sábado, 25 de julho de 2026

Governo Trump planeja enviar emissários ao Brasil para questionar sistema eleitoral, revela Washington Post

A administração do presidente Donald Trump pretende enviar dois altos funcionários do Departamento de Estado ao Brasil com a missão de levantar dúvidas sobre a imparcialidade e a integridade do sistema eleitoral brasileiro antes da eleição presidencial de 4 de outubro. A informação foi revelada pelo Washington Post, que ouviu quatro autoridades americanas e brasileiras familiarizadas com os preparativos da viagem.

Segundo a reportagem, a iniciativa representa uma escalada nas tensões diplomáticas entre Washington e Brasília e ocorre em meio ao acirramento das disputas políticas no Brasil.

<><> Missão será liderada por dois altos diplomatas

De acordo com o Washington Post, a delegação será composta por Riley M. Barnes, secretário-assistente de Estado, e Samuel Samson, secretário-adjunto assistente do Departamento de Estado.

Embora o governo americano tenha confirmado que ambos viajarão ao Brasil, não informou qual será a agenda da missão nem respondeu aos questionamentos do jornal sobre eventuais preocupações da administração Trump com a integridade das eleições brasileiras.

<><> Objetivo seria questionar a confiabilidade das urnas

Segundo autoridades ouvidas pelo jornal, os emissários deverão levantar questionamentos sobre o sistema brasileiro de votação eletrônica, utilizado há três décadas.

A reportagem afirma que integrantes do governo brasileiro acreditam que os representantes americanos também poderão reunir-se com críticos das urnas eletrônicas e elaborar um relatório destinado a colocar em dúvida a credibilidade do processo eleitoral brasileiro.

<><> Governo brasileiro avalia reação

Ainda segundo o Washington Post, dois altos diplomatas brasileiros disseram ter sido informados recentemente sobre a missão americana e classificaram a iniciativa como incompatível com as relações entre duas democracias.

Um dos diplomatas afirmou ao jornal que o governo brasileiro pretende “proteger nosso sistema de votação” e estuda medidas para impedir a entrada dos enviados americanos no país, caso a viagem tenha como objetivo interferir no processo eleitoral.

<><> Sistema eleitoral é reconhecido internacionalmente

O sistema eletrônico de votação brasileiro é utilizado desde 1996 e é administrado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ao longo desse período, passou por sucessivos testes públicos de segurança e foi acompanhado por missões nacionais e internacionais de observação eleitoral.

O Washington Post destaca que observadores internacionais que acompanharam as eleições brasileiras desde 2018 concluíram que o sistema é seguro, confiável e capaz de produzir resultados legítimos.

<><> Episódio amplia tensão entre Brasília e Washington

A reportagem lembra que o episódio ocorre poucos dias depois de novas manifestações do senador Flávio Bolsonaro questionando a confiabilidade das urnas eletrônicas.

O jornal também recorda que, após a derrota de Jair Bolsonaro em 2022, o ex-presidente tentou contestar o resultado das eleições e incentivar uma ruptura institucional, sem sucesso.

Até o momento, nem o governo brasileiro nem o Tribunal Superior Eleitoral haviam divulgado manifestação oficial sobre a reportagem. O Departamento de Estado limitou-se a confirmar a viagem dos dois representantes, sem informar os objetivos da missão.

¨      Trump já interfere na eleição brasileira, diz Altamiro Borges

A estratégia do governo dos Estados Unidos para ampliar sua influência na América Latina já alcançou a eleição presidencial brasileira, segundo Altamiro Borges. Em entrevista ao programa Giro das Onze, da TV 247, nesta segunda-feira (20), o jornalista afirmou que Donald Trump combina tarifas comerciais, pressão geopolítica e apoio político para favorecer Flávio Bolsonaro.

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“Trump não esconde de ninguém. Isso já estava no projeto do Trump para a eleição”, declarou Borges. Para ele, a interferência norte-americana deixou de ser apenas um risco e passou a integrar o cenário político do Brasil, especialmente diante da tentativa de Washington de conter o avanço da China no continente.

Borges relacionou essa ofensiva ao Projeto 2025, elaborado por organizações e integrantes da direita conservadora dos Estados Unidos. Segundo o jornalista, o documento defende a retomada do controle norte-americano sobre o Hemisfério Ocidental. “O objetivo dos Estados Unidos é voltar a ter o controle do hemisfério. Os Estados Unidos estariam perdendo o controle, principalmente para a China”, afirmou.

O entrevistado citou disputas políticas na Argentina, em Honduras, no Chile e na Colômbia como exemplos da atuação de Trump no continente. Na avaliação de Borges, Washington utiliza apoio público a candidatos, medidas econômicas e pressão diplomática para beneficiar governos alinhados aos interesses norte-americanos.

No caso brasileiro, Borges avaliou que as tarifas impostas pelos Estados Unidos não possuem apenas objetivos comerciais. “Tem a ver com relação econômica e comercial, tem a ver com geopolítica e tem a ver com política”, resumiu. Ele também contestou a justificativa de que os norte-americanos manteriam uma relação comercial deficitária com o Brasil, alegando que os dados apontam superávit dos Estados Unidos.

Para o jornalista, Flávio Bolsonaro enfrenta crescente desgaste por sua aproximação com Trump e pela dificuldade de se desvincular das medidas contra produtos brasileiros. “O que Flávio Bolsonaro fez? Casou com esses interesses. Está a serviço do Trump”, disse.

Borges mencionou a declaração de Flávio de que teria procurado o governo norte-americano para pedir o adiamento das tarifas. Na interpretação do jornalista, o senador buscava impedir que os efeitos econômicos prejudicassem sua campanha. “Ele não pediu para suspender as tarifas, ele pediu para suspender para não atrapalhar a eleição dele”, afirmou.

O desgaste político também foi relacionado às suspeitas envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro. O Giro das Onze mencionou ainda a expectativa de eventuais medidas da Polícia Federal contra Flávio Bolsonaro e Davi Alcolumbre, mas não apresentou confirmação oficial, mandados judiciais ou datas para possíveis operações.

Como resposta, Borges defendeu uma postura diplomática firme, a preservação da soberania e a diversificação das relações comerciais. “Não quer guerra com ninguém, como diz o Lula, mas não venham querer passar por cima do Brasil. O Brasil se respeita”, declarou. Para ele, o país precisa acompanhar tarifas, campanhas digitais e pressões externas: “Os Estados Unidos vão tentar interferir. O Brasil tem que se preparar”.

¨      O fanatismo ainda ameaça a democracia brasileira. Por Ricardo Mezavila

Não se trata de direita ou esquerda. Trata-se de escolher entre a democracia e a crença cega que transforma líderes em ídolos, instituições em inimigos e qualquer opinião diferente em traição. O fanatismo que se espalhou nos últimos anos sob a bandeira da extrema-direita não é ideologia — é uma doença que corrói o tecido da nossa convivência.

O ex-presidente foi elevado à condição de mito, acima de erros, provas e da própria lei. Quem o criticava era rotulado como inimigo da pátria, da família e de Deus. A fé, que deveria unir na solidariedade, virou ferramenta de obediência política. As instituições que garantem nossa liberdade — o Judiciário, a Justiça Eleitoral, a imprensa — passaram a ser atacadas sistematicamente, como se servissem apenas a um suposto “comunismo invisível”.

Essa visão nasceu da frustração de milhões que viram a promessa de um país melhor se esfarelar em corrupção, desigualdade e estagnação. Foi alimentada nas redes sociais, onde a mentira corre mais rápido que a verdade e cada um se fecha em sua própria câmara de eco. Encontrou solo fértil também na nostalgia autoritária, na ideia equivocada de que a ordem só vem pela força e que a democracia é “bagunça”.

O ponto mais baixo veio em 8 de janeiro de 2023. Quando milhares invadiram e saquearam os Três Poderes, não estavam apenas destruindo prédios — estavam tentando destruir a própria ideia de que o povo é soberano nas urnas. Acreditavam defender o Brasil, mas na verdade lutavam contra a Constituição, contra a vontade da maioria e contra o futuro do país.

O risco não passou. O fanatismo continua a dividir famílias, a desacreditar a ciência e a tratar a política como guerra, onde o adversário é sempre um inimigo. Mas não podemos confundir conservadorismo com extremismo. Defender família, propriedade e ordem é legítimo e faz parte da história brasileira. O que não é legítimo é transformar esses valores em pretexto para atacar a liberdade de pensamento e a democracia. A democracia precisa de pluralidade, não de unanimidade forçada.

Combater o fanatismo não significa calar ninguém. Significa defender o direito de discordar, de debater e de aceitar que ninguém detém a verdade absoluta. Significa investir em educação para que ninguém seja vítima fácil de mentiras e manipulações. Significa exigir instituições justas e transparentes, para que a população não se sinta órfã das regras.

O Brasil não pertence a um líder, a um grupo ou a uma visão única. Pertence a todos nós. E a democracia não é um presente — é uma conquista que precisa ser defendida todos os dias, contra qualquer tentativa de transformar a política em culto e a razão em obediência cega. Defender a democracia é defender o Brasil. E essa é uma tarefa de todos nós.

¨      PML avalia que ‘Trump quer trazer a barbárie’ e diz que Lula direciona o Brasil a ‘outro patamar histórico’

O jornalista Paulo Moreira Leite fez um alerta nesta semana, em entrevista à TV 247, ao afirmar que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pretende “trazer a barbárie de volta” ao Brasil, com uma agenda entreguista e submissa aos interesses estrangeiros. Em alusão à família Bolsonaro, o comentarista afirmou que existe “uma grande conspiração para restaurar o fascismo no Brasil”, mas disse que o governo Lula direciona o país sul-americano a “outro patamar histórico” na política global, prezando pelo multilateralismo, direitos, democracia e soberania.

Em participação no programa Brasil Agora, o colunista denunciou “um esforço coordenado entre o imperialismo” dos EUA e a “elite reacionária brasileira para sufocar, destruir e regredir esse movimento de emancipação nacional que ocorreu no Brasil sob a liderança do presidente Lula”. “Um País soberano. O Brasil é uma ex-colônia que procura firmar os seus direitos”, pontuou.

“Querem punir aqueles que querem se rebelar contra o velho senhor. Querem um velho senhor caquético que não tem alternativas para oferecer”, continuou. “É uma situação absolutamente crucial”, acrescentou PML, ao criticar os EUA e as articulações da família Bolsonaro junto ao governo Trump, com o objetivo de impor sanções ao Brasil por causa da condenação de Jair Bolsonaro (PL) no inquérito da trama golpista.

Como parte de suas retaliações, os EUA aplicaram dois tarifaços ao Brasil (um de 25% e outro de 12,5%). A vigência das medidas começou neste mês de julho. A gestão trumpista também classificou o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A decisão sobre o PCC e o CV entrou em vigor no dia 5 de junho.

Com a guerra comercial e a classificação das facções brasileiras, os EUA tentam incentivar sanções contra o Brasil no cenário global. Em reação, o Palácio do Planalto usará a Lei da Reciprocidade, sancionada em 11 de abril de 2025.

<><> Liderança de Lula, extrema direita e golpismo

Durante sua análise na TV 247, o colunista fez sua avaliação sobre a atual política externa brasileira. “O governo Lula está liderando um processo que leva o país para um outro patamar histórico, de país mais igualitário e capaz de ter um desempenho diplomático superior”.

“Somos dos poucos países onde as pesquisas indicam que o nosso candidato está na frente para vencer o fascismo”, observou, acrescentando que “a extrema direita está absolutamente inconformada, conspirando noite e dia para tentar impedir” a possível vitória do presidente Lula.

Em sua avaliação, o jornalista disse que a eleição presidencial marcada para 4 de outubro representa uma “encruzilhada”. “A grande questão é saber se vamos manter um regime democrático ou, se a partir de atalhos, a nossa democracia será destruída”.

<><> Capacidade de mobilização

Na entrevista ao 247, o comentarista defendeu a capacidade de mobilização popular do campo progressista. “Uma eleição presidencial dá espaço para que se discuta essa resistência. (O Brasil) tem todas as condições sim de derrotar o fascismo e de inaugurar uma fase que certamente irá envolver e mobilizar os povos vizinhos”, seguiu PML.

“É um momento de alto risco para o nosso futuro e no qual nós podemos assim sair vitoriosos, desde que estejamos organizados e unidos em cima dos valores que constituem a sociedade brasileira, que marcam a nossa Constituição, que estão na nossa história. Somos um país onde as forças progressistas servem de inspiração a várias partes do mundo”.

<><> Bolsonarismo e trumpismo: afinidade golpista

O trumpismo e o bolsonarismo têm afinidades em favor de golpes de Estado. O senador Flávio Bolsonaro concedeu declarações golpistas na última terça-feira (21), em Brasília (DF), onde afirmou que as urnas eletrônicas brasileiras têm a mesma origem das urnas da empresa Smartmatic. 

Segundo o parlamentar, um documento da CIA mostrou que a Smartmatic participou de um esquema de fraude do governo da Venezuela nas eleições de 2012. A sigla CIA significa Central Intelligence Agency (Agência Central de Inteligência).

“Muitas dessas máquinas utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa. Há denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela”, afirmou Flávio Bolsonaro.

Em 2025, o STF condenou 29 pessoas pela participação na trama golpista, um plano que, segundo investigadores, começou a ser elaborado antes de terminar o governo de Jair Bolsonaro. Em 8 de Janeiro de 2023, bolsonaristas invadiram a Praça dos Três Poderes, em Brasília (DF). O Supremo emitiu mais de 1,4 mil condenações na investigação sobre os atos golpistas. 

Em novembro de 2022, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) multou o PL, partido da extrema direita, em R$ 22,9 milhões após a legenda questionar a confiança das urnas eletrônicas.  

Nos EUA, trumpistas também fizeram atos pró-golpe. Em janeiro de 2021, quando Trump perdeu a eleição, vários apoiadores invadiram o Legislativo e acusaram o sistema eleitoral de ser fraudulento.

Ataques ao Poder Judiciário de um determinado país formam uma tática defendidas por nomes como o estrategista estadunidense Steve Bannon para fazer partidos de direita chegarem ao poder nos EUA e em outros países.

 

Fonte: Brasil 247

 

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