Algoritmos
teriam alterado eleição colombiana: ação pede anulação da vitória de De la
Espriella
A ação
judicial na Colômbia, anunciada na segunda-feira por meio de sua conta na rede
social X (ex-Twitter), busca invalidar as eleições realizadas em 21 de junho e
anular as credenciais que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) concedeu ao
candidato do partido Defensores de la Patria, após determinar que
ele teria vencido o representante do Pacto Histórico, Iván Cepeda, por uma diferença
de apenas 0,96 ponto percentual.
O
recurso judicial, que Gustavo Petro qualificou como
uma ferramenta de “comunicação popular” ao anunciar que sua linguagem técnica
será traduzida por meio de vídeos explicativos, representa o capítulo mais
recente de uma crise política que se intensificou desde o dia da eleição.
A ação
não apenas questiona a legitimidade do processo, como também apresenta ao mais
alto tribunal da jurisdição contencioso-administrativa o que o presidente
denuncia serem provas contundentes de uma fraude eleitoral orquestrada por meio
de mecanismos tecnológicos avançados.
A ação
se apoia em um coletivo denominado “testemunhas digitais”, grupo formado por
aproximadamente 70 mil cidadãos que, segundo o presidente, conseguiu rastrear,
nos metadados dos documentos do programa de apuração, evidências de
“manipulação algorítmica do voto real” emitido pela população.
Essa
rede de fiscalização cidadã teria detectado irregularidades nos rastros
digitais deixados durante o processamento dos resultados, o que constituiria
uma interferência sistêmica na vontade popular expressa nas urnas.
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Nova apuração e verificação das seções com irregularidades
Um dos
principais pontos da ação apresentada pelo líder progressista é o pedido para
que seja determinada uma nova apuração, uma auditoria judicial ou uma
verificação técnica das seções eleitorais, zonas, locais de votação, municípios
ou departamentos afetados por impossibilidade de verificação, divergências
injustificadas ou ausência de correspondência documental.
Da
mesma forma, solicita que sejam apresentados os atos técnicos e administrativos
relacionados ao modelo de apuração e de publicação documental, bem como os atos
eleitorais que lhe servem de fundamento, incorporam ou refletem a implementação
de um modelo de processamento, publicação, autenticação, identificação,
integridade e rastreabilidade documental diferente daquele utilizado nas
eleições presidenciais de 2022.
Outro
dos pedidos é que seja determinado à Registradoria Nacional do Estado Civil e
ao Conselho Nacional Eleitoral que apresentem os registros, os códigos internos
de verificação, os rastros de publicação, as atas, as versões de arquivos e os
documentos técnicos que sustentem a correspondência, a autenticidade e a
integridade dos formulários E14 publicados, que são as atas que registram a
contagem de votos em cada seção eleitoral e permitem verificar os resultados
oficiais.
Segundo
Petro, a ação judicial também solicita que seja determinada uma inspeção
judicial, com apoio de peritos, sobre os sistemas de geração, digitalização,
processamento, publicação e republicação dos formulários e das atas gerais de
apuração.
Ao
mesmo tempo, estabelece que, caso não seja comprovada incidência suficiente
para justificar a nulidade total da eleição, sejam adotadas medidas de
depuração, recontagem, exclusão ou correção do conjunto verificável das seções
eleitorais afetadas, “sem prejuízo do reconhecimento judicial do vício autônomo
de impossibilidade estrutural de verificação”.
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Nova contagem dos votos dos colombianos no exterior
Na
ação, destaca-se o pedido de uma nova contagem dos votos emitidos no exterior
durante o segundo turno da eleição. O pedido ganha relevância ao se considerar
que De la Espriella obteve uma vantagem de apenas 251.854 votos sobre Iván
Cepeda no segundo turno.
Petro
sustenta que essa diferença pode ter sido determinada pelas anomalias
detectadas no processamento dos votos dos colombianos residentes em outros
países.
Além de
solicitar a recontagem, a ação pretende anular a resolução do Conselho Nacional
Eleitoral que declarou De la Espriella vencedor, bem como as credenciais que o
reconhecem como presidente eleito.
O
anúncio da ação não foi um fato isolado, já que, durante a campanha eleitoral e
após a realização das eleições, o líder progressista vinha denunciando
irregularidades e “evidências de uma fraude eleitoral por meio algorítmico e
com financiamento estrangeiro proibido”.
Petro
atribuiu a vitória de De la Espriella, cuja posse na Presidência da Colômbia
está prevista para o próximo dia 7 de agosto, à manipulação por meio de
“algoritmos da Califórnia”, desenvolvidos por “empresas privadas de
inteligência de Israel”, e afirmou que tanto a Justiça colombiana quanto a
Justiça dos Estados Unidos terão acesso às provas, uma vez que, segundo ele, os
supostos crimes teriam sido cometidos em território estadunidense.
“Quem
venceu as eleições pelo voto popular foi Iván Cepeda. A vitória de Abelardo foi
obtida com algoritmos da Califórnia, e esses algoritmos foram desenvolvidos por
empresas privadas de inteligência de Israel”, denunciou na rede social X
(ex-Twitter).
Após a
apresentação da ação perante o Conselho de Estado, a crise política se
transfere para o âmbito judicial, e caberá agora ao tribunal avaliar as provas
apresentadas pelo presidente e determinar as medidas cabíveis.
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Sequestro de Maduro chega a nova fase nos EUA
O
presidente sequestrado da Venezuela, Nicolás Maduro Moros, e sua esposa, Cilia Flores,
compareceram à terceira audiência processual de seus casos criminais perante um
tribunal federal em Nova York, em preparação para um eventual julgamento por
acusações de “tráfico de drogas” e “narcoterrorismo”.
Os
promotores e os advogados de defesa apresentaram uma proposta acordada entre as
partes, que inclui uma série de datas para as etapas do processo judicial,
culminando em um julgamento programado para 1º de junho de 2027, o que foi
aprovado pelo juiz federal Alvin Hellerstein.
Nas
primeiras etapas serão apreciadas as chamadas “moções” anteriores ao
julgamento, e está previsto que uma das primeiras medidas da defesa será
sustentar a imunidade de Maduro neste caso. A próxima audiência está marcada
para 17 de novembro.
Também
foram estabelecidos prazos para a troca de provas entre as partes, assim como
para outras moções processuais.
Ainda
não foi explicado como um presidente e uma primeira-dama de outro país podem
ser sequestrados pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, em violação aos
princípios fundamentais do direito internacional, e depois apresentados a um
juiz em um tribunal federal, como se fosse um caso comum da Justiça. O advogado
do presidente e o juiz responsável pelo caso já indicaram que essa questão será
abordada em algum momento.
Esse
sequestro, realizado em 3 de janeiro, foi justificado pelo governo do
presidente Donald Trump não como uma ação militar, mas como uma espécie de
“extradição” em uma “ação de aplicação da lei”, com base na acusação formal
apresentada pela Justiça dos Estados Unidos, segundo a qual Maduro liderava “um
governo corrupto e ilegítimo que, por décadas, empregou o poder governamental
para proteger e promover atividades ilegais, incluindo o narcotráfico”.
As
quatro acusações da denúncia incluem “conspiração para narcoterrorismo”,
importação de cocaína, posse de metralhadoras e de outros “instrumentos
destrutivos”, fatos que teriam ocorrido entre 1999 e 2025. A denúncia afirma
que o presidente venezuelano também foi associado ao Cartel de Sinaloa, ao Los
Zetas, ao Tren de Aragua e às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc)
e ao Exército de Libertação Nacional (ELN).
Os
acusados, que já haviam se declarado “inocentes” desde a primeira audiência, em
5 de janeiro, perante esse mesmo juiz, sentaram-se nesta quarta-feira ao lado
de seus respectivos advogados usando uniformes bege de detentos, após serem
transferidos do centro de detenção no Brooklyn, onde permanecem durante o
andamento do processo. Maduro fazia anotações em um caderno sobre o que
acontecia na audiência, mas não falou além de conversar com seu advogado.
Não há
garantia de que esse caso chegará diretamente a julgamento, uma vez que ainda
estão pendentes argumentos favoráveis à suspensão e até à anulação do processo.
Por um lado, será analisada a posição da defesa de que seus clientes gozam de
imunidade em razão dos cargos oficiais que ocupavam quando foram detidos.
Também
permanece pendente a questão da violação das leis internacionais pelos Estados
Unidos na captura do presidente.
De
acordo com o advogado Michael Rips, em artigo de opinião publicado nesta semana
no The New York Times, existe ainda uma lei assinada pelos Estados
Unidos que poderia determinar que os tribunais estadunidenses não têm
autoridade para julgar esse caso e que, caso Washington respeite o acordo
firmado, “poderá muito bem ser obrigado a libertar seu precioso cativo”.
Ele se
refere ao tratado de extradição entre Estados Unidos e Venezuela, de 1922, que
estabelece que toda disputa relativa a esse acordo deve ser decidida por
arbitragem. Portanto, argumenta Rips, o juiz deve “suspender o processo e
encaminhar o assunto a um painel de árbitros independentes”, que decidirá se o
tratado foi respeitado.
“Se os
árbitros concluírem que a captura de Maduro violou o tratado, os Estados Unidos
estarão obrigados a libertá-lo”, afirma, citando precedentes aplicáveis ao
caso.
O
advogado de Maduro, por enquanto, é Barry Pollack, que recentemente se destacou
por seu trabalho na negociação do acordo com o governo dos Estados Unidos para
encerrar a batalha judicial de 15 anos contra Julian Assange e garantir sua
libertação.
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EUA arrecadaram US$ 13 bilhões com venda de petróleo da
Venezuela em 2026, afirma jornal
O
governo dos Estados Unidos teria arrecadado mais de US$ 13 bilhões (cerca de R$
66 bilhões) em receita com a venda de petróleo da Venezuela nos primeiros seis
meses de 2026. A afirmação é do diário britânico Financial
Times,
em reportagem publicada nesta quarta-feira (22/07).
Segundo
a apuração do jornal, o valor arrecadado representaria cerca de um quarto do
Produto Interno Bruto (PIB) venezuelano.
A
matéria também destaca que a administração de Donald Trump não transparenta as
informações sobre o destino desses recursos relativos à venda do petróleo.
“Seis
meses depois de os Estados Unidos assumirem o controle dos fundos provenientes
da venda de petróleo, economistas afirmam que os sinais de recuperação na
Venezuela são relativamente escassos, o que pode indicar que os Estados Unidos
não repassaram toda a receita para Caracas”, afirma um trecho da reportagem
do Financial Times.
O meio
britânico também frisa que a falta de clareza sobre o destino desses recursos
contrasta com a necessidade do país em obter financiamento para lidar com a
devastação causada pelos dois terremotos registrados em junho, que causaram a
morte de mais de 5 mil pessoas e cujos projetos de reconstrução ainda estão
sendo avaliados.
Sem os
recursos do petróleo, o governo da Venezuela planeja colocar seu projeto de
reconstrução em prática com a utilização de US$ 346 milhões solicitados junto
ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
Esses
recursos pertencem ao país mas foram congelados por governos que não
reconheciam Nicolás Maduro como presidente, e passaram a ser administrados pela
entidade financeira internacional.
Em
declaração recente, a economista-chefe do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou
que o governo da Venezuela já teve acesso a parte desses recursos, mas não
revelou o montante.
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Tomando o controle
Os
Estados Unidos assumiram o controle das exportações de petróleo da Venezuela em
janeiro deste ano, após a operação militar realizada no dia 3 de janeiro, que
resultou no sequestro do presidente Nicolás
Maduro e sua esposa Cilia Flores.
Desde
então, o país sul-americano passou a ser governando pela presidente interina
Delcy Rodríguez, que tem adotado uma postura de colaboração com Washington.
A
partir desse novo cenário, os Estados Unidos suspenderam algumas sanções
econômicas impostas à Venezuela, especialmente as relacionadas à exportação de
hidrocarbonetos (petróleo e gás natural, entre outros), e passaram a determinar
o destino dos recursos arrecadados com a venda desses produtos.
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Milei nomeia juízes e procuradores com vínculos
familiares e empresariais
O presidente Javier
Milei prosseguiu
com sua estratégia de reformulação do Judiciário por meio da nomeação oficial
de 28 juízes e procuradores, publicada nesta quarta-feira (22/07) no Diário
Oficial.
Essa
medida, gerenciada pelo Ministro da Justiça, Juan Bautista Mahiques, soma-se a
dezenas de nomeações anteriores e precede a análise de outras 25 indicações
agendadas para os dias 4 e 5 de agosto na Comissão de Acordos do Senado, com o
objetivo declarado de preencher 25% das vagas existentes no sistema judiciário.
Entre
as nomeações mais notáveis, destacam-se cinco juízes para o Tribunal Nacional
de Recursos do Trabalho, um tribunal que o Poder Executivo pretende dissolver
gradualmente após a aprovação da Reforma do Trabalho. O caso de Víctor Pesino é
notório; seu mandato de cinco anos foi prorrogado apenas 24 horas depois de ele
ter revertido uma decisão que havia paralisado a implementação da nova lei
trabalhista.
Juízes
como Marina Edith Pisacco, esposa do jornalista Adrián Ventura; Diego Fernando
Manauta, ex-conselheiro do Grupo Techint; Claudio Fabián Loguarro; María
Claudia Jueguen; e Diego Javier Tula integraram a corte. Esses indivíduos são
considerados alinhados aos interesses empresariais e governamentais da visão do
presidente argentino.
Juan
Tomás Rodríguez Ponte, secretário de longa data do juiz Ariel Lijo, também foi
nomeado para chefiar o Tribunal Federal nº 2 em Lomas de Zamora, onde está
sendo julgado o caso de grande repercussão contra Martín Insaurralde e Jesica
Cirio. Além disso, nomeações foram oficializadas no interior do país,
interpretadas como parte de negociações políticas com governadores provinciais.
Anteriormente,
o governo havia nomeado Emilio Rosatti, filho do presidente do Supremo
Tribunal, e Ana Juan, esposa do juiz Marcelo Martínez de Giorgi, que investiga
o caso $LIBRA, no qual
Milei é ré.
Para o estratégico Tribunal Federal Comodoro Py, o Poder Executivo apresentou
as indicações de Pablo Yadarola e Pablo Bertuzzi, enquanto decidiu não
prorrogar o mandato do juiz Martín Irurzun, autor da “Teoria do Poder
Residual”.
A
ofensiva jurídica busca proteger a legislação recente e garantir a lealdade em
tribunais importantes antes de sua eventual reestruturação. A oposição critica
a falta de concursos públicos e o processo de seleção politicamente motivado
que o presidente utiliza para garantir cargos que o beneficiem dentro do
governo.
Fonte: El Ciudadano/La Jornada/Opera Mundi

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