Coaf
aponta repasse de R$ 250 mil da J&F para empresa do filho de Arthur Lira
Uma
empresa registrada em nome de Arthur Cesar Pereira de Lira Filho, filho do
deputado federal Arthur Lira (PP-AL), recebeu R$ 250 mil da J&F
Participações e foi citada em um Relatório de Inteligência Financeira, o RIF,
do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
De
acordo com a apuração, a empresa é a Archon S/A, aberta em maio de 2025 com
capital social de R$ 100 mil. O relatório citado pela imprensa aponta que os
repasses da J&F ocorreram entre fevereiro e outubro de 2025 e classificou a
movimentação como atípica, segundo revelou o jornal O Estado de S. Paulo.
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O que o relatório aponta
Segundo
os relatos publicados, um dos motivos do alerta foi a suposta incompatibilidade
entre a atividade econômica cadastrada da empresa e a natureza das operações
feitas com a holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista. O documento, conforme
a reportagem, não detalha quais serviços teriam dado origem aos pagamentos.
O Coaf
informa que o RIF é o documento usado para registrar análises de inteligência
financeira quando há indícios a serem encaminhados a autoridades competentes. O
próprio órgão também esclarece, em material institucional, que essas
informações não constituem prova de ilícito por si só e servem para subsidiar
eventual apuração.
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Defesa de Lira e posição da J&F
A
assessoria de Arthur Lira afirmou que Arthur Cesar atua no setor de publicidade
e marketing há mais de cinco anos e mantém diversos clientes corporativos.
Segundo a defesa, todos os pagamentos feitos a empresas ligadas a ele foram
precedidos da emissão de nota fiscal e decorrem de serviços regularmente
prestados.
A
J&F também afirmou que os pagamentos se referem a produtos ou serviços
comprovadamente prestados, com recolhimento dos tributos devidos. A empresa
ainda criticou o vazamento de informações protegidas por sigilo.
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Empresa foi aberta em 2025
Conforme
os dados cadastrais citados na reportagem, a Archon S/A foi formalizada em 2025
e tem como atividade principal a atuação como correspondente de instituições
financeiras. Entre as atividades secundárias, aparecem consultoria em
publicidade, marketing e participação em holdings.
O
material também informa que o relatório menciona Arthur Cesar Pereira de Lira
Filho, de 26 anos, com residência registrada em Maceió. A defesa, por sua vez,
afirma que ele vive em Brasília há quase dez anos.
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Contexto político
Arthur
Lira segue no centro de disputas políticas e de investigações que atingem seu
entorno. Em dezembro de 2025, a Revista Fórum mostrou que uma ex-assessora do
deputado foi alvo de operação da Polícia Federal em investigação sobre suposto
esquema de corrupção com emendas parlamentares. No mesmo período, a Fórum
também detalhou os desdobramentos da Operação Transparência, que atingiu
pessoas ligadas ao ex-presidente da Câmara.
• MPF: deputado simulou aluguel de carros
para empresa ligada a motel
O
Ministério Público Federal (MPF) acusa o deputado federal André Abdon
(Progressistas-AP) de simular contratos de aluguel de veículos, pagos com
dinheiro público, para destinar recursos a uma empresa registrada em endereço
de motel. Segundo os procuradores, as despesas eram direcionadas a um
estabelecimento comandado pelo filho de um ex-assessor do parlamentar.
O
material encaminhado à Justiça Federal, obtido e checado pela coluna, aponta
que os pagamentos teriam sido feitos com recursos da cota parlamentar entre
agosto e novembro de 2015 e entre janeiro e outubro de 2016.
Há
registros com uso da cota também em outro período: fevereiro a julho de 2019,
quando foi declarada a locação de uma VW Amarok.
De
acordo com o MPF, as despesas teriam sido justificadas como locação de veículos
usados na atividade parlamentar.
Os
contratos foram firmados com a empresa Scorpion, cujo proprietário é Luiz
Carlos Dunningham Leitão Junior. O CNPJ está registrado como empresário
individual — modelo em que a empresa tem apenas um titular e, por isso, não
apresenta quadro societário na Receita Federal.
Em
constatação da coluna, por meio do Google Street View, o endereço informado no
CNPJ — e que consta no contrato de locação de veículo entregue à Câmara —
funciona como um motel, com placa que anuncia “seu prazer sem limites”.
O pai
de Luiz Carlos Dunningham Leitão Junior, Luiz Carlos Dunningham Leitão,
trabalhou em duas ocasiões no gabinete de Abdon: como secretário parlamentar de
28 de novembro de 2018 a 28 de fevereiro de 2019.
Há uma
emissão de nota fiscal para locação de veículo ao próprio parlamentar em 27 de
fevereiro de 2019, no valor de R$ 7,2 mil.
O outro
período em que Dunningham pai atuou como secretário parlamentar do deputado
ocorreu entre maio de 2022 e janeiro de 2023, com vencimentos mensais de R$ 12
mil. Nesse intervalo, o parlamentar registrou despesas com locação de veículos
junto a outra empresa.
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R$ 196 mil
O MPF
pede nesse caso o ressarcimento de R$ 196 mil usados nos contratos de locação
de veículos investigados, além da condenação do parlamentar pelos crimes de
peculato e falsidade ideológica.
Procurada,
a assessoria do deputado informou que ele já se manifestou sobre a investigação
do Ministério Público na instância anterior e que ainda não foi intimado nos
autos para apresentar defesa. A equipe também afirmou que o parlamentar nunca
teve problemas com prestações de contas, “seguindo os mesmos procedimentos
adotados por outros parlamentares” (leia a nota na íntegra abaixo).
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Motel
O mesmo
motel, hoje em nome do filho de Luiz Carlos, também já esteve registrado
anteriormente no nome da mãe do deputado.
Em
análise dos procuradores e checada pela coluna, o local funcionou como motel no
nome da mãe do deputado, com o mesmo nome: Scorpion.
O caso
foi remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF), tendo em vista que o
parlamentar tem prerrogativa de foro.
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Nota
O
deputado federal André Abdon se manifestou sobre a investigação conduzida pelo
Ministério Público Federal, que apura contratos de locação de veículos
custeados com recursos da atividade parlamentar.
De
acordo com a assessoria do parlamentar, alguns esclarecimentos são necessários
para melhor compreensão do caso. Entre eles, o fato de que a ação em curso
ainda não resultou na intimação formal do deputado para apresentação de defesa
técnica.
Mesmo
assim, André Abdon reforça que está preparado para apresentar sua convicção
jurídica e esclarecer todos os pontos levantados. Segundo a defesa, a
utilização de recursos para locação de veículos está prevista dentro da verba
de gabinete destinada ao exercício do mandato parlamentar.
A
assessoria destaca ainda que os contratos foram realizados com valores
compatíveis com o mercado local, considerando a média praticada em Macapá, e
com empresa que possui veículos registrados em seu nome, o que comprovaria a
atividade regular de locação.
Outro
ponto ressaltado é que a empresa contratada possui múltiplas atividades
registradas, não cabendo ao parlamentar qualquer ingerência sobre a natureza
empresarial além do serviço contratado.
O
deputado, que está em seu terceiro mandato, afirma que nunca teve problemas em
suas prestações de contas, seguindo os mesmos procedimentos adotados por outros
parlamentares: contratação do serviço, pagamento e posterior apresentação das
notas fiscais para reembolso junto à Câmara.
Por
fim, André Abdon afirma que aguarda com tranquilidade a notificação oficial
para apresentar sua defesa técnica, confiante de que será possível comprovar a
legalidade das despesas realizadas.
O caso
segue em apuração pelas autoridades competentes, respeitando os princípios do
contraditório e da ampla defesa.
• Zettel, doador de Bolsonaro e Tarcísio,
recebeu R$ 485 milhões no caso Master
Fabiano
Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e maior doador individual das campanhas de
Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2022, recebeu R$
485 milhões da Super Empreendimentos de julho de 2022 a janeiro de 2026. A
empresa é investigada pela Polícia Federal no caso Master e teve as atividades
suspensas por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal
(STF).
O novo
fluxo de recursos reforça o peso de Zettel dentro da Operação Compliance Zero.
Na terceira fase da investigação, ele teve a prisão preventiva mantida e é
apontado pela PF como operador financeiro do grupo ligado a Vorcaro, com papel
de intermediar e operacionalizar pagamentos sob investigação.
A
informação foi revelada pela Folha de S.Paulo nesta sexta (20). Segundo a
reportagem, os repasses incluem R$ 160 milhões recebidos apenas em 2025, em 264
transferências. O período de maior concentração mensal teria ocorrido entre
fevereiro e abril do ano passado, com operações de cerca de R$ 5 milhões.
A Fórum
já mostrou que Zettel foi o maior doador pessoa física das campanhas de
Bolsonaro e Tarcísio em 2022. No portal do Tribunal Superior Eleitoral, ele
aparece com R$ 3 milhões destinados à campanha presidencial de Bolsonaro e R$ 2
milhões à campanha de Tarcísio ao governo de São Paulo.
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Fabiano Zettel no núcleo do caso Master
O nome
de Zettel já vinha ganhando centralidade nas apurações sobre o Banco Master. Em
março, a Fórum noticiou que o empresário, além do vínculo familiar com Vorcaro,
havia se tornado alvo direto das medidas mais duras da operação. Agora, o valor
de R$ 485 milhões atribuído à Super amplia ainda mais seu peso na investigação.
Nas
investigações, a PF analisa mensagens trocadas entre Fabiano Zettel e Vorcaro
com ordens de pagamento e referências a transações financeiras. A linha de
apuração sustenta que ele atuava como elo operacional de movimentações tratadas
como centrais no inquérito, e não apenas como parente ou sócio ligado ao grupo.
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Super Empreendimentos reaparece em mais de uma frente da investigação
A Super
Empreendimentos é citada em diferentes trilhas do caso Master. Segundo a
apuração, a empresa teria sido usada para movimentar recursos, adquirir bens,
alimentar fundos de investimento e viabilizar pagamentos atribuídos ao grupo
investigado. A estrutura também aparece associada a repasses a ex-integrantes
do Banco Central investigados no mesmo caso.
Na
decisão que autorizou a terceira fase da Compliance Zero, André Mendonça
acolheu pedido da Polícia Federal para suspender, por tempo indeterminado, as
atividades da Super Empreendimentos, da Moriah Asset e de outras empresas
apontadas como diretamente envolvidas no esquema. O material também menciona o
grupo conhecido como “A Turma”, descrito nas investigações como braço usado
para monitorar e pressionar pessoas consideradas adversárias de Vorcaro ou
ligadas às apurações sobre o banco.
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Doações a Bolsonaro e Tarcísio ampliam o peso político do caso
O
componente político da notícia é direto. Fabiano Zettel não aparece apenas como
empresário do entorno de Vorcaro, mas como o principal doador pessoa física das
campanhas de Bolsonaro e Tarcísio em 2022. No total, foram R$ 5 milhões
destinados aos dois candidatos, valor que o colocou entre os nomes mais
relevantes do financiamento eleitoral daquele ano.
Com o
novo fluxo de R$ 485 milhões atribuído à Super Empreendimentos, Zettel reúne,
no mesmo eixo, o vínculo familiar com Vorcaro, a posição operacional atribuída
pela PF e a condição de principal doador pessoa física de Bolsonaro e Tarcísio
em 2022. Isso amplia o peso político do caso Master no momento em que o STF
manteve as prisões preventivas da terceira fase da operação.
• Quem é o assessor de deputado do PL
preso em operação com R$ 2,7 milhões
ernando
José Palma Sampaio, assessor parlamentar do deputado federal Vinicius Carvalho
(PL-SP), foi preso em flagrante pela Polícia Federal (PF), durante operação,
com R$ 2,7 milhões em dinheiro vivo. A ação foi realizada em Recife, capital de
Pernambuco.
As
prisões aconteceram depois da retirada de R$ 2.733.000 em espécie em uma
agência bancária na região central da cidade. Um dos suspeitos foi responsável
por retirar o dinheiro, que seria repassado a outros três envolvidos.
O grupo
tinha chegado à capital pernambucana pouco antes da ação, em um jato
particular, o que levantou suspeitas. Todos foram levados à sede da PF e
autuados em flagrante por lavagem de dinheiro.
No
cargo, recebia remuneração líquida de R$ 9.306,76, além de R$ 1.784,42 em
auxílios, de acordo com informações do Metrópoles.
Conforme
as investigações, ele atuava como segurança do grupo no momento da abordagem.
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O que diz o deputado
O
deputado Vinicius Carvalho (PL-SP) divulgou uma nota para comentar o caso.
Disse que recebeu a informação com surpresa e que não tinha conhecimento das
ações do assessor.
“Não há
qualquer relação entre o parlamentar e os fatos investigados”, afirmou, por
intermédio de seu advogado Antonio Belarmino Jr. O parlamentar também apontou
que mandou exonerar o assessor.
• Coaf vê indícios de “rachadinha” de
ex-secretário da Pesca do Maranhão
Um
relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), enviado à
CPMI do INSS, encontrou indícios da prática de “rachadinha” por parte de
ex-assessores do deputado estadual Edson Cunha de Araújo (PSB-MA). Até janeiro
passado, Araújo era secretário da Pesca do governo do Maranhão, na gestão do
governador Carlos Brandão (PSB).
Além de
deputado estadual, Edson Araújo é um dos vice-presidentes da Confederação
Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), uma das entidades
suspeitas de efetuar descontos não autorizados dos benefícios de aposentados do
INSS.
As
menções a “rachadinha” aparecem na análise da movimentação financeira de dois
assessores de Araújo no Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Coaf,
enviado à CPMI do INSS.
O RIF
narra que, em 2022, o assessor Helioenay Rodrigues de Sousa recebia “proventos
e (sacava) praticamente todo valor, havendo indício de envolvimento em esquema
de ‘rachadinha’. Suspeita-se de utilização da conta pessoal para trânsito de
recursos de terceiros, podendo constituir tentativa de burla fiscal”.
Sobre o
ex-assessor Magno Moreira Pinto Júnior, o RIF menciona que ele “efetuou saques
em espécie, realizados em valores que impossibilitam a identificação do
destinatário final dos recursos. Recebe proventos e saca praticamente todo o
valor, havendo indício de envolvimento em esquema de ‘rachadinha’”.
Sobre o
próprio Edson Araújo, o relatório do Coaf nota que ele costumava realizar
“depósitos (…) em espécie, de forma fracionada, o que sugere tentativa de burla
à identificação de depositantes e operações em espécie ao Coaf”.
Mesmo
sem nenhum funcionário registrado, a CBPA recebeu pelo menos R$ 221 milhões em
descontos de aposentadorias. Para a Controladoria-Geral da União (CGU), a
entidade não tem condições de prestar os serviços, o que levanta suspeitas de
fraude.
Araújo
ficou conhecido por ter supostamente ameaçado o vice-presidente da CPMI do
INSS, o deputado Duarte Júnior (PSB-MA).
Questionado
pelo correligionário sobre pagamentos recebidos da CBPA, inclusive por meio de
assessores, Edson Araújo usou tom ameaçador. “Você é um palhaço, irresponsável
e incompetente. Nunca recebi nada de aposentado, nós ainda vamos nos
encontrar”, disse Araújo em uma das mensagens.
Duarte
Júnior registrou um boletim de ocorrência contra o deputado e passou a andar
com segurança reforçada após o episódio.
A
coluna procurou o deputado estadual Edson Araújo na tarde desta quinta-feira,
por e-mail, mas não houve resposta. O espaço segue aberto.
Araújo
movimentou R$ 112 milhões e declarou só 1,1% no IR
A
quebra do sigilo fiscal e bancário de Edson Araújo também mostra que o
ex-secretário tinha uma movimentação financeira incompatível com sua renda
declarada. Só no ano de 2024, enquanto era secretário da Pesca do Maranhão,
passaram por suas contas bancárias R$ 112,3 milhões (R$ 112.341.329,66).
Desse
total, R$ 88,2 milhões foram em créditos, e R$ 24,09 milhões, em débitos.
Naquele
ano, a declaração de Imposto de Renda de Edson Araújo lista rendimentos totais
de R$ 972 mil (R$ 972.468,61). Esse valor representa apenas 1,1% do total de
créditos recebidos nas contas bancárias de Edson (R$ 88.249.874,16).
Ao
todo, de 2023 a 2025, o ex-secretário movimentou R$ 173 milhões em suas contas
bancárias.
Fonte:
Fórum/Metrópoles

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