quarta-feira, 25 de março de 2026

Depois do estrago feito Globo se desculpa por PowerPoint que tentou colocar o caso Master no colo de Lula

 A jornalista Andréia Sadi, no Estúdio I da GloboNews, pediu desculpas, nesta segunda-feira (23), ao público pela exibição de um PowerPoint sobre o caso Master. O material foi apresentado ao público na última sexta-feira (20) e associava, sem provas, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao escândalo envolvendo o ex-dono da instituição financeira, Daniel Vorcaro.

Segundo Sadi, "o material estava errado e incompleto e também não deixou claro o critério que foi usado para a seleção das informações". Ela explicou que a apresentação acabou misturando contatos institucionais com nomes que Vorcaro menciona como tendo relação contratual ou pessoal, além de incluir outros nomes que ainda estão sob análise da Polícia Federal ou que, segundo as informações apuradas até o momento, podem ser considerados não republicanos.

A jornalista também ressaltou que a arte exibida não trouxe todos os envolvidos já tornados públicos. "Não foram incluídos nomes que já se tornaram públicos por envolvimento com o caso Master, como ministros do Supremo e políticos, nem ex-diretores do Banco Central, que estão sob escrutínio da polícia por suspeita de corrupção na relação com o banqueiro", afirmou.

Diante da apresentação incompleta, Sadi afirmou que a GloboNews segue comprometida com os princípios editoriais do canal e pediu desculpas ao público. "Diante de um material incompleto e em desacordo com os nossos princípios editoriais, a gente pede desculpas", concluiu.

•        Depois de Brizola, Lula. GloboNews desmente PowerPoint. Por Denise Assis

Menos de uma década após a redemocratização, no telejornal de maior audiência do país - o Jornal Nacional -, Leonel Brizola, então governador do Rio, teve o direito de desmentir a Globo - em 15 de março de 1994 -, ao passo que dava uma lição de civilidade e moral na emissora. Hoje, 32 anos depois dessa conquista que marcou a história da política e da imprensa nacional, a Globo tem que novamente se curvar e vir à público dizer: “errei, sim”. A contragosto, com o rosto tenso, expressão crispada, Andréia Sadi, a editora do programa “Estúdio I”, que deveria ser de “informação”, precisou vir a público dizer que a emissora desinformou, mentiu, errou.

Naquele 15 de março de 1994, Brizola, então governador do Rio de Janeiro, dirigiu-se ao país com palavras firmes, relembrando a todos que seu espaço na mídia só era garantido por meio da justiça, em um processo que durou dois anos.

O líder trabalhista criticou abertamente a emissora por sua postura tendenciosa e sua longa convivência com regimes autoritários, desafiando assim um dos maiores conglomerados de comunicação do país em nome da verdade e da transparência. Tudo isso na voz de Cid Moreira, âncora do Jornal Nacional, como relembrou na data de 30 anos do feito, a página do seu partido, o PDT.

Não por acaso, nesta segunda-feira (23/03), Andrea que costuma coordenar o programa de vestidos vaporosos, saias ou combinando calça e blusa, hoje envergava um sisudo terno marrom. Com ares de executiva, em tom solene, fixando a câmera (em plano americano), ela interrompeu o programa pelo meio com o seguinte texto: “deixa eu registrar aqui para vocês. Na última sexta a gente exibiu aqui uma arte, com o objetivo de apresentar as conexões do Vorcaro com políticos e acessos relevantes”.

Mesmo em condição desfavorável, pressionados por 84% da população que frequenta as redes sociais e se posicionou contra o que exibiram, Sadi não deu o braço todo a torcer. Chamou de arte o PowerPoint, e de “erro” a mentira que tentaram colar na sociedade. Não fosse a grita geral, e a tal arte estaria hoje sendo repetida à exaustão, com o presidente Lula indelevelmente ligado a Vorcaro, quando o que fez foi não mais que lhe dar um “boa tarde” e encaminhá-lo para “uma análise técnica do seu caso”.

Não foi uma arte, Sadi. Foi um PowerPoint, com ares de trabalho escolar do ensino básico, exibia fotos com cordões em vermelho – a cor do PT -, lingando os personagens – o presidente Lula, inclusive -, a Vorcaro, ao melhor estilo Lava-Jato 0.1.

Acontece que tudo isso está muito fresco na memória da população. Houve reação. Não só de pessoas ligadas ao partido, como ao governo e do público em geral, e que rapidamente apontaram naquela “arte” resquícios de uma perseguição desenfreada, que culminou com o Lula na cadeia por 580 dias, injustificadamente.

O Brasil mergulhou no retrocesso, graças a “erros” dessa natureza. “O material estava errado e incompleto”, disse ela, ainda em plano americano”. De cá, da poltrona, pensamos: vai citar os nomes dos faltosos: Roberto Campos Neto, Ciro Nogueira, Davi Alcolumbre, governador Claudio Castro, Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro... Qual o quê.

Além de dizer que o material estava “incompleto”, acrescentou: “e também não deixou claro o critério que foi usado para a seleção das informações”. Só esqueceu de acrescentar: propositalmente.

“Esse conteúdo acabou misturando contatos institucionais com nomes que Vorcaro menciona como tendo relação contratual ou pessoal, além de outros nomes sob análise da PF, ou que à luz das informações apuradas até aqui, podem ser classificados como não republicanos”, recitou.

Maldoso esse trecho. Usou o princípio de Chacrinha, que não veio para esclarecer, “eu vim para confundir”, dizia ele, nas tardes de domingo. O conteúdo não tem vida própria. Ele não dá uma mexidinha e se auto mistura. Alguém misturou, Sadi. E se misturou e foi ao ar, a editora aprovou, ou não é esta a sua função?

“Nomes sob análise da PF”? Desde quando o nome do presidente da República está sob investigação da PF? Essa frase, dita assim, no contexto do desmentido, não separa o que precisa ser separado: os investigados, os suspeitos, dos que nada a têm a ver com essa história, a não ser ter mandado investigar de forma técnica o que se passava no interior do Banco Master, e que o Banco Central de Roberto Campos não viu. Ou melhor, viu, mas deixou andar, e ainda se descobriu mais tarde que dois funcionários do BC agiam como empregados de Vorcaro como “consultores” para proteger seus negócios.

Daí por diante foi um tal de usar “políticos” e outras formas anódinas para se referir aos que de fato deveriam constar do que Andrea Sadi chamou de “arte”, mas que nós sabemos bem, tratar-se de um Powerpoint, ao melhor estilo Dallagnol. Daqueles que caem na rede e ficam sendo usados à exaustão, para puxar para dentro do escândalo quem na verdade, está, isto sim, acompanhando com zelo e isenção as investigações, para ver no final os culpados, punidos. O sistema financeiro revigorado.

•        Globo fez pedido de desculpa “covarde” por Powerpoint do caso Master, diz Marcelo Uchôa

O advogado Marcelo Uchôa criticou a retratação feita pela Globo nesta segunda-feira (23/3)  após a exibição de um PowerPoint tendencioso sobre o caso Master e afirmou que o pedido de desculpas “foi covarde”. Segundo ele, “isso não é pedido de desculpas. Vago, tímido, confuso”, em referência à manifestação feita no ar pela jornalista Andréia Sadi.

Na mesma declaração, Uchôa reforçou as críticas ao conteúdo exibido e à forma como a emissora tratou o caso: “Não explicou que nomes não deveria ter citado, mas citou; nem que nomes deveria ter mencionado e não mencionou. Foi covarde, pior, criminosa, ao não desmentir o que deliberadamente sabia que devia. Típico da Globo. 100% joça!”. A avaliação foi publicada nas redes sociais do advogado.

A controvérsia teve início após a GloboNews exibir, na última sexta-feira (20), um PowerPoint que relacionava o caso Master a integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A apresentação, no entanto, foi alvo de críticas por associar nomes ao escândalo sem a devida comprovação ou contextualização adequada.

Diante da repercussão negativa, a jornalista Andréia Sadi, durante o programa Estúdio I desta segunda-feira (23), pediu desculpas ao público. Segundo ela, “o material estava errado e incompleto e também não deixou claro o critério que foi usado para a seleção das informações”.

Sadi explicou ainda que a apresentação misturou diferentes tipos de relações envolvendo o ex-dono da instituição financeira, Daniel Vorcaro, incluindo contatos institucionais, vínculos contratuais ou pessoais e nomes que ainda estão sob análise da Polícia Federal. Além disso, reconheceu que o conteúdo não contemplou todos os envolvidos já tornados públicos no caso.

Ao final, Sadi reiterou o compromisso editorial da GloboNews e formalizou o pedido de desculpas: “Diante de um material incompleto e em desacordo com os nossos princípios editoriais, a gente pede desculpas”. 

•        “Pedido de desculpas da Globo é necessário, mas está longe de ser suficiente”, diz Maria do Rosário

A deputada federal Maria do Rosário criticou o pedido de desculpas feito pela Globo após a exibição de um PowerPoint considerado equivocado sobre o chamado caso Master. Em publicação nas redes sociais, a parlamentar avaliou que a retratação é necessária, mas insuficiente para reparar os danos causados pela divulgação de informações imprecisas.

A manifestação ocorre após a jornalista Andréia Sadi, durante o programa Estúdio I, da GloboNews, pedir desculpas ao público pela apresentação exibida na última sexta-feira (20). Segundo a própria jornalista, o conteúdo associava, sem provas, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.

Em sua publicação, Maria do Rosário afirmou: “A GLOBO pediu desculpas por seu powerpoint que induzia a interpretações falsas sobre o caso Master. Se retratou depois de um fim de semana inteiro com desinformação circulando. É necessário, mas está longe de ser suficiente para reparar os danos causados.” A deputada também defendeu maior rigor na atuação da imprensa. “Comunicação responsável é dever com a verdade e com a democracia”, escreveu.

A parlamentar ainda acrescentou que “o escândalo Bolsomaster tem origem e figuras que se beneficiaram dele, o PT e o governo Lula não se relacionam com isso”. Em outro trecho, declarou: “Vorcaro é o calcanhar de Aquiles da direita e da família Bolsonaro”.

Durante o pedido de desculpas, Andréia Sadi reconheceu falhas na elaboração do material. “O material estava errado e incompleto e também não deixou claro o critério que foi usado para a seleção das informações”, afirmou. Ela explicou que a apresentação misturou contatos institucionais com nomes citados por Vorcaro como tendo relação contratual ou pessoal, além de incluir pessoas ainda sob análise da Polícia Federal.

A jornalista também destacou que a arte exibida não contemplava todos os envolvidos já conhecidos publicamente. “Não foram incluídos nomes que já se tornaram públicos por envolvimento com o caso Master, como ministros do Supremo e políticos, nem ex-diretores do Banco Central, que estão sob escrutínio da polícia por suspeita de corrupção na relação com o banqueiro”, disse. Ao final, Sadi reiterou o compromisso editorial da GloboNews e formalizou o pedido de desculpas. “Diante de um material incompleto e em desacordo com os nossos princípios editoriais, a gente pede desculpas”, concluiu.

•        “Estratégia pode ser fazer o Lula comer na mão da Globo”, diz Breno Altman

Ao analisar a atuação da Globo e a resposta do governo federal, o jornalista e analista geopolítico Breno Altman afirmou que a emissora estaria operando para ampliar a pressão sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e condicionar sua relação com o grupo de comunicação.

Em entrevista ao Bom Dia 247, Altman sustentou que o movimento da Globo não deve ser lido apenas como adesão antecipada a um adversário de Lula em 2026, mas como parte de uma estratégia de pressão sobre o governo. Para ele, o objetivo pode ser outro: “Pode ser uma estratégia de obrigar o Lula a comer na mão da Globo, ou seja, uma estratégia de fragilizar o máximo o governo para que sejam dadas todas as garantias de que um quarto mandato de Lula não ofenderá os interesses que a Globo representa”.

A declaração foi dada no contexto da discussão sobre a cobertura do caso Banco Master e sobre a forma como a emissora tratou o tema. Altman disse que não se surpreendeu com a conduta editorial da Globo. O que o surpreende, segundo ele, é a manutenção do volume de publicidade oficial destinado ao grupo. “Eu não me surpreendi com a Globo recebendo 462 milhões de anúncios do governo federal no ano passado, 49% das verbas de publicidade. É isso que eu me surpreendi”, declarou.

Ao longo da entrevista, Breno Altman concentrou sua crítica no que considera uma contradição do governo e do petismo diante da atuação da emissora. Em sua avaliação, o problema central não está apenas na cobertura da Globo, mas na continuidade de uma política de publicidade que, segundo ele, fortalece um ator que age contra o governo. “O que me surpreende não é a Globo fazer o PowerPoint. Isso aqui é totalmente esperado. O que me surpreende é a Globo levar metade das verbas da publicidade do governo”, afirmou.

Altman disse que o governo dispõe de margem para definir a distribuição da publicidade estatal a partir do interesse público e recordou que outras administrações já alteraram esse padrão. Para ele, não se trata necessariamente de defender um rompimento formal, mas de rever a lógica da relação. “O governo tem poder discricionário sobre publicidade. O governo não é obrigado a aplicar qualquer critério que não aquele do interesse do poder público”, disse.

Na mesma linha, ele afirmou que a relação entre os governos petistas e a Globo é marcada por um desequilíbrio político. “Mas os governos petistas amam a Globo. É um amor não correspondido. É uma relação tóxica”, declarou. Em seguida, reforçou que, a seu ver, o petismo não consegue se desvincular desse vínculo. “Não consegue se libertar dessa relação tóxica. Não consegue”, disse.

Para Altman, a origem desse comportamento está em uma leitura política mais ampla. Segundo ele, o PT e o governo demonstram capacidade para vencer eleições, mas não para disputar hegemonia na sociedade e nos centros de poder. “O PT e o governo não tem estratégia para disputa de hegemonia, tem estratégia para ganhar eleição, que não é a mesma coisa”, afirmou.

Na entrevista, ele argumentou que essa lógica leva setores do governo a tratar grupos de poder como aliados permanentes, mesmo quando esses atores mantêm interesses próprios e capacidade de pressão. Nesse raciocínio, a relação com a Globo entraria no mesmo padrão: em vez de enfrentamento político e disputa de narrativa, haveria acomodação.

Ao comentar a hipótese de a emissora já ter escolhido um nome para 2026, Altman disse que esse cenário ainda não está definido. Para ele, a Globo pode estar agindo de forma simultânea contra diferentes campos políticos para preservar sua capacidade de negociação. “Eu não acho que ela esteja com Flávio Bolsonaro a princípio. Eu acho que ela tá se colocando numa posição para negociar conforme o andar da carruagem para que lado ela vai cair”, afirmou.

Nesse ponto, voltou a sustentar que o objetivo imediato seria aumentar o poder de influência sobre Lula. “Ela começou a bater duramente no Lula para mostrar pro Lula que ela não é uma aliada gratuita. Se ele quiser uma aliança com a Globo para as eleições de 2026, vai ter que ajoelhar no milho e beijar a mão”, disse.

Altman também afirmou que o governo, em sua visão, reage de forma insuficiente diante desse movimento. Para ele, a continuidade dos repasses publicitários amplia a capacidade de pressão da emissora e enfraquece a posição do próprio Planalto. Ao usar uma metáfora durante a entrevista, comparou a situação ao ato de alimentar um risco político que depois se torna maior. “Eu tenho medo do jacaré, aí eu o alimento porque eu tenho medo do jacaré. Aí o jacaré fica mais forte porque eu alimento”, declarou.

O analista defendeu ainda uma medida direta diante do que classificou como prática anti-jornalista. “Se uma emissora de televisão utiliza essa concessão para uma atividade anti jornalística, para uma mentira cujo objetivo é uma conspiração, é desgastar o governo, é debilitar o presidente da República, o mínimo que o governo pode fazer é: diante do comportamento anti jornalístico da emissora, nós estamos suspendendo toda a publicidade estatal”, disse.

Ao final, Breno Altman resumiu sua avaliação como um problema político recorrente. Para ele, a reação à cobertura da Globo não pode se limitar à denúncia pública do conteúdo exibido, sem tocar na estrutura de sustentação dessa relação. “Vai reclamar da Globo, claro, vamos denunciar o que a Globo fez. Estou de pleno acordo. Mas quem tá botando combustível nesse tanque?”, questionou.

 

Fonte: Brasil 247

 

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