Governo
Trump planeja enviar emissários ao Brasil para questionar sistema eleitoral,
revela Washington Post
A
administração do presidente Donald Trump pretende enviar dois altos
funcionários do Departamento de Estado ao Brasil com a missão de levantar
dúvidas sobre a imparcialidade e a integridade do sistema eleitoral brasileiro
antes da eleição presidencial de 4 de outubro. A informação foi revelada
pelo Washington Post, que ouviu quatro autoridades
americanas e brasileiras familiarizadas com os preparativos da viagem.
Segundo
a reportagem, a iniciativa representa uma escalada nas tensões diplomáticas
entre Washington e Brasília e ocorre em meio ao acirramento das disputas
políticas no Brasil.
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Missão será liderada por dois altos diplomatas
De
acordo com o Washington Post, a delegação será composta por Riley
M. Barnes, secretário-assistente de Estado, e Samuel Samson, secretário-adjunto
assistente do Departamento de Estado.
Embora
o governo americano tenha confirmado que ambos viajarão ao Brasil, não informou
qual será a agenda da missão nem respondeu aos questionamentos do jornal sobre
eventuais preocupações da administração Trump com a integridade das eleições
brasileiras.
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Objetivo seria questionar a confiabilidade das urnas
Segundo
autoridades ouvidas pelo jornal, os emissários deverão levantar questionamentos
sobre o sistema brasileiro de votação eletrônica, utilizado há três décadas.
A
reportagem afirma que integrantes do governo brasileiro acreditam que os
representantes americanos também poderão reunir-se com críticos das urnas
eletrônicas e elaborar um relatório destinado a colocar em dúvida a
credibilidade do processo eleitoral brasileiro.
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Governo brasileiro avalia reação
Ainda
segundo o Washington Post, dois altos diplomatas brasileiros
disseram ter sido informados recentemente sobre a missão americana e
classificaram a iniciativa como incompatível com as relações entre duas
democracias.
Um dos
diplomatas afirmou ao jornal que o governo brasileiro pretende “proteger nosso
sistema de votação” e estuda medidas para impedir a entrada dos enviados
americanos no país, caso a viagem tenha como objetivo interferir no processo
eleitoral.
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Sistema eleitoral é reconhecido internacionalmente
O
sistema eletrônico de votação brasileiro é utilizado desde 1996 e é
administrado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ao longo desse período,
passou por sucessivos testes públicos de segurança e foi acompanhado por
missões nacionais e internacionais de observação eleitoral.
O Washington
Post destaca que observadores internacionais que acompanharam as
eleições brasileiras desde 2018 concluíram que o sistema é seguro, confiável e
capaz de produzir resultados legítimos.
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Episódio amplia tensão entre Brasília e Washington
A
reportagem lembra que o episódio ocorre poucos dias depois de novas
manifestações do senador Flávio Bolsonaro questionando a confiabilidade das
urnas eletrônicas.
O
jornal também recorda que, após a derrota de Jair Bolsonaro em 2022, o
ex-presidente tentou contestar o resultado das eleições e incentivar uma
ruptura institucional, sem sucesso.
Até o
momento, nem o governo brasileiro nem o Tribunal Superior Eleitoral haviam
divulgado manifestação oficial sobre a reportagem. O Departamento de Estado
limitou-se a confirmar a viagem dos dois representantes, sem informar os
objetivos da missão.
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Trump já interfere na eleição brasileira, diz Altamiro
Borges
A
estratégia do governo dos Estados Unidos para ampliar sua influência na América
Latina já alcançou a eleição presidencial brasileira, segundo Altamiro Borges.
Em entrevista ao programa Giro das Onze, da TV 247, nesta segunda-feira (20), o
jornalista afirmou que Donald Trump combina tarifas comerciais, pressão
geopolítica e apoio político para favorecer Flávio Bolsonaro.
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“Trump
não esconde de ninguém. Isso já estava no projeto do Trump para a eleição”,
declarou Borges. Para ele, a interferência norte-americana deixou de ser apenas
um risco e passou a integrar o cenário político do Brasil, especialmente diante
da tentativa de Washington de conter o avanço da China no continente.
Borges
relacionou essa ofensiva ao Projeto 2025, elaborado por organizações e
integrantes da direita conservadora dos Estados Unidos. Segundo o jornalista, o
documento defende a retomada do controle norte-americano sobre o Hemisfério
Ocidental. “O objetivo dos Estados Unidos é voltar a ter o controle do
hemisfério. Os Estados Unidos estariam perdendo o controle, principalmente para
a China”, afirmou.
O
entrevistado citou disputas políticas na Argentina, em Honduras, no Chile e na
Colômbia como exemplos da atuação de Trump no continente. Na avaliação de
Borges, Washington utiliza apoio público a candidatos, medidas econômicas e
pressão diplomática para beneficiar governos alinhados aos interesses
norte-americanos.
No caso
brasileiro, Borges avaliou que as tarifas impostas pelos Estados Unidos não
possuem apenas objetivos comerciais. “Tem a ver com relação econômica e
comercial, tem a ver com geopolítica e tem a ver com política”, resumiu. Ele
também contestou a justificativa de que os norte-americanos manteriam uma
relação comercial deficitária com o Brasil, alegando que os dados apontam
superávit dos Estados Unidos.
Para o
jornalista, Flávio Bolsonaro enfrenta crescente desgaste por sua aproximação
com Trump e pela dificuldade de se desvincular das medidas contra produtos
brasileiros. “O que Flávio Bolsonaro fez? Casou com esses interesses. Está a
serviço do Trump”, disse.
Borges
mencionou a declaração de Flávio de que teria procurado o governo
norte-americano para pedir o adiamento das tarifas. Na interpretação do
jornalista, o senador buscava impedir que os efeitos econômicos prejudicassem
sua campanha. “Ele não pediu para suspender as tarifas, ele pediu para
suspender para não atrapalhar a eleição dele”, afirmou.
O
desgaste político também foi relacionado às suspeitas envolvendo o Banco Master
e Daniel Vorcaro. O Giro das Onze mencionou ainda a expectativa de eventuais
medidas da Polícia Federal contra Flávio Bolsonaro e Davi Alcolumbre, mas não
apresentou confirmação oficial, mandados judiciais ou datas para possíveis
operações.
Como
resposta, Borges defendeu uma postura diplomática firme, a preservação da
soberania e a diversificação das relações comerciais. “Não quer guerra com
ninguém, como diz o Lula, mas não venham querer passar por cima do Brasil. O
Brasil se respeita”, declarou. Para ele, o país precisa acompanhar tarifas,
campanhas digitais e pressões externas: “Os Estados Unidos vão tentar
interferir. O Brasil tem que se preparar”.
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O fanatismo ainda ameaça a democracia brasileira. Por Ricardo
Mezavila
Não se
trata de direita ou esquerda. Trata-se de escolher entre a democracia e a
crença cega que transforma líderes em ídolos, instituições em inimigos e
qualquer opinião diferente em traição. O fanatismo que se espalhou nos últimos
anos sob a bandeira da extrema-direita não é ideologia — é uma doença que
corrói o tecido da nossa convivência.
O
ex-presidente foi elevado à condição de mito, acima de erros, provas e da
própria lei. Quem o criticava era rotulado como inimigo da pátria, da família e
de Deus. A fé, que deveria unir na solidariedade, virou ferramenta de
obediência política. As instituições que garantem nossa liberdade — o
Judiciário, a Justiça Eleitoral, a imprensa — passaram a ser atacadas
sistematicamente, como se servissem apenas a um suposto “comunismo invisível”.
Essa
visão nasceu da frustração de milhões que viram a promessa de um país melhor se
esfarelar em corrupção, desigualdade e estagnação. Foi alimentada nas redes
sociais, onde a mentira corre mais rápido que a verdade e cada um se fecha em
sua própria câmara de eco. Encontrou solo fértil também na nostalgia
autoritária, na ideia equivocada de que a ordem só vem pela força e que a
democracia é “bagunça”.
O ponto
mais baixo veio em 8 de janeiro de 2023. Quando milhares invadiram e saquearam
os Três Poderes, não estavam apenas destruindo prédios — estavam tentando
destruir a própria ideia de que o povo é soberano nas urnas. Acreditavam
defender o Brasil, mas na verdade lutavam contra a Constituição, contra a
vontade da maioria e contra o futuro do país.
O risco
não passou. O fanatismo continua a dividir famílias, a desacreditar a ciência e
a tratar a política como guerra, onde o adversário é sempre um inimigo. Mas não
podemos confundir conservadorismo com extremismo. Defender família, propriedade
e ordem é legítimo e faz parte da história brasileira. O que não é legítimo é
transformar esses valores em pretexto para atacar a liberdade de pensamento e a
democracia. A democracia precisa de pluralidade, não de unanimidade forçada.
Combater
o fanatismo não significa calar ninguém. Significa defender o direito de
discordar, de debater e de aceitar que ninguém detém a verdade absoluta.
Significa investir em educação para que ninguém seja vítima fácil de mentiras e
manipulações. Significa exigir instituições justas e transparentes, para que a
população não se sinta órfã das regras.
O
Brasil não pertence a um líder, a um grupo ou a uma visão única. Pertence a
todos nós. E a democracia não é um presente — é uma conquista que precisa ser
defendida todos os dias, contra qualquer tentativa de transformar a política em
culto e a razão em obediência cega. Defender a democracia é defender o Brasil.
E essa é uma tarefa de todos nós.
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PML avalia que ‘Trump quer trazer a barbárie’ e diz que
Lula direciona o Brasil a ‘outro patamar histórico’
O
jornalista Paulo Moreira Leite fez um alerta nesta semana, em entrevista
à TV 247, ao afirmar que o presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump, pretende “trazer a barbárie de volta” ao Brasil, com uma agenda
entreguista e submissa aos interesses estrangeiros. Em alusão à família
Bolsonaro, o comentarista afirmou que existe “uma grande conspiração para
restaurar o fascismo no Brasil”, mas disse que o governo Lula direciona o país
sul-americano a “outro patamar histórico” na política global, prezando pelo
multilateralismo, direitos, democracia e soberania.
Em
participação no programa Brasil Agora, o colunista denunciou “um esforço
coordenado entre o imperialismo” dos EUA e a “elite reacionária brasileira para
sufocar, destruir e regredir esse movimento de emancipação nacional que ocorreu
no Brasil sob a liderança do presidente Lula”. “Um País soberano. O Brasil é
uma ex-colônia que procura firmar os seus direitos”, pontuou.
“Querem
punir aqueles que querem se rebelar contra o velho senhor. Querem um velho
senhor caquético que não tem alternativas para oferecer”, continuou. “É uma
situação absolutamente crucial”, acrescentou PML, ao criticar os EUA e as
articulações da família Bolsonaro junto ao governo Trump, com o objetivo de
impor sanções ao Brasil por causa da condenação de Jair Bolsonaro (PL) no
inquérito da trama golpista.
Como
parte de suas retaliações, os EUA aplicaram dois tarifaços ao Brasil (um de 25%
e outro de 12,5%). A vigência das medidas começou neste mês de julho. A gestão
trumpista também classificou o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho
como organizações terroristas. A decisão sobre o PCC e o CV entrou em vigor no
dia 5 de junho.
Com a
guerra comercial e a classificação das facções brasileiras, os EUA tentam
incentivar sanções contra o Brasil no cenário global. Em reação, o Palácio do
Planalto usará a Lei da
Reciprocidade, sancionada em 11 de abril de 2025.
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Liderança de Lula, extrema direita e golpismo
Durante
sua análise na TV 247, o colunista fez sua avaliação sobre a atual
política externa brasileira. “O governo Lula está liderando um processo que
leva o país para um outro patamar histórico, de país mais igualitário e capaz
de ter um desempenho diplomático superior”.
“Somos
dos poucos países onde as pesquisas indicam que o nosso candidato está na
frente para vencer o fascismo”, observou, acrescentando que “a extrema direita
está absolutamente inconformada, conspirando noite e dia para tentar impedir” a
possível vitória do presidente Lula.
Em sua
avaliação, o jornalista disse que a eleição presidencial marcada para 4 de
outubro representa uma “encruzilhada”. “A grande questão é saber se vamos
manter um regime democrático ou, se a partir de atalhos, a nossa democracia
será destruída”.
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Capacidade de mobilização
Na
entrevista ao 247, o comentarista defendeu a capacidade de mobilização
popular do campo progressista. “Uma eleição presidencial dá espaço para que se
discuta essa resistência. (O Brasil) tem todas as condições sim de derrotar o
fascismo e de inaugurar uma fase que certamente irá envolver e mobilizar os
povos vizinhos”, seguiu PML.
“É um
momento de alto risco para o nosso futuro e no qual nós podemos assim sair
vitoriosos, desde que estejamos organizados e unidos em cima dos valores que
constituem a sociedade brasileira, que marcam a nossa Constituição, que estão
na nossa história. Somos um país onde as forças progressistas servem de
inspiração a várias partes do mundo”.
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Bolsonarismo e trumpismo: afinidade golpista
O
trumpismo e o bolsonarismo têm afinidades em favor de golpes de Estado. O
senador Flávio Bolsonaro concedeu declarações golpistas na última terça-feira
(21), em Brasília (DF), onde afirmou que as urnas eletrônicas brasileiras têm a
mesma origem das urnas da empresa Smartmatic.
Segundo
o parlamentar, um documento da CIA mostrou que a Smartmatic participou de um
esquema de fraude do governo da Venezuela nas eleições de 2012. A sigla CIA
significa Central Intelligence Agency (Agência Central de
Inteligência).
“Muitas
dessas máquinas utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa. Há
denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo
eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela”, afirmou Flávio Bolsonaro.
Em
2025, o STF condenou 29 pessoas pela participação na trama golpista, um plano
que, segundo investigadores, começou a ser elaborado antes de terminar o
governo de Jair Bolsonaro. Em 8 de Janeiro de 2023, bolsonaristas
invadiram a Praça dos Três Poderes, em Brasília (DF). O Supremo emitiu mais de
1,4 mil condenações na investigação sobre os atos golpistas.
Em
novembro de 2022, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) multou o PL, partido da
extrema direita, em R$ 22,9
milhões após a legenda questionar a
confiança das urnas eletrônicas.
Nos
EUA, trumpistas também fizeram atos pró-golpe. Em janeiro de 2021, quando Trump
perdeu a eleição, vários apoiadores invadiram o Legislativo e acusaram o
sistema eleitoral de ser fraudulento.
Ataques
ao Poder Judiciário de um determinado país formam uma tática defendidas por
nomes como o estrategista estadunidense Steve Bannon para fazer partidos de
direita chegarem ao poder nos EUA e em outros países.
Fonte:
Brasil 247

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