Cafeína:
dos efeitos terapêuticos aos riscos
A
cafeína é um alcalóide estimulante do sistema nervoso central que pertence ao
grupo das xantinas. Os derivados das xantinas são utilizados como estimulantes
cerebrais ou psicomotores por atuarem no córtex cerebral e nos centros
medulares. Por isso, a cafeína tem um efeito estimulante acentuado sobre a
função mental e comportamental. Ela atua no sistema nervoso autônomo e seu
mecanismo de ação inibe os receptores de adenosina.
A
adenosina é um neurotransmissor que age no controle da frequência cardíaca, da
pressão sanguínea e da temperatura corporal. É ela que induz as sensações de
sono e cansaço. Como a cafeína inibe sua ação, acaba provocando os efeitos
contrários. É por isso que o consumo de cafeína está relacionado com o aumento
da concentração, melhora do humor, controle de peso, entre outros.
No
entanto, pessoas que utilizam a substância regularmente acabam observando menos
suas sensações.
A
cafeína é a substância psicoativa mais consumida em todo o mundo, por todas as
faixas etárias, sexos e localizações geográficas. De acordo com estudo, a
estimativa é que o consumo mundial seja na ordem de 120 mil toneladas por ano.
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Alimentos que contêm cafeína
Em
produtos vegetais, a cafeína é encontrada em mais de 63 espécies de plantas.
Ela está presente em grandes doses nas sementes de café, folhas de chá verde,
cacau, guaraná e erva-mate. Também é encontrada em refrigerantes à base de
cola, bebidas energéticas e alguns medicamentos como antigripais, analgésicos e
inibidores de apetite. Uma lata de refrigerante de cola apresenta em torno de
34 mg a 41 mg de cafeína.
Entre
as fontes naturais de cafeína, o café é a mais ingerida. A concentração de
cafeína no café depende de diversos fatores, como:
• A variedade da planta
• O método de cultivo
• As condições de crescimento
• Aspectos genéticos e sazonais
Além
disso, quando a bebida é preparada, alguns fatores influenciam na quantidade de
cafeína que é absorvida. Eles são:
• Quantidade de pó
• Modo de produção (se o produto é torrado
ou instantâneo, descafeinado ou tradicional)
• Processo de preparo (expresso ou coado,
por exemplo)
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Concentração de cafeína e efeitos no organismo
Uma
xícara de café contém entre 60 mg e 150 mg de cafeína, dependendo do tipo de
café. O menor valor (60 mg) corresponde a uma xícara de café solúvel
instantâneo, enquanto um café coado pode chegar a 150 mg de cafeína por xícara.
Cafés
mais escuros dão a impressão de possuírem mais cafeína do que os claros, mas
isso não é verdade. Por mais que os cafés escuros sejam mais fortes e
encorpados, o processo de torrefação queima parte da cafeína. Por esse motivo,
os cafés de torra escura são uma opção melhor para quem deseja apreciar a
bebida sentindo com menor intensidade.
Segundo
o European Food Information Council, a média de meia-vida da cafeína no
organismo varia de duas até dez horas. Há grande variação individual, mas o
organismo atinge a concentração máxima cerca de 45 minutos após a ingestão.
Para o
comitê científico da European Food Safety Authority (EFSA), o limite de
segurança seria de 400 mg ao dia (cerca de quatro xícaras de café). A
quantidade serve para indivíduos adultos com cerca de 70 kg.
Para
mulheres grávidas, esses valores mudam, por conta da capacidade da cafeína ser
transmitida ao feto. Nesse caso, o valor seria de 200 mg ao dia. Um estudo,
mostrou que o consumo de cafeína na gravidez, mesmo em níveis mais baixos, está
associado à diminuição do crescimento fetal. As mulheres que consumiram mais de
50 mg tiveram recém-nascidos com peso menor, além de circunferência de braço e
coxa menor.
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Qual é o efeito da cafeína?
Uma
dose de café forte é capaz de aumentar a acuidade mental e sensorial em
minutos, produzir excitação e euforia. A cafeína possui efeito ergogênico, ou
seja, é um artifício que permite a intensificação da potência física, mental e
do limite mecânico. Assim retardando o
início da fadiga.
O uso
da cafeína é muito comum no meio esportivo. Nos últimos anos, pessoas que
buscam acelerar a perda de peso e praticantes de provas de resistência têm
feito uso da substância. A ingestão de apenas 3 mg a 6 mg de cafeína por
quilograma corporal já gera uma melhoria no desempenho atlético. Estudos
apontam que a cafeína aumenta a força muscular e a resistência ao processo de
fadiga.
Pesquisas
apontam para o papel ergogênico no desempenho de atividades físicas. Atletas
que consomem 330 mg de cafeína, duas xícaras de café forte, correm em média 15
minutos a mais do que sem cafeína.
Esse
efeito na performance se deve principalmente pela alteração da percepção do
cansaço. Em conjunto com essa redução da fadiga, o café aumenta a capacidade de
alerta. Assim, há uma melhora no desempenho de atividades que requerem atenção
e vigilância.
Pelo
fato da cafeína aumentar o desempenho físico, ela entrou na lista de
substâncias proibidas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). O órgão
estabeleceu o limite de 12 microgramas por mililitro (µg/ml) de cafeína na
urina como parâmetro para detecção de “doping”. Esse nível pode ser alcançado
com o consumo de três a seis copos de café forte.
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Auxílio na perda de peso
Segundo
estudo, a cafeína acelera o metabolismo e tem efeito termogênico, estimulando o
gasto calórico, e diurético. Além disso, tem efeito anorético (perda de
apetite) no sistema nervoso, o que leva a uma redução de peso corporal. Por ser
antagonista da adenosina no tecido adiposo, ela ajuda na mobilização de
gorduras dos depósitos (lípase). Assim, atua com efeito emagrecedor.
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Saúde mental e neuronal
Diversos
estudos investigam a relação da cafeína na prevenção do desenvolvimento da
depressão. Por inibir o receptor de adenosina, ela se relaciona inversamente
com a depressão e deterioração da memória. Além do uso preventivo da depressão,
ela pode ter efeito terapêutico, pois controla a plasticidade sináptica anormal
e proporciona neuroproteção.
Pesquisas
concluíram que pessoas tratadas com cafeína apresentam quantidade
significativamente menor de sintomas depressivos em situações de estresse. Isso
ocorre por ela diminuir o cansaço e aumentar a tolerância a vários sinais que
podem causar hiper irritabilidade e frustração no indivíduo.
Experimentos
recentes sugerem que a cafeína previne a neurodegeneração em decorrência da
idade. Por esse motivo, apresenta-se como uma possibilidade no tratamento da
doença de Alzheimer.
Outro
efeito é o aumento dos níveis do neurotransmissor dopamina (assim como
anfetaminas). Esse neurotransmissor ativa o centro de prazer no cérebro e
auxilia na realização dos movimentos voluntários do corpo de forma automática.
A doença de Parkinson é causada por uma perda acelerada das células que
produzem a dopamina. Por isso, existe a possibilidade da utilização da cafeína
como alternativa terapêutica para sintomas cognitivos e olfativos da doença.
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Asma, enxaqueca e TPM
A
substância causa aumento da atividade neural, assim a glândula suprarrenal é
enganada a acreditar que uma emergência está ocorrendo. Com isso, há disparos
de adrenalina, e consequente taquicardia, aumento da pressão arterial, do
metabolismo, da contração muscular e abertura dos tubos respiratórios. Por
aumentar a frequência e intensidade da respiração, ela também tem seus efeitos
no sistema respiratório, podendo ser indicada no tratamento de asma.
Apesar
da cafeína causar dores de cabeça quando consumida em excesso, alguns médicos a
utilizam como método de tratamento da enxaqueca. Isso por ela contrair os vasos
sanguíneos que normalmente causam essas dores. Pelo efeito diurético, a cafeína
também pode auxiliar no alívio dos sintomas da TPM como cólicas menstruais e
inchaço.
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Cafeína faz mal?
Em
indivíduos adultos, a cafeína parece proteger o cérebro de danos causados por
estresse. Mas, na vida intrauterina, ela pode atrapalhar o desenvolvimento
neural do feto e corroborar com fatores de risco para doenças como epilepsia.
A
cafeína não é considerada segura para crianças e adolescentes, o ideal é
ingerir menos de 100 mg por dia dessa substância.
Diz o
ditado que a diferença entre veneno e remédio é a dose. Pessoas que ingerem
mais de cinco xícaras de café por dia (mais de 500 mg ou 600 mg) podem sentir
efeitos adversos. Entre eles, destacam-se: insônia, nervosismo, agitação,
irritabilidade, dor de estômago pelo aumento do suco gástrico, batimentos
cardíacos acelerados e tremores musculares. Pessoas que não costumam ingerir
cafeína com frequência podem sentir os efeitos negativos mesmo em baixas doses.
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Consumo seguro depende do seu organismo
Para
alguns indivíduos, uma xícara de chá ou café pode ser o suficiente para uma
noite com insônia ou agitação. Fatores como peso corporal, idade, uso de
medicamentos e problemas de saúde (como transtornos de ansiedade) podem ampliar
os efeitos colaterais. Por aumentar o ritmo cardíaco, seu consumo deve ser
moderado por indivíduos com hipertensão, doença coronariana e arritmia
cardíaca.
A
inibição dos receptores de adenosina não traz apenas efeitos positivos. A
adenosina é muito importante para o sono profundo. Por esse motivo, a cafeína
pode afetar negativamente o controle motor e a qualidade do sono. Assim,
privando o consumidor de cafeína dos benefícios do sono profundo, por deixá-lo
em estado de alerta.
No dia
seguinte, você pode apresentar cansaço e precisará de mais cafeína circulando
por sua corrente sanguínea para se manter disposto. Esse ciclo vicioso não é
saudável para seu corpo.
Outros
possíveis efeitos ainda estão sendo estudados. Uma pesquisa publicada na
revista Cerebral Cortex avaliou a mudança na massa cinzenta e branca do cérebro
de indivíduos que consomem cafeína. A parte cinzenta consiste em corpos
celulares neurais e sinapses nervosas e a branca são feixes e vias que conectam
essas células neurais.
Vinte
indivíduos ficaram encarregados de tomar três comprimidos de cafeína por dia
durante um período e, depois, em outro momento, apenas comprimidos de placebo.
Após dez dias de cafeína, os resultados revelaram reduções significativas na
massa cinzenta, diferente dos dez dias do placebo. Isso não significa
necessariamente que a cafeína tenha um impacto negativo no cérebro. No entanto,
o consumo diário afeta o órgão de alguma maneira e, por isso, precisa ser
investigado.
Fonte:
eCycle

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