Altamente
rejeitado na Argentina, Milei foi principal atração na convenção do PL em apoio
a Flávio Bolsonaro
Em uma
clara e ostensiva tentativa de ingerência na política interna do Brasil, o
presidente da Argentina, Javier Milei, participou neste sábado (25) da
convenção nacional do PL, realizada para oficializar a pré-candidatura do
senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Durante seu pronunciamento
no evento partidário, o mandatário argentino desferiu severos ataques ao que
denominou de “socialismo”, reclamou publicamente do impedimento imposto pelas
autoridades judiciais brasileiras para visitar Jair Bolsonaro (PL) – condenado
e preso por tentativa de golpe de Estado – e chancelou o apoio da
extrema-direita internacional à chapa encabeçada pela família Bolsonaro.
A
presença do governante argentino em um ato de pré-campanha eleitoral no Brasil
faz parte de uma engrenagem de articulação transnacional do extremismo de
direita na América Latina. Contudo, a tentativa de Milei de projetar influência
e atuar como padrinho político no cenário eleitoral brasileiro ocorre
justamente no momento em que seu próprio governo enfrenta uma grave
deterioração política. O líder ultraliberal amarga altos índices de
desaprovação popular na Argentina – que superam 60% – diante da crise econômica
e do avanço do empobrecimento de seu povo, além de ser alvo de incômodas
suspeitas e acusações de corrupção que rondam o núcleo central de sua gestão.
<><>
Retórica antissocialista e ofensiva ideológica
No
palco da convenção do PL, Javier Milei valeu-se do microfone para inflamar a
militância conservadora com um discurso marcadamente ideológico. O presidente
argentino classificou as políticas sociais e a atuação de governos
progressistas no continente como os principais obstáculos ao crescimento
econômico da região, defendendo a adoção radical do livre mercado e a
liquidação das estruturas públicas de proteção social. “Esse é o método que tem
operado em toda a região: causar um desequilíbrio econômico com o objetivo de
‘comprar’ votos para não perder o poder nas eleições seguintes”.
Mesmo
diante do quadro de precarização social que atinge a Argentina sob suas
diretrizes econômicas, Milei insistiu na narrativa de confronto com o campo
progressista latino-americano para defender a aliança entre as correntes de
extrema-direita. “Hoje, o Brasil pode se somar à transformação regional que,
nos últimos anos, levou a América Latina a deixar de ser uma região associada à
miséria romantizada, retratada por certas obras de realismo mágico, para se
tornar um sinônimo de progresso. Creio firmemente que não há outro caminho
capaz de afastar o risco que paira sobre o Brasil como uma espada de Dâmocles”.
<><>
Queixa contra o Judiciário brasileiro e aliança com Flávio Bolsonaro
Além
das investidas ideológicas, o presidente argentino usou o palanque no Brasil
para manifestar insatisfação direta contra as decisões do Poder Judiciário
brasileiro. Milei criticou o fato de ter sido impedido de realizar uma visita
presencial a Jair Bolsonaro durante sua agenda no país, demonstrando
desconforto com as restrições legais aplicadas ao líder da extrema-direita
brasileira.
Aproveitando
o momento, Milei dirigiu-se ao senador Flávio Bolsonaro para formalizar a
chancela internacional à sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto: “confio
plenamente em meu amigo Flávio”. A cúpula do PL enxerga na figura do argentino
um trunfo para mobilizar a base radical de eleitores, ainda que a imagem do
aliado internacional esteja profundamente desgastada em seu país de origem por
escândalos éticos e pelo fracasso social de sua política econômica.
• Mesmo envolvido em escândalos, Milei
chama Lula de “ladrão” e Moraes de “lixo” na convenção de Flávio Bolsonaro
presidente
da Argentina, Javier Milei, participou da convenção nacional do PL, realizada
neste sábado (25), que oficializou o nome de Flávio Bolsonaro na disputa pela
Presidência da República.
Durante
seu discurso, Milei disparou ataques contra o ministro Alexandre de Moraes, do
Supremo Tribunal Federal (STF), a quem classificou como “lixo careca”. O
presidente argentino também atacou o presidente Lula.
“O lixo
careca [Alexandre de Moraes] não me permitiu visitar o meu amigo [Jair
Bolsonaro], injustamente preso. Quando eu sei que Lula não se cansou de receber
líderes do exterior quando estava preso. Entre eles, o nefasto ex-presidente
argentino Alberto Fernández. Isso nada mais é do que uma clara evidência da
injustiça de sua detenção e de seu claro caráter vingativo.”
Em
outro momento, Javier Milei declarou que o presidente Lula “dissemina o
comunismo”:
“O
socialismo do século XXI criou raízes fortes neste país, sendo o infame Fórum
de São Paulo, fundado por Lula da Silva e Fidel Castro, uma rede
transnacional-chave para a disseminação do comunismo no continente.”
Milei
também chamou o presidente Lula de “presidiário” e “ladrão” em outro momento de
seu discurso.
<><>
Em encontro para reforçar aliança extremista, Tarcísio entrega mais alta
honraria de São Paulo a Milei
Neste
sábado (25), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos),
recebeu o presidente da Argentina, Javier Milei, no Palácio dos Bandeirantes,
para entregar ao líder argentino a Ordem do Ipiranga, a maior honraria do
estado de São Paulo.
O
encontro de Tarcísio e Milei aconteceu antes do presidente argentino participar
da convenção do Partido Liberal (PL) que confirmou a candidatura de Flávio
Bolsonaro para a presidência. A vinda de Milei ao Brasil marca o reforço da
aliança de extrema direita entre o presidente argentino, Flávio Bolsonaro e
aliados para a ofensiva nas eleições de outubro.
No
Palácio, Milei foi recebido com um tapete azul, em referência à chamada “onda
azul” que tem elegido políticos de extrema direita na América Latina. Antes da
entrega da medalha, o presidente argentino foi conduzido por Tarcísio para
apresentação de um projeto de construção de um centro administrativo pelo
governador.
Em
seguida, Tarcísio entregou a maior honraria de São Paulo, a Ordem do Ipiranga,
a Milei. A medalha é entregue a personalidades brasileiras e estrangeiros que
se destacaram por serviços prestados ao Estado de São Paulo e sua população.
Após a
cerimônia, Tarcísio e Milei deixaram o Palácio em direção à convenção do PL,
onde o presidente argentino discursou ao lado de Flávio Bolsonaro.
• Ricardo Alfonsín condena ataques de
Milei a Lula: ‘nos envergonha’
O
ex-embaixador e político argentino Ricardo Luis Alfonsín condenou os ataques do
presidente Javier Milei a Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que o mandatário
“nos envergonha” e não representa o pensamento da maioria dos argentinos.
Em
declaração dirigida aos brasileiros neste sábado (25), Alfonsín, filho do
ex-presidente Raúl Alfonsín, repudiou os insultos proferidos por Milei durante
a convenção nacional do PL, realizada em São Paulo. O político também afirmou
que a rejeição ao atual governo ficará demonstrada nas eleições argentinas de
2027.
“Queridos
irmãos brasileiros: não posso deixar de expressar meu repúdio aos insultos e
agravos proferidos pelo nosso presidente. Efetivamente, ele não está à altura
do seu cargo. Nos envergonha. Podem ter a certeza de que a imensa maioria dos
argentinos não somos nem pensamos como Milei. Em 2027 ficará demonstrado”,
declarou Alfonsín.
A
manifestação ocorreu após Milei participar do evento que oficializou a
candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
Durante o discurso, o argentino insultou Lula, chamou o presidente brasileiro
de “lixo socialista” e empregou expressões ofensivas contra setores da
esquerda. Ele também atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal
Federal (STF).
Ao se
dirigir diretamente aos brasileiros, Alfonsín procurou separar a sociedade
argentina da postura adotada pelo chefe do Executivo do país. A referência a
2027 diz respeito ao ano da próxima eleição presidencial da Argentina.
A
presença de Milei na convenção reforçou o alinhamento de seu governo com a
candidatura de Flávio Bolsonaro e com movimentos da direita radical na América
Latina. O senador foi confirmado pelo PL como candidato ao Palácio do Planalto
nas eleições de outubro de 2026.
Flávio
também recebeu o apoio do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, por
meio de um vídeo exibido durante o encontro. “Flávio, meu amigo, quero te
parabenizar pelo lançamento oficial da sua campanha. Você é um grande campeão
do Brasil. Você é um grande campeão da amizade entre nossos povos. E eu sei que
você vai levar o Brasil a voos cada vez mais altos. Parabéns”, declarou
Netanyahu.
Em seu
primeiro discurso após a oficialização da candidatura, Flávio atacou Lula e o
STF. O senador afirmou que o Brasil teria sido “sequestrado” e prometeu aos
apoiadores “libertar o país desse cativeiro”, adotando uma retórica de
confronto como eixo inicial da campanha.
• “Lamentamos pela Argentina”, diz Edinho
Silva, após agressões a Lula
O presidente do PT, Edinho Silva, reagiu às
agressões de Javier Milei, o repulsivo e impopular ocupante da Casa Rosada, ao
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a convenção do PL. Em nota, o
dirigente petista acusou o argentino de desrespeitar Lula e as instituições
brasileiras e classificou sua conduta como incompatível com o cargo que exerce.
Edinho
começou a manifestação destacando que o Brasil é uma nação soberana, na qual o
confronto de posições políticas faz parte do processo democrático.
“O
Brasil é um país democrático e soberano. Nossa democracia admite o debate de
ideias em que posições contraditórias podem e devem alimentar discussões sobre
o futuro do país, sobretudo em contexto de disputa eleitoral como a que
vivemos”, afirmou.
O
presidente do PT ponderou que autoridades brasileiras estão sujeitas a
críticas, mas ressaltou que essa liberdade não autoriza um chefe de Estado
estrangeiro a atacar as instituições do país.
“Nenhuma
autoridade pública no Brasil está acima de críticas, sempre e quando feitas de
forma e no momento adequados. É inadmissível, contudo, que um chefe de Estado
estrangeiro venha ao nosso país e se dirija em termos desrespeitosos aos seus
poderes constituídos”, declarou.
Edinho
também questionou a postura institucional de Milei e afirmou que episódios
recentes demonstram o despreparo do presidente argentino para a função.
“Não
surpreende que o atual presidente da Argentina se comporte desta maneira.
Afinal não são poucas as situações recentes em que ele demonstrou não estar à
altura do cargo que ocupa”, disse.
Em
seguida, o dirigente petista afirmou que Milei deveria concentrar seus esforços
na busca de soluções para os problemas da Argentina, em vez de empregar tempo e
recursos públicos em ataques políticos no Brasil.
“O
atual ocupante da Casa Rosada teria usado melhor o seu tempo e os recursos dos
contribuintes argentinos se tivesse aproveitado o dia de hoje para trabalhar e
resolver os problemas do seu país”, acrescentou.
Ao
concluir a manifestação, Edinho separou as críticas ao governo de Milei da
histórica relação entre brasileiros e argentinos: “Lamentamos pela Argentina,
país amigo do Brasil e que tem um povo excepcional”.
• Fachin deplora as baixarias de Milei na
convenção de Flávio Bolsonaro
O
presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, repudiou neste
sábado (25) o ataque de Javier Milei ao ministro Alexandre de Moraes durante a
Convenção Nacional do PL, em São Paulo. Em nota, Fachin defendeu a autonomia do
Judiciário e classificou a manifestação do chefe de Estado argentino como
incompatível com a civilidade exigida nas relações internacionais.
Milei
chamou Moraes de “lixo careca” ao comentar a decisão que o impediu de visitar
Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. O argentino afirmou que pretendia
encontrar o ex-presidente durante sua passagem pelo Brasil, mas não recebeu
autorização judicial.
Na
resposta, Fachin ressaltou que a ofensa foi proferida em território brasileiro
contra um integrante da mais alta Corte do país. Também destacou que a decisão
criticada por Milei foi tomada com base no ordenamento jurídico nacional.
“Tomei
conhecimento da declaração do Presidente da Argentina sobre Ministro do Supremo
Tribunal Federal. Trata-se de referência desrespeitosa a magistrado da mais
alta Corte do País, feita em solo brasileiro, por ato jurisdicional praticado
conforme a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil”, declarou
Fachin.
O
presidente do STF acrescentou que a independência do Poder Judiciário não está
sujeita a pressões de autoridades estrangeiras e condenou o teor da declaração.
“Ao
reafirmar a plena autonomia do Judiciário brasileiro, a Presidência do STF
deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as
relações entre os Estados”, afirmou.
<><>
Apoio a Flávio Bolsonaro
O
ataque ocorreu durante um discurso de aproximadamente 30 minutos na convenção
que oficializou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato do partido à
Presidência da República.
Milei
manifestou apoio à candidatura do senador, atacou o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva e disse confiar em uma vitória do representante do PL nas eleições de
outubro. O argentino ainda relacionou a disputa brasileira ao avanço de forças
de direita em outros países latino-americanos.
“Hoje o
Brasil pode se somar à transformação regional da qual temos sido testemunhas
nestes últimos anos”, disse Milei.
Ao
falar sobre Jair Bolsonaro, tratado por ele como “grande amigo”, o presidente
argentino declarou esperar voltar ao Brasil para “dar um abraço em Jair
Bolsonaro”. Fachin, em sua manifestação, limitou-se a responder ao ataque
contra Moraes e a reafirmar a soberania institucional do Judiciário brasileiro.
<><>
Íntegra da nota
Tomei
conhecimento da declaração do Presidente da Argentina sobre Ministro do Supremo
Tribunal Federal. Trata-se de referência desrespeitosa a magistrado da mais
alta Corte do País, feita em solo brasileiro, por ato jurisdicional praticado
conforme a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil. Ao
reafirmar a plena autonomia do Judiciário brasileiro, a Presidência do STF
deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as
relações entre os Estados.
Luiz
Edson Fachin - Presidente do Supremo Tribunal Federal
• O recado de Lula a Trump e Milei na
convenção que lançou Haddad ao governo de SP
Em
convenção realizada em Campinas (SP), o Partido dos Trabalhadores (PT)
oficializou, neste sábado (25), a candidatura de Fernando Haddad ao governo de
São Paulo, que terá como vice Márcio França (PSB).
A
convenção do PT-SP contou com a participação do presidente Lula, que, durante
sua fala, fez um duro discurso contra o presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump, e mandou um recado para a Casa Branca, que já manifestou que vai
monitorar a eleição brasileira de 2026 para garantir “a liberdade de
expressão”, numa clara intervenção no processo eleitoral do Brasil.
O
discurso de Lula também pode ser estendido ao presidente da Argentina, Javier
Milei, que veio ao Brasil para participar da convenção nacional do PL, que
lançou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República:
“Que
não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições. Eu não sou
de fazer bravata. Eu não gosto de dizer o que eu não posso fazer, mas eu quero
dizer para vocês uma coisa que eu trago do berço: andar de cabeça erguida, ter
vergonha e caráter é coisa que a gente não encontra no shopping […] Portanto,
quem quiser vir de fora se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando
logo: vão apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino deste
país são 157 milhões de eleitores. O aviso está dado. O Brasil é soberano. O
Brasil quer manter relações com todos os países. O Brasil não quer guerra […]
Podem ter certeza: este jovem de 80 anos que está falando com vocês vai ganhar
as eleições outra vez em 2026.”
Fonte:
Brasil 247/Fórum

Nenhum comentário:
Postar um comentário