Agronegócio
empobreceu valor nutricional do que comemos
Saber como se alimentar de forma
saudável é fácil. As redes sociais estão repletas de dicas e a maioria de nós
já conhece o básico: diga não aos salgadinhos e refrigerantes; coma frutas e
verduras frescas. A questão é colocar isso em prática no dia a dia.
Mas e
os alimentos "bons para a saúde", como frutas frescas, verduras,
grãos integrais e leguminosas? Eles ainda fazem jus à sua reputação?
A
resposta curta é: não necessariamente.
"O
teor de minerais diminuiu em uma ampla variedade de alimentos", afirma
David Montgomery, geólogo do departamento de Ciências da Terra e do Espaço da
Universidade de Washington, nos Estados Unidos.
A
pergunta é: por quê?
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Práticas agrícolas reduziram níveis de nutrientes em alguns alimentos
Montgomery
pesquisou como diferentes práticas agrícolas afetam o solo
e, consequentemente, os alimentos que consumimos. Para seu livro What
Your Food Ate ("O que seu alimento comeu", em tradução
livre), ele analisou cerca de mil estudos revisados por pares sobre os níveis
de nutrientes em alimentos, incluindo frutas, verduras e grãos.
Ele
constatou que não houve uma mudança consistente nas últimas décadas nos níveis
de macronutrientes dos alimentos. Isso inclui carboidratos, proteínas e
gorduras. Mas o mesmo não pode ser dito dos micronutrientes, como vitaminas e
minerais, entre eles ferro e zinco.
"Não
precisamos de grandes quantidades deles, mas são fundamentais para a nossa
saúde", diz Montgomery. "Os níveis de minerais, em especial, são
afetados pelas práticas agrícolas."
Por
exemplo, quando os grãos são selecionados para produzir o dobro da quantidade
de trigo, isso pode levar a níveis menores de nutrientes por espiga.
Isso
pode ocorrer com variedades de grãos que não aumentam a quantidade de minerais
e nutrientes absorvidos do solo, mas que são desenvolvidas para produzir o
dobro de trigo. A mesma quantidade de nutrientes acaba sendo distribuída por
uma colheita maior.
Esse é
o chamado efeito de diluição. E é uma das razões pelas quais, segundo
Montgomery, alguns alimentos saudáveis de hoje não são tão nutritivos quanto
aqueles consumidos pelos nossos avós.
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Como cultivar alimentos mais nutritivos
O solo
em que os alimentos crescem também desempenha um papel importante no valor
nutricional do que chega ao nosso prato.
Técnicas
agrícolas modernas, como o revolvimento da terra e o uso de fertilizantes
sintéticos e agrotóxicos, alteram o
equilíbrio dos fungos e microrganismos presentes no solo. Quando esse
equilíbrio é comprometido, as plantas podem ter mais dificuldade para absorver
nutrientes e fitoquímicos, substâncias com propriedades anti-inflamatórias e
antioxidantes.
Por
isso, Montgomery defende "práticas de agricultura regenerativa, que
envolvem minimizar a perturbação física e química do solo, manter raízes vivas
no solo o tempo todo e cultivar uma diversidade de culturas
agrícolas".
Segundo
ele, isso fortalece o chamado ciclo de nutrientes e a produção de fitoquímicos.
Como resultado, "mais desses compostos que queremos nos alimentos acabam
realmente presentes nos alimentos".
E por
que queremos essas substâncias nos alimentos? Embora os fitoquímicos não sejam
essenciais para a saúde e não sejam classificados como nutrientes, eles
protegem nossas células contra danos causados por toxinas ambientais e ajudam a
neutralizar radicais livres que podem danificar o DNA.
Todas
as plantas produzem fitoquímicos. Por isso, eles estão presentes em alimentos
como grãos, vegetais e frutas.
Além
disso, quanto mais rico em fitoquímicos é um alimento, mais intenso tende a ser
seu sabor.
Entre
os micronutrientes mais conhecidos estão:
- Vitamina C: faz
bem à saúde dos dentes e do sistema cardiovascular, além de contribuir
para um sistema imunológico saudável. Está presente em frutas como
acerola, goiaba, caju, limão, laranja e em vegetais como a couve.
- Zinco: o corpo
não produz zinco por conta própria, mas precisa dele para o crescimento
saudável e a cicatrização de feridas. Está presente em frutos do mar,
carne vermelha, aveia, castanhas (do pará e de caju) e ovos.
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Como comer bem
Astrid
Donalies, cientista da nutrição do Centro Federal de Nutrição da Alemanha, não
está preocupada com os nutrientes dos alimentos que produzimos. Para ela, a
mensagem mais importante para os consumidores é manter uma alimentação
variada.
Donalies
aponta que na Alemanha é mais fácil alcançar uma dieta equilibrada hoje do
que era para gerações anteriores, dado o acesso a uma variedade maior de
frutas e verduras ao longo do ano. No passado, por exemplo, o inverno
significava consumir grande quantidade de beterrabas e batatas e poucas frutas
além de maçãs e peras.
Mas
isso não significa que os alemães deveriam comer morangos no inverno apenas
porque podem encontrá-los no mercado. "As pessoas devem escolher produtos
regionais e sazonais", diz Donalies. "Dessa forma, frutas e verduras
estarão especialmente frescas, e trajetos mais curtos de transporte ajudam a
proteger o meio ambiente."
Silke
Restemeyer, nutricionista da Sociedade Alemã de Nutrição, uma ONG independente,
também enfatiza a importância de uma
alimentação variada. Ela tem algumas recomendações sobre o que essa dieta deve
conter.
"Pessoas
que consomem muitas frutas e verduras sofrem com menos frequência de
hipertensão, doenças cardíacas e derrames", afirmou Restemeyer à DW.
"Também observamos indícios de que doenças como câncer e demência são menos
comuns entre pessoas que consomem mais frutas e verduras."
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Mais grãos integrais e menos carne
Mas
isso não é tudo o que compõe uma alimentação saudável. Restemeyer também
recomenda leguminosas como feijão e lentilha devido ao alto teor de fibras.
Elas também fornecem micronutrientes como vitamina B1, vitamina B6, ferro,
zinco e magnésio.
Além
disso, não provocam aumentos repentinos nos níveis de açúcar no sangue. Isso
significa que uma porção regular de sopa de lentilha, por exemplo, mantém a
sensação de saciedade por mais tempo do que um doce ou um hambúrguer.
A
nutricionista sugere comer um punhado de nozes ou castanhas por dia — elas
contêm ácidos graxos essenciais e fazem bem ao coração.
Ao
escolher produtos à base de trigo, como pão ou macarrão, é melhor optar pelas
versões integrais, pois elas contêm mais fibras. Isso "reduz o risco de
diabetes tipo 2, distúrbios no metabolismo das gorduras, câncer de cólon e
doenças cardiovasculares", aponta Restemeyer.
Esses
são apenas alguns exemplos do que pode ajudar a manter a saúde. De modo geral,
diz ela, a ideia é consumir mais alimentos de origem vegetal, mais produtos
integrais, menos carne e menos bebidas industrializadas.
Fonte:
DW Brasil

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