quarta-feira, 25 de março de 2026

Família ao pé da Cruz: Edir Marcedo fará ato contra Lula e alugou 9 estádios de futebol pra isso

A decisão da Igreja Universal do Reino de Deus de ocupar simultaneamente nove estádios de futebol pelo Brasil no próximo 3 de abril, Sexta-feira da Paixão, vai muito além de um ato religioso. Sob o nome “Família ao Pé da Cruz”, a iniciativa se consolida como uma das maiores demonstrações de força política já organizadas por uma denominação evangélica no país — e tem endereço certo: o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores.

A operação envolve arenas icônicas como o Maracanã, a Neo Química Arena, a Arena Fonte Nova e o Mané Garrincha, entre outras. Nunca antes uma igreja havia reservado, ao mesmo tempo, tantos espaços desse porte no Brasil. O gesto, por si só, já carrega um recado claro: mobilização em massa, capilaridade nacional e capacidade financeira robusta. Mas o simbolismo não para por aí.

Quem explicitou o tom político da mobilização foi Renato Cardoso, genro de Macedo e apontado como seu sucessor. Em vídeo nas redes sociais, ele classificou o evento como “a maior lata de conservas da família” — uma ironia direta a manifestações culturais recentes que criticaram o conservadorismo e associadas erroneamente ao presidente Lula.

A fala não foi acidental. Ela dialoga com um ambiente de crescente polarização e com dados que mostram desgaste do governo entre evangélicos. Pesquisas recentes indicam que a maioria desse público desaprova a gestão petista, cenário explorado por lideranças religiosas como ferramenta de pressão política. Por trás da mobilização, há uma engrenagem financeira pesada. Alugar estádios desse porte custa caro. Muito caro.

Eventos recentes ajudam a dimensionar a conta: A Neo Química Arena já cobrou cerca de R$ 2,9 milhões por um único evento religioso; O Pacaembu gira em torno de R$ 1,25 milhão; estruturas adicionais (som, segurança, logística) elevam ainda mais os valores. Com nove arenas, a operação pode facilmente ultrapassar dezenas de milhões de reais.

E há um elemento ainda mais sensível: o uso indireto de dinheiro público. Governos estaduais e municipais frequentemente patrocinam ou subsidiam eventos desse tipo. No Rio de Janeiro, por exemplo, a gestão de Cláudio Castro já anunciou aporte milionário para viabilizar a estrutura no Maracanã.

<><> Universal, republicanos e o jogo de poder

A Universal não atua sozinha. Seu braço político é o Republicanos, presidido por Marcos Pereira. A sigla vive um momento de insatisfação: ficou fora das principais articulações tanto do governo Lula quanto do campo bolsonarista. Esse isolamento ajuda a explicar o timing da ofensiva. Sem protagonismo nas negociações nacionais, a igreja aposta naquilo que sempre foi sua maior força: mobilização popular. Ao lotar estádios, envia um recado direto aos atores políticos: ignorar a Universal pode ter custo eleitoral.

Historicamente, a relação com o PT é marcada por idas e vindas. Nos anos 1990, Edir Macedo atacava duramente Lula. Nos anos 2000, houve aproximação e apoio eleitoral. Mais recentemente, a igreja se alinhou a Jair Bolsonaro, sem, no entanto, abrir mão de espaço no atual governo. O padrão é claro: pragmatismo político acima de coerência ideológica.

O movimento também ocorre em meio a tensões internas. O deputado Marcelo Crivella, sobrinho de Macedo, tenta viabilizar candidatura ao Senado, enquanto a cúpula do partido prefere mantê-lo como puxador de votos na Câmara. Essa divergência revela que o projeto da Universal não é apenas religioso ou ideológico. É também eleitoral.

A estratégia para 2026 inclui: fortalecimento em estados-chave, manutenção de autonomia no primeiro turno presidencial e a pressão por mais espaço em alianças nacionais.

<><> Religião como instrumento de pressão

A ocupação simultânea de estádios funciona como demonstração de força simbólica e prática. Ao reunir multidões, a Universal reforça sua capacidade de influenciar votos, pautas e narrativas. Não se trata apenas de fé, mas de poder organizado.

A escolha da Sexta-feira da Paixão amplia o impacto emocional, enquanto o discurso em defesa da “família” conecta-se diretamente a pautas conservadoras que mobilizam sua base. Ao mesmo tempo, críticas indiretas ao governo transformam o evento em ato político de massa.

Ao investir milhões e mobilizar milhares de fiéis, a Universal deixa claro que pretende jogar pesado no cenário político brasileiro. A mensagem é simples: quem quiser governar o país terá que lidar com o peso das igrejas — e, especialmente, com o peso da Universal, que varia conforme as pesquisas, entre a terceira e a quarta força no universo evangélico brasileiro, dominado de longe pelas Assembleias de Deus.

Entre cruzes e palanques, a fronteira entre religião e política nunca pareceu tão tênue.

•        Valadão solta nota e vídeo de Carlos Viana para rebater reportagem da Fórum; documento da prefeitura de BH expõe contradição

A publicação de uma reportagem da Fórum, que revelou os meandros da destinação de emendas parlamentares milionárias à Fundação Oásis, ligada à Igreja Batista da Lagoinha, provocou uma reação em cadeia na cúpula da denominação. Nas últimas horas, o pastor André Valadão utilizou suas redes sociais para atacar críticos e divulgou um vídeo do senador Carlos Viana, numa tentativa de desqualificar as investigações e afastar de si o foco do escândalo.

Em publicações feitas em formato de stories, ostentando um cenário de neve e roupas de inverno, Valadão afirmou que não havia sumido “pelos motivos das mentiras ridículas e acusações infundadas” e justificou a ausência dizendo que estava “curtindo muito muito a minha família e amigos”. Sem citar nominalmente a Fórum, o líder religioso mirou o que chamou de “esquerdas e mídias esquerdistas compradas” e “canhotas difamadores”. O pastor prometeu ainda que começará a “desconstruir esses mentirosos”.

A “desconstrução” prometida por Valadão, no entanto, é atropelada pelos registros oficiais do próprio poder público. A estratégia articulada pela igreja tenta criar uma narrativa que blinde a estrutura central da Lagoinha, mas esbarra frontalmente em documentos da prefeitura de Belo Horizonte (PBH), no portal de transparência e em relatórios de auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU).

<><> O “buraco” na defesa e a mentira de Carlos Viana

Para tentar estancar a crise, Valadão compartilhou um vídeo em que o senador Carlos Viana (Podemos-MG) nega irregularidades nos repasses e tenta se afastar da responsabilidade de ter escolhido a entidade beneficiada pelo dinheiro público.

Na gravação, Viana crava: “Primeiro, nós não mandamos dinheiro para igrejas. Não é possível fazer isso. Você manda dinheiro para as prefeituras e as prefeituras aprovam planos de trabalhos com fundações ligadas a igrejas”. O senador argumenta ainda que a investigação seria perseguição de “ano eleitoral”.

A versão do parlamentar, contudo, não condiz com a realidade. Um Relatório de Avaliação da CGU, datado de 5 de dezembro de 2022, detalha a execução das chamadas “emendas Pix” (transferências especiais) e flagra a contradição no caso de Belo Horizonte. O documento descreve que parte de uma emenda (R$ 700 mil de um total de R$ 1,5 milhão) foi direcionada à Fundação Oásis, que foi explicitamente “indicada por parlamentar”.

Ao questionar o município sobre qual critério foi usado para selecionar a ONG sem um processo competitivo amplo, a CGU registrou formalmente: “a Secretaria encarregada esclareceu que o próprio parlamentar estabeleceu que os recursos seriam destinados à Fundação Oásis”.

Além disso, o portal da PBH confirma a vinculação da emenda de 2019, de autoria de Carlos Viana, diretamente ao “Projeto Esperança Fundação Oásis”, mediante dispensa de chamamento público. Ou seja, Viana determinou o destino do dinheiro, que chegou a ficar parado em uma “conta de investimento” a partir de junho de 2020, sem objeto definido, enquanto a ONG regularizava sua situação fiscal.

<><> A manobra de Valadão: Zettel como “cortina de fumaça”

A segunda frente da estratégia de Valadão atua no campo institucional da igreja. Em nota oficial da Lagoinha Global, a instituição afirma acompanhar “com surpresa as informações divulgadas sobre supostas movimentações envolvendo Fabiano Zettel e a unidade da Lagoinha Belvedere”.

O texto ressalta a “autonomia administrativa, jurídica e financeira” das igrejas locais e tenta empurrar toda a responsabilidade da crise para o ex-sócio Zettel. A nota alega que a direção “nunca teve conhecimento de transações milionárias de Fabiano Zettel destinadas à Lagoinha Belvedere”. O próprio Valadão, em suas redes, também cita o “escândalo do Master” para justificar os ataques.

Ocorre que o “escândalo Zettel” é apenas uma cortina de fumaça para a denúncia central. A emenda parlamentar apontada pela CGU e os repasses milionários sob investigação do STF não foram para Fabiano Zettel ou para a Lagoinha Belvedere, mas sim para a Fundação Oásis. E, ao contrário do que a defesa da igreja tenta insinuar, a Fundação Oásis não é ligada a Zettel, mas sim diretamente vinculada à estrutura matriz gerida por André Valadão.

Embora a Fundação Oásis tenha emitido sua própria nota garantindo ser auditada pelo Ministério Público de Minas Gerais, seus próprios registros contábeis entregam a relação umbilical com a matriz. Nas notas explicativas do balanço de 2023, a fundação relata uma íntima relação financeira com a cúpula, incluindo “adiantamentos da Igreja de Lagoinha” e uma remissão (perdão) de dívida no valor de R$ 485.000,00 concedida pela igreja principal à fundação naquele ano.

<><> Cerco se fecha no Supremo Tribunal Federal

Enquanto a cúpula da Lagoinha e o senador Carlos Viana tentam vencer a crise na retórica e nas redes sociais, as apurações avançam institucionalmente. A controvérsia orçamentária já subiu para o STF.

Em despacho proferido no dia 19 de março de 2026 na ADPF 854, o ministro Flávio Dino determinou um prazo de cinco dias úteis para que o Senado Federal e Carlos Viana prestem esclarecimentos detalhados. A cobrança do Supremo é ampla e envolve repasses que somam R$ 3,6 milhões destinados à Fundação Oásis em diferentes exercícios (2019, 2023 e 2025), incluindo transferências para a filial de Capim Branco.

Por trás dos vídeos na neve e da terceirização de culpa, a base documental revelada pela Fórum segue de pé: uso de “emendas Pix” sem transparência clara, dispensa de processos competitivos pela prefeitura, interferência direta de parlamentar na escolha de favorecidos e uma ONG umbilicalmente ligada à matriz da Igreja Batista da Lagoinha operando cifras milionárias sob a mira da CGU e do STF.

•        FÉ DEMAIS NÃO CHEIRA BEM: Frei Gilson quer construir megatemplo da fé católica no Brasil

construção de um megacomplexo religioso avaliado em dezenas de milhões de reais na zona sul de São Paulo reacende um debate antigo, mas cada vez mais urgente: até onde vai a espiritualidade e onde começa o negócio da fé?

O projeto, liderado pelo influenciador frei Gilson — hoje uma das figuras mais populares do catolicismo digital brasileiro — prevê a criação de um espaço de 86 mil metros quadrados dedicado à oração contínua, retiros espirituais e produção de conteúdo religioso. O terreno, sozinho, custou cerca de R$ 21,9 milhões. E esse é apenas o começo.

Segundo a organização responsável, a iniciativa será financiada integralmente por doações de fiéis, sem uso de recursos públicos. Ainda assim, o contraste entre o chamado “voto de pobreza”, tradicional na vida religiosa, e a grandiosidade do empreendimento chama atenção e provoca incômodo.

<><> Um “oásis espiritual” de milhões

O projeto é descrito como um centro de “adoração perpétua”, com funcionamento 24 horas por dia. Entre as estruturas previstas estão uma capela principal com capacidade para 500 pessoas, cinco capelas temáticas inspiradas em Nossa Senhora de Guadalupe, estúdios de gravação, prédios administrativos e uma área de hospedagem com cerca de 200 quartos individuais.

A proposta, segundo seus idealizadores, é oferecer experiências de imersão espiritual, com silêncio, oração e afastamento da rotina — algo semelhante a retiros internacionais já consolidados. Com milhões de seguidores nas redes sociais, frei Gilson se tornou um fenômeno de audiência, especialmente com suas transmissões ao vivo de madrugada. Essa base digital robusta também se converte em capacidade de arrecadação.

Campanhas online, doações espontâneas e até a venda de produtos religiosos ajudam a sustentar o projeto. O modelo não é ilegal, tampouco inédito. Mas levanta uma questão ética importante: quando a fé se torna dependente de grandes estruturas financeiras, ela ainda preserva sua essência? Historicamente, movimentos religiosos que se afastaram da simplicidade acabaram sendo alvo de críticas — e, em muitos casos, de crises internas. A própria Igreja Católica já enfrentou momentos em que o acúmulo de riqueza gerou questionamentos profundos, levando a reformas e rupturas.

Outro ponto que gera debate é o papel crescente de lideranças religiosas no campo político e ideológico. Embora não haja, até o momento, evidência direta de uso do projeto para fins partidários, o histórico recente do Brasil mostra como figuras religiosas com grande alcance podem rapidamente transitar entre o púlpito e o palanque. No caso do frei Gilson, ele mesmo já fez declarações abertamente anticomunistas e recebeu apoio do então presidente Jair Bolsonaro.

A associação entre fé, poder e influência é um terreno delicado e o caso não é isolado.  Ele reflete uma transformação mais ampla: a religião na era digital. Líderes espirituais se tornaram influenciadores, comunidades migraram para plataformas online e a fé passou a circular também como conteúdo.

Nesse contexto, a construção de espaços físicos grandiosos pode ser vista como uma tentativa de materializar essa audiência virtual: transformar seguidores em presença, cliques em peregrinação.

A construção do megatemplo ainda depende de licenças e pode levar anos para ser concluída. Até lá, o debate deve se intensificar. De um lado, fiéis que veem no projeto uma oportunidade de aprofundar sua espiritualidade. De outro, críticos que enxergam um desvio do essencial: uma fé que, em vez de se aproximar dos pobres, se aproxima do poder.

No fim, a questão central talvez seja simples, mas profunda: estamos seguindo o Evangelho — ou apenas aqueles que falam em seu nome? Porque, como a própria tradição cristã ensina, não é o tamanho do templo que define a fé. É o que se faz fora dele.

•        ESCÂNDALO: Pastor que teve um caso com a nora pode ser pai dos “netos”

m escândalo de grandes proporções vem abalando os bastidores da Assembleia de Deus Missão em Marabá, no Pará. O caso, que inicialmente parecia restrito a questões administrativas e de sucessão, ganhou contornos ainda mais delicados após surgirem suspeitas envolvendo relações pessoais, paternidade e possíveis conflitos éticos dentro da liderança religiosa.

No centro das apurações está uma série de questionamentos sobre os vínculos familiares envolvendo Luciana Salles, Kennedy e o pastor Sales Batista. Diante da gravidade da situação, a realização de exames de DNA passou a ser considerada por membros da família, incluindo Raquel Viegas, como forma de esclarecer definitivamente a paternidade das crianças, pois há a suposição de que as crianças, até então consideradas netos, seriam, na verdade, filhos do próprio Sales Batista. A idade dos meninos coincide com o período em que o pastor mantinha um relacionamento com a nora.

O tema tem sido tratado com extrema cautela nos bastidores, não apenas pelo impacto familiar, mas também pelas implicações morais e institucionais que pode gerar dentro da igreja. A eventual confirmação de tais suspeitas pode abalar profundamente a credibilidade da liderança e provocar consequências irreversíveis na estrutura da instituição.

Outro ponto que intensifica a crise envolve o passado de Luciana Salles. Segundo relatos colhidos durante as apurações, ela seria garota de programa e teria sido apresentada a Kennedy pelo próprio pastor Sales Batista em circunstâncias controversas. Fontes afirmam que, à época, Kennedy já era casado, o que adiciona um elemento de possível quebra de princípios defendidos pela própria igreja.

Esses elementos, embora ainda não oficialmente confirmados, têm alimentado tensões internas e ampliado o desgaste público da instituição. O silêncio das partes envolvidas também contribui para o aumento das especulações. Enquanto isso, a crise já ultrapassa o campo pessoal e se consolida como um problema institucional.

<><> Relembre o caso

A crise veio à tona, em dezembro do ano passado (2025), inicialmente como um processo de transição na liderança da Assembleia de Deus Missão em Marabá, após o afastamento do pastor Sales Batista. À época, o episódio foi tratado como uma mudança administrativa, sem maiores detalhes divulgados ao público.

Mas relatos considerados consistentes por lideranças da Assembleia de Deus indicam que Kennedy teria agido de forma consciente diante do relacionamento extraconjugal entre seu pai, o pastor Sales Batista, e sua esposa, Luciana Salles. Segundo essas fontes, ele não apenas sabia do envolvimento, como teria se aproveitado da situação para enfraquecer o pai e reconfigurar o controle de poder dentro da família, ou seja, o próprio filho tramou o caso do seu pai com a nora (sua esposa).

As apurações apontam que o objetivo seria retirar da mãe, Raquel Viegas, o domínio sobre o patrimônio familiar, majoritariamente sob sua gestão, e assumir essa posição. Há ainda suspeitas de um plano extremo: assassinar a própria mãe e atribuir a culpa ao pai, o que consolidaria o controle sobre os bens e neutralizaria ambos. Nesse contexto, Kennedy se veria como único herdeiro, ignorando a existência da irmã, Kelly Raquel, que enfrenta sérios problemas de saúde.

Desconfiada de movimentações atípicas, Raquel teria iniciado investigações por conta própria, chegando a contratar um detetive particular. As apurações teriam revelado que o próprio Kennedy facilitava os encontros entre Luciana e o pastor dentro da residência da família, aprofundando ainda mais a crise e a complexidade do caso.

 

Fonte: Fórum

 

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