sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Flávio Bolsonaro defendeu milicianos que espancaram juíza dentro de presídio no Rio

A recente denúncia apresentada pelo ex-deputado Marcelo Freixo, revelando a atuação direta de Flávio Bolsonaro na defesa jurídica para adiar o júri popular do policial militar Bruno Delaroli, acusado do assassinato com tiro de fuzil da pequena Ana Clara Machado, de 5 anos, em 2021, trouxe novamente ao centro do debate público o histórico de conivência e cumplicidade do clã com agentes do crime organizado. A revelação funcionou como estopim para que a opinião pública resgatasse um rastro persistente de episódios em que o hoje pré-candidato à Presidência utilizou seu capital político para blindar e legitimar a violência cometida por grupos milicianos no Rio de Janeiro.

Entre os fatos mais chocantes que compõem essa trajetória de afronta ao Judiciário e à sociedade, destaca-se um episódio brutal ocorrido em 2015, no Batalhão Especial Prisional (BEP), na capital fluminense, quando uma magistrada no exercício de suas funções foi covardemente espancada por detentos milicianos sob o endosso público do então parlamentar da Alerj.

<><> Ataque no BEP e a inversão da culpa por Flávio Bolsonaro

Em outubro de 2015, a juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza, da Vara de Execuções Penais (VEP) do Rio de Janeiro, realizava uma inspeção surpresa no Batalhão Especial Prisional, localizado em Benfica, Zona Norte carioca. A visita tinha como objetivo apurar graves denúncias de que policiais militares custodiados, muitos deles integrantes de milícias e esquadrões da morte, desfrutavam de regalias ilegais, como celas especiais equipadas com aparelhos de ar-condicionado, eletrodomésticos, bebidas alcoólicas e livre circulação.

Ao constatar as irregularidades e tentar apreender materiais proibidos, a magistrada foi sumariamente cercada por um grupo de PMs amotinados. Em uma cena estarrecedora de quebra da ordem constitucional, a juíza foi empurrada, agredida fisicamente, teve seus óculos quebrados e a blusa rasgada pelos detentos dentro da própria unidade prisional do Estado.

Enquanto entidades da magistratura, juristas e a sociedade civil reagiam com perplexidade ao ato de barbaridade, Flávio Bolsonaro usou a tribuna da Alerj e suas redes para reverter a narrativa, atacando a magistrada e justificando o crime cometido pelos custodiados. Em vez de repudiar a agressão contra uma autoridade do Judiciário em pleno cumprimento do dever, o político acusou a juíza de ter “provocado” os milicianos.

“A juíza se dirigiu de forma desrespeitosa a alguns policiais, chamando de vagabundos e milicianos. […] Acabou sendo expulsa lá de dentro por policiais que se revoltaram”, declarou Flávio à época, naturalizando a surra levada pela juíza e tratando criminosos encarcerados, que ele chamou de “policiais”, como vítimas de uma suposta provocação. Ao rotular o cumprimento da fiscalização como desrespeito, Flávio chancelou a violência de agentes do crime organizado contra a própria estrutura da Justiça.

<><> Uma rotina de hostilidade contra magistradas e compadrio com milicianos

A postura adotada no caso de Daniela Barbosa não foi uma reação isolada, mas parte de uma estratégia contínua de intimidação contra magistrados que ousaram enfrentar o avanço das milícias no Estado. Anos antes, em 2011, Flávio já havia protagonizado um dos episódios mais sombrios da política fluminense ao relativizar o assassinato da juíza Patrícia Acioli, executada com 21 tiros por policiais corruptos em Niterói. Na ocasião, o parlamentar culpou a própria magistrada morta pela tragédia, publicando que a forma como ela “humilhava” esse milicianos e que assim teria contribuído para que ela acumulasse “muitos inimigos”.

Esses ataques repetidos a mulheres magistradas desenham uma linha de continuidade clara: a defesa sistemática de uma estrutura paralela de poder. Ao longo de mais de duas décadas de vida pública, o nome de Flávio Bolsonaro acumula uma sucessão ininterrupta de notícias, investigações e registros oficiais que demonstram seus laços com a criminalidade organizada.

Seu mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) foi marcado pela concessão de homenagens e honrarias a lideranças paramilitares, como a Medalha Tiradentes concedida ao chefe da milícia “Escritório do Crime”, o matador de aluguel Adriano da Nóbrega, além da contratação de parentes diretos de milicianos para cargos comissionados em seu gabinete político. Cada novo fato revelado apenas confirma que a proximidade com o paramilitarismo nunca foi casual, mas uma escolha consciente de atuação política.

<><> Flávio Bolsonaro defendeu assassino de criança de 5 anos, denuncia Marcelo Freixo

A retomada desses episódios ocorre no exato momento em que novas denúncias revelam que a atuação de Flávio Bolsonaro na órbita do crime de colarinho corporativo e militar segue hígida. Conforme denunciou o ex-deputado Marcelo Freixo, o pré-candidato atuou diretamente na estratégia jurídica para adiar o julgamento do PM Bruno Delaroli. O agente é acusado pelo homicídio da pequena Ana Clara Machado, de apenas 5 anos, atingida no peito por um tiro de fuzil em 2021 enquanto brincava na porta de casa ao lado do irmão de 2 anos. O caso, que transcorre há anos sem o devido desfecho nos tribunais, explicita como o amparo a acusados de crimes brutais permanece sendo uma constante na atuação do clã.

•        Flávio Bolsonaro culpou juíza assassinada por sua morte e disse que ela “humilhava” milicianos. Por Henrique Rodrigues

revelação recente trazida à tona pelo ex-deputado Marcelo Freixo de que o parlamentar e atual pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) atuou na defesa jurídica do policial militar Bruno Delaroli, denunciado pela morte da menina Ana Clara Machado, de apenas 5 anos, atingida por um disparo de fuzil em 2021, acendeu novamente os holofotes sobre uma postura recorrente na trajetória política do primogênito de Jair Bolsonaro. O padrão de atuação, marcado pelo amparo ostensivo a agentes envolvidos em crimes graves e de forte repercussão social, não se trata de um episódio isolado ou de uma inflexão recente. Trata-se de uma tônica estrutural que atravessa décadas de sua carreira pública.

Para compreender a profundidade desse alinhamento, basta recuar no tempo e resgatar a postura do então deputado estadual durante um dos momentos mais sombrios da história do Judiciário fluminense: a execução da juíza Patrícia Acioli, ocorrida em agosto de 2011, e considerado um dos crimes mais brutais do país no século XXI.

<><> Afronta à memória de Patrícia Acioli

Na noite de 11 de agosto de 2011, a magistrada Patrícia Acioli, titular da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, foi vítima de uma emboscada fatal ao chegar à sua residência, em Niterói. Alvo de 21 tiros de fuzil e pistola, ela foi sumariamente executada por policiais militares integrantes de uma organização criminosa que operava na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Acioli era reconhecida nacionalmente pela firmeza implacável com que combatia a ação de milícias e autos de resistência forjados na periferia fluminense, tendo mandado à prisão dezenas de agentes corruptos e violentos.

Enquanto o país reagia consternado ao atentado contra o próprio Estado Democrático de Direito, Flávio Bolsonaro recorreu às redes sociais para manifestar uma posição que chocou juristas e a população em geral. Em vez de prestar solidariedade à família da magistrada ou condenar a ação brutal do crime organizado encastelado no aparato estatal, o parlamentar preferiu relativizar o homicídio e atribuir à própria vítima a responsabilidade pelo seu trágico fim.

Em publicação feita em seu perfil oficial no Twitter à época, Flávio declarou: “Que Deus tenha essa juíza, mas a forma absurda e gratuita com que ela humilhava policiais nas sessões contribuiu para ter muitos inimigos”. Em postagens subsequentes, o parlamentar complementou a retórica alegando que orientava agentes a denunciarem a magistrada por suposto “abuso de autoridade”.

Ao qualificar o rigor técnico e republicano da juíza contra milicianos como “humilhação gratuita”, Flávio Bolsonaro inverteu os papéis de vítima e algoz. A fala soou, na prática, como uma legitimação do desfecho violento imposto à magistrada, transferindo o peso da culpa da brutalidade dos executores para o dever de ofício de quem cumpria a lei.

<><> Uma longa esteira de complacência e vínculos com o crime organizado

O episódio envolvendo a juíza Patrícia Acioli integra uma extensa engrenagem de episódios ao longo dos últimos vinte anos em que o nome de Flávio Bolsonaro aparece entrelaçado com a defesa, a condecoração e o amparo político a figuras associadas ao paramilitarismo no Rio de Janeiro.

Documentos oficiais da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) registram que, ao longo de seus mandatos no Legislativo estadual, Flávio usou a tribuna por diversas vezes para prestar homenagens e conceder honrarias a policiais acusados ou posteriormente condenados por liderar esquemas milicianos. Exemplo emblemático foi a concessão da Medalha Tiradentes, a mais alta comenda da Alerj, e de moções de louvor a nomes do alto escalão do crime organizado local.

Além das homenagens formais, o arcabouço histórico aponta que a proximidade transbordou a esfera dos discursos e atingiu a estrutura de seus gabinetes políticos. As investigações sobre esquemas de repasses financeiros e movimentações atípicas revelaram conexões diretas entre a nomeação de parentes de lideranças de grupos milicianos em cargos de assessoria e a manutenção de estruturas paralelas de poder. O caso mais destacado é do matador de aluguel Adriano da Nóbrega, amigo íntimo de Flávio e que tinha a mãe e a esposa empregadas no gabinete do então deputado estadual.

A reiteração dessas atitudes evidencia uma linha de continuidade ideológica e prática: a proteção contínua a quem violou o dever público de proteção à sociedade, acompanhada do combate sistemático às instituições e autoridades encarregadas de fiscalizar e punir esses excessos.

•        Emenda parlamentar fortalece conexão de Flávio Bolsonaro com a milícia. Por Tadeu Porto

A sabedoria popular vai mostrar, de maneira muito sólida, que algumas coisas não mudam: desde o pau que nasce torto e nunca se endireita até aquele evento que pode acontecer uma vez e nunca mais, mas que, se ocorrer pela segunda vez, certamente acontecerá pela terceira.

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A milícia é um poder paralelo real, com forte presença no Rio de Janeiro, e não é de hoje que se sabe da realidade desse poder. Não é de hoje também que se sabe que a família Bolsonaro tem ligações diretas com o paramilitarismo.

Essas conexões contam com fatos concretos e conhecidos: Flávio Bolsonaro concedeu a Medalha Tiradentes a Adriano da Nóbrega, chefe do Escritório do Crime, além de empregar a mãe e a ex-mulher do miliciano em seu gabinete na Alerj, onde Fabrício Queiroz atuava como operador das “rachadinhas”.

Recentemente, revelou-se que uma assessora de Flávio, conhecida como “Fafá de Flávio Bolsonaro”, foi pega em mensagens negociando quase R$ 200 mil em emendas parlamentares com Robson Calixto Fonseca, o “Peixe”, condenado por integrar a milícia dos irmãos Brazão — apontados como mandantes do assassinato de Marielle Franco. A assessora orientava Peixe a procurar Chiquinho Brazão para reforçar a liberação da verba a uma ONG sob suspeita de desvio.

Além das teias milicianas, surgem conexões com investigados por ligação ao Comando Vermelho: Gutemberg Fonseca, aliado e indicado por Flávio para o Governo do Estado do Rio de Janeiro, aparece em mensagens tratando de favores com a liderança “Índio do Lixão”; aliados como TH Joias e Alessandro Pitombeira Carracena viraram réus por suspeita de ligação com a facção; e Rodrigo Bacellar tornou-se réu no STF por suspeita de obstruir a investigação para favorecer TH Joias e o grupo criminoso.

Não à toa, o patriarca da família, Jair Bolsonaro, é oriundo de uma banda podre do Exército e foi afastado da corporação, sendo natural que habite o submundo do poder paralelo, que não consegue viver dentro da institucionalidade.

O alerta está dado e é responsabilidade de cada brasileiro olhar com uma lupa as relações da família Bolsonaro com a milícia carioca. Cada cidadão precisa ter uma análise crítica apurada para decidir se dará poder a um setor da sociedade que vive totalmente à margem da lei, com histórico de assassinatos, torturas e agressões físicas.

 

Fonte: Fórum/Brasil 247

 

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