sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Tomando corticoide? Veja 3 cuidados com a glicose se você tem diabetes

Corticoides podem aumentar a glicose no sangue e dificultar o controle do diabetes. Por isso, quem usa esses medicamentos precisa acompanhar a glicemia e conversar com o médico sobre o tratamento.

A endocrinologista e pesquisadora Denise Franco e o endocrinologista e Coordenador do Departamento de Educação em Diabetes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Fernando Valente, explicaram como o medicamento pode interferir na glicose durante entrevista ao DiabetesCast.

O efeito acontece porque os corticoides aumentam a resistência à insulina. Além disso, eles fazem o fígado liberar mais glicose na circulação.

O impacto varia conforme o medicamento, a dose e o tempo de uso. Por isso, o acompanhamento muda de acordo com cada pessoa.

>> 1. Monitore a glicose com mais atenção

A primeira orientação é acompanhar a glicose durante o uso do corticoide. O medicamento pode alterar o padrão habitual da glicemia, principalmente em quem já convive com diabetes.

Segundo os especialistas, o horário dessa alteração também pode variar conforme o corticoide utilizado.

A prednisona e a prednisolona, por exemplo, podem provocar aumento da glicose algumas horas após a tomada. Os especialistas citaram o período entre meio-dia e 16h como um momento em que essa elevação pode aparecer quando a pessoa toma o medicamento pela manhã.

Já a dexametasona tem ação mais prolongada. Nesse caso, a hiperglicemia pode permanecer ao longo do dia.

Por isso, observar a glicose durante o tratamento ajuda a identificar mudanças relacionadas ao medicamento.

>> 2. Converse com o médico sobre ajustes no tratamento

O uso de corticoide pode exigir ajustes no tratamento do diabetes. A necessidade depende do tipo de diabetes, do medicamento utilizado, da dose e da resposta de cada pessoa.

Os especialistas explicaram que pessoas que usam insulina podem precisar de mudanças na dose durante o tratamento. No entanto, qualquer alteração deve acontecer com orientação médica.

O mesmo vale para quem usa outros medicamentos para controlar a glicose.

Além disso, o tipo de corticoide influencia esse acompanhamento. Medicamentos de ação mais prolongada podem dificultar o ajuste da insulina porque permanecem atuando por mais tempo.

>> 3. Não interrompa o corticoide por conta própria

Outra orientação apresentada pelos especialistas envolve a retirada do medicamento.

O uso prolongado de corticoides pode reduzir a produção natural de cortisol pelo organismo. Isso acontece porque o corpo recebe o hormônio por meio do medicamento e diminui o estímulo para que as glândulas suprarrenais produzam cortisol.

Por isso, quando a pessoa usa corticoide por um período prolongado, a retirada pode precisar acontecer de forma gradual.

Segundo os especialistas, interromper o medicamento de maneira abrupta pode deixar o organismo com pouco cortisol. Essa situação pode provocar queda da glicose e da pressão e, em casos graves, levar a desmaio ou coma.

<><> Corticoide não deve ser evitado sem orientação

Apesar do efeito sobre a glicose, os especialistas ressaltaram que o corticoide pode ser necessário para tratar algumas condições de saúde.

Por isso, a presença do diabetes não significa que a pessoa deva evitar o medicamento quando existe indicação médica.

O ponto central é acompanhar a glicose e informar o profissional que acompanha o diabetes quando outro médico prescrever um novo medicamento.

A avaliação também considera qual corticoide será utilizado, a dose, o tempo de tratamento e a forma como cada organismo responde.

•        Mel para quem tem diabetes: veja quando ele pode subir a glicose e como consumir no dia a dia

O mel costuma ser associado a uma opção mais natural do que o açúcar, mas o quanto isso pode afetar a glicose?

Para quem tem diabetes, porém, essa comparação precisa ir além da origem do alimento.

Ele contém carboidratos e pode elevar a glicemia, mas também pode aparecer em situações diferentes, desde uma pequena quantidade em uma refeição até o tratamento de uma hipoglicemia.

Por isso, entender como, quanto e em que situação o mel é consumido ajuda mais do que simplesmente classificá-lo como um alimento que pode ou não pode fazer parte da rotina.

<><> Mel e açúcar têm diferenças, mas ambos fornecem carboidratos

O açúcar de mesa é formado principalmente por sacarose, enquanto o mel contém principalmente glicose e frutose, além de pequenas quantidades de outros compostos.

O índice glicêmico também pode variar entre os diferentes tipos de mel, de acordo com sua composição e origem. Estudos mostram respostas diferentes entre variedades. Uma revisão científica cita, inclusive, uma ampla variação no índice glicêmico de diferentes tipos de mel.

Por isso, não é correto dizer que todo mel tem exatamente o mesmo efeito sobre a glicemia que o açúcar refinado. Isso também não significa que o mel deixe de ter impacto sobre a glicose.

A Sociedade Brasileira de Diabetes destaca que, apesar de ser um produto natural, o mel tem glicose e frutose e seu consumo deve ser controlado dentro de uma alimentação equilibrada.

A nutricionista Carol Neto, consultada pelo canal Um Diabético para falar sobre o assunto, explica que o mel pode ser consumido, mas com moderação. No vídeo, ela também destaca que o fato de ser natural não faz dele uma alternativa sem impacto sobre a glicemia.

<><> Trocar o açúcar pelo mel ajuda a controlar a glicose?

Não necessariamente.

A troca pode acontecer por preferência de sabor ou pela utilização em uma receita, mas não deve ser entendida como uma estratégia automática para melhorar o controle do diabetes.

As pesquisas sobre o consumo de mel e diabetes apresentam resultados variados. Uma revisão sistemática de estudos clínicos encontrou limitações importantes na qualidade e no número dos trabalhos disponíveis, além de diferenças entre os protocolos analisados. Os próprios autores ressaltam que os resultados devem ser interpretados com cautela.

Outra revisão também encontrou resultados diferentes entre os estudos e concluiu que ainda não é possível estabelecer uma conclusão definitiva sobre os efeitos do mel na glicemia de pessoas com diabetes.

Por isso, o mel não deve ser tratado como uma estratégia de controle da glicose ou como uma alternativa automaticamente melhor ao açúcar.

<><> Quanto de mel entra na alimentação?

Não existe uma quantidade única que possa ser indicada para todas as pessoas com diabetes. A porção depende da alimentação como um todo, da quantidade de carboidratos consumida na refeição e, no caso de quem utiliza insulina, do tratamento e da estratégia de contagem de carboidratos adotada.

Na prática, uma pequena quantidade usada para dar sabor a uma preparação é diferente de consumir várias colheres ao longo do dia.

O ponto principal é que o mel também entra na conta dos carboidratos da refeição. A SBD orienta que seu consumo seja controlado e inserido dentro de uma alimentação equilibrada.

Por isso, não é necessário transformar o mel em um alimento proibido, mas também não faz sentido tratá-lo como um ingrediente que pode ser usado livremente só porque é natural.

<><> Frutas podem combinar com mel, mas a quantidade continua importante

Fruta com mel é uma combinação comum, mas é preciso lembrar que os dois alimentos contribuem com carboidratos e isso pode impactar na glicose.

As frutas inteiras também fornecem fibras, vitaminas e minerais. Quando uma pequena quantidade de mel é acrescentada, novos carboidratos entram na preparação.

Isso não torna a combinação proibida. Uma fruta inteira com uma pequena quantidade de mel, por exemplo, é diferente de uma preparação com uma quantidade maior do produto e outros ingredientes ricos em carboidratos.

O tamanho da porção e os demais alimentos presentes na refeição também interferem na quantidade total de carboidratos consumida.

<><> Aveia e iogurte podem mudar a composição da refeição

Aveia, iogurte natural, castanhas e sementes acrescentam fibras, proteínas e gorduras à refeição. Isso faz com que a preparação seja diferente de consumir mel isoladamente.

Um exemplo é utilizar uma pequena quantidade de mel em um iogurte natural com aveia e sementes. A resposta da refeição pode ser diferente daquela observada quando o mel é consumido sozinho.

Mas esses alimentos não eliminam os carboidratos presentes no mel. A quantidade utilizada continua sendo importante na glicose.

<><> O mel também pode aparecer em outros alimentos

O mel nem sempre está presente apenas na colher usada para adoçar uma preparação. Ele também pode fazer parte da composição de produtos como granolas, cereais, barrinhas, pães, biscoitos e alguns alimentos industrializados.

Nesses casos, olhar apenas para a palavra “mel” na lista de ingredientes não é suficiente para entender o impacto daquele alimento na glicemia.

Vale observar a informação nutricional, principalmente a quantidade de carboidratos por porção e o tamanho da porção indicada na embalagem.

Isso também ajuda a evitar a ideia de que um produto é automaticamente uma opção melhor para quem tem diabetes apenas porque utiliza mel no lugar do açúcar refinado.

<><> O mel pode substituir o adoçante?

Pode ser uma escolha de sabor ou culinária, mas não funciona da mesma maneira que os adoçantes de baixa ou nenhuma caloria.

Ao trocar o adoçante pelo mel, a preparação passa a ter uma fonte de carboidrato que precisa ser considerada. Por isso, fazer essa substituição apenas com a expectativa de melhorar o controle da glicose não é uma estratégia sustentada pelas evidências disponíveis.

A escolha entre mel, açúcar ou adoçante também depende do alimento, da quantidade utilizada e do objetivo daquela preparação. Para quem tem dúvidas sobre como encaixar o mel na alimentação, a orientação individualizada de nutricionista ou outro profissional que acompanhe o tratamento pode ajudar.

<><> Na hipoglicemia, o objetivo é outro

Quando a glicose está baixa e a pessoa está consciente e consegue engolir, é necessário consumir uma fonte de carboidrato de ação rápida.

A Associação Americana de Diabetes recomenda a chamada regra dos 15: consumir cerca de 15 gramas de carboidrato de ação rápida, esperar 15 minutos e verificar novamente a glicemia. Se ela continuar baixa, o procedimento pode ser repetido.

O mel aparece entre as opções indicadas pela entidade. Uma colher de sopa é listada como uma alternativa para fornecer aproximadamente 15 gramas de carboidrato de ação rápida.

Nesse caso, a finalidade não é adoçar uma refeição. É ajudar a corrigir uma queda da glicose.

<><> Por que a combinação muda durante uma hipoglicemia?

Durante uma hipoglicemia, a velocidade de absorção dos carboidratos importa.

Alimentos como chocolate ou pasta de amendoim não são as melhores escolhas quando o objetivo é elevar a glicose rapidamente, porque a presença de gordura pode retardar a absorção dos carboidratos.

Depois que a hipoglicemia for corrigida, se a próxima refeição ainda estiver distante, pode ser necessário um lanche com carboidrato e proteína, conforme a orientação da equipe de saúde.

Se a pessoa estiver inconsciente ou sem condições de engolir com segurança, não se deve oferecer mel, bebida ou qualquer alimento pela boca. Nessa situação, é necessário seguir o plano de emergência indicado para a pessoa e buscar atendimento quando necessário.

<><> O tipo de mel também pode fazer diferença

A composição do mel pode variar conforme sua origem floral, processamento e outros fatores. Essa variação ajuda a explicar por que diferentes tipos de mel podem apresentar respostas na glicose diferentes.

Ainda assim, termos como “natural”, “puro” ou “artesanal” não significam que o produto esteja livre de açúcares ou que possa ser consumido sem considerar a quantidade.

Existe ainda uma recomendação específica para crianças menores de 1 ano: o mel não deve ser oferecido por causa do risco de botulismo infantil. A orientação vale independentemente de a criança ter ou não diabetes.

Na prática, o mel pode aparecer na alimentação de quem tem diabetes, mas a quantidade e o contexto fazem diferença. E, quando a situação é uma hipoglicemia, ele deixa de ser apenas um ingrediente da alimentação e passa a ser uma fonte de carboidrato de ação rápida para ajudar na correção da glicose, desde que a pessoa esteja consciente e consiga engolir.

 

Fonte: Um Diabético

 

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