segunda-feira, 27 de julho de 2026

Altamente rejeitado na Argentina, Milei foi principal atração na convenção do PL em apoio a Flávio Bolsonaro

Em uma clara e ostensiva tentativa de ingerência na política interna do Brasil, o presidente da Argentina, Javier Milei, participou neste sábado (25) da convenção nacional do PL, realizada para oficializar a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Durante seu pronunciamento no evento partidário, o mandatário argentino desferiu severos ataques ao que denominou de “socialismo”, reclamou publicamente do impedimento imposto pelas autoridades judiciais brasileiras para visitar Jair Bolsonaro (PL) – condenado e preso por tentativa de golpe de Estado – e chancelou o apoio da extrema-direita internacional à chapa encabeçada pela família Bolsonaro.

A presença do governante argentino em um ato de pré-campanha eleitoral no Brasil faz parte de uma engrenagem de articulação transnacional do extremismo de direita na América Latina. Contudo, a tentativa de Milei de projetar influência e atuar como padrinho político no cenário eleitoral brasileiro ocorre justamente no momento em que seu próprio governo enfrenta uma grave deterioração política. O líder ultraliberal amarga altos índices de desaprovação popular na Argentina – que superam 60% – diante da crise econômica e do avanço do empobrecimento de seu povo, além de ser alvo de incômodas suspeitas e acusações de corrupção que rondam o núcleo central de sua gestão.

<><> Retórica antissocialista e ofensiva ideológica

No palco da convenção do PL, Javier Milei valeu-se do microfone para inflamar a militância conservadora com um discurso marcadamente ideológico. O presidente argentino classificou as políticas sociais e a atuação de governos progressistas no continente como os principais obstáculos ao crescimento econômico da região, defendendo a adoção radical do livre mercado e a liquidação das estruturas públicas de proteção social. “Esse é o método que tem operado em toda a região: causar um desequilíbrio econômico com o objetivo de ‘comprar’ votos para não perder o poder nas eleições seguintes”.

Mesmo diante do quadro de precarização social que atinge a Argentina sob suas diretrizes econômicas, Milei insistiu na narrativa de confronto com o campo progressista latino-americano para defender a aliança entre as correntes de extrema-direita. “Hoje, o Brasil pode se somar à transformação regional que, nos últimos anos, levou a América Latina a deixar de ser uma região associada à miséria romantizada, retratada por certas obras de realismo mágico, para se tornar um sinônimo de progresso. Creio firmemente que não há outro caminho capaz de afastar o risco que paira sobre o Brasil como uma espada de Dâmocles”.

<><> Queixa contra o Judiciário brasileiro e aliança com Flávio Bolsonaro

Além das investidas ideológicas, o presidente argentino usou o palanque no Brasil para manifestar insatisfação direta contra as decisões do Poder Judiciário brasileiro. Milei criticou o fato de ter sido impedido de realizar uma visita presencial a Jair Bolsonaro durante sua agenda no país, demonstrando desconforto com as restrições legais aplicadas ao líder da extrema-direita brasileira.

Aproveitando o momento, Milei dirigiu-se ao senador Flávio Bolsonaro para formalizar a chancela internacional à sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto: “confio plenamente em meu amigo Flávio”. A cúpula do PL enxerga na figura do argentino um trunfo para mobilizar a base radical de eleitores, ainda que a imagem do aliado internacional esteja profundamente desgastada em seu país de origem por escândalos éticos e pelo fracasso social de sua política econômica.

•        Mesmo envolvido em escândalos, Milei chama Lula de “ladrão” e Moraes de “lixo” na convenção de Flávio Bolsonaro

presidente da Argentina, Javier Milei, participou da convenção nacional do PL, realizada neste sábado (25), que oficializou o nome de Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência da República.

Durante seu discurso, Milei disparou ataques contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem classificou como “lixo careca”. O presidente argentino também atacou o presidente Lula.

“O lixo careca [Alexandre de Moraes] não me permitiu visitar o meu amigo [Jair Bolsonaro], injustamente preso. Quando eu sei que Lula não se cansou de receber líderes do exterior quando estava preso. Entre eles, o nefasto ex-presidente argentino Alberto Fernández. Isso nada mais é do que uma clara evidência da injustiça de sua detenção e de seu claro caráter vingativo.”

Em outro momento, Javier Milei declarou que o presidente Lula “dissemina o comunismo”:

“O socialismo do século XXI criou raízes fortes neste país, sendo o infame Fórum de São Paulo, fundado por Lula da Silva e Fidel Castro, uma rede transnacional-chave para a disseminação do comunismo no continente.”

Milei também chamou o presidente Lula de “presidiário” e “ladrão” em outro momento de seu discurso.

<><> Em encontro para reforçar aliança extremista, Tarcísio entrega mais alta honraria de São Paulo a Milei

Neste sábado (25), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), recebeu o presidente da Argentina, Javier Milei, no Palácio dos Bandeirantes, para entregar ao líder argentino a Ordem do Ipiranga, a maior honraria do estado de São Paulo.

O encontro de Tarcísio e Milei aconteceu antes do presidente argentino participar da convenção do Partido Liberal (PL) que confirmou a candidatura de Flávio Bolsonaro para a presidência. A vinda de Milei ao Brasil marca o reforço da aliança de extrema direita entre o presidente argentino, Flávio Bolsonaro e aliados para a ofensiva nas eleições de outubro.

No Palácio, Milei foi recebido com um tapete azul, em referência à chamada “onda azul” que tem elegido políticos de extrema direita na América Latina. Antes da entrega da medalha, o presidente argentino foi conduzido por Tarcísio para apresentação de um projeto de construção de um centro administrativo pelo governador.

Em seguida, Tarcísio entregou a maior honraria de São Paulo, a Ordem do Ipiranga, a Milei. A medalha é entregue a personalidades brasileiras e estrangeiros que se destacaram por serviços prestados ao Estado de São Paulo e sua população.

Após a cerimônia, Tarcísio e Milei deixaram o Palácio em direção à convenção do PL, onde o presidente argentino discursou ao lado de Flávio Bolsonaro.

•        Ricardo Alfonsín condena ataques de Milei a Lula: ‘nos envergonha’

O ex-embaixador e político argentino Ricardo Luis Alfonsín condenou os ataques do presidente Javier Milei a Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que o mandatário “nos envergonha” e não representa o pensamento da maioria dos argentinos.

Em declaração dirigida aos brasileiros neste sábado (25), Alfonsín, filho do ex-presidente Raúl Alfonsín, repudiou os insultos proferidos por Milei durante a convenção nacional do PL, realizada em São Paulo. O político também afirmou que a rejeição ao atual governo ficará demonstrada nas eleições argentinas de 2027.

“Queridos irmãos brasileiros: não posso deixar de expressar meu repúdio aos insultos e agravos proferidos pelo nosso presidente. Efetivamente, ele não está à altura do seu cargo. Nos envergonha. Podem ter a certeza de que a imensa maioria dos argentinos não somos nem pensamos como Milei. Em 2027 ficará demonstrado”, declarou Alfonsín.

A manifestação ocorreu após Milei participar do evento que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Durante o discurso, o argentino insultou Lula, chamou o presidente brasileiro de “lixo socialista” e empregou expressões ofensivas contra setores da esquerda. Ele também atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ao se dirigir diretamente aos brasileiros, Alfonsín procurou separar a sociedade argentina da postura adotada pelo chefe do Executivo do país. A referência a 2027 diz respeito ao ano da próxima eleição presidencial da Argentina.

A presença de Milei na convenção reforçou o alinhamento de seu governo com a candidatura de Flávio Bolsonaro e com movimentos da direita radical na América Latina. O senador foi confirmado pelo PL como candidato ao Palácio do Planalto nas eleições de outubro de 2026.

Flávio também recebeu o apoio do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, por meio de um vídeo exibido durante o encontro. “Flávio, meu amigo, quero te parabenizar pelo lançamento oficial da sua campanha. Você é um grande campeão do Brasil. Você é um grande campeão da amizade entre nossos povos. E eu sei que você vai levar o Brasil a voos cada vez mais altos. Parabéns”, declarou Netanyahu.

Em seu primeiro discurso após a oficialização da candidatura, Flávio atacou Lula e o STF. O senador afirmou que o Brasil teria sido “sequestrado” e prometeu aos apoiadores “libertar o país desse cativeiro”, adotando uma retórica de confronto como eixo inicial da campanha.

•        “Lamentamos pela Argentina”, diz Edinho Silva, após agressões a Lula

 O presidente do PT, Edinho Silva, reagiu às agressões de Javier Milei, o repulsivo e impopular ocupante da Casa Rosada, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a convenção do PL. Em nota, o dirigente petista acusou o argentino de desrespeitar Lula e as instituições brasileiras e classificou sua conduta como incompatível com o cargo que exerce.

Edinho começou a manifestação destacando que o Brasil é uma nação soberana, na qual o confronto de posições políticas faz parte do processo democrático.

“O Brasil é um país democrático e soberano. Nossa democracia admite o debate de ideias em que posições contraditórias podem e devem alimentar discussões sobre o futuro do país, sobretudo em contexto de disputa eleitoral como a que vivemos”, afirmou.

O presidente do PT ponderou que autoridades brasileiras estão sujeitas a críticas, mas ressaltou que essa liberdade não autoriza um chefe de Estado estrangeiro a atacar as instituições do país.

“Nenhuma autoridade pública no Brasil está acima de críticas, sempre e quando feitas de forma e no momento adequados. É inadmissível, contudo, que um chefe de Estado estrangeiro venha ao nosso país e se dirija em termos desrespeitosos aos seus poderes constituídos”, declarou.

Edinho também questionou a postura institucional de Milei e afirmou que episódios recentes demonstram o despreparo do presidente argentino para a função.

“Não surpreende que o atual presidente da Argentina se comporte desta maneira. Afinal não são poucas as situações recentes em que ele demonstrou não estar à altura do cargo que ocupa”, disse.

Em seguida, o dirigente petista afirmou que Milei deveria concentrar seus esforços na busca de soluções para os problemas da Argentina, em vez de empregar tempo e recursos públicos em ataques políticos no Brasil.

“O atual ocupante da Casa Rosada teria usado melhor o seu tempo e os recursos dos contribuintes argentinos se tivesse aproveitado o dia de hoje para trabalhar e resolver os problemas do seu país”, acrescentou.

Ao concluir a manifestação, Edinho separou as críticas ao governo de Milei da histórica relação entre brasileiros e argentinos: “Lamentamos pela Argentina, país amigo do Brasil e que tem um povo excepcional”.

•        Fachin deplora as baixarias de Milei na convenção de Flávio Bolsonaro

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, repudiou neste sábado (25) o ataque de Javier Milei ao ministro Alexandre de Moraes durante a Convenção Nacional do PL, em São Paulo. Em nota, Fachin defendeu a autonomia do Judiciário e classificou a manifestação do chefe de Estado argentino como incompatível com a civilidade exigida nas relações internacionais.

Milei chamou Moraes de “lixo careca” ao comentar a decisão que o impediu de visitar Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. O argentino afirmou que pretendia encontrar o ex-presidente durante sua passagem pelo Brasil, mas não recebeu autorização judicial.

Na resposta, Fachin ressaltou que a ofensa foi proferida em território brasileiro contra um integrante da mais alta Corte do país. Também destacou que a decisão criticada por Milei foi tomada com base no ordenamento jurídico nacional.

“Tomei conhecimento da declaração do Presidente da Argentina sobre Ministro do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita em solo brasileiro, por ato jurisdicional praticado conforme a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil”, declarou Fachin.

O presidente do STF acrescentou que a independência do Poder Judiciário não está sujeita a pressões de autoridades estrangeiras e condenou o teor da declaração.

“Ao reafirmar a plena autonomia do Judiciário brasileiro, a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados”, afirmou.

<><> Apoio a Flávio Bolsonaro

O ataque ocorreu durante um discurso de aproximadamente 30 minutos na convenção que oficializou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato do partido à Presidência da República.

Milei manifestou apoio à candidatura do senador, atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse confiar em uma vitória do representante do PL nas eleições de outubro. O argentino ainda relacionou a disputa brasileira ao avanço de forças de direita em outros países latino-americanos.

“Hoje o Brasil pode se somar à transformação regional da qual temos sido testemunhas nestes últimos anos”, disse Milei.

Ao falar sobre Jair Bolsonaro, tratado por ele como “grande amigo”, o presidente argentino declarou esperar voltar ao Brasil para “dar um abraço em Jair Bolsonaro”. Fachin, em sua manifestação, limitou-se a responder ao ataque contra Moraes e a reafirmar a soberania institucional do Judiciário brasileiro.

<><> Íntegra da nota

Tomei conhecimento da declaração do Presidente da Argentina sobre Ministro do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita em solo brasileiro, por ato jurisdicional praticado conforme a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil. Ao reafirmar a plena autonomia do Judiciário brasileiro, a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados.

Luiz Edson Fachin - Presidente do Supremo Tribunal Federal

•        O recado de Lula a Trump e Milei na convenção que lançou Haddad ao governo de SP

Em convenção realizada em Campinas (SP), o Partido dos Trabalhadores (PT) oficializou, neste sábado (25), a candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, que terá como vice Márcio França (PSB).

A convenção do PT-SP contou com a participação do presidente Lula, que, durante sua fala, fez um duro discurso contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e mandou um recado para a Casa Branca, que já manifestou que vai monitorar a eleição brasileira de 2026 para garantir “a liberdade de expressão”, numa clara intervenção no processo eleitoral do Brasil.

O discurso de Lula também pode ser estendido ao presidente da Argentina, Javier Milei, que veio ao Brasil para participar da convenção nacional do PL, que lançou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República:

“Que não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições. Eu não sou de fazer bravata. Eu não gosto de dizer o que eu não posso fazer, mas eu quero dizer para vocês uma coisa que eu trago do berço: andar de cabeça erguida, ter vergonha e caráter é coisa que a gente não encontra no shopping […] Portanto, quem quiser vir de fora se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo: vão apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino deste país são 157 milhões de eleitores. O aviso está dado. O Brasil é soberano. O Brasil quer manter relações com todos os países. O Brasil não quer guerra […] Podem ter certeza: este jovem de 80 anos que está falando com vocês vai ganhar as eleições outra vez em 2026.”

 

Fonte: Brasil 247/Fórum

 

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