quarta-feira, 25 de março de 2026

Coaf aponta repasse de R$ 250 mil da J&F para empresa do filho de Arthur Lira

Uma empresa registrada em nome de Arthur Cesar Pereira de Lira Filho, filho do deputado federal Arthur Lira (PP-AL), recebeu R$ 250 mil da J&F Participações e foi citada em um Relatório de Inteligência Financeira, o RIF, do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

De acordo com a apuração, a empresa é a Archon S/A, aberta em maio de 2025 com capital social de R$ 100 mil. O relatório citado pela imprensa aponta que os repasses da J&F ocorreram entre fevereiro e outubro de 2025 e classificou a movimentação como atípica, segundo revelou o jornal O Estado de S. Paulo.

<><> O que o relatório aponta

Segundo os relatos publicados, um dos motivos do alerta foi a suposta incompatibilidade entre a atividade econômica cadastrada da empresa e a natureza das operações feitas com a holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista. O documento, conforme a reportagem, não detalha quais serviços teriam dado origem aos pagamentos.

O Coaf informa que o RIF é o documento usado para registrar análises de inteligência financeira quando há indícios a serem encaminhados a autoridades competentes. O próprio órgão também esclarece, em material institucional, que essas informações não constituem prova de ilícito por si só e servem para subsidiar eventual apuração.

<><> Defesa de Lira e posição da J&F

A assessoria de Arthur Lira afirmou que Arthur Cesar atua no setor de publicidade e marketing há mais de cinco anos e mantém diversos clientes corporativos. Segundo a defesa, todos os pagamentos feitos a empresas ligadas a ele foram precedidos da emissão de nota fiscal e decorrem de serviços regularmente prestados.

A J&F também afirmou que os pagamentos se referem a produtos ou serviços comprovadamente prestados, com recolhimento dos tributos devidos. A empresa ainda criticou o vazamento de informações protegidas por sigilo.

<><> Empresa foi aberta em 2025

Conforme os dados cadastrais citados na reportagem, a Archon S/A foi formalizada em 2025 e tem como atividade principal a atuação como correspondente de instituições financeiras. Entre as atividades secundárias, aparecem consultoria em publicidade, marketing e participação em holdings.

O material também informa que o relatório menciona Arthur Cesar Pereira de Lira Filho, de 26 anos, com residência registrada em Maceió. A defesa, por sua vez, afirma que ele vive em Brasília há quase dez anos.

<><> Contexto político

Arthur Lira segue no centro de disputas políticas e de investigações que atingem seu entorno. Em dezembro de 2025, a Revista Fórum mostrou que uma ex-assessora do deputado foi alvo de operação da Polícia Federal em investigação sobre suposto esquema de corrupção com emendas parlamentares. No mesmo período, a Fórum também detalhou os desdobramentos da Operação Transparência, que atingiu pessoas ligadas ao ex-presidente da Câmara.

•        MPF: deputado simulou aluguel de carros para empresa ligada a motel

O Ministério Público Federal (MPF) acusa o deputado federal André Abdon (Progressistas-AP) de simular contratos de aluguel de veículos, pagos com dinheiro público, para destinar recursos a uma empresa registrada em endereço de motel. Segundo os procuradores, as despesas eram direcionadas a um estabelecimento comandado pelo filho de um ex-assessor do parlamentar.

O material encaminhado à Justiça Federal, obtido e checado pela coluna, aponta que os pagamentos teriam sido feitos com recursos da cota parlamentar entre agosto e novembro de 2015 e entre janeiro e outubro de 2016.

Há registros com uso da cota também em outro período: fevereiro a julho de 2019, quando foi declarada a locação de uma VW Amarok.

De acordo com o MPF, as despesas teriam sido justificadas como locação de veículos usados na atividade parlamentar.

Os contratos foram firmados com a empresa Scorpion, cujo proprietário é Luiz Carlos Dunningham Leitão Junior. O CNPJ está registrado como empresário individual — modelo em que a empresa tem apenas um titular e, por isso, não apresenta quadro societário na Receita Federal.

Em constatação da coluna, por meio do Google Street View, o endereço informado no CNPJ — e que consta no contrato de locação de veículo entregue à Câmara — funciona como um motel, com placa que anuncia “seu prazer sem limites”.

O pai de Luiz Carlos Dunningham Leitão Junior, Luiz Carlos Dunningham Leitão, trabalhou em duas ocasiões no gabinete de Abdon: como secretário parlamentar de 28 de novembro de 2018 a 28 de fevereiro de 2019.

Há uma emissão de nota fiscal para locação de veículo ao próprio parlamentar em 27 de fevereiro de 2019, no valor de R$ 7,2 mil.

O outro período em que Dunningham pai atuou como secretário parlamentar do deputado ocorreu entre maio de 2022 e janeiro de 2023, com vencimentos mensais de R$ 12 mil. Nesse intervalo, o parlamentar registrou despesas com locação de veículos junto a outra empresa.

<><> R$ 196 mil

O MPF pede nesse caso o ressarcimento de R$ 196 mil usados nos contratos de locação de veículos investigados, além da condenação do parlamentar pelos crimes de peculato e falsidade ideológica.

Procurada, a assessoria do deputado informou que ele já se manifestou sobre a investigação do Ministério Público na instância anterior e que ainda não foi intimado nos autos para apresentar defesa. A equipe também afirmou que o parlamentar nunca teve problemas com prestações de contas, “seguindo os mesmos procedimentos adotados por outros parlamentares” (leia a nota na íntegra abaixo).

<><> Motel

O mesmo motel, hoje em nome do filho de Luiz Carlos, também já esteve registrado anteriormente no nome da mãe do deputado.

Em análise dos procuradores e checada pela coluna, o local funcionou como motel no nome da mãe do deputado, com o mesmo nome: Scorpion.

O caso foi remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF), tendo em vista que o parlamentar tem prerrogativa de foro.

>>>> Nota

O deputado federal André Abdon se manifestou sobre a investigação conduzida pelo Ministério Público Federal, que apura contratos de locação de veículos custeados com recursos da atividade parlamentar.

De acordo com a assessoria do parlamentar, alguns esclarecimentos são necessários para melhor compreensão do caso. Entre eles, o fato de que a ação em curso ainda não resultou na intimação formal do deputado para apresentação de defesa técnica.

Mesmo assim, André Abdon reforça que está preparado para apresentar sua convicção jurídica e esclarecer todos os pontos levantados. Segundo a defesa, a utilização de recursos para locação de veículos está prevista dentro da verba de gabinete destinada ao exercício do mandato parlamentar.

A assessoria destaca ainda que os contratos foram realizados com valores compatíveis com o mercado local, considerando a média praticada em Macapá, e com empresa que possui veículos registrados em seu nome, o que comprovaria a atividade regular de locação.

Outro ponto ressaltado é que a empresa contratada possui múltiplas atividades registradas, não cabendo ao parlamentar qualquer ingerência sobre a natureza empresarial além do serviço contratado.

O deputado, que está em seu terceiro mandato, afirma que nunca teve problemas em suas prestações de contas, seguindo os mesmos procedimentos adotados por outros parlamentares: contratação do serviço, pagamento e posterior apresentação das notas fiscais para reembolso junto à Câmara.

Por fim, André Abdon afirma que aguarda com tranquilidade a notificação oficial para apresentar sua defesa técnica, confiante de que será possível comprovar a legalidade das despesas realizadas.

O caso segue em apuração pelas autoridades competentes, respeitando os princípios do contraditório e da ampla defesa.

•        Zettel, doador de Bolsonaro e Tarcísio, recebeu R$ 485 milhões no caso Master

Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e maior doador individual das campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2022, recebeu R$ 485 milhões da Super Empreendimentos de julho de 2022 a janeiro de 2026. A empresa é investigada pela Polícia Federal no caso Master e teve as atividades suspensas por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O novo fluxo de recursos reforça o peso de Zettel dentro da Operação Compliance Zero. Na terceira fase da investigação, ele teve a prisão preventiva mantida e é apontado pela PF como operador financeiro do grupo ligado a Vorcaro, com papel de intermediar e operacionalizar pagamentos sob investigação.

A informação foi revelada pela Folha de S.Paulo nesta sexta (20). Segundo a reportagem, os repasses incluem R$ 160 milhões recebidos apenas em 2025, em 264 transferências. O período de maior concentração mensal teria ocorrido entre fevereiro e abril do ano passado, com operações de cerca de R$ 5 milhões.

A Fórum já mostrou que Zettel foi o maior doador pessoa física das campanhas de Bolsonaro e Tarcísio em 2022. No portal do Tribunal Superior Eleitoral, ele aparece com R$ 3 milhões destinados à campanha presidencial de Bolsonaro e R$ 2 milhões à campanha de Tarcísio ao governo de São Paulo.

<><> Fabiano Zettel no núcleo do caso Master

O nome de Zettel já vinha ganhando centralidade nas apurações sobre o Banco Master. Em março, a Fórum noticiou que o empresário, além do vínculo familiar com Vorcaro, havia se tornado alvo direto das medidas mais duras da operação. Agora, o valor de R$ 485 milhões atribuído à Super amplia ainda mais seu peso na investigação.

Nas investigações, a PF analisa mensagens trocadas entre Fabiano Zettel e Vorcaro com ordens de pagamento e referências a transações financeiras. A linha de apuração sustenta que ele atuava como elo operacional de movimentações tratadas como centrais no inquérito, e não apenas como parente ou sócio ligado ao grupo.

<><> Super Empreendimentos reaparece em mais de uma frente da investigação

A Super Empreendimentos é citada em diferentes trilhas do caso Master. Segundo a apuração, a empresa teria sido usada para movimentar recursos, adquirir bens, alimentar fundos de investimento e viabilizar pagamentos atribuídos ao grupo investigado. A estrutura também aparece associada a repasses a ex-integrantes do Banco Central investigados no mesmo caso.

Na decisão que autorizou a terceira fase da Compliance Zero, André Mendonça acolheu pedido da Polícia Federal para suspender, por tempo indeterminado, as atividades da Super Empreendimentos, da Moriah Asset e de outras empresas apontadas como diretamente envolvidas no esquema. O material também menciona o grupo conhecido como “A Turma”, descrito nas investigações como braço usado para monitorar e pressionar pessoas consideradas adversárias de Vorcaro ou ligadas às apurações sobre o banco.

<><> Doações a Bolsonaro e Tarcísio ampliam o peso político do caso

O componente político da notícia é direto. Fabiano Zettel não aparece apenas como empresário do entorno de Vorcaro, mas como o principal doador pessoa física das campanhas de Bolsonaro e Tarcísio em 2022. No total, foram R$ 5 milhões destinados aos dois candidatos, valor que o colocou entre os nomes mais relevantes do financiamento eleitoral daquele ano.

Com o novo fluxo de R$ 485 milhões atribuído à Super Empreendimentos, Zettel reúne, no mesmo eixo, o vínculo familiar com Vorcaro, a posição operacional atribuída pela PF e a condição de principal doador pessoa física de Bolsonaro e Tarcísio em 2022. Isso amplia o peso político do caso Master no momento em que o STF manteve as prisões preventivas da terceira fase da operação.

•        Quem é o assessor de deputado do PL preso em operação com R$ 2,7 milhões

ernando José Palma Sampaio, assessor parlamentar do deputado federal Vinicius Carvalho (PL-SP), foi preso em flagrante pela Polícia Federal (PF), durante operação, com R$ 2,7 milhões em dinheiro vivo. A ação foi realizada em Recife, capital de Pernambuco.

As prisões aconteceram depois da retirada de R$ 2.733.000 em espécie em uma agência bancária na região central da cidade. Um dos suspeitos foi responsável por retirar o dinheiro, que seria repassado a outros três envolvidos.

O grupo tinha chegado à capital pernambucana pouco antes da ação, em um jato particular, o que levantou suspeitas. Todos foram levados à sede da PF e autuados em flagrante por lavagem de dinheiro.

No cargo, recebia remuneração líquida de R$ 9.306,76, além de R$ 1.784,42 em auxílios, de acordo com informações do Metrópoles.

Conforme as investigações, ele atuava como segurança do grupo no momento da abordagem.

<><> O que diz o deputado

O deputado Vinicius Carvalho (PL-SP) divulgou uma nota para comentar o caso. Disse que recebeu a informação com surpresa e que não tinha conhecimento das ações do assessor.

“Não há qualquer relação entre o parlamentar e os fatos investigados”, afirmou, por intermédio de seu advogado Antonio Belarmino Jr. O parlamentar também apontou que mandou exonerar o assessor.

•        Coaf vê indícios de “rachadinha” de ex-secretário da Pesca do Maranhão

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), enviado à CPMI do INSS, encontrou indícios da prática de “rachadinha” por parte de ex-assessores do deputado estadual Edson Cunha de Araújo (PSB-MA). Até janeiro passado, Araújo era secretário da Pesca do governo do Maranhão, na gestão do governador Carlos Brandão (PSB).

Além de deputado estadual, Edson Araújo é um dos vice-presidentes da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), uma das entidades suspeitas de efetuar descontos não autorizados dos benefícios de aposentados do INSS.

As menções a “rachadinha” aparecem na análise da movimentação financeira de dois assessores de Araújo no Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Coaf, enviado à CPMI do INSS.

O RIF narra que, em 2022, o assessor Helioenay Rodrigues de Sousa recebia “proventos e (sacava) praticamente todo valor, havendo indício de envolvimento em esquema de ‘rachadinha’. Suspeita-se de utilização da conta pessoal para trânsito de recursos de terceiros, podendo constituir tentativa de burla fiscal”.

Sobre o ex-assessor Magno Moreira Pinto Júnior, o RIF menciona que ele “efetuou saques em espécie, realizados em valores que impossibilitam a identificação do destinatário final dos recursos. Recebe proventos e saca praticamente todo o valor, havendo indício de envolvimento em esquema de ‘rachadinha’”.

Sobre o próprio Edson Araújo, o relatório do Coaf nota que ele costumava realizar “depósitos (…) em espécie, de forma fracionada, o que sugere tentativa de burla à identificação de depositantes e operações em espécie ao Coaf”.

Mesmo sem nenhum funcionário registrado, a CBPA recebeu pelo menos R$ 221 milhões em descontos de aposentadorias. Para a Controladoria-Geral da União (CGU), a entidade não tem condições de prestar os serviços, o que levanta suspeitas de fraude.

Araújo ficou conhecido por ter supostamente ameaçado o vice-presidente da CPMI do INSS, o deputado Duarte Júnior (PSB-MA).

Questionado pelo correligionário sobre pagamentos recebidos da CBPA, inclusive por meio de assessores, Edson Araújo usou tom ameaçador. “Você é um palhaço, irresponsável e incompetente. Nunca recebi nada de aposentado, nós ainda vamos nos encontrar”, disse Araújo em uma das mensagens.

Duarte Júnior registrou um boletim de ocorrência contra o deputado e passou a andar com segurança reforçada após o episódio.

A coluna procurou o deputado estadual Edson Araújo na tarde desta quinta-feira, por e-mail, mas não houve resposta. O espaço segue aberto.

Araújo movimentou R$ 112 milhões e declarou só 1,1% no IR

A quebra do sigilo fiscal e bancário de Edson Araújo também mostra que o ex-secretário tinha uma movimentação financeira incompatível com sua renda declarada. Só no ano de 2024, enquanto era secretário da Pesca do Maranhão, passaram por suas contas bancárias R$ 112,3 milhões (R$ 112.341.329,66).

Desse total, R$ 88,2 milhões foram em créditos, e R$ 24,09 milhões, em débitos.

Naquele ano, a declaração de Imposto de Renda de Edson Araújo lista rendimentos totais de R$ 972 mil (R$ 972.468,61). Esse valor representa apenas 1,1% do total de créditos recebidos nas contas bancárias de Edson (R$ 88.249.874,16).

Ao todo, de 2023 a 2025, o ex-secretário movimentou R$ 173 milhões em suas contas bancárias.

 

Fonte: Fórum/Metrópoles

 

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