trabalhar para a Copenhagen e que, por isso, as duas
notas foram anuladas. A explicação, porém, não esclarece por que os documentos
fiscais chegaram a ser emitidos para uma empresa cujo serviço, segundo ele, não
teria sido aceito.
Também
não foi explicado se houve contrato, reunião, elaboração de parecer, consulta
preliminar ou qualquer outra atividade anterior ao cancelamento.
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Por que a Copenhagen chama atenção
A
Copenhagen foi criada em 1º de novembro de 2024, poucos meses antes da emissão
das notas pelo escritório de Flávio Bolsonaro.
A
empresa foi registrada com capital social de apenas R$ 40, não possui site nem
sede própria e funciona no mesmo endereço da Contábil Correa, em São Caetano do
Sul, na Grande São Paulo.
Apesar
dessa estrutura reduzida, a Copenhagen recebeu aproximadamente R$ 58 milhões do
Banco Master, segundo apurações da Folha de S.Paulo e do Metrópoles. O valor
coloca a companhia entre as dez empresas que mais receberam recursos da
instituição financeira.
A
empresa também aparece relacionada ao Fundo Estônia, administrado pela Trustee
DTVM, gestora apontada nas investigações como custodiante de ativos ligados a
Daniel Vorcaro.
Segundo
a Folha, o fundo seria controlado por Tercio Borlenghi Junior, empresário
investigado ao lado de Vorcaro por suspeitas de manipulação de mercado.
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O contador que conecta as duas empresas
O
principal elo entre a Copenhagen e a Contábil Correa é o contador Rogério
Lourenço Novo.
Ele
aparece como sócio-administrador da Contábil Correa e como diretor responsável
pela Copenhagen em registros da Receita Federal.
Ao site
Metrópoles, Lourenço Novo afirmou ter se tornado proprietário da Copenhagen em
setembro de 2025. Disse ainda que contratou o escritório de Flávio Bolsonaro
para atender clientes de sua empresa de contabilidade.
O
contador classificou o modelo como uma espécie de “quarteirização”: a Contábil
Correa teria clientes que precisavam de serviços jurídicos e teria repassado
essas demandas ao escritório do senador.
Questionado
sobre quais clientes teriam sido atendidos e quais serviços foram realizados,
Lourenço Novo afirmou que não se lembrava. Ele prometeu procurar as
informações, mas, segundo o Metrópoles, não voltou a responder.
A
ausência desses dados deixa sem esclarecimento uma questão central: o que
justificou o pagamento de R$ 500 mil ao escritório de Flávio Bolsonaro?
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As outras conexões com o caso Banco Master
As
relações de Rogério Lourenço Novo com o universo investigado pela Polícia
Federal vão além da Copenhagen.
Ele
integra o conselho fiscal da Ambipar, empresa controlada por Tercio Borlenghi
Junior. Borlenghi é investigado junto com Daniel Vorcaro por suspeitas
relacionadas à manipulação de mercado.
A
Copenhagen também teve entre seus diretores Artur Martins de Figueiredo,
igualmente investigado pela Polícia Federal. Nas apurações, ele é descrito como
responsável pela execução técnica de movimentações financeiras vinculadas ao
esquema sob investigação.
Lourenço
Novo também já foi investigado pela Polícia Federal em outro caso. Entre 2013 e
2015, seu nome apareceu em uma apuração sobre suspeitas de emissão de notas
fiscais falsas e utilização de empresas de fachada. O prejuízo estimado naquele
episódio ultrapassava R$ 100 milhões.
Não há,
no material disponível, indicação de que Flávio Bolsonaro tenha participado
dessas operações anteriores. O histórico do contador, porém, amplia a
necessidade de esclarecimento sobre a contratação e sobre os procedimentos
adotados pelo escritório antes de aceitar o serviço.
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O que Flávio Bolsonaro respondeu
Em
vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio Bolsonaro afirmou que prestou
serviços para a Contábil Correa por meio de uma relação “completamente legal e
privada”.
O
senador confirmou, portanto, que houve uma contratação e que o trabalho foi
realizado. Ele não apresentou, contudo, detalhes sobre o objeto do contrato.
Não
informou quais demandas jurídicas recebeu, quanto tempo o escritório dedicou ao
caso, quais documentos foram produzidos nem quem eram os clientes finais
mencionados pelo contador.
Em
relação à Copenhagen, Flávio disse que não aceitou trabalhar para a empresa e
que as notas foram canceladas.
Ao
Metrópoles, declarou ainda que nunca teve conhecimento de qualquer vinculação
entre as empresas e o Banco Master.
Depois
da publicação das informações, o senador atacou a reportagem, classificando-a
como “criminosa”. Também afirmou ser alvo de um “grande esquema” organizado por
um “órgão estatal” para impedir sua candidatura à Presidência.
Flávio
Bolsonaro não identificou o órgão ao qual se referia nem apresentou provas da
suposta operação contra sua candidatura.
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Perguntas não respondidas
O
deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), publicou um vídeo no qual cobra
explicações de Flávio Bolsonaro sobre as notas fiscais e sobre as relações
entre o senador, as empresas e Daniel Vorcaro.
A
primeira pergunta diz respeito aos serviços prestados à Contábil Correa: qual
trabalho jurídico foi realizado pelo escritório de Flávio Bolsonaro para
justificar a nota de R$ 500 mil?
Lindbergh
também questiona por que o escritório emitiu duas notas para a Copenhagen caso
o senador, como afirma, nunca tenha aceitado trabalhar para a empresa.
“Se
você não queria trabalhar para essa empresa, por que emitiu nota?”, questionou
o deputado.
Outro
ponto levantado por Lindbergh é o momento do cancelamento dos documentos.
Segundo ele, o recuo teria ocorrido no mesmo período em que o Tribunal de
Contas da União começou a cobrar explicações do Banco Central sobre relações
envolvendo o Banco Master e fundos públicos, entre eles o Rioprevidência.
O
deputado pede que seja esclarecido se houve alguma relação entre o avanço das
apurações e a decisão de cancelar as notas fiscais destinadas à Copenhagen.
Até o
momento, não foi apresentada comprovação dessa possível relação temporal.
Trata-se de uma pergunta feita por Lindbergh que depende de documentos e
explicações adicionais.
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O filme sobre Jair Bolsonaro e o fundo no Texas
Lindbergh
também relacionou o novo episódio ao financiamento do filme Dark Horse,
documentário sobre Jair Bolsonaro.
O caso
já havia escancarado a ligação entre Daniel Vorcaro e a família Bolsonaro.
Flávio pediu e recebeu dinheiro do dono do Banco Master para supostamente
financiar a cinebiografia sobre seu pai.
Segundo
Lindbergh, o projeto buscava levantar R$ 134 milhões e cerca de R$ 61 milhões
teriam chegado a um fundo localizado no Texas, nos Estados Unidos.
O
deputado lembra que, em 19 de maio, Flávio Bolsonaro afirmou que a produtora e
o fundo fariam uma prestação de contas sobre a utilização dos recursos em até
30 dias.
De
acordo com Lindbergh, mais de dois meses depois, essa prestação de contas ainda
não havia sido apresentada publicamente.
“A
gente só quer uma coisa: se é candidato a presidente, explicações ao povo
brasileiro”, afirmou.
A
cobrança conecta os dois episódios por um elemento comum: o dinheiro associado
a Vorcaro e a falta de informações detalhadas sobre sua destinação.
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O que está confirmado e o que ainda precisa ser explicado
Está
confirmado que o escritório de Flávio Bolsonaro emitiu três notas fiscais de R$
500 mil para a Copenhagen e a Contábil Correa.
Também
está confirmado que as duas notas destinadas à Copenhagen foram canceladas e
que a nota emitida para a Contábil Correa permanece sem registro de
cancelamento.
Flávio
Bolsonaro reconheceu a prestação de serviços para a Contábil Correa. O contador
Rogério Lourenço Novo também confirmou a contratação do escritório do senador.
Não
foram apresentados, porém, os contratos, os pareceres, as petições, os nomes
dos clientes atendidos ou qualquer descrição detalhada do trabalho jurídico
realizado.
Também
permanece sem resposta a razão pela qual duas notas foram emitidas para a
Copenhagen antes de o serviço ser recusado.
Outra
questão ainda aberta é se o escritório de Flávio Bolsonaro adotou algum
procedimento para verificar quem controlava as empresas e quais eram suas
relações com o Banco Master.
No caso
do filme Dark Horse, continua pendente a prestação de contas mencionada por
Flávio Bolsonaro.
• O que Flávio Bolsonaro não explicou
sobre os R$ 500 mil que recebeu de empresa ligada ao caso Master
O
senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL),
divulgou um vídeo, na quarta-feira, 22, para explicar sua relação com empresas
relacionadas ao conglomerado do Banco Master, de Daniel Vorcaro, mas deixou
lacunas sobre o pagamento de R$ 500 mil que recebeu e sobre as notas fiscais
que foram emitidas e posteriormente canceladas.
No
vídeo divulgado na quarta-feira, 22, Flávio Bolsonaro afirmou que prestou
"serviços advocatícios" à empresa Contábil Correa, que pertence a
Rogério Lourenço Novo, em uma contratação legal, lícita e privada.
Também
declarou que se recusou a prestar serviço para a Copenhagen e Assessoria e
Consultoria S.A, empresa do conglomerado do Master e que desde setembro de 2025
tem Rogério Novo como diretor. As duas empresas estão registradas com mesmo
endereço num prédio no centro de São Caetano do Sul.
A
Copenhagen pertence ao Fundo Estônia, da Trustee DTVM, uma das gestoras
apontadas como custodiantes de ativos de Daniel Vorcaro. Até julho do ano
passado, a empresa tinha como diretores Artur Martins de Figueiredo, que também
administrava a Trustee.
Abaixo
veja o que o senador não esclareceu sobre o caso:
>>>
1) Qual foi o serviço prestado para a Contábil Correa?
A nota
fiscal emitida pelo escritório de Flávio Bolsonaro para a empresa indica
genericamente o serviço de "assessoria jurídica", por R$ 500 mil. No
vídeo, o senador não detalhou qual teria sido a natureza desse assessoramento
nem se houve de fato a celebração de um contrato, escrito ou verbal. A
reportagem não localizou processos ou procurações da empresa para Flávio.
>>>
2) Quem apresentou Rogério Lourenço Novo a Flávio Bolsonaro?
A
Contábil Correa é uma empresa de 2005 e tem endereço registrado em São Caetano
do Sul (SP), na região metropolitana de São Paulo. O senador não detalhou como
Rogério Novo surgiu para ele com a proposta, nem se alguma outra pessoa
intermediou o negócio.
>>>
3) Por que fez duas notas fiscais de R$ 500 mil para Copenhagen, que foram
canceladas?
O
escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro emitiu duas notas fiscais,
de R$ 500 mil, cada, para a consultoria Copenhagen em 7 de abril de 2025. Uma
delas foi cancelada no mesmo dia. A outra, dois dias depois. No vídeo, o
senador falou somente que não aceitou trabalhar para a Copenhagem, mas não
esclareceu o porquê de ter chegado a emitir as notas.
>>>
4) Quais seriam os serviços solicitados pela Copenhagen, e por qual
representante da empresa?
No
vídeo divulgado nas redes sociais, o senador reclamou de estar sendo cobrado a
explicar um serviço que ele não prestou. "Eu não aceitei trabalhar para
essa empresa chamada Copenhagen, que supostamente foi usada por Vorcaro para
fazer pagamentos para algumas pessoas. Não foi o meu caso", declarou.
Flávio
Bolsonaro, porém, não explicou quais teriam sido os serviços negociados e que
chegaram a justificar a emissão de notas fiscais. Também não falou qual diretor
ou proprietário da Copenhagen fez tratativas com ele.
Em uma
nota enviada ao portal Metrópoles, Flávio Bolsonaro disse ter sido consultado
sobre a possibilidade de prestar serviço a uma cliente da Contábil Correa, a
Copenhagen. "Apesar da consulta, a contratação não avançou, não tendo meu
escritório recebido qualquer valor da Copenhagen, razão pela qual as notas
fiscais foram canceladas", disse.
Fonte:
Fórum/Portal Terra

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