Soluços,
solda na tornozeleira, visitas na prisão: como foram os quase 200 dias de
Bolsonaro desde a condenação
O
ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) vai voltar para casa. Ao menos por 90 dias.
Nesta terça-feira (24/3), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF),
Alexandre de Moraes, concedeu um pedido da defesa de Bolsonaro e determinou que
o ex-presidente seja transferido para o regime de prisão domiciliar
humanitária.
Até
então, ele cumpria sua pena de 27 anos de prisão em regime fechado no 19º
Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.
Quando receber alta, ele será transferido para a sua casa, localizada em um
condomínio fechado, em Brasília.
Em sua
decisão, Moraes disse ter considerado os laudos sobre o estado de saúde de
Bolsonaro que, está internado em um hospital de Brasília desde o dia 13 de
março para tratar de uma broncopneumonia.
A
decisão, porém, veio com um prazo de 90 dias de duração.
"Após
esse prazo [de 90 dias], será reanalisada a presença dos requisitos necessários
para a manutenção da prisão domiciliar humanitária, inclusive com perícia
médica se houver necessidade", determinou o ministro.
Em sua
decisão, Moraes também suspendeu visitas que haviam sido autorizadas antes da
internação do ex-presidente.
Apesar
disso, o ministro liberou o acesso do ex-presidente aos seus filhos e
advogados, a exemplo do que acontecia quando ele estava no regime fechado.
Em
setembro de 2025, Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos de
prisão por
crimes como golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado
democrático de direito. O ex-presidente e sua defesa alegam que ele é inocente.
A ida
de Bolsonaro para a prisão domiciliar é o mais novo episódio da conturbada
trajetória de Bolsonaro nos últimos meses. Desde que foi condenado, o
ex-presidente viveu um verdadeiro "vai-e-vem" entre sua casa,
internações hospitalares e duas celas em diferentes instalações.
Confira,
abaixo, a cronologia envolvendo as transferências de Bolsonaro desde sua
condenação:
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11 de setembro de 2025 - a condenação
No dia
11 de setembro de 2025, Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF. Naquele momento,
ele já estava em prisão domiciliar e usando
tornozeleira eletrônica desde julho daquele ano. Além de alvo no processo que
apurou sua participação em uma tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro também
virou investigado em um inquérito que apurava sua suposta participação para
pressionar o andamento do seu julgamento no STF.
Por
ordem de Alexandre de Moraes, Bolsonaro teve, também de restringir suas
comunicações com políticos, familiares, amigos e ficou proibido de usar redes
sociais.
Após
sua condenação, sua defesa recorreu para que ele cumprisse sua pena em regime
domiciliar, alegando problemas de saúde. O pedido, no entanto, foi negado. Sua
pena só começou a ser efetivamente cumprida em novembro.
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22 de novembro de 2025 - transferência para a PF
Em 22
de novembro, um episódio inesperado acelerou a ida de Bolsonaro a uma prisão.
Naquela noite, o ex-presidente tentou romper a
tornozeleira eletrônica. As autoridades detectaram a tentativa e Bolsonaro
foi então transferido para a Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
O caso passou a ser citado repetidamente por Alexandre de Moraes como um fator
contrário à concessão de benefícios posteriores, como a prisão domiciliar.
Bolsonaro
afirmou na audiência de custódia de sua prisão que tentou abrir sua
tornozeleira eletrônica após sofrer um episódio de "paranoia" e
"alucinação" devido ao uso combinado de remédios.
O
ex-presidente relatou que estava fazendo uso de pregabalina — medicamento
indicado para o tratamento de dores crônicas e dores de origem neurológica — e
de sertralina, antidepressivo indicado para o tratamento de depressão e
transtornos de ansiedade.
De
acordo com Bolsonaro, a associação desses remédios teria provocado efeitos
colaterais. Ele relatou ter acreditado que a tornozeleira eletrônica pudesse
conter um dispositivo de escuta clandestino, o que teria motivado sua tentativa
de mexer no equipamento.
A ida
de Bolsonaro à PF aconteceu poucos dias antes de o STF terminar de julgar os
recursos de sua defesa que definiriam o local do cumprimento da pena.
Esse
movimento também serviu de base para as disputas posteriores entre defesa e
STF.
De um
lado, a defesa de Bolsonaro alegaria a fragilidade do estado de saúde do
ex-presidente e a necessidade de um tratamento especial. Do outro, o Supremo
insistiria, em vários momentos, a existência de estrutura suficiente para sua
permanência sob custódia.
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25 de novembro de 2025 - cumprimento da pena
Três
dias depois, em 25 de novembro, por determinação do STF, Bolsonaro começou
formalmente a cumprir sua pena de 27 anos de prisão na sala da Superintendência
da Polícia Federal, onde já estava desde a transferência anterior.
O local
tem 12 metros quadrados, paredes brancas, cama de solteiro, armários, mesa de
apoio, televisão, frigobar, ar condicionado, janela e banheiro privativo. Lá,
ele não teria contato com outros presos.
As
instalações são semelhantes às usadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT), que cumpriu pena na Superintendência da PF no Paraná, em Curitiba.
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24 de dezembro de 2025 - Natal o hospital
Na
véspera de Natal, o ex-presidente Bolsonaro foi internado para uma nova
cirurgia, autorizada pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes.
A
internação ocorreu no hospital DF Star, em Brasília.
No dia
25 de dezembro, Bolsonaro foi submetido a uma cirurgia para corrigir hérnias na
região da virilha e para tratar as crises de soluço que o ex-presidente vêm
apresentando desde que foi alvo de uma facada, em 2018, durante a campanha
presidencial daquele ano.
Essa
passagem pelo hospital reforçou um padrão que se repetiria nos meses seguintes:
liberações pontuais para atendimento médico, seguidas de retorno ao sistema
prisional e de novos pedidos da defesa por prisão domiciliar humanitária.
Em meio
à sua ida ao hospital, ocorreu um dos episódios mais relevantes da história
recente da família Bolsonaro. Flávio divulgou uma carta que teria
sido escrita por seu pai declarando apoio ao filho para que ele dispute as
eleições presidenciais de 2026.
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1º de janeiro de 2026 - alta e retorno à PF
No dia
1º de janeiro deste ano, o ex-presidente recebeu alta
hospitalar e voltou à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para
retomar o cumprimento de sua pena.
A
defesa do ex-presidente, porém, continuou insistindo na tese de que Bolsonaro
deveria seguir para prisão domiciliar, por conta dos seus constantes problemas
de saúde.
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7 de janeiro de 2026 - acidente e nova ida a hospital
No dia
7 de janeiro, Bolsonaro voltou ao hospital DF Star, em Brasília,
após sofrer uma queda em sua cela na madrugada. A saída foi autorizada por
Alexandre de Moraes.
Depois
dos exames, ele retornou à cela na Superintendência da Polícia Federal, onde
cumpre pena de 27 anos por golpe de Estado e outros crimes.
Segundo
a equipe médica de Jair Bolsonaro, ele teve traumatismo cranioencefálico.
Sobre o
episódio, a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro (PL) divulgou em suas redes
sociais, que o ex-presidente havia caído e batido a cabeça enquanto dormia.
"Meu
amor não está bem. Durante a madrugada, enquanto dormia, teve uma crise, caiu e
bateu a cabeça no móvel", escreveu.
A queda
posteriormente foi confirmada pela Polícia Federal (PF) em nota oficial.
"O
médico da Polícia Federal constatou que houve ferimentos leves e não
identificou necessidade de encaminhamento hospitalar, sendo indicada apenas
observação", informou a PF.
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15 de janeiro de 2026 - Bolsonaro na "Papudinha"
No dia
15 de janeiro, Bolsonaro foi transferido da Superintendência da Polícia Federal
para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, estabelecimento
conhecido como Papudinha. É lá que militares
condenados e outros réus do caso que apurou a tentativa de golpe de Estado
ficam presos. A medida foi determinada por Alexandre de Moraes.
Com a
transferência, Bolsonaro saiu de uma cela de 12 metros quadrados para uma de 64
metros quadrados,
com capacidade para até quatro pessoas. Apesar disso, ele ocupa a cela sozinho.
O espaço foi descrito pelo STF como uma Sala de Estado-Maior.
Na
decisão, Moraes afirmou que a nova unidade permitiria ampliação do tempo de
visitas, banho de sol e exercícios em qualquer horário, além da instalação de
aparelhos para fisioterapia, como esteira e bicicleta, em atendimento a
recomendação médica.
A
transferência atendeu a parte das queixas da defesa de Bolsonaro sobre sobre a
vulnerabilidade clínica de Bolsonaro na PF, mas continuou sem atender ao pleito
de prisão domiciliar.
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2 de março de 2026 - Moraes nega prisão domiciliar
No dia
2 de março, Alexandre de Moraes negou um pedido de prisão domiciliar feito pela
defesa de Bolsonaro. Na decisão, o ministro afirmou que as instalações da
Papudinha ofereciam atendimento médico adequado ao ex-presidente.
Em sua
decisão, Moraes também apontou que a tentativa de violação da tornozeleira
eletrônica, ocorrida em novembro de 2025, seria um obstáculo para a concessão
do benefício uma vez que Bolsonaro teria histórico de violações de medidas
cautelares.
Em seu
pedido, a defesa de Bolsonaro sustentava que a unidade prisional não estava
apta a oferecer o tratamento médico necessário ao ex-presidente. No dia 6 de
março, a Primeira Turma do STF confirmou a decisão de Moraes.
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13 de março de 2026 - nova internação
No dia
13 de março, Bolsonaro deu entrada no hospital DF Star, em Brasília. Exames
confirmarem que ex-presidente estava com broncopneumonia bacteriana nos dois
pulmões. A ida ao hospital foi autorizada pelo STF depois de o ex-presidente
passar mal na prisão.
Segundo
os boletins divulgados, ele apresentou febre alta, queda da saturação de
oxigênio, sudorese e calafrios. O quadro levou Bolsonaro à internação em uma
unidade de terapia intensiva.
A
partir dessa internação, a defesa fez mais um pedido de prisão domiciliar
humanitária.
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23 de março de 2026 - PGR dá parecer pela prisão domiciliar
Nesta
segunda-feira, a PGR se manifestou a favor do pedido de prisão domiciliar
apresentado pelos advogados de Bolsonaro. O parecer foi solicitado pelo STF
para embasar a decisão que será dada pelo ministro Alexandre de Moraes e que
depois será confirmada ou não pelo plenário da Primeira Turma da Corte.
Apesar
de não "liberar" Bolsonaro, o parecer da PGR foi comemorado por
apoiadores do ex-presidente.
"PGR
expõe Moraes, faz o mínimo e se posiciona pelo certo: Bolsonaro precisa ir para
casa!", disse o líder da oposição na Câmara dos Deputados, Sóstenes
Cavalcante (PL-RJ).
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24 de março de 2026 - Moraes autoriza prisão domiciliar humanitária
O
ministro do STF, Alexandre de Moraes, acatou um pedido da defesa de Bolsonaro e
concedeu o regime de prisão domiciliar ao ex-presidente. Quando tiver alta do
hospital em que está internado, Bolsonaro será transferido para a sua casa, em
um condomínio fechado, em Brasília.
A
decisão, no entanto, terá uma duração mínima de 90 dias. Após esse período,
Moraes determinou que o ex-presidente seja submetido a uma nova perícia médica
para avaliar se ele pode ou não retornar ao regime fechado.
Em sua
decisão, Moraes alega que a prisão domiciliar é o mais indicado para a
recuperação do ex-presidente.
"A
atual situação clínica do custodiado Jair Messias Bolsonaro, 71 (setenta e um)
anos de idade, acrescida de seu histórico médico e a presença de comorbidades,
igualmente constatadas no relatório médico juntado aos autos, indica que, no
presente momento e durante o prazo necessário para sua integral recuperação da
broncopneumonia, o ambiente domiciliar é o mais indicado para preservação de
sua saúde", diz um trecho da decisão.
Fonte:
BBC News Brasil

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