A
nova economia maranhense
As
eleições de 2026 expõem o esgotamento das instituições que constituem a Nova
República (1988). De um lado, os setores de extrema direita fascista militam
piamente por levar a pique a nau constitucional, visam desregulamentar suas
instituições até a sua inviabilidade. No plano econômico, visam o
aprofundamento da pauta neoliberal com a desregulamentação de direitos
trabalhistas e sociais e a liberação das energias econômicas privadas
associadas aos interesses imperialistas.
No
plano social, apelam para uma sociedade sem proteção e o abandono das camadas
mais vulneráveis. O fascismo conta com setores religiosos que pregam uma nova
“inquisição”, militando contra direitos culturais de negros, mulheres e LGTBQI+
Não faltam ativos que apontem para o abandono e eliminação de parcelas imensas
da sociedade vistos como descartáveis.
Por seu
vez, os setores progressistas expressam uma Frente Ampla em defesa da ordem
constitucional e a defesa da democracia. No plano econômico têm sido incapazes
de apresentar um novo modelo desenvolvimento, ficando vulneráveis as investidas
do imperialismo contra o Estado. No plano social, se fiam na defesa de rendas
compensatórias e dos direitos dos grupos vulneráveis.
Mas, ao
mesmo tempo, são incapazes de expressar um plano de futuro. É preciso ir além
da defesa da reeleição de Lula, é preciso um novo modelo de desenvolvimento e
de instituições capazes de reorganizar o país. Nesse caminho a luta contra a
6×1, pelas terras raras e metais críticos, pela estatização da Eletrobrás e
Petrobrás, pela tributação dos ricos…São pontos de acúmulo de forças por dotar
a sociedade e o país de um projeto de democracia mais popular.
O
Maranhão exibiu crescimento econômico nos últimos 40 anos. Este crescimento foi
vinculado a substituição da agricultura de arroz e de coco de babaçu e outras
atividades primárias como atividade agropecuária rudimentar; comerciais
tradicionais e industriais com pouca produtividade. Em seu lugar foi construído
um novo padrão de desenvolvimento, baseado na implantação de grandes empresas
capitalistas, tendo origem na Companhia Grande Carajás e a sua vinculação a uma
pauta de exportação. O resultado disso, foi alteração da realidade maranhense e
seu desenvolvimento.
No
período 2020-2025 o Maranhão obteve uma média de crescimento superior à
brasileira: cresceu uma média de 3,7% e o Brasil avançou 1.7% (IBGE). Este
crescimento histórico tem três elementos centrais para a sua compreensão: (i) a
abertura do complexo Carajás (1985), que impulsionou o desenvolvimento da
extração de minério, a que levou a criação e implantação de empresas vinculadas
a mineração em São Luís e nas cidades vizinhas a estrada de ferro Carajás.
(ii) A
partir dos anos 2000, impulsionado pelo desenvolvimento econômico da China e
outros países asiáticos, tivemos o boom dos commodities, puxado pelo
agronegócio, com destaque a produção de grãos e também pela produção de
minérios e demais commodities.
(iii) O
desenvolvimento da indústria de Construção Civil, vinculado ao projeto dos
governos petistas, Minha Casa, Minha Vida. Deve se salientar que este mercado é
sazonal e variável, podemos dar como exemplo, que o preço da tonelada de
minério de ferro, estava em US$ 120,00 no final da década de 2010 e hoje
encontra-se pela casa dos US$ 95t. O núcleo central da produção maranhense é
vinculado ao mercado exportador com pouco avanço nas atividades internas.
Como
decorrência desse modelo econômico agroexportador de 1980 e 2020 o contingente
urbano superou o rural e as taxas de crescimento da população, diminuíram. Isso
tem significado uma população menor no campo e crescimento do mercado urbano,
maior demanda por alimentos, roupas, calçados etc. Aumento da demanda por
serviços coletivos como: educação, saúde, habitação, saneamento básico,
transporte etc. Também significa um aumento das carências urbanas: emprego,
habitação, saneamento básico, segurança etc.
Apesar
desse desenvolvimento, a sua distribuição não alcançou a grande maioria da
população. O Maranhão é atualmente o estado mais pobre do Brasil, 6,8% da força
de trabalho está desempregada, 59% dos trabalhadores estão na informalidade,
58,7%, dos informais tem como pico de ganhos até 1.800 (a maioria está abaixo
de um mínimo) por mês, 40% da população de São Luís ganha até 337 reais, 12%
vivem em extrema pobreza, esse índice já foi de 22.8% e caiu de 2023 para cá
com os programas de renda compensatórias.
No
Estado, 47.9% vivem na pobreza, com destaques as cidades de Belágua e Cachoeira
Grande com mais de 80% da população recebendo menos de 1/4 do salário-mínimo e
3% dos maranhenses não tem renda alguma. O Maranhão é também o estado que mais
produz mão de obra escravizada. E, 45% das famílias recebem Bolsa Família (1.2
famílias) e o tem junto com seu congênere estadual, como a única fonte de
renda. O Maranhão é o estado onde 57.9% estão entre a miséria e a fome e 17,7%
em extrema pobreza. O núcleo central dessa pobreza é o modelo econômico
agroexportador (dados IBGE, IMESC 2026).
A falta
de perspectivas do futuro para os jovens é manifesta nas taxas de adoecimento,
na evasão escolar e na migração: cerca de 76 maranhenses migram todos os dias
(IBGE). Também as condições de vida cada vez mais precárias dos idosos, são
fatores notórios e não podem se resumir a rendas compensatórias (políticas
públicas), isso não é suficiente para construir uma pauta distributiva e deter
a lógica de empobrecimento da população. Sem uma mudança real, esse quadro
tende a piorar e muito.
As
atividades internas que poderiam a curto ou médio prazo impulsionar um
crescimento econômico sustentável, como exemplo, uma agroindústria integrada e
o turismo e uma agricultura familiar moderna, em particular num estado em que
80% do alimento vem do Sudeste e que a sua capital, São Luís, contrastando com
a sua pobreza, tem a refeição mais cara do país, esses assuntos, não aparece
como elementos prioritários nas pautas das instituições políticas e econômicas.
Longe
disso, é vendida a ideia de que o mercado de commodities é a única
possibilidade de crescimento, sendo que a agricultura familiar emprega hoje
cerca de 550 mil trabalhadores (79% das pessoas empregadas na agricultura
maranhense) e exibe um lucro de R$1,9 bilhões e um crescimento na pecuária e na
produção de laticínios em especial na região de Imperatriz, tudo isso contando
apenas com 2.89% de assistência técnica aos seus produtores e 8,9% acesso a
crédito.
O
avanço das atividades latifundiárias (agronegócio) tem tido uma velocidade de
5,5% ao ano o que significa a perda de terra das comunidades camponesas,
ribeirinhas, quilombos, geralistas e de indígenas. Bastando ver que desde 1985
até o censo agrícola de 2017, o número de estabelecimentos agrícolas caiu de
531.413 para 219.765. No mesmo processo podemos observar que os
estabelecimentos não familiares detêm cerca de 70% das terras aráveis do
Maranhão e o tamanho das propriedades também passam por mudanças (análise do
Censo Agropecuário, 2020).
As
áreas que ocupam até 10 hectares são responsáveis por 105.059 estabelecimentos
rurais, ocupando apenas 4.18% das áreas agrícolas. Enquanto vemos ampliar o
número de estabelecimentos com mais de 10 hectares nas regiões de Pindaré,
Imperatriz, Gurupi, Alto Mearim e Grajau, destacando-se empresas agropecuárias.
Essa
mudança no campo, vem sendo acompanhada por uma profunda violência, sendo o
Maranhão o estado mais violento do país, concentrando quase 25% dos conflitos
agrários do país, com 29 mortes em conflito de terras nos últimos anos, a CPT
(Comissão Pastoral da Terra), frisa que os números de mortos não podem ser
totalizados. Tanto a CPT como a Fetaema (Federação dos Trabalhadores Rurais
Agricultores e Agricultoras do Estado do Maranhão), contabiliza 363 situações
de conflitos, abrangendo 165 comunidades em 33 municípios cerca de 20 mil
famílias no de 2024. Isso revela um quadro que afeta mais de 59 mil pessoas
localizadas em mais de 840 mil hectares de unidades de trabalhadores rurais
invadidos.
Destaca-se
que os conflitos no Maranhão, tem como violência mais recorrente: a
pulverização de agrotóxicos contra comunidades camponesas com uso corriqueiro
de drones. Um método cruel usado como meio para expulsar famílias de suas
terras, envenenando plantações, fontes de água, destacamos a ocorrência de
necrochorume na região de Santa Inês, comprometendo a saúde das populações
tradicionais. O Maranhão registrou 228 conflitos com agrotóxicos, sedo 68% no
leste do estado, região onde a produção de soja cresceu 124% de 2000 a 2023.
O
estado registrou 228 conflitos envolvendo agrotóxicos – 68% deles concentrados
no Leste Maranhense, região onde a produção de soja cresceu 124% desde o ano
2000, tornando-se a segunda maior produtora do estado. A expansão acelerada da
fronteira agrícola coincide com o aumento dos conflitos e com a intensificação
do uso de agrotóxicos como instrumento de pressão. (relatório da CPT, 2024/5).
Entre
as ocorrências de conflito foram registradas 79 ameaças de morte, e o resgate
de 145 pessoas em trabalho escravo rural. Na região do Cerrado maranhense
(Matopiba, sigla que envolve o Cerrado dos estados de Maranhão, Tocantins,
Piauí e Bahia), é onde se localiza o maior centro de desmatamento do país,
sendo as comunidades camponesas e os povos tradicionais, ameaçados pela
expansão do agronegócio.
Grande
parte da vegetação do cerrado maranhense tende a desaparecer, e são poucas as
medidas de contenção desse avanço. Isso ocorre por que o preço do alqueire em
Estados como São Paulo ou Goiás estão na faixa entre R$ 150 a 450 mil e no
Maranhão o alqueire custa em torno de R$ 7 a 22 mil, o que mobiliza capitais de
outras regiões que estão invadindo este território.
A
mecanização das atividades agroexportadora vem gerando corte dos postos de
trabalho, de 2012 a 2021, de 719 mil trabalhadores rurais empregados,
reduziu-se para cerca de 200 mil, ou seja, menos que a metade. No Censo de
2017, agronegócio, produziu um lucro de R$ 5.378.803 bilhões, sem construir
postos de trabalho direto, o agronegócio e o mercado de commodities gera
riqueza e concentração de renda numa pequena parcela da população e perdas de
direitos sociais e pobreza no geral. Além de avançar a precarização e mesmo
escravização do trabalho em cidades como Açailândia, Imperatriz, Codó, Pastos
Bons, Santa Luzia. Esse lucro deve ampliar muito com o mercado de carbono.
Recentes
prospecções constataram uma bacia de 46,3 bilhões de metros cúbicos de gás, no
vale do Parnaíba algo em torno de 30 bilhões de litros de petróleo na costa
maranhense (Margem Equatorial, vai do litoral do Rio Grande do Norte ao Amapá).
Isso se soma a 8 milhões de toneladas de ouro, 246 milhões de toneladas de
gipsita, além das outras milhares de toneladas de bauxita, calcário, cobre,
diamante, opala, urânio, manganês e a terceira reserva brasileira de minerais
críticos, além do mercado em crescimento de energia solar, eólico e de
hidrogênio verde.
Essa
riqueza imensa pode significar uma nova página no desenvolvimento do Maranhão,
mas também, conforme aponta os estudos da Fiema (Federação das Indústrias do
Estado do Maranhão), apenas um novo ciclo que ao se esgotar faz a riquezas dos
mesmos e a miséria da maioria, como já vimos nos ciclos da cana de açúcar, do
algodão, do arroz e das indústrias locais, deixando a população literalmente a
ver navios.
A
indústria de petróleo (e gás), sabidamente é uma das indústrias mais
sanguinárias e corruptas do capitalismo, responsável por centenas de guerras e
golpes de Estado, é apontada por muitos, como a responsável pelo golpe de 2016
contra a presidenta Dilma Rousseff.
O fato
é que desde o golpe assistimos a substituição de uma política
desenvolvimentista e alavancadora da indústria, ciência e tecnologia nacional,
pelo seu desmonte com a venda de ativos, com a exportação de óleo cru e a
compra de derivados que eram feitos aqui, com a reeleição de Lula em 2022,
tivemos uma revisão nesta política, suficiente para deter a continua venda de
ativos, mas insuficiente para a reorganização geral da Petrobrás com
reestatização das refinarias e da distribuidora BR.
Mesmo
com a crise global no mercado de commodities (como tensões geopolíticas
internacionais), o governo Lula tem se esmerado com forte intervenção
tributária e subsídios diretos (como medidas provisórias de desoneração de
PIS/Cofins e subvenções financeiras ao diesel e gasolina) para absorver o
impacto internacional, evitando que reajustes automáticos da Petrobras cheguem
com força total às bombas. Atualmente o valor de venda doméstica de derivados
praticado pela gestão da Petrobrás em 2026 está em R$ 437,01/barril.
O fato
que o potencial da Margem Equatorial, pode alavancar essa riqueza para a
construção de refinarias e desenvolvimento local, Mesmo com a perda da
exclusividade da extração e com o resultado negativo do leilão, onde a
concessão de blocos petrolíferos localizados na Margem Equatorial brasileira,
foram arrematados 19 do 47 blocos ofertados, sendo 10 deles por consórcios com
participação da Petrobrás, em parcerias com as multinacionais ExxonMobil,
Chevron e CNPC, podemos fazer o petróleo e gás natural virarem diesel, gás de
cozinha, adubo e gasolina, isso só poderá ser feito num cenário ótimo em que
contemos com a quarta vitória e posse de Lula e com a mobilização popular, sem
o cenário de mobilização popular e politização da população sobre rumos de desenvolvimento
isso será inócuo.
No
plano regional, o investimento na área de petróleo e gás pensado e desejado é
da ordem de até R$ 10,9 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) maranhense, que
em 2023 foi de R$ 149,2 bilhões (IBGE), e geração superior a 50 mil empregos
caso a exploração avance. (Fiema, 26/05/2026).
A
tendência, segundo os documentos da Fiema sobre Maranhão 2050, é obter lucros
com negócios intermediários, sem preocupação com o desenvolvimento e
distribuição de renda.
Ao seu
ver “se comparar os valores então projetados com aqueles efetivamente
realizados, pode-se observar que a realização, principalmente a partir de 2007,
sempre esteve acima da previsão na trajetória mais provável. Entre 2005 e 2011,
por exemplo, o PIB estadual mais que dobrou, em termos monetários, saltando de
R$ 25,3 bilhões para R$ 52,2 bilhões, o que já indicaria que a meta prevista
para 2020, no Plano Estratégico, seria superada, como foi.
Em
2019, última informação oficial, divulgada pelo IBGE, o Maranhão registrou um
Produto Interno Bruto na ordem de R$ 97,340 bilhões (a preços correntes), ou
seja, 44,9% maior do que fora previsto para 2020. Refazendo agora a trajetória
do PIB estadual efetivamente realizado, no período 2002 a 2019, vê-se que sua
evolução se comporta conforme uma curva exponencial ”. (Informativo Fiema no. 1
– 2022). R$ 31.417,00 que serão alocados nos seguintes negócios:
Petróleo
& Gás, que será entregue a ENEVA; Petróleo & Gás, ponto de
armazenamento de carbono que será entregue a ENEVA; Ferrovia VLI Estreito/MA
será entregue a Multimodal (capital português); Ferrovia Grão Pará -Açailândia
(MA) – Alcântara (MA-Multimodal); Terminal Portuário de Alcântara (MA),
Multimodal; Terminal de Passageiros Ponta d’Areia (São Luís) – Alcântara (MA).
Porto EMAP arrendamento de área para granéis líquidos no Porto de Itaqui
(petróleo e gás); Porto EMAP de exportação de grãos da região do MATOPIBA e
transportes de granéis líquidos; Porto COSAN Construção do TUP; Porto ARIZONA
Mearim (TPM), em Bacabeira (MA) ferrovias Norte-Sul e Estrada de Ferro Carajás
(EFC); Porto Grupo Brado Construção do 1º Porto Seco da ferrovia Norte–Sul, em
Davinópolis (MA); Porto Internacional Marítima – mercado de docagem e reparo de
rebocadores e embarcações; Armazenagem RAIZEN combustíveis; Armazenagem TEGRAM
no Porto de Itaqui; Alumínio ALUMAR Retomada volta a fundir alumínio.
A
lógica empresarial é de exportador de commodities, não há qualquer com a
construção de um parque industrial local ou mesmo, preocupação com o meio
ambiente ou com os povos originários. Salienta-se que essa lógica tem grande
apoio no ambiente político maranhense.
Trocando
em miúdos, estamos exportando riquezas, empregos e futuro e comprando
celulares, tablets, etc., algo parecido como exportar madeira e comprar mesas e
caixões de defunto. Ou seja, o processo de desenvolvimento e de combate à
pobreza só será possível com a realização de uma ação propositiva do Estado
nacional e com o estado provincial, aparelhado e modernizado, como coadjuvante.
Uma
marca histórica da burguesia maranhense é sua relação com o mercado
internacional, a burguesia local se aproximou dos capitais chineses, visa ser o
maior centro exportador de grãos, minérios, petróleo e gás ao mercado chinês (e
outros mercados). Esta é forma que objetivam a adesão do Maranhão à Rota da
Seda.
Por
fim, as esquerdas, os nacionalistas, comunistas, socialistas, os progressistas,
os movimentos sociais e sindicais cabem construir um outro tipo de relação com
o desenvolvimento. Uma outra relação é possível de ser estruturada através da
alavancagem do mercado interno. Apesar da ampla produção agrícola, aqui não é
desenvolvido um trator; eles vêm da Suécia, Alemanha, EUA etc.
Apesar
da riqueza de minérios, aqui não é produzido um alto-forno, eles vêm da China,
Itália, Alemanha, EUA, apesar das reservas de petróleo e gás, não temos
refinarias ou indústria que possibilitem a utilização do gás em carros e ônibus
e caminhões (GNV e GNL) vale inclusive para coisas simples como roupas e
calçados.
Os
ciclos de desenvolvimento exportador-importador, criaram e criam mais
dependência e subalternidade. Para superar isso é preciso, mudar a mentalidade
neoliberal dominante, modernizar o Estado, reorganizá-lo com capacidade e
autonomia, dotando de funcionários efetivos. É preciso dotá-lo de capacidade de
planejamento e execução. Isso só será possível, chamando a população ao debate
público e a pressão dos movimentos sindicais e popular.
Fonte:
Por John Kennedy Ferreira, em A Terra é Redonda

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