sábado, 25 de julho de 2026

Avibras renasce com Lula e recoloca a soberania brasileira no centro do debate nacional

Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva percorria as instalações da empresa ao lado do vice-presidente, Geraldo Alckmin, trabalhadores observavam a cena com uma mistura de alívio e expectativa. Para eles, a visita simbolizava a sobrevivência de milhares de empregos. Para engenheiros e militares, representava algo ainda maior: a preservação de uma capacidade tecnológica construída ao longo de mais de seis décadas e considerada estratégica para a defesa do país.

Poucos metros adiante, o capitão de fragata da Marinha, hoje na reserva, Robinson Farinazzo, observava dezenas de jornalistas ocupando os corredores da fábrica.

Sorriu e resumiu o momento em uma frase.

“Toda a imprensa brasileira está aqui. O Brasil está redescobrindo o Brasil.”

Mais tarde, olhando para os enormes galpões que voltavam à atividade, completou:

“A maior fábrica de mísseis e foguetes do hemisfério sul do planeta está de volta.”

As duas declarações sintetizam o significado político, econômico e estratégico da reabertura da Avibras.

A empresa nunca foi apenas mais uma fabricante de equipamentos militares.

Desde sua fundação, em 1961, tornou-se um dos maiores símbolos da engenharia nacional aplicada à defesa, responsável pelo desenvolvimento do sistema Astros, exportado para diversos países, pelo míssil de cruzeiro MTC-300 e por tecnologias que colocaram o Brasil entre o seleto grupo de nações capazes de desenvolver sistemas complexos de foguetes e mísseis.

Agora, inicia uma nova etapa.

Além de retomar seus programas tradicionais, a Avibras prepara sua entrada em um dos segmentos mais importantes da indústria militar contemporânea: os sistemas aéreos não tripulados. A empresa pretende atuar no desenvolvimento e na fabricação de drones destinados a missões de reconhecimento, vigilância, inteligência, aquisição de alvos, ataque e munições vagantes (loitering munitions), tecnologias que vêm alterando profundamente o conceito moderno de guerra.

A recuperação da Avibras não começou na visita presidencial.

Ela foi construída muito antes, longe das câmeras.

Durante os anos de crise financeira da empresa, Robinson Farinazzo passou a procurar integrantes do governo Lula para defender a necessidade de preservar a companhia.

Sua argumentação não se limitava aos empregos.

Insistia que a Avibras era uma empresa estratégica para a soberania nacional e que sua eventual desestruturação significaria perder uma capacidade tecnológica cuja reconstrução exigiria décadas e investimentos bilionários.

Ao mesmo tempo, outro movimento ganhava força.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, liderado por Weller Gonçalves, concentrou esforços para impedir que milhares de trabalhadores altamente especializados fossem definitivamente afastados da indústria.

O objetivo inicial era simples: preservar empregos.

Mas, à medida que a crise avançava, a mobilização ganhou outra dimensão.

A luta dos trabalhadores transformou-se também na defesa da indústria nacional de alta tecnologia.

O paralelo histórico com a trajetória política do próprio presidente Lula torna-se inevitável.

No final da década de 1970, Lula liderava greves cujo objetivo imediato era recuperar as perdas inflacionárias dos metalúrgicos do ABC.

Entretanto, aquelas mobilizações extrapolaram as reivindicações salariais e contribuíram para o fortalecimento da oposição ao regime militar, para a redemocratização e para o surgimento de instituições que marcariam a política brasileira nas décadas seguintes, entre elas o Partido dos Trabalhadores, a Central Única dos Trabalhadores e, posteriormente, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

Em contextos históricos completamente distintos, a mobilização em torno da Avibras também ultrapassou a defesa do emprego para tornar-se um debate sobre política industrial, tecnologia e soberania.

A reabertura da Avibras acontece num momento em que o mundo redescobre o valor estratégico de sua indústria de defesa.

As guerras da Ucrânia e do Oriente Médio demonstraram que os conflitos modernos já não dependem apenas de aviões de combate, tanques ou grandes sistemas de artilharia.

Os drones transformaram-se em protagonistas.

A utilização maciça dessas aeronaves pelo Irã e por outros atores dos conflitos recentes evidenciou uma mudança profunda na estratégia militar contemporânea. Equipamentos relativamente baratos passaram a destruir blindados, localizar alvos em tempo real, saturar sistemas de defesa antiaérea e atingir infraestruturas críticas com elevada precisão.

O resultado foi uma verdadeira revolução doutrinária.

Hoje, praticamente todas as grandes potências ampliam investimentos em veículos não tripulados, inteligência artificial, munições vagantes e integração entre drones, foguetes e mísseis.

Ao decidir ingressar nesse segmento, a Avibras acompanha a direção seguida pelas principais empresas de defesa do mundo.

Durante a visita à empresa, Lula anunciou que o governo ampliará as encomendas destinadas à Avibras.

Alckmin afirmou que a companhia reúne condições de reabrir sua unidade de Lorena e expandir sua produção.

Mais do que um gesto de apoio a uma empresa em recuperação, a decisão sinaliza uma mudança de percepção sobre o papel da Base Industrial de Defesa.

Durante a campanha presidencial, Lula afirmou que, pela primeira vez, um plano específico para a defesa nacional faria parte de seu programa de governo.

A presença do presidente na Avibras representa um dos primeiros símbolos concretos dessa diretriz.

Num cenário internacional marcado pela competição tecnológica entre grandes potências, preservar empresas capazes de desenvolver sistemas estratégicos deixou de ser apenas uma política industrial.

Passou a ser uma política de Estado.

Quando uma fábrica como a Avibras fecha, o país não perde apenas empregos.

Perde engenheiros, conhecimento acumulado, capacidade científica e autonomia tecnológica.

Quando ela reabre, recupera muito mais do que uma linha de produção.

Recupera parte de sua capacidade de decidir, com independência, os rumos de sua própria defesa.

Talvez por isso a frase dita por Robinson Farinazzo tenha encontrado eco entre trabalhadores, militares, engenheiros e autoridades presentes na cerimônia.

Ao afirmar que “o Brasil está redescobrindo o Brasil”, ele parecia resumir um sentimento compartilhado por todos os que testemunharam aquele reencontro entre o país e uma de suas mais importantes indústrias estratégicas.

•        Lula defende mais investimentos em Defesa e alerta: ‘tem loucos pelo mundo querendo guerra’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (24) que o Brasil precisa ampliar os investimentos na Defesa nacional e fortalecer as Forças Armadas diante do atual cenário internacional. Segundo o chefe do Executivo, o país deve estar preparado para enfrentar eventuais ameaças, sobretudo por possuir riquezas estratégicas, extensas fronteiras e recursos naturais considerados essenciais.

Ao defender uma política permanente de fortalecimento da capacidade de defesa do país, Lula afirmou que o Brasil convive com um ambiente internacional marcado por instabilidade e conflitos.

“A gente tem fronteira com todos os países da América do Sul, menos com o Chile e com o Equador. A gente tem a África na nossa frente e a gente tem os loucos pelo mundo querendo fazer guerra. E a gente não pode se esquecer que, embora a gente só gosta de paz, a gente seja de paz, a gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil, invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu Uruguai, ao mesmo tempo invadiu Argentina. E aquela guerra, que parecia que era nada, durou cinco anos”, disse Lula durante visita à Avibras Aeroco, em Jacareí (SP), fabricante brasileira de sistemas de defesa e tecnologia aeroespacial.

Segundo o presidente, o Brasil é um país pacífico, mas isso não elimina a necessidade de manter capacidade de defesa diante de possíveis crises internacionais.

<><> Defesa ligada à soberania nacional

Durante o discurso, Lula relacionou a necessidade de investimentos militares à proteção das riquezas brasileiras. O presidente citou as terras raras, os minerais críticos, a Amazônia, as reservas de água doce e a dimensão territorial do país como ativos estratégicos que exigem proteção.

Ele afirmou que parte da sociedade questiona os gastos com as Forças Armadas, mas defendeu que a estrutura militar funciona como uma garantia para momentos de crise. “A gente conversa com algumas pessoas, (que dizem) ‘vai ter que gastar dinheiro com Forças Armadas, para que? Não precisamos disso’. Eu sempre falo o seguinte: as Forças Armadas é que nem Deus, você pode não acreditar, mas quando você tiver a primeira dor de barriga, você vai ‘ai meu Deus’”, ressaltou.

Lula também argumentou que, em situações de conflito, o fator financeiro deixa de ser o principal obstáculo para um país. “Quando tem uma confusão, ninguém fica perguntando se tem dinheiro ou não tem dinheiro, ou você arruma ou você está ferrado”, afirmou

Nos últimos meses, o presidente tem reiterado a necessidade de o Brasil ampliar sua capacidade de defesa, discurso que ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.

<><> Visita à Avibras

A agenda presidencial ocorreu na Avibras Aeroco, empresa brasileira responsável pelo desenvolvimento de sistemas de defesa, incluindo mísseis, foguetes, veículos espaciais e outras tecnologias utilizadas pelas Forças Armadas brasileiras e também exportadas para outros países.

A visita acontece poucos meses após a retomada das atividades da companhia, que permaneceu paralisada por mais de três anos. Desde 2022, os trabalhadores estavam em greve após passarem 36 meses sem receber salários. Em maio, um acordo permitiu o pagamento das dívidas trabalhistas, estimadas em aproximadamente R$ 230 milhões, possibilitando o retorno das operações.

<><> Lula critica demora para resolver situação da empresa

Ao comentar o processo de recuperação da Avibras, Lula demonstrou irritação com o tempo necessário para que fosse construída uma solução para a empresa. “Como é que se demora tanto pra resolver um problema que as Forças Armadas queriam, que o presidente queria, que o ministro da Defesa queria, que o vice-presidente queria, que o BNDES queria, que o ministério queria e não acontecia? Muitas vezes eu fiquei muito puto da vida. Tem sempre uma coisinha pra atrapalhar”, afirmou.

Segundo o presidente, a recuperação da Avibras representa um passo importante para preservar uma empresa estratégica da indústria brasileira de defesa e manter a capacidade nacional de desenvolvimento de tecnologias militares.

<><> Lula cobra investimentos no setor de Defesa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender, nesta sexta-feira (24), o fortalecimento dos investimentos na área de Defesa e afirmou que o Brasil deve manter as Forças Armadas preparadas para proteger o território nacional e impedir interferências externas. Segundo o presidente, o país tem compromisso permanente com a paz, mas precisa dispor de capacidade militar compatível com sua dimensão territorial e seus interesses estratégicos.

As declarações foram feitas durante visita às instalações da Avibras Aeroco, em Jacareí. Ao lado do ministro da Defesa, José Múcio, Lula destacou que o fortalecimento do setor passa pelo investimento em armamentos, tecnologia, ciência e treinamento militar.

<><> Lula defende Forças Armadas modernas

Durante o discurso, o presidente afirmou que deseja ver as Forças Armadas equipadas e preparadas para garantir a soberania brasileira. “Também quero [as Forças Armadas] bem preparadas do ponto de vista do poderio, de armamento, de conhecimento científico e tecnológico, para que a gente possa andar de cabeça erguida. Sem nenhuma arrogância, falando em paz, mas preparado para não deixar ninguém meter o nariz nesse país”, afirmou.

Segundo Lula, investir na Defesa não representa abandonar a tradição diplomática brasileira de buscar soluções pacíficas para conflitos, mas assegurar que o país esteja preparado para enfrentar eventuais ameaças.

<><> Presidente cita riquezas estratégicas do Brasil

Ao justificar a necessidade de ampliar os investimentos, Lula afirmou que o Brasil reúne ativos estratégicos cuja proteção exige uma estrutura de Defesa robusta. Entre eles, citou as reservas de minerais críticos, terras raras e a Amazônia. “Temos que cuidar da Defesa, esse país é muito poderoso. A gente ainda não sabe a riqueza de minerais críticos e terras raras desse país.”

Na sequência, o presidente destacou a dimensão territorial brasileira e a responsabilidade de preservar seus recursos naturais. “A gente tem a maior floresta do mundo como reserva, 214 milhões de pessoas pra tomar conta, precisamos levar em conta que a Defesa é séria.”

<><> Lula rebate críticas aos gastos militares

O presidente também respondeu às críticas de quem considera desnecessários os investimentos nas Forças Armadas. Para ilustrar seu argumento, utilizou uma comparação durante o discurso.

“Se vai conversar com algumas pessoas, acham que não precisa gastar dinheiro com Forças Armadas, não precisamos disso. Sempre digo que Forças Armadas é que nem Deus. Pode não acreditar, mas quando tiver a primeira dor de barriga vai dizer ‘Ai meu Deus’”, destacou Lula.

<><> Referência histórica

Lula afirmou ainda que o Brasil não pode esperar o surgimento de um conflito para estruturar sua capacidade de defesa. Ao lembrar que o país já foi invadido pelo Paraguai, disse que nenhuma guerra oferece tempo para que uma nação se prepare depois do início das hostilidades.

Segundo o presidente, por essa razão o investimento permanente em Defesa deve ser tratado como uma política estratégica de Estado, voltada à proteção da soberania nacional, das riquezas naturais e da população brasileira.

 

Fonte: Por Joaquim de Carvalho, em Brasil 247

 

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